Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Timor-Leste e Singapura reforçam diálogo político e cooperação em vários sectores

Timor-Leste e Singapura decidiram na sexta-feira reforçar o diálogo político e a cooperação nos setores da economia, educação e saúde no âmbito da primeira visita de um primeiro-ministro daquele país a Díli


“Singapura tem sido um parceiro de confiança e um amigo de Timor-Leste. Tem apoiado o nosso povo, as nossas instituições e a nossa preparação para a adesão à ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático]”, afirmou Xanana Gusmão, em conferência de imprensa, após um encontro com o seu homólogo, Lawrence Wong.

“Timor-Leste espera dar continuidade aos resultados desta visita, incluindo nas áreas da cooperação no âmbito da ASEAN, mobilidade laboral, educação, saúde, investimento, conectividade e assuntos regionais”, salientou o líder timorense.

Durante o encontro, Singapura anunciou também a intenção de abrir determinados setores da sua economia a trabalhadores timorenses. “É um anúncio importante. Representa um desenvolvimento muito significativo nas relações entre os nossos dois países”, afirmou Xanana Gusmão, que destacou que será uma oportunidade para os trabalhadores timorenses adquirirem competências e experiência profissional.

O primeiro-ministro de Singapura considerou a visita como “histórica” por ser a primeira que um chefe de Governo do seu país faz a Díli, mas também por se realizar durante o primeiro ano em que Timor-Leste é membro de pleno direito da ASEAN.

“Singapura sente-se privilegiada por poder acompanhar Timor-Leste no seu percurso de construção da nação”, disse Lawrence Wong, recordando que o apoio do seu país começou ainda antes da restauração da independência.

Lawrence Wong disse também que Singapura vai continuar a apoiar Timor-Leste na integração regional e reforçar o programa para preparar a presidência de Timor-Leste da ASEAN.

Sobre a mobilidade laboral, o chefe do Governo de Singapura salientou que é uma iniciativa “vantajosa para ambas as partes”. “Timor-Leste é uma nação jovem, mas acreditamos que possui um enorme potencial de desenvolvimento e crescimento. Singapura fará a sua parte para ajudar Timor-Leste a ter sucesso”, salientou.

No âmbito da visita foi também assinado um memorando de entendimento para estabelecer consultas bilaterais entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros de ambos os países.

Lawrence Wong chegou quinta-feira a Timor-Leste para uma visita de 24 horas, que terminou sexta-feira com um banquete oficial.

Antes do encontro com o primeiro-ministro, Lawrence Wong recebeu o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste no Palácio da Presidência e reuniu-se com o chefe de Estado, José Ramos-Horta. Na altura, José Ramos-Horta salientou que “Singapura tem sido um parceiro inabalável” no percurso de construção de Timor-Leste e disse estar convicto de que a visita de Lawrence Wong “abrirá novos e estimulantes capítulos” nas relações bilaterais. In “Ponto Final” - Macau


sábado, 25 de outubro de 2025

Timor-Leste - Jovens esperam que adesão de Timor-Leste à ASEAN não seja apenas simbólica

Jovens timorenses esperam que a adesão de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) não seja apenas simbólica, mas que o país diversifique várias áreas para se tornar mais competitivo na região. “A adesão de Timor-Leste à ASEAN é uma conquista muito importante, através da qual o nosso país pode obter diversas oportunidades na região. Penso que isso é algo muito positivo”, disse à Lusa Felipe Freitas Cabral, estudante do Instituto Superior Dom Bosco (ISDB). Mas, considerou Felipe Freitas Cabral, Timor-Leste ainda não se empenhou o suficiente para elevar os seus padrões para responder às exigências da organização, o que pode fazer com que esta adesão acabe por ser apenas simbólica. “Participamos na ASEAN apenas como símbolo, mas dentro da organização não temos influência e apenas figuramos como membros. E sem influência, não conseguimos competir dentro desta região”, sublinhou o jovem timorense.


Felipe Freitas Cabral afirmou que Timor-Leste precisa “primeiro de diversificar a sua economia, porque atualmente 90% depende do petróleo e do gás. Isso revela uma grande lacuna ou um problema que o país tem de resolver rapidamente”. “Para aderir plenamente à ASEAN, penso que primeiro devemos fortalecer a nossa economia, de modo a conseguirmos competir com os outros países da região”, acrescentou Freitas Cabral.

Quanto ao contributo da juventude para o país, o jovem destacou que todos têm um papel a desempenhar, sendo fundamental que os estudantes se empenhem e adquiram boas competências para contribuir para o desenvolvimento nacional.

Para Aprilia Martins, estudante da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), a adesão de Timor-Leste à ASEAN é uma “grande oportunidade” para o desenvolvimento de vários setores. Segundo a jovem, a ASEAN poderá igualmente permitir o reforço das relações políticas e da cooperação bilateral com os países-membros, e no campo da educação, os jovens timorenses poderão beneficiar de bolsas de estudo em universidades reconhecidas da região.

No sector agrícola, a jovem timorense expressou esperança de que se possa promover o desenvolvimento tecnológico entre os agricultores. Questionada sobre o contributo da juventude timorense, Aprilia Sonita Martins afirmou que é importante começar desde já a preparar-se para competir com os jovens dos outros países da região. “Precisamos estudar com empenho, porque no futuro seremos a força que conduzirá o desenvolvimento do nosso país”, concluiu a estudante da UNTL.

Timor-Leste vai tornar-se no domingo o 11.º Estado-membro da ASEAN, durante a cimeira de chefes de Estado e de Governo desta organização do sudeste asiático, que se vai realizar em Kuala Lumpur, na Malásia, 14 anos depois de ter apresentado o pedido de admissão. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 3 de julho de 2025

Myanmar - Afirma estar contra a adesão plena de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, desvalorizou a posição do Myanmar, que afirmou estar contra a adesão plena de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), prevista para Outubro.


“Uma decisão [foi] tomada em cimeira pelos chefes de Estado, não haverá outra que possa alterar aquela decisão. (…) Myanmar não participa a nível de cimeiras de chefe de Estado, nem a nível ministerial, como sanção aplicada pela própria ASEAN na sequência do golpe de 2021”, afirmou o Presidente. “Não faz a mais pequena diferença”, acrescentou José Ramos-Horta num encontro com os jornalistas na Presidência timorense, em Díli, quando questionado sobre a posição de Myanmar.

Notícias ontem divulgadas em vários órgãos de comunicação social asiáticos indicam que Myanmar enviou uma carta à presidência da Malásia da organização a manifestar que não apoia a adesão de Timor-Leste, porque “não adere ao princípio de não interferência em assuntos internos consagrada na carta da ASEAN”.

Na sequência golpe de Estado de 1 de Fevereiro de 2021, Myanmar foi sancionado e não participa nas cimeiras de chefes de Estado e de Governo, nem nos encontros ministeriais.

Os líderes da ASEAN aprovaram em Abril de 2021 um consenso de cinco pontos para a junta militar no poder no Myanmar aplicar, mas que até hoje não foi concretizado.

A adesão plena de Timor-Leste à ASEAN vai acontecer na cimeira de chefes de Estado e de Governo a realizar em outubro na Malásia, que assume a presidência rotativa da organização asiática.

Os Estados-membros da ASEAN chegaram a um acordo de princípio em novembro de 2022 para integrar Timor-Leste na organização regional, passando o país a ter estatuto de observador e a poder participar em todas as reuniões, incluindo nas cimeiras.

A ASEAN foi criada em 1967 pela Indonésia, Singapura, Tailândia, Malásia e Filipinas e tem como objetivo promover a cooperação entre os Estados-membros para garantir a paz, a estabilidade e o desenvolvimento económico, social e cultural da região. Integram também a ASEAN o Brunei Darussalam, Camboja, Laos, Myanmar e o Vietname. In “Ponto Final” - Macau



sexta-feira, 25 de abril de 2025

Timor-Leste - Aprova lista de reservas para acordo de investimento de organização regional

O Governo timorense aprovou em Conselho de Ministros, a lista de reservas para adesão ao Acordo Abrangente de Investimento da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), no âmbito do processo de integração plena naquela organização regional.



A lista de reservas, segundo o comunicado, identifica os setores nos quais Timor-Leste mantém o “direito de impor restrições ou conceder preferência a investidores nacionais”.

A lista de reservas inclui a agricultura de subsistência, pesca artesanal, indústria transformadora tradicional e exploração mineira.

Com a aprovação da lista de reservas, Timor-Leste “assegura que a adesão ao Acordo Abrangente de Investimento não compromete os interesses económicos e sociais do país”, pode ler-se no comunicado do Conselho de Ministros.

A decisão vista também “assegurar a conformidade de Timor-Leste com os compromissos regionais exigidos” por aquele tratado, que promove a liberalização e proteção dos investimentos entre os estados-membros da ASEAN, explica o Governo timorense. “Ao aprovar a sua Lista de Reservas, Timor-Leste reafirma o seu empenho na criação de um ambiente estável e atractivo para o investimento estrangeiro, ao mesmo tempo que garante a preservação de margens de flexibilidade para proteger sectores estratégicos e apoiar o desenvolvimento nacional”, acrescenta o Governo.

Os estados-membros da ASEAN chegaram a um acordo de princípio em novembro de 2022 para integrar Timor-Leste na organização regional, passando o país a ter estatuto de observador e a poder participar em todas as reuniões, incluindo nas cimeiras.

A Presidência e o Governo timorense decidiram apontar o ano de 2025 para a concretização da adesão plena, tendo em conta o cumprimento de um roteiro, que exige o estabelecimento de acordos e missões diplomáticas, construção de infraestruturas e preparação de recursos humanos, entre outros.

A ASEAN foi criada em 1967 por Indonésia, Singapura, Tailândia, Malásia e Filipinas e tem como objectivo promover a cooperação entre os estados-membros para garantir a paz, a estabilidade e o desenvolvimento económico, social e cultural da região. Integram também a associação o Brunei Darussalam, o Camboja, o Laos, Myanmar e o Vietname. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Vietname – Presidente da República de Timor-Leste participa em fórum das nações do sudeste asiático

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, viajou para o Vietname para participar no Fórum do Futuro da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e para fortalecer as relações de cooperação regionais.

“O Fórum do Futuro da ASEAN representa uma plataforma crucial para o diálogo e a colaboração, à medida que trabalhamos para construir um sudoeste asiático mais integrado e resiliente”, afirmou o Presidente timorense, citado num comunicado divulgado à imprensa.

Segundo José Ramos-Horta, a participação de Timor-Leste naquele fórum demonstra o compromisso do país com a “cooperação regional” e a disponibilidade para “contribuir de forma significativa para a visão partilhada da ASEAN de desenvolvimento sustentável e prosperidade”.

“À medida que avançamos no nosso processo de adesão, estamos empenhados em trabalhar em estreita colaboração com os nossos vizinhos para enfrentar desafios comuns e aproveitar oportunidades para o crescimento coletivo”, acrescentou o chefe de Estado.

Durante a visita ao Vietname, que termina quarta-feira, o também prémio Nobel da Paz vai realizar reuniões bilaterais com o Presidente vietnamita, Luong Cuong, e com o secretário-geral do Partido Comunista do Vietname, To Lam, para “reforçar os laços diplomáticos” e “aprofundar a cooperação regional e o desenvolvimento”.

No Fórum do Futuro da ASEAN, José Ramos-Horta, que viajou acompanhado de uma delegação do Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense, vai proferir um discurso na cerimónia de abertura e participar numa sessão de perguntas e respostas. In “Ponto Final” - Macau


quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Timor-Leste - Xanana Gusmão diz que o país está a fazer progressos positivos para adesão à ASEAN em 2025

Xanana Gusmão, primeiro-ministro timorense, afirmou que Timor-Leste está a fazer progressos na adesão à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) no próximo ano. “Posso dizer que estamos a 50% de preparação“

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, disse que Timor-Leste está a fazer “progressos positivos” para a aderir à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) no próximo ano, durante a presidência da Malásia da organização regional.

“Há certos requisitos, em alguns estamos avançados, e em outros menos, porque são mais difíceis de cumprir, porque há normas e leis. Em termos gerais posso dizer que estamos a 50% de preparação”, afirmou Xanana Gusmão.

O chefe do executivo timorense falava aos jornalistas no aeroporto de Díli, depois de uma visita oficial à Malásia, a primeira que fez àquele país, que vai assumir em Janeiro a presidência da ASEAN.

O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, disse “que vai fazer todo o possível” para Timor-Leste ser membro pleno da ASEAN durante a presidência da Malásia, “que se dispôs a receber” os técnicos timorenses para formação, afirmou Xanana Gusmão.

Anwar Ibrahim deu o “exemplo do Camboja e do Laos que também levaram vários anos para entrar e depois de completarem os requisitos mais importantes, entraram e depois foram cumprindo os restantes”, acrescentou o primeiro-ministro timorense.

A vice-ministra para os Assuntos da Associação das Nações do Sudeste Asiático, Milena Rangel, que acompanhou o primeiro-ministro na viagem, disse aos jornalistas que o “progresso é positivo”, mas que há acordos económicos que ainda estão a ser tratados, porque as negociações levam mais tempo.

Durante a visita, os governos de Timor-Leste e da Malásia, assinaram também acordos relativos à isenção de vistos, à cedência de um terreno em Díli para a construção da embaixada daquele país em Timor-Leste e um último relativo a ligações aéreas da Batik Air.

Os Estados-membros da ASEAN chegaram a um acordo de princípio em Novembro de 2022 para integrar Timor-Leste na organização regional, passando o país a ter estatuto de observador e a poder participar em todas as reuniões, incluindo nas cimeiras.

A Presidência e o Governo timorenses decidiram apontar o ano de 2025 para a concretização da adesão plena, tendo em conta o cumprimento de um roteiro, que exige o estabelecimento de acordos e missões diplomáticas, construção de infraestruturas e preparação de recursos humanos, entre outros.

O primeiro-ministro viajou acompanhado ainda do vice-primeiro-ministro e ministro do Turismo e Ambiente, Francisco Kalbuadi Lay, e dos ministros dos Negócios Estrangeiros, Bendito Freitas, do Ensino Superior, José Jerónimo, da Saúde, Élia Amaral, e do secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Dias Ximenes. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Timor-Leste - Líder da oposição critica decisão de Myanmar e reafirma defesa de princípios

O líder do maior partido da oposição timorense, a Fretilin, criticou a decisão “extrema” da junta militar de Myanmar expulsar o encarregado de negócios de Timor-Leste, vincando que toda a liderança é consistente na defesa dos mesmos princípios

“A questão da junta militar não participar nas reuniões da ASEAN demonstra que é a junta que está a excluir Myanmar da ASEAN e por isso mesmo a nossa posição é coerente”, disse à Lusa o secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri.

“Queremos ser membro da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) mas não queremos trair os valores e princípios pelo que lutamos, a afirmação de liberdade, paz, democracia e respeito pelo Estado de direito e pelos direitos universalmente reconhecidos”, considerou.

Alkatiri, contactado telefonicamente em Lisboa, onde se encontra em visita, reagia à decisão da junta militar do Myanmar ordenar a expulsão do encarregado de negócios de Timor-Leste, em protesto com posições recentes das autoridades timorenses sobre aquele país.

“O Ministério dos Negócios Estrangeiros em nome do Governo da República da União de Myanmar pede ao encarregado de negócios da embaixada da República Democrática de Timor-Leste, senhor Avelino Fernandes Ximenes Pereira, para deixar o Myanmar o mais tardar até 1 de Setembro”, refere-se numa nota da diplomacia daquele país a que a Lusa teve acesso.

Na nota de duas páginas, a junta militar aponta o que considera ser vários atos cometidos pelas autoridades timorenses, incluindo referências à situação no país pelo Presidente da República timorense, José Ramos-Horta.

Alude ainda a declarações do primeiro-ministro Xanana Gusmão que a 03 de agosto disse que Timor-Leste poderia não aderir à Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) se o organismo regional for incapaz de encontrar uma solução para o conflito no Myanmar. “Enquanto for primeiro-ministro não entra na ASEAN se a ASEAN não convence a junta militar, se não encontrar uma solução. Somos uma democracia. Podemos ter problemas, mas não há golpes de Estado, há respeito pelas eleições presidenciais e parlamentar, mostrando ao mundo que nós temos uma cultura democrática”, disse Xanana Gusmão na altura.

Esses comentários levaram o Governo de Myanmar a convocar o encarregado de negócios, para um voto de protesto a 15 de Agosto. “As declarações imprudentes e irresponsáveis do primeiro-ministro não são apenas prejudiciais par a manutenção das relações bilaterais entre Myanmar e Timor-Leste, mas também negligenciam de forma grosseira os contínuos ataques violentos do grupo terrorista chamado de Governo de Unidade Nacional (NUG)”, refere a nota datada de 25 de Agosto.

Mari Alkatiri disse que a posição de Timor-Leste demonstra coerência e respeito pelos “princípios e valores e convenções internacionais que o país ratificou”, considerando a decisão de expulsão uma “posição extrema”. E considera que a decisão de expulsão “só veio comprovar que o regime não entendeu a posição de Timor-Leste, expressa pelo primeiro-ministro”.

O líder da Fretilin disse que Timor-Leste mantém, há décadas, a vontade de ser membro da ASEAN – organização regional de que Myanmar faz parte e onde Timor-Leste tem estatuto de observador – e que todos devem compreender a posição do país, vincada na sua própria história.

“Nós, os líderes de liberação nacional, viemos de uma luta muito difícil, mas conseguimos rapidamente entender-nos com o Governo indonésio, reconciliamo-nos com a Indonésia, depois deste prolongado conflito de 24 anos demonstramos sentido de Estado”, afirmou. “Isso foi uma demonstração de coerência e consistência do nosso lado de que questões do passado, ainda que pendentes, não são de conflito e problemas. E acho que toda a ASEAN deve compreender isso”, afirmou. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Timor-Leste – Angola pode tornar o país num entreposto para o comércio com o ASEAN

Díli – O Chefe de Estado timorense, José Ramos Horta, e o seu homólogo angolano, João Lourenço, discutiram a possibilidade de uma cooperação bilateral e, no seguimento, oportunidades de investimento na região de Sudeste Asiático (ASEAN), incluindo o estabelecimento de uma embaixada de Angola em Timor-Leste. O foco foi, no entanto, o papel que Angola pode ter na transformação de Timor-Leste num entreposto para transações comerciais com a ASEAN.

Estas discussões surgiram à margem da tomada de posse do novo Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

“O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Angola vai realizar em breve uma visita a Timor-Leste, bem como o Presidente, uma vez que nenhum Chefe de Estado angolano visitou o país. Para além disso, discutimos também a possibilidade de abrir uma embaixada”, informou Ramos Horta, num comunicado da Presidência da República, que a Tatoli teve acesso.

Relativamente à integração de Timor-Leste na ASEAN, o Presidente timorense defendeu que esta será uma plataforma de investimento para a Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP).

“Este ano, 2024 ou 2025, Timor-Leste tornar-se-á membro da ASEAN. Esta será uma plataforma para países como Angola, Portugal e Brasil, de modo a colocarem produtos no país como se este fosse uma plataforma de reexportação para os países da ASEAN”, frisou.

No caso de Angola, o Chefe de Estado timorense afirmou ainda que aquele país é um dos maiores produtores de petróleo, diamantes, ouro e carvão  e alguns empresários angolanos investiram na China e são proprietários de residências em Singapura, pelo que um vínculo à ASEAN já existe e pode ser potenciado via trânsito por Timor-Leste.

Ramos Horta salientou que Timor-Leste poderia tornar-se mesmo num entreposto para a transação de produtos, à imagem do modelo comercial adotado por Singapura para acomodar e fazer circular produtos importados de outros países.

O Chefe de Estado pediu ao Governo brasileiro para estabelecer uma fábrica de medicamentos em Timor-Leste e ao Executivo português para investir na indústria têxtil e na de calçado, uma vez que Portugal produz sapatos de qualidade. Afonso do Rosário – Timor-Leste in “Tatoli”

 

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Timor-Leste - Brasil pode apoiar o país a tornar-se autossuficiente na agricultura, afirma Ramos Horta


Nesta terça-feira, o Presidente de Timor-Leste afirmou que o Brasil pode apoiar o país a tornar-se autossuficiente na agricultura e na luta contra a extrema pobreza e subnutrição.

“Apoiar através da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] na área de agricultura. Timor finalmente vir a ser autossuficiente em toda a gama de agricultura para garantir segurança alimentar” disse José Ramos-Horta, em entrevista à Lusa, em Brasília, um dia depois de ter participado nas celebrações da tomada de posse do novo Presidente brasileiro, Lula da Silva.

“Futuramente virá uma delegação do Governo” frisou o chefe de Estado timorense, acrescentando: “Não vim para pedir ajuda financeira, felizmente Timor-Leste está muito folgado nessa área”.

O Brasil, um dos principais ‘celeiros’ do mundo, tem evoluído ao longo dos anos na sua tecnologia agrícola, muito por ‘culpa’ da Embrapa. Este setor, que emprega 19 milhões de pessoas do gigante sul-americano, só no mês de novembro conseguiu exportar produtos no valor de 11,94 mil milhões de euros, superou pela primeira vez a barreira dos 10 mil milhões de euros no mês.

José Ramos-Horta, que participou numa reunião bilateral com o novo Presidente do Brasil, disse ainda que outra das áreas em que poderá haver interesse mútuo de cooperação é a indústria farmacêutica.

“Uma indústria farmacêutica brasileira, uma indústria de equipamento médico brasileiro em Timor-Leste tem um mercado enorme”, sublinhou o responsável timorense, recordando que o Brasil é uma das potências mundiais neste setor.

José Ramos-Horta recordou ainda que com a possível entrada de Timor-Leste na Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) o país passa a ser uma porta de entrada para uma área com um mercado de 700 milhões de pessoas, sendo que a este número juntam-se Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Japão e China, cujos países têm um tratado de comércio com a ASEAN.

E quer incrementar a área da educação. “Não temos nenhum bolseiro timorense no Brasil, gostaríamos de ver bolsas de estudo brasileiras para timorenses”, disse, acrescentando ainda que gostaria de ver apoio do Brasil ao centro de formação de professores que está a ser criado em Timor-Leste.

À Lusa, José Ramos-Horta deixou ainda rasgados elogios à cerimónia daquele que considerou ser um “homem de Estado”, desde o desfile no Rolls-Royce – que serve a Presidência da República desde 1952 rumo ao Congresso e ainda os dois discursos feitos por Lula já oficialmente Presidente brasileiro

“Discursos extraordinários. Na profundidade do seu humanismo, da sua devoção à situação dos mais pobres, dos negros, dos povos indígenas”, disse, afirmando ter sido uma “grande cerimónia da entrega da faixa”.

Na opinião de José Ramos-Horta, Lula da Silva vai agora receber o país com uma “sociedade profundamente fragmentada, as instituições violadas e por isso muito fragilizadas”. Ainda assim, dando o exemplo dos Estados, considerou que as instituições prevaleceram. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Timor-Leste - Líder da ASEAN prevê adesão do país até ao final de 2023

O primeiro-ministro do Camboja, Hun Sen, que preside actualmente à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), disse ontem estar “optimista” que a adesão de Timor-Leste esteja concluída “o mais tardar no próximo ano”.

Segundo o jornal cambojano Khmer Times, Hun Sen acrescentou que “o processo de adesão de Timor-Leste está a progredir bem”, durante a cerimónia de abertura de uma cimeira dos ministros dos Negócios Estrangeiros da ASEAN, na capital, Phnom Penh.

Na terça-feira, o mesmo jornal tinha avançado que o líder do Camboja tinha também enviado uma carta ao primeiro-ministro timorense, Taur Matan Ruak, a exprimir o seu “apoio inabalável” à adesão de Timor-Leste.

Timor-Leste é actualmente um membro observador da ASEAN, tendo apresentado a candidatura a adesão ao órgão regional em 2011. A última missão de avaliação preliminar da ASEAN esteve em Timor-Leste no mês passado, desta vez focada nas questões económicas, disse o Presidente timorense à Lusa em 18 de Julho.

José Ramos-Horta falava antes de partir para uma visita à Indonésia, que incluiu um encontro com o Presidente indonésio, Joko Widodo, que assume a presidência da ASEAN em Novembro. Ramos-Horta tinha dito em 22 de Abril que a adesão à ASEAN é “uma prioridade absoluta” para Timor-Leste, que permitirá dar um “grande salto no seu desenvolvimento”.

A China, que não faz parte do bloco regional, “continua a apoiar a adesão de Timor-Leste à ASEAN”, disse em 4 de Junho o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, durante uma visita a Díli. Em 25 de Maio, o Governo timorense autorizou o parlamento a elaborar uma lei sobre a recuperação de empresas e insolvência, algo que irá responder às “exigências da integração na ASEAN e na OMC” (Organização Mundial de Comércio). In “Ponto Final” - Macau

 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Por um novo Mercosul

SÃO PAULO – Depois do fracasso nas negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) em 2004, para o qual contribuíram decisivamente os governos de Brasil e Argentina na época, o Mercosul continua mergulhado no isolacionismo que tem marcado a sua atuação desde a assinatura do Tratado de Assunção, em 1991, que assinalou a sua fundação. Tanto que, 26 anos depois, o bloco só conseguiu assinar tratados mais amplos com economias pouco representativas, como Israel e Egito.

Agora, além do esperado desfecho para as conversações com a União Europeia (UE) que se arrastam desde 1999, o Mercosul, que representa 250 milhões de pessoas, prepara-se para firmar acordos com duas economias bastante poderosas, que poderão significar a redenção das nações combalidas que formam o bloco.

O primeiro dos acordos que se prevê, pois as negociações estão em estágio avançado, é com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), formada por Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Miamar, Singapura, Tailândia e Vietnã. Para se ter ideia da importância desse bloco, basta lembrar que representa 9% da população mundial, reunindo 650 milhões de pessoas. Mais: é responsável por 7% das exportações e 6% das importações mundiais.

A Asean, segundo maior parceiro comercial do Brasil na Ásia, com fluxo de comércio bilateral superior a US$ 16,5 bilhões, pode oferecer oportunidades de comércio, investimentos, desenvolvimento de infraestrutura, transferência de tecnologia, educação e turismo.

O outro acordo previsto é com o Canadá, que dispõe de um mercado de compras governamentais avaliado em US$ 246 bilhões, 57% maior do que o brasileiro. Já o Mercosul oferece oportunidades nos setores aereoespacial, ciências biológicas, infraestrutura, telecomunicações e tecnologia da informação, tecnologias limpas, mineração, petróleo e gás. Embora a corrente de comércio entre Brasil e Canadá esteja abaixo do potencial existente – US$ 4,2 bilhões em 2016 contra US$ 6,6 bilhões em 2011, o maior patamar atingido até hoje –, há grandes chances de se intensificar essas relações, já que o mercado canadense é o 10º maior importador do mundo, tendo importado US$ 436 bilhões em 2015.

Obviamente, esses acordos não representam alternativas para as negociações que se travam com a UE e a Aliança do Pacífico (México, Peru, Chile e Colômbia), mas devem ser buscados conjuntamente. As negociações com a UE, por enquanto, tropeçam em discussões sobre subsídios agrícolas do bloco europeu e disputas sobre barreiras tarifárias, além do acesso a produtos industrializados a determinados mercados.

Tampouco se deve descartar a possibilidade de reabertura de negociações para um acordo com os EUA, tarefa em que o governo argentino parece mais empenhado. Seja como for, não se pode deixar de reconhecer que a inclusão do Mercosul na economia mundial passa pela assinatura de acordos com blocos ou nações mais representativas. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br