Portugal deve desempenhar um papel central na ligação sino-lusófona, que a China tem desenvolvido através de Macau, defendeu Fernando Alexandre. De visita a Pequim, o ministro português da Educação anunciou que Portugal e China irão relançar a comissão mista de ciência e tecnologia
Portugal e China vão reactivar a
comissão mista de ciência e tecnologia, que não se reúne desde 2019, para
definir áreas de cooperação e criar instrumentos conjuntos de investigação,
anunciou na sexta-feira o ministro da Educação, Fernando Alexandre. A decisão
foi tomada durante um encontro entre Fernando Alexandre e o ministro chinês da
Ciência e Tecnologia, Yin Hejun, em Pequim, no âmbito de uma visita oficial à
China centrada no reforço da cooperação bilateral nos domínios da educação,
ciência e inovação.
O governante português adiantou que os dois ministros vão
liderar a estrutura, que deverá reunir-se “a muito curto prazo” para definir
prioridades de colaboração e mecanismos concretos para as concretizar.
A comissão mista luso-chinesa de ciência e tecnologia
enquadra-se no acordo de cooperação científica e tecnológica assinado pelos
dois países em 1993 e visa promover projectos conjuntos de investigação,
intercâmbio de investigadores e outras iniciativas de colaboração entre
instituições científicas portuguesas e chinesas. O mecanismo serve também para
definir prioridades comuns e acompanhar a execução da cooperação bilateral
nesta área.
De acordo com o ministro da Educação, Ciência e Inovação
português, a China assume hoje uma importância crescente para Portugal devido
aos seus avanços no ensino superior, na ciência e na tecnologia. “A China tem
algumas das instituições mais relevantes a nível internacional e são líderes em
muitas áreas”, sublinhou.
O ministro indicou que vai ser igualmente criada uma
comissão técnica na área da educação para desenvolver instrumentos destinados a
aprofundar a cooperação entre os dois países, incluindo o reconhecimento mútuo
de qualificações académicas, a mobilidade de estudantes e investigadores e os
programas de dupla titulação.
“O reconhecimento das qualificações, reconhecimento dos
graus, precisa também ser aperfeiçoado e agilizado, porque é essencial para
essa circulação de talento”, afirmou.
Fernando Alexandre destacou ainda a crescente procura da
língua portuguesa na China, referindo que existem actualmente mais de 60
instituições de ensino superior chinesas com cursos de português, frequentados
por mais de 4000 estudantes e leccionados por mais de 200 docentes. “O que
senti em Macau e aqui na China é a importância que a China dá à lusofonia”,
afirmou, acrescentando que Portugal deve desempenhar um papel central nessa
ligação.
Questionado sobre as áreas científicas com maior
potencial de cooperação, o ministro referiu os oceanos e as ciências da vida,
considerando que ambos os países dispõem de capacidades relevantes nesses
domínios. “Oceanos e as ciências da vida, a medicina, foram duas áreas
referidas, porque são duas áreas muito importantes para os dois países”, disse.
Fernando Alexandre salientou ainda que Portugal está a
definir as prioridades nacionais para a investigação e inovação, no âmbito da
nova Agência para a Investigação e Inovação (AI2), processo que deverá estar
mais avançado nos próximos meses.
Sem antecipar conclusões, apontou o mar e as ciências da
saúde como áreas que deverão assumir um papel relevante, por corresponderem a
competências já instaladas em Portugal e a desafios globais partilhados por
ambos os países, como o envelhecimento da população.
O ministro destacou também o crescimento do ensino do
mandarim em Portugal, indicando que a língua é actualmente ensinada em sete
escolas secundárias portuguesas, frequentadas por 340 alunos, um aumento de 60%
nos últimos dois anos.
Fernando Alexandre iniciou na semana passada uma visita à
China, que incluiu Macau e Pequim, onde manteve encontros com responsáveis
chineses da educação e da ciência e visitou instituições académicas dos dois
territórios. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”
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