O projeto NeuroSAFE vai ser financiado com cerca de 100 mil euros no âmbito do Concurso de Projetos Exploratórios 2025 do Programa CMU Portugal
O investigador Paulo Aguiar, do
Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto,
vai liderar um novo projeto financiado em cerca de 100 mil euros pelo Concurso
de Projetos Exploratórios 2025 do Programa CMU Portugal. O projeto intitulado
NeuroSAFE foi um dos sete selecionados para financiamento pela Fundação para a
Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito desta iniciativa de colaboração
internacional com a Carnegie Mellon University (CMU).
“O projeto NeuroSAFE pretende desenvolver novos métodos
de inteligência artificial (IA) para controlar a atividade de neurónios, de
forma segura e adaptativa”, explica o líder do grupo de investigação Neuroengineering
and Computational Neuroscience do i3S. A ideia é criar algoritmos que
observam continuamente a atividade dos neurónios, tomam decisões sobre quando e
como estimulá-los e ajustam essas decisões com base na resposta obtida. Este
processo acontece em tempo real, funcionando de forma semelhante a um sistema
que aprende com a experiência e melhora gradualmente o seu desempenho.
Esta abordagem poderá contribuir para o desenvolvimento
de futuras gerações de sistemas de estimulação cerebral profunda, utilizados,
por exemplo, no tratamento da doença de Parkinson e de outras perturbações
neurológicas.
“Como estes algoritmos não podem ser desenvolvidos
diretamente com pacientes, a equipa recorrerá a plataformas brain-on-chip”,
acrescenta Paulo Aguiar. Estas plataformas funcionam como pequenos laboratórios
onde neurónios vivos são cultivados e ligados a sensores capazes de registar e
estimular a sua atividade elétrica. Isto permite aos investigadores treinar os
algoritmos em condições controladas e seguras.
O projeto resulta de uma colaboração entre o i3S e o Department
of Electrical and Computer Engineering (ECE) da Carnegie Mellon
University, sendo coordenado por Paulo Aguiar em Portugal e por Yorie
Nakahira na instituição norte-americana. Para o investigador do i3S, este
financiamento representa também uma oportunidade para reforçar a cooperação
científica internacional e lançar bases para futuros desenvolvimentos na área
das neurotecnologias. “
Este financiamento é particularmente importante porque
permite estreitar a colaboração entre o i3S e a CMU, gerar dados preliminares e
desenvolver ferramentas computacionais que poderão contribuir para futuras
neurotecnologias inteligentes e personalizadas”, sublinha Paulo Aguiar.
Os resultados provisórios dos Concursos de Projetos
Exploratórios 2025 dos programas CMU Portugal e UT Austin Portugal contemplam
um total de 15 projetos, correspondendo a um investimento global de quase 800
mil euros, integralmente financiado pela FCT. No caso concreto do Programa CMU
Portugal, foram apoiados sete projetos na área das Tecnologias de Informação,
entre 36 candidaturas submetidas.
Desde 2017, o programa já financiou 42 projetos,
contribuindo para reforçar a competitividade internacional e a capacidade de
inovação científica e tecnológica de Portugal. Universidade do Porto -
Portugal
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