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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Burkina Faso - A startup NeereLab Technology lança "Djembé", um novo aplicativo para revolucionar as transferências de dinheiro

No sábado, 25 de julho de 2026, em Ouagadougou, a startup burquinense NeereLab Technology lançou oficialmente o Djembé, um novo aplicativo de transferência de dinheiro. Apresentada sob o tema "Na encruzilhada da inovação e da tecnologia", esta plataforma visa transformar o setor de dinheiro móvel, oferecendo uma solução de pagamento mais acessível e rápida, adaptada às realidades locais

Concebida como uma plataforma digital de serviços financeiros, a Djembé permite enviar e receber dinheiro instantaneamente em todo o mundo.

O aplicativo também integra funcionalidades de poupança, conversão de moeda e pagamentos digitais, com o objetivo de promover maior inclusão financeira.

Segundo Moumouni Ismaël Sinaré, cofundador da plataforma, a Djembé destaca-se pela sua independência das operadoras de telefonia móvel. "A Djembé também oferece soluções para pessoas sem smartphones, graças a um código curto que permite realizar pagamentos e saques em estabelecimentos autorizados."

"O objetivo é facilitar as transações financeiras, incluindo o pagamento instantâneo de salários e depósitos de seguros em caso de sinistro", explicou ele.

Com esta inovação, os autores pretendem democratizar o acesso a serviços financeiros, tanto para populações distantes do sistema bancário tradicional quanto para empresas que necessitam de soluções de pagamento rápidas e seguras.

Para Abdoul Latif Adama, também cofundador da Djembé, o aplicativo já conta com uma sólida rede de parceiros. "O aplicativo já colabora com diversas operadoras de dinheiro móvel no Burkina Faso, bem como com uma instituição financeira sediada no Canadá", indicou, destacando a ambição internacional da plataforma.

Presente na cerimónia de lançamento, o Dr. Boubacar Thiambiano, Diretor de Operações de Portfólio e Promoção da Educação Financeira, elogiou a iniciativa que, segundo ele, faz parte de uma dinâmica de transformação sustentável.

Ele destacou três dimensões principais do projeto: coesão social, inovação por meio da ação e desenvolvimento sustentável.

"Esta ferramenta tradicional promove a reunião, revoluciona as práticas diárias e permite a economia de recursos, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável", disse ele, traçando um paralelo entre o djembé, um instrumento de reunião nas culturas africanas, e essa nova solução tecnológica projetada para aproximar as pessoas por meio de serviços financeiros.

Já disponível na Play Store, o aplicativo Djembé visa facilitar transações financeiras nacionais e internacionais, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, contribuindo também para a modernização do ecossistema de pagamentos digitais no Burkina Faso. Frédéric Kambou – Burkina Faso in “Burkina24”


terça-feira, 9 de junho de 2026

Macau - Enfrenta bloqueios estruturais ao empreendedorismo, diz académico

Um dos fundadores da competição sino-lusófona 929 Challenge insistiu que, apesar dos discursos oficiais sobre inovação e diversificação económica, Macau continua a impor barreiras práticas que dificultam a vida dos empreendedores, sobretudo estrangeiros


A sexta edição da competição de ‘startups’ foi anunciada na sexta-feira, com José Alves, reitor da Faculdade de Negócios da Universidade da Cidade de Macau, a apontar que o evento ajudou a criar consciência e diálogo sobre inovação e empreendedorismo, mas insistiu que Macau deve “ir além da retórica”.

Com uma economia profundamente dependente da indústria do jogo, as autoridades de Macau têm vindo a tentar diversificar a economia local para indústrias selecionadas, incluindo tecnologia, saúde, eventos culturais e finanças. “As políticas da cidade incentivam o empreendedorismo, mas persistem obstáculos práticos, sobretudo para fundadores estrangeiros. Um empreendedor estrangeiro pode registar uma empresa em Macau. Mas não pode operar sem uma autorização de trabalho”, disse.

Para o co-fundador da competição isto gera um “ciclo vicioso” e um “bloqueio estrutural” do sistema, em que regras de imigração, práticas de contratação pública e exigências de gestão de risco das empresas criam fricções que impedem novos projetos de avançar. “A economia de Macau continua altamente concentrada, com seis operadoras de jogo e 34 departamentos governamentais a dominar os recursos”, apontou.

Alves defendeu que estas operadoras e o Governo poderiam desempenhar um “papel decisivo” ao abrir projetospiloto e janelas de contratação em áreas como transformação digital, Inteligência Artificial (IA), eficiência energética ou turismo inteligente. “As ‘startups’ não precisam de caridade. Precisam de oportunidade”, sublinhou, alertando que “sem clientes iniciais e contratos” nenhum ecossistema de ‘startups’ “pode sobreviver”. “Consciência sem acesso gera frustração, e incentivo sem oportunidade gera estagnação”, afirmou, acrescentando que a diversificação permanecerá “uma aspiração em vez de um resultado mensurável”, sem “alinhamento entre política, ambição, e realidade administrativa”.

Desde a sua primeira edição em 2021, a competição atraiu mais de 1420 equipas e mais de 6000 participantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, Portugal, Macau e Hong Kong.

As novidades para a edição deste ano da competição incluem uma parceria inédita com uma exposição de tecnologia e a colaboração com o Parque Científico e Tecnológico de Qianhai, em Shenzhen, uma expansão que a organização diz irá alargar o alcance do evento à zona da Grande Baía.

Os eventos principais da competição vão realizarse de 3 a 4 de dezembro de 2026 como parte da AIE Expo, uma exposição global de IA e tecnologia, realizada em paralelo no hotel-casino The Venetian Macao e em Zhuhai.

Segundo a organização, ao integrar pela primeira vez os eventos na AIE Expo, as ‘startups’ participantes terão acesso direto a mais de 900 expositores e 50 mil visitantes profissionais, incluindo compradores nas áreas da robótica, inteligência artificial, equipamentos inteligentes, saúde digital, mobilidade e eletrónica de consumo, além de parceiros da cadeia de fornecimento da Grande Baía e visibilidade junto de grandes marcas tecnológicas globais.

A edição de 2026 introduz ainda um programa de aceleração, uma iniciativa póscompetição para apoiar a entrada de ‘startups’ nos mercados da Grande Baía e de Macau, com estratégias de acesso ao mercado, formação para investidores, orientação regulatória e mentoria de mais de 100 especialistas. “A China está rapidamente a tornarse o ecossistema de inovação mais dinâmico do mundo. Com os nossos novos programas de Aceleração e Soft Landing, esperamos ajudar os fundadores a passar do ‘pitch’ [apresentações] ao mercado, construindo negócios reais, parceiros reais e clientes reais”, afirmou Marco Duarte Rizzolio, co-fundador do 929 Challenge.

O primeiro grupo de ‘startups’ deverá participar neste programa no início de 2027, com candidaturas abertas em dezembro de 2026. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 19 de maio de 2026

Portugal - ESA BIC Centro: 60 mil euros para impulsionar startups portuguesas com ADN espacial

O Instituto Pedro Nunes (IPN), através do ESA BIC Centro, está à procura de startups portuguesas com soluções espaciais inovadoras ou que utilizem tecnologias ou dados do Espaço. As candidaturas para esta open call decorrem até ao próximo dia 24 de maio de 2026


A iniciativa, integrada na rede oficial da Agência Espacial Europeia (ESA), visa transformar projetos de elevado potencial em negócios escaláveis e competitivos à escala global.

As startups selecionadas beneficiam de um incentivo financeiro direto de 60 mil euros, sem cedência de capital (equity-free), destinado ao desenvolvimento de protótipos, produtos e estratégias de entrada no mercado.

Para além do apoio financeiro, o programa oferece um ecossistema de incubação completo durante até dois anos:

  • Acesso Técnico: Ligação direta a especialistas e infraestruturas da ESA.
  • Mentoria de Negócio: Apoio em modelos de negócio, estratégias de go-to-market e proteção de Propriedade Intelectual (PI).
  • Networking Global: Integração numa rede internacional de investidores e líderes da indústria aeroespacial.
  • Consultoria Especializada: Orientação jurídica e apoio em processos de licenciamento.

O concurso está aberto a Startups portuguesas constituídas há menos de cinco anos, Empreendedores/Projetos ainda em fase de constituição de empresa, Soluções que demonstrem ambição comercial e que utilizem tecnologia espacial (ex: comunicações, satélites, GNSS, novos materiais) ou dados de observação da Terra para aplicações terrestres.

O ESA BIC Centro é uma rampa de lançamento para o talento nacional, provando que o Espaço não é apenas o destino, mas uma ferramenta poderosa para inovar em setores como a agricultura, energia, mobilidade e ambiente.

O prazo para o próximo ciclo de avaliação termina a 24 de maio de 2026. Os interessados devem submeter a sua candidatura através do portal oficial: space.ipn.pt/apply.

O ESA BIC Centro é uma iniciativa da ESA implementada pelo IPN em colaboração com o Pampilhosa da Serra Business Center e a Incuba+ Santa Maria. É financiado pela subscrição portuguesa à ESA, pela Câmara Municipal de Coimbra e pela CIM Região de Coimbra.

Entre 2014 e 2024, a coordenação do programa ESA BIC em Portugal foi assegurada pelo IPN. Em 2026, a iniciativa entrou numa nova fase, prevista até 2028, em que passa a contar com dois programas: o ESA BIC Centro, liderado pelo IPN e o ESA BIC Tagus, coordenado pelo Instituto Superior Técnico.

Para mais informações aceda aqui. Instituto Pedro Nunes - Portugal


quarta-feira, 29 de abril de 2026

Portugal – Startup Brainr ajuda a transformar a indústria alimentar

Há tecnologia portuguesa a mudar silenciosamente o funcionamento de algumas das maiores unidades industriais do país. A prova vem de Leiria, onde a startup Brainr desenvolveu uma solução digital que já gere mais de 30% da produção de carne em Portugal e que será um dos destaques da 360 Tech Industry, marcada para os dias 20 e 21 de maio, na EXPONOR – Feira Internacional do Porto


Descrita como um verdadeiro “cérebro digital” da produção industrial, a plataforma criada pela empresa portuguesa monitoriza, controla e otimiza operações fabris em tempo real. Pensada para responder às exigências específicas do setor alimentar, a tecnologia acompanha todo o ciclo produtivo, desde o planeamento e gestão de armazém até à produção, expedição, controlo de qualidade e rastreabilidade.

O impacto já é visível em várias empresas nacionais. Na AviSabor, a implementação da solução permitiu eliminar erros humanos e acelerar em 50% a rotação de inventário. Já na Comave, os erros de expedição caíram 94%, enquanto a eficiência produtiva registou uma subida de 21%.

Com uma equipa de 32 colaboradores e 11 milhões de euros em financiamento captado, a Brainr pretende agora expandir a operação para outros segmentos da indústria alimentar e reforçar a presença internacional.

Feira mostra nova geração tecnológica nacional

A presença da Brainr integra o Espaço HubTech, área dedicada à inovação emergente dentro da 360 Tech Industry. Ao todo, serão apresentadas nove startups portuguesas com soluções focadas na modernização industrial, digitalização de processos e aumento de competitividade.

Entre elas está a AI-Doc, que aposta em inteligência artificial para facilitar o acesso imediato a informação técnica na manutenção industrial. A Bravo utiliza engenharia inversa e impressão 3D para recriar peças industriais obsoletas, reduzindo custos e tempos de paragem.

A Flinotech leva monitorização industrial em tempo real através de soluções IIoT simples e escaláveis. Já a FabInventors aposta em tecnologia multi-cabeça para acelerar a impressão 3D industrial.

Também em destaque estará a Gomec, com equipamentos inteligentes que reduzem esforço físico e aumentam produtividade, e a Mutu, focada em centralizar equipas e fornecedores numa plataforma colaborativa.

Eficiência energética e fábricas inteligentes

Outro dos nomes em evidência será a Planta, que transforma edifícios e fábricas em sistemas inteligentes, otimizando energia e operações em tempo real. Entre os casos de sucesso surge a Horse, cuja fábrica em Aveiro registou poupanças de 18% em energia e 27% em manutenção após adoção da tecnologia.

A startup mantém ainda um pipeline superior a 26 milhões de euros e parcerias com entidades como a Airbus, Santa Casa da Misericórdia e Ecotainer Factory.

Já a Proximity Formula desenvolve soluções ultrassónicas de precisão para processos críticos, enquanto a Touchfind digitaliza equipamentos industriais para tornar informação técnica acessível com um simples toque.

Um retrato da indústria do futuro

Segundo Diogo Barbosa, Portugal está na vanguarda em vários setores tecnológicos e o HubTech funciona como uma plataforma de aceleração e visibilidade para empresas inovadoras.

A 360 Tech Industry posiciona-se assim como um dos principais encontros nacionais dedicados às tecnologias que tornam os processos industriais mais eficientes, inteligentes e sustentáveis. O evento reunirá soluções ligadas à Indústria 4.0 e 5.0, além de conferências técnicas e sessões especializadas nos auditórios Let’s Talk e Tech For Industry.

Na edição de 2024, a bienal contou com 97 expositores, sendo que 88% das empresas participantes indicaram ter gerado novos contactos comerciais e oportunidades de parceria.

Datas e acesso

A 360 Tech Industry decorre entre 20 e 21 de maio de 2026, entre as 10h00 e as 18h00, na EXPONOR – Feira Internacional do Porto. O acesso é exclusivo a profissionais do setor e deve ser assegurado previamente online através do sítio oficial da organização. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 


segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Portugal - Startup da UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto angaria mais de 10 milhões para produzir barcos elétricos

A MobyFly está a desenvolver embarcações capazes de transportar centenas de passageiros, utilizando 80% menos energia que um barco a diesel


A MobyFly, uma startup incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, angariou 10,8 milhões de euros (10,1 milhões de francos suíços), numa ronda de financiamento Série A, para acelerar a comercialização de barcos elétricos.

Fundada em 2020, na Suíça, por Sue Putallaz, Anders Bringdal e pelo português Ricardo Bencatel, antigo estudante da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP), a MobyFly está a desenvolver embarcações elétricas de alta performance com uma tecnologia baseada em hidrofoils – estruturas em formato de asa, capazes de levantar um barco acima da água –, que conseguem transportar centenas de passageiros a velocidades superiores a 70 km/h. Estes barcos consomem até 80% menos energia do que as embarcações a diesel e permitem reduzir em cerca de 60% os custos operacionais, enquanto eliminam ondas, ruído e emissões poluentes.

Para Ricardo Bencatel, Chief Technology Officer (CTO) da spin-off U.Porto, o mais recente financiamento representa um marco decisivo: “Este investimento permitirá à MobyFly escalar as suas operações, expandir as capacidades de engenharia e I&D, acelerar a comercialização da sua tecnologia de hidrofoils com emissões zero e reforçar o compromisso com um transporte marítimo sustentável e rentável”, diz o alumnus da FEUP.

Os planos imediatos para o montante arrecadado passam por “industrializar e certificar a tecnologia, continuar a evoluir os sistemas de hidrofoil e impulsionar a entrada da empresa em novos mercados internacionais”, explica Bencatel.

A MobyFly traçou metas ambiciosas para os próximos dois anos: ainda em 2025, a empresa pretende lançar a produção da pré-série do modelo MBFY-S, capaz de transportar até 20 passageiros. Já em 2026, esperam concretizar o seu maior objetivo: “lançar o primeiro modelo de produção no verão e vender várias unidades destinadas ao transporte de passageiros até ao final do ano”, revela o cofundador português.

O investimento agora anunciado foi liderado pelo fundo Fonds Révolution Environnementale et Solidaire, financiado pelo dividendo social do Crédit Mutuel Alliance Fédérale e gerido pela Crédit Mutuel Impact, contando ainda com a participação de investidores privados e parceiros institucionais. Universidade do Porto - Portugal




sábado, 28 de junho de 2025

Macau - Competição “929 Challenge” vai premiar ‘startups’ dos PALOP e Timor-Leste

A quinta edição da competição “929 Challenge” em Macau vai incluir um prémio para a melhor ‘startup’ dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) e de Timor-Leste, anunciou a organização.


Marco Duarte Rizzolio, co-fundador da “929 Challenge”, disse à Lusa que o prémio ‘Future Builders’ (Criadores do Futuro) foi criado para encorajar os participantes dos países lusófonos menos desenvolvidos. “Temos uma língua em comum, mas o patamar de desenvolvimento económico de cada um dos países é completamente diferente”, explicou Rizzolio, à margem de uma conferência de imprensa.

A última edição da competição para ‘startups’ chinesas e dos países de língua portuguesa registou um novo máximo, com mais de 1600 participantes em mais de 320 equipas. No entanto, em 2024, a “929 Challenge” não recebeu quaisquer projectos de Timor-Leste ou de São Tomé e Príncipe.

Com o novo prémio, Rizzolio disse esperar que na edição deste ano haja ‘startups’ de todos os nove países lusófonos. “O objectivo é isso, incentivar, mas também é ajudar (…). Se eles conseguem ganhar aquele prémio, já é algo de motivador para eles, para poderem desenvolver o projecto”, explicou.

A ‘startup’ portuguesa Iplexmed, que desenvolve dispositivos de diagnóstico genético rápido, venceu a edição do ano passado, enquanto a também portuguesa NS2, que fornece soluções inteligentes para monitorizar a qualidade da água para uma aquicultura sustentável, ficou em terceiro.

A única vez que uma equipa dos PALOP e de Timor-Leste chegou aos finalistas foi logo na primeira edição, lançada em 2021, em plena pandemia de covid-19, então apenas direccionada a estudantes universitários. Um projecto da Universidade Lusófona da Guiné-Bissau para instalar painéis solares na região de Gabu, no leste do país, ficou em segundo lugar.

“No final, quem ganha muitas vezes são equipas que têm já produtos maduros, serviços maduros”, explicou Rizzolio.

As inscrições estão abertas até 30 de Setembro, tanto para empresas como para equipas de alunos universitários.

Rizzolio, também professor da Universidade Cidade de Macau, recordou que a competição tem novos parceiros, incluindo a Startup Porto, a Cabo Verde Digital e a Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique.

Os melhores 16 planos – oito de empresas e oito de universitários – terão 10 minutos para convencer o júri da “929 Challenge” e potenciais investidores na final, em Novembro.

O outro co-fundador da competição, José Alves, sublinhou que a competição “ainda não é um sucesso” porque até agora não conseguiu atrair projectos para abrir portas em Macau.

“Precisamos de identificar as melhores ‘startups’, investir nelas e trazê-las para o mercado da China continental, ou levá-las da China para os países lusófonos”, explicou o docente.

O concurso é co-organizado pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau) e por várias instituições da RAEM, incluindo todas as universidades.

O secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, Danilo Afonso Henriques, reiterou na conferência de imprensa que “estabelecer ‘startups’ em Macau requer apoio continuado”. “Sem esforços colectivos e sustentados, esta visão corre o risco de permanecer por realizar, tornando redundante os esforços e trabalho árduo de tantos”, alertou o timorense. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 22 de abril de 2025

Europa - Fundadora de startup UPTEC entre as mulheres mais inovadoras

Débora Campos, CEO da AgroGrIN Tech, foi distinguida com o EIT Women Leadership Award, pelo seu trabalho inovador na comunidade EIT



Débora Campos, fundadora e CEO da AgroGrIN Tech, uma startup incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, foi uma das vencedoras do Prémio Europeu para Mulheres Inovadoras (European Prize for Women Innovators), na categoria EIT Women Leadership Award, destinada a membros da comunidade do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT).

“A atribuição deste prémio representa um reconhecimento significativo ao trabalho e à dedicação da equipa da AgroGrIN Tech”, revela a CEO. A startup, fundada em 2017 por Débora Campos, Ana Vilas Boas, e Ricardo Gómez, desenvolveu um processo inovador e ecológico para transformar resíduos industriais de fruta e legumes em ingredientes alimentares funcionais.

“O consumidor está cada vez mais consciente de que aditivos artificiais podem ter impacto na sua saúde, e a indústria está à procura de alternativas de substituição por ingredientes naturais que possam atuar de forma semelhante”, esclarece Débora Campos.

A tecnologia da AgroGrIN Tech permite a extração de enzimas e vitaminas com elevado grau de purificação, através de um processo de transformação que permite a total reutilização dos resíduos identificados em novos produtos alimentares e ingredientes com valor para as indústrias alimentar, nutracêutica e cosmética. “Temos assistido a uma mudança do paradigma de consumos e a AgroGrIN Tech apresenta a solução — ingredientes de origem natural e que são reconhecidos pelo consumidor”, acrescenta a fundadora da startup incubada na UPTEC.

Além do reconhecimento na cerimónia de entrega de prémios, no passado dia 3 de abril em Bruxelas, Débora Campos. recebeu também um prémio monetário de 50 mil euros, que será utilizado para impulsionar o crescimento da empresa: “Estamos a investir em Investigação e Desenvolvimento (I&D) para aperfeiçoar as nossas soluções tecnológicas, melhorar a nossa infraestrutura e expandir a nossa equipa com talentos que impulsionem o nosso crescimento”.

Em 2024, a AgroGrIN Tech juntou-se ao EIT Food Accelerator Network, um programa de aceleração europeu focado na indústria agroalimentar, tendo conquistado o Tech Validation Award no final da iniciativa.

“Para este ano, os principais objetivos (…) incluem inaugurar a nossa planta piloto, que poderá a vir a produzir 30 toneladas de ingredientes anualmente, um enorme passo no nosso scale-up, (…) ampliar a nossa base de clientes e parceiros tanto na área de aplicações, como estabelecer parcerias estratégicas com o início da cadeia de valor”, revela Débora Campos.

Sobre o European Prize for Women Innovators

Esta iniciativa conjunta do Conselho Europeu de Inovação (CEI) e do EIT procura destacar o papel das mulheres que promovem a inovação e o crescimento na União Europeia.

Em onze edições, mais de 30 mulheres inovadoras e empreendedoras foram reconhecidas, e mais de 100 mulheres selecionadas enquanto finalistas. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 24 de março de 2025

Portugal - Startup da UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto lidera projeto para criar airbag de satélites

A startup da UPTEC vai desenvolver um dispositivo inovador que acelera a remoção de satélites inativos da órbita terrestre



O consórcio internacional liderado pela SpaceO, startup incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, venceu o contrato para o desenvolvimento de uma nova tecnologia de recolha de satélites em fim de missão e lixo espacial.

O projeto SWIFT (Spacecraft With Inflatable Termination), orçamentado em 3 milhões de euros e que conta com o apoio da Agência Espacial Europeia (ESA), prevê o lançamento no espaço de uma vela de arrasto insuflável para acelerar a desorbitação e garantir um ambiente espacial mais sustentável.

O SWIFT foi concebido para se tornar o equipamento padrão a bordo de todos satélites a serem lançados no futuro. “Atualmente, os satélites completam a sua missão e permanecem na órbita terrestre durante décadas, agravando o problema dos detritos espaciais,” sublinha João Pedro Loureiro, fundador da SpaceO.

O processo de remoção de satélites inativos – e existem cerca de 9900 a sobrevoar a Terra – pode demorar décadas. “A nossa tecnologia permitirá que, no futuro, os satélites sejam desintegrados de forma controlada – uma vez obsoletos iniciam uma trajetória descendente que os fará incandescer e desintegrar – contribuindo para reduzir o lixo espacial”, acrescenta o responsável da empresa.

O sistema tem dimensões compactas, ocupando apenas 100 mm3, e quando ativado insufla uma vela de arrasto de 1,5 m2 capaz de “abraçar” satélites do tipo 12U até 24 quilogramas de peso. “Embora tenha sido inicialmente concebido para pequenos satélites, o design o SWIFT é escalável e poderá ser adaptado para satélites de maior porte e até constelações de satélites,” refere Pedro Miguel Carneiro, co-fundador da SpaceO.

SpaceO: líder de consórcio multinacional europeu

A SpaceO vai liderar ambas as fases do projeto SWIFT: a fase de desenvolvimento em solo e a fase de lançamento e experimentação orbital. “Quando tudo estiver concluído em 2028, é muito provável que o lançamento do SWIFT seja feito nos Estados Unidos pela SpaceX,” esclarece João Pedro Loureiro.

O consórcio liderado pela SpaceO integra mais três empresas europeias: a luxemburguesa GomSpace, a francesa SpaceLocker e a neerlandesa SolidFlow.

A SpaceO recebeu, em 2023, financiamento da Portugal Ventures no âmbito da call INNOV-ID. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Portugal - Startup de Inteligência Artificial da UPTEC reconhecida pela Microsoft

Os conteúdos multimédia criados pela NILG.AI foram selecionados para o Programa Global de Educação em Inteligência Artificial da Microsoft



A NILG.AI, uma startup de consultoria em Inteligência Artificial incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, acaba de ser selecionada pela Microsoft para integrar o programa Learn with Creators, que reúne criadores de conteúdo online com o objetivo de partilhar conhecimento sobre Inteligência Artificial à escala global.

Fundada em 2018, a NILG.AI dedica-se a ajudar empresas a melhorar os seus processos de decisão e eficiência através da Inteligência Artificial, contando com recursos online dedicados que são partilhados através de um podcast, um blog, cursos, e um canal de Youtube. O canal, liderado por Kelwin Fernandes, doutorado em Engenharia Informática pela Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) e CEO da NILG.AI, foi criado em 2023 e conta com mais de 100 mil subscritores. Com uma abordagem prática e estratégica, os seus vídeos focam-se em ensinar empresas a adotar a Inteligência Artificial de uma forma mais eficiente e adaptativa.

A iniciativa da Microsoft conecta 10 criadores de conteúdo internacionais a recursos dentro de uma comunidade que pretende expandir o acesso à educação em Inteligência Artificial.

“É uma honra enorme ver o trabalho da NILG.AI reconhecido por uma empresa como a Microsoft. Este é um momento que não apenas valida o nosso compromisso com a excelência, mas também nos aproxima cada vez mais do nosso propósito de ser o padrão na adoção de Inteligência Artificial em empresas,” afirma Kelwin Fernandes, CEO da empresa.

A NILG.AI foi recentemente premiada como Data Changemaker of the Year no DSPA Insights 2024, graças a um projeto de Inteligência Artificial criado para otimizar a recolha e gestão de resíduos urbanos no Algarve. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Macau - ‘Startup’ portuguesa Iplexmed venceu “929 Challenge”

As ‘startups’ portuguesas Iplexmed e a Nitrogen Sensing Solutions (NS2) arrecadaram o primeiro e terceiro lugares, respectivamente, na competição “929 Challenge”, em Macau.


A Iplexmed desenvolve dispositivos de diagnóstico genético rápido e a NS2 fornece soluções inteligentes para monitorizar a qualidade da água para uma aquicultura sustentável.
Em segundo lugar, ficou a GreenCoat, de Hong Kong, que desenvolve equipamentos para janelas inteligentes com vista à eficiência energética.
Marco Rizzolio, co-fundador e coordenador da competição 929 indicou à Lusa a apresentação, nesta quarta edição, de “projectos mais maduros e mais sólidos”. “A competição vai ganhando nome, vai ganhando tracção nos países de língua portuguesa, em Macau, na Grande Baía. As incubadoras já sabem o que é o 929, portanto há projectos cada vez mais maduros”, explicou.
Divididas em duas categorias, 16 equipas finalistas – oito ‘startups’ e oito de universidades chinesas e dos países de língua portuguesa, disputaram a final da quarta edição desta competição sino-lusófona.
Macau destacou-se na competição das instituições de ensino superior, com a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau a ficar em primeiro lugar, com um projecto de identificação de pragas e doenças na agricultura com recurso à inteligência artificial, e a Universidade de Macau em terceiro, com uma ‘startup’ especializada em robôs subaquáticos para aplicação industrial e educacional. O segundo lugar foi para a Universidade de Shenzhen, com um projecto de motores energeticamente eficientes para uso industrial.
A edição deste ano registou mais de 1600 participantes e o montante total dos prémios foi de 30 mil dólares e quatro mil dólares em serviços e ferramentas da Alibaba, de acordo com a organização.
O concurso tem a organização conjunta do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) e de várias universidades e instituições da RAEM. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”



quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Portugal - Eólicas para autoconsumo começam “a girar” em setembro

A WindCredible, uma startup portuguesa, vai iniciar em setembro uma fase piloto das suas eólicas para autoconsumo junto de grandes empresas, como a Nestlé e a Galp


A Windcredible vai pôr a girar, num edifício da Nestlé em Portugal, uma eólica diferente: é mais pequena e destina-se especificamente ao autoconsumo. Até ao final do ano, outras dez estarão a girar em várias empresas, a testar diferentes desenhos, para perceber qual é o melhor modelo para escalar. O objetivo é produzir 50 turbinas em 2025.

Foi nas oficinas da Guarda Nacional Republicana, na Pontinha, que começaram a ser desenvolvidas as eólicas para autoconsumo que agora vão ser testadas na Nestlé, mas também, em breve, em empresas como a EDP, Galp e Prio.

O fundador da WindCredible, Filipe Reina Fernandes, capitão na unidade de intervenção da GNR, tinha como função reduzir os custos da eletricidade da sua unidade. Em parceria com António Santos, cabo especializado em eletrónica e transmissões, começou a experimentar ao fim de semana a construção de turbinas “muito arcaicas”, descreve, com material reaproveitado.

Entre experiências, foram apresentados àquele que veio a tornar-se seu sócio, Nelson Batista, especialista em aerodinâmica. “Juntou-se a nós e aportou muito conhecimento”, afirma Reina Fernandes que, apesar de não ter formação em engenharia, se considera um “engenheiro por solidariedade”. Sempre conviveu com esta realidade através do pai, que ensinava metalomecânica numa escola secundária do norte do país. Marvim Fernandes, o pai de Filipe Reina, acabou por também se juntar ao projeto. Depois de várias experiências, que decorriam desde o verão de 2022, em 2023 a empresa abriu atividade.

“A nossa proposta de valor é um produto com muita tecnologia, que seja robusto, com pouca manutenção, com uma componente de software que permita boa gestão do equipamento, permitindo perceber realmente o que está a ser produzido”, explica o fundador, em declarações ao ECO/Capital Verde.

Apesar de estar a trabalhar três segmentos de negócio em simultâneo, a “aposta principal” da WindCredible é mesmo o modelo “urban” [urbano], vocacionado para o autoconsumo. São eólicas de 1 a 3 quilowatts de capacidade, com cerca de 2 metros e meio de altura e 125 quilos. Assim, apesar de o objetivo ser instalar estas eólicas em ambiente urbano ou empresarial, “não é qualquer telhado que aguenta”, explica o fundador. Têm de ser feitos estudos de engenharia para o assegurar. Se os telhados não forem robustos o suficiente, podem ser “plantadas” no solo, com uma pequena fundação e um poste a suportarem as pás.

As pás são muito diferentes do habitual “moinho” que se avista no alto dos parques eólicos tradicionais. Formam uma espécie de espiral, fabricada em fibra de vidro em Vila Franca de Xira, na Xiraplás. Contêm ainda componentes metálicos, oriundos da Póvoa do Varzim, enquanto a parte elétrica é importada da China. “Queremos ter um fornecedor mais próximo ou vir a desenvolvê-las”, partilha o gestor.

O caminho, acredita a WindCredible, é usar estas eólicas em complementaridade com o autoconsumo solar. A empresa calcula que seja possível uma poupança de 350 euros anuais unicamente com a instalação destas turbinas, sem contar com o eventual complemento da solução solar. Neste momento, o retorno para o investimento por parte do cliente está estimado entre os cinco e os 11 anos, mas o objetivo é baixar o intervalo para entre os três e os sete anos. As cidades do litoral são aquelas onde se esperam melhores resultados.

Para já, a empresa está a avançar com três versões diferentes do modelo urbano, que deverão ser trabalhadas ao longo dos próximos meses, enquanto decorrem os respetivos testes piloto. Os empreendedores querem identificar a melhor morfologia, os melhores componentes e ainda otimizar a cadeia de produção. A Nestlé é a primeira empresa a receber um protótipo, e em setembro a instalação deverá estar concluída. A turbina vai erguer-se na cobertura do restaurante. Foi feito um estudo para aferir a resistência do local e criada uma base de apoio onde serão instalados o poste e a turbina.

As restantes nove eólicas que serão testadas deverão ser distribuídas até ao final do ano por clientes tão diferentes como a Galp, EDP, Prio, Allprocare e Porto de Lisboa. A duração prevista para os testes é de um ano, para perceber o desempenho ao longo das diferentes estações. “Algumas destas empresas têm projetos de inovação colaborativa, procuram trabalhar com startups. O objetivo é apresentar a inovação e procurar um caminho conjunto”, explica Filipe Reina, garantindo que “em Portugal não há outra empresa a produzir turbinas desta escala”.

Já no panorama europeu avistam-se potenciais concorrentes. “Existem outras empresas que estão a desenvolver este tipo de tecnologia. Não há nenhuma com repercussão mundial, mas é uma questão de tempo. Se nós não conseguirmos entregar, alguém o irá fazer. Tem de se desenvolver isto com alguma celeridade e colocá-la no mercado o quanto antes”, assevera.

A comercialização está planeada para 2025, à escala de 50 turbinas. Nessa fase, a WindCredible espera contar com distribuidores de soluções de autoconsumo que integrem estas turbinas nas respetivas soluções, permitindo que parte das 50 novas turbinas cheguem às casas dos portugueses. Mas está tudo dependente dos resultados dos pilotos.

Para completar a próxima etapa, o fundador espera angariar um financiamento de 2 milhões de euros, junto de entidades focadas em capital de risco, uma quantia que se junta aos 300.000 euros que sustentaram, até agora, o projeto. Até agora, a lista de investidores é composta pelo investidor-anjo Simão Calado, a Portugal Ventures e a Techstars. O modelo urbano de eólica deverá absorver um terço do novo financiamento, cabendo outro terço a um modelo mais potente, o farm, enquanto o restante destina-se aos recursos humanos. A equipa para já conta com cinco pessoas, mas quer acrescentar perfis técnicos especializados em áreas com o a eletrónica de potência, estruturas, mecânica e aeroespacial.

Das caravanas aos parques eólicos offshore

A empresa quer avançar em três frentes: o já falado segmento urbano, mas também o “nano” e o “farm”. O modelo urbano é de dimensão intermédia, enquanto o nano fica abaixo desta fasquia, servindo consumos tão pequenos como os de uma caravana ou pequenas casas modulares – tem uma potência de 500 watts. Há um cliente, precisamente fabricante de casas modulares, já interessado em receber esta tecnologia. Mas este segmento “não é o foco de momento”. Já foram produzidas três turbinas e também vão iniciar-se os testes, “mas em segundo plano”, comparativamente ao desenvolvimento do modelo urbano. “Quanto mais pequeno o equipamento mais difícil o breakeven, a escala é fundamental”, explica Filipe Reina.

Sobre o modelo “farm”, que tem maior capacidade e adequa-se mais à implementação em parques eólicos, numa lógica de complementaridade com as eólicas tradicionais, afastados das cidades. E são turbinas que podem chegar a “plantar-se” nos parques eólicos offshore. Mas este tipo de aplicação vai exigir mais estudos, esclarece o fundador. A ideia é alimentar unidades de aquacultura, culturas de algas marinhas ou carregamento de embarcações elétricas, anexos à produção de energia eólica offshore.

As eólicas farm deverão ter cerca de 50 metros de altura, bastante menos – cerca de um terço – da altura das eólicas de maior capacidade existentes no mercado. “São uns monstros comparados com as nossas”, afirma o fundador da Windcredible. Uma vez que as turbinas da startup conseguem produzir energia com vento que sopre a velocidades inferiores, podem ser um bom complemento às tradicionais. E têm outras vantagens: a produção de menos ruído e menos necessidade de manutenção, já que dispensam algumas das componentes das turbinas tradicionais. Deverão por isso ter menos impacto em termos ambientais, em particular na fauna.

Neste segmento, adianta Filipe Reina, os maiores concorrentes são empresas dos países nórdicos, que já estão a trabalhar com o mesmo tipo de tecnologia. Este segmento é, contudo, o que está menos avançado, ainda em fase de desenvolvimento. Ana Oliveira – Portugal in Eco



segunda-feira, 1 de julho de 2024

Portugal – Startup da Universidade do Porto no "top 11" mundial da «Nature»

Nascida no INESC TEC e incubada na UPTEC, a Seedsight é capaz de analisar sementes e grãos em menos de um minuto, maximizando a disponibilidade de alimentos


O prémio anual da prestigiada revista Nature, atribuído a spinoffs de base científica – cuja investigação seja original e inovadora e com potencial comercial –, selecionou a Seedsight como uma das 11 melhores empresas a nível mundial.

Incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, e nascida no INESC TEC – Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência, a Seedsight tornou possível, pela primeira vez no mundo, a análise de sementes e grãos em menos de um minuto, maximizando, assim, a disponibilidade de alimentos.

A sobrevivência dos sistemas alimentares, nomeadamente a qualidade, disponibilidade e acessibilidade de alimentos essenciais como os cereais e as sementes, é um dos grandes desafios atuais. O tempo e o elevado custo dos processos de avaliação da qualidade dos grãos fazem com que grandes quantidades de matérias sejam descartadas por degradação ou por baixa qualidade. Mas Portugal está na linha da frente na resolução desse problema, com uma plataforma que cataloga diretamente sementes e grãos e que tem, ao mesmo tempo, capacidade de validar a sua qualidade, assim como prever a sua produtividade (por exemplo, quantas toneladas de farinha poderá originar) através de análises biomoleculares e biofísicas de baixo custo, em menos de um minuto.

Com o desenvolvimento desta tecnologia, a Seedsight tem por objetivo de dotar a cadeia agroalimentar com o conhecimento necessário para melhorar o processo de decisão na aquisição de matérias-primas de produtos alimentares. Esta solução vai permitir lutar contra o desperdício alimentar e a fraude, enquanto asseguram a sustentabilidade ao longo da cadeia de valor.

“Atualmente tem-se registado um aumento de 18-20% nos custos associados com matérias-primas alimentares como o trigo, milho, arroz, aveia, e quinoa, apenas devido a perdas de produtividade em fases precoces na cadeia de valor pela ineficiência dos processos de seleção dos grãos – os quais são demorados e de alto custo”, explica Joana Paiva, CEO da Seedsight.

Acresce a este facto o problema da contaminação de cereais, e outras mercadorias, por micotoxinas, pesticidas metais pesados, alergénios, micro e nanoplásticos, bactérias, vírus, entre outros agentes patogéneos, e os grãos escolhidos e adquiridos por indústrias transformadoras – que podem, por vezes, ser de pouco valor (qualidade inferior) e necessitar de ser misturados com matéria-prima adicional (cereais melhoradores), mais cara, em fases posteriores/tardias da sua conversão em produto alimentar.

“Através de tecnologias blockchain, deep learning, inteligência artificial e sensores óticos, a nossa plataforma tecnológica otimiza a identificação das melhores sementes, espécies, origens e fornecedores de cereais, aos preços mais competitivos; ao mesmo tempo que nos dá outras métricas relacionadas com valores-chave na nossa cadeia alimentar, como a rastreabilidade e a segurança”, explica Joana Paiva.

Com a plataforma Seedsight os intervenientes no comércio agrícola – traders, brokers, agregadores de pequenos agricultores, intervenientes na indústria moageira, agricultores, etc. – conseguem fazer escolhas mais inteligentes na definição e controlo de grãos adaptados à sua realidade através de práticas que contribuem para o aumento da sustentabilidade. Através de um processo de triagem aplicado a lotes completos de grãos, a plataforma prevê otimizar a eficiência de verificação de qualidade, reduzindo significativamente os custos de aquisição e aumentando a produtividade.

“De acordo com o estudo de mercado realizado, modelos apontam para que a nossa plataforma consiga uma redução de 8% nos custos relacionados com a triagem do melhor cereal, até 89% na redução do tempo de aquisição dos melhores grãos e 20% de aumento da produtividade na transformação do cereal em produtos finais, aumentando a rastreabilidade e transparência, abordando eficazmente os desafios da indústria”, refere Joana Paiva.

Startup acumula distinções internacionais

De destacar que a Seedsight já foi nomeada uma das 100 startups europeias do momento, pela Techstars Deep Tech Berlim, recebeu o “2023 Women in AG Award” na maior feira europeia de tecnologia agroalimentar – a AGRITECHNICA -, que decorreu na Alemanha, e ficou no Top 17 dos finalistas do ParticleX Urbantech Global Challenge 2024, uma iniciativa focada no mercado asiático.

Atualmente, a Seedsight também se encontra a realizar alguns estudos pilotos com parceiros em África para a deteção de micotoxinas no âmbito do programa Validate.Global promovido pelos Impact Hubs Vienna, Kigali e Accra. A spinoff também se encontra integrada no projeto europeu EPICENTRE, tendo sido finalista do último cohort do Global Entrepeurnership Center em Dusseldorf, na Alemanha.

“A tecnologia fotónica desenvolvida pela Seedsight tem como objetivo aumentar a qualidade das sementes e dos grãos, alcançando uma melhoria até 10 vezes superior. Para além de ser um importante passo para a negociação de commodities, este processo é vital para a segurança alimentar a nível mundial, traduzindo-se numa proposta de valor decisiva para os clientes e para os investidores”, destaca Martin Schilling, Diretor Executivo da Techstars Berlin e Membro da Administração da Associação Alemã de Startups.

A Seedsight, spinoff do INESC TEC, que criou as condições de base para o nascimento da empresa, numa estratégia assente no apoio ao empreendedorismo deep tech, está também incubada na UPTEC. A spinoff concluiu ainda recentemente um dos mais prestigiantes programas de aceleração do mundo, de acordo com a revista Forbes, – o Techstarts – e tem vencido uma série de prémios, a nível mundial. Universidade do Porto - Portugal


terça-feira, 17 de outubro de 2023

Suíça - Na vanguarda do mercado da imortalidade

Graças aos avanços tecnológicos, há cada vez mais startups e clínicas particulares a prometer prolongar a vida das pessoas por quase 20 anos, mantendo-as em perfeita saúde. Esse novo mercado da longevidade está em plena expansão, principalmente em Lausanne e na Suíça de língua alemã

A Amazentis, uma startup sediada no cantão de Vaud, está a comercializar a urolitina A, uma molécula proveniente da romã e originalmente descoberta por uma equipa de pesquisadores do EPFL.

“Há séculos, as pessoas falam dos efeitos antienvelhecimento da romã”, observou Chris Rinsch, diretor da Amazentis, num programa da RTS.

O composto atualmente só está disponível nos Estados Unidos, mas aguarda aprovação na Europa e na Suíça. Este tratamento preventivo, que deve ser tomado uma vez por dia, tem um preço: três francos por comprimido.

Aumento da expectativa de vida

“As mitocôndrias são pequenas baterias que fornecem energia em todas as nossas células”, explica Chris Rinsch. “À medida que envelhecemos, o funcionamento da mitocôndria diminui. E a nossa molécula, a urolitina A, melhora esse funcionamento das mitocôndrias”, continua o doutor em biologia e engenheiro em formação.

Em testes clínicos, foi observado que camundongos que receberam esse tratamento viveram mais tempo. E, em humanos, houve um aumento do tónus muscular, da força e da resistência.

Ex-presidente do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne (EPFL), Patrick Aebischer atua na +ND Capital, uma empresa de capital de risco fundada em 2002 que investe em ciências da vida e análise de dados.

“Em quatro gerações, nós dobramos a nossa expectativa de vida”, argumenta o professor e renomado especialista em neurociência. “Hoje, podemos imaginar que continuaremos nessa mesma direção. Há um desejo de aumentar [nossa expectativa de vida], não tanto na sua duração, mas na sua qualidade. Acrescentar qualidade aos anos, em vez de anos à vida”, continua ele.

Desde que deixou o comando do EPFL, há quatro anos, Patrick Aebischer tem identificado e investido em startups. A convergência de ferramentas digitais e biotecnologias está constantemente abrindo novas portas.

“As pesquisas estão a avançar e a começar a nos dizer que o envelhecimento é um programa. É possível intervir? Existem alvos? Não se trata de pós mágicos, mas de moléculas de verdade, nas quais podemos intervir para retardar o envelhecimento”, afirma.

Startups e investidores ricos

Atualmente, o mercado da longevidade valeria 25 mil milhões de dólares, segundo a Allied Marker Research (AMR). Espera-se que ele chegue aos 44 bilhões de dólares até 2030, com um crescimento anual de 6%.

Os atores económicos reúnem-se principalmente em Zug, que é um local privilegiado pelos negócios emergentes devido aos seus baixos impostos.

O local é um centro de negócios que abriga novas empresas de longevidade, como a startup Avea Life, que comercializa antioxidantes, um ativador de colágeno, um teste de DNA e epigenético, entre outros.

A empresa recorreu aos serviços de um investidor bastante incomum. Tobias Reichmuth ajudou a levantar CHF 2,5 milhões para a startup de Sophie Chabloz. Nos últimos anos, o homem fez fortuna com criptomoedas, mas o seu novo hobby é o ramo da longevidade.

Os bilionários do mercado digital, como Jeff Bezos, dono da Amazon, Elon Musk e Peter Thiel, fundador do eBay, também não ficaram imunes ao fenómeno.

Na Califórnia, Aubrey de Grey é um dos gurus do transhumanismo. O cientista britânico presta consultoria a várias empresas suíças. Segundo ele, o ser humano que chegará aos mil anos já vive entre nós.

“Com as tecnologias que estão surgindo, poderemos colocar o envelhecimento sob controle médico total nos próximos dez a quinze anos”, explica o homem, que se descreve como um bio-gerontologista.

“O envelhecimento não é uma infecção, é apenas um efeito colateral da vida. Não se trata de curá-lo, mas de contê-lo, para que os mecanismos não se deteriorem”, continua Aubrey de Grey.

Clínicas de luxo

Mas não são apenas startups e investidores que estão a entrar no ramo. As clínicas de luxo também aderiram à tendência. No Chenot Palace em Weggis, no cantão de Lucerna, há todos os tipos de tratamentos, desde a crioterapia até a hipóxia.

“Nosso laboratório de epigenética nos permite observar a expressão de determinados genes ligados a inflamações crónicas e distúrbios neurodegenerativos, bem como a hormónios e antioxidantes”, explica George Gaitanos, chefe do estabelecimento.

“Graças ao RNA mensageiro, podemos medir em tempo real as instruções que o DNA dá ao corpo. Dessa forma, temos um panorama completo do estado do corpo e, acima de tudo, podemos antecipar o que poderia acontecer anos antes dos primeiros sintomas”, continua ele.

Nesta clínica em Lucerna, que também oferece sessões de fotobiomodulação, o preço de base para uma semana de tratamento chega a 8030 francos suíços. Serge Enderlin – Suíça in “Swissinfo”


segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Portugal - Startup da UPTEC vence prémio europeu com terapia inovadora para o cancro

A Beat Therapeutics venceu a «Pitch Competion» da edição deste ano do programa de aceleração espanhol "Startup Olé", na categoria Bio/Pharmatech


A Beat Therapeutics, uma startup incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, foi a vencedora da Pitch Competion do programa Startup Olé, na categoria Bio/Pharmatech, com a apresentação de uma terapia inovadora no tratamento do cancro.

O projeto desenvolvido em conjunto pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP), REQUIMTE, Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) e o Instituto Português de Oncologia, Porto (IPO Porto), participou na 10.ª edição do programa de aceleração espanhol, e foi apoiado pelo EIT Health, na sequência da vitória nos Prémios InnoStars, iniciativa daquele Instituto europeu que visa apoiar startups inovadoras na área da saúde.

A Beat Therapeutics desenvolve opções terapêuticas mais eficazes para pacientes que enfrentam cancros agressivos e com reduzidas taxas de tratamento e sobrevivência. O primeiro medicamento candidato, uma terapia inovadora, mostra grande promessa contra a interação BRCA1/BARD1, um alvo altamente validado no tratamento do cancro.

A singularidade desta terapia reside na sua eficácia excecional, mecanismo de precisão que garante segurança, enquanto evita com sucesso a resistência e elimina eficazmente as células resistentes à quimioterapia, tornando-a num verdadeiro avanço no tratamento do cancro.


Para o cofundador da Beat Therapeutics, Hugo Prazeres, o crescimento rápido desta solução é bastante gratificante. “Quando soubemos que estaríamos na final, ficamos muito nervosos e entusiasmados. (…) O EIT Health permitiu-nos alcançar este destaque e talvez isso nos coloque um pouco mais perto dos nossos objetivos”, projeta o investigador.

Recorde-se que, para além da vitória nos Prémios InnoStars, a Beat Therapeutics foi a grande vencedora do iUP25k 2023 e ficou em segundo lugar no BIP Acceleration, duas iniciativas organizadas pela U.Porto Inovação no âmbito do projeto UI-CAN – Universidades como Interface para o Empreendedorismo.

Depois dessas conquistas, a equipa participou ainda no concurso nacional que colocou frente a frente projetos inovadores nascidos nas sete universidades parceiras do UI-CAN (Aveiro, Beira Interior, Coimbra, Évora, Minho, Porto e Trás-os-Montes e Alto Douro), onde ficou em primeiro lugar.

Além da constituição da startup BEAT-Therapeutics, a equipa formada pelas/os investigadoras/es Lucília Saraiva e Ana Catarina Matos (FFUP e REQUIMTE), Ângela Carvalho, Hugo Prazeres e José Luís Costa (i3s), Maria José Umbelino Ferreira (FFUL) e ainda Silva Mulhovo, da Universidade de Pedagógica de Moçambique, está à procura de financiamento para avançar com estudos que permitirão definir as doses de referência para os primeiros ensaios clínicos.

Sobre o Startup OLÉ

A edição deste ano do Startup OLÉ decorreu de 4 a 7 de setembro, na cidade espanhola de Salamanca.

Ao longo da última década, este programa reuniu mais de 40 mil participantes de mais de 120 países, mais de 1500 startups, scaleups e spin-offs, mais de 1200 palestrantes, e mais de 300 empresas e investidores com carteira de investimentos superior a 100 mil milhões de euros. Universidade do Porto - Portugal