Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Inteligência artificial. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Inteligência artificial. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 16 de junho de 2026

Macau – Inteligência Artificial está a gerar “transformação profunda” em universidades lusófonas

A presidente da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) afirmou em Macau que as instituições de ensino superior lusófonas enfrentam “uma época de transformação profunda”, marcada pela inteligência artificial (IA) e pela digitalização.


“A inteligência artificial está a alterar a forma como produzimos, partilhamos e utilizamos o conhecimento, e a transformação digital redefine os processos de ensino, aprendizagem e investigação”, disse Astrigilda Silveira, na abertura do 35.º Encontro da AULP organizado no território.

Este encontro junta 36 reitores e presidentes de instituições de ensino superior dos Países de Língua Portuguesa (PLP) até amanhã, e coincide com o IV Fórum de Reitores da China, Macau e Países de Língua Portuguesa.

Sobre outro assunto, Silveira alertou também que as “alterações climáticas desafiam particularmente os pequenos Estados insulares, as regiões costeiras e as comunidades mais vulneráveis”, sublinhando que as universidades devem assumir-se como “líderes e promotoras da mudança”, formando profissionais “altamente qualificados e cidadãos comprometidos” com o desenvolvimento sustentável.

“Nenhuma universidade, por mais forte que seja, conseguirá responder sozinha aos grandes desafios globais. Precisamos da ciência colaborativa, da rede de investigação, de partilhar infra-estruturas, conhecimentos e talentos”, frisou a também reitora da Universidade de Cabo Verde.

A responsável destacou que os programas de mobilidade, as parcerias internacionais e os projectos de investigação colaborativa já demonstraram o valor acrescentado da associação, mas advertiu que os próximos anos exigem “mais ambição”.

Entre as prioridades, apontou o reforço da colaboração científica entre os membros, a internacionalização da produção científica em língua portuguesa, a aceleração da transformação digital e da transição energética, bem como a criação de mais oportunidades para estudantes e investigadores.

“A nossa língua é um património comum, mas é também um activo estratégico, um instrumento de aproximação e uma plataforma para a construção de soluções globais a partir de realidades diversas”, afirmou, defendendo que o português deve continuar a afirmar-se como “língua da ciência, inovação e conhecimento”.

Apelou a que o “espírito de cooperação que caracteriza Macau” inspire os trabalhos e decisões da comunidade académica lusófona.

“Que daqui surjam novas ideias, novos projectos, novas parcerias e uma renovada ambição para os 40 anos da nossa Associação”, concluiu.

O evento contou também com a presença do ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, que revelou que o modelo de linguagem de IA em português Amália será apresentado “este mês”.

Este ano, o Ministério da Reforma do Estado classificou o modelo de IA como “estratégico para Portugal”, anunciando que seria “orientado para o desenvolvimento de novos casos de uso, incluindo no sistema educativo, para apoiar alunos e professores com ferramentas adaptadas ao contexto português”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 15 de junho de 2026

China - Pode apoiar o desenvolvimento da inteligência artificial nos países lusófonos

A China pode ajudar os países de língua portuguesa no desenvolvimento da inteligência artificial (IA), uma oportunidade para países em desenvolvimento, partilhando conhecimento de como integrar energia, redes eléctricas e capacidade de computação, defendeu a investigadora Dong Ting, do Centro de Segurança Internacional e Estratégia da Universidade Tsinghua de Pequim.


“Nos últimos anos quando se fala em IA, chips, algoritmos, muitos pensam nos EUA como líder, mas enfrentam limitações na coordenação da rede eléctrica, fragmentada entre centenas de operadores. O futuro da IA depende também da capacidade de planeamento e coordenação”, disse Dong Ting, na sexta-feira.

Segundo a investigadora chinesa, nos EUA a construção de uma linha de transmissão de energia entre estados “pode demorar mais de uma década”, um “gargalo para o desenvolvimento da IA”. “A China conseguiu superar a escassez energética das décadas de 1990 com redes de transmissão de ultra-alta voltagem e planeamento integrado”, sublinhou.

No caso dos países lusófonos, Ting considerou que a integração entre energia verde, capacidade de computação e redes de dados será decisiva.

“O Brasil já está num nível avançado, Cabo Verde mostra inovação em micro redes, Angola investe em cabos submarinos, e Guiné-Bissau precisa de infra-estruturas básicas. Cada país terá um caminho próprio, mas todos podem beneficiar de modelos de cooperação adaptados”, disse.

Ting fez os comentários durante um painel com representantes governamentais do Brasil, Timor-Leste e Guiné-Bissau, realizado durante o 17.º Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas (17º IIICF), organizado em Macau.

Segundo a investigadora, essa experiência pode ser replicada em países em desenvolvimento, incluindo os lusófonos. “A IA pode ser uma oportunidade de fazer o salto tecnológico para o mundo em desenvolvimento”, afirmou.

Entre os exemplos citados, Dong Ting destacou o projeto hidroeléctrico de Belo Monte, no norte do estado Pará no Brasil, onde a empresa estatal chinesa de energia China State Grid, a maior empresa de transmissão e distribuição de energia elétrica do mundo, construiu duas linhas de transmissão de ultra-alta voltagem com “forte recurso a mão-de-obra local”.

“Os nossos amigos brasileiros sabem que 80% da electricidade do país provém de energias renováveis, sobretudo hídrica. Isso é muito positivo, porque todos procuram electricidade verde para alimentar centros de dados”, disse.

Outro caso mencionado foi Cabo Verde, que apesar de não ter petróleo, integrou energia eólica, armazenamento e redes inteligentes. “Micro-redes podem garantir fornecimento estável a hospitais, escolas ou pequenas cidades”, explicou.

Em Angola, Dong Ting recordou a construção do cabo transatlântico ligando África e América do Sul, que reduziu custos de transmissão de dados ao evitar a passagem por Miami. “Se um país tem capacidade de construir, operar e utilizar infra-estruturas, é competitivo”, afirmou.

Já na Guiné-Bissau, a investigadora apontou carências básicas: “Ainda precisa de electricidade, estradas, habitação e planeamento urbano. O modelo de cooperação deve ser adaptado a cada realidade.”

Dong Ting concluiu que a cooperação China e Países de Língua Portuguesa não terá “um modelo único”, mas sim soluções personalizadas.

“Projectos de geração de energia, redes eléctricas, capacidade de computação e centros de dados deixam de ser isolados e tornam-se partes de um mesmo sistema. Isso exige planeamento integrado e de longo prazo”, afirmou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”




segunda-feira, 8 de junho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde desenvolve Inteligência Artificial que aprende a comunicar com neurónios

O projeto NeuroSAFE vai ser financiado com cerca de 100 mil euros no âmbito do Concurso de Projetos Exploratórios 2025 do Programa CMU Portugal


O investigador Paulo Aguiar, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, vai liderar um novo projeto financiado em cerca de 100 mil euros pelo Concurso de Projetos Exploratórios 2025 do Programa CMU Portugal. O projeto intitulado NeuroSAFE foi um dos sete selecionados para financiamento pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito desta iniciativa de colaboração internacional com a Carnegie Mellon University (CMU).

“O projeto NeuroSAFE pretende desenvolver novos métodos de inteligência artificial (IA) para controlar a atividade de neurónios, de forma segura e adaptativa”, explica o líder do grupo de investigação Neuroengineering and Computational Neuroscience do i3S. A ideia é criar algoritmos que observam continuamente a atividade dos neurónios, tomam decisões sobre quando e como estimulá-los e ajustam essas decisões com base na resposta obtida. Este processo acontece em tempo real, funcionando de forma semelhante a um sistema que aprende com a experiência e melhora gradualmente o seu desempenho.

Esta abordagem poderá contribuir para o desenvolvimento de futuras gerações de sistemas de estimulação cerebral profunda, utilizados, por exemplo, no tratamento da doença de Parkinson e de outras perturbações neurológicas.

“Como estes algoritmos não podem ser desenvolvidos diretamente com pacientes, a equipa recorrerá a plataformas brain-on-chip”, acrescenta Paulo Aguiar. Estas plataformas funcionam como pequenos laboratórios onde neurónios vivos são cultivados e ligados a sensores capazes de registar e estimular a sua atividade elétrica. Isto permite aos investigadores treinar os algoritmos em condições controladas e seguras.

O projeto resulta de uma colaboração entre o i3S e o Department of Electrical and Computer Engineering (ECE) da Carnegie Mellon University, sendo coordenado por Paulo Aguiar em Portugal e por Yorie Nakahira na instituição norte-americana. Para o investigador do i3S, este financiamento representa também uma oportunidade para reforçar a cooperação científica internacional e lançar bases para futuros desenvolvimentos na área das neurotecnologias. “

Este financiamento é particularmente importante porque permite estreitar a colaboração entre o i3S e a CMU, gerar dados preliminares e desenvolver ferramentas computacionais que poderão contribuir para futuras neurotecnologias inteligentes e personalizadas”, sublinha Paulo Aguiar.

Os resultados provisórios dos Concursos de Projetos Exploratórios 2025 dos programas CMU Portugal e UT Austin Portugal contemplam um total de 15 projetos, correspondendo a um investimento global de quase 800 mil euros, integralmente financiado pela FCT. No caso concreto do Programa CMU Portugal, foram apoiados sete projetos na área das Tecnologias de Informação, entre 36 candidaturas submetidas.

Desde 2017, o programa já financiou 42 projetos, contribuindo para reforçar a competitividade internacional e a capacidade de inovação científica e tecnológica de Portugal. Universidade do Porto - Portugal


quinta-feira, 26 de março de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra desenvolve tecnologia de Inteligência Artificial para reconhecer emoções na música

Uma equipa de investigadores do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), está a desenvolver novas tecnologias de Inteligência Artificial (IA) capazes de identificar automaticamente as emoções presentes na música, combinando análise do áudio e das letras das canções.


O trabalho é realizado no âmbito do projeto MERGE – Music Emotion Recognition: Next Generation, coordenado por Rui Pedro Paiva, docente da FCTUC, e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia com um orçamento de 196 mil euros. A equipa inclui os investigadores Matthew Davies, Pedro Lima Louro, Renato Panda, Ricardo Malheiro e Ricardo Santos.

O objetivo é melhorar os sistemas que permitem classificar música de acordo com a emoção que transmite, funcionalidade cada vez mais relevante em plataformas de streaming.

Segundo Rui Pedro Paiva “o projeto MERGE pretende dar um salto na investigação nesta área, combinando áudio e letra das músicas para criar sistemas capazes de classificar emoções automaticamente, utilizando inteligência artificial, processamento de sinal áudio e linguagem natural.”

Uma das principais inovações é a abordagem bimodal, que integra dados do áudio e da letra, permitindo extrair descritores musicais relacionados com ritmo, tonalidade, expressividade e percussão. O projeto inclui também novas bases de dados públicas de música anotadas emocionalmente, fundamentais para robustecer a investigação nesta área.

Entre os resultados já obtidos está um protótipo de aplicação que posiciona cada música num “mapa emocional” com dois eixos: valência (emoções positivas ou negativas) e ativação (intensidade emocional). Isto permite criar playlists personalizadas ou explorar música conforme o estado de espírito do utilizador.

Além do avanço científico, o projeto pretende demonstrar estas inovações através de uma aplicação autónoma e uma plataforma web, contribuindo para o desenvolvimento de sistemas mais precisos e úteis em Music Emotion Recognition.

O MERGE representa um avanço significativo num campo multidisciplinar que combina informática, ciência de dados, psicologia musical e inteligência artificial, com potencial impacto em bibliotecas musicais digitais, plataformas de streaming e novas formas de interação com música.

O projeto contou ainda com a contribuição significativa do estudante de doutoramento Tiago Ribeiro e de vários estudantes de mestrado que participaram no desenvolvimento do trabalho científico, entre os quais Alice Mangara, Hugo Redinho, Guilherme Almeida, Guilherme Branco, Luís Seco, Mariana Paulino, Pedro Sá, Samuel Machado, Simone Chieppa, Tiago Ribeiro e Tomás Ferreira. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 2 de março de 2026

Internacional - Cancro do colo do útero: Papanicolau "inteligente" pode revolucionar diagnóstico

Fernando Schmitt (FMUP/RISE-Health) assina artigo na "Nature" que revela novo método para a deteção de células cancerígenas, com base em inteligência artificial e tecnologia 3D


Uma equipa internacional de cientistas, da qual faz parte o cientista português Fernando Schmitt, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e diretor da Unidade de Investigação RISE-Health, promete revolucionar o diagnóstico do cancro do colo do útero com uma abordagem inovadora em relação à citologia cervical, mais conhecida como teste de Papanicolau.

O trabalho agora publicado na revista Nature, uma das mais importantes revistas científicas a nível mundial, demonstrou as vantagens de uma nova forma de análise automatizada de amostras de células do colo do útero com recurso à inteligência artificial, em comparação com o método tradicional de citologia clínica. O objetivo é avançar mais precocemente para tratamentos que salvam vidas.

“A utilização da inteligência artificial na clínica permite avaliar as características celulares e classificá-las como normais ou anómalas”, explica Fernando Schmitt, reconhecido a nível internacional como uma das maiores referências mundiais nas áreas de citopatologia.

Intitulado “Clinical-grade autonomous cytopathology through whole- slide edge tomography”, este trabalho de investigação contou também com cientistas, hospitais e empresas de referência do Japão, China e EUA.

De acordo com o professor da FMUP, a automatização deste rastreio vem acelerar o diagnóstico de cancro do colo do útero, doença causada principalmente pela infeção por Papilomavírus Humano (HPV), transmitido por via sexual, e que representa um dos principais tipos de cancros nas mulheres.

Atualmente, as células colhidas são avaliadas no microscópio pelo olhar do profissional. O processo tem, no entanto, algumas desvantagens, como a subjetividade da interpretação e a variabilidade do resultado.

Este novo sistema de inteligência artificial aplicado à citologia tradicional é o primeiro que consegue, de forma completamente autónoma, fazer uma triagem das células anormais, permitindo um diagnóstico mais rápido, mais preciso e mais objetivo.

Como explica Fernando Schimtt, “a automatização da citopatologia pode também detetar lesões precoces, acelerando e melhorando o diagnóstico do cancro”.

O novo método faz um scan das células e reconstrói, em tempo real, uma imagem em 3D que permite “ver” melhor as suas características. Depois, a plataforma utiliza algoritmos avançados para agrupar perfis semelhantes e identificar células anormais com maior exatidão, diminuindo o risco de erro humano.

Do laboratório para a clínica

Esta abordagem com recurso à IA, já testada e validada com milhares de amostras de doentes reais, poderá agora ajudar profissionais e laboratórios de anatomia patológica, ao fornecer um “mapa visual” da classificação das células, o que constituirá uma mais-valia relativamente ao método convencional

Os autores do estudo partilham o entusiasmo e a vontade de implementar este novo método de diagnóstico na prática clínica, num futuro próximo, com ganhos previsíveis para os doentes, para os sistemas de saúde e para a qualidade de vida das populações à escala global.

Espera-se que esta tecnologia possa estar acessível em vários países, constituindo-se como um importante instrumento na abordagem ao cancro do colo do útero, que continua a afetar mulheres em todo o mundo. Os sintomas de alerta incluem hemorragia vaginal anormal, aumento do corrimento vaginal, dor pélvica e dor durante as relações sexuais. Universidade do Porto – Portugal


domingo, 1 de março de 2026

Estados Unidos da América - Português que dirige ensino em Los Angeles investigado pelo FBI

As autoridades norte-americanas executaram esta quarta-feira buscas à residência do responsável máximo pelo Distrito Escolar Unificado de Los Angeles (LAUSD), o português Alberto Carvalho, bem como à sede da própria instituição


As autoridades federais mantêm o sigilo sobre a natureza exata da investigação que envolve o segundo maior distrito escolar norte-americano, mas o jornal Los Angeles Times indica que a operação poderá estar relacionada com a empresa AllHere, tecnológica responsável pelo desenvolvimento de um “chatbot” de inteligência artificial para o LAUSD, que declarou falência em 2024 após o seu fundador ter sido alvo de acusações de fraude.

As diligências do FBI estenderam-se além de Los Angeles, abrangendo a habitação de Alberto Carvalho em San Pedro e um terceiro local nas proximidades de Miami, cidade onde o responsável dirigiu anteriormente o sistema de escolas públicas.

Um porta-voz do FBI confirmou à mesma fonte a realização das buscas, escusando-se a fornecer detalhes adicionais sobre as motivações subjacentes. Adicionalmente, foi reportada uma intervenção num quarto endereço no estado da Florida, alegadamente vinculado a um antigo colaborador da AllHere.

Alberto Carvalho, lisboeta, emigrou para os Estados Unidos aos 17 anos, licenciou-se em Ciências Biológicas pela Barry University em 1990, onde iniciou a sua carreira docente aos 25 anos como professor de Física, Química e Cálculo. Antes de assumir a liderança do LAUSD em fevereiro de 2022, dirigiu as Escolas Públicas do Condado de Miami-Dade durante 14 anos, período em que obteve reconhecimento internacional pela sua gestão educativa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Internacional - Estudo apresenta guia prático sobre como a inteligência artificial pode reforçar a proteção dos oceanos

Um estudo internacional em que participa Catarina Silva, investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), apresenta, pela primeira vez, um guia prático para garantir que a inteligência artificial (IA) aplicada aos ecossistemas marinhos – desde câmaras instaladas em embarcações de pesca até modelos que preveem a saúde do oceano – seja clara, segura e válida.


A investigação, coordenada pelo centro AZTI – Marine and Food Research, publicada na revista Fish and Fisheries, defende que a IA não deve substituir, mas sim reforçar, a aptidão humana de tomar decisões informadas sobre o oceano.

Os investigadores propõem um enquadramento baseado em três pilares para tornar a IA marinha fiável, ética e cientificamente robusta, num contexto em que a sua adoção cresce rapidamente, mas a regulação permanece fragmentada a nível global.

«Estamos a assistir a um aumento massivo na utilização de algoritmos de IA que processam os vastos fluxos de dados marinhos - desde câmaras e sonares, a observações por satélite – mas estes algoritmos muitas vezes não correspondem às expectativas», explica José A. Fernandes, especialista em IA do AZTI e autor principal do estudo, acrescentando que «a questão-chave é: quanta confiança podemos depositar nos algoritmos de IA? Dado que a IA já é uma realidade para o setor das pescas e da investigação marinha, só será útil se for fiável. O nosso trabalho estabelece como garantir essa confiança, combinando ciência, ética e envolvimento do setor».

O estudo alerta para riscos associados ao uso de IA, como erros causados por dados enviesados, falta de validação ou ausência de transparência, que podem comprometer decisões com impacto nos ecossistemas marinhos, comunidades piscatórias e políticas públicas.

O primeiro pilar do enquadramento aborda a viabilidade socioeconómica e legal, defendendo uma IA acessível a todo o setor marinho, alinhada com a regulamentação europeia e desenvolvida com a participação direta das partes interessadas. O segundo pilar foca-se na governação ética dos dados, recomendando a aplicação dos princípios FAIR, CARE e TRUST para garantir qualidade, rastreabilidade, respeito pelas comunidades e preservação a longo prazo.

«Quando a IA é utilizada para orientar decisões que afetam ecossistemas marinhos e meios de subsistência, a acessibilidade, a transparência e a validação são essenciais», afirma Catarina Silva, coautora e investigadora do CFE/FCTUC. «O nosso enquadramento fornece orientações práticas para garantir que a IA reforça a evidência científica e a confiança em todo o setor marinho».

O terceiro pilar centra-se na robustez técnica e na validação científica, defendendo que os modelos de IA devem ser testados em condições reais, com dados independentes e comparações com medições no terreno, assegurando resultados fiáveis e úteis para a gestão.

O enquadramento traz benefícios para a investigação, para a gestão das pescas e para a sociedade, ao reforçar sistemas de apoio à decisão, promover a sustentabilidade, combater a pesca ilegal e apoiar uma economia azul responsável. Em Portugal, o guia pode apoiar a digitalização da economia azul, alinhando a inovação nacional com padrões internacionais de ‘IA de Confiança’.

«Regular a IA será um dos grandes desafios de governação da nossa vida», afirma Julian Lilkendey, biólogo das pescas no Leibniz Centre for Tropical Marine Research (ZMT), Alemanha, e autor sénior do estudo. «No oceano, onde dados e decisões moldam ecossistemas e sociedades, a IA deve servir como ponte entre o julgamento humano e a precisão das máquinas. Só alinhando governação ética, validação científica e inclusão social poderemos garantir que a IA reforça – e não substitui – a nossa capacidade de tomar decisões informadas sobre o mar». Universidade de Coimbra - Portugal


Grokipedia contra Wikipedia

O alerta foi dado pelo governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, ao denunciar TikTok, versão norte-americana, de praticar censura em favor de Donald Trump. Newson recebeu denúncias de utilizadores de TikTok com dificuldades para postar vídeos sobre a morte do enfermeiro Alex Pretti pela polícia anti-imigração ICE.

O jornal suíço Le Temps publicou com destaque uma reportagem sobre acusações de censura e controle do TikTok, numa estranha e perigosa colusão de Silicon Valley com a Casa Branca. Além disso, o próprio uso da inteligência artificial poderia ser manipulado politicamente, pois o ChatGPT passou a utilizar nos EUA, como fonte de informação, a enciclopédia Grokipedia lançada por Elon Musk para concorrer com Wikipedia.

O risco é o controle da informação pela IA segundo a versão dos seguidores de Trump, dispensando mesmo a necessidade de censura. Não será ainda o controle total previsto por George Orwell, mas um 1984 regional. Outro perigo é o de uma enciclopédia desse tipo inventar e impor uma outra narrativa histórica, uma visão ideológica de Elon Musk.

Inicialmente serão os conservadores e fundamentalistas eleitores de Trump os utilizadores dessa enciclopédia, mas rapidamente suas interpretações serão difundidas em outros países, como o Brasil e nos países com movimentos de extrema-direita influentes e em expansão. Já existem mesmo predições de um fim para a neutra Wikipedia, não se podendo excluir a potência financeira e tecnológica do grupo chefiado por Elon Musk.

Dispondo desses meios de doutrinação e controle, cujos efeitos se farão sentir nas jovens gerações a longo termo, Trump, Musk e a extrema-direita fundamentalista poderão testá-los na preparação das eleições de novembro nos EUA.

Se nas eleições brasileiras de 2022, as redes sociais da extrema-direita despejavam fakes news, pode-se imaginar o impacto do uso da IA na propagação de mentiras e falsificações de notícias, com o apoio dos EUA, cujo presidente Trump quer controlar os países sul-americanos. Rui Martins – Suíça

__________

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Portugal - Modelo de inteligência artificial Amália com melhor desempenho em português europeu face a outros modelos abertos

O modelo de inteligência artificial (IA) Amália tem melhor desempenho em português europeu face a outros modelos abertos, de acordo com o relatório técnico da equipa de investimento e desenvolvimento a que Lusa teve acesso.


“Os resultados mostram que o AMALIA-DPO [Direct Preference Optimization] atinge o melhor desempenho entre os modelos totalmente abertos por uma margem considerável, obtendo mesmo os melhores resultados entre todos os modelos em lexicologia e semântica, demonstrando um domínio robusto das competências linguísticas específicas” do português de Portugal em diversas categorias.

O LLM [Large Language Model ou, traduzindo, grande modelo de linguagem] português Amália tem estado em constante evolução pelo consórcio de universidades portuguesas que lidera o seu desenvolvimento.

De acordo com o relatório técnico, em avaliação aprofundada de português europeu, o Amália apresenta vantagens claras face a outros modelos abertos.

Nos exames nacionais portugueses (questões de resposta longa de português), o Amália “obtém a melhor pontuação entre todos os modelos totalmente ‘open source’, demonstrando uma boa compreensão de enunciados complexos e produção de texto coerente, com gramática e registo adequados”.

Neste relatório, “apresentamos um LLM que prioriza a língua portuguesa europeia e o seu contexto cultural”, lê-se no documento, que refere que o Amália utiliza dados do arquivo.pt e dados pós-treino preparados especificamente para o português europeu.

O documento indica que o LLM foi treinado com estratégias de modelação de linguagem e ajuste de instruções.

“Um desafio fundamental no desenvolvimento deste modelo foi a falta de ‘benchmarks’ [referências] para monitorizar o progresso do desempenho do modelo”, é apontado no relatório.

Para mitigar esta limitação, “utilizámos exames nacionais PT-PT, criámos um ‘benchmark’ linguístico e traduzimos vários conjuntos de dados” com um modelo de tradução automática (MT) dedicado de alta qualidade.

“A avaliação mostrou que o Amália supera todos os modelos de código aberto anteriores no PT-PT e muitos modelos ‘open-weight’ [que partilham os pesos (parâmetros treinados)]”, conclui o relatório técnico.

“As experiências em ‘benchmarks’ de compreensão e inferência de linguagem mostram resultados de última geração ou comparáveis, enquanto em ‘benchmarks’ de geração de linguagem o modelo destaca-se na qualidade do texto gerado. As experiências de segurança mostram também que o modelo está alinhado com o estado da arte”, lê-se no relatório.

No futuro, “iremos explorar outros métodos de aprendizagem por reforço e desenvolveremos novas combinações de dados de treino para melhorar as capacidades de raciocínio no PT-PT”.

Ou seja, na prática estes resultados indicam que o Amália está a tornar-se fiável como assistente em português europeu.

O relatório é elaborado por João Magalhães (UNL) e André Martins (IST), coordenadores, e uma equipa de cerca de 20 pessoas da Universidade de Lisboa e Universidade Nova de Lisboa.

O modelo Amalia é desenvolvido por uma equipa composta pela Universidade Nova de Lisboa, o Instituto Superior Técnico, a Universidade de Coimbra, a Universidade do Porto, a Universidade do Minho e a Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O processo de criação do Amália começou com a recolha e processamento de dados em português europeu em larga escala, os quais foram filtrados com base na sua relevância e qualidade linguística. Para este efeito, recorreu-se ao Arquivo da Web portuguesa. O modelo foi pré-treinado com estes dados e posteriormente afinado em outros conjuntos de dados para seguir instruções, raciocinar e resolver problemas.

Para levar a cabo o treino dos modelos, foi utilizada infraestrutura computacional em grande escala, através de supercomputadores nacionais (Mare Nostrum 5 e Deucalion) e europeus (através da rede EuroHPC). In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Portugal - Estudante da Universidade de Coimbra desenvolve modelo de IA para descoberta e otimização de fármacos

Yanan Tian, aluna do Programa de Doutoramento Conjunto entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a Macao Polytechnic University (MPU), desenvolveu um modelo de inteligência artificial (IA) que visa a descoberta e otimização de fármacos.

Esta investigação, publicada na revista Nature Communications, foi realizada sob a orientação dos professores Joel P. Arrais, do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC, e Huanxiang Liu, da MPU, no âmbito do programa Dual Doctoral Degree MPU-UC, que visa promover a cooperação científica e a formação avançada entre Portugal e Macau.

As proteínas quinases constituem uma das classes de alvos terapêuticos mais relevantes na investigação biomédica. O seu potencial resulta do papel central que desempenham na regulação de múltiplos processos celulares, incluindo proliferação, diferenciação e morte celular. No entanto, o desenvolvimento de inibidores altamente seletivos continua a ser um desafio, devido à forte conservação estrutural entre as quinases e ao elevado custo dos ensaios experimentais.

«Este trabalho propõe o modelo MMCLKin, uma estrutura baseada em métodos de IA avançada, concebida para prever com elevada precisão e interpretabilidade a atividade e seletividade de inibidores de quinases, acelerando significativamente o processo de descoberta e otimização de novos fármacos direcionados», explica Yanan Tian.

O MMCLKin combina redes de grafos geométricos, modelos de linguagem para sequências proteicas e mecanismos de atenção multicanal para identificar as características críticas das interações entre quinases e fármacos. «Os resultados demonstram que o modelo supera os métodos existentes na previsão da afinidade e seletividade de inibidores, mesmo em casos que envolvem estruturas desconhecidas ou quinases mutadas», afirma Joel P. Arrais.

De acordo com os autores do estudo, os ensaios biológicos ADP-Glo validaram o poder preditivo do modelo, demonstrando que cinco compostos sugeridos pelo MMCLKin inibem de forma eficaz a mutação LRRK2 G2019S, associada a doenças neurodegenerativas, sendo quatro deles ativos em concentrações nanomolares. Estes resultados reforçam o potencial do MMCLKin como ferramenta para acelerar o desenvolvimento de terapias direcionadas, abrindo novas perspetivas para o desenho racional de fármacos com maior seletividade e eficácia clínica.

«A abordagem proposta representa um avanço na aplicação da Inteligência Artificial à descoberta de fármacos, demonstrando como modelos computacionais de nova geração podem reproduzir in silico processos biológicos complexos que, de forma experimental, podem demorar anos ou mesmo décadas. O MMCLKin exemplifica como modelos baseados em IA conseguem simular e compreender interações moleculares com um grau de detalhe que permite prever a atividade e a seletividade de inibidores com elevada precisão», sublinham  

Esta capacidade permite a identificação rápida de candidatos terapêuticos promissores, reduzindo significativamente o tempo e o custo da investigação farmacêutica. Para além do seu impacto imediato, o MMCLKin abre novas direções de investigação no campo da modelação de quinases, ao proporcionar um quadro unificado para analisar padrões estruturais, mutacionais e funcionais ao longo de toda a família de quinases humanas.

«Este tipo de abordagem pode evoluir para modelos generalistas capazes de antecipar o comportamento de novas quinases — incluindo aquelas ainda sem estrutura identificada — e apoiar o desenho racional de terapias seletivas e personalizadas em diversas áreas, desde o cancro às doenças neurodegenerativas», concluem. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 21 de outubro de 2025

Macau - CTM desenvolve ferramenta de Inteligência Artificial em língua portuguesa

A Companhia de Telecomunicações de Macau apresentou a sua “Nova Visão” para o sector tecnológico da RAEM, com destaque para o desenvolvimento de um modelo de linguagem de inteligência artificial em português. A empresa deu também a conhecer um conjunto de descontos para os seus clientes, com efeito a partir de Janeiro de 2026


Ebel Cham, vice-presidente das operações comerciais da Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), anunciou em conferência de imprensa, planos para desenvolver e implementar um modelo de linguagem português de inteligência artificial (IA) que suportará geração de relatórios, tradução audiovisual e serviços de consultadoria e de apoio ao cliente no comércio electrónico. O projecto, que visa aproximar a China dos países de língua portuguesa (PLP), faz parte da “Nova Visão” da CTM e de um compromisso abrangente em prol do desenvolvimento da indústria tecnológica da RAEM.

“A razão pela qual tencionamos desenvolver o modelo de linguagem português é porque gostaríamos de torná-lo mais específico e adequado ao mercado de Macau”, explicou Ebel Cham. “Temos muita confiança que possamos [implementá-lo] em várias indústrias, como os sectores do retalho e do turismo. Temos muitos eventos de massas e muitos visitantes dos PLP. Portanto, precisamos de melhorar as proficiências da língua. Além dos serviços de tradução simultânea, também gostaríamos de ter algumas máquinas para que os turistas e residentes possam usá-las convenientemente”, referiu.

Além disso, a empresa pretende “alavancar a ‘internet das coisas’, a ‘big data’, a IA e tecnologias rodoviárias colaborativas para implementar aplicações como monitorização do trânsito em tempo real e sistemas de alerta dinâmicos”, de forma a impulsionar o avanço da rede inteligente do sistema de transportes. Inclusive, a CTM irá integrar o serviço “Baidu Maps” para “melhorar a mobilidade inteligente”.

A operadora tenciona também desenvolver um modelo de linguagem especializado em contextos legais, regulatórios e jurídicos, de modo a proporcionar serviços de consultadoria mais convenientes aos cidadãos.

Em apoio às pequenas e médias empresas (PME) na expansão dos seus canais de venda online, e para acelerar a integração das mesmas na Grande Baía, a CTM planeia lançar a plataforma electrónica da “Loja Certificada de Macau”, com um “acesso directo eficaz e fiável” ao mercado transfronteiriço. A companhia espera que, ao alavancar as transmissões ao vivo do comércio electrónico, os comerciantes de Macau possam conectar-se aos consumidores da Grande Baía, “melhorando assim as vendas e a eficiência do mercado”, apontou Ebel Cham.

No que diz respeito aos serviços de ‘big data’, a CTM vai aperfeiçoar o suporte à administração pública, com serviços de análise de dados anónimos em tempo real, para serviços governamentais e empresariais. Ao mesmo tempo, a concessionária planeia “colaborar com parceiros para criar uma plataforma de dados descentralizada que ofereça soluções de compatibilidade para empresas da Grande Baía”.

Descontos pontuais para clientes individuais

Todos os clientes da operadora de telecomunicações que tiverem celebrado contrato com a CTM até 30 de Setembro de 2025 beneficiarão de descontos ao longo do próximo ano. As reduções de preço abrangem indivíduos, PMEs, grandes corporações e departamentos governamentais. Em Setembro, a companhia tinha anunciado que iria rever as tarifas dos seus serviços.

Clientes individuais e PMEs elegíveis beneficiarão de descontos de 10% e 20%, respectivamente, em Janeiro, Abril, Julho e Outubro de 2026. Ademais, a partir de Janeiro do próximo ano, o preço para dados móveis adicionais cairá de 13 para 8 patacas por gigabyte, correspondendo a uma redução de 38,5%.

O plano mensal de serviço de telefone fixo para empresas será reduzido para 140 patacas a partir do próximo ano, sendo que estes clientes beneficiarão também de uma taxa de 112 patacas para serviços de banda-larga.

Grandes corporações e departamentos do Governo poderão auferir de um desconto de 20% nas mensalidades de Janeiro e Julho. Clientes comerciais que tenham serviços de “Direct Internet Access” beneficiarão de um desconto mensal de 10% no primeiro mês de cada semestre.

Estas medidas visam “suportar o Governo da RAEM na criação de um ambiente mais favorável para negócios, e melhorar a satisfação dos cidadãos”, notou Ebel Cham. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Cabo Verde - Cidade da Praia vai acolher a 13.ª edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa

A cidade da Praia, em Cabo Verde, será palco, de 16 a 18 de outubro, da 13.ª edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa (EELP), que este ano se realiza sob o tema “Independência, Literatura, Inteligência Artificial”. O evento é organizado pela UCCLA em conjunto com a Câmara Municipal da Praia.


A abertura oficial contará com a intervenção do Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, e o encerramento do ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga.

O encontro reunirá escritores, investigadores, editores, professores, críticos literários e leitores de vários países e regiões do espaço lusófono, promovendo o diálogo em torno do tema em análise. O programa coloca a Inteligência Artificial no centro das questões que hoje atravessam a criação literária e o futuro do livro.

Nesta edição estará, também, em foco o V centenário do nascimento de Luís Vaz de Camões, num ano em que se assinala o cinquentenário das independências em vários países lusófonos.

Escritores confirmados:

Angola: Israel Campos;

Brasil: Ozias Filho;

Cabo Verde: Adolfo Lopes, Arménio Vieira (texto), Dina Salústio, Germano Almeida, Hélio Varela (vídeo), Manuel Pereira Silva, Nardi Sousa, Paulo Veríssimo, Princezito e Sérgio Raimundo;

Galiza: Teresa Moure Pereiro;

Guiné-Bissau: Emílio Tavares Lima;

Macau/China: Joaquim Ng Pereira; 

Moçambique: Sérgio Raimundo;

Portugal: Hélia Correia, Isabel Castro Henriques (vídeo), João de Sousa (editora A Bela e o Monstro - edição comentada Os Lusíadas), Manuel Alegre (texto) e Ricardo Araújo Pereira; 

São Tomé e Príncipe: Alice Goretti Pina;

Angola/Portugal: Cláudio Silva - Vencedor do Prémio de Revelação Literária.

Folheto da 13.ª edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa. UCCLA

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

China - Lança novo visto para jovens cientistas e engenheiros para atrair talentos

Pequim - O governo chinês anunciou no dia 14 que alterará os seus regulamentos sobre o controlo de entrada e saída de estrangeiros, criando um novo "visto K" para "jovens talentos científicos e tecnológicos". O novo visto entrará em vigor em 1 de outubro. A intenção do governo é atrair jovens talentosos do exterior para as áreas de ciência e tecnologia e utilizá-los em inovação tecnológica.

Para obter o visto K, os candidatos devem atender a certas condições estabelecidas pelas agências governamentais chinesas relevantes. As condições específicas são desconhecidas. A China está a concentrar-se em promover tecnologias de ponta, como inteligência artificial (IA), robótica e semicondutores, e treinar engenheiros envolvidos nesses desenvolvimentos é um desafio. Kyodo News - Japão

 

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Lusofonia - A língua portuguesa deve investir mais na inteligência artificial, diz especialista

O Conselheiro da União Internacional de Telecomunicações, UIT, Simão Campos acredita que a tecnologia deve beneficiar todos os países lusófonos e codificar muitas línguas locais ainda não escritas, lembrou que este ramo da ciência ainda é dominado pelo inglês, mas a tendência é de expansão a outros idiomas


A língua portuguesa deve investir mais na inteligência artificial generativa com criadores e analistas que falam o idioma para utilizar dados no treinamento de sistemas e outros recursos da nova tecnologia em português.

Atualmente, a grande maioria desses modelos e protocolos é gerada em inglês, mas com o avanço da inteligência artificial, países de língua portuguesa devem estar mais preparados para a nova realidade.

Benefícios para os países lusófonos

A ONU News conversou com o conselheiro de inteligência artificial para a saúde, da União Internacional de Telecomunicações, às margens da Cúpula Inteligência Artificial para o Bem, que ocorreu este mês, em Genebra.

Para Simão Campos, é preciso entender a nova tecnologia e procurar os benefícios para os países lusófonos.

“Eu acho que está connosco, falantes lusófonos, temos que utilizar essa tecnologia a nosso favor. Acho que é importante as pessoas terem uma postura positiva. Há riscos. É verdade: há riscos. Mas entender os riscos e aplicá-los dentro de um contexto de gerenciamento desses riscos, entender a tecnologia em seus limites, saber o que ela pode fazer ou não fazer, como melhor beneficiar.”

A língua portuguesa é a quinta ou sexta mais falada no mundo.

No Hemisfério Sul, é o idioma com o maior número de falantes. Está entre as mais utilizadas na internet ao lado do inglês e do espanhol.

Evaristo e Ipezinho

Em 2019, o Brasil lançou o chatbot Ipezinho, um assistente virtual premiado. Já Portugal tem o chatbot Evaristo que opera inteiramente na língua portuguesa.

Para o especialista Simão Campos, haverá mais avanço também na área de interpretação de idiomas com a inteligência artificial.

“A inteligência artificial tem facilitado, tem permitido pulos enormes na qualidade dos mecanismos de tradução, por exemplo. Eu diria que em breve, teremos mecanismos de interpretação também que serão úteis. Isso ajuda: ter mecanismos bem-adaptados para a língua portuguesa que possam permitir navegação desses conteúdos em outras línguas. Por outro lado, também é desenvolver coisas nas nossas comunidades. O Brasil, por exemplo, tem mais de 200 línguas contando as línguas indígenas, 20 línguas de sinais.”

Para Simão Campos, uma outra vantagem da IA no espaço da lusofonia, que comporta mais de 330 línguas além do português, é codificar várias línguas locais que não estão escritas ainda.

Com o campo da inteligência artificial ainda dominado pela língua inglesa, o dever de casa parece ser urgente e ainda mais desbravador para os profissionais lusófonos. Para terminar esta conversa, eu decidi perguntar ao ChatGPT, em inglês, quais eram as perspectivas para a língua portuguesa na IA.

“Dados e modelos focados em Portugal”

Vejam o que o ChatGPT respondeu:

“A situação da inteligência artificial na língua portuguesa melhorou bastante nos últimos anos, mas ainda está bem atrás do inglês em termos de recursos, ferramentas e qualidade especialmente para sistemas mais avançados como chatbots ou modelos de linguagem maiores.

O Brasil é um dos maiores mercados de internet no mundo, e o português é a sexta língua mais falada no globo logo os investimentos em português estão crescendo.

Comunidades de código aberto e startups no Brasil e em Portugal estão desenvolvendo conjuntos de dados e modelos mais focados em Portugal.

Mesmo que não se rastreie a percentagem de material de IA em português, de 10 milhões de websistes, apenas 3,9% eram nesse idioma em comparação com 49,1% em inglês e 6% em espanhol e alemão e cerca de 5% em japonês e francês.” Monica Grayley – ONU News Nações Unidas



sexta-feira, 27 de junho de 2025

Portugal - Investigadores desenvolvem método inovador para tornar modelos de Inteligência Artificial mais explicáveis e confiáveis na indústria

O avanço acelerado das soluções baseadas em Inteligência Artificial (IA) tem levantado um dos maiores desafios atuais: a confiança humana nos modelos de alto desempenho, sobretudo pela dificuldade em compreender como tomam as suas decisões. Esta questão é particularmente crítica em ambientes industriais, onde é imperativo que os sistemas sejam não só exatos, mas também transparentes e explicáveis para garantir a segurança e eficácia das operações.


Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) propôs uma metodologia inovadora que permite extrair conhecimento interpretável a partir de modelos complexos de IA, tornando-os acessíveis aos operadores industriais. A abordagem baseia-se na utilização de sistemas de lógica difusa (fuzzy systems), para representar as dinâmicas dos processos industriais de forma simples, mas eficaz.

«Este método foi desenvolvido com base numa arquitetura do tipo "professor-aluno" (knowledge distillation), onde um modelo complexo (NFN-LSTM), que combina redes neuronais do tipo Long Short-Term Memory com lógica difusa, serve de referência para treinar um modelo mais simples e interpretável (NFN-MOD). Este último recorre a funções com entradas atrasadas para simular a memória temporal do processo, aliando desempenho à compreensibilidade», explica Jorge S. S. Júnior, aluno de doutoramento do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) da FCTUC.

De acordo com a equipa de investigadores, esta investigação demonstrou a eficácia da metodologia em dois casos de estudo com dados reais: uma unidade de recuperação de enxofre e um processo de moagem na indústria cimenteira. Em ambos, o modelo NFN-MOD conseguiu replicar o comportamento do modelo professor com elevada precisão, ao mesmo tempo que oferecia explicações claras sobre os fatores que influenciam eventos críticos, como picos de emissões de gases nocivos ou variações na concentração de resíduos.

«Além disso, o modelo introduz uma nova forma de análise contextual, permitindo aos operadores compreender melhor os diferentes cenários industriais e apoiar a tomada de decisões. O método promete, assim, aumentar significativamente a confiança nos sistemas de IA e otimizar o controlo de processos em ambientes industriais exigentes», conclui a equipa de investigadores.

Este trabalho foi desenvolvido no âmbito da tese de doutoramento de Jorge S. S. Júnior, sob orientação de Jérôme Mendes, investigador do Centro de Engenharia Mecânica, Materiais e Processos (CEMMPRE), e coorientação de Cristiano Premebida, investigador do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), em colaboração com Francisco Souza (imec-NL, OnePlanet Research Center, Países Baixos).

O artigo “Distilling Complex Knowledge Into Explainable T–S Fuzzy Systems”, publicado na revista IEEE Transactions on Fuzzy Systems, pode ser consultado aqui. Esta publicação foi destacada na IEEE Computational Intelligence Society (CIS) Newsletter como "Research Frontier". Universidade de Coimbra - Portugal  


sexta-feira, 20 de junho de 2025

Portugal - Evaristo.ai, o primeiro ‘chatbot’ para língua portuguesa baseado em inteligência artificial aberta

Evaristo é o seu nome e é o primeiro ‘chatbot’ para a língua portuguesa baseado em inteligência artificial (IA) aberta, que dá uma receita de mousse de chocolate mas falha na resposta a perguntas factuais.


Inspirado na personagem do cinema português interpretada por António Silva em “O Pátio das Cantigas”, o ‘Evaristo.ai’ foi concebido pelo NLX – Grupo de Fala e Linguagem Natural da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e pela empresa subsidiária OUSAR.AI e agrega seis modelos de linguagem de IA generativa de acesso aberto, incluindo o português Gervásio PT, desenvolvido pela mesma equipa.

Numa conversação, o utilizador pode optar pelo Gervásio, mas também pelos modelos LLama (EUA), Qwen e DeepSeek (China), Mistral Small (França) e Sabiá (Brasil).

Através do Evaristo.ai pode-se obter, por exemplo, uma receita de culinária, um itinerário para uma visita a Portugal ou a letra para um fado.

Contudo, a perguntas, por exemplo, sobre quem é Donald Trump ou quando foram as últimas eleições em Portugal, a resposta dada é que Trump foi Presidente dos Estados Unidos e que as últimas eleições em Portugal foram em 2022 ou em 2024, consoante os modelos de IA usados.

A plataforma avisa, para cada modelo, que “o resultado gerado pode não ser correto, exato, perfeito e/ou adequado”.

Em declarações à Lusa, o coordenador da equipa do Evaristo.ai e professor no Departamento de Informática da FCUL, António Branco, adiantou que os modelos de linguagem são treinados com dados e esse treino teve um limite temporal, que em alguns modelos foi 2022, 2023 ou 2024.

Justificando as vantagens deste ‘chatbot’, que, por definição, é um programa concebido para simular uma conversa com humanos, interagindo e respondendo a perguntas, geralmente através de recurso a inteligência artificial, sendo utilizado sobretudo em ambiente ‘online’, a FCUL refere, em comunicado, que o Evaristo.ai usa modelos de IA que “são amplamente abertos, em termos de código, de licença e de distribuição” e “não rastreia os seus utilizadores nem passa os conteúdos destes a entidades terceiras, salvaguardando a privacidade dos utilizadores e a propriedade dos seus conteúdos”.

“Não se baseia na intermediação, revenda ou adaptação de ‘chatbots’ terceiros ou de serviços de IA generativa de empresas ou organizações terceiras, nem explora comercialmente os dados dos utilizadores”, assegura a FCUL, assinalando que o Evaristo.ai “é o primeiro ‘chatbot’ para a língua portuguesa baseado em IA aberta” e “multimodelo”. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”