Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Canadá - Tecnologia portuguesa usada para detetar incêndios

A empresa portuguesa Tekever está a apoiar uma missão de deteção e monitorização de incêndios florestais na província canadiana de Alberta, reforçando a resposta das autoridades locais através de tecnologia desenvolvida em Portugal


Segundo informação divulgada pela AICEP, a operação é realizada em parceria com a Phoenix Heli-Flight e recorre ao sistema aéreo autónomo AR3 VTOL, equipado com sensores avançados e integrado na plataforma Nova Maps.

A tecnologia permite realizar vigilância aérea contínua e disponibilizar informação em tempo real às equipas de emergência, contribuindo para uma tomada de decisão mais rápida e informada durante o combate aos incêndios florestais.

De acordo com a AICEP, esta missão evidencia o papel da inteligência artificial e dos sistemas autónomos na proteção de comunidades, infraestruturas críticas e ambientes naturais.

Com operações na UPTEC, no Porto, a Tekever continua, segundo a agência, a afirmar a inovação desenvolvida em Portugal na resposta a desafios globais, levando tecnologia portuguesa a apoiar operações internacionais de proteção civil. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 


segunda-feira, 2 de março de 2026

Internacional - Cancro do colo do útero: Papanicolau "inteligente" pode revolucionar diagnóstico

Fernando Schmitt (FMUP/RISE-Health) assina artigo na "Nature" que revela novo método para a deteção de células cancerígenas, com base em inteligência artificial e tecnologia 3D


Uma equipa internacional de cientistas, da qual faz parte o cientista português Fernando Schmitt, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e diretor da Unidade de Investigação RISE-Health, promete revolucionar o diagnóstico do cancro do colo do útero com uma abordagem inovadora em relação à citologia cervical, mais conhecida como teste de Papanicolau.

O trabalho agora publicado na revista Nature, uma das mais importantes revistas científicas a nível mundial, demonstrou as vantagens de uma nova forma de análise automatizada de amostras de células do colo do útero com recurso à inteligência artificial, em comparação com o método tradicional de citologia clínica. O objetivo é avançar mais precocemente para tratamentos que salvam vidas.

“A utilização da inteligência artificial na clínica permite avaliar as características celulares e classificá-las como normais ou anómalas”, explica Fernando Schmitt, reconhecido a nível internacional como uma das maiores referências mundiais nas áreas de citopatologia.

Intitulado “Clinical-grade autonomous cytopathology through whole- slide edge tomography”, este trabalho de investigação contou também com cientistas, hospitais e empresas de referência do Japão, China e EUA.

De acordo com o professor da FMUP, a automatização deste rastreio vem acelerar o diagnóstico de cancro do colo do útero, doença causada principalmente pela infeção por Papilomavírus Humano (HPV), transmitido por via sexual, e que representa um dos principais tipos de cancros nas mulheres.

Atualmente, as células colhidas são avaliadas no microscópio pelo olhar do profissional. O processo tem, no entanto, algumas desvantagens, como a subjetividade da interpretação e a variabilidade do resultado.

Este novo sistema de inteligência artificial aplicado à citologia tradicional é o primeiro que consegue, de forma completamente autónoma, fazer uma triagem das células anormais, permitindo um diagnóstico mais rápido, mais preciso e mais objetivo.

Como explica Fernando Schimtt, “a automatização da citopatologia pode também detetar lesões precoces, acelerando e melhorando o diagnóstico do cancro”.

O novo método faz um scan das células e reconstrói, em tempo real, uma imagem em 3D que permite “ver” melhor as suas características. Depois, a plataforma utiliza algoritmos avançados para agrupar perfis semelhantes e identificar células anormais com maior exatidão, diminuindo o risco de erro humano.

Do laboratório para a clínica

Esta abordagem com recurso à IA, já testada e validada com milhares de amostras de doentes reais, poderá agora ajudar profissionais e laboratórios de anatomia patológica, ao fornecer um “mapa visual” da classificação das células, o que constituirá uma mais-valia relativamente ao método convencional

Os autores do estudo partilham o entusiasmo e a vontade de implementar este novo método de diagnóstico na prática clínica, num futuro próximo, com ganhos previsíveis para os doentes, para os sistemas de saúde e para a qualidade de vida das populações à escala global.

Espera-se que esta tecnologia possa estar acessível em vários países, constituindo-se como um importante instrumento na abordagem ao cancro do colo do útero, que continua a afetar mulheres em todo o mundo. Os sintomas de alerta incluem hemorragia vaginal anormal, aumento do corrimento vaginal, dor pélvica e dor durante as relações sexuais. Universidade do Porto – Portugal


quarta-feira, 5 de novembro de 2025

União Europeia - Investigadores desenvolvem plataforma que pretende prevenir e detetar antecipadamente incêndios florestais

Uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver, no âmbito de um projeto europeu, uma plataforma que pretende apoiar na prevenção e deteção precoce de incêndios.


O projeto “SenForFire - Cost-Effective Wireless Sensor Networks for Forest Fire Prevention and Early Detection”, financiado pelo Programa Interreg Sudoe da União Europeia e que envolve Andorra, Espanha, França e Portugal, tem vindo a trabalhar no desenvolvimento e demonstração de redes de sensores sem fios, de baixo custo, para medir parâmetros meteorológicos e ambientais relevantes para a avaliação de risco de incêndios florestais em municípios e comunidades locais em áreas de alto risco de incêndio.

«A nossa contribuição para este projeto passa pela análise inteligente dos dados, que são georreferenciados e multimodais, ou seja, de vários tipos de sensores e vários tipos de fontes, de modo a criar suporte a decisões que venham a ser tomadas, quer por bombeiros, quer por uma Câmara Municipal, antes ou durante o combate a um incêndio», explica Catarina Silva, professora do DEI, investigadora do Centro de Informática e Sistemas da UC (CISUC) e coordenadora do projeto.

Em Portugal, o caso de estudo está localizado no Fundão, onde estão instalados os sensores desenvolvidos no âmbito do projeto. Os dados recolhidos (temperatura, humidade, gases, etc.) estão integrados num sistema The Things Stack, armazenados numa base de dados temporal e analisados por modelos inteligentes que identificam precursores de incêndios, permitindo alertas antecipados de risco de incêndio.

«Para além dos dados ambientais, o sistema incorpora informação geoespacial e topológica (satélites, relevo, declives, ocupação e uso do solo, histórico de incêndios), aumentando, assim, a precisão da avaliação de risco», destaca Cidália Fonte, docente do Departamento de Matemática da FCTUC e investigadora do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC Coimbra).

Com parceiros em Andorra, Espanha, França e Portugal, incluindo municípios, universidades e empresas, este projeto visa não só a investigação, mas também a industrialização da tecnologia para apoio direto a autoridades locais.  O principal objetivo é oferecer uma maior capacidade aos municípios e bombeiros para prevenir incêndios florestais, através de dados e previsões robustas, acessíveis e atualizadas.

«Os resultados preliminares mostram que os modelos conseguem prever o risco de incêndio. Esperamos, futuramente, fornecer ferramentas proativas de prevenção e gestão de meios, com maior detalhe e resolução espacial», conclui a equipa de investigadores.

A equipa de investigadores da FCTUC inclui Alberto Cardoso, Bernardete Ribeiro, Catarina Silva, Cidália Fonte, Filipe Araújo e Jacinto Estima. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Portugal - Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e INESC TEC criam tecnologia que deteta precocemente o cancro da mama

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e do INESC TEC está a desenvolver uma tecnologia para a deteção de biomarcadores de cancro da mama de forma mais rápida e precisa. 


“O objetivo é criar um sensor de pequenas dimensões e portátil que junta, em simultâneo, duas técnicas das áreas ótica e eletroquímica para conseguir uma maior precisão do diagnóstico”, descreve José Ribeiro, investigador responsável pelo projeto eSPRcancer, liderado pela FCUP. 

O projeto vai focar-se, sobretudo, nos biomarcadores de CA (Cancer Antigen) 15-3 – uma proteína que se encontra em níveis mais elevados no sangue de pessoas com cancro da mama. 

Atualmente, os testes já existentes conseguem detetar estes biomarcadores, porém, são muito caros e nem sempre oferecem a sensibilidade necessária para diagnósticos muito precoces.

“A tecnologia a ser desenvolvida permitirá, a partir de uma pequena amostra do paciente, dar, em pouco tempo, informação clínica no ponto de cuidado, oferecendo maiores possibilidades de intervenção e combate à doença”, salienta o investigador. 

É na FCUP que estão a ser estudados novos materiais que imitam as funções biológicas dos anticorpos, funcionando como uma espécie de “chave” para permitir ao sensor detetar estes biomarcadores. Trata-se de recetores sintéticos feitos à medida para reconhecer os marcadores associadas ao cancro, neste caso concreto o biomarcador CA 15-3.

“Ao contrário dos testes de marcadores tumorais atuais, o nosso sensor incluirá a possibilidade de deteção de mais do que um biomarcador em simultâneo, permitindo um controlo e avaliação mais precisos da evolução da doença e reduzindo falsos positivos e negativos”, destaca José Ribeiro.  Por exemplo, poderá ser utilizado para detetar simultaneamente o CEA (do inglês Carcinoembryonic Antigen), outro tipo de proteína que aparece em níveis mais altos no sangue de pessoas com outros tipos de cancro, nomeadamente cólon e reto, pâncreas, pulmão e também em caso de metastização ou reincidência do cancro da mama.

De acordo com os investigadores, este equipamento, por ser portátil e fácil de utilizar, poderia ser utilizado em clínicas, centros de saúde ou mesmo em ambientes rurais, promovendo a deteção precoce do cancro da mama.

Tecnologia made in INESC TEC

A parte tecnológica está a ser desenvolvida no INESC TEC: “Vamos criar o protótipo do sistema eSPR, ou seja, a parte física do sensor, vamos desenvolver o software que vai controlar as medições e o funcionamento do dispositivo, fazer a impressão 3D e a integração eletrónica da plataforma, criando as condições para uma futura produção em escala, ou até, para a criação de uma spin off”, explica o investigador João Pedro Mendes, do INESC TEC. 

“Queremos com este projeto ter um impacto em várias áreas da sociedade. Desde logo na saúde ao permitir uma deteção mais precoce e fiável do cancro da mama – e possivelmente extensível para outras doenças”, destacam os investigadores. 

O eSPRcancer, financiando pelo programa P2030 em co promoção entre INESC TEC e FCUP, vai, assim, permitir diagnósticos mais rápidos, acessíveis e de baixo custo, melhorando a qualidade de vida e a eficiência do sistema de saúde.

Da equipa do projeto fazem ainda parte os docentes da FCUP e investigadores Manuel Azenha e Luís Coelho, José Almeida, e ainda os estudantes de doutoramento Ana Teresa Silva e Marcus Monteiro. Universidade do Porto - Portugal    


quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Islândia – Pela primeira vez foram encontrados mosquitos, após temperaturas recordes

Depois que a espécie foi identificada perto da capital da Islândia, a Antártida continua a ser o único refúgio livre de mosquitos do mundo


Pela primeira vez na história, mosquitos foram detectados em solo islandês.

Até este mês, a Islândia era um dos únicos lugares do planeta que não tinha população de mosquitos, graças ao seu clima inóspito e à ausência de água parada. O único outro paraíso livre de mosquitos agora é a Antártida.

Agora, as alterações climáticas estão a aquecer o país quatro vezes mais rápido que o resto do hemisfério norte, resultando no derretimento de glaciares sem precedentes e ondas de calor frequentes.

Em maio deste ano, a Islândia registou o seu dia mais quente, com temperaturas a chegar a impressionantes 26,6°C, enquanto regiões do país registaram temperaturas mais de 10°C acima da média durante a primavera.

Teme-se que este aquecimento rápido permita que o infame inseto sobreviva no país e se estabeleça nos pântanos e lagoas da Islândia.

Mosquitos

Acredita-se que o entusiasta de insetos Bjorn Hjatason tenha encontrado três mosquitos no vale glacial de Kjós, perto de Reykjavik, enquanto usava cordas embebidas em vinho, normalmente usadas para observar mariposas.

Na quinta-feira, 16 de outubro, ele compartilhou a sua descoberta numa página local do Facebook, descrevendo o primeiro inseto que capturou como uma “mosca estranha”.

“Percebi imediatamente que aquilo era algo que eu nunca tinha visto antes”, escreveu ele.

Hjatason enviou os três mosquitos para o Instituto de Ciências Naturais da Islândia, onde o entomologista Matthías Alfreðsson os identificou como duas fêmeas e um macho Culiseta annulata.

Estes tipos de mosquitos são mais resistentes ao frio do que outros e podem ser encontrados em climas rigorosos, como a Sibéria.

Alfreðsson afirma que as espécies geralmente procuram abrigo em áreas internas, como celeiros, para resistir às condições rigorosas do inverno.

As alterações climáticas estão a atrair mosquitos?

O entomologista não tem a certeza se as alterações climáticas pode ser a única culpada pela chegada dos mosquitos, mas alerta: “O aumento das temperaturas provavelmente aumentará o potencial de outras espécies de mosquitos se estabelecerem na Islândia, caso cheguem”.

Também é possível que os insetos tenham chegado de outros países por meio de navios ou contentores.

Há vários anos, um mosquito de uma espécie diferente foi descoberto num avião no Aeroporto Internacional de Keflavík. No entanto, o inseto nunca havia sido avistado na natureza até este mês.

Agora, será necessária uma monitorização mais aprofundada para confirmar se a espécie de mosquito tornou-se “verdadeiramente estabelecida” na Islândia. Euronews.green


quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Portugal - Avanço tecnológico cria condições inéditas para a deteção de eventos ultra-raros

Uma equipa de cientistas do Laboratório de Instrumentação, Engenharia Biomédica e Física da Radiação (LIBPhys) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) conseguiu a melhor purificação do isótopo radioativo 222 de Radão (222Rn) da história, reduzindo a sua concentração a 430 átomos por tonelada de alvo de xénon líquido, um valor 5 vezes inferior ao obtido por outras experiências que usam a mesma tecnologia.


Este resultado histórico, obtido no âmbito da experiência internacional XENONnT, um sistema com um nível de sensibilidade sem precedentes na deteção de matéria escura, está publicado na prestigiada revista Physical Review X.

O XENONnT foi construído para a deteção direta de matéria escura. Está instalado no laboratório subterrâneo de Gran Sasso, em Itália, debaixo de 1300 metros de rocha, para reduzir os níveis de radiação cósmica drasticamente em relação aos que existem à superfície do nosso planeta. Este sistema usa como alvo seis toneladas de xénon ultra-purificado.

Como explica José Matias-Lopes, coordenador da equipa portuguesa, «uma radiação ao passar pelo alvo pode produzir, em geral, sinais ínfimos de luz e carga. A esmagadora maioria destes sinais (mais de 99,99%) devem-se a radiações de origem conhecida, o que permite aos cientistas calcular com grande precisão o número de eventos esperados».

O requisito mais importante para medir eventos tão raros como os dos neutrinos e da matéria escura é que o alvo tenha o nível mais baixo possível de radiação (radiação de fundo), para que possa distinguir o que se pretende medir. Para conseguir alcançar tal meta, tecnicamente tão exigente, todos os tipos de fontes de radiação contam, incluindo até a presente no próprio alvo de xénon e a que provém dos materiais de que é construído o sistema de deteção (XENONnT).

De acordo com o investigador do Departamento de Física da FCTUC, para lidar com a mais limitativa de todas, a colaboração XENONnT conseguiu reduzir o nível de contaminação do isótopo 222Rn para níveis sem precedentes graças a uma coluna de destilação com um sistema inovador de bomba de calor criogénica, especialmente desenvolvida para o efeito pelos especialistas envolvidos. «Todos os materiais usados no XENONnT foram cuidadosamente selecionados (até o mais pequeno dos parafusos) para terem o mais baixo nível possível de radiação», revela o cientista.

O XENONnT tem como alvo o local do planeta Terra com a menor radiação de fundo de toda a história da Humanidade, dando, assim, início a uma nova era na direção da matéria escura, por iniciar a deteção do nevoeiro de neutrinos, onde coexistem com a matéria escura, que, por serem quase indistinguíveis, dificulta a sua deteção.

Por outro lado, o nível extraordinariamente baixo de radiação alcançado neste sistema também permite estudar um grande número de fenómenos particularmente raros, tais como a interação de matéria escura na forma de axiões solares, de partículas análogas aos axiões, neutrinos com momento magnético anómalo e a deteção por dispersão elástica coerente neutrino-núcleo (CEvNS, sigla em inglês).

«Através destas condições, o XENONnT reafirma o seu lugar como o melhor observatório de partículas espaciais de baixa energia, uma vez que poderá realizar medições de neutrinos com alta precisão e pesquisas de eventos extremamente raros, como o duplo decaimento beta dos isótopos 124 e 126 de Xénon. Para além disso, poderá continuar a testar a existência de um número alargado de candidatos de matéria escura, incluindo as partículas massivas de interação muito fraca (WIMPs, sigla em inglês), até ao limite do nevoeiro de neutrinos», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Internacional – Universidade de Coimbra integra projeto que alia IA e computação quântica na luta contra o cancro gastrointestinal

Mais de dois milhões de novos casos de cancro colorretal são diagnosticados anualmente em todo o mundo. Um projeto internacional, no qual participa a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a Faculdade de Medicina (FMUC) e o Centro de Estudos Sociais (CES), está a explorar tecnologias de computação quântica e inteligência artificial (IA) para revolucionar a deteção e prevenção de patologias gastrointestinais.


 

De acordo com Gabriel Falcão, professor do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) e investigador do Instituto de Telecomunicações (IT) de Coimbra, «este tipo de cancro pode muitas vezes ser detetado precocemente graças à identificação de pólipos existentes no trato digestivo. Em muitos países, os rastreios começam por volta dos 45 ou 50 anos, sendo uma ferramenta essencial na prevenção e diagnóstico precoce». 

Atualmente, procedimentos como a cápsula gastrointestinal, que gera cerca de 10 horas de imagens, e a colonoscopia, que produz uma grande quantidade de dados em apenas 20 a 30 minutos, criam desafios significativos na análise de dados. «Num cenário ideal, se conseguíssemos fazer uma monitorização em massa de uma grande parte da população, o volume de dados gerado seria tão grande que nenhum computador clássico seria capaz de processar toda essa informação de forma eficiente», explica o responsável pelo projeto em Portugal.

É aqui que entra a computação quântica. Diferente dos computadores clássicos, esta tecnologia é capaz de processar um grande volume de dados em tempo real, algo crucial para a análise de imagens e deteção de anomalias. A FCTUC vai desenvolver novos algoritmos de IA adaptados às capacidades da computação quântica. 

«O objetivo final é criar algoritmos de IA que possam diferenciar de forma precisa imagens normais de imagens com patologias. Embora a tecnologia atual já permita detetar algumas diferenças, acreditamos que a computação quântica pode ser decisiva para aumentar a eficiência e precisão dos diagnósticos», conclui o docente. 

O projeto G-quAI iniciou em janeiro de 2025 e conta com o apoio do Open Quantum Institute (OQI), da Suíça, em parceria com o Geneva Science and Diplomacy Anticipator (GESDA), além da colaboração da Organização Mundial da Saúde (OMS). Este projeto enquadra-se nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pelas Nações Unidas: Saúde de Qualidade.

O OQI tem como objetivo principal explorar o potencial da computação quântica na aceleração de soluções que permitam atingir os ODS, unindo forças de investigadores, das Nações Unidas, de Organizações Não-Governamentais (ONG), e de investidores espalhados pelo mundo. 

Para mais informações, consultar o sítio do OQI. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Portugal - Cientistas recorrem a machine learning para detetar precocemente eventos trombóticos

Uma equipa de cientistas do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (DF/FCTUC) desenvolveu simulações computacionais avançadas para modelar a forma e deformação dos glóbulos vermelhos em diferentes condições de escoamento e adesão. Estes estudos podem contribuir para a deteção precoce de eventos trombóticos.

Nesta investigação, liderada pelo Instituto de Medicina Molecular (iMM), os especialistas estão a estudar o aumento da viscosidade sanguínea, frequentemente associado a níveis elevados da proteína fibrinogénio. Esta proteína tem um papel crucial na ligação entre os glóbulos vermelhos, aumentando a sua adesão, o que pode agravar diversas condições clínicas.

«A equipa está a analisar a concentração de fibrinogénio em pacientes com diferentes níveis da patologia e a relacionar esses níveis com a adesão dos glóbulos vermelhos, utilizando um conjunto avançado de técnicas experimentais. O nosso objetivo é criar um modelo computacional que simule diferentes interações entre os glóbulos vermelhos, permitindo uma comparação rigorosa com os resultados experimentais obtidos pela iMM», elucida Rui Travasso, professor do DF e investigador do Centro de Física da Universidade de Coimbra (CFisUC).

«Os testes realizados até ao momento indicam que, em presença de maiores concentrações de fibrinogénio, os glóbulos vermelhos apresentam maior adesão. Com o apoio de técnicas de machine learning e processamento de imagem, conseguimos identificar automaticamente as alterações na forma dos glóbulos vermelhos antes e após a colisão entre eles, estabelecendo correlações entre as simulações e os dados experimentais», revela o físico.

O próximo passo, de acordo com o responsável do projeto na UC, é a criação de uma vasta base de dados que integre tanto as simulações computacionais como as experiências laboratoriais. «Esta base de dados permitirá uma análise quantitativa mais robusta e a classificação das alterações nos glóbulos vermelhos de forma automatizada. Além disso, está a ser desenvolvida uma ferramenta baseada em machine learning para identificar os choques mais representativos das alterações observadas experimentalmente», conclui.

Os resultados preliminares são promissores, mostrando que a abordagem funciona. O objetivo a longo prazo é obter uma compreensão mais profunda dos processos de adesão e deformação dos glóbulos vermelhos em diversas patologias, contribuindo assim para o avanço do conhecimento científico e o desenvolvimento de potenciais intervenções terapêuticas. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Portugal - Biossensores desenvolvidos pela Universidade de Coimbra representam mais um passo para deteção precoce de Parkinson

A doença de Parkinson, uma condição neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que se instala ao longo de vários anos, é habitualmente diagnosticada com base em sintomas cardinais, como tremores e rigidez de movimento. No entanto, esses sinais indicam um estado mais avançado da doença, que torna o diagnóstico precoce uma necessidade urgente.


O projeto OLIGOFIT - Oligomer-Focused Screening and Individualized Therapeutics to target Neurodegenerative Disorders, através da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), tem contribuído especificamente para desenvolver estratégias de deteção da doença que se relacionam com marcadores proteicos conhecidos e a sua agregação.

A doença de Parkinson é uma das várias condições classificadas como sinucleinopatias, que estão intimamente ligadas à presença da proteína alfa-sinucleína. Esta proteína é responsável pela formação de depósitos anormais conhecidos como corpos de Lewy, que interferem com o funcionamento do cérebro. «Este projeto centra-se na capacidade dessa proteína adotar diferentes formas de acordo com a sua agregação, que impactam na evolução da doença», começa por explicar Goreti Sales, professora do Departamento de Engenharia Química (DEQ) e investigadora do Centro de Engenharia Mecânica, Materiais e Processos (CEMMPRE).

Durante a investigação, continua a cientista, «o projeto permitiu analisar monómeros, oligómeros e estruturas fibrilares da proteína, investigando a sua relevância para a doença e estudando meios capazes de capturar os agregados indesejados. No DEQ, desenvolvemos biossensores capazes de diferenciar as estruturas de alfa-sinucleína, uma vez que existe uma relação entre as manifestações clínicas e as estruturas agregadas de proteína», revela.

Além disso, indica ainda a docente do DEQ, «estes biossensores poderão, no futuro, ajudar a monitorizar a evolução da doença. Vamos imaginar que um médico prescreve ao doente um medicamento que retarda a sintomatologia, os biossensores devem poder avaliar o efeito dessa medicação na formação desses agregados, antes até da pessoa sentir o impacto da mesma», conclui.

Esta investigação integrou uma equipa multidisciplinar e representa mais um passo na compreensão da doença de Parkinson e na procura de tratamentos individualizados, contribuindo para uma abordagem mais eficaz no combate a esta condição devastadora.

O projeto OLIGOFIT, liderado pela Universidade de Oxford, contou ainda com a participação de investigadores das universidades de Aarhus (Dinamarca), Coimbra (Portugal), Göttingen (Alemanha) e Warsaw (Polónia), bem como do Latvian Biomedical Research and Study Centre (Letónia). Universidade de Coimbra - Portugal




segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Portugal - Investigadores apostam no desenvolvimento de equipamento para deteção de lixo espacial de baixo custo

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver um equipamento de baixo custo, que permitirá detetar o lixo espacial.

O projeto “Algoritmos de detritos espaciais em imagens de constelações de satélites para a caracterização e determinação orbital de detritos”, de Joel Filho, estudante de doutoramento em Engenharia Física no Departamento de Física (DF) da FCTUC, acaba de vencer uma bolsa da Agência Espacial Europeia (ESA) no valor de 90 mil euros.

«Estamos a desenvolver um método para identificar e caracterizar o lixo espacial em imagens, baseado em algoritmos de deteção de código aberto e determinar as suas órbitas para utilização a bordo de satélites, fazendo uso das imagens que estes utilizam para determinação da sua orientação no Espaço, imagens essas que não podem ser armazenadas, mas das quais se extrairão informações relativas aos detritos espaciais antes de serem apagadas», revela Joel Filho.

A crescente concentração de lixo espacial apresenta um risco cada vez maior para as atividades espaciais. Atualmente, sabe-se eu há cerca de 35 mil objetos com mais de 10 centímetros (cm) de diâmetro a orbitar a Terra, sendo que são apenas conhecidas as órbitas de cerca de 90% deles, havendo também cerca de um milhão, com tamanhos entre 1 e 10 cm, quase todos por catalogar, e estima-se que existem ainda cerca de 130 milhões de objetos, entre 1 mm e 1 cm, por rastrear.

De acordo com Nuno Peixinho, investigador do DF e do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), «é precisamente por estas razões que o estudo do lixo espacial é hoje, e cada vez mais, uma área prioritária nas ciências do espaço, e a FCTUC também está envolvida nisso», afirma, explicando que «os atuais radares e telescópios óticos terrestre, usados para deteção e rastreamento de lixo espacial, estão limitados pela sua sensibilidade, implicando limites de tamanho baixos para os detritos, fornecendo um catálogo com uma muito pequena quantidade do total. Além disso, é difícil obter informações precisas sobre a localização orbital destes objetos».

Assim, a ideia é desenvolver um equipamento constituído por minicomputadores com câmaras de baixo custo, e o algoritmo de deteção que está a ser desenvolvido pelo estudante de doutoramento. As câmaras low cost já foram testadas da terra para o espaço com o objetivo de perceber se são capazes de detetar o rasto deixado pelos satélites, que é muito semelhante ao lixo espacial, e os resultados são bastante promissores.

Esta investigação está a ser desenvolvida sob a orientação de Nuno Peixinho, Paulo Gordo, da empresa Synopsis Planet e do CENTRA, e Rui Melício da Universidade de Évora. Joel Filho irá realizar uma fase do seu projeto de tese no Centro Europeu de Operações Espaciais (ESOC) da ESA, em Darmstadt, Alemanha, onde terá a oportunidade de trabalhar diretamente com Tim Flohrer, diretor do Gabinete de Lixo Espacial (Space Debris Office) da ESA. Universidade de Coimbra - Portugal 


quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Portugal - Universidade de Coimbra apresenta balão de alta altitude que permite a deteção e monitorização de incêndios rurais

O Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) apresenta esta sexta-feira, 15 de dezembro, um balão de alta altitude que permite a deteção e monitorização de incêndios rurais,


A demonstração, que decorre a partir das 9h30, no Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais (LEIF), situado no Aeródromo da Lousã, é o resultado do projeto “Eye in the Sky” é liderado pelo Instituto de Engenharia Mecânica (idMEC) do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, e conta com parceiros como a ADAI e o Instituto de Telecomunicações (IT).

«Este projeto de investigação baseia-se na utilização de um balão de alta altitude para deteção e monitorização de incêndios rurais, entre várias outras utilizações que podem ocorrer antes, durante e após um incêndio rural. A operação do balão a grande altitude permite não apenas ter uma visão integrada do perímetro do incêndio e da área ardida, como também possibilita reforçar o sistema de comunicações durante as operações, servindo como uma antena de repetição de sinal», começa por revelar Miguel Almeida, investigador da ADAI.

Além disso, continua o especialista, «esta solução permite um tempo de operação de várias horas, não interferindo com outros meios aéreos usados na gestão da ocorrência. De uma forma simplificada, a solução “Eye in the Sky” compara-se a um minissatélite dedicado a uma ocorrência ou a uma zona de interesse», conclui.

No decorrer do evento, será feita uma apresentação do projeto e dos seus resultados, seguindo-se uma sessão de demonstração do levantamento do balão e a captação e transmissão de imagens para um posto em terra, terminando com a verificação do reforço do sinal SIRESP - Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal para comunicações.

Mais informações sobre o projeto aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Portugal - Universidade de Coimbra dinamiza workshop sobre deteção, geolocalização e monitorização de incêndios florestais


O Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC Coimbra), o Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC) e a Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vão promover na próxima segunda-feira, 27 de fevereiro, entre as 10h e as 17h, um workshop sobre gestão de dados de deteção, geolocalização e monitorização de incêndios florestais.

O evento, que terá lugar no Hotel Vila Galé, em Coimbra, consiste na apresentação dos resultados de vários projetos de investigação desenvolvidos no âmbito desta temática, financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), nomeadamente: FireLoc; FoRESTER; FirePuma; Floresta Limpa; IMFire; Firefront; e Eye in the Sky. As abordagens deste workshop são baseadas em dados enviados pelos cidadãos e na sua combinação com outras fontes de dados.

Após cada sessão de apresentações segue-se um período para questões, estando ainda previsto um Painel de Discussão sobre “Integração de dados para a deteção, geolocalização e monitorização de eventos extremos - potencialidades, limitações e riscos”.

O evento será em formato híbrido (presencial e remoto). A inscrição é gratuita, mas obrigatória e pode ser realizada através desta ligação. Universidade de Coimbra - Portugal


 

domingo, 9 de outubro de 2022

Portugal - Equipa da Universidade de Aveiro desenvolve sensor de papel para detetar ácido úrico na urina

Uma equipa de investigadores do Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (i3N) da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu um sensor, feito a partir de papel e grafeno, que deteta e quantifica ácido úrico em amostras de urina humana. Este sensor descartável viabiliza o desenvolvimento de testes de urina baratos e biodegradáveis e abre caminho para a deteção de outros biomarcadores importantes


O papel, material que usamos no nosso dia a dia, pode permitir o desenvolvimento de sensores biodegradáveis e baratos capazes de detetar doenças. Foi esta a ideia explorada por uma equipa de investigadores do i3N e que foi publicada recentemente num artigo da Carbon, uma revista científica internacional sobre materiais de carbono. O artigo revela que sensores feitos diretamente a partir de papel podem detetar e quantificar, com sucesso, a concentração de ácido úrico em amostras reais de urina. Pela importância da investigação desenvolvida, o artigo foi objeto de uma notícia de destaque na revista de divulgação de ciência Materials Today - connecting the materials community.

Bohdan Kulyk, um dos investigadores que participou no estudo, explica que um dos objetivos do projeto foi produzir um sensor flexível, sustentável e com um baixo custo de produção. Para desenvolver este sensor, a equipa liderada pela docente Florinda Costa utilizou espuma de grafeno, um material que pode ser obtido a partir de papel convencional. Bohdan adianta que a utilização de grafeno surge porque este é um material condutor de elevada razão superfície/volume e com excelente desempenho eletroquímico, abrindo assim a possibilidade de criar um "biossensor para deteção de parâmetros biológicos”.

Como transformar o papel num sensor?

A descoberta do grafeno em 2004 foi, para muitos cientistas, “a descoberta do século XXI” devido às suas propriedades únicas. O material, composto por uma única camada de átomos de carbono, é conhecido por ser leve, flexível e um excelente condutor de eletricidade.

Foi precisamente este material, o grafeno, que a equipa da UA utilizou para desenvolver o sensor de papel. Para isso, os investigadores utilizaram a tecnologia laser para produzir o “grafeno induzido por laser” (LIG – laser-induced graphene). Esta técnica, adianta António Fernandes, consiste em irradiar o papel com um feixe laser de forma a transformar a superfície do papel (celulose) em espuma de grafeno.

O investigador Nuno Santos refere que o sensor já foi testado em amostras de urina humana e revelou enorme seletividade, provando ser eficiente a detetar ácido úrico. Uma vez que não recorre a enzimas no processo de deteção, estes sensores apresentam uma estabilidade e durabilidade superiores aos sensores enzimáticos, sem necessidade de conservação/condicionamento específico antes da utilização. Adicionalmente, e ao contrário de muitos testes descartáveis qualitativos que existem atualmente, este sensor é quantitativo, permitindo aos seus utilizadores obter uma informação mais clara sobre os valores descritos no teste.

Outra vantagem destes sensores, explicam os investigadores, é que as pessoas podem utilizar os testes em casa e, espera-se, no futuro, que os sensores possam estar ligados a sistemas de transmissão de dados que enviam a informação diretamente para uma ficha clínica à qual os profissionais de saúde tenham acesso, libertando recursos médicos. Sónia Pereira acrescenta ainda que, além de ser muito barato, estes testes têm potencial para aplicações em situações em que o acesso ao diagnóstico é uma dificuldade.

O grafeno induzido por laser tem também sido explorado por esta equipa para desenvolver outro tipo de dispositivos, nomeadamente sensores físicos em poliimida e em cortiça, os quais foram obtidos no âmbito da tese de doutoramento de Alexandre Carvalho.

Os sensores em papel foram desenvolvidos no âmbito da tese de doutoramento de Bohdan Kulyk, financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, com a parceria da Universidade Nova de Lisboa. O artigo é assinado por Bohdan Kulyk, Sónia Pereira, António Fernandes, Elvira Fortunato, Florinda Costa e Nuno Santos. Universidade de Aveiro - Portugal

 



sexta-feira, 22 de julho de 2022

Internacional - Primeiros resultados do XENONnT na procura de matéria escura no Universo


Uma colaboração internacional denominada XENON, que tem a participação de quatro cientistas do LIBPhys da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), anunciou hoje à comunidade científica os primeiros resultados obtidos pelo XENONnT, um sistema com um nível de sensibilidade na deteção de matéria escura sem precedentes.

Há dois anos, a colaboração XENON anunciou a observação de um excesso de eventos inesperados, o que poderia indicar a descoberta de novas partículas, com o seu sistema em operação na altura, o XENON1T. O entusiasmo criado por este facto levou a uma forte vaga de publicações científicas. Seria necessário dispor de um sistema mais sensível para esclarecer a natureza destes eventos.

O XENONnT foi então construído, tal como o seu predecessor (XENON1T), no laboratório subterrâneo de Gran Sasso, em Itália, debaixo de 1300 metros de rocha. A fase final da sua construção e a sua certificação decorreram já durante a pandemia. Os resultados hoje publicados resultam de 97 dias de medidas efetuadas entre julho e novembro de 2021.

Este novo sistema usa como alvo seis toneladas de xénon ultra-purificado. «Uma radiação ao passar pelo alvo pode gerar, em geral, sinais ínfimos de luz e carga. A esmagadora maioria destes sinais (mais de 99,9%) devem-se a radiações de origem conhecida, o que permite aos cientistas calcular com grande precisão o número de eventos esperados», diz José Matias-Lopes, coordenador da equipa portuguesa e investigador do Laboratório de Instrumentação, Engenharia Biomédica e Física da Radiação (LIBPhys) da FCTUC.

Para medir eventos tão raros como os da matéria escura, o requisito mais importante é que o alvo tenha o nível mais baixo possível de radiação (radiação de fundo), para que possa distinguir o que se pretende medir, «é muito mais difícil do que “encontrar uma agulha não num, mas em mil palheiros”», ilustra José Matias-Lopes.

O investigador explica que, para conseguir alcançar tal meta tecnicamente tão exigente, todos os tipos de fontes de radiação contam: «a presente no próprio alvo de xénon e a que provém dos materiais de que é construído o XENONnT. Para lidar com a mais difícil de todas, a primeira, a colaboração XENON conseguiu reduzir o nível de contaminação com o elemento radão para níveis sem precedentes, graças a uma coluna de destilação com 5,5 metros de altura especialmente desenvolvida para o efeito. Todos os materiais usados no XENONnT foram cuidadosamente selecionados (até o mais pequeno dos parafusos) para terem o mais baixo nível possível de radiação».

Com todos estes esforços conseguiu-se, com o XENONnT, reduzir para um quinto o nível da radiação de fundo em relação ao já extraordinário valor do seu antecessor XENON1T. O alvo do XENONnT é o local do planeta Terra com a menor radiação de fundo de toda a história, permitindo levar a cabo estudos de um grande número de fenómenos particularmente raros, tais como a interação de axiões solares, de neutrinos com momento magnético anómalo, de partículas análogas aos axiões, etc.

Os primeiros resultados agora tornados públicos focam-se nas interações da matéria escura com os eletrões dos átomos de xénon do alvo, a fim de verificar o resultado obtido em 2020 e a natureza do excesso de eventos. «Conclui-se que tal não corresponde à descoberta de novas partículas, mas a um nível ínfimo de átomos de trítio, uma das hipóteses então aventadas», explica coordenador da equipa portuguesa, frisando que, com os presentes resultados, «estabelecem-se novos recordes de sensibilidade nestes novos campos de estudo da física de astropartículas. Avizinham-se, por isso, tempos de grandes avanços e de descobertas que levam a largos passos em frente no conhecimento da Humanidade nestes aspetos fundamentais da composição do Universo».

Os mesmos dados e os que têm sido adquiridos desde então (novembro de 2021) estão, entretanto, a ser analisados em relação à interação de partículas massivas de muito fraca interação (WIMPs em inglês), um dos mais promissores candidatos para a esquiva matéria escura.

O consórcio XENON é constituído por 170 cientistas de 28 grupos de investigação dos EUA, Alemanha, Portugal, Suíça, França, Holanda, Suécia, Japão, Israel e Abu Dhabi. Portugal é parceiro desta colaboração desde o seu início, em 2005, através da equipa do LIBPhys da Universidade de Coimbra, que foi financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) desde o seu início e até 2021. Universidade de Coimbra - Portugal


 

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Cabo Verde – Confirmados mais 45 casos positivos de covid-19 na ilha da Boa Vista

Cidade da Praia – O Ministério de Saúde e da Segurança Social confirmou hoje que 45 das 196 amostras aos trabalhadores que estiveram de quarentena no hotel Riu Karamboa, na ilha da Boa Vista, testaram positivas.

De acordo com a informação divulgada pelo Governo, num total de 196 amostras realizadas no Laboratório de Virologia do Instituto Nacional de Saúde Pública, no Hospital Agostinho Neto, 147 tiveram resultados negativos, 45 positivos, ao passo que quatro se encontram pendentes.

Ainda, de acordo com a nota governamental, “todas as pessoas que tiveram diagnóstico positivo estão a fazer isolamento e estão sendo acompanhadas pela equipa médica local que será reforçada”, tendo ressalvado a missiva que “nenhum dos doentes diagnosticados covid-19 inspira, de momento, qualquer cuidado especial”.

“Neste momento, estão a ser identificados os contactos desses novos doentes da covid-19 por vigilância activa e despistagem da doença”, lê-se neste comunicado, em que se acrescenta que “todas as medidas continuarão a serem tomadas para evitar a propagação da doença na ilha da Boa Vista.

O Ministério da Saúde reforçou o apelo à população para intensificar as medidas de prevenção da doença, especialmente os familiares e contactos mais próximos.

Estes casos testados positivos foram diagnosticados junto das pessoas que estavam em quarentena no Riu Karamboa e que domingo, 12, abandonaram a unidade hoteleira sem que tivessem representado sintomas da doença, justificadas pelo director nacional de Saúde, Artur Correria, para quem “tudo foi feito para o bem das mesmas”.

Artur Correia tinha lembrado esta terça-feira que das 207 pessoas que estavam no hotel em Boa Vista, foram divulgados resultados de 17 testes, sendo que destes três acusaram positivo.

Com estes 45 casos, elevam para 56 os casos positivos testados em Cabo Verde, sendo 52 na ilha da Boa Vista, três na Cidade da Praia e um na ilha de São Vicente.

Cabo Verde cumpre hoje 18 dias, de 20 previstos, de estado de emergência para conter a pandemia provocada pelo novo coronavírus, com a população obrigada ao dever geral de recolhimento, com limitações aos movimentos, empresas não essenciais fechadas e todas as ligações interilhas e para o exterior suspensas.

O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, anunciou, entretanto, que vai comunicar ao país, na quinta-feira, a decisão sobre a prorrogação ou não do estado de emergência.

O número de mortes provocadas pela covid-19 em África ultrapassou as 800 com mais de 15 mil casos registados em 52 países, de acordo com a mais recente actualização dos dados da pandemia naquele continente.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou quase 127 mil mortos e infectou mais de dois milhões de pessoas em 193 países e territórios.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China. In “Inforpress” – Cabo Verde

terça-feira, 14 de abril de 2020

Macau - Terminou campanha para ajudar Portugal a comprar equipamento de protecção e detecção do covid-19

A comunidade portuguesa em Macau angariou mais de 4,6 milhões de patacas para comprar equipamento de protecção para os profissionais de saúde em Portugal e material que garanta mais testes à COVID-19. O montante recolhido ao longo de duas semanas é de 4.661.377,70 patacas, indicou à Lusa o presidente do BNU, Carlos Álvares.

A iniciativa promovida por um movimento que junta quase duas dezenas de entidades e personalidades que definiram como prioridade a aquisição de equipamento que proteja todos aqueles que estão na linha da frente e a capacidade nacional de detecção de casos.

A conta no BNU deveria estar aberta até 5 de Abril, contudo, o prazo foi prorrogado por mais dois dias e o saldo continuou a crescer, em especial após a entrega de dois cheques de valores avultados: um milhão de patacas doado pela Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, fundada por Stanley Ho, e meio milhão de patacas entregue pela Santa Casa da Misericórdia de Macau.

Empresário doa 200 mil máscaras

Por outro lado, o empresário de Macau Wu Zhiwei, que produz vinhos em Portugal, vai doar mais de 200 mil máscaras ao Ministério da Saúde português, disse à Lusa fonte da empresa. A doação do proprietário da Quinta da Marmeleira, em Alenquer, destina-se aos profissionais de saúde.

“As máscaras, com a devida certificação para material médico, foram adquiridas na China”, disse a mesma fonte, frisando que o objectivo é “ajudar a proteger o pessoal da linha da frente no combate à doença em Portugal”, nomeadamente no Hospital de São João, no Porto, e no Hospital Santa Maria, em Lisboa, entre outras instituições públicas.

Lançada em 2015, a Quinta da Marmeleira produz mais de 200 mil garrafas de vinho, a cerca de 50 quilómetros a norte de Lisboa, num projecto que acabou por ser um factor de combate ao desemprego na zona. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”