Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 21 de julho de 2026

Macau – 5100 alunos aprendem Português regularmente nas escolas e universidades

São 5100 os alunos que aprendem Português neste ano lectivo: mais de 3600 encontram-se a estudar num ambiente de ensino não superior em língua portuguesa, um aumento de 20% no espaço de dois anos escolares; enquanto mais de 1500 universitários frequentaram cursos em ou sobre a Língua de Camões, revelou a DSEDJ


No ano lectivo de 2025/2026, 10 escolas públicas ou particulares em Macau proporcionam um ambiente de ensino em língua portuguesa a mais de 3600 alunos. Em paralelo, no ensino superior, cinco instituições disponibilizavam 19 cursos em Português ou relacionados com a Língua de Camões, contando com mais de 1500 alunos, revelou a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) ao Jornal Tribuna de Macau. Segundo vincou, “o Governo da RAEM atribui importância ao ensino da língua portuguesa, empenhando-se em cultivar quadros bilingues versáteis em português alinhados com as necessidades de desenvolvimento de Macau”.

Face aos dados da DSEDJ referentes ao ano lectivo 2023/2024, o número de escolas que fornecem um ambiente em que a língua veicular de ensino era o Português subiu de oito para 10, e o número de alunos nesse ambiente registou um aumento de 20% (subiu de 3000 para 3600), no espaço de dois anos lectivos.

Ao mesmo tempo, no presente ano lectivo, mais de 110 docentes estão registados na DSEDJ como professores que leccionam a disciplina “Português”.

Quanto aos recursos pedagógicos, a DSEDJ lembrou que, para os enriquecer, elaborou e publicou os materiais didácticos de língua portuguesa para o ensino primário, tendo como referência o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas e as “Exigências das Competências Académicas Básicas da Educação Regular do Regime Escolar Local” sobre a língua portuguesa. Segundo observou, cerca de 90% das escolas que leccionam “Português” no ensino primário tomam como referência e utilizam esses materiais.

Em relação aos materiais didácticos do ensino secundário, apontou que já começaram a ser desenvolvidos de forma ordenada os trabalhos de elaboração, composição, concepção, revisão e correcção. Segundo a DSEDJ, são lançados sob a forma de recursos pedagógicos, com a versão electrónica a ser disponibilizada no sítio do Centro de Difusão de Línguas. Parte desses materiais já está disponível neste sítio e serão lançados mais.

Paralelamente, desde o lançamento no ano lectivo 2023/2024, o “Programa de Iniciação de Aprendizagem da Língua Portuguesa” com duração de quatro anos – composto por cursos faseados de Português, actividades de aprendizagem diversificadas, experiência cultural e exame de proficiência da língua – já atraiu mais de 450 aprendentes/vezes. O curso é destinado aos alunos locais no 2º ano do ensino secundário geral ou num nível ainda superior, interessados em prosseguir os estudos em Portugal ou frequentar cursos de ensino superior relacionados com o Português, cuja língua materna não é o Português.

Os alunos de ensino não superior podem ainda participar na “Viagem de estudo de língua e cultura no Verão – Programa de estudo em Portugal”. No âmbito deste programa, 65 frequentaram cursos intensivos de Português em Portugal, nos últimos dois anos, indica a DSEDJ.

Numa perspectiva geral, o organismo liderado por Kong Chi Meng sublinha que, na esfera do ensino não superior, o Governo da RAEM “empenha-se em, através de uma formação sistemática, cultivar, desde a infância, as competências de compreensão oral, expressão oral, leitura e escrita na língua portuguesa de alunos necessitados ou interessados” nesta área, cabendo às escolas a promoção da língua portuguesa, através de currículo regular, actividades extracurriculares ou complementares.

Num contexto em que o País atribui a Macau o posicionamento como Plataforma Sino-Lusófona e o papel enquanto “interlocutor de precisão” entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a DSEDJ mencionou anteriormente a meta de “construir activamente a Base de Formação de Quadros Qualificados Bilingues em Chinês e Português”.

Ensino nas universidades em “desenvolvimento estável”

Na esfera do ensino superior, a DSEDJ observa que, “nos últimos anos, os cursos relacionados com a língua portuguesa têm apresentado um desenvolvimento estável”. Em 2025/2026, mais de 1500 frequentam 19 cursos em Português ou ligados a este idioma, ministrados por cinco instituições, cenário quase idêntico ao verificado há dois anos lectivos.

Em 2014/2015, quatro universidades disponibilizavam mais de 10 cursos ligados à Língua de Camões, que, na altura, contavam com cerca de 700 alunos.

Por outro lado, de acordo com as estatísticas do plano “Subsídio para Aquisição de Material Escolar a Estudantes do Ensino Superior” do Fundo Educativo, entre 2020/2021 e 2024/2025, uma média de cerca de 200 alunos por ano lectivo deslocou-se a Portugal para frequentar cursos superiores.

Nesta vertente, a DSEDJ concluiu que, com o intuito de alargar os canais de prosseguimento de estudos em Portugal para os estudantes de Macau, nos últimos anos, tem cooperado com diversas instituições de ensino superior portuguesas, tendo lançado o “Programa de Estudos superiores na Universidade do Porto para alunos da RAEM” e o “Programa de Estudos na Universidade Católica Portuguesa para alunos de Macau”. Assim, alunos da RAEM do secundário podem frequentar cursos de licenciatura ou cursos integrados de licenciatura e mestrado dessas instituições.

Em Abril deste ano, a DSEDJ celebrou um acordo de cooperação em termos do prosseguimento de estudos com o Instituto Português do Oriente e a Universidade de Coimbra, para oferecer mais opções no prosseguimento de estudos em Portugal.

Segundo a DSEDJ, em paralelo, o Governo tem vindo a impulsionar o intercâmbio e cooperação com Portugal na área do ensino do Português, apoiando as instituições de ensino superior públicas e privadas na promoção de cooperações interinstitucionais e no desenvolvimento de projectos.

As acções concretas, segundo exemplifica, compreendem conceder a instituições de ensino superior privadas apoios financeiros para a formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português e para a cooperação na educação. Além disso, coordenar instituições de ensino superior locais para a criação da “Aliança para Formação de Quadros Bilingues Qualificados nas Línguas Chinesa e Portuguesa” (composta pela Universidade de Macau, Universidade Politécnica, Universidade de Ciência e Tecnologia, Universidade da Cidade e Universidade de São José), que aborda a cooperação no ensino e na investigação científica, intercâmbio de quadros, difusão da língua, entre outros domínios, com vista a aprofundar o intercâmbio e cooperação entre as instituições de ensino superior chinesas e portuguesas.

Por outro lado, o organismo frisa que tem impulsionado instituições de ensino superior das duas partes a celebrarem acordos em matérias como a partilha das informações de aprendizagem, intercâmbios pedagógicos e académicos, e cooperação em mobilidade de pessoal. Isto “proporciona aos jovens estudantes oportunidades diversificadas de aprendizagem, prática e desenvolvimento, aumentando assim a sua competitividade e qualidade geral”, destaca.

2800 usaram PDAC para aprender Português

No domínio da educação comunitária, a DSEDJ continua a apostar no Centro de Difusão de Línguas (CDL) e no Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo (PDAC) como canais através dos quais os residentes podem ter acesso a oportunidades de aprendizagem da Língua de Camões.

O CDL disponibiliza regularmente cursos em Português para os residentes conhecerem e dominarem a língua e a cultura portuguesas básicas. Segundo revelou a DSEDJ, nos últimos cinco anos, o Centro realizou mais de 300 cursos, com as vagas a superarem 1600.

Já no âmbito do PDAC, 33 instituições participantes lançaram cursos de Língua Portuguesa entre 2021 e 2025, tendo o número de inscritos atingido quase 2800. Focadas em diferentes dimensões, como “formação técnica” e “artes liberais”, essas actividades disponibilizam cursos para aprendizagem de Português aos residentes que possuam um certo nível de conhecimentos básicos da língua, estejam empregados ou interessados, descreve a DSEDJ. Em 2014, havia cerca de 10 instituições participantes no PDAC com este tipo de curso, altura em que havia cerca de 300 inscritos.

Segundo os dados mais actualizados dos Serviços de Estatísticas e Censos, entre 2011 e 2021, período em que a população local de Macau aumentou 16,63% para 550.374, o número de residentes que dominavam a língua portuguesa subiu quase 20,7% para 14.939. Este número representava apenas 2,71% do total dos residentes em 2021, sendo ainda assim ligeiramente superior aos 2,62% anotados em 2011.

No mesmo intervalo temporal, o número de habitantes locais que têm o Português como língua corrente cresceu 3,96% para 3751. O grupo de residentes que falavam Português no seu dia-a-dia correspondia a 0,68% da totalidade em 2021, aquém dos 0,76% registados em 2011. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 16 de junho de 2026

Macau – Inteligência Artificial está a gerar “transformação profunda” em universidades lusófonas

A presidente da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) afirmou em Macau que as instituições de ensino superior lusófonas enfrentam “uma época de transformação profunda”, marcada pela inteligência artificial (IA) e pela digitalização.


“A inteligência artificial está a alterar a forma como produzimos, partilhamos e utilizamos o conhecimento, e a transformação digital redefine os processos de ensino, aprendizagem e investigação”, disse Astrigilda Silveira, na abertura do 35.º Encontro da AULP organizado no território.

Este encontro junta 36 reitores e presidentes de instituições de ensino superior dos Países de Língua Portuguesa (PLP) até amanhã, e coincide com o IV Fórum de Reitores da China, Macau e Países de Língua Portuguesa.

Sobre outro assunto, Silveira alertou também que as “alterações climáticas desafiam particularmente os pequenos Estados insulares, as regiões costeiras e as comunidades mais vulneráveis”, sublinhando que as universidades devem assumir-se como “líderes e promotoras da mudança”, formando profissionais “altamente qualificados e cidadãos comprometidos” com o desenvolvimento sustentável.

“Nenhuma universidade, por mais forte que seja, conseguirá responder sozinha aos grandes desafios globais. Precisamos da ciência colaborativa, da rede de investigação, de partilhar infra-estruturas, conhecimentos e talentos”, frisou a também reitora da Universidade de Cabo Verde.

A responsável destacou que os programas de mobilidade, as parcerias internacionais e os projectos de investigação colaborativa já demonstraram o valor acrescentado da associação, mas advertiu que os próximos anos exigem “mais ambição”.

Entre as prioridades, apontou o reforço da colaboração científica entre os membros, a internacionalização da produção científica em língua portuguesa, a aceleração da transformação digital e da transição energética, bem como a criação de mais oportunidades para estudantes e investigadores.

“A nossa língua é um património comum, mas é também um activo estratégico, um instrumento de aproximação e uma plataforma para a construção de soluções globais a partir de realidades diversas”, afirmou, defendendo que o português deve continuar a afirmar-se como “língua da ciência, inovação e conhecimento”.

Apelou a que o “espírito de cooperação que caracteriza Macau” inspire os trabalhos e decisões da comunidade académica lusófona.

“Que daqui surjam novas ideias, novos projectos, novas parcerias e uma renovada ambição para os 40 anos da nossa Associação”, concluiu.

O evento contou também com a presença do ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, que revelou que o modelo de linguagem de IA em português Amália será apresentado “este mês”.

Este ano, o Ministério da Reforma do Estado classificou o modelo de IA como “estratégico para Portugal”, anunciando que seria “orientado para o desenvolvimento de novos casos de uso, incluindo no sistema educativo, para apoiar alunos e professores com ferramentas adaptadas ao contexto português”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 26 de maio de 2026

Angola - Autor Zeka Mbueti retrata ambiente de ensino e aprendizagem em livros

Os dois livros de estreia do autor Zeka Mbueti, apresentados, na província de Icolo e Bengo, visam melhorar o ambiente de ensino e de aprendizagem


Os livros, Tchambassuco e Tchissola e Rotulação de Alunos, visam despertar e preparar os alunos contra situações de bullying e os professores.

Segundo o autor, resultam de experiências vividas pelo autor, enquanto profissional de ensino e aprendizagem, e de leituras.

Os temas abordados são inspirados em experiências das quais transformam a realidade em narrativa através das personagens que reflectem situações muito próximas do quotidiano dos alunos.

O livro Tchambassuco e Tchissola nasce da vivência directa em contexto educativo e da sensibilidade de testemunhos directos de situações de bullying, insegurança e dificuldades na construção da identidade dentro da escola.

São contos de duas crianças com o mesmo desafio, num mundo de difícil concretização do seu imaginário. O livro aborda a história de coragem, identidade, sonhos e superação de duas personagens, vítimas de bullying.

Tchambassuco transforma o seu nome numa força de orgulho e identidade, após enfrentar insultos, enquanto Tchissola descobre as suas raízes e origens em sonhos e viagens.

A obra Rotulação de Aluno é um subsídio para professores e gestores escolares que analisa os impactos da rotulação de alunos no ambiente escolar, mostrando como essas práticas podem afectar a auto-estima, a motivação, o rendimento académico e nas relações com o ambiente escolar.

O livro visa prepará-los diante de situações inesperadas que, no dia-a-dia escolar, acompanha de perto os desafios que as crianças enfrentam no processo de crescimento. Manuela Mateus – Angola in “Jornal de Angola”


quinta-feira, 7 de maio de 2026

Macau - Novos alunos da Escola Portuguesa aperfeiçoam português em curso de Verão

Já em Julho, a Escola Portuguesa de Macau vai organizar um curso de Verão em Português, obrigatório, para os novos alunos do primeiro ciclo que tenham outra língua materna, no sentido de haver uma melhor aprendizagem. Enquanto isto, a curto prazo, o estabelecimento de ensino tenciona criar um laboratório de línguas. A ideia, segundo o director Acácio de Brito, é introduzir, para além do português e do mandarim, igualmente o francês e até o latim “para quem queira frequentar”


A dificuldade dos alunos de língua não materna em se expressarem em português levou a Escola Portuguesa de Macau (EPM) a criar, já a partir de Julho deste ano, um curso de Verão, no sentido de uma “melhor aprendizagem” dos estudantes que entram pela primeira vez, revelou ao Jornal Tribuna de Macau o director do estabelecimento de ensino.

Acácio de Brito considera ser importante que os novos alunos, que não têm como língua materna o português, aperfeiçoem a língua, pelo que o curso tem esse objectivo.

A iniciativa surge na sequência de cerca de uma dezena de alunos que fizeram a inscrição na EPM para o próximo ano lectivo, a maioria dos quais vem do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, num total de mais de 60, estreando-se assim no primeiro ano, terem manifestado dificuldade na língua portuguesa. No total, o curso contará com a participação de 20 alunos.

“Este é um projecto do primeiro ciclo, para os alunos que nós notámos no acto da entrevista que eram muito fracos nos conhecimentos da língua”, afirmou Acácio de Brito, justificando assim a realização do curso, cuja inscrição será voluntária e obrigatória. “Isto é, eles têm de frequentar esse curso, que é absolutamente gratuito e vai acontecer no mês de Julho, mediante a disponibilidade dos professores do primeiro ciclo”, sublinha.

Para o director da EPM, esta acção de aprendizagem para os estudantes que entram pela primeira vez na escola, no total de cerca de uma dezena, trata-se de “uma boa iniciativa, até porque falamos tanto na valoração da língua portuguesa”. Por isso, acentua, “temos de a valorar logo no seu início, porque cada vez mais temos tentado captar alunos de outras nacionalidades, designadamente chineses, para virem frequentar a EPM e para isso temos de ter meios para poder suprir as dificuldades normais na aprendizagem de uma língua”. “Quanto mais cedo os apanharmos, melhor”, enfatiza.

Esta será a grande novidade para o próximo ano lectivo, mas há outras que poderão surgir a curto prazo, como é o caso da intenção da EPM de criar um Laboratório de Línguas, na sequência do que tem acontecido com o desenvolvimento do mandarim.

“Pretendemos introduzir um Laboratório de Línguas, e, ainda que de uma forma muito incipiente, já começámos a adquirir o software necessário”, disse o responsável. Especificando, frisa que “a EPM desenvolverá em termos laboratoriais o português, naturalmente também o mandarim, assim como o francês e até, num futuro próximo, porque essa é a tendência, introduzir de forma optativa, como é evidente, o latim, a quem queira frequentar”.

Explicando a razão dessa possível aposta no latim, Acácio de Brito entende que, embora seja uma língua morta, é basilar no compreendimento estruturante da própria língua portuguesa. “É uma ideia que está a ser estudada, tem de ser meditada, pensada, mas temos recursos para isso, com pessoas com formação no latim”, assevera.

Como é um projecto que está a ser “maturado”, ainda não há certeza “se poderá ou não ser desenvolvido já para o próximo ano lectivo”, esclarece.

Relativamente aos alunos que irão frequentar a EPM em 2026/2027, o responsável aponta para um número muito semelhante ao deste ano que está prestes a findar, ou seja, entre os 800 e os 820, também dependente da entrada, ou não, da dezena de novos estudantes que irão participar no curso de Verão.

Quanto às inscrições para o próximo ano lectivo, foram já realizadas, seguindo-se as respectivas matrículas. “O processo de matrículas é agora automático e só em anos de mudança de ciclo é que se exige a presença, porque há um conjunto de escolhas que eles têm de fazer, designadamente no 1º ano que é necessário, assim como nos 5º, 7º e 10º”, nota.

Cinco novos professores pertencem ao quadro de Portugal

A Escola Portuguesa de Macau já escolheu os cinco novos professores necessários para o próximo ano lectivo, destinados às disciplinas de Matemática, Ciências Físico-Químicas, Educação Musical, Português e Inglês. Os docentes aprovados são todos do quadro das escolas de Portugal e foram seleccionados através de concurso público para o qual se apresentaram cerca de quatro dezenas de candidatos. A contratação “dependerá agora dos procedimentos normais de autorização da RAEM e das licenças especiais”, disse o director, Acácio de Brito, ao Jornal Tribuna de Macau. O dirigente do estabelecimento de ensino observou que “as autorizações levam o seu tempo, como é normal”, mas espera que os docentes estejam disponíveis para leccionar quando as aulas se iniciarem, em Setembro. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 5 de maio de 2026

Guiné Equatorial - O Centro de Língua Portuguesa “Camões” é inaugurado na Universidade Nacional

A inauguração deste centro reforça os planos do Governo para fortalecer o ensino do português como terceira língua oficial do país


Por ocasião do Dia Mundial da Língua Portuguesa, a Universidade Nacional da Guiné Equatorial (UNGE) inaugurou, no dia 05 de maio, um novo espaço académico dedicado ao ensino e à promoção do português, com o objetivo de expandir as oportunidades educativas e profissionais no mundo lusófono.

O dia foi marcado não só pela cerimónia oficial, mas também pela participação ativa dos estudantes, que partilharam as suas experiências e motivações para aprender português, demonstrando o crescente interesse por esta língua no país.

A este respeito, Valentín Somori, estudante de Filologia e Português, explicou que a sua decisão de estudar esta língua deriva das suas aspirações futuras, considerando-a "uma língua com potencial" e com uma presença cada vez maior na sociedade e no ambiente digital. Sublinhou ainda que a língua representa uma ferramenta de conexão a múltiplos níveis: "A língua é conexão", afirmou, referindo-se tanto à comunicação entre pessoas como às oportunidades de emprego que poderão surgir com a chegada de empresas portuguesas ao país.

Por outro lado, Gloria Elebiyo Medina destacou uma motivação prática, salientando que a sua aproximação ao português foi impulsionada por uma necessidade profissional: “Comecei a estudar português por necessidade”, explicou, depois de encontrar uma oportunidade de emprego onde a fluência na língua era um requisito fundamental. Neste contexto, sublinhou que, apesar de inicialmente não possuir uma base sólida, a sua vontade de aprender permitiu-lhe aproveitar a oportunidade, reconhecendo que “o português me abriu uma porta”.

Além disso, a estudante sublinhou que a proficiência em línguas estrangeiras representa uma vantagem competitiva no mercado de trabalho, especialmente num ambiente onde convergem diferentes culturas e empresas internacionais.

A criação deste centro reforça os planos do Governo para fortalecer a aprendizagem do português como terceira língua oficial do país. Benjamin Eyang – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Guiné Equatorial - Uma jovem apresenta "Mbôlo", um aplicativo móvel para aprender os idiomas nacionais

Esther Envoro Aguilar, da Guiné Equatorial, apresentou uma candidatura intitulada "Mbôlo" à Secretária de Estado da Educação, Constancia Mangué Obiang Lima, no dia 21 de janeiro.


Esta é uma ferramenta digital inovadora, concebida para a aprendizagem e promoção das línguas nacionais: Fang, Bubi, Ndowe, Bisio e Fa'dambô.

Após mais de três meses de desenvolvimento, o projeto "Mbôlo" foi lançado com o objetivo de preservar, disseminar e facilitar a aprendizagem de cinco línguas do país. A iniciativa procura garantir que as futuras gerações possam aprender, compreender e manter vivas estas línguas nacionais, fortalecendo assim a identidade cultural do país por meio da educação e da tecnologia.

A criadora do aplicativo explicou á Secretária de Estado da Educação que muitas das línguas indígenas da Guiné Equatorial estão ameaçadas de extinção, o que a motivou a criar o Mbôlo como uma ferramenta para preservar essa identidade linguística e cultural. O aplicativo também foi adaptado a novas formas de aprendizagem digital.

Constancia Mangué Obiang Lima avaliou positivamente a ideia da mulher guineense equatorial, observando que "Achei muito interessante, porque a nível nacional não existe nenhuma iniciativa como esta."

"Crianças, jovens e guineenses na diáspora podem aprender os idiomas dos diferentes grupos étnicos da Guiné Equatorial", disse Esther Envoro Aguilar. Amélia Garçonete – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Moçambique - Jovem lança iniciativa para bolsas de estudo na MUSIARTE

Aos 16 anos, aluna de canto na MUSIARTE, transforma a paixão pela música numa oportunidade para jovens músicos em situação de vulnerabilidade.  No âmbito de um projecto escolar, Leonor Dias Vaz lançou uma campanha de angariação de fundos “Every Note Makes a Difference” para, inicialmente, financiar duas bolsas de estudo, cada uma correspondente a dois anos de formação musical na MUSIARTE.


Leonor Vaz transformou a sua vivência pessoal num projecto de alcance coletivo, liderando uma bem-sucedida iniciativa de angariação de fundos “Every Note Makes a Difference” destinada a apoiar jovens talentos musicais em situação de vulnerabilidade social.

A campanha superou as expectativas, tendo angariado mais de meio milhão de meticais, permitindo a atribuição de quatro bolsas de estudo completas para quatro jovens músicos de origens vulneráveis em Maputo.

No âmbito da iniciativa, Leonor organizou um evento público de angariação de fundos na Escola Internacional Americana de Maputo, que reuniu alunos da MUSIARTE e da Escola Portuguesa de Maputo. Durante o evento, apresentou pessoalmente o seu projecto, partilhando a sua visão, motivação e compromisso com o alargamento do acesso à educação musical.

Com um percurso artístico já reconhecido além-fronteiras, tendo sido finalista do The Voice  Kids Portugal 2024, Leonor tem plena consciência do privilégio que representa ter acesso a uma educação musical de qualidade. Foi precisamente essa consciência que a levou a questionar as desigualdades de oportunidades enfrentadas por muitos jovens da sua geração, igualmente talentosos, mas sem os mesmos recursos. 

O projecto Every Note Makes a Difference – Bolsas de Estudo Leonor Vaz afirma, de forma inspiradora, que a liderança não tem idade e que os jovens artistas podem desempenhar um papel activo e transformador na sociedade, promovendo oportunidades, esperança e futuro através da educação e da música. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 6 de maio de 2025

Lusofonia - Influenciadores estrangeiros destacam “calor humano” da língua portuguesa

Francês Paul Cabannes, americana Bridget Fancy e a russa Ekaterina Puchkova, ou Katiusha, produzem conteúdos, em português, para 4 milhões de seguidores nas redes sociais, para eles, falar o idioma é como entrar numa outra personalidade, com mais carinho, amabilidade e simpatia

Neste Dia Mundial da Língua Portuguesa, o Podcast ONU News procurou um olhar de fora sobre a beleza e as qualidades do idioma ao dar o microfone a três pessoas que abraçaram o português como língua estrangeira.

Eles são o humorista francês Paul Cabannes, a influenciadora digital americana Bridget Fancy e a produtora de conteúdo russa, Ekaterina Puchkova, também conhecida como Katiusha. O encontro de cada um com o idioma ocorreu de forma variada. Mas os destinos deles se cruzam na internet, onde produzem conteúdos acompanhados por milhões de seguidores todos os dias.

Nesta conversa com a ONU News, eles foram unânimes em concordar que o português teve o poder de transformar as suas personalidades, trazendo à tona aspectos que não eram tão evidentes quando usavam as suas línguas maternas.

Paul Cabannes: “prefiro a minha personalidade em português com minhas filhas”



Cabannes, por exemplo, define a sua língua materna, o francês, como “refinada e sarcástica”, em contraste com o português, que para ele, traz uma grande dose de simpatia. No plano pessoal, o português o ajudou a ser um pai mais amoroso quando se tornou o veículo de comunicação com as filhas.

“Eu falava com as minhas filhas em francês até o momento que eu percebi que eu preferia a minha personalidade em português com elas, porque eu sou capaz de ter mais simpatia, mais carinho, mais fofura quando eu falo em português. E agora faz alguns anos que eu falo em português com as minhas filhas. Elas aprendem francês, porque também eu faço questão de ensinar a elas, mas no dia a dia eu falo português com elas”.

O humorista francês começou a aprender português em 2012, após se casar com uma brasileira. E a partir daí não parou mais. Ele compartilha as suas experiências na internet.

Bri Fancy: “sinto-me mais amorosa em português”



Já para a americana Bridget Fancy, o contato com o idioma ocorreu ainda na infância. Dos oito aos 16 anos, ela viveu no Brasil acompanhada pelos pais. E se para eles, falar português era uma tarefa difícil, para ela caiu como uma luva. Voltou para os Estados Unidos e retornou ao Brasil, onde se sente inspirada ao falar português nas redes sociais e experimentar muito calor humano.

“Acho que em inglês eu sinto-me muito mais direta ao ponto. Eu sinto-me muito mais séria, profissional e em português eu sinto-me mais amorosa, eu acho-me mais carinhosa. Até o jeito que a gente fala sobre as coisas, eu estava a falar ‘carinhosa’, eu falei ‘carinhoooosa’. Então em português você tem esse calor humano já no idioma, na minha opinião”.

Katiusha: “em português sou muito brincalhona”



Bridget e Paul participaram da edição especial do Podcast ONU News para este Dia Mundial da Língua Portuguesa ao lado da influenciadora russa Katiusha. No caso dela, o amor pelo português veio através do ouvir brasileiros conversando num hotel no seu país natal.

Desde então, o universo dela mudou. Primeiro foi a curiosidade por uma língua que soava interessante, mas depois veio o encanto com um mundo cheio de descobertas de um lado mais brincalhão e divertido.

“Eu acredito que aconteça a mesma coisa com a língua russa, porque o russo em si a gente tem esse estereótipo de que é algo frio, algo brusco. E quando a pessoa fala em russo as pessoas acham: meu Deus, você está me xingando, só pode ser, né? Eu acredito que tenho a mesma situação com o russo. Em russo sou mais séria, talvez até possa dizer fria, mas em português sou muito brincalhona. Até a voz muda”.

Katiusha admira o Brasil e se diverte com o uso frequente do diminutivo pelos brasileiros. Para ela, essa forma confere “mais charme e fofura” a situações simples do dia a dia, como comprar um pão na padaria dizendo: “um pãozinho por favor”.

Criatividade linguística das expressões populares

Já adaptados ao Brasil, os três influenciadores relatam que ainda vivem confusões e situações cómicas com as expressões populares, algo que Cabannes chamou de “português real”, que é diferente do português oficial.

E se alguém pensa que filosofar é melhor em francês, ele lembra que nos bares brasileiros sempre escuta expressões memoráveis sobre como lidar de forma positiva com as dificuldades da vida.

“Em qualquer boteco, sempre tem um cara que está lá e que está passando por uma fase de fracasso na vida dele. E quanto mais ele está fracassado, mais as expressões dele melhoram. Esses caras conseguem ter uma fluidez de criação de texto que parece o Chat GPT. O cara está lá com um copo de cerveja e começa: ‘É rapaz, tá difícil, mas quem está na chuva é pra se molhar, quem tem fé vai de sandália mesmo. Aí ele acende um cigarro e continua: Nós tá firme que nem um prego na areia, que o barco está furado ele está, mas a gente cola um chiclete no fundo e vai remando do mesmo jeito, porque o que dói mesmo é a saudade da morena’, ri”.

Bridget contou que todos os dias está a aprender uma expressão diferente e que considera esse um aspecto muito divertido do português brasileiro.

“Eu acho muito engraçado a criatividade linguística que existe. Porque assim, mesmo se a expressão não existia, agora existe. Se a palavra não existia, só que existia uma necessidade, a pessoa vendo a necessidade tem a liberdade poética de criar uma palavra. Eu acho isso muito bom no português, eu poder criar uma expressão”.

Maior interesse pelo português ao redor do mundo

Quase todos os dias, ela recebe mensagens de seguidores dos Estados Unidos querendo aprender português e pedindo dicas. Katiusha também observa essa tendência em relação ao público russo, um indício do crescimento do interesse pelo idioma como língua estrangeira.

“O Brasil está a ganhar uma atenção mundial e na Rússia acaba acontecendo a mesma coisa. Antigamente, quando eu cheguei no Brasil, nossa, eu quase não encontrava os russos aqui, era muito raramente. Hoje em dia, se você vai ao sul, principalmente, meu Deus, são muitos russos. Para qualquer lado que você olha têm muitos russos, você escuta a língua russa. E na Rússia também é assim, muitas pessoas estão querendo aprender português”.

Os três influenciadores alcançam, somados, um público de mais de 4 milhões de pessoas, a grande maioria de brasileiros.

Por meio de conteúdos irreverentes eles falam de desafios de comunicação, mas especialmente de grandes descobertas e aprendizados que vivenciaram ao abraçar o português como segunda língua. Felipe de Carvalho ONU News – Nações Unidas


segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Macau - Ser ou não ser bilingue, eis a questão da RAEM

Na última edição do Plataforma Talks, um bilingue natural, e outro por interesse profissional, partilharam a mesma tese: sendo “oficial”, a língua portuguesa é também “estratégica” e “identitária”. Calvin Chui subscreve essa de Miguel de Senna Fernandes; com ressalvas: é preciso “promover – não impor” a língua portuguesa em Macau; mas “os portugueses também deviam aprender chinês”



“Quando falamos de bilinguismo, falamos do português, no contexto de uma cidade em que a língua dominante é o chinês”. A partir daí, resume Miguel de Senna Fernandes, há várias consequências para o estatuto legal, político e social da língua. Por um lado, “se não tem uso, deixa de ser oficial”; por outro, tem valor “estratégico”, para que “a China desenvolva as relações com os Países de Língua Portuguesa”, e “identitário”, no sentido histórico e cultural.

Calvin Chui aprendeu português “por necessidade”; estudou Direito em Portugal, o que lhe permite ter um conhecimento “mais profundo dos códigos”. Adquiriu a língua pela sua “visão económica”; razão pela qual elogia as bolsas atribuídas a estudantes que queiram ir para Portugal. “Não sei se tem a mesma eficácia que antes, mas é muito importante”.

Senna Fernandes aponta Chui como “bom exemplo; vive a língua porque precisa”. Mas também como “prova da política de bolsas que o Governo tem implementado”. Contudo, “o bilinguismo é muito mais do que isso”. A plataforma, argumenta, “indica-nos que a RAEM não quer uma visão simplista; quer cidadãos que vivam a língua, que tenham consciência do português como língua própria de Macau”. Para Senna Fernandes “a única visão prática e viável é assumir que o português não vem de Portugal, Brasil ou África; sempre se falou em Macau, há que assumir esse passado linguístico”.

O bilinguismo está lavrado na Lei Básica; logo, “devemos respeitar essa regra e promover o português como língua oficial”, comenta Calvin Chui. Nesse sentido, “o uso diário nos tribunais, na Função Pública, na escola… deve ser encorajado”. Contudo, “não pode ser imposto”, ressalva, lembrando o outro lado do espelho: “Os portugueses também deviam aprender o chinês; o respeito tem de ser mútuo”.

“Absolutamente necessário”

O inglês será “mais cool”, mais atrativo para gerações rendidas ao mundo digital; mas, em Macau, o português “é estratégico”, insiste Senna Fernandes, abordando dimensões diferentes. “Quando falamos da plataforma, é um instrumento político-económico, de Estado a Estado. Faz-se sentir na sociedade civil? Não! No nosso dia a dia não a sentimos, mas no plano oficial é absolutamente necessário; senão estamos mal! Não vamos comunicar em inglês com os Países de Língua Portuguesa”. Senna Fernandes concorda com Calvin Chui na tese de que “não pode ser imposto”; mas defende que “o português tem de ser assumido como língua da RAEM. O que mexe com cultura leva tempo; mas já estamos aqui há tantos séculos; já esperamos tanto… e a RAEM tem tudo a ganhar”, conclui.

Aprender português “não é fácil”; ambos concordam. Mas há “cada vez mais cidadãos de etnia chinesa que falam português”. Calvin Chui lembra que a DSEJ garante subsídios a escolas que incluam a disciplina de português, o que “é positivo, porque aumenta a atratividade do ensino e da aprendizagem”; processo que vê em três fases: “Primeiro conhecer a língua; depois utilizá-la; mais tarde ver que o seu valor não é só económico, mas cultural e humano. Aí aprofundam a aprendizagem e querem partilhar isso com outras pessoas”.

Senna Fernandes quer ver mais compromisso oficial: “Uma coisa é ter dinheiro, outra é mostrar vontade política; e essa não se vê. Não sei se por estigmas do passado – não queria ir por aí – mas existiu sempre um obstáculo; quando se fala de português qualquer coisa parece que não flui”. Considera por isso que “a RAEM pode fazer muito mais”; e se “houver complexos há que despir isso completamente”; criando “modelos sociais” para uso da língua. “Não vou utilizar a palavra herói, mas as referências são muito importantes. Há que criar algo mais profundo; ter olhos de ver e não ficar pelos programas de estudo; é muito mais do que mandar toda a gente estudar para Portugal”.

“Promover – não impor”

Calvin Chui já admitiu, por hipótese, que o bilinguismo fosse imposto; mas, “pensando melhor”, prefere uma abordagem “suave, indireta, mais bem aceite pela população”. Senna Fernandes concorda, inclinando-se para incentivos relevantes: “Quem der provas de falar chinês e português e queira estabelecer-se em Macau pode ver-lhe atribuído mais um ponto” na análise do direito de residência; quiçá no acesso à Função Pública. “Desde que não se prejudique quem não fala português; a discussão é como incentivar a falar mais português – quem não fala tem de ser respeitado”. A História, essa, “tem de fazer parte da identidade disto”, frisa Senna Fernandes. “Já é cliché falar de edifícios antigos, do pastel de nata, e de outras coisas portuguesas. E a língua, não pode ser identitária? É perfeitamente possível a RAEM assumi-la como sua”, conclui.

Calvin Chui gostou de ver o futuro Chefe do Executivo responder a jornalistas portugueses, “primeiro em português; e depois, por respeito à maioria da população, em chinês”. Um “bom sinal”; como Sam Hou Fai aprendeu português em Coimbra, “pode ter tendência para promover mais o bilinguismo”. Sobre a aprendizagem do chinês por parte da comunidade portuguesa residente, Senna Fernandes sugere que as dificuldades colocadas por uma língua ideográfica sejam contornadas com a oralidade: “Nós, macaenses, aprendemos a falar cantonês sem saber escrever; só depois adquirimos a escrita. Mas o facto de falarmos tornou a coisa muito mais simples”. Paulo Rego – Macau in “Plataforma” 


quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Guiné Equatorial - Jovens estão a começar a aprender português

Os jovens da Guiné Equatorial estão a começar a aprender português, disse à Lusa o músico Negro Bey, mais de uma década depois de Malabo ter aderido à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

“Aos poucos vamos avançando. Os jovens estão a estudar um pouco de português, embora não falem bem, mas tentamos melhorar”, disse o ‘rapper’ de 40 anos.

Em 3 de Outubro, o secretário executivo da CPLP disse à Lusa que a expansão da língua portuguesa na Guiné Equatorial, “um substrato essencial” da organização, é “uma preocupação”. “As autoridades da Guiné Equatorial estão a dar passos”, mas “precisam também de uma ajuda dos Estados-membros”, porque “não é fácil” pôr em prática um programa a nível nacional de ensino da língua do português, sublinhou Zacarias da Costa.

Nas universidades de Malabo e de Bata, onde Portugal e Brasil ajudam, “já estão muito avançados os treinos e formação de formadores” e, em 2023, a língua portuguesa também foi introduzida nos currículos do ensino básico e secundário, enumerou o dirigente. “O problema é que não temos professores e é preciso trabalhar num conjunto de coisas que vão desde a facilitação dos vistos para cidadãos da CPLP, (…) para os professores poderem circular livremente e exercer as suas profissões livremente”, considerou na altura Zacarias da Costa.

O secretário executivo da organização recordou “a agressividade da francofonia”, nomeadamente dos franceses, que foram “muito céleres no estabelecimento de escolas da Aliance Française nos vários pontos” da Guiné Equatorial.

Negro Bey disse que a participação da Guiné Equatorial na CPLP começa a ser conhecida no país, sobretudo “porque tem havido muitas reuniões e cimeiras”.

Na mais recente, em 30 de Julho, a Guiné Equatorial e a CPLP assinalaram 10 anos da adesão com a visita a Malabo do presidente em exercício da organização, o chefe de Estado de São Tomé e Príncipe, Carlos Vilanova, que foi recebido pelo homólogo Teodoro Obiang Nguema.

Na altura Plácido Mico Abogo, antigo secretário do principal partido da oposição no país, Convergência para a Democracia Social, disse à Lusa que “mais de 99% da população da Guiné Equatorial não teve sequer conhecimento de que o país faz parte da CPLP, nem isso teve qualquer impacto na sua vida quotidiana”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Macau - Reforma no sistema de ensino afecta estudantes, docentes e escolas

No ano lectivo de 2024/2025, Macau tem 10 instituições de ensino superior e 76 escolas de ensino não superior com cerca de 80.000 alunos. A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento de Juventude está a implementar várias políticas para optimizar as escolas, melhorar as qualificações dos docentes, implementar medidas de auditoria nas escolas privadas e melhorar o programa de aprendizagem da língua portuguesa

De acordo com a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), no ano lectivo de 2024/2025, Macau terá um total de 10 instituições de ensino superior e 76 escolas de ensino não superior, com cerca de 80.000 alunos.

O Governo está a concentrar-se na optimização da gestão e no aumento da eficiência administrativa no sector da educação. Estão a ser revistos os objectivos políticos e a eficácia das medidas previstas em vários planos de desenvolvimento relacionados com o ensino superior, o ensino não superior e a política de juventude. O sistema de gestão das escolas do ensino não superior está a ser optimizado, sendo dada especial atenção aos controlos prévios à carreira de docente. As escolas, estão agora a estabelecer normas de conduta e regras internas e os docentes devem respeitar a legislação e os valores éticos da instituição de ensino na qual estão inseridos.

No futuro, as auditorias das contas escolares efectuadas por terceiros serão apoiadas pelo lançamento de programas de auditoria e o trabalho legislativo e de revisão das leis relativas às instituições privadas de formação contínua e aos centros complementares de apoio pedagógico estão também a ser melhorados. Estão ainda a ser envidados esforços para alargar a cooperação global, em particular na promoção do desenvolvimento de instituições de ensino superior, através de parcerias com indústrias prioritárias e colaborações internacionais. A tónica é colocada na melhoria da cooperação em matéria de educação e investigação científica, na implementação de programas de formação conjuntos e no reforço da promoção em Portugal e nos países do Sudeste Asiático. O Governo realça a importância da aprendizagem da língua portuguesa e apoia os estudantes de Macau na continuação dos seus estudos em Portugal, a fim de criar pessoal bilingue e com competências abrangentes.

A DSEDJ já está a tomar diferentes iniciativas para apoiar o desenvolvimento curricular e melhorar a qualidade do ensino. Entre as medidas, está a introdução um quadro revisto para o currículo, centrado no reforço da aprendizagem dos alunos em áreas como a programação, a inteligência artificial e as competências de aplicação global. A DSEDJ lançou também o Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo”, impelindo os residentes a melhorar os seus conhecimentos através de formação e de certificação. Este programa tem como objectivo ligar a diversificação das indústrias em Macau e a criação de uma sociedade de aprendizagem.

Em termos de segurança escolar, a DSEDJ tem realizado inspecções ao ambiente, ao equipamento de combate a incêndios e ao armazenamento de materiais inflamáveis e apoiado as organizações de aconselhamento dos estudantes, fornecendo materiais complementares sobre saúde mental para promover um ambiente positivo nas escolas. Foram ainda oferecidas diversas formações sobre a prevenção de catástrofes e recursos sobre temas como as burlas, as drogas e o cumprimento da lei.

De um modo geral, o Governo está empenhado em melhorar o sistema de ensino, optimizar a gestão educacional, desenvolver a esquematização curricular e em promover a segurança escolar, no ano lectivo que se aproxima. In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 17 de maio de 2024

Angola - Arrancou a primeira turma da Escola Tecnológica 42 Luanda

A primeira turma da escola de tecnologia 42 Luanda arrancou, na segunda-feira, com 150 alunos, seleccionados a partir de milhares de candidatos provenientes de todo o país, segundo um comunicado da instituição


Durante 16 a 18 meses, os alunos vão aprender noções básicas de programação, como as bases fundamentais da programação, com o desenvolvimento dos primeiros projectos e terão a oportunidade de desenvolver técnicas essenciais de resolução de problemas, criatividade, pensamento crítico, perseverança, responsabilidade, comprometimento, comunicação, trabalho em equipa, ética profissional e de liderança, de forma a estarem preparados para enfrentarem os desafios reais do mercado de trabalho.

Durante o processo que culminou com a selecção dos 150 alunos, os candidatos passaram pela "Piscina”, última etapa de selecção, que consiste em um período intensivo de quatro semanas onde dedicaram-se pelo menos cerca de 10 horas por dia.

Neste período intensivo de introdução à programação tiveram de mostrar a coragem, resiliência, forma como comunicam, capacidade de trabalhar em grupo, de aprenderem e de colaborarem. Destinada à formação de profissionais de tecnologia em Angola, a Escola 42 Luanda foi inaugurada a 12 de Julho de 2023.

De iniciativa Presidencial, tem como madrinha a Primeira-Dama da República e possui como valores a excelência, inovação, colaboração, inclusão e responsabilidade social e está comprometida em formar 500 quadros num horizonte de 5 anos.

A 42 Luanda pertence a uma rede de escolas de programação e tecnologia com sede em Paris, França. Fundada em 2013, a escola adopta um método de aprendizagem inovador, baseado no conceito "aprender a aprender".

O currículo prático e colaborativo permite que os alunos desenvolvam habilidades técnicas e criativas, preparando-os para se destacarem no sector de tecnologia. A Escola 42 tem campus em todo o mundo e agora está presente em Luanda, Angola.

A Escola 42 Luanda tem como valores fundamentais a inclusão e a igualdade de oportunidades. Através de uma abordagem de ensino inovadora e flexível, a instituição visa capacitar os alunos com competências essenciais em programação, preparando-os para os desafios do mundo tecnológico actual e mercado de trabalho.

É uma iniciativa do Gabinete de Quadros em parceria com o Ministério dos Recursos Minerais Petróleo e Gás e tem como parceiro fundador a Sonangol E.P. In “Jornal de Angola” - Angola


segunda-feira, 29 de abril de 2024

Macau - 155 alunos frequentam curso de português pré-universitário

O curso pré-universitário de aprendizagem de Português, lançado este ano, conta com a participação de 155 alunos, indicou a chefe do Departamento do Ensino Não Superior da DSEDJ


Um total de 155 alunos do ensino secundário estão a frequentar o curso de Português pré-universitário, de quatro anos, lançado este ano pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), indicou Choi Man Chi chefe do Departamento do Ensino Não Superior. As informações foram avançadas na 1ª reunião plenária ordinária de 2024 do Conselho de Educação.

Segundo Choi Man Chi, através deste curso, os alunos podem participar em actividades de experiência do Português que cruzam diversos anos escolares, em campos de Verão e receber apoio para o exame de nível de Português. Além disso, afirmou, algumas instituições de ensino superior portuguesas lançaram em conjunto um plano de prosseguimento de estudos junto de estudantes de Macau.

Já a chefe da Divisão de Cooperação e Intercâmbio do Ensino Superior, Tam Sio Wa, garantiu que a DSEDJ vai continuar a organizar a deslocação das instituições de ensino superior de Macau ao Interior da China, a Portugal, à Malásia, à Tailândia, ao Vietname e outros países e regiões, “para realizarem intercâmbio com instituições de ensino superior e educativas e culturais desses locais”.

A directora substituta do Centro de Difusão de Línguas da DSEDJ, Leong Lai San, também apresentou os trabalhos relacionados com o ensino da Língua Portuguesa. Sublinhando que o ensino não superior foi promovido como ponto de entrada para a aprendizagem da Língua Portuguesa, acrescentou que foram lançados cursos diversificados “no sentido de expandir o grupo de alunos interessados pela aprendizagem”.

Através do aprofundamento da cooperação educativa com as instituições de ensino superior de Portugal, foram também lançados planos de prosseguimento de estudos, destinados a alunos de Macau. A DSEDJ criou também uma página electrónica, de modo que alunos e encarregados de educação possam inteirar-se das informações sobre o prosseguimento de estudos em Portugal.

No início da reunião, o chefe do Departamento de Recursos Educativos, Tang Wai Keong apresentou o rumo da elaboração do regime de desenvolvimento profissional do pessoal docente do ensino não superior. Com vista a implementar as exigências de diversas leis, foram iniciados os trabalhos sobre a elaboração deste regime, “de forma a articular eficazmente com as necessidades educativas e de desenvolvimento das escolas e apoiar o desenvolvimento profissional do pessoal docente”, frisou.

O encontro foi presidido pela presidente do Conselho de Educação e Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, tendo Kong Chi Meng, director da DSEDJ e vice-presidente do Conselho estado também presente. Da agenda constaram ainda temas como o relatório sobre os trabalhos relativos à optimização do sistema de gestão das instituições de ensino superior e o relatório sobre o plano de trabalho da promoção e cooperação externa do ensino superior de Macau. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 28 de março de 2024

Portugal - Petição com mais de duas mil assinaturas pede regresso dos manuais em papel

Mais de duas mil pessoas assinaram uma petição a pedir o fim do projecto-piloto de manuais digitais nas escolas portuguesas, apontando atrasos na aprendizagem e riscos de acesso a conteúdos indevidos, como pornografia ou violência.

O Ministério da Educação decidiu levar a cabo um projecto de substituição de manuais em papel por livros digitais, que começou de forma gradual em 2020/2021. O programa é voluntário e conta com cada vez mais estabelecimentos de ensino: Este ano são 23159 alunos do 3º ao 12º anos em cerca de 160 escolas de todo o país, segundo dados avançados pela tutela.

No entanto, há pais e professores que estão contra o projecto e pedem a sua suspensão. Há três meses, Catarina Prado e Castro lançou uma petição “Contra a excessiva digitalização no ensino e a massificação dos manuais escolares digitais: Petição Pública (peticaopublica.com)”, que conta agora com mais de 2 mil assinaturas.

O abaixo-assinado defende que os livros em papel são “recursos mais saudáveis e eficazes para todas as crianças” e por isso pede o “fim imediato do projecto-piloto” dos manuais digitais, lembrando que as crianças e adolescentes já passam tempo excessivo em frente a ecrãs, com consequências negativas para a sua saúde.

“Especialistas das mais variadas áreas, desde a neurociência, à oftalmologia, psicólogos ou professores, têm alertado para a exposição e o uso excessivo de ecrãs, mas a escola decidiu aumentá-lo, sem perguntar aos pais nem aos professores”, criticou Catarina Prado e Castro, em declarações à Lusa.

“Aprender através de um ecrã prejudica as aprendizagens, porque diminui a capacidade de leitura, de atenção e de memorização”. Além disso, acrescentou, os computadores onde as crianças têm os livros para estudar são os mesmos “onde estão os jogos e as redes sociais”.

A mãe de dois rapazes conta que já percebeu que por vezes os filhos estão a estudar no computador, mas têm também os jogos abertos ou estão a ver vídeos.

Catarina Prado e Castro disse ainda estar preocupada com a navegação online sem supervisão, contando que na escola dos filhos já houve alunos apanhados a ver pornografia ou outros sítios inapropriados nos telemóveis. A mãe alerta que “os riscos nos computadores são precisamente os mesmos, caso os mesmos não tenham filtros, o que nem sempre é garantido na entrega dos computadores e nem sequer é ensinado aos pais”.

Além disso, com este projecto-piloto, o acesso à Internet “deixa de ser uma opção dos pais e passa a ser obrigatório em crianças logo a partir dos 7 ou 8 anos”, salientou a mãe que defende um acesso controlado à Internet.

“Não quero que os meus filhos passem demasiado tempo a olhar para ecrãs e que em vez de estudarem estejam num registo multitasking a envolver tarefas escolares e recreativas simultaneamente. As crianças usam ecrãs para fins meramente recreativos e não têm capacidade de se auto-regularem no momento em que devem estudar por um dispositivo que oferece inúmeras possibilidades de distracção”, disse à Lusa.

A autora do abaixo-assinado revelou que a petição será entregue no início do próximo mês na Assembleia da República. In “Jornal Tribuna de Macau – Macau com “Lusa”

Por que a Suécia desistiu da educação 100% digital e gastará milhões de euros para voltar aos livros impressos? In “G1” - Brasil