Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Brasil - Calor extremo ameaça agricultura e segurança alimentar

O aumento do calor extremo está a redefinir a agricultura no Brasil, com impactos crescentes na produção e na segurança alimentar, segundo um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)


No documento, elaborado em conjunto com a Organização Meteorológica Mundial, afirma-se que "o calor extremo está a tornar-se uma das ameaças mais graves para a agricultura a nível global", afetando culturas, pecuária, pescas e florestas de forma simultânea.

No caso brasileiro, o relatório inclui um estudo específico sobre a onda de calor de 2024 e 2025, destacando efeitos combinados de temperaturas elevadas e seca sobre vastas áreas agrícolas.

Segundo o relatório, estes fenómenos estão ligados às alterações climáticas - ampliadas por um forte El Niño - e tendem a tornar-se mais frequentes e intensos nas próximas décadas.

A FAO sublinha que o calor extremo "atua como um multiplicador de risco", agravando impactos já existentes sobre a produção alimentar, com quebras de colheitas e redução da produção nacional, inclusive na pecuária, o que pressiona a inflação de alimentos.

Em relação à soja, alimento que o Brasil mais exporta, a FAO observou que a produção foi duramente atingida, pois as temperaturas "excederam o limite crítico de 30°C" em mais de 60% dos dias durante a sua estação de crescimento.

Devido ao "stresse térmico implacável", a estimativa oficial para a colheita brasileira de soja foi reduzida em quase 10%, resultando em milhões de toneladas de alimentos perdidos.

O calor extremo também favoreceu a proliferação de pragas, como a "mosca-branca e fungos", que atacaram plantações de batata, feijão e cana-de-açúcar em várias áreas produtoras no estado de São Paulo.

A pecuária também foi amplamente afetada, com efeitos registados em praticamente todo o território brasileiro.

A pecuária leiteira também sofreu um "impacto significativo na saúde e produtividade" das vacas, especialmente no Sudeste brasileiro, segundo o documento.

Vacas sob forte stresse por calor, acrescenta-se no relatório, produzem menos leite e podem gerar descendentes com "desempenho reduzido", o que representa uma perda económica irreversível para o produtor rural.

Segundo a mesma fonte, em 2024 registou-se o "maior número de focos de incêndio e de área queimada" desde 2010, sendo que os picos mais evidentes foram no Centro-Oeste do Brasil atingindo os biomas da Amazónia, Pantanal e Cerrado.

"Os incêndios florestais devastaram uma área equivalente ao tamanho de Itália e causaram grave poluição atmosférica por micropartículas", sublinhou.

Sem a alteração climática induzida pela atividade humana, destaca-se no estudo, fenómenos devastadores como os incêndios no Pantanal em 2024 teriam sido "10.000 por cento menos frequentes" no território brasileiro.

Sobre a Amazónia, a FAO alerta que a combinação de calor extremo, seca e degradação ambiental pode reduzir a resiliência da floresta, aumentar o risco de incêndios e afetar o papel da floresta na regulação do clima global.

No relatório estima-se que cerca de 7% da floresta seja destruída para cada grau de aumento na temperatura global acima do limite de 1,5 °C.

Se o crescimento da floresta tornar-se negativo, aponta-se no estudo, a região corre o risco crítico de transitar para uma fonte líquida de emissões, acelerando o aquecimento global.

No relatório, chama-se a atenção para o mecanismo de retroalimentação, gerado pela perda de cobertura florestal e pela exposição do solo, o que provoca aquecimento da região.

Segundo a FAO, "em áreas da Amazónia, este ciclo de retroalimentação com solos expostos pode aumentar os efeitos locais do aquecimento em mais de 300%", agravando o impacto climático. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”


quinta-feira, 6 de junho de 2024

Nações Unidas – “Soa o alarme”: o mundo provavelmente ultrapassará temporariamente o limite de 1,5°C até 2028, alerta a agência meteorológica da ONU

Também é provável que pelo menos um dos próximos cinco anos estabeleça um novo recorde de temperatura, afirmou a Organização Meteorológica Mundial


Há 80 por cento de probabilidade de que as temperaturas globais médias ultrapassem a meta de 1,5ºC estabelecida no histórico acordo climático de Paris durante pelo menos um dos próximos cinco anos, de acordo com as previsões da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

É também provável – uma probabilidade de 86 por cento – que pelo menos um destes anos estabeleça um novo recorde de temperatura, superando 2023, que é actualmente o ano mais quente.

Um novo relatório da agência meteorológica da ONU divulgado esta quarta-feira diz que a temperatura média global perto da superfície para cada ano de 2024 a 2028 deverá variar entre 1,1ºC e 1,9ºC mais quente do que no início da era industrial.

Também estimou que há quase uma possibilidade em duas, 47 por cento, de que as temperaturas globais médias durante todo este período de cinco anos possam ultrapassar 1,5°C.

Este é um aumento de pouco menos de uma probabilidade em três projetada para o período de 2023 a 2027. Em 2015, essa hipótese era próxima de zero e vem aumentando desde então.

“Por trás destas estatísticas está a triste realidade de que estamos muito longe de cumprir as metas estabelecidas no Acordo de Paris”, disse o secretário-geral adjunto da OMM, Ko Barrett.

“Temos urgentemente de fazer mais para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, ou pagaremos um preço cada vez mais elevado em termos de biliões de dólares em custos económicos, milhões de vidas afetadas por condições meteorológicas mais extremas e danos extensos ao ambiente e à biodiversidade.”

Barret enfatizou que, embora a OMM esteja “a soar o alarme”, ultrapassar temporariamente 1,5ºC não significa que a meta esteja permanentemente perdida porque se refere ao aquecimento de longo prazo ao longo de décadas.

‘Jogando à roleta russa com o nosso planeta’

O relatório foi citado num discurso abrangente sobre a ameaça das alterações climáticas proferido pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, para assinalar o Dia Mundial do Ambiente.

“Estamos a jogar à roleta russa com o nosso planeta”, disse ele.

“Precisamos de uma rampa de saída da rodovia para o inferno climático. E a boa notícia é que temos o controlo do volante. A batalha para limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus será vencida ou perdida na década de 2020 – sob a vigilância dos líderes de hoje.”

O secretário-geral da ONU também recolheu dados publicados pelo serviço de monitorização climática da UE, Copernicus, que mostram que cada um dos últimos 12 meses estabeleceu um novo recorde de temperatura global para esta época do ano.

António Guterres apelou às economias avançadas do Grupo dos 20 (G20) – que realizarão uma cimeira no Brasil no próximo mês – para assumirem a liderança.

“Não podemos aceitar um futuro onde os ricos estejam protegidos em bolhas de ar condicionado, enquanto o resto da humanidade seja fustigado por condições meteorológicas letais em terras inabitáveis”, disse Guterres.

Acrescentou que as emissões globais de dióxido de carbono devem cair 9% ao ano até 2030 para que a meta de 1,5°C se mantenha viva. Euronews.green




quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Madagáscar – Prepara-se para o quarto ciclone tropical num mês

A tempestade Emnati é a mais recente de uma série que o país enfrenta desde o final de janeiro. As agências da ONU pedem US$ 26 milhões para ajudar a população, são esperados ventos fortes e chuvas até 500 milímetros


Várias agências da ONU alertaram que Madagáscar deve preparar-se para o quarto ciclone tropical a atingir a nação insular no espaço de um mês. As entidades estão a contribuir com planos para apoiar as autoridades e os mais vulneráveis.

O ciclone tropical Emnati deve afetar a costa leste de Madagáscar assim como as áreas central e sul. O país, no Oceano Índico, está a 400 km da costa leste africana, através do Canal de Moçambique.

Corrida contra o tempo

O porta-voz do Escritório de Assistência Humanitária da ONU, OCHA, Jens Laerke, afirmou que Madagáscar está numa corrida contra o tempo para proteger a população, que já sofreram outros três eventos climáticos extremos.

Destacou que equipas de resposta foram acionadas anteriormente para apoiar as ações lideradas pelo governo.

O OCHA precisa de US$ 26 milhões desde que o ciclone Batsirai atingiu o país, no início deste mês.

Assistência humanitária

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, alertou que a nova tempestade agrava ainda mais a situação em Madagáscar, que ainda recupera de quatro semanas de instabilidade climática.

Dados da ONU indicam que mais de 1,6 milhão de pessoas precisam de assistência humanitária, incluindo as mais de 330 mil na região de Grand Sud que enfrentam níveis emergenciais de insegurança alimentar após secas recorrentes e o impacto da pandemia.

Além de aumentar o número de funcionários no local, o PMA está a coordenar com o governo a distribuição de refeições nas áreas afetadas e 148 toneladas de alimentos armazenados enquanto aguarda outros suprimentos.

Temporada de tufões

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, OMM, é raro ver-se quatro tempestades atingindo o mesmo país no espaço de quatro semanas, mesmo durante a temporada de tufões no Oceano Índico.

Os dados da OMM apontam que embora o ciclone deva ser mais fraco que o previsto, os ventos devem ser muito fortes, atingindo entre 150 e 200 km por hora.

Além do vento, deve chover fortemente com acúmulo até 250 milímetros no espaço de 24 horas nas regiões mais baixas e de 400 a 500 milímetros em altitudes mais elevadas.

Assim, a OMM alerta que as rajadas podem causar inundações e deslizamentos, bem como enchentes nas áreas costeiras pela formação de ondas próximas a 10 metros de altura e um aumento do nível do mar de cerca de um metro.

Estragos

No final de janeiro, Madagáscar foi atingido pela tempestade tropical Ana e em 5 de fevereiro, o ciclone tropical Batsirai atravessou as áreas centrais do país, impactando 270 mil pessoas.

O fenómeno climático deixou cerca de 21 mil deslocados e 20 mil casas destruídas, inundadas ou danificadas.

Mais de 21 mil pessoas ainda estão deslocadas e outras 5 mil foram afetadas pela tempestade tropical Dumako, em 15 de fevereiro, segundo o OCHA. ONU News – Nações Unidas