Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Brasil - Márcia Mikai ajuda a reinventar crescimento urbano com “agrihoods”, o bairro do futuro

Iniciativa pioneira impulsiona restauração de ecossistemas, fortalece resiliência climática e desenvolve comunidades saudáveis. Com o apoio do PNUMA, novas áreas são projetadas para funcionar em harmonia com a natureza, beneficiando produção de alimentos e abastecimento de água


Cidades e centros urbanos abrigam mais da metade da população mundial e são responsáveis por cerca de 70% das emissões de gases de efeito estufa que impulsionam a crise climática.

Urbanistas no Brasil estão a liderar uma revolução no design das cidades para criar áreas com uma pegada de carbono significativamente menor.

Resiliência climática e comunidades saudáveis

Não é exagero dizer que a forma como as cidades cresceram não tem sido positiva para o planeta. A falta ou inadequação de planeamento levou a uma série de problemas, como inundações, ilhas de calor e escassez de água.

Ao mesmo tempo, as cidades distanciaram-se da produção de alimentos e da natureza. O aumento da distância entre a vida urbana e as áreas agrícolas alimenta o desmatamento, as emissões e a perda da consciência ecológica.

Mas Márcia Mikai e os seus colegas acreditam ter uma resposta para a expansão urbana insustentável. Eles chamam essa solução de agrihood.

A sua empresa, Pentagrama Projetos em Sustentabilidade e Regeneração, está reinventando a forma como as cidades crescem, para que elas passem a impulsionar a restauração de ecossistemas, fortalecer a resiliência climática e desenvolver comunidades saudáveis.

Os urbanistas, designers e arquitetos da Pentagrama colocam as suas ideias em prática em várias cidades brasileiras, especialmente em São Paulo, cuja região metropolitana, com 22 milhões de habitantes, continua a expandir-se sobre áreas agrícolas e florestais, apagando as fronteiras entre zonas urbanas e rurais.

Verde e lucrativo

Em entrevista para a ONU News, Márcia afirmou que estuda os modelos financeiros de sistemas agroflorestais há décadas. Uma das conclusões da pesquisa é que “o agrihood pode ser muito lucrativo”.

Márcia afirma que “muitas pessoas estão extremamente preocupadas com a segurança alimentar; elas querem um lugar para viver que tenha áreas comuns de qualidade e um senso de comunidade”. A especialista relata que quando mostra imagens de como esses bairros podem ser, a pessoas ficam encantadas.

O modelo desenvolvido por Márcia Mikai foi projetado para interromper a expansão urbana desordenada ao recuperar áreas degradadas, muitas vezes abandonadas após terem sido utilizadas em práticas insustentáveis, como a pecuária intensiva.

Nesta versão do agrihood, termo originalmente utilizado para promover empreendimentos residenciais nos Estados Unidos, o terreno é regenerado para combinar práticas sustentáveis de manejo florestal com edificações de uso misto e espaços dedicados à educação ambiental.

Trabalhando com a natureza

Essas novas áreas são projetadas para funcionar em harmonia com a natureza, tornando-se quase uma extensão do ambiente natural. Plantas e árvores nativas e comestíveis são reintroduzidas, ajudando a resfriar as cidades e reduzir o risco de inundações, desacelerando o escoamento superficial da água, além de contribuir para o reabastecimento de aquíferos.

Espécies ameaçadas, expulsas das cidades, encontram refúgio, enquanto espaços verdes compartilhados reconectam os moradores com a produção de alimentos e com a comunidade. Além disso, o ambiente biodiverso absorve ativamente carbono da atmosfera, transformando o crescimento urbano em ação climática.

“Os agrihoods têm inúmeras vantagens”, afirma Mikai. “Eles economizam água, protegem a biodiversidade e permitem que as pessoas consumam alimentos produzidos localmente”. Ela disse que esses podem ser lugares onde “jovens, idosos, pessoas ricas e de baixo rendimento vivem juntas e se integram”.

A brasileira acredita que isso pode tornar-se uma nova realidade.

Os agrihoods brasileiros, que também estão a ser testados em Brasília e Curitiba, reforçam o argumento defendido pela ONU de que investir em soluções positivas para a natureza gera retornos ambientais e económicos saudáveis.

Risco de colapso

No início deste mês, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, PNUMA, divulgou o seu mais recente relatório do Estado do Financiamento para a Natureza.

O documento revela que o volume de recursos destinado a investimentos que prejudicam o planeta, como energia baseada em combustíveis fósseis e construção civil, é 30 vezes maior do que o direcionado a soluções positivas para a natureza, como os agrihoods.

O chefe da unidade de financiamento climático do PNUMA, Ivo Mulder, afirma que a exploração dos recursos naturais precisa ser contida porque “embora esse financiamento negativo para a natureza esteja impulsionando nossas economias, ele acabará levando essas mesmas economias ao colapso”.

“Não coloque cercas”

Além de defender reformas de políticas públicas no relatório, Mulder acredita que a forma como pensamos sobre a natureza também precisa mudar.

Para ele, “as pessoas frequentemente falam sobre a natureza como ambientes intocados, como parques nacionais cercados”. O especialista defende que é preciso integrar a natureza ao nosso cotidiano, adaptando as nossas cidades para enfrentar eventos climáticos extremos, para que, quando houver chuvas intensas, as nossas ruas e casas não sejam inundadas.

Segundo Mulder, essa mudança de mentalidade não deve limitar-se apenas aos líderes dos setores imobiliário, turístico e industrial, mas também alcançar a população em geral.

Ele ressaltou que neste momento de incerteza geopolítica, as pessoas têm uma visão relativamente pessimista do mundo, mas elas precisam imaginar uma alternativa positiva. Por exemplo, como seria Nova Iorque se incorporasse mais soluções baseadas na natureza?

Para Mulder, a cidade poderia ter mais áreas verdes, o que tornaria menos necessário usar menos ar-condicionado durante o verão, e isso poderia resultar em maior produtividade e uma economia mais dinâmica.

Restauração de Ecossistemas

Os projetos de agrihood da Pentagrama Projetos em Sustentabilidade e Regeneração contam com o apoio do BioCidades Empreendedoras, do PNUMA, um programa de incubação criado para apoiar 50 empreendedores em estágio inicial que desenvolvem soluções para a resiliência climática urbana em São Paulo e Curitiba.

O BioCidades Empreendedoras recebe apoio do PNUMA, da Bridge for Billions e do Instituto Legado, organizações que promovem o empreendedorismo social.

O projeto é inspirado pela Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas, uma oportunidade para abandonar políticas que degradam o planeta e revitalizar o mundo natural. ONU News – Nações Unidas

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Marcia Mikai Junqueira de Oliveira - Arquiteta e urbanista pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, MBA em Gestão e Tecnologias Ambientais pela POLI-USP, mestrado pelo IAU-USP, certificada pelo National Charrette Institute (NCI) em gerenciamento e planejamento de Charrettes. Empresária desde 1987, participante de projetos selecionados em Bienais de Arquitetura. Foi membro curador do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), Vice-presidente do Instituto Smart City Business America (atual Conselheira Técnica), docente em cursos de pós-graduação e extensão universitária. Atua com ênfase em projetos colaborativos, cocriação, desenvolvimento de “agrihoods” e sistemas agroflorestais de larga escala.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Brasil - Instituição que protege a Amazónia está entre os “Campeões da Terra”

Premiação internacional reconheceu trabalho pioneiro do Imazon que usa inteligência artificial para prever e impedir desmatamento na floresta amazónica. A abordagem já ajudou a identificar 15 mil km² de áreas florestais de alto risco, 71% das quais foram posteriormente preservadas


O instituto de pesquisa brasileiro Imazon, que utiliza tecnologia de ponta para combater o desmatamento na Amazónia, é um dos cinco vencedores do prémio “Campeões da Terra” de 2025.

A distinção, anunciada nesta terça-feira, foi concedida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, na 7.ª sessão da Assembleia Ambiental da ONU, Unea-7, que acontece em Nairóbi, no Quénia.

Alertas precoces para a proteção da floresta

O Imazon desenvolveu modelos de inteligência artificial para previsão do desmatamento, causado principalmente pela pecuária e pela exploração madeireira. O objetivo é criar alertas precoces, orientar políticas públicas e auxiliar as autoridades na proteção da floresta.

O pesquisador associado do Imazon, Carlos Souza Jr., explicou que nem o Brasil nem o mundo serão os mesmos sem a floresta amazónica.

“Se a Amazónia chegar num ponto de não retorno nós vamos ter vários impactos. Primeiro, a perda de biodiversidade. Segundo, a emissão de gases de efeito estufa, pois a Amazónia armazena muito carbono nas florestas e no subsolo.”

O instituto usa um mapa digital onde são lançados pontos amarelos, laranjas e vermelhos. Cada ponto representa um local onde o Imazon acredita que ocorrerá desmatamento, e cada cor indica o grau de risco, com base em dados de satélite e modelagem de inteligência artificial.

Uso da tecnologia ajudou a descobrir 99% dos casos de desmatamento ilegal

Em 2021, ano de lançamento do mapa, esses pontos ajudaram a identificar 15 mil km² de áreas florestais de alto risco, 71% das quais foram posteriormente preservadas.

Os dados também serviram de base para mais de 4,4 mil processos judiciais ambientais e ajudaram a descobrir 99% dos casos de desmatamento ilegal.

Carlos destacou a importância da tecnologia na defesa do meio ambiente.

“É uma mudança de paradigma significativa que a inteligência artificial, a computação em nuvem e os novos algoritmos permitem para que a gente tenha informações ainda mais precisas sobre o futuro próximo da Amazónia e tentar evitar estes cenários de destruição por desmatamento e degradação florestal.”

União da ciência com conhecimento ancestral

Os pesquisadores acompanharam a dinâmica do desmatamento na Amazónia de 1985 a 2024, para desenvolver uma ferramenta prática que permitisse à sociedade brasileira trabalhar em conjunto para evitar a destruição da Amazónia.

Outro foco da ONG é estimular o crescimento económico sustentável na região. Isso envolve trabalho de campo com as comunidades locais para apoiar práticas sustentáveis ​​e áreas florestais protegidas.

A entidade acredita na junção do conhecimento científico com o conhecimento ancestral local e a sabedoria dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas.

A pesquisa do Imazon demonstrou que a extração sustentável de madeira é possível e que as regulamentações de gestão florestal poderiam reduzir significativamente o impacto ambiental, mantendo os ganhos económicos. 

Com sede em Belém, no Pará, o Imazon é uma instituição científica sem fins lucrativos, que atua há 35 anos para promover a conservação e o desenvolvimento sustentável na Amazónia. ONU News – Nações Unidas



quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Lusofonia - Países lusófonos sofrem impactos crescentes da degradação ambiental, diz estudo

Desmatamento no Brasil, redução da pesca em Portugal e aumento da frequência de ciclones em Moçambique são exemplos de como modelo de desenvolvimento atual causa cada vez mais mortes e prejuízos económicos, o relatório do Pnuma defende transformações que podem gerar ganhos substanciais


O avanço da degradação ambiental está a causar milhões de mortes todos os anos e prejuízos de triliões de dólares.

A 7.ª edição do relatório Visão Global do Meio Ambiente, produzida por 287 cientistas, de 82 países, revela que o modelo de desenvolvimento atual está a sobrecarregar o planeta, as pessoas e as economias.

Desmatamento e poluição na Amazónia

O estudo lançado nesta terça-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, revela que o custo dos eventos extremos atribuídos às alterações climáticas nos últimos 20 anos é estimado em US$ 143 biliões por ano. Já os danos à saúde causados pela poluição do ar criaram um prejuízo de US$ 8,1 triliões em 2019, cerca de 6,1% do Produto Interno Bruto, PIB, global.

O relatório mostra que esses impactos são evidentes em países lusófonos. No Brasil, por exemplo, o crescimento do desmatamento foi associado a um aumento de 39% no número de incêndios florestais entre 2012 e 2019 na Amazónia, afetando negativamente a qualidade do ar na América do Sul.

A região também sofre com a poluição por plásticos. De acordo com o estudo, foram identificadas até 74,5 mil partículas de microplástico por litro na Amazónia brasileira e seus afluentes.

No nordeste e sudeste do Brasil, mais de 30% do habitat de espécies de aves e anfíbios são direta ou indiretamente afetados pela mineração, que coloca em risco a rica biodiversidade da região.

Já na zona costeira do país, uma preocupação crescente é o descarte de produtos farmacêuticos. Estudos revelaram que medicamentos como o ibuprofeno podem ser encontrados em águas costeiras e em certas espécies de frutos do mar.

Risco para a pesca em Portugal

Outra grande ameaça nos mares é a sobrepesca, que intensificou-se nas últimas décadas, com mais de 37% dos estoques pesqueiros classificados como sobre explorados.

Até 2100, a produção global de peixes deverá diminuir, afetando principalmente países com alta dependência de proteínas de origem aquática, como Portugal.

O relatório lembra que nos incêndios florestais de 2024, o país europeu perdeu 50 km² da floresta de laurisilva da Madeira, que faz parte das áreas protegidas da União Europeia.

Aumento da frequência de ciclones em Moçambique

O levantamento também aponta que o aumento da temperatura dos oceanos, de +0,3 a +1,5°C em torno da África nos últimos 30 anos levou à duplicação do número de ciclones que atingem o continente desde a década de 1970.

Essa mudança faz com que a frequência de ciclones tropicais que atingem a região central e norte de Moçambique esteja a aumentar.

As alterações climáticas também estão a agravar os problemas de disponibilidade de água em África, ameaçando a produção de alimentos e a geração de energia hidroelétrica.

A produção das principais centrais hidroelétricas do rio Zambeze, em África, poderá diminuir entre 10% e 20% em condições climáticas mais secas, o que levaria a um aumento de 20% a 30% nos custos da eletricidade a curto prazo nos países de Moçambique e Zâmbia, que dependem fortemente desta fonte de energia.

Caminho para gerar ganhos anuais substanciais

Os países costeiros da África Ocidental e Austral, incluindo Senegal, Nigéria e Angola, enfrentam erosão e aumento do nível do mar devido às suas costas baixas e lagunares. A situação é preocupante, pois muitos desses países possuem cidades costeiras em rápida expansão.

O relatório constata que investir num clima estável, natureza e terra saudáveis, e um planeta livre de poluição é o caminho para evitar esses impactos.

O levantamento estima que a transformação para uma modelo mais sustentável traria benefícios macroeconómicos a partir de 2050, que poderiam chegar a US$ 20 triliões por ano até 2070 e continuar a crescer.

Os autores propõem mudanças profundas em cinco áreas-chave: finanças, materiais e resíduos, energia, sistemas alimentares e meio ambiente. Felipe de Carvalho ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 4 de abril de 2023

Nações Unidas - Pnuma ajuda a mapear emissões de metano em Angola e Gabão


Angola e Gabão acolhem um novo estudo apoiado pela ONU e que pretende expor a quantidade de metano que escapa dos poços petrolíferos no litoral. Com a Nigéria, os dois países ocupam o topo dos principais produtores de petróleo na África.

A análise é do Observatório Internacional de Emissões de Metano do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma. A meta é cobrir a lacuna regional da “falta de dados sobre emissões no setor de petróleo e gás”.

Aquecimento global

O metano tem potencial de aquecimento global mais de 80 vezes maior que o do dióxido de carbono, chegando a durar até 20 anos após a libertação na atmosfera.

A emissão deste gás de efeito estufa pode ocorrer nos estágios da produção, exploração, extração, transporte e armazenamento do produto. Existem fugas de equipamentos como válvulas, bombas e tubulações durante o transporte e armazenamento de gás natural.

A agência da ONU destaca que a redução das emissões de metano é uma das medidas mais eficazes a ser tomada pelo setor energético para ajudar a enfrentar a crise climática.

Os alvos de redução do Acordo de Paris não podem ser atingidos sem o corte das emissões de metano em 40%-45% até 2030, destaca o Pnuma. Para a agência, é necessário ser preciso no alcance desta meta.

Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas

Em 2021, o Pnuma lançou o Observatório Internacional de Emissões de Metano para ajudar a acelerar as reduções até 2030 limitando o aquecimento a 1,5°C ou 2°C, como prevê o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

A agência defende uma ação pelo clima baseada em dados empíricos com uma atuação mais produtiva.

Outra recomendação é que os investimentos e ações tenham como foco o que causa essas emissões.

O Pnuma defende que baixar o uso de combustíveis fósseis, atuar na agricultura e nos resíduos poderiam ajudar a alcançar todas as reduções de metano e evitar quase 0,3°C de aquecimento até 2050.

Para tal, a agência sugere que o setor energético, com ênfase para a produção de petróleo, gás e carvão, dispõe de soluções técnicas disponíveis a custo baixo e até negativo. ONU News – Nações Unidas


 

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Internacional – Para os países de língua portuguesa, cooperação é o caminho para superar os desafios do Acordo de Paris

 


Representantes das nações que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) reuniram-se em Lisboa, 12 a 14 de outubro, para o 1° Seminário presencial do Núcleo Lusófono em conjunto com o Grupo Regional da América Latina e do Caribe. O evento teve como finalidade compartilhar experiências sobre eventuais sinergias e co-benefícios entre as medidas de adaptação e mitigação das mudanças climáticas, bem como os desafios da transição para o novo marco de transparência, no âmbito do Acordo de Paris. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) representou o Brasil.

O workshop inter-regional foi organizado pela Aliança para a Transparência no Acordo de Paris (PATPA), em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), por meio do projeto Global Support Programme CBIT-GSP e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Os participantes compartilharam experiências sobre como explorar os paralelos práticos e metodológicos no desenvolvimento de medidas de mitigação e adaptação, e as potenciais sinergias e troca de lições aprendidas entre as equipes de trabalho vinculadas à referida temática em seus países. Entre outros aspectos, as sessões e dinâmicas abordaram como deveria ser o ciclo de desenvolvimento das medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, desde a concepção e formulação, implementação, monitoramento e avaliação, até a relatoria.

De acordo com a coordenadora de Mudanças Ambientais Globais do MCTI, Lidiane Melo, a aplicação do Quadro de Transparência Fortalecido (ETF) e a elaboração dos Relatórios Bienais de Transparência (BTRs) apresentam desafios comuns para os países. Há necessidade de avançar na melhoria dos arranjos institucionais e jurídicos para conseguir atender as modalidades, os procedimentos e as diretrizes para transparência no Acordo de Paris. Considerando esses aspectos, a avaliação da coordenadora é de que o evento foi uma oportunidade significativa para a troca de experiências e lições aprendidas, bem como um espaço para identificar potencial colaboração entre ambos os grupos regionais.

Em julho deste ano, os integrantes do PATPA reuniram-se para falar de adaptação, perdas e danos, apoio mobilizado e recebido, Artigo 6 do Acordo de Paris.

Iniciativas no âmbito da CPLP

Especialistas convidados pelo grupo lusófono abordaram algumas iniciativas em curso dentro dessa instância internacional. O movimento “Mulheres pelo Clima, dos países de língua portuguesa para o mundo (Women 4OUR Climate)” visa promover a divulgação da importância do trabalho desenvolvido pelas mulheres, enquanto agentes ativos no contexto da mudança do clima. A iniciativa dá visibilidade às questões relacionadas aos impactos da variabilidade climática que permeiam o contexto feminino e a necessidade de engajamento nas soluções traçadas não só para o clima como para a biodiversidade e os oceanos.

O PNUMA apresentou as possibilidades de financiamento disponíveis para os países que integram a CPLP e o Grupo Regional da América Latina e do Caribe. Estão em questão fundos que podem viabilizar a transição para o Quadro de Transparência Fortalecido, como o CBIT- Global Support Programme (GSP). A Aliança para a Transparência no Acordo de Paris ressaltou a disponibilidade de acolher propostas de apoio específicos e de pequena monta para elaboração de compromissos, como os relatórios de transparência bienais, capacitação institucional, desenvolvimento de metodologias tanto para mitigação como adaptação, entre outras necessidades mapeadas pelos países para viabilizar a transição para o ETF.

Os participantes conheceram o Centro de Interpretação Ambiental da Pedra do Sal (CIAPS), em Cascais, primeiro prédio público sustentável de Portugal, totalmente autossuficiente do ponto de vista energético. O espaço divulga valores do Patrimônio Natural português e promove educação ambiental. As exposições abrangem projetos destinados ao conhecimento biofísico, paisagístico, geológico e geofísico da Área Marinha Protegida das Avencas (AMPA).

Como representantes do grupo lusófono participaram Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. O Grupo Regional da América Latina e Caribe foi representado por Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. In “Mundo Lusíada” - Brasil


terça-feira, 18 de outubro de 2022

Internacional - Microplásticos na agricultura contaminam o solo e ameaçam a saúde humana

A Agência das Nações Unidas PNUMA afirma que o tema carece de maior análise quanto a materiais alternativos, estímulo de governos para banir o plástico e aos cidadãos para repensar padrões de consumo. Apelo aos fabricantes é que diminuam a quantidade de plástico



O aumento alarmante de plásticos na agricultura contamina o solo, pode ameaçar a segurança alimentar e ter impacto na saúde humana. A constatação é de um relatório do Programa da ONU para o Meio Ambiente, PNUMA.

Uma das autoras do estudo publicado na 29ª Breve Previsão é a professora Elaine Baker. A especialista ressalta que o mundo confronta-se com tal realidade quando se tem “uma quantidade finita de terras agrícolas disponíveis”.

Saúde do solo, biodiversidade e produtividade

Para a académica da Universidade de Sydney, na Austrália, apenas se está a começar a entender “que o acumular de plástico pode ter impactos significativos na saúde do solo, na biodiversidade e na produtividade, todos vitais para a segurança alimentar”.

O setor agrícola usa o plástico de forma ​​extensiva como revestimento para fertilizantes, pesticidas e sementes ou camadas de cobertura, onde microplásticos são adicionados de forma intencional.

O material também é frequente ​​nas embalagens protetoras postas na cobertura e forragem, cobrindo estufas e protegendo as plantações, além de ser usado em tubos de irrigação, sacos e garrafas.

Com o passar do tempo, os microplásticos se decompõem e os seus fragmentos com menos de 5 milímetros de comprimento penetram no solo. A presença neste meio pode alterar a estrutura física da Terra e limitar a retenção da água.

Cadeias de valor

A situação pode afetar as plantas, ao reduzir o crescimento das raízes e a absorção de nutrientes. Os aditivos químicos em plásticos que penetram no solo também podem impactar as cadeias de valor dos alimentos e ter implicações na saúde humana.

O dilema é que nenhuma dessas soluções é imediata. Por um lado, o plástico é barato e fácil de manusear, o que dificulta a tentativa de introduzir alternativas à venda do material.

A maior fonte de poluição do solo com microplásticos são os fertilizantes produzidos a partir de matéria orgânica, como o estrume. Os chamados biossólidos podem ser mais baratos e melhores para o meio ambiente do que os outros fertilizantes.

O que mais preocupa é a mistura do esterco com microesferas. Estas partículas sintéticas minúsculas são usualmente usadas em sabonetes, champôs, produtos de maquilhagem e outros de higiene pessoal.

Mesmo tendo sido banidos em alguns países, os microplásticos continuam a entrar no sistema hídrico por vários outros meios: filtros de cigarro, componentes de pneus e fibras sintéticas de roupas.

Problemas em remover os microplásticos no esgoto

Os especialistas dizem que o tamanho e a composição variados dos microplásticos os tornam difíceis de remover quando estão no esgoto.

O PNUMA revela haver progressos para melhorar a biodegradabilidade de polímeros usados ​​em produtos agrícolas.  No mesmo setor, alguns materiais de cobertura usados ​​para modificar a temperatura do solo, limitar o crescimento de ervas daninhas e evitar a perda de humidade estão agora disponíveis no mercado em versões totalmente biodegradáveis ​​e compostáveis.

Soluções alternativas para baixar a dependência de polímeros à base de hidrocarbonetos incluem o uso de polímeros de base biológica. Mas nem todos são biodegradáveis, os que são têm um preço alto.

Nas culturas onde se usam as chamadas coberturas de plástico, o material pode suprimir ervas daninhas, combater doenças do solo e melhorar a fertilidade, mas há preocupações com a baixa de rendimentos e alta de custos.

Plástico é barato e fácil

Baker disse que o plástico é barato e fácil de trabalhar, o que dificulta a tentativa de introduzir alternativas que possam ajudar a vender.

O apelo aos governos é que desencorajem o uso de plásticos na agricultura, tal como acontece na União Europeia desde o início de 2022.

O banimento restringiu o uso de certos tipos de polímeros ​​em fertilizantes.

Para os especialistas, ainda são necessárias mais pesquisas para desenvolver produtos que incluiriam tecidos alternativos que não deixem escapar microplásticos ao solo.

Outra medida seria incentivar os consumidores a repensar o seu consumo de plástico e os fabricantes a reduzir a quantidade do material que têm usado. ONU News – Nações Unidas



quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Brasil - Em memória das vítimas da Covid-19, famílias plantam 200 mil árvores

A iniciativa inclui parceiros do Programa Mundial do Meio Ambiente, Pnuma, e alguns dos cientistas mais respeitados do país na área. A homenagem é feita também aos trabalhadores de saúde que lutam para combater a pandemia



Uma ação para plantar 200 mil árvores em memória de pelo menos 200 mil vítimas da Covid-19 no Brasil deve continuar até 5 de junho, quando a ONU marca o Dia Mundial do Meio Ambiente.

As árvores são semeadas por familiares das vítimas em vários estados brasileiros. Um dos participantes, Rafael da Silva de Lima, de São Paulo, perdeu o pai e a prima para a pandemia. Segundo ele, a iniciativa é cheia de significado, pois as árvores representam vida e ligação com a natureza.

Década de Restauração

As famílias enlutadas são apoiadas por entidades parceiras das Nações Unidas e por cientistas renomados no país especializados em restauração. O projeto, lançado no mês passado, também homenageia trabalhadores de saúde, que estão na linha de frente do combate à pandemia.

O Pnuma está ajudando com a campanha que ocorre na Década da ONU sobre Restauração de Ecossistemas que vai deste ano até 2030.

O objetivo é envolver a participação de organizações da sociedade civil para assegurar que as árvores nativas sejam tratadas de maneira apropriada.

Dentre as árvores plantadas está uma série de espécies nativas da Mata Atlântica como jacarandá, ipê e ingá. O plano inicial era plantar 6,5 mil árvores numa área de quatro hectares no interior do Rio de Janeiro, que é o habitat do mico-leão-dourado.




Febre amarela

Vários locais como o Pontal do Paranapanema foram identificados alargando a iniciativa a outros estados. 

O desflorestamento é das umas preocupações no país. Várias associações da sociedade civil atuam para combater o problema. Com o desmatamento, o habitat do mico-leão-dourado, por exemplo, foi reduzido a 2% da sua área original.

Em 2018, com a epidemia de febre amarela, no sudeste do país, muitas pessoas morreram e a população dos micos passou de 3,6 mil para 2,5 mil. 

Com a pandemia de Covid-19, muitos trabalhadores do setor de conservação ficaram ameaçados pela contaminação, o que afetou o avanço de programas de proteção dos micos. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 22 de abril de 2020

Nações Unidas - Dia Internacional da Terra é ainda mais relevante este ano





O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, ressalta que as comemorações do Dia Internacional da Terra, este ano, devem destacar a urgência de redução das emissões de CO2 na atmosfera. O tema de 2020 é a alteração climática.

Num estudo, divulgado no ano passado, a agência da ONU lembrou da necessidade de uma queda de 7,6% anual para se alcançar a marca de 1.5 grau Celsius prevista no Acordo de Paris sobre mudança climática. A data pede que o mundo se mobilize durante 24 horas em ações pela defesa do planeta e das pessoas.

50 anos

O Dia Internacional faz 50 anos e o Acordo de Paris cinco, desde sua assinatura. Para o Pnuma, a pandemia do novo coronavírus é um lembrete da vulnerabilidade humana frente a ameaças globais.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirma que o mundo poderia estar melhor preparado para responder ao desafio caso tivesse mais adiantado no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e do Acordo de Paris.

Governos

Com isso, os governos tiveram que tomar medidas e formular políticas para responder às preocupações dos cidadãos.

Em 2020, 50 anos depois, participantes em todo o mundo devem dedicar 24 horas em ações grandes ou pequenas pelas pessoas e pelo planeta.

Por causa da pandemia, a maioria dos eventos e celebrações ocorre de forma virtual. O Pnuma acredita que existe uma possibilidade ímpar de se reconstruir melhor e de forma sustentável após a covid-19.

Empregos Verdes

O mundo precisa recuperar-se com empregos verdes, políticas de proteção ambiental e estímulos económicos que beneficiem o desenvolvimento sustentável.

Para participar do Dia Internacional, neste 22 de abril, acesse o site earthday.org que traz todos os eventos e informações para voluntários e desafios para promover um planeta mais verde. Ativistas jovens, líderes internacionais, religiosos e lideranças indígenas também deixam as suas impressões em eventos que antecedem a data.

No Dia Internacional da Mãe Terra, organizadores chamam a atenção para a importância da biodiversidade, do reflorestamento, do combate à degradação e à alteração climática. O objetivo é firmar compromissos para a gestão sustentável dos recursos naturais e preparar a mobilização de cidadãos para o Dia do Meio Ambiente, marcado para 5 de junho. ONU News – Nações Unidas

terça-feira, 3 de março de 2020

Moçambique - Recuperação de algas marinhas pode beneficiar comunidades locais

A Universidade Eduardo Mondlane está a identificar e a restaurar habitats de algas marinhas, consideradas “baterias de oxigénio para o oceano”. No noroeste da Baía de Maputo, 86% dos prados foram perdidos, o quadro coloca em risco a agricultura local, emprego e segurança alimentar



Em Moçambique, vários especialistas alertam que a pesca destrutiva de moluscos, junto com inundações e a sedimentação dos rios que desaguam na baía, estão destruindo com rapidez as algas marinhas.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, revelou com base em pesquisas que só no noroeste da Baía de Maputo, 86% dos prados de algas marinhas foram perdidos. O seu desaparecimento coloca sob risco a agricultura local, o emprego e a segurança alimentar.

Soluções

Para reverter essa situação, a Universidade Eduardo Mondlane, apoiada pelo governo de Moçambique, vem identificando e restaurando habitats de algas marinhas nas baías de Inhambane e Maputo.

Como parte do projecto, as comunidades próximas a essas áreas aprenderão práticas de pesca não destrutivas e elaborarão um plano local de gestão das algas marinhas.

O Pnuma ressalta que mais algas podem beneficiar a saúde e a recreação de 60% da população moçambicana que vive ao longo da costa.

Comunidades locais

De Maputo, capital do país, Salomão Bandeira, da Universidade Eduardo Mondlane, explica que, de facto, as algas marinhas ajudam a sustentar a vida nas baías.

Contou que camarões, pepinos do mar, amêijoas e caranguejos encontrados nestes prados subaquáticos são fonte de alimento e emprego para as comunidades locais.

Ele explica que a pesca de mariscos e caranguejos nas algas marinhas significa muito para as pessoas da região. O especialista explicou que não se trata apenas de um recurso, mas sim de um modo de vida".

Bandeira acrescenta que “as algas marinhas agem como uma espécie de bateria de oxigénio para o oceano”, tornando o mar mais seguro e limpo para a pesca.

Benefícios

Com mais algas marinhas, há mais espaço para o crescimento de moluscos, o que poderia impulsionar as empresas pesqueiras locais e melhorar a segurança alimentar das comunidades.

Além disso, o turismo também pode ser beneficiado, uma vez que, cada vez mais, pessoas podem começar a visitar as baías, atraídas pela grande biodiversidade proporcionada por estas algas.

De acordo com o Pnuma, o projecto pode até ter um impacto maior. A Universidade Eduardo Mondlane espera que as lições aprendidas com suas técnicas de restauração possam ser usadas em outros países do Oceano Índico Ocidental, também combatendo a degradação das algas marinhas.

Outras vantagens ambientais deste projecto é a proteção de espécies únicas, como o dugongo, que se alimenta de algas marinhas das baías. A iniciativa ajudará na produção crescente de alimentos para esta espécie, ameaçada de extinção no Oceano Índico Ocidental.

Convenção de Nairóbi

A proposta está a ser financiada pelo Programa de Ação Estratégica para a Proteção do Oceano Índico Ocidental contra Fontes e Actividades Terrestres, projecto da Convenção de Nairóbi.

A Convenção, parte do Programa de Mares Regionais do Pnuma, serve como uma plataforma para governos, sociedade civil e sector privado actuarem juntos para a gestão e uso sustentável do ambiente marinho e costeiro do Oceano Índico Ocidental.

O projecto, financiado pelo Global Environment Facility, prioriza a redução da actividade terrestre neste ambiente, protegendo habitats críticos, melhorando a qualidade da água e fazendo a gestão dos fluxos dos rios.

ODS

A implementação bem-sucedida do projecto também ajudará Moçambique a cumprir a meta 2 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, sobre gerir e proteger de forma sustentável os ecossistemas marinhos e costeiros.

Como as algas marinhas desempenham um papel crítico na saúde dos seres humanos e do meio ambiente, a sociedade civil está em campanha para que as Nações Unidas reconheçam oficialmente o dia 1º de março como o Dia Mundial das Algas Marinhas. ONU News – Nações Unidas

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Brasil - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente ajuda a descontaminar maior área de lixo a céu aberto na América Latina



A elaboração de um diagnóstico de contaminação e de proposta de remediação do que foi o maior lixão a céu aberto da América Latina é uma das ações do Projeto CITinova.

O acúmulo de resíduos no Lixão da Estrutural em Brasília, durante o período de 50 a 60 anos em que esteve em operação, prejudicou as fontes hídricas que convergem para o Lago Paranoá.

Estudo

No total, foram cerca de 40 milhões de toneladas despejadas no local, em processo de deposição irregular de rejeitos em área de 200 hectares localizada na divisa com o Parque Nacional de Brasília.

O projeto foi lançado em novembro pela Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal, parceira do CITinova. O projeto é realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma.

O estudo será conduzido pela Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos com especialistas da Universidade de Brasília e supervisão da Sema. O prazo de execução é de 12 meses e o orçamento de R$ 1,3 milhão.

Os dados obtidos com a pesquisa darão base ao Projeto de Recuperação da Área Degradada, Prad, de responsabilidade do Brasília Ambiental.

Remediação

Os trabalhos terão dois enfoques, que envolvem o diagnóstico e os testes-pilotos para a apresentação de propostas ao governo e tecnologias mais adequadas para o controle da contaminação e remediação dos danos causados.

As ações incluirão, por exemplo, o plantio de espécies nativas e exóticas que possam reter metais identificados no solo. ONU News – Nações Unidas

domingo, 10 de março de 2019

Brasil - Possui entre 15% e 20% da diversidade biológica mundial



O uso sustentável de recursos naturais é crítico para gerações atuais e futuras do Brasil. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, para que isso seja possível, ao mesmo tempo que se monitora a perda da biodiversidade e se trabalha nos esforços de conservação, é crucial compreender primeiro os recursos da nação.

Entre 15% e 20% da diversidade biológica do planeta é encontrada no país, que tem mais de 120 mil espécies de invertebrados, cerca de 9 mil vertebrados e mais de 4 mil espécies de plantas. De acordo com o Pnuma, o Brasil está no topo dos 18 países megadiversos.

A agência aponta uma média de 700 novas espécies animais descobertas todos os anos no Brasil.

Para o Pnuma, armazenar todas as informações de maneira que possam ser utilizadas é um desafio enorme, especialmente considerando o tamanho do país e o número de instituições envolvidas na pesquisa sobre biodiversidade.

A coordenadora geral de biomas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil, Andrea Nunes, explica que “quando a informação é espalhada através das diferentes instituições, fica mais difícil de localizar ela, julgar a qualidade dos dados e compreender como ela pode ser utilizada.” Fora isso, a também coordenadora do projeto Sistema de Informação de Biodiversidade Brasileira, diz que o “tempo necessário para compilar os dados pode tornar ineficiente o seu uso, como é o caso nas políticas públicas.”

Andrea Nunes destaca, como exemplo, o caso do mapa das áreas prioritárias para conservação, uso sustentável e benefício de compartilhamento da biodiversidade. Segundo ela, o mapa é uma ferramenta de política pública para apoiar os processos participativos de tomada de decisão, como a criação de áreas protegidas.

Como aponta a especialista, o “desenvolvimento deste mapa pode levar dois anos, por isso ele é atualizado a cada quatro ou cinco anos, o que é muito tempo quando se pensa em termos de dinâmica territorial e mudanças no uso da terra.”

Mas, com o apoio do Pnuma e o Fundo para o Meio Ambiente Mundial, uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil está trabalhando para mudar esse cenário, criando o recurso mais abrangente do país sobre a biodiversidade nacional.

O Sistema de Informação de Biodiversidade Brasileira atualmente reúne data e informação de mais de 230 instituições, de universidades a centros de pesquisa, museus, agências estatais, jardins botânicos e zoológicos.

Operando desde novembro de 2014, o sistema tem como objetivo apoiar a ciência, a política pública e a tomada de decisões relacionadas à conservação do meio ambiente e o uso sustentável de recursos naturais.

A meta é alcançada incentivando e facilitando a digitalização e a publicação on-line, integrando dados e informações de acesso aberto da biodiversidade brasileira.

Usos

Como aponta o Pnuma, para os pesquisadores, o sistema é um ativo inestimável. Um cientista pesquisando um animal em extinção como o lobo-guará, por exemplo, pode agora encontrar informações abrangentes sobre a espécie. Além disso, ele pode divulgar o seu próprio trabalho para um público mais amplo de pesquisadores em todo o mundo.

O sistema também tem outros usos práticos. Os agricultores por exemplo, podem usar a plataforma para ajudar a calcular os créditos de compensação ambiental ou para decidir em quais espécies devem priorizar os esforços de recuperação.

Entre estas está a flora em extinção, ou plantas que fornecem abrigo e alimento para espécies ameaçadas da vida selvagem na região. Outro benefício é que qualquer usuário pode contribuir com o sistema enviando fotografias, documentação e informações sobre a biodiversidade por meio do programa Ciência Cidadã.

Para a representante do Pnuma no Brasil, Denise Hamú, a “implementação do Sistema de Informação da Biodiversidade Brasileira é um passo importante em direção à disseminação de dados biológicos no país, tanto para a pesquisa acadêmica quanto para o gerenciamento ambiental.” A representante acrescenta que o “o sistema é cada vez mais relevante para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e a conservação da natureza.”

O banco de dados do sistema já conta com mais de 15 milhões de registros sobre a ocorrência de espécies brasileiras publicadas pelas principais instituições brasileiras de pesquisa. Entre elas estão o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

O sistema também possui dados obtidos em parcerias com herbários na Europa e nos Estados Unidos. Parte dessa informação apoiou a criação de uma ferramenta chamada Biodiversidade e Nutrição, que fornece um banco de dados sobre a composição nutricional de espécies nativas brasileiras. In “Mundo Lusíada” - Brasil