Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 11 de março de 2025

Europa – Universidade de Coimbra pretende melhorar clima interior em unidades de saúde para reduzir risco de transmissão de infeções hospitalares

A Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver novas abordagens, focadas no ser humano, com o objetivo de melhorar o clima em unidades de saúde e reduzir o risco de transmissão de infeções hospitalares.


 

O projeto “Human - Centric Indoor Climate for Healthcare Facilities (HumanIC)”, liderado pela Universidade Técnica de Varsóvia, em que participam as faculdades de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e de Medicina (FMUC), é uma rede doutoral financiada no âmbito do Programa Marie Curie e visa a redução do risco de transmissão de infeções hospitalares em unidades de saúde.

Esta investigação engloba e financia os trabalhos de onze teses de doutoramento a ser realizadas em oito universidades europeias de referência. A abordagem proposta ultrapassa os métodos tradicionais, que se concentram exclusivamente nos edifícios e nos seus sistemas de ventilação e climatização, propondo soluções que integram as interações complexas entre fontes de contaminação, fluxos de ar e as necessidades clínicas e energéticas dos hospitais. 

«Há evidências claras de que os escoamentos de ar controlam a dispersão e a exposição a agentes patogénicos transportados pelo próprio ar e depositados nas superfícies nos microambientes que rodeiam e estão nas proximidades do corpo humano. Desta forma, pretendemos desenvolver métodos inovadores que analisam as interações humanas com os microambientes de risco, como salas de cirurgia e enfermarias», explica Manuel Gameiro da Silva, docente do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da FCTUC e coordenador do projeto na UC.

«O objetivo é minimizar a propagação de agentes patogénicos transportados pelo ar, garantindo ao mesmo tempo conforto térmico e segurança. Ao gerar novos conhecimentos sobre a transmissão de contaminantes e a dinâmica dos fluxos de ar, pretendemos otimizar o design de soluções técnicas e implementar métodos eficazes de controlo do clima interior em hospitais», afirma o também investigador da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI).

Com um programa de investigação ambicioso e uma formação especializada, o consórcio HumanIC visa criar uma nova geração de cientistas e engenheiros que compreendam as implicações destas interfaces no futuro design hospitalar. «Este esforço é o resultado de uma colaboração entre equipas académicas europeias de topo e parceiros da indústria de AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) e saúde», realça o especialista.  

De acordo com Manuel Gameiro da Silva, o conceito de clima interior centrado no ser humano refere-se ao microambiente que rodeia o corpo humano, privilegiando a segurança e o bem-estar dos doentes. «Este tipo de clima interno desempenha um papel crucial em locais como salas de operações, unidades de isolamento e laboratórios, onde a segurança depende de condições ambientais altamente controladas. 

As infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS) continuam a ser um desafio sério. Estima-se que, anualmente, mais de 4 milhões de doentes contraiam infeções nos hospitais da União Europeia, com cerca de 80 mil doentes afetados diariamente. Estas infeções, agravadas pela resistência antimicrobiana, representam não só um risco elevado de mortalidade, mas também custos significativos. Estudos recentes mostram que a melhoria do ambiente interior hospitalar pode reduzir os custos associados a doenças transmitidas pelo ar em 9% a 20%. 

A pandemia de Covid-19 demonstrou a importância de um design hospitalar eficaz, à medida que muitos hospitais foram obrigados a operar além da sua capacidade normal. Este desafio é agravado pelas alterações climáticas, que aumentam a procura por cuidados de saúde devido a novas doenças e infeções relacionadas com o calor, bem como à necessidade de manter condições térmicas confortáveis nos hospitais, sem comprometer a eficiência energética.

O projeto HumanIC é financiado pela Comissão Europeia, através do programa Horizonte Europa, com o valor global de 2,7 milhões de euros, decorrerá até 2027 e conta com a participação de parceiros académicos e tecnológicos de uma dezena de países.

Mais informações no sítio oficial do projeto. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Brasil - Proliferação do mosquito transmissor da dengue aumenta com períodos de chuva e de calor intenso

Pedro Luiz Côrtes explica a ligação entre os fenômenos climáticos e a doença transmitida pelo mosquito “Aedes aegypti”


O aumento de casos de dengue é observado em diversas cidades do País, como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília, que lidera o número de infectados e mortes pela doença. Embora preocupante, o aumento de casos já era esperado com o fenômeno climático El Niño.

O professor Pedro Luiz Côrtes, titular da Escola de Comunicação e Artes (ECA) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo, conversa sobre a ligação entre o El Niño e o mosquito da dengue, e o que esperar do próximo fenômeno, La Niña.

Qual a ligação entre El Niño e a dengue?

Conforme explica o professor, a dengue é uma arbovirose, ou seja, doença transmitida por artrópodes como mosquitos e carrapatos. A proliferação desses agentes aumenta com o nível de chuva e calor, dois efeitos provocados pelo El Niño nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

“O que aconteceu, não só com El Niño como La Niña, é que os efeitos têm sido potencializados pelas mudanças climáticas. Então, os oceanos muito aquecidos acabam colocando mais energia nesse sistema oceano-atmosfera e os fenômenos acontecem com maior intensidade. Até se discutiu sobre a possibilidade de que a gente teria um ‘super El Niño’ no início do verão do ano passado”, relata o professor.

E o que é esperado com o La Niña?

Com o fim do verão no final de março, o El Niño dará lugar a outro fenômeno climático, o La Niña, que deve começar em julho, segundo o pesquisador. Com a inversão, deve ocorrer um “efeito gangorra”: o Sul e o Sudeste ficarão mais frios, enquanto o Norte e Nordeste devem registrar aumento de chuvas, que promoverá a proliferação de mosquitos.

“O Norte e Nordeste são regiões notadamente quentes, há uma tendência de maior proliferação desses casos nessas regiões. O que a gente vai ter é uma sobreposição de casos nas regiões atualmente afetadas e também um aumento dos casos no Norte e Nordeste”, afirma Côrtes.

O combate ao mosquito Aedes aegypti

Para o professor, o aumento de casos de dengue tem relação também com a falta de medidas preventivas por parte dos governos, que poderiam fazer uso de novas tecnologias para identificar criadouros do mosquito.

“Faltaram medidas preventivas por parte das Prefeituras no sentido de identificar criadouros. Nós temos imóveis que não estão ocupados e dentro desses imóveis podem existir criadouros. Então, uma inspeção com drones, por exemplo, seria possível para identificar uma casa que tem uma piscina desativada e que pode ser um grande proliferador do Aedes aegypti“, explica Côrtes. In “Jornal da Universidade de São Paulo” - Brasil


domingo, 7 de junho de 2020

Países Baixos – Abate de milhares de martas com covid-19

O Ministério da Agricultura dos Países Baixos anunciou na quarta-feira que iriam ser abatidas “mais de 10 mil martas” em diversas quintas onde foram detetados casos positivos de covid-19, para impedir que se tornem fontes de contaminação. Na quinta-feira, dois grupos de defesa dos animais recorreram ao tribunal na tentativa de travar esta medida, mas na sexta-feira à noite a justiça indeferiu o pedido



Neste sentido, o abate dos animais “começou hoje numa quinta de martas em Deurne”, no sul do país, anunciou a porta-voz da Autoridade Neerlandesa de Segurança Alimentar e Produtos de Consumo (NVWA, sigla original), Frederique Hermie.

“Esta empresa tem cerca de 1500 fêmeas e, cada uma, tem quatro a cinco crias”, adiantou Frederique Hermie à France Press (AFP) que explicou que o método para o abate passa pelo uso de monóxido de carbono.

Segundo a porta-voz, o abate, nas outras nove quintas contaminadas, continuará no decorrer da semana.

Em maio, as autoridades estabeleceram que dois funcionários dessas quintas tinham “muito provavelmente” contraído a covid-19 através destes animais.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estes dois funcionários infetados poderão ser “os primeiros casos conhecidos de transmissão” do novo coronavírus do animal para o Homem.

Posteriormente, o Governo proibiu o transporte destes animais e tornou obrigatório o teste da covid-19 em todas as quintas de criação de martas, que têm como objetivo a produção de peles. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo