Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 26 de julho de 2026

Açores - Legado do pintor luso-canadiano Miguel Rebelo em exposição em Angra do Heroísmo

O Museu de Angra do Heroísmo, nos Açores, inaugurou no sábado uma exposição do artista luso-canadiano Miguel Rebelo, com peças doadas pelos herdeiros após a sua morte, algumas exibidas pela primeira vez em Portugal


“A sua obra é uma obra dura, martirizada, é uma obra que expressa um sentimento de vivência difícil que ele teve durante o seu período de vida, mas é uma obra que tem uma atualidade muito grande e de excecional qualidade”, afirmou, em declarações à Lusa, o diretor do Museu de Angra do Heroísmo, Jorge Paulus Bruno.

Neto do pintor Domingos Rebelo, natural da ilha de São Miguel, e filho do arquiteto João Correia Rebelo, Miguel Rebelo, que morreu em 2016, com 58 anos, foi um dos artistas açorianos da diáspora com maior reconhecimento.

Com uma obra “marcadamente modernista”, o arquiteto João Correia Rebelo “não foi compreendido no seu tempo” e acabou por emigrar para Montreal, no Canadá, quando Miguel Rebelo tinha apenas 12 anos.

Foi entre Portugal e o Canadá que o pintor desenvolveu “uma linguagem plástica de carácter muito pessoal, marcada pela experimentação, pela intensidade ‘matérica’ e por uma pintura gestual onde a cor, a textura e a memória ocupam um lugar central”, refere uma nota da Direção Regional da Cultura dos Açores sobre a exposição no Museu de Angra do Heroísmo.

“A sua obra afasta-se de fórmulas convencionais e explora uma expressão livre, frequentemente associada ao abstracionismo lírico e ao expressionismo contemporâneo. Críticos e curadores destacam na sua produção a permanente tensão entre a tradição familiar e a procura de uma linguagem autónoma e inovadora”, acrescenta.

Referenciado nos arquivos da National Gallery of Canada, Miguel Rebelo era representado em Portugal pela Galeria 111, uma das mais importantes de arte contemporânea do país (com artistas como Paula Rego e Lourdes Castro, entre muitos outros), e a sua pintura está integrada em coleções públicas e privadas.

Na exposição “Belo Insubmisso”, o Museu de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, expõe cerca de 40 obras de Miguel Rebelo, de um total de 60 doadas pelos herdeiros, após a morte do pintor.

“Foi uma doação muitíssimo importante, que o Museu de Angra, com muito orgulho, acolheu”, porque, sendo um museu açoriano, “o conjunto desta obra vem enriquecer todo o património da arte contemporânea” dos Açores, salientou Jorge Paulus Bruno.

A ligação de Miguel Rebelo à ilha Terceira decorre de duas exposições, em 2005 e 2007, na Carmina Galeria, do artista plástico terceirense Dimas Simas Lopes.

Quando a galeria de arte contemporânea foi doada ao Museu de Angra do Heroísmo, a instituição tentou adquirir cerca de uma dezena de obras de Miguel Rebelo que lá se encontravam e o filho Rapahël doou-as.

“Há dois anos, veio aqui, conheceu o museu, conheceu a Carmina Galaria e ficou convencido de que o destino das obras que estavam em Lisboa deveria ser o Museu de Angra”, revelou Jorge Paulus Bruno.

“É um conjunto de 60 obras notáveis. Deixou algumas à Fundação Calouste Gulbenkian, também, o que engrandece esta doação”, acrescentou.

O diretor do Museu de Angra do Heroísmo frisou que Miguel Rebelo é “um nome grande da arte contemporânea, não só portuguesa, mas acima de tudo internacional”.

O pintor luso-canadiano utilizava uma “linguagem única” para refletir os seus sentimentos nas suas obras. Chegava mesmo a utilizar uma lixadora e a rasgar as suas telas.

“É uma obra que expressa uma angústia do criador. Nem todas as obras de arte expressam sentimentos confortáveis”, ressalvou Jorge Paulus Bruno.

A ideia é corroborada pelo filho do pintor, Rapahël Rebelo, num texto emotivo que escreveu para a inauguração da exposição.

“Embora o seu trabalho seja fruto de uma exigente pesquisa intelectual, as suas emoções transpiram através da pele das suas telas. As cores correspondem à sua alegria de viver e aos períodos felizes da sua existência, o que, para o meu pai, significava quase sempre períodos de amor. Já os cinzentos, os negros e os brancos são o reflexo de um homem que foi entrando progressivamente em depressão e que lutou, durante os últimos dez anos da sua vida — demasiado breve, apenas 58 anos — contra episódios psicóticos e contra as consequências devastadoras de vinte anos de terapêutica antirretroviral para combater o VIH”, adiantou.

Rapahël Rebelo destacou a “enorme coragem” do pai para “viver à margem”, na escola, na carreira e na vida política e amorosa.

“É difícil existir numa sociedade que parece não ter previsto um lugar para nós. É, por isso, a coragem que, antes de mais, retenho da vida do meu pai. Manteve-se de pé contra ventos e marés e entregou-se inteiramente à pintura, apesar dos juízos e das incompreensões que o seu modo de vida inevitavelmente suscitava”, sublinhou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 10 de julho de 2026

Internacional - Exposição na cidade de Lisboa celebra diálogo artístico entre Japão e Portugal

A exposição internacional “Viagem ao Japão” regressa este mês para a sua quarta edição, reforçando o diálogo artístico entre Portugal e o Japão. A mostra inaugura esta sexta-feira, às 17h00, no Atelier Natália Gromicho, em Lisboa, onde permanecerá patente até 17 de julho


Depois do sucesso das edições anteriores, a iniciativa volta a reunir diferentes linguagens artísticas numa reflexão sobre cultura, identidade, tradição e expressão contemporânea, promovendo um encontro entre artistas portugueses e o universo estético japonês.

Pela primeira vez, a exposição coloca em destaque um grupo de artistas portugueses, cujas obras serão apresentadas em diálogo com perspetivas inspiradas no Japão, num intercâmbio intercultural que pretende aproximar as duas culturas através da arte.

A mostra reúne trabalhos de pintura, desenho, escultura, fotografia e técnicas mistas, convidando o público a descobrir diferentes interpretações da estética japonesa e da criatividade contemporânea portuguesa.

Os artistas portugueses selecionados para esta quarta edição são Ana Malta, Inês Prats, Joaquim Gromicho, Leonor Ribeiro, Mafalda Gonçalves, Mariana Santos, Natália Gromicho, Patrícia Mariano, Pedro Charters, Rita Félix e Tamara Alves. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Portugal – Cidade do Porto celebra os 90 anos de Malangatana com exposição e programação cultural

A cidade do Porto acolhe, a partir deste sábado, 11 de abril, a celebração do 90.º aniversário do renomado artista moçambicano Malangatana Valente Ngwenya, (Matalana, distrito de Marracuene, Moçambique, 6 de junho de 1936 – Matosinhos, Portugal, 5 de janeiro de 2011) com a inauguração da exposição “Crepúsculo Moçambicano”, no Espaço MIRA, às 16h

A mostra reúne diversas expressões artísticas, incluindo pintura, escultura, desenho, gravura, fotografia, cinema e memorabília, homenageando o legado multifacetado de Malangatana e a riqueza da arte moçambicana. A curadoria está a cargo de Lurdes Macedo e Manuel Santos Maia.

A programação estende-se até ao final de junho, com actividades a decorrer também no MIRA Fórum, incluindo lançamento de livro, leitura performativa, exibição de documentário, debates e um colóquio inserido na II Escola de Verão de Estudos Africanos em Português.

Entre os destaques, consta o lançamento do livro Malangatana: The Eye of the Crocodile, de Richard Gray, agendado para 9 de maio, bem como a exibição do documentário “No Trilho de Malangatana: Do Legado à Memória”, seguida de debate, no dia 6 de junho.

A exposição conta ainda com obras de vários artistas, como Reinata Sadimba, Rúben Zacarias e Shikhani, entre outros, além de contribuições documentais e bibliográficas de importantes nomes da literatura e investigação lusófona, incluindo Mia Couto e Paulina Chiziane.

A iniciativa resulta de uma colaboração entre a Fundação Malangatana Valente Ngwenya, o CICANT/LabCLIP, as Galerias Mira e a Colecção João de Almeida, reforçando os laços culturais entre Moçambique e Portugal. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


domingo, 29 de março de 2026

França - Maria Celestina: a pintora de Ville d’Avray que encontrou na cor a sua forma de respirar

Aos 90 anos – prestes a completá-los em julho – Maria Celestina continua a pintar “porque precisa”. Não por ambição, não por carreira, não por mercado. Pinta porque a pintura lhe preenche “qualquer coisa cá dentro”, diz ao LusoJornal, pousando a mão no peito. Uma necessidade espiritual, quase física, que a acompanha desde que deixou Portugal, ainda jovem fisioterapeuta, rumo a Lourenço Marques.


“Tirei o curso de fisioterapia no Hospital de São João, no Porto”, recorda. Tinha 22 anos, dois filhos pequenos e uma coragem tranquila que a levou a atravessar continentes. Primeiro Moçambique, depois Angola. Trabalhou no Hospital Miguel Bombarda e mais tarde no Maria Pia, em Luanda, onde integrou um dos primeiros centros modernos de medicina física e reabilitação. “Havia muito dinheiro em Luanda nessa altura, fizeram um centro muitíssimo bom”, conta com um sorriso que mistura memória e espanto.

Foi durante umas férias em Portugal que o destino mudou de rumo. O Ministério do Ultramar enviou-lhe bilhetes para regressar a Angola no dia… 25 de abril de 1974. Supersticiosa com datas, decidiu adiar a viagem. “No dia 25 não vou. Vou meter um atestado médico”, disse à amiga. Na manhã seguinte, a amiga abriu-lhe a porta aflita: “Tu não podes sair daqui. O governo caiu”. E assim ficou. Nunca mais voltou a Angola.

Seguiram-se anos de trabalho no Hospital de Gaia e em clínicas privadas. A filha, impedida de entrar na universidade portuguesa devido ao caos pós-Revolução, partiu para Bordeaux. Mais tarde para Paris. E quando nasceu a primeira neta, Maria Celestina fez o que sempre fez: avançou. “O que é que eu estou aqui a fazer sozinha?”, perguntou a si mesma. Vendeu tudo e mudou-se para França.

A descoberta da pintura

Em Ville d’Avray encontrou o centro cultural Le Colombier, com cursos artísticos. Começou pela pintura “para ter um sítio onde pintar”, porque a pintura ocupa espaço. Experimentou também pintura de porcelana, mas foi a tela que a conquistou.

“A pintura não cansa. Eu não tenho cansaço físico. Ao fim estou vazia”, confessa ao LusoJornal. Pinta com pincéis, com espátulas, com as mãos… Não pinta casinhas, nem flores, nem paisagens. “Para mim são as cores. As cores e o movimento”. Abstrato, intuitivo, visceral.

Nunca vendeu um quadro. Não quer. “Tenho muito respeito por quem estudou Belas-Artes. Eu pinto porque quero. Não me sinto bem a vender”. As obras circulam pela família: a filha leva, a neta leva, o filho em Portugal recebe malas cheias de telas. Algumas viajam até ao Canadá, para a neta que vive em Montreal. Outras ficam em Ville d’Avray, oferecidas a amigos.

Uma vida feita de arte, livros e movimento

O dia de Maria Celestina começa com ginástica. “Todos os dias. Musculação, ginástica, piscina”. A pintura chega ao fim da tarde, quando a luz é mais suave. “A luz das quatro e meia às cinco horas é ideal”, explica com a precisão de quem observa o mundo através das cores.

Lê muito. Adora Manuel Vilas, Richard Zimler, poesia, literatura brasileira… Fala de António Lobo Antunes com admiração e perplexidade: “É difícil. Não é fácil. Mas fascina-me”.

Portugal continua presente. As amigas de sempre, as idas ao Algarve, as escapadelas a Vigo para comprar roupa “que os outros não têm”. Mas a vida está em França, perto da filha, da neta, da família que construiu.

Em breve mudará de casa: deixará o pequeno estúdio onde hoje pinta e instalar-se-á no rés-do-chão da casa da filha. “Vamos fazer um atelier lá em baixo”, diz a filha. “Quero pintar com ela. É um momento simpático de estarmos juntas”.

Aos 90 anos, a cor continua a chamar por Maria Celestina

Maria Celestina não quer galerias, não quer mercado, não quer carreira. Quer pintar. “Eu tenho necessidade de preencher qualquer coisa dentro de mim”, repete. E talvez seja isso que torna a sua obra tão íntima: não nasce para ser vista, nasce para ser vivida.

Mesmo assim, teve quadros expostos na galeria do Festival de cinema português, Olá Paris!

Aos 90 anos, continua a entrar nas cores como quem entra num lugar sagrado. E sai de lá “vazia”, mas inteira.

Mas, ao LusoJornal, foi confessando que tem outros projetos. Um livro? Conferências? Sobre a energia que cada um de nós tem dentro de si… Mas disso, falaremos mais tarde! Prometido. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”


terça-feira, 24 de março de 2026

Angola - Artistas exibem “100tenário de Camilo Pessanha” em exposição colectiva no Camões Centro Cultural Português

O Camões Centro Cultural Português, em parceria com o literArte, realiza hoje, a partir das 17h30, a inauguração da 14.ª Exposição colectiva “100tenário de Camilo Pessanha”, uma mostra que reúne uma selecção de 14 artistas, inspiradas em três poemas do poeta e escritor português Camilo Pessanha. Depois da abertura oficial, a mesma estará patente ao público até 15 de Abril do corrente ano


Inspirada nos poemas “Caminho”, “Vénus” e “Voz Débil que Passas”, trata-se não apenas de uma exposição de artes plásticas, mas de uma mostra que representa um encontro entre gerações, unindo uma nova geração de artistas angolanos a um dos maiores nomes da literatura portuguesa.

A exposição apresenta 28 obras, entre pintura, escultura, gravura e cerâmica, explorando diferentes correntes artísticas, como o surrealismo ou o realismo, entre outras abordagens contemporâneas.

Em declaração à imprensa, o assessor de cooperação-cultura do Camões-Centro Cultural Português, João Azeredo, disse que o grupo é composto por 14 artistas diferentes que vão colocar os seus trabalhos à disposição da comunidade, alguns com mais experiência na área e outros com menos tempo de carreira. Maria Custódia – Angola in “O País”


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Macau - Alice Costa apresenta primeira exposição individual de pintura abstracta na Creative Macau

Do Direito à Arte. A macaense Alice Costa vai inaugurar a sua primeira exposição individual, intitulada “FLOW”, a 8 de Janeiro na galeria da Creative Macau, no rés-do-chão do Centro Cultural de Macau. A mostra, que decorrerá até 31 de Janeiro, apresenta uma série de pinturas abstractas inspiradas na natureza e nas suas formas orgânicas, e toda a receita líquida da venda de obras será doada à ORBIS Macau


A jornada profissional da macaense Alice Costa (conhecida também por Lili) atravessou uma transformação notável, da magistratura para as artes plásticas. A artista, licenciada em Direito pela Universidade de Macau em 1994 e juíza do Tribunal de Primeira Instância entre 1997 e 2023, vai agora apresentar a sua primeira exposição individual, “FLOW”, numa nova etapa dedicada inteiramente à pintura abstracta. A mostra inaugura a 8 de Janeiro, pelas 18h30, na galeria da Creative Macau, localizada no rés-do-chão do Centro Cultural de Macau, e ficará patente ao público até 31 de Janeiro.

A série “FLOW” explora a essência da natureza através de formas, texturas e emoções, sem representar a realidade visual de forma literal. Como a própria artista explica, “a arte abstracta não tenta representar a realidade visual, mas usa formas, cores e marcas gestuais para alcançar o seu efeito”. As suas pinturas caracterizam-se por formas orgânicas, linhas fluidas e transições dinâmicas, numa paleta cromática intensa e impactante, que evocam formas que trazem à mente florestas, marés, cadeias de montanhas, tempestades ou até superfícies de planetas, convidando o observador a “sentir” em vez de “reconhecer”.

A técnica utilizada por Costa é profundamente táctil, empregando métodos como o empasto (aplicação espessa de tinta), salpicos, a famosa técnica de Jackson Pollock, bem como a sobreposição de camadas para construir superfícies texturadas que estimulam tanto a visão como o toque. Esta abordagem material confere uma energia física e espontânea às obras, reflectindo o que a artista descreve como “movimento orgânico, fluidez, transições perfeitas e energia dinâmica”.

O regresso de Costa à pintura, uma paixão antiga que inicialmente servia para relaxar do trabalho na magistratura, deu-se há três anos, através de aulas e workshops em Hong Kong. O seu percurso multicultural, sendo filha de pai português e mãe chinesa, e as experiências das suas viagens são fontes de inspiração fundamentais.

A exposição reveste-se também de um propósito solidário. A artista decidiu doar toda a receita líquida resultante das vendas de obras à organização não-governamental ORBIS Macau. A ORBIS é uma entidade internacional sem fins lucrativos dedicada a construir sistemas de cuidados oculares fortes e sustentáveis a nível global, com o objectivo de tornar o tratamento e a prevenção acessíveis a todos. A organização atua em toda a cadeia de cuidados, desde a educação para a saúde ocular até ao tratamento e serviços de acompanhamento.

“FLOW” marca assim uma estreia interessante, não só no circuito artístico de Macau, como na nova vida de Alice Costa, que mudou da toga para a paleta, oferecendo agora ao público uma experiência sensorial única e um gesto de generosidade para com a comunidade. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 11 de novembro de 2025

Moçambique - Eugénio Saranga expõe “Os que julgam sem voz” na Fundação Fernando Leite Couto

O artista plástico Eugénio Saranga apresenta, nesta quarta-feira, uma exposição intitulada “Os que julgam sem voz – ensaio sobre a ferida da caça furtiva”, na Fundação Fernando Leite Couto.


A exposição apresenta uma faceta de Saranga, virada para as questões contemporâneas da vida selvagem ao próprio comportamento humano ligado à natureza.

Eugénio Saranga pertence à geração de artistas que se posiciona num momento de reafirmação de arte plástica moçambicana e procura ir além do que se exige ao artista, viver o seu tempo e denunciar o que subverte a ordem das coisas. A natureza e tudo que nela habita.

Nas obras de desenho com recurso a tinta-da-china e caneta gel sobre papel, as imagens são associadas ao mundo selvagem ao mesmo tempo que espiritual. Sobre as figuras preenchidas pelo preto destaca-se o vermelho, das criaturas ávidas de se alimentar de outros seres, dos animais que serão feridos de uma morte inesperada, que vai servir a um fim que vai além da ganância humana.

Eugénio Saranga é, actualmente, artista plástico e curador de arte. É membro e vice-presidente do Núcleo de Arte e da Associação de Fotografia em Moçambique. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 7 de outubro de 2025

Moçambique - Derek Littleton apresenta “Onde sonhamos enquanto os leões rugem”

Derek Littleton apresenta, nesta quarta-feira, 8, a exposição de pintura intitulada “Onde sonhamos enquanto os leões rugem”, com a curadoria de Yolanda Couto. A exposição será inaugurada na Fundação Fernando Leite Couto.


Derek Littleton dedica a sua vida à conservação ambiental e social, protegendo elefantes, restaurando ecossistemas e empoderando comunidades, um caminho que iniciou nos parques nacionais do Zimbabwe, até chegar a Moçambique, onde há 25 anos se baseou na zona norte, concretamente na Reserva Especial do Niassa.

Na exposição, mostra-se o artista profundo que é Derek Littleton. Em “Onde sonhamos enquanto os leões rugem”., o artista coloca uma paleta de cores, onde predominam o verde, o azul, o cinza, castanho e amarelo, partindo de um ambiente de natureza intacta, onde tudo segue um curso normal ou ideal, com todos os seres em coabitação, intimamente ligados, desconhece-se o conflito, antes a harmonia de se ser e se pertencer.

São telas, na sua maioria, pintadas em acrílico e pastel sobre madeira, mas traduzindo o universo inesgotável das “coisas” e dos elementos da natureza, em diálogo com o espírito observador e sensível do artista. As obras de Derek fantasiam a humanidade onde o homem ao invés de lutar para alterar a ordem das coisas ele se envolve, adapta-se e complementa-se a outros seres. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Moçambique – Escultor Mapfara e pintor Phamby expõem na Fundação Fernando Leite Couto

De 06 a 30 de Agosto, a Galeria da Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo, terá patente a exposição intitulada “Mahanhela”, do escultor Mapfara e do pintor Phamby.


Com curadoria de Yolanda Couto, “Mahanhela” é o mote para o encontro de duas gerações de artistas, duas linguagens e uma multiplicidade de representação sobre o colectivo, a comunhão, esse sentido de estar e ser juntos, vivências.

De acordo com a Fundação Fernando Leite Couto, com pintura em óleo sobre tela, as obras de Phamby destacam-se por representar “actos humanos”, nos seus estilos de vida, comportamentos e peculiaridades. Enquanto uns entregam o próprio corpo para o peso da vida, outros apegam-se ao lazer e ao entretenimento ou serão as duas coisas, sendo que uma complementa a outra. Mas a mensagem é mais profunda do que o simples materialismo.

A Fundação Fernando Leite Couto adianta ainda que as esculturas em cerâmica de Mapfara mostram o interior e o exterior em simultâneo, recusam-se à uma única forma, os rostos multiplicam-se aos olhos dos visitantes e guiam-nos por caminhos sinuosos que ultrapassam a razão. De olhos fechados evitam decifrar-se, deixam para o espectador a tarefa do exorcista.

Phamby, pseudónimo de Isac Abílio Tivane (1996), vive e trabalha em Maputo. Começou a dedicar-se na pintura em 2015, tornando-se membro do Núcleo d’Arte em 2017. Desde então teve as suas primeiras obras expostas no Núcleo d’Arte. Ganhou mais experiência trabalhando com outros artistas, principalmente com Butcheca e vem participando em várias exposições colectivas tais como: “Colecção Crescente” (2018) na Galeria Kulungwana, “Feições para um Retrato” (2018) em homenagem ao poeta Fernando Leite Couto, na Galeria FFLC.

Mapfara, nome artístico de António Horácio Sitoe, nasceu em Maputo aos 29 de Outubro de 1979, tendo iniciado a sua carreira em 1999, quando se junta à ACHUFRE (Associação Cultural). É daqui onde ele aprende a fazer cerâmica como autodidacta e com o passar dos anos vem desenvolvendo um estilo e técnicas próprias influenciando-se na cerâmica moderna e tradicional moçambicana.

As mais recentes exposições que realizou foram “O espírito do Mpfara” (2024), Galeria do Porto de Maputo e teve a sua obra representada na Expo Dubai 2020 no Pavilhão de Moçambique, e na exposição Colectiva Três Dimensõesʺ: Percursos, Densidades e Possibilidades (2021), no CCBM e CCFM.

Entre várias distinções foi vencedor do terceiro prémio do concurso FOOTARTE 2010, com o tema  “odeio o futebol ou adoro o futebol”; teve uma menção honrosa da bienal das TDM, 2009, e venceu o Commonwealth arts and Crafts Award 2007/2008 da Fundação Commonwealth. In “O País” - Moçambique


segunda-feira, 28 de julho de 2025

Moçambique - Nália Agostinho inaugura individual “Rasgo na Névoa” no Camões

A artista plástica Nália Agostinho vai inaugurar, esta terça-feira, a exposição de pintura “Rasgo na Névoa”, no Centro Cultural Português em Maputo. A individual conta curadoria de Jorge Dias e com texto de apresentação de José dos Remédios


Ao fim de dois anos sem expor, Nália Agostinho regressa às individuais de pintura. Com a mostra “Rasgo na névoa”, a artista plástica apresenta uma travessia visual e sensível, numa tentativa de tornar visível o que muitas vezes permanece encoberto, tanto no plano íntimo como no colectivo.

Com curadoria de Jorge Dias, a exposição de pintura surge do desejo de artista romper camadas de silenciamento, de confusão, de não-dito, que se acumulam sobre o corpo, sobre a história, sobre a memória. No entanto, não se trata de uma proposta conclusiva. Pelo contrário, é um gesto de abertura, de interrupção do silêncio, de criação de uma fresta por onde se possa respirar, ver, sentir. É um espaço de escuta e de presença.

Durante a produção da individual de pintura, Nália Agostinho revela que “Aprendi a aceitar a névoa como parte do caminho, não como um erro ou obstáculo, mas como um território fértil de sensações e intuições. Nem tudo precisa de ser claro de imediato”.

Segundo disse a artista, que tem exposto em Moçambique, África do Sul, Portugal e Espanha, o processo criativo exigiu coragem para estar no não-saber, para habitar as ambiguidades. E confessa: “Houve momentos em que precisei de escavar memórias, revisitar feridas, desmontar certezas. Mas foi também um tempo de reencontro com a minha voz, com a minha própria pulsação criativa, após períodos de bloqueio e transição. Aprendi que o rasgo nem sempre é brusco, por vezes é lento, quase imperceptível. Mas, uma vez feito, transforma tudo à sua volta”.

Ao nível mais simbólico, a individual de pintura de Nália Agostinho representa o momento em que algo se revela, mesmo que parcialmente, mesmo que por instantes. É a fresta por onde passa a luz, o som, o corpo que se afirma. É o gesto de romper com silenciamentos, tanto internos como externos. “A névoa, para mim, representa o estado em que muitos de nós vivemos: entre sobrecargas emocionais, pressões sociais, histórias interrompidas. Já o rasgo é o acto de resistência, um gesto íntimo e político de ver e de ser vista”, reforçou a artista: “Representa também o feminino na sua força suave, na capacidade de criar a partir da névoa, de costurar o invisível com delicadeza, sem medo da vulnerabilidade”.

De acordo com o ensaísta José dos Remédios, que assina o texto de apresentação da mostra, “Com uma determinação inabalável, identificada nos traços contínuos e nos objectos propostos, Nália Agostinho tão-somente dá ouvidos à imaginação criativa, que, geralmente, se complementa com a definição do corpo, mas quando a alma é, disfarçadamente, a realização maior. Quer dizer, os acrílicos sobre tela, combinados com carvão e pastéis, integram uma mostra movediça no lugar da imprevisibilidade temática e estética”. E o ensaísta diz mais, ao sublinhar que, em “‘Rasgo na névoa’, a pretensão preponderante vai além da imagem aparente. Na verdade, o que move a artista é um conflito tácito entre os anseios minimalistas e as realizações experimentalistas, entre a cólera e o afecto, o caos e a esperança, claro está, que se dilui no efeito às vezes sombrio da cor”.

No Camões – Centro Cultural Português em Maputo, “Rasgo na névoa” estará patente entre 29 de Julho, com inauguração às 17h30, e 15 de Agosto.

Sobre a artista

Nália das Dores R. J. Agostinho nasceu em 1990, em Maputo. É formada em Ciências Políticas, em Trento. Filha de amantes da música e das artes, Nália foi estimulada desde cedo a explorar a sua criatividade e a olhar o mundo através das diversas formas de expressão artística.

Formada na Escola Nacional de Música, em 2006, no entanto, foi em 2018, após seu retorno a Moçambique, que a sua verdadeira paixão pela pintura floresceu, quando a necessidade de se expressar de maneira mais profunda e autêntica se tornou urgente. A sua arte é um espaço de fusão, onde o visível e o invisível, o micro e o macro, o espiritual e o terreno se encontram.

Nália Agostinho já expôs na Casa da Cultura, no Centro Cultural Moçambicano- Alemão, na FACIM, no 16 Neto, em Maputo; na Xavier Gallery, e na Gallery K, em Joanesburgo, África do Sul; no Espaço Espelhos d’Agua, em Lisboa, Portugal; no Delírio Estúdio, em Madrid, Espanha. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 22 de julho de 2025

Cabo Verde lamenta a morte de Kiki Lima

O Presidente da República, Governo, familiares e amigos publicaram mensagens de condolências a propósito da morte do pintor e compositor cabo-verdiano Kiki Lima, aos 72 anos, em Portugal, onde se encontrava em tratamento médico


“Kiki Lima deixa um legado inestimável para a cultura e a arte de Cabo Verde. A sua obra, marcada pela cor, pelo movimento e pela profunda identidade cabo-verdiana, retratou com mestria as vivências do nosso povo, elevando o nome de Cabo Verde nos palcos artísticos nacionais e internacionais”, destaca a Presidência da República, num comunicado divulgado nas redes sociais.

No mesmo comunicado, a Presidência da República refere que Kiki Lima é considerado por muitos como um dos maiores pintores cabo-verdianos de todos os tempos. “Kiki Lima foi um verdadeiro embaixador da nossa cultura, cuja paixão e dedicação à arte inspiraram gerações”.

A mesma fonte sublinha ainda que o artista deixa igualmente um legado como músico e estudioso da música tradicional cabo-verdiana, com álbuns publicados como Txuva e Midje má tambor. “A sua memória e o seu contributo para o património cultural de Cabo Verde permanecerão vivos e serão sempre recordados com admiração e respeito.”

Também o Governo, através do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, lamentou o desaparecimento físico do artista, considerando que Cabo Verde perdeu um embaixador da cultura nacional, que soube cruzar linguagens visuais com a música e o design.

“Figura incontornável da cultura nacional, Kiki Lima, uma das maiores referências das artes plásticas de Cabo Verde, possuiu uma carreira notável, marcada por uma criatividade vibrante, um estilo único e uma entrega total à arte e à identidade cabo-verdiana”, frisa.


Em comunicado, o Ministério da Cultura acrescenta que Kiki Lima é autor de mais de mil obras e participou em mais de 200 exposições individuais em Cabo Verde e no estrangeiro, levando as cores, os símbolos e as emoções do arquipélago ao mundo.

O artista plástico Tchalé Figueira lembrou com carinho o legado de Kiki Lima. “A sua pintura é o retrato da nossa sociedade crioula em tonalidades quentes, do azul do mar ao amarelo solar, e de diversos temas que considero etnológicos da diversidade cultural do nosso país: do pescador ao vagabundo, das menininhas bonitas à pequena burguesia, das festas juninas ao batuque, etc.”

Tchalé Figueira destacou ainda a herança pictórica e musical do artista: “E não posso deixar de mencionar as suas composições, muitas com letras de cariz crítico-social, gravadas na voz de Dudu Araújo. O ciclo de Kiki Lima hoje encerra-se, mas para Cabo Verde, este artista deixa uma grande herança que ficará na memória da nossa identidade.”

“Foi com profundo pesar que recebi a notícia do falecimento de Kiki Lima, pintor maior de Cabo Verde e meu colega de infância, aos 72 anos. Com ele parte não apenas um artista singular, mas também um amigo leal, companheiro das alegrias e sonhos da nossa geração”, escreveu o escritor Manuel Brito-Semedo, no seu blogue Esquina do Tempo.

Para Brito-Semedo, Kiki Lima foi um verdadeiro embaixador cultural de Cabo Verde, retratando com mestria a morna, os mercados, as mulheres, as festas populares e as paisagens da infância.

“Kiki foi muito mais do que um pintor consagrado. Foi o amigo de adolescência com quem cresci num Mindelo pobre, mas sonhador, fértil em talento e solidariedade. Sempre discreto e sereno, impressionava pela determinação inabalável de viver da arte – missão que abraçou até ao fim”, concluiu. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


sexta-feira, 6 de junho de 2025

Moçambique - Adelino Timóteo celebra 30 anos de carreira com exposição e lançamento de livro

O escritor e artista plástico Adelino Timóteo inaugurou, ontem, quinta-feira, na Casa do Artista, na Cidade da Beira, a sua nova individual de pintura, “As Meninas da Rua 6 e outras”. No mesmo evento, o autor também lançou o seu mais recente livro: “Regresso ao Sagrado Macurungo”


Há 30 anos, Adelino Timóteo iniciou o seu percurso artístico. Como poeta e escritor, o artista publicou vários livros. Entre os quais, “Viagem à Grécia através da Ilha de Moçambique” (poesia), “Corpo de Cleópatra” (poesia), “A virgem de Babilónia” (romance), “Apocalipse dos predadores” (romance), “Cemitério dos pássaros” (romance) ou “Na aldeia dos crocodilos” (infanto-juvenil).

Para assinalar os 30 anos de carreira artística, com efeito, Adelino Timóteo inaugurou a sua mais recente exposição de pintura, intitulada “As Meninas da Rua 6 e outras”.

A cerimónia de abertura da mostra decorreu na Casa do Artista, na baixa da Cidade da Beira. No local, os apreciadores das artes tiveram a oportunidade de ver obras que, além do estético, atravessam a realidade moçambicana de forma transversal. Afinal, segundo o ensaísta e jornalista José dos Remédios, que assina o texto de apresentação da mostra, “Adelino Timóteo é um artista da sensibilidade, da observação que se mescla com a intuição experimental no território dos afectos”. E o ensaísta acrescenta: “o artista transforma o pó num recurso além do intencional. Ora configurando esperança ao lusco-fusco, ora hipnotizando qualquer coração que possa estar amargurado”.

“As Meninas da Rua 6 e outras” é a 19.ª exposição individual do autor, e reúne dez obras recentes, evocando memórias femininas, infância, resistência e beleza no quotidiano moçambicano.

De acordo com o comunicado de imprensa, as telas, de grande expressividade visual e poética, recriam um universo sensível ancorado nas ruas do bairro onde o artista cresceu: Macurungo.

Adelino Timóteo, que já expôs na Áustria e em Espanha, é autor de uma vasta obra que transita entre as artes plásticas e a literatura, sendo reconhecido como uma das vozes mais activas da sua geração. Talvez, por isso, o artista vai celebrar os seus 30 anos de carreira artística tendo lançado, na mesma cerimónia, na Casa do Artista, o seu mais recente livro, o 24.º da conta pessoal: “Regresso ao Sagrado Macurungo”. Trata-se de uma obra que complementa um exercício anterior, “Nós, os do Macurungo” (2013).

Na nova obra, Adelino Timóteo retoma o fio narrativo das suas raízes, numa escrita que cruza memória, oralidade e devoção ao território emocional da infância.

Na Casa do Artista, o evento, aberto ao público, marcou um ponto alto na celebração da cultura moçambicana, homenageando a Cidade da Beira e o seu universo simbólico. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 2 de maio de 2025

Nigéria - Adolescente autista estabelece recorde mundial de pintura

Um jovem autista na Nigéria quebrou o recorde da maior tela de arte do mundo – oficialmente reconhecido pelo Guinness World Records. A sua tela visa destacar os desafios que pessoas como ele enfrentam em meio ao estigma e às representações sombrias do autismo



Um nigeriano autista de 15 anos estabeleceu o Recorde Mundial do Guinness para a maior tela de arte do mundo para consciencializar sobre o autismo.

A pintura de Kanyeyachukwu Tagbo-Okeke, que apresenta uma fita multicolorida - o símbolo do autismo - cercada por emojis, abrange 12.304 metros quadrados.

O objetivo é destacar o transtorno do espectro autista e os desafios que pessoas como ele enfrentam em meio ao estigma — como os comentários altamente controversos feitos por Robert F. Kennedy Jr.

O Secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA declarou recentemente o autismo uma "epidemia", ao mesmo tempo em que afirmou que muitas pessoas autistas "nunca pagarão impostos, nunca terão um emprego, nunca jogarão beisebol, nunca escreverão um poema, nunca sairão para um encontro".

Gostaríamos de vê-lo realizar algo tão impressionante quanto a pintura de Tagbo-Okeke.

A obra de arte, criada em novembro de 2024, foi revelada e oficialmente reconhecida pelos organizadores do Guinness World Record na capital da Nigéria, Abuja, durante o Dia Mundial da Aceitação do Autismo, em abril.

O ministro da arte e cultura da Nigéria, Hannatu Musawa, disse que a arte de Tagbo-Okeke é “um farol de esperança e inspiração” para pessoas com autismo.



Reconhecemos as capacidades e o potencial únicos de indivíduos com autismo e nos dedicamos a fornecer oportunidades para que eles prosperem nas indústrias criativas”, acrescentou Musawa.

A tentativa de quebrar o recorde do jovem artista, acompanhada por uma campanha intitulada “A impossibilidade é um mito”, foi amplamente celebrada entre os nigerianos, em parte devido à sua pouca idade.

De facto, a sua arte eclipsou a de Emad Salehi, o recordista mundial anterior, que era quase três vezes mais velho, aos 42 anos, quando estabeleceu o recorde com uma tela de 9652 metros quadrados. 

“Sentimos uma enorme sensação de alívio e orgulho, sabendo das inúmeras horas e meses de esforço que ele dedicou para quebrar o recorde”, disse a sua mãe, Silvia. 

A tentativa de recorde mundial de Kanyeyachukwu também procurou arrecadar fundos para a Fundação Zeebah, uma organização sem fins lucrativos focada em fornecer suporte a pessoas dentro do espectro e suas famílias.

Há recursos limitados na Nigéria para iniciativas como esta e, embora não haja registos oficiais na Nigéria, cerca de 1 em cada 100 crianças no mundo tem autismo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Como em muitos outros países, o autismo geralmente não é diagnosticado na Nigéria até anos mais avançados. Euronews.culture com “AP”


sábado, 15 de março de 2025

Moçambique - Sonho de pintar Eusébio na Mafalala levou francês de Paris a Maputo

Com algumas latas de 'spray' na bagagem e um sonho, o artista francês Glac¸on fez os mais de 12 mil quilómetros que separam Paris de Maputo para pintar Eusébio no bairro onde o 'Pantera Negra' nasceu, a Mafalala



"Foi um momento especial: pintar Eusébio no lugar onde ele nasceu", explicou à Lusa Brian Diegues (Glac¸on), de 28 anos, minutos após dar os "últimos toques" ao mural no meio da Mafalala, histórico bairro periférico na capital moçambicana.

A nova pintura de Eusébio está mesmo no "campinho da Mafalala", local onde a lenda descobriu a sua paixão pelo futebol.

Para muitos, este espaço, a poucos metros do Museu Mafalala, é o coração de um bairro periférico com importância histórica em Maputo.

São becos e ruelas que separam casas de construção precária que carregam o peso de ter albergado personalidades que levaram o nome de Moçambique para o mundo, entre os quais escritores como José Craveirinha e Noémia de Sousa, além do próprio Eusébio, um ícone do futebol.

São cerca de 20 mil pessoas de quase todo o país que partilham diariamente o bairro de uma urbanização informal à base de zinco, mas que para muitos foi o "centro da resistência cultural" à administração colonial portuguesa em Maputo.

"Eu queria pintar mesmo neste bairro, sem saber ainda que se chamava Mafalala. Então, ainda em Paris, preparei uma pintura (...) e vim com material adequado para pintar o Eusébio", explica o artista.

No novo mural, Eusébio ostenta a camisola do Benfica, o seu "clube de coração" e do qual Glac¸on é também adepto por "hereditariedade".

"O meu pai é que me deu o Benfica como clube (...). Eu sou benfiquista e, sendo benfiquista, não podia esquecer a história do Eusébio no Benfica", explica o artista, que chegou a trabalhar como guia no Estádio da Luz durante um período em que viveu em Portugal.

"Vivi e cresci em Paris, mas decidi abandonar a minha vida parisiense para trabalhar no Estádio [do] Sport Lisboa e Benfica (...). Trabalhei por mais de um ano como guia", acrescentou.

De pai português, já falecido, nascido em território moçambicano antes da independência, a relação de Glac¸on com Moçambique e Portugal é "emocional".

"É sempre difícil falar de alguém que nasceu em Moçambique antes do dia 25 de junho de 1975. Eu sempre considerei meu pai português, mas, porque nasceu em Moçambique, também o considerei sempre moçambicano", acrescentou.

É esta ligação que dá Glac¸on a ambição de voltar ao país africano para dar cor a outros murais, realçando a importância de outras figuras históricas do país, incluindo Mário Coluna, outra referência no futebol português nascida em Moçambique.

"Eu gosto de contar histórias e então Samora Machel [primeiro Presidente de Moçambique], Eduardo Mondlane [fundador da Frente de Libertação de Moçambique] e Mário Coluna são as minhas próximas metas", declarou.

Para muitos um símbolo do desporto português, campeão nacional pelo Benfica 11 vezes e vencedor da Taça dos Campeões em 1962, Eusébio da Silva Ferreira morreu em 05 de janeiro de 2014, com 71 anos.

Eusébio ganhou em 1965 a Bola de Ouro, que então distinguia o melhor futebolista europeu a jogar na Europa, e conquistou duas vezes a Bota de Ouro (1967/68 e 1972/73), prémio para o melhor marcador dos campeonatos nacionais europeus.

No Mundial de 1966, disputado em Inglaterra, foi um dos mais destacados jogadores da competição e o melhor marcador, contribuindo com nove golos para o terceiro lugar de Portugal. In “Notícias ao Minuto” – Portugal com “Lusa”


quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Artistas de Macau expõem na galeria da UCCLA

Encontra-se patente ao público, na galeria da UCCLA, em Lisboa, até 20 de dezembro, uma vibrante exposição coletiva de 25 artistas macaenses, intitulada “Aqui e Agora”, numa linha de contemporaneidade marcada, quase paradoxalmente, pelos longos e longínquos passos da História, de filosofias e de ritos orientais que se entrecruzam com as tradições do Ocidente.



A mostra percorre diversas formas de expressão artística, como a escultura, a pintura e a fotografia, mas sem perder um fio condutor que não só nos transporta, em polícromas moções, para novéis destinos, mas que também nos oferece dons e verdades de Macau, de par com dons e verdades portuguesas, nesses tempos de ontem, como nos de hoje.  

A curadoria pertence a James Chu e a José Drummond.  

Organizada pela UCCLA e pela Art For All Society (AFA), no âmbito do 25.º aniversário do retorno da Região Administrativa Especial de Macau à China, a exposição conta com o patrocínio do Governo da Região Administrativa Especial de Macau e Fundo de Desenvolvimento da Cultura, e foi apoiada pelo Instituto Cultural de Macau, com parceria institucional da Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa dos Observadores Consultivos da CPLP, da Câmara Municipal de Lisboa e do Observatório da China.

Fotografias da exposição “Aqui e Agora”


quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Japão – Pianista portuguesa Maria João Pires distinguida com Praemium Imperiale na área da Música

A pianista portuguesa Maria João Pires foi distinguida, na área da Música, com o Praemium Imperiale, um prémio internacional atribuído pela Associação de Arte do Japão, anunciou a organização.


O Praemium Imperiale reconhece anualmente o contributo internacional de cinco personalidades nas Artes e na Cultura e, na 35ª. edição, uma das artistas premiadas é a pianista portuguesa Maria João Pires.

Além da intérprete portuguesa, este ano o Praemium Imperiale reconhece o percurso artístico da artista plástica francesa Sophie Calle, da escultora colombiana Doris Salcedo, do arquiteto japonês Shigeru Ban e do realizador taiwanês Ang Lee.

Segundo a organização, o prémio tem um valor monetário de 15 milhões de ienes (cerca de 95.000 euros) e será entregue aos cinco laureados numa cerimónia marcada para 19 de novembro, em Tóquio.

Em 1998, o prémio referente à Arquitetura foi atribuído a Álvaro Siza.

Maria João Pires, que completou 80 anos em julho, é a mais internacional e reputada dos pianistas portugueses, com um percurso artístico que remonta a finais dos anos de 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público, aos quatro anos.

Na próxima semana, prepara-se para iniciar uma digressão pela Coreia do Sul, que se estenderá até ao final de outubro, prosseguindo depois com uma dezena de atuações na Europa.

Entre os prémios conquistados pelo talento artístico contam-se o primeiro prémio do concurso internacional Beethoven (1970), o prémio do Conselho Internacional da Música, pertencente à organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, 1970) e o Prémio Pessoa (1989).

Na década de 1970, o seu nome tornou-se recorrente nos programas das principais salas de concerto a nível mundial e nos catálogos das principais editoras de música clássica: a Denon, primeiro, para a qual gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974); a Erato, a seguir, nos anos de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais celebradas interpretações das “Cenas Infantis”, de Schumann; e depois a Deutsche Grammophon, a partir de 1989.

Maria João Pires fundou ainda, em 1999, o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco, um projeto educativo, pedagógico e cultural dedicado à música.

O Praemium Imperiale foi criado em 1988 pela Associação de Arte do Japão para reconhecer “o trabalho excecional” em Pintura, Escultura, Arquitetura, Música e Teatro ou Cinema.

“O prémio homenageia personalidades de todo o mundo que transcendem as fronteiras nacionais e étnicas, dando corpo à cultura e às artes do nosso tempo”, lê-se na página oficial do prémio. In “Comunidade Cultura e Arte” – Portugal com “Lusa”


domingo, 28 de julho de 2024

Moçambique - João Ayres em exposição nas galerias de Maputo

A Associação Kulungwana (Moçambique) e a Associação Zé dos Bois (Portugal) apresentam, em parceria com o Museu Nacional de Arte, o Camões – Centro Cultural Português e o Instituto Guimarães Rosa, em Maputo, Nanquim Preto sobre fundo branco, uma exposição individual do artista João Ayres (1921-2001).


O comunicado de imprensa sobre a exposição avança que a inauguração terá lugar próxima quarta-feira, às 17h30, com início na Galeria Kulungwana, e continuidade nos outros espaços culturais envolvidos, nomeadamente no MUSART, no Instituto Guimarães Rosa e no Camões, onde encerra às 20h30, disponibilizando ao público, na mesma noite, uma visita geral a esta mostra inédita conjunta.

Nanquim preto sobre fundo branco conta com a curadoria de Natxo Checa (Portugal) e Alda Costa (Moçambique), ocupa os quatro espaços parceiros em simultâneo e é composta por um conjunto alargado de pinturas e desenhos, produzidos por João Ayres, entre 1947 e 1970, em Maputo.

A exposição apresenta e propõe olhar para as três primeiras décadas de produção artística de João Ayres, repondo a sua importância histórica e artística como precursor do Modernismo em Moçambique. É um regresso à casa mãe, ao território de produção de obras, cujo carácter apresenta pontos de convergência com as correntes intercontinentais vigentes na época (África do Sul, Brasil, Portugal, Moçambique).

Depois de décadas esquecido, tanto em Moçambique como em Portugal, e após uma primeira bem sucedida mostra em Lisboa (2022/2023), na Galeria Zé dos Bois, onde se expôs pintura e desenho que recolhia a primeira década de produção moçambicana do artista (1946-1957), é chegado o momento de uma apresentação mais alargada da obra de João Ayres, que devolve ao público de Maputo, após mais de 50 anos, a oportunidade de tomar contacto, de fruir e de valorizar o trabalho extraordinário de raiz africana que passa pelo neorrealismo, o concretismo e o expressionismo, ora figurativo ora abstracto.

Ao longo dos quatro momentos/espaços da exposição, pode-se constatar, entre outros: – corpos em esforço e lamento nas contrariedades da condição humana – com destaque para as pinturas do Cais Gorjão nos anos 40; uma série de pinturas e desenhos neoexpressionistas, do início dos anos 50, concebidos para serem mostrados no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a convite do mecenas das artes Ciccillo Matarazzo, e na galeria do Ministério da Educação e Cultura do Rio de Janeiro, a convite de personalidades das artes; uma série de desenhos a tinta-da-china da corrente concretista, em que o artista deixa de representar uma condição que lhe é alheia e passa à abstração pura; uma série de trabalhos produzidos após o regresso de João Ayres do Brasil, em meados da década de 50, até aos anos 70, parte deles da colecção do Museu Nacional de Arte, que variam entre pintura sobre cartão e tinta-da-china sobre papel, onde reconhecemos figuras, corpos, caras, máscaras, cores e formas, que nos remetem indubitavelmente à sua vivência local moçambicana.

A programação complementar a esta exposição é composta por uma sessão de exibição do filme João Ayres, Pintor Independente (2022), de Diogo Varela Silva, por visitas guiadas, entre outras actividades.

A exposição Nanquim preto sobre fundo branco é uma mostra produzida pela Associação Zé dos Bois e a Associação Kulungwana, em parceria com o Museu Nacional de Arte, o Camões – Centro Cultural Português e o Instituto Guimarães Rosa, e conta com o apoio da Direcção-Geral das Artes de Portugal (DGArtes), Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) e da Embaixada da Noruega em Maputo. Tem entrada livre (à excepção do Museu Nacional de Arte, onde se aplicam as condições de acesso em vigor) e fica patente até ao dia 27 de Setembro de 2024.

Sobre João Ayres (1921-2001)

Nasceu em Lisboa, em 1921. Estudou arquitectura na Escola de Belas Artes de Lisboa e Porto.

Em 1944 integra o II salão “Independentes” (exposição colectiva onde, entre outros, participam Fernando Lanhas, Nadir Afonso e Júlio Resende) no Coliseu do Porto, e a exposição Anual da Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa.

Em 1946, João Ayres muda-se para Moçambique, onde se encontrava o pai, o pintor naturalista Frederico Ayres, como professor na Escola Técnica da ex-Lourenço Marques. Em Moçambique exerceu, para além da actividade de pintor, com exposições na África do Sul e Brasil, outras actividades, nos Serviços de Obras Públicas, nos Serviços de Instrução Pública/Ensino Técnico, onde foi professor e, paralelamente, orientou cursos de pintura e desenho no Núcleo de Arte em diferentes períodos, tendo influenciado e contribuído para a formação de artistas como António Bronze, José Júlio, Malangatana, entre outros.

Expõe, pela primeira vez, com o pai, o pintor Frederico Ayres, em 1947. Realiza a sua primeira exposição individual em 1949, promovida pelo Núcleo de Arte, onde expõe as primeiras telas neorrealistas. Continua a expor colectiva e individualmente nos anos que se seguem, destacando-se as exposições individuais no Museu de Arte Moderna de São Paulo (1955); na Voster’s Gallery, em Pretória (1961); no Left Bank Galleries, em Joanesburgo (1965); na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa (1981).

A obra de João Ayres está representada em diversas colecções privadas e públicas, destacando-se a Fundação Calouste Gulbenkian, o Museu Grão Vasco (Viseu), o Museu Nacional de Arte (Maputo), e o Museu de Arte Moderna de São Paulo. In “O País” - Moçambique