Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 21 de março de 2026

Moçambique - Música clássica chega à periferia com novo núcleo no Xipamanine

O ensino de música em orquestras e coros infantojuvenis passa a ter uma nova dinâmica na cidade Maputo. A Associação Kulungwana e o Centro Cultural Municipal Ntsindya, firmaram, esta sexta-feira, uma parceria para expandir a formação destas artes na capital do país através do projecto Xiquitsi.

É o início de uma nova era para o projecto Xiquitsi fora do centro urbano da capital do país. O ensino da arte musical ganha agora um novo espaço, e uma nova forma de fazer.

O bairro de Xipamanine é a nova casa de formação dos petizes, que vão aprender música e também de outras práticas que contribuam para o seu desenvolvimento. 

“E pretendemos com isto devolver aquilo que nasceu nesta mesma casa. Para quem não sabe, esta é uma casa onde se reuniam e continuam a reunir-se, com menos frequência, os citadinos aqui do bairro dos Xipamanine e nós queremos intensificar. Queremos que os nossos meninos venham para aqui não só jogar futebol como já o fazem, não só andar nas ruas, mas que possam entrar aqui com uma motivação, com uma regularidade e com isso afastá-lo de outras actividades menos propícias para as idades dos nossos meninos”, explicou Eldevina Materula, Fundadora do Xiquitsi.

Com esta expansão, o Xiquitsi reafirma o seu propósito de identificar e lapidar talentos em comunidades onde o acesso a instrumentos e formação técnica especializada é tradicionalmente limitado.

“Isto vai permitir que as crianças aqui da zona não precisem de percorrer grandes distâncias. Vai dinamizar aqui a comunidade e vamos oferecer esta oportunidade de ter um ensino de música de qualidade onde vamos ter classe de coro, de percussão e de sopros. E nós pensamos que vamos poder dinamizar também o centro cultural de Cinza”, disse Henny Matos, Directora-executiva da Kulungwana.

Desde a sua fundação, o projecto Xiquitsi tem sido um farol na promoção da música erudita em Moçambique. In “O País” - Moçambique


domingo, 28 de julho de 2024

Moçambique - João Ayres em exposição nas galerias de Maputo

A Associação Kulungwana (Moçambique) e a Associação Zé dos Bois (Portugal) apresentam, em parceria com o Museu Nacional de Arte, o Camões – Centro Cultural Português e o Instituto Guimarães Rosa, em Maputo, Nanquim Preto sobre fundo branco, uma exposição individual do artista João Ayres (1921-2001).


O comunicado de imprensa sobre a exposição avança que a inauguração terá lugar próxima quarta-feira, às 17h30, com início na Galeria Kulungwana, e continuidade nos outros espaços culturais envolvidos, nomeadamente no MUSART, no Instituto Guimarães Rosa e no Camões, onde encerra às 20h30, disponibilizando ao público, na mesma noite, uma visita geral a esta mostra inédita conjunta.

Nanquim preto sobre fundo branco conta com a curadoria de Natxo Checa (Portugal) e Alda Costa (Moçambique), ocupa os quatro espaços parceiros em simultâneo e é composta por um conjunto alargado de pinturas e desenhos, produzidos por João Ayres, entre 1947 e 1970, em Maputo.

A exposição apresenta e propõe olhar para as três primeiras décadas de produção artística de João Ayres, repondo a sua importância histórica e artística como precursor do Modernismo em Moçambique. É um regresso à casa mãe, ao território de produção de obras, cujo carácter apresenta pontos de convergência com as correntes intercontinentais vigentes na época (África do Sul, Brasil, Portugal, Moçambique).

Depois de décadas esquecido, tanto em Moçambique como em Portugal, e após uma primeira bem sucedida mostra em Lisboa (2022/2023), na Galeria Zé dos Bois, onde se expôs pintura e desenho que recolhia a primeira década de produção moçambicana do artista (1946-1957), é chegado o momento de uma apresentação mais alargada da obra de João Ayres, que devolve ao público de Maputo, após mais de 50 anos, a oportunidade de tomar contacto, de fruir e de valorizar o trabalho extraordinário de raiz africana que passa pelo neorrealismo, o concretismo e o expressionismo, ora figurativo ora abstracto.

Ao longo dos quatro momentos/espaços da exposição, pode-se constatar, entre outros: – corpos em esforço e lamento nas contrariedades da condição humana – com destaque para as pinturas do Cais Gorjão nos anos 40; uma série de pinturas e desenhos neoexpressionistas, do início dos anos 50, concebidos para serem mostrados no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a convite do mecenas das artes Ciccillo Matarazzo, e na galeria do Ministério da Educação e Cultura do Rio de Janeiro, a convite de personalidades das artes; uma série de desenhos a tinta-da-china da corrente concretista, em que o artista deixa de representar uma condição que lhe é alheia e passa à abstração pura; uma série de trabalhos produzidos após o regresso de João Ayres do Brasil, em meados da década de 50, até aos anos 70, parte deles da colecção do Museu Nacional de Arte, que variam entre pintura sobre cartão e tinta-da-china sobre papel, onde reconhecemos figuras, corpos, caras, máscaras, cores e formas, que nos remetem indubitavelmente à sua vivência local moçambicana.

A programação complementar a esta exposição é composta por uma sessão de exibição do filme João Ayres, Pintor Independente (2022), de Diogo Varela Silva, por visitas guiadas, entre outras actividades.

A exposição Nanquim preto sobre fundo branco é uma mostra produzida pela Associação Zé dos Bois e a Associação Kulungwana, em parceria com o Museu Nacional de Arte, o Camões – Centro Cultural Português e o Instituto Guimarães Rosa, e conta com o apoio da Direcção-Geral das Artes de Portugal (DGArtes), Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) e da Embaixada da Noruega em Maputo. Tem entrada livre (à excepção do Museu Nacional de Arte, onde se aplicam as condições de acesso em vigor) e fica patente até ao dia 27 de Setembro de 2024.

Sobre João Ayres (1921-2001)

Nasceu em Lisboa, em 1921. Estudou arquitectura na Escola de Belas Artes de Lisboa e Porto.

Em 1944 integra o II salão “Independentes” (exposição colectiva onde, entre outros, participam Fernando Lanhas, Nadir Afonso e Júlio Resende) no Coliseu do Porto, e a exposição Anual da Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa.

Em 1946, João Ayres muda-se para Moçambique, onde se encontrava o pai, o pintor naturalista Frederico Ayres, como professor na Escola Técnica da ex-Lourenço Marques. Em Moçambique exerceu, para além da actividade de pintor, com exposições na África do Sul e Brasil, outras actividades, nos Serviços de Obras Públicas, nos Serviços de Instrução Pública/Ensino Técnico, onde foi professor e, paralelamente, orientou cursos de pintura e desenho no Núcleo de Arte em diferentes períodos, tendo influenciado e contribuído para a formação de artistas como António Bronze, José Júlio, Malangatana, entre outros.

Expõe, pela primeira vez, com o pai, o pintor Frederico Ayres, em 1947. Realiza a sua primeira exposição individual em 1949, promovida pelo Núcleo de Arte, onde expõe as primeiras telas neorrealistas. Continua a expor colectiva e individualmente nos anos que se seguem, destacando-se as exposições individuais no Museu de Arte Moderna de São Paulo (1955); na Voster’s Gallery, em Pretória (1961); no Left Bank Galleries, em Joanesburgo (1965); na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa (1981).

A obra de João Ayres está representada em diversas colecções privadas e públicas, destacando-se a Fundação Calouste Gulbenkian, o Museu Grão Vasco (Viseu), o Museu Nacional de Arte (Maputo), e o Museu de Arte Moderna de São Paulo. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Moçambique - Associação Kulungwana distingue artistas na terceira edição da Gala dos Prémios Mozal Artes e Cultura

A Associação Kulungwana vai organizar no Centro Cultural Moçambique-China, na próxima sexta-feira, a terceira edição da Gala dos Prémios Mozal Artes E Cultura – um dos maiores eventos de premiação no sector das artes e cultura do país.

A atribuição anual dos sete prémios a jovens artistas de sete categorias – Artes Visuais, Cinema e Audiovisuais, Fotografia, Dança, Teatro, Design de Moda e Vestuário e Música – vem prestar reconhecimento por via de uma premiação aos novos talentos de diferentes domínios das artes, assumindo-se como uma marca que destaca os artistas, criadores ou intérpretes – com domínio da sua técnica e expressão, apresentando propostas coerentes, mostrando empenho profissional e pensamento original e inovador – na opinião do júri.

Os prémios têm como objectivo incentivar e divulgar os novos criadores, reforçando o apoio às suas criações e à promoção dos valores da arte contemporânea, com enfoque nos artistas moçambicanos em afirmação, entre os 21 e os 40 anos, residentes no país ou no estrangeiro, que se tenham candidatado com propostas realizadas no exercício da sua actividade, nos 18 meses anteriores à abertura das candidaturas. Assim, portanto, sexta-feira será o dia do anúncio dos vencedores dos prémios que incluem uma distinção monetária individual de 120 000Mts, nas sete distintas modalidades.

No dia 19 de Outubro foram anunciados os nomeados para a edição 2023, uma lista de 19 nomeados no total: Artes visuais – Luís Miguel de Sousa Santos, Jorge Caetano Fernandes, Nuno Silas Fulane; Cinema e audiovisuais – André Bahule, Carlos Noronha, Leia Nhambe; Fotografia – Anésio Manhiça, Elísio Nguenha, Ildefonso Colaço; Dança – Mai Júli Machado, Osvaldo Passirivo; Teatro – Francisco Mário Baloi, Rita Silva Couto; Música – Case Buyakah, James Macamo, Xixel Langa; e Design de moda e vestuário – Amirah Celeste Pinheiro Adam, Alberto Correia Adelino, Elio Gabriel. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 13 de junho de 2023

Moçambique - Associação Kulungwana lança concurso para estimular produção literária das mulheres

A Associação Kulungwana realiza a primeira edição do Concurso Tio Caderno 2023, dedicado, este ano, à literatura. A chamada está aberta até 7 de Julho e é dirigida a jovens mulheres moçambicanas com paixão pela escrita, até aos 35 anos.


O concurso promovido pela Associação Kulungwana acontece em resposta ao convite do espírito de iniciativa dum cidadão benemérito – que se pretende manter anónimo – e que dedicou a sua vida a apoiar os estudos de crianças e jovens moçambicanas. Estas acções fizeram com que, por onde quer que ele passasse – nas localidades, vilas e distritos onde distribuiu materiais didáticos – se tornasse conhecido de todos como Tio Caderno.

O concurso tem periodicidade anual e está aberto a todas as modalidades no domínio das artes e cultura. O mesmo tem como objectivo central incentivar e reforçar o apoio a jovens artistas e criativas moçambicanas, ainda em início de carreira ou com uma carreira individual curta e ainda não consagrada, com um limite de idade de 35 anos.

Paralelamente, o Concurso de Literatura Tio Caderno 2023 pretende também promover a criatividade no âmbito da literatura, sensibilizar o público para as narrativas e imaginário das mulheres autoras e para as temáticas por elas retratadas, estimulando na comunidade o gosto pela leitura.

Os formulários Google Forms para candidatura estarão disponíveis até ao dia 7 de Julho (inclusive) através da ligação nas redes Kulungwana.

Os originais devem ser identificados com título e um pseudónimo do autor e entregues em português no formato digital PDF. O texto deve ter entre 5 e 10 páginas A4, Times New Roman, 12, a espaço e meio.

Três jovens autoras serão seleccionadas e distinguidas por um júri de três elementos, de reconhecida idoneidade e competência técnica, escolhidos pela Associação Kulungwana.

O Concurso Tio Caderno 2023 atribui três prémios, no valor global de 150 mil meticais, sendo que o primeiro classificado ganha 70 mil meticais; o segundo ganha 50 mil e o terceiro 30 mil.

“Com este Prémio, é reforçado o apoio à nova criação e à promoção da jovem mulher criadora artística em diferentes áreas no domínio das Artes e Cultura, sendo em cada ano escolhida uma modalidade diferente, tendo por essa razão um regulamento redigido para cada edição”, lê-se no regulamento. Para a presente edição foi escolhida a literatura, nos géneros do conto e crónica, assente no imaginário local, temática livre, obedecendo aos critérios do presente concurso.

Os trabalhos apresentados deverão ser inéditos. Qualquer plágio será da responsabilidade da participante e motivo de exclusão do concurso.

Os originais devem ser assinados com um pseudónimo do autor e identificados com o título e o pseudónimo.

Os originais deverão ser apresentados no acto de preenchimento do formulário disponível no website e no Facebook do Kulungwana.

O anúncio das vencedoras e a entrega dos prémios irão realizar-se em cerimónia pública, a decorrer em Outubro, em local e data a divulgar nas redes Kulungwana, sendo as concorrentes notificadas em devido tempo. In “O País” - Moçambique




domingo, 7 de maio de 2023

Moçambique - Prémios Mozal Artes e Cultura

A Associação Kulungwana, em parceria com a MOZAL, pretendendo colmatar uma ausência que se fazia sentir, criaram os Prémios MOZAL Arte e Cultura, cuja primeira edição vai decorrer este ano.


Os Prémios MOZAL Artes e Cultura, que abrangem seis distintas modalidades , Artes Plásticas, Cinema e Audiovisual, Dança, Fotografia, Música e Teatro – têm como objectivo incentivar e divulgar os novos criadores, reforçando o apoio às novas criações e à promoção dos valores da arte contemporânea, com enfoque nos artistas moçambicanos em afirmação, residentes no país ou no estrangeiro, que se tenham destacado no exercício da sua actividade.

Segundo o comunicado de imprensa enviado à Moz Entretenimento, os Prémios MOZAL Artes e Cultura são atribuídos aos jovens artistas moçambicanos que tenham sido protagonistas de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística do país, atendendo, nomeadamente, ao rigor e originalidade dos seus trabalhos, durante os doze meses que antecedem a premiação, ou na sequência duma actividade anterior.

O lançamento dos Prémios MOZAL Artes e Cultura decorreu no dia 18 de Abril, na Fortaleza de Maputo e contou com a presença de representantes do Governo, do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, da Mozal e da Associação Kulungwana, representantes de instituições culturais, de criadores e amantes da Cultura e Artes moçambicanas. In “Moz Entretenimento” - Moçambique



segunda-feira, 11 de julho de 2022

Moçambique - “O sortilégio estético” homenageia Victor Sousa


A fim de homenagear, a título póstumo, o artista plástico Victor Sousa, pelos 70 anos de nascimento, está aberta, de 07 a 29 de Julho de 2022, a exposição O sortilégio estético.

As obras que unem na mesma iniciativa a Associação Kulungwana e o Instituto Guimarães Rosa/Centro Cultural Brasil-Moçambique, na verdade, estão repartidas em duas exposições em homenagem ao artista Victor Sousa. Estas exposições retratam a importância deste artista no contexto das artes plásticas moçambicanas.

Lembrado muitas vezes como tendo sido o primeiro professor moçambicano de artes plásticas na Escola Nacional de Artes Visuais, foi também pintor, gravador, ceramista e escultor. Esteve sempre ligado ao Núcleo de Arte e a uma geração de artistas do seu tempo e a novos artistas que passavam frequentemente pelo seu atelier.

Segundo uma nota de imprensa, as obras apresentadas na galeria da Kulungwana, na técnica de monotipia e gravura, pertencem à colecção do Engenheiro Álvaro Henriques, importante coleccionador da arte moçambicana, que começou a coleccionar obras de Victor Sousa no início dos anos 80.

A exposição apresentada no Instituto Guimarães Rosa/Centro Cultural Brasil-Moçambique, pertencentes à família do artista, reúne um conjunto de cerâmicas produzidas entre os anos 80 e 2016. In “O País” - Moçambique