Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 26 de julho de 2026

Açores - Legado do pintor luso-canadiano Miguel Rebelo em exposição em Angra do Heroísmo

O Museu de Angra do Heroísmo, nos Açores, inaugurou no sábado uma exposição do artista luso-canadiano Miguel Rebelo, com peças doadas pelos herdeiros após a sua morte, algumas exibidas pela primeira vez em Portugal


“A sua obra é uma obra dura, martirizada, é uma obra que expressa um sentimento de vivência difícil que ele teve durante o seu período de vida, mas é uma obra que tem uma atualidade muito grande e de excecional qualidade”, afirmou, em declarações à Lusa, o diretor do Museu de Angra do Heroísmo, Jorge Paulus Bruno.

Neto do pintor Domingos Rebelo, natural da ilha de São Miguel, e filho do arquiteto João Correia Rebelo, Miguel Rebelo, que morreu em 2016, com 58 anos, foi um dos artistas açorianos da diáspora com maior reconhecimento.

Com uma obra “marcadamente modernista”, o arquiteto João Correia Rebelo “não foi compreendido no seu tempo” e acabou por emigrar para Montreal, no Canadá, quando Miguel Rebelo tinha apenas 12 anos.

Foi entre Portugal e o Canadá que o pintor desenvolveu “uma linguagem plástica de carácter muito pessoal, marcada pela experimentação, pela intensidade ‘matérica’ e por uma pintura gestual onde a cor, a textura e a memória ocupam um lugar central”, refere uma nota da Direção Regional da Cultura dos Açores sobre a exposição no Museu de Angra do Heroísmo.

“A sua obra afasta-se de fórmulas convencionais e explora uma expressão livre, frequentemente associada ao abstracionismo lírico e ao expressionismo contemporâneo. Críticos e curadores destacam na sua produção a permanente tensão entre a tradição familiar e a procura de uma linguagem autónoma e inovadora”, acrescenta.

Referenciado nos arquivos da National Gallery of Canada, Miguel Rebelo era representado em Portugal pela Galeria 111, uma das mais importantes de arte contemporânea do país (com artistas como Paula Rego e Lourdes Castro, entre muitos outros), e a sua pintura está integrada em coleções públicas e privadas.

Na exposição “Belo Insubmisso”, o Museu de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, expõe cerca de 40 obras de Miguel Rebelo, de um total de 60 doadas pelos herdeiros, após a morte do pintor.

“Foi uma doação muitíssimo importante, que o Museu de Angra, com muito orgulho, acolheu”, porque, sendo um museu açoriano, “o conjunto desta obra vem enriquecer todo o património da arte contemporânea” dos Açores, salientou Jorge Paulus Bruno.

A ligação de Miguel Rebelo à ilha Terceira decorre de duas exposições, em 2005 e 2007, na Carmina Galeria, do artista plástico terceirense Dimas Simas Lopes.

Quando a galeria de arte contemporânea foi doada ao Museu de Angra do Heroísmo, a instituição tentou adquirir cerca de uma dezena de obras de Miguel Rebelo que lá se encontravam e o filho Rapahël doou-as.

“Há dois anos, veio aqui, conheceu o museu, conheceu a Carmina Galaria e ficou convencido de que o destino das obras que estavam em Lisboa deveria ser o Museu de Angra”, revelou Jorge Paulus Bruno.

“É um conjunto de 60 obras notáveis. Deixou algumas à Fundação Calouste Gulbenkian, também, o que engrandece esta doação”, acrescentou.

O diretor do Museu de Angra do Heroísmo frisou que Miguel Rebelo é “um nome grande da arte contemporânea, não só portuguesa, mas acima de tudo internacional”.

O pintor luso-canadiano utilizava uma “linguagem única” para refletir os seus sentimentos nas suas obras. Chegava mesmo a utilizar uma lixadora e a rasgar as suas telas.

“É uma obra que expressa uma angústia do criador. Nem todas as obras de arte expressam sentimentos confortáveis”, ressalvou Jorge Paulus Bruno.

A ideia é corroborada pelo filho do pintor, Rapahël Rebelo, num texto emotivo que escreveu para a inauguração da exposição.

“Embora o seu trabalho seja fruto de uma exigente pesquisa intelectual, as suas emoções transpiram através da pele das suas telas. As cores correspondem à sua alegria de viver e aos períodos felizes da sua existência, o que, para o meu pai, significava quase sempre períodos de amor. Já os cinzentos, os negros e os brancos são o reflexo de um homem que foi entrando progressivamente em depressão e que lutou, durante os últimos dez anos da sua vida — demasiado breve, apenas 58 anos — contra episódios psicóticos e contra as consequências devastadoras de vinte anos de terapêutica antirretroviral para combater o VIH”, adiantou.

Rapahël Rebelo destacou a “enorme coragem” do pai para “viver à margem”, na escola, na carreira e na vida política e amorosa.

“É difícil existir numa sociedade que parece não ter previsto um lugar para nós. É, por isso, a coragem que, antes de mais, retenho da vida do meu pai. Manteve-se de pé contra ventos e marés e entregou-se inteiramente à pintura, apesar dos juízos e das incompreensões que o seu modo de vida inevitavelmente suscitava”, sublinhou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


domingo, 22 de março de 2026

Canadá - Nelly Furtado será homenageada nos Juno Awards

A cantora luso-canadiana Nelly Furtado será integrada no Canadian Music Hall of Fame a 29 de março, durante a 55.ª edição dos Juno Awards, anunciou a organização


A cerimónia dos prémios de música canadiana assinala desta forma mais de duas décadas de carreira da cantora, marcada por êxitos internacionais.

A distinção reconhece o percurso da artista desde o lançamento do álbum de estreia “Whoa, Nelly!” (2000), que a projetou para o panorama global com temas como “I’m Like a Bird”.

Ao longo dos anos, Nelly Furtado consolidou-se como uma das vozes canadianas mais influentes, com sucessos como “Promiscuous” e “Maneater”, conquistando vários prémios Juno, Grammy e Latin Grammy.

Nascida em Victoria, Columbia Britânica (Oeste do Canadá), filha de emigrantes portugueses oriundos dos Açores, Nelly Furtado cresceu num ambiente cultural bilingue que influenciou a sua identidade artística.

A cantora tem, ao longo da carreira, incorporado referências multiculturais e colaborado com artistas de diferentes géneros, do pop ao hip-hop e à música latina.

Durante a transmissão dos Juno Awards, vários artistas canadianos irão prestar homenagem à cantora com um ‘medley’ de temas da sua carreira, incluindo o luso-canadiano Shawn Desman, Alessia Cara, Jully Black e Tanya Tagaq, acompanhados por convidados surpresa.

A direção musical estará a cargo de Herag Sanbalian, colaborador de longa data de Furtado.

A organização anunciou ainda a participação de novos talentos de Toronto, como Sofia Câmara (também luso-canadiana) e Mico, nomeados para a categoria de artista ou grupo revelação do ano, bem como de Cameron Whitcomb.

A cerimónia será apresentada por Mae Martin e contará com a participação de vários apresentadores convidados, incluindo Begonia, Billy Talent, Melanie Fiona e as jogadoras de hóquei olímpico do Canadá Sarah Nurse e Renata Fast.

Parte dos prémios será entregue durante a gala dos Juno Awards, marcada para 28 de março, enquanto a cerimónia principal terá lugar no dia seguinte. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Estados Unidos da América – Guitarrista português Nuno Bettencourt vence Grammy

O guitarrista português Nuno Bettencourt foi um dos vencedores da noite dos prémios Grammy, que decorreu em Los Angeles, ao ser distinguido na categoria de Melhor Atuação Rock pela participação em “Changes (Live from Villa Park)”

A gravação premiada da canção clássica dos Black Sabbath foi feita em julho de 2025, no Reino Unido, durante o concerto de despedida do cantor britânico Ozzy Osbourne. Bettencourt tocou com o cantor Yungblud, o baixista Frank Bello, o teclista Adam Wakeman e o baterista II.

Os vencedores subiram ao palco dos Grammy juntamente com Sharon Osbourne, viúva de Ozzy Osbourne, que estava visivelmente emocionada com a vitória. Yungblud fez o discurso de aceitação e Nuno Bettencourt falou mais tarde aos jornalistas, na sala de entrevistas aos vencedores.

O português nascido na Ilha Terceira, Açores, falou da ascensão da Inteligência Artificial e disse aos músicos aspirantes que não se preocupem com isso, porque nada pode substituir a magia das atuações ao vivo.

"Esta é a maior oportunidade para os rockers e para o rock'n'roll", afirmou. "A música verdadeira e as canções verdadeiras são histórias reais que te tocam, há sangue na partitura, colocas-te nessa partitura e ninguém vai reproduzir isso", continuou.

"A imperfeição é a essência do rock'n'roll. Toda a gente tenta disfarçar as imperfeições, mas é aí que reside a essência", disse. "E, se conseguires fazer isso em palco, que é onde o rock'n'roll realmente acontece, a IA não se vai meter contigo", acrescentou.

Minutos antes, Yungblud tinha usado o discurso de vitória para agradecer a Ozzy Osbourne, que morreu apenas duas semanas depois do concerto "Back to the Beginning", onde a versão premiada de "Changes" foi gravada.

"Crescer a adorar um ídolo que ajudou a encontrar a nossa identidade, não apenas como artista mas também como homem, é algo pelo qual estou muito grato", disse o cantor. "Mas, depois, formar uma relação com ele e honrá-lo no seu último espetáculo, é algo estranho de compreender".

Yungblud prometeu que "a música rock está de volta" e disse que "seis gerações de músicos rock" se juntaram para fazer acontecer a performance em Villa Park, Birmingham.

Nuno Bettencourt, guitarrista da banda Extreme e CEO da Atlantis Entertainment, era um de dois portugueses nomeados para a 68ª edição dos Grammy.

O outro era Bráulio Amado, designer e ilustrador, que foi nomeado na categoria de Melhor 'Recording Package'" pelo trabalho gráfico do álbum "Balloonerism", de Mac Miller, desenvolvido com o artista norte-americano Alim Smith.

O Grammy acabou por ser entregue a Meghan Foley e Michelle Holme, diretores de arte de "Tracks II: The Lost Albums", de Bruce Springsteen. Tiago David – “Agência Lusa”


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Açores - Sul-coreana Innospace escolhe a Região para lançar foguetões

A empresa sul-coreana Innospace selecionou a ilha de Santa Maria, nos Açores, como base para lançar os seus foguetões na Europa. O acordo com o Atlantic Spaceport Consortium é válido até 2030, estando previsto o primeiro voo orbital para o final de 2026, seguido de lançamentos regulares nos anos seguintes a partir do centro de lançamento de Malbusca


“Este contrato está alinhado com a visão do Atlantic Spaceport Consortium para um porto espacial aberto, e somos gratos à Innospace pela confiança depositada”, explicou Bruno Carvalho. “O porto espacial de Malbusca prosperará nos próximos anos e a Innospace certamente liderará o caminho para a órbita, a partir de Santa Maria”, refere o diretor do Atlantic Spaceport Consortium, citado em comunicado.

De acordo com o Eco, com este acordo, a empresa sul-coreana tem acesso prioritário à rampa de lançamento nos Açores (local que se junta ao Brasil e Austrália), o que permite à Innospace operar os seus veículos globalmente. A empresa desenvolveu uma família de foguetões híbrida, o Hanbit, com capacidade de transportar entre 90 a 1300 kg.

“Este acordo representa um marco significativo para a Innospace, pois estabelece o nosso primeiro local de lançamento na Europa, após o Brasil e a Austrália, expandindo a nossa rede global de lançamentos para a região europeia”, destacou Soojong Kim. “Ao conectar locais de lançamento na América do Sul, Oceânia e Europa, construímos uma estrutura global de operações de lançamento que permite aos clientes selecionar, de forma flexível, locais de lançamento e trajetórias orbitais adaptadas aos requisitos de suas missões”, menciona o fundador e CEO da Innospace, em comunicado.

“A decisão da Innospace de realizar lançamentos a partir de Santa Maria é um forte sinal da confiança internacional nas ambições espaciais de Portugal. Este acordo contribui para acelerar o desenvolvimento de serviços de lançamento orbital seguros, sustentáveis ​​e regulamentados a partir dos Açores, criando oportunidades para atividades de elevado valor na região”, explica Ricardo Conde, presidente da Agência Portuguesa Espacial.

Acrescente-se que a ilha de Santa Maria vai acolher o futuro Centro Tecnológico Espacial de Santa Maria (Space Hub Açores).

A referida ilha açoriana foi também o local de aterragem escolhido para o Space Rider (um veículo orbital reutilizável, não tripulado, concebido para missões de curta duração em órbita baixa) cujo voo inaugural está previsto para 2028. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Açores - Catarina Andrade transformou, na Irlanda, a saudade da sua terra em cosmética sustentável

Catarina Nascimento Andrade é a prova viva de como as raízes açorianas podem inspirar grandes projetos. Natural da ilha do Corvo, a mais pequena do arquipélago dos Açores, a jovem abraçou o mundo ao viver na Irlanda durante seis anos. No entanto, o chamamento das suas origens a trouxe de volta a Portugal, onde fundou a Sazorea, uma marca de cosmética sustentável que valoriza os recursos naturais dos Açores. Com dedicação e resiliência, Catarina transformou a saudade em inovação, criando um projeto que não só respeita a essência açoriana, mas também coloca as ilhas no mapa global da cosmética ética. O Bom Dia falou com a jovem empreendedora e partilha agora o seu interessante percurso que a levou a criar a Sazorea, abordando os desafios de empreender em Portugal e as lições aprendidas no regresso às suas origens



Para Catarina, a experiência de crescer na ilha do Corvo foi única, por ter sido uma vivência “tranquila e intimista” num lugar onde todos se conhecem e as relações interpessoais são muito próximas. “O isolamento geográfico do arquipélago faz com que nós, os açorianos, desenvolvêssemos um espírito de resistência, resiliência e autossuficiência, mas também de grande hospitalidade e união comunitária”, afirma Catarina. A ilha, com a sua paz e contacto direto com a natureza, proporcionou-lhe uma sensação de pertença e valores comunitários que marcaram a sua visão de vida e negócio.

O início

A ideia de criar a Sazorea surgiu do desejo de Catarina de representar os Açores e a sua cultura no mercado global da cosmética. O nome, o packaging e os ingredientes (criptoméria japónica, laurus azorica, gerânio, funcho e camellia japonica) da marca foram pensados para refletir a sua “açorianidade” e a proximidade com o mar. “Queria que tudo na marca fosse sobre os Açores, desde o nome, o packaging e os ingredientes”, explica a empreendedora, que viu na sua terra natal uma fonte de inspiração.

A experiência no estrangeiro

Catarina viveu na Irlanda entre 2015 e 2021, uma experiência que, apesar de difícil na adaptação, lhe permitiu ver os Açores sob uma nova perspetiva. “Saí de Portugal porque estava recém-formada e não conseguia encontrar emprego no nosso país”, recorda. Durante os anos na Irlanda, percebeu o valor das suas raízes: “quando estamos longe, aprendemos a valorizar mais o que é nosso”. A açoriana, formada em fisiologia cardíaca, trabalhou em hospitais, mas acabou por se sentir infeliz e desmotivada. Foi nesse momento que notou uma mudança drástica na sua pele, que se tornou seca, sem brilho e desequilibrada. Esse contexto levou-a a estudar cosmética e a criar fórmulas para cuidar da saúde da sua pele. Sem saber, em 2018, começou a dar os primeiros passos para a criação da sua marca.

Entretanto, obteve uma certificação como formuladora orgânica na Formula Botânica, uma escola do Reino Unido. Posteriormente, fez uma pós-graduação em Cosmetologia Avançada e, mais tarde, concluiu um mestrado em Ciências e Dermofarmácia.

Deixar tudo para trás

A perda repentina da sua avó e, um ano depois, do seu avô, fez com que Catarina questionasse toda a sua vida. “Tudo era demasiado breve. Estes acontecimentos devastadores foram a chama que acendeu de novo a minha paixão adormecida, fez perder o medo de sair da zona de conforto e perceber que a vida deveria ser sobre quem queremos ser e seguir a nossa intuição”. Era hora de voltar aos Açores para seguir o seu sonho.

Disciplina e resiliência

Criar a Sazorea não foi tarefa fácil. Catarina teve de conciliar os estudos em cosmética, o trabalho no hospital (na Irlanda) e o desenvolvimento da sua marca, um equilíbrio exigente que a obrigou a desenvolver a sua capacidade de gestão. “Foram tempos muito exigentes e que me obrigaram a ter muita disciplina e resiliência e, acima de tudo, a nunca perder o foco.” Os desafios ao iniciar o negócio foram muitos, incluindo a burocracia e a procura por financiamentos e parceiros. A escolha de ingredientes exclusivamente açorianos também representou um desafio. Catarina procurou produtores locais que pudessem fornecer os extratos naturais desejados, garantindo sempre a sustentabilidade na exploração dos recursos. “Estudando as plantas e percebendo o que poderíamos extrair de cada uma, foi só uma questão de encontrar os produtores que nos pudessem fornecer os extratos que queríamos”, sublinha.

Compromisso com o meio ambiente

A Sazorea é uma marca que coloca a sustentabilidade como um valor central. Catarina explica que o conceito da marca é minimalista, visando evitar o desperdício e concentrar o máximo benefício em cada produto. “Adotamos um conceito minimalista de skincare, que evita o desperdício de produtos e excesso dos mesmos.” Além disso, as embalagens são recicláveis e feitas com materiais reciclados, e a marca ainda colabora com a One Tree Planted, plantando uma árvore para cada produto vendido.

Para a empreendedora, o conceito de “clean beauty” vai além dos produtos: “Somos completamente próximos da nossa comunidade e transparentes sobre os nossos ingredientes e as nossas práticas. A nossa principal preocupação é enfatizar o cuidado com a pele e a saúde.”

Reconhecimento nacional e internacional

O produto mais popular da Sazorea é o sérum regenerador “The Wonder Complexion”, que tem conquistado os consumidores. Catarina e a sua equipa encontram-se a trabalhar em novos produtos. Para já, o feedback dos consumidores tem sido muito positivo: “O feedback que nos chega dos açorianos é de orgulho ao ver uma marca de skincare ter origem nas ilhas e estar a fazer sucesso nacional e também já internacional.”

Próximos passos

Os próximos passos para a Sazorea incluem afirmar-se no mercado de cosmética de nicho em Portugal e consolidar a sua expansão internacional. Catarina acredita que a marca pode tornar-se um “símbolo dos Açores” no mundo, associando o nome da marca à identidade açoriana. “Gostava muito que ficasse na história como a marca mais internacional com origem nos Açores”, assume.

Inspiração e conselhos

A jovem encontra inspiração nos Açores e nos seus avós, que sempre lhe incutiram os valores de autenticidade, transparência e superação. “Os meus avós sempre me fizeram acreditar que somos capazes de criar a nossa própria história.” Para aqueles que desejam empreender, especialmente aqueles ligados às suas raízes, Catarina deixa um conselho claro: “Se em algum momento tiverem uma ideia da qual não conseguem desistir de pensar, para seguirem o vosso instinto. Deus não coloca sonhos na nossa vida que não consigamos realizar.” A açoriana reforça ainda que, apesar das dificuldades e dos momentos solitários, o mais importante é manter o foco no objetivo e nunca desistir. “Se queremos viver o melhor do negócio, é com o pior que nos moldamos.”

Para a comunidade portuguesa no estrangeiro que pensa em voltar às suas origens para empreender, Catarina deixa uma mensagem de confiança. “Que o façam. Em Portugal temos capacidade para criar, inovar e produzir com qualidade.” O exemplo de Catarina é um testemunho de como as raízes podem ser uma fonte poderosa de inspiração para quem deseja criar algo único e bem-sucedido. Fabiana Bravo – Portugal in “Bom dia Europa”


quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Macau - Luís Mesquita de Melo apresenta o seu romance de estreia, “Nas Esquinas do Olhar”

A Livraria Portuguesa será palco da apresentação do primeiro romance de Luís Mesquita de Melo, intitulado “Nas Esquinas do Olhar”. O autor, natural da Horta, nos Açores, partilhará com os presentes a sua obra que entrelaça histórias de vida em Macau, Vietname e Açores, explorando temas como o amor, a luta pela sobrevivência e os desafios da dualidade cultural



No próximo sábado, 14, às 18h, a Livraria Portuguesa receberá a apresentação de “Nas esquinas do olhar”, o primeiro romance de Luís Mesquita de Melo. O autor propõe uma narrativa que se desdobra em diferentes geografias e culturas e que reflecte os seus mais de 22 anos de trabalho em Macau. “A minha ligação a Macau são 22 anos de trabalho. Cheguei a primeira vez em 1990 para trabalhar no então Gabinete para a Modernização Legislativa”, relatou o autor, em declarações ao Ponto Final. “Em 2005 fui convidado a voltar para Macau para trabalhar no Grupo Las Vegas Sands onde fui associate general counsel e depois general counsel e administrador-delegado e vice- presidente executivo”, detalhou.

A obra “Nas Esquinas do Olhar” apresenta uma narrativa que conecta os Açores, Macau e o Vietname, reflectindo experiências pessoais do autor. “Este livro, que é um romance, parte dos Açores, onde nasci e cresci, e acaba nos Açores, passando por Macau e o Vietname”, explica. A história traça o encontro casual entre uma jovem vietnamita e um jovem advogado em Macau, revelando o lado mais obscuro do universo dos casinos. “Ele, que vive na encruzilhada de Álvaro de Campos e Ricardo Reis, queria ser um navegador romântico e acaba sendo enredado na aridez do Direito”, descreveu Mesquita de Melo. Já ela “queria ser bailarina e acaba sendo aliciada, sem o saber, para a prostituição ligada aos casinos em Macau por um bate-fichas sem escrúpulos.”

“É uma parte muito significativa da minha vida já que é simplesmente o sítio onde vivi e trabalhei mais tempo”, reflectiu o autor sobre a influência que o território teve na sua vida. A vivência de Luís Mesquita de Melo moldou a sua identidade e a sua escrita, levando-o a expressar a complexidade das relações humanas e culturais na sua obra. “Macau ensinou-me a viver com diferentes culturas, a ser tolerante e a aprender sempre, com todos, mesmo quando parece que outras formas de ver a vida não fazem sentido”.

O autor, que actualmente vive permanentemente no Vietname desde 2020, destacou como Macau e o Oriente mudaram o seu percurso profissional e pessoal. “O fascínio do Oriente cresceu em mim muito depressa e mudou completamente o que poderia ter sido o meu trajecto profissional se tivesse ficado em Portugal”, confessou. “Sinto que os amigos de Macau, as influências literárias, culturais, a comida, até o mar do Sul da China, desenham a maior parte da minha vida”, assinalou.

“Nas esquinas do olhar” é um convite a reflectir sobre a vida, as escolhas e a busca por identidade num mundo em constante mudança. Este evento marca não só o lançamento de uma nova obra literária sobre um tema que, para Mesquita de Melo “atrai mais do que o brilho do ouro e dos néons”, como também o culminar do percurso do autor, de advogado a romancista. Guiomar Salema – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Cabo Verde - Integra programa da União Europeia para promoção de turismo local

O Instituto do Património Cultural de Cabo Verde vai ser integrado num programa europeu que junta as regiões autónomas dos Açores, Madeira e Canárias para promoção de turismo ligado às tradições locais. O projecto Renaturmac integra acções de valorização e promoção do património local em sintonia com as comunidades


O Instituto do Património Cultural (IPC) de Cabo Verde vai ser integrado num programa europeu que junta as regiões autónomas dos Açores, Madeira e Canárias (Espanha) para promoção de turismo ligado às tradições locais, anunciou ontem a instituição.

O projecto Renaturmac reúne diversas regiões da Macaronésia e “integra acções de valorização e promoção do património local em sintonia com as comunidades”, explicou o IPC em comunicado.

A colaboração com as Ilhas Canárias, Açores e Madeira “fomentará o intercâmbio de boas práticas e a implementação de acções conjuntas para a preservação e promoção da identidade cultural e histórica do arquipélago”, indicou.

Segundo o IPC, “a participação de Cabo Verde neste projeto marca um avanço significativo na valorização do património nacional e no turismo sustentável, trazendo benefícios diretos às comunidades locais”.

Cabo Verde receberá um financiamento de 45.000 euros para capacitação das comunidades do Parque Natural de Serra Malagueta, uma das principais zonas montanhosas da ilha de Santiago, que chega a mais de mil metros de altitude.

O objectivo passa por valorizar “a medicina tradicional e o artesanato, incentivando o uso sustentável dos recursos do parque e a identificação de valores patrimoniais e turísticos com potencial de desenvolvimento”.

O IPC é um dos beneficiários do Projecto Renarturmac, iniciativa da União Europeia (UE) no quadro do programa Interreg MAC 2021-2027, que visa a valorização e conservação do património natural e cultural das ilhas da Macaronésia. Os arquipélagos têm procurado unir esforços em busca de fundos europeus para o desenvolvimento.

Numa conferência de imprensa, após a III Cimeira da Macaronésia, realizada na quinta-feira, na ilha canária de Lanzarote, os presidentes das Canárias, Fernando Clavijo, e da Madeira, Miguel Albuquerque, o vice-presidente dos Açores, Artur Manuel Leal, e o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Alberto Rui de Figueiredo, afirmaram ter retirado da reunião “um roteiro claro” para os próximos anos.

Assim, segundo Clavijo, há um foco no “reforçar o papel geoestratégico destes arquipélagos e afirmar a importância que podem ter, tanto para a União Europeia como para os continentes africano e americano”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


domingo, 3 de novembro de 2024

Açores - Portugueses emigram para a Bermuda há 175 anos

O presidente do Governo dos Açores iniciou esta sexta-feira uma visita de cinco dias à Bermuda que assinala os 175 anos de emigração açoriana para o território e onde o executivo quer fortalecer laços e projetar as potencialidades da região


“Além de prestar homenagem ao legado açoriano nas Bermuda, esta visita representa uma oportunidade única para o Governo dos Açores projetar as potencialidades da região”, adianta uma nota de imprensa divulgada pelo Governo açoriano.
A visita do chefe do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, decorre até dia 5 de novembro.
Ao longo da deslocação, o executivo açoriano pretende “fortalecer as relações com o Governo da Bermuda, explorando novas possibilidades de cooperação científica e tecnológica, através do desenvolvimento sustentável”, lê-se na nota.
As Bermudas foram o terceiro grande destino da emigração açoriana, a partir de 1849. 
Durante a visita o presidente do Governo Regional irá encontrar-se com a Governadora da Bermuda, Rena Lalgie, e visitará a Galeria dos Açores, no Museu Nacional da Bermuda, onde irá conhecer uma coleção que retrata a história açoriana e a sua influência na cultura local.
O programa inclui ainda uma receção organizada pela Casa dos Açores da Bermuda, que visa promover a cultura açoriana na comunidade e proporcionar um convívio com membros da diáspora açoriana e portuguesa, informa o executivo. 
José Manuel Bolieiro terá também um encontro com o primeiro-ministro da Bermuda, E. David Burt, acompanhado pelo vice-primeiro-ministro, Walter H. Roban, e pelo ministro dos Transportes, Wayne L. Furbert.
Esta visita pretende “reforçar a centralidade atlântica dos Açores”, de acordo com o executivo regional, que assinala o propósito de “novas sinergias” no domínio da ciência, investigação e inovação. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Açores - Investigadores da Universidade de Coimbra estudam a diversidade de larvas de peixes nas Reservas da Biosfera da Região

Partindo de um projeto focado nas reservas da Biosfera de Portugal, uma equipa de investigadores do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) dedicou-se a explorar a diversidade de larvas de peixe costeiras na região dos Açores.


Até então, existia uma ausência significativa de conhecimento sobre estas larvas, levando à necessidade de um aprofundamento do tema. O projeto “Fish larvae in the Azores islands - structure, dynamics and biodiversity in Northeast Atlantic UNESCO biosphere reserves”, financiado pela Fundação PADI (EUA), centrou-se especificamente nas quatro ilhas dos Açores classificadas como Reservas da Biosfera: Corvo, Flores, Graciosa e São Jorge.

Com o objetivo de obter um conhecimento mais profundo sobre as comunidades de larvas de peixe existentes junto à costa destas ilhas, os investigadores da FCTUC realizaram dois anos de investigação intensiva. «Identificámos 38 espécies diferentes, pertencentes a 27 famílias distintas e notamos uma maior abundância de espécies nas ilhas do Corvo e das Flores, embora as variações observadas possam ter sido influenciadas pelos diferentes anos de amostragem», revela Filipe Martinho, investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE) e coordenador do projeto.

«Foi um grande desafio, uma vez que muitas das espécies identificadas eram desconhecidas e, portanto, o projeto integrou análises de ADN para ajudar na determinação das espécies», refere a bióloga Milene Guerreiro, acrescentando que as condições meteorológicas também se mostraram desafiadoras.

De acordo com a equipa de investigadores, algumas destas larvas, com tamanhos reduzidos de apenas 3 milímetros, foram muito difíceis de identificar devido à escassez de guias de investigação. «Estes organismos foram recolhidos através de uma rede puxada por uma embarcação, concentrando as amostras de água do mar. A identificação é feita tanto visualmente, com ajuda de uma lupa, como através de análises de ADN, o que permitiu registar a presença de larvas de peixes que não estavam ainda referenciadas naquelas ilhas», explica Ana Lígia Primo. Entre as espécies analisadas encontram-se o Carapau-Negrão, o Sarrajão, Peixe Galo e o Mero.

«Este projeto não só contribuiu para o conhecimento da biodiversidade marinha, como também vem ajudar a complementar os guias sobre as larvas de peixe, dando a conhecer uma parte da vida marinha que passa despercebida para a maioria das pessoas. A investigação representa um avanço significativo no conhecimento das larvas de peixe, mas também na proteção das Reservas da Biosfera nos Açores», finalizam.

Para além de Filipe Martinho, Ana Lígia Primo e Milene Guerreiro, participaram nesta investigação Miguel Pardal, Filipe Costa, Manuel Rodrigues, investigadores do DCV, e ainda Ana Veríssimo, investigadora do CIBIO & BIOPOLIS. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Vida dos açorianos que se destacaram cá fora agora em livro

O livro “Conversas da Diáspora – 50 açorianos pelo mundo”, reunindo 50 entrevistas biográficas com personalidades que nasceram nos Açores e se afirmaram na diáspora, é lançado nas seis cidades do arquipélago, de 26 de fevereiro a 02 de março


Organizado pelo diretor regional das Comunidades, José Andrade, a publicação junta entrevistas a 35 homens e 15 mulheres, entre os 32 e os 86 anos de idade, que se notabilizaram na Educação (13), na Economia (9), na Política (8), na Cultura (8), no Social (8) ou na Diplomacia (4) dos seus países de acolhimento, “mantendo sempre os seus Açores na saudade do seu coração”, descreve um comunicado divulgado sobre a publicação.

A obra tem 560 páginas e foi editada pela Letras Lavadas, numa iniciativa da Direção Regional das Comunidades.

O lançamento acontece em seis sessões em seis cidades durante seis dias: Ponta Delgada (26 de fevereiro), Ribeira Grande (27 de fevereiro), Lagoa (28 de fevereiro), Horta (29 de fevereiro), Angra do Heroísmo (01 de março) e Praia da Vitória (02 de março).

“São 50, mas podiam ser 50 000”, assinala José Andrade na abertura deste livro, referindo “os interessantes” percursos de vida apresentados, que “resumem e assumem a determinação dos açorianos, a projeção dos Açores e a dimensão da Açorianidade”

As entrevistas foram feitas através das redes sociais durante 2023.

Os 50 entrevistados nasceram em Santa Maria (1), São Miguel (23), Terceira (10), Graciosa (1), São Jorge (4), Pico (5), Faial (4), Flores (1) e Corvo (1) e vivem nos Estados Unidos da América (28), no Canadá (10), no Brasil (4) e na Bermuda (1), mas também na Arábia Saudita (1), nos Camarões (1), na Costa do Marfim (1), na Dinamarca (1), na Noruega (1), em Timor-Leste (1) e no Vietname (1).

Os entrevistados dos Estados Unidos residem nos estados da Califórnia (12), Massachusetts (7), Rhode Island (6), Indiana (2) e Connecticut (1), enquanto os do Canadá vivem nas províncias de Ontário (5), Quebeque (3), Columbia Britânica (1) e Manitoba (1). Os quatro entrevistados do Brasil estão radicados nos estados de Rio de Janeiro (2), São Paulo (1) e Rio Grande do Norte (1).

“Conversas da Diáspora – 50 açorianos pelo mundo” reúne entrevistas com Al Pinheiro, Ana Lopes, Andrea Moniz-DeSouza, Ângelo Garcia, Batista Vieira, Conceição Flores, Diniz Borges, Duarte Miranda, Dulce Maria Scott e Durval Terceira, assim como Eduardo Borba da Silva, Francisco Cota Fagundes, Francisco Resendes, Frank Souza, Idalina Gonçalves, Irene Blayer e Isidro Menezes.

O livro inclui igualmente entrevistas com Jácome Armas, João de Brito, João Luís Pacheco, John Correia, Jorge Ferreira, José António Morais, José Avelino Bettencourt, José Carlos Teixeira, José Francisco Costa, Luís Mesquita de Melo e Luís Miranda, além de Manuel Bettencourt, Manuel de Medeiros, Manuel Eduardo Vieira, Manuela Bairos, Marc Dennis, Márcia Sousa da Ponte, Maria Hortência Silveira, Maria João Dodman, Maria Lawton, Mário Silva e Mary Alsheikh.

Nellie Pedro, Nuno Moniz, Onésimo Teotónio Almeida, Paulo Jorge Cabral, Renata Rodrigues e Richard Machado são outras personalidades entrevistadas neste livro, a par de Sara Freitas, Tiago Domingues, Tony Cabral, Tony Goulart e Victor Santos.

Para o autor, citado na nota de imprensa, “esta homenagem a alguns dos mais notáveis é também extensiva a tantos outros menos notados, porque todos honram o bom nome dos Açores onde quer que se encontrem.”

José Andrade escolheu os convidados e conduziu as entrevistas, enquanto Davide Lopes, coordenador do Núcleo de Apoio às Comunidades, transcreveu as entrevistas e coordenou a equipa de produção técnica constituída por Elisa Costa, Raquel Rodrigues e Sofia Silva, técnicas superiores da Direção Regional das Comunidades, como se lê na nota de imprensa.

Nas seis sessões de apresentação do livro “Conversas da Diáspora – 50 açorianos pelo mundo” estará igualmente disponível o livro “Transatlântico II – Açorianidade & Interculturalidade”, da autoria de José Andrade, lançado em janeiro, em Ponta Delgada, simbolizando os três maiores destinos da emigração açoriana, respetivamente, Brasil, Estados Unidos da América e Canadá.

Este livro é o 30.º título da bibliografia de José Andrade, que inclui outras obras da mesma temática também editadas pela Letras Lavadas, como “Açores no Mundo”, publicado em 2015 com prefácio de Marcelo Rebelo de Sousa, e “Transatlântico – As Migrações nos Açores”, lançado em 2023 e prefaciado por José Manuel Bolieiro.

As seis sessões de apresentação do livro “Conversas da Diáspora – 50 açorianos pelo mundo”, iniciam-se às 18h00 locais (19h00 em Lisboa) e são de entrada livre.

Nas apresentações será exibido um filme de 30 minutos que sintetiza as 50 entrevistas biográficas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Açores - Delta lança primeiro café português produzido no arquipélago

A Delta lançou hoje o primeiro café português totalmente produzido nos Açores, um arquipélago que tem “condições muito propícias” para ter uma produção de “extrema qualidade”, segundo revelou o presidente executivo do grupo.


“O mais especial de tudo é tornar o impossível em possível. A Europa não tem condições climáticas e de terreno para produzir café. Aquilo que nós chamámos-lhe foi de ‘Impossible Coffee [Café Impossível]”, afirmou Rui Miguel Nabeiro em declarações à agência Lusa.

E acrescentou: “A Europa, sendo um dos maiores consumidores, não produzia café e agora tornou-se possível produzir café na Europa, em particular em Portugal e nos Açores”.

A Delta Cafés anunciou hoje em Lisboa o lançamento do lote de café dos Açores, que resultou de uma parceria entre o Governo dos Açores e a Associação de Produtores Açorianos de Café, que vai estar disponível nas lojas “Delta The Coffee House Experience”.

O diretor executivo do grupo lembrou que o “sonho” de produzir café em Portugal começou em 2018, aquando da entrada da empresa na International Coffee Partners.

Naquele ano, a Delta teve conhecimento da existência de pequenos produtores de café nos Açores e no ano seguinte promoveu um estudo para “perceber quais as espécies de café” mais propícias ao clima açoriano, uma investigação que resultou num relatório entregue ao executivo regional.

“Nestes últimos quatro anos, temos vindo a apoiar todos os pequenos produtores de café nos Açores. Nesta altura, como já há algum café, acabamos por conseguir, comercialmente, lançar um lote com 100% café português, 100% café dos Açores”, salientou.

O café agora disponibilizado é de espécie arábica, mas Rui Miguel Nabeiro destaca que as ilhas açorianas têm condições para produzir outros tipos de café.

“Os Açores têm um clima muito propício. É um clima muito húmido, com chuvas constantes e temperatura amena. A própria terra vulcânica, que pensaríamos que poderia dificultar a plantação, acaba por ter, ao fim desses últimos quatro anos de estudos, condições ótimas para a produção de pelo menos seis espécies de café”, afirmou.

O diretor executivo da Delta realça, contudo, que ainda existe “muito caminho a percorrer” para “estimular a produção de café” no arquipélago.

“O café que se vai produzir nos Açores é um café de especialidade, com um sabor muito próprio, com uma qualidade extremamente alta. Não vai haver grandes volumes, mas sobretudo um café muito, muito bom”, vincou.

Na cerimónia de apresentação, o presidente do Governo dos Açores considerou a Delta como o “parceiro ideal” para aumentar a produção de café na região.

“Estamos a fazer história (…). Vamos fazer de Portugal um país de produção de excelência no café”, assinalou José Manuel Bolieiro.

O líder regional defendeu que os Açores devem apostar na “excelência” e na “dimensão do valor acrescentado”, em detrimento da produção em “quantidade”.

“O lançamento do café dos Açores honra a região, mas não representa um fim, antes o começo de uma nova etapa. Valorizo, enquanto presidente do Governo Regional e enquanto açoriano, o trabalho desenvolvido em parceria com a Delta”, afirmou Bolieiro. In “Executive Digest” – Portugal com “Lusa”


domingo, 8 de outubro de 2023

Natália, entre dois extremos

A criação literária de Natália Correia possui duas componentes fundamentais: o pendor lírico, ao aprofundar os sentimentos mais íntimos, e a sátira escaldante e corrosiva para ajuste de contas com poetas, escritores, artistas, políticos e outras pessoas que detestava. (Texto publicado originalmente na revista Tempo Livre edição de 4 de Outubro, 2023, Lisboa.)


Natália Correia pertenceu ao reduzido número de mulheres que basta só dizer um nome para as identificar na amplitude da sua criação literária e artística e na singularidade da sua dimensão humana – Natália, Sophia, Vieira (da Silva), Agustina, Amália. Nasceu nos Açores na ilha de São Miguel, na Fajã de Baixo, uma freguesia do interior, próximo de Ponta Delgada. Pai e mãe entraram em rutura quando Natália tinha alguns meses. O pai emigrou para o Brasil.

A mãe de Natália, a professora primária Maria José Oliveira formara-se no ideário cívico e cultural da I República, adotando princípios laicos e tendências libertárias, o que era raro na época e, ainda, muito mais raro nos Açores. Além do exercício do magistério, colaborou em jornais e revistas. Mas, desde sempre, preocupou-se com a educação das filhas, incutindo-lhes os valores da democracia e a aproximação com a modernidade. Radicou-se, em 1934, definitivamente, em Lisboa. Quis dar às filhas – para triunfarem na vida – as oportunidades que não existiam nos Açores.

Natália ganhou notoriedade nos anos 40. Conciliou o jornalismo, a literatura e a política. Aderiu à oposição democrática; teve programas no Rádio Clube Português, escreveu em jornais e revistas. Assinou, em 1945, as listas do MUD. Todavia, ao contrário da maioria dos jovens intelectuais e políticos da sua geração – caso Mário Soares, Salgado Zenha – não ingressou no MUD Juvenil, dominado pelo Partido Comunista.

Os primórdios literários de Natália Correia refletem aspetos genéricos do neorrealismo. O romance Anoiteceu no Bairro e o livro de versos Rio de Nuvens são dois exemplos. Demarcou-se, todavia, deste movimento literário e político, nos anos 50. Seguiu outro caminho que prosseguiu, com variantes óbvias. Passou a ficar próxima do surrealismo.

Manteve relações pessoais e literárias com Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas, Alexandre O’Neill, Manuel de Lima e Mário Henrique Leiria. Acrescente-se Luís Pacheco, editor dos surrealistas e de livros de poesia de Natália, desta segunda fase: Dimensão Encontrada (1957), Passaporte (1958) e Comunicação (1959). É um documento humano repleto de inquietações e de perplexidades. Já o Canto do País Emerso (1961) constitui a transição para o combate político.

Publicou, com êxito, muitos outros livros de poesia, de ficção, de teatro, de ensaio e de crónicas ocasionais. Se a identificação de Natália Correia com Lisboa foi muito intensa, o vínculo com os Açores foi igualmente profundo. Não Percas a Rosa, um dos seus livros mais famosos, regista as reminiscências visuais, auditivas e gustativas que remontavam à infância e ao começo da adolescência, na ilha de São Miguel.

Na linhagem das Cantigas de Escárnio e Maldizer, concebeu as Cantigas de Risadilha. Para enfrentar todos os poderes e todos os convencionalismos. Ficaram célebres os versos para arrasar o deputado do CDS, João Morgado quando se pronunciou, na Assembleia da República, acerca da legislação sobre o aborto. Morgado disse categoricamente: «o ato sexual é para fazer filhos». Natália, deputada do PSD, não se conteve e fez, de um jato, um poema que saiu na íntegra no dia seguinte, no Diário de Lisboa.

Natália declamou com a maior ênfase: «Já que o coito – diz Morgado –/ tem como fim cristalino,/ preciso e imaculado/ fazer menina ou menino;/ e cada vez que o varão/ sexual petisco manduca,/ temos na procriação/ prova de que houve truca-truca./ Sendo pai só de um rebento, / lógica é a conclusão/ de que o viril instrumento/só usou–parca ração!–/uma vez. E se a função/ faz o órgão – diz o ditado –/ consumada essa exceção,/ ficou capado o Morgado!»

Lisboa era a sua cidade adotiva. Juntamente com o marido Alfredo Machado e com a escultora Isabel Meyrelles criou, em 1971, uma sociedade para instalar um bar, restaurante/café-concerto, no largo da Graça, no rés-do-chão da Vila Souza, um edifício histórico do bairro. Ficou a chamar-se o Botequim. Evocava a tradição literária, política e boémia, que remontava aos primeiros cafés de Lisboa, do século XVIII, ao tempo de Bocage e aos antecedentes da revolução liberal e da independência do Brasil.

Encontrava-se Natália envolvida, em 1971, em controvérsias políticas e literárias que deram brado em todo o País. Desencadeara no consulado de Salazar e na «primavera marcelista» duas ruidosas polémicas que a levaram à barra do Tribunal Plenário de Lisboa. O primeiro processo motivado pela introdução e coordenação da Antologia da Poesia Erótica e Satírica (1965). O segundo processo devido à responsabilidade editorial das Novas Cartas Portuguesas (1972) da autoria de Maria Velho da Costa, Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno. Ambos os livros foram objeto do alarme da Censura e da imediata apreensão da PIDE. Foi julgada e condenada, ao cabo de nove anos de guerrilhas judiciais. O 25 de Abril determinou o ponto final.

Em torno de Natália, o Botequim concentrou todas as noites, poetas, escritores e artistas das mais variadas tendências. Políticos de todos os quadrantes. Deputados, ministros (alguns futuros presidentes da República). Diplomatas portugueses e estrangeiros. Espiões nacionais e internacionais para se inteirarem dos bastidores do processo revolucionário e contrarrevolucionário. Representantes da FLAD, o movimento da independência dos Açores.

Durante mais de 20 anos a irradiação magnética de Natália proporcionou essa atmosfera irrepetível que Fernando Dacosta recriou no seu livro O Botequim da Liberdade (2013). Outra obra de referência obrigatória é a Fotobiografia de Natália (2006) da autoria de Ana Paula Costa. Recentemente, surgiu a biografia romanceada por Filipa Martins e com o título expressivo O Dever de Deslumbrar.

Trinta anos depois da morte e ao comemorar-se a 13 de setembro o centenário do nascimento, o legado cultural de Natália Correia perdura. Celebrou a vida como expressão de euforia, de afirmação de coragem pessoal e cívica, de rebeldia aparatosa, de inconformismo colérico. A sua poesia é sempre dominada por dois extremos: a confidência lírica e o sarcasmo feroz: a riqueza metafórica, o jogo dos paradoxos, o luxo ornamental, a exuberância do barroco e a interpelação simbólica. Uma Natália ávida de todas as experiências visíveis e invisíveis, em partilha contínua do profano com o sagrado. António Valdemar – Portugal in “Blog de São João del-Rei”

António Valdemar – Jornalista, carteira profissional número UM e investigador, sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa e sócio correspondente português para a ABL-Academia Brasileira de Letras-cadeira nº 3.

Do mesmo autor:

Cem anos de Natália Correia: a criação literária e a intervenção política de uma mulher única


sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Açores - Vai candidatar o queijo São Jorge DOP a património da UNESCO

O Governo dos Açores vai iniciar o processo de candidatura do queijo de São Jorge DOP (Denominação de Origem Protegida) a Património Imaterial Mundial da UNESCO, para valorizar o produto, disse hoje o secretário Regional da Agricultura.

Segundo António Ventura, a intenção justifica-se porque o executivo açoriano considera que o queijo São Jorge DOP “é um queijo que tem que ganhar uma nova qualificação mundial”.

“Tendo em conta aquilo que é uma agricultura genuína em São Jorge, porque não há alteração do método de produção [do queijo], no modo como se obtém o leite e no modo como se transforma o leite – é, de facto, uma especificidade que tem 400 anos -, interessa que passe acima de DOP, tenha uma qualificação, um atributo, que o reconheça, novamente, a nível mundial”, justificou.

O secretário Regional da Agricultura, que falava aos jornalistas, à margem da visita estatutária do executivo regional a São Jorge, referiu que, pelas razões referidas, o executivo açoriano irá “avançar com uma candidatura do queijo São Jorge DOP para Património Imaterial Mundial da UNESCO”.

“Isto [a candidatura] irá potenciar um dos bilhetes de identidade dos Açores e irá potenciar os nossos agroalimentos”, vincou.

O titular da pasta da agricultura açoriana explicou que a candidatura a submeter à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) abrange “o saber fazer” relacionado com todo o processo de fabrico do queijo de São Jorge, “em que não há alteração desde a sua origem, desde os povoadores, até agora”.

Na sua opinião, o queijo de São Jorge “posiciona-se muito bem para que o seu processo de saber fazer tenha este galardão”.

O Governo dos Açores vai criar uma comissão técnica que irá preparar a candidatura, um processo que “poderá demorar de um ano a dois anos”.

António Ventura explicou que será aproveitado o historial do queijo, que já foi construído no âmbito da candidatura DOP.

A candidatura envolverá o Governo Regional, as autarquias, os produtores e a Federação Agrícola dos Açores.

Se a iniciativa for bem sucedida, o governante vaticina que trará “uma nova afirmação” do queijo São Jorge no mercado e uma “nova sensibilidade” para o consumidor, dado que o produto “é único” e tem “uma história e um saber fazer”.

Existem atualmente 210 produtores de leite em São Jorge.

A produção de leite tem diminuído nos últimos anos, por isso, António Ventura admite que a eventual classificação mundial do queijo DOP poderá “trazer um novo impulso para a produção de leite” na ilha.

O queijo São Jorge DOP é um produto tradicional e muito apreciado, obtido a partir de leite de vaca cru.

O início da produção do queijo São Jorge DOP remonta ao século XV e ao início do povoamento da ilha.

O seu fabrico foi incentivado pela comunidade flamenga, experientes produtores de bens alimentares como a carne, o leite e os seus derivados.

Produzido exclusivamente na ilha de São Jorge desde que esta foi descoberta (século XV), deve a sua especificidade às características dos pastos abundantes nas zonas de média e elevada altitude, “além da perícia e dos saberes dos queijeiros jorgenses”. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


terça-feira, 4 de julho de 2023

Açores - Livro sobre crise sismovulcânica será lançado em Velas


A Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo (CEMAH) promove, sexta-feira, em Velas, o lançamento do livro “A Terra Tremeu em São Jorge – 1964”, da autoria de Carlos Enes, foi anunciado.

Em nota de imprensa enviada às redações, a instituição sublinha que a crise sismovulcânica de 1964 na ilha de São Jorge “foi um acontecimento marcante na vida dos jorgenses, pelo que recordar esta parte da história, com o maior rigor, antes que se perca, com o passar dos anos e com o fim daqueles que a viveram, é algo que urge assegurar”.

O lançamento da obra contará com a presença de Carlos Enes, investigador da história açoriana, e vai ocorrer pelas 17:00 locais de sexta-feira (18:00 em Lisboa) no balcão de Velas da Caixa Económica da Misericórdia. In “Jornal Açores 9” - Açores


 

Açores - Planador lançado na ilha do Faial vai mapear o oceano Atlântico

Um planador de investigação foi lançado na ilha do Faial, nos Açores, no domingo (25), visando mapear o oceano Atlântico, anunciou o Okeanos – Instituto de Investigação em Ciências do Mar, com sede na Horta


De acordo com o Okeanos, o lançamento surge no âmbito do projeto Mission Atlantic, financiado pela União Europeia através do Horizonte 2020.

O projeto, segundo uma nota de imprensa, tem como “objetivos principais mapear e avaliar o estado presente e futuro dos ecossistemas marinhos do Atlântico sob a influência das alterações climáticas e exploração humana”.

Pretende-se “identificar riscos e pressões nos ecossistemas do oceano Atlântico, para apoiar o desenvolvimento de estratégias de gestão que irão garantir o uso sustentável dos recursos marinhos e a preservação da biodiversidade marinha para as próximas gerações”.

O planador de investigação passará por vários pontos estratégicos, entre os quais Canárias, Cabo Verde e Brasil. “Ao longo deste percurso, os sensores, as sondas científicas e os hidrofones instalados irão recolher diversos parâmetros oceanográficos, será feita a medição do eco na coluna de água e será ainda possível detetar animais marcados com marcas acústicas”, refere-se na nota de imprensa.

O projeto, já em curso, “está a trabalhar no âmbito do mapeamento, modelação e avaliação dos ecossistemas do Oceano Atlântico, recolhendo novas observações e desenvolvendo e aplicando ferramentas e tecnologias, com base em modelos dinâmicos e técnicas avançadas de aprendizagem automática para análises de ‘big data’”.

Os indicadores “serão usados para avaliar o estado e desenvolvimento dos ecossistemas marinhos do Atlântico e para determinar as tendências históricas relativas às pressões antropogénicas”.

O projeto Mission Atlantic reúne cientistas, gestores e outros atores interessadas de 33 organizações parceiras formando uma equipa multidisciplinar, que inclui líderes reconhecidos em ciência, política e indústria oceânica, abrangendo um total de 14 países em quatro continentes (Europa, África, América do Norte e América do Sul). In “Milénio Stadium” - Canadá