Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Macau - Alice Costa apresenta primeira exposição individual de pintura abstracta na Creative Macau

Do Direito à Arte. A macaense Alice Costa vai inaugurar a sua primeira exposição individual, intitulada “FLOW”, a 8 de Janeiro na galeria da Creative Macau, no rés-do-chão do Centro Cultural de Macau. A mostra, que decorrerá até 31 de Janeiro, apresenta uma série de pinturas abstractas inspiradas na natureza e nas suas formas orgânicas, e toda a receita líquida da venda de obras será doada à ORBIS Macau


A jornada profissional da macaense Alice Costa (conhecida também por Lili) atravessou uma transformação notável, da magistratura para as artes plásticas. A artista, licenciada em Direito pela Universidade de Macau em 1994 e juíza do Tribunal de Primeira Instância entre 1997 e 2023, vai agora apresentar a sua primeira exposição individual, “FLOW”, numa nova etapa dedicada inteiramente à pintura abstracta. A mostra inaugura a 8 de Janeiro, pelas 18h30, na galeria da Creative Macau, localizada no rés-do-chão do Centro Cultural de Macau, e ficará patente ao público até 31 de Janeiro.

A série “FLOW” explora a essência da natureza através de formas, texturas e emoções, sem representar a realidade visual de forma literal. Como a própria artista explica, “a arte abstracta não tenta representar a realidade visual, mas usa formas, cores e marcas gestuais para alcançar o seu efeito”. As suas pinturas caracterizam-se por formas orgânicas, linhas fluidas e transições dinâmicas, numa paleta cromática intensa e impactante, que evocam formas que trazem à mente florestas, marés, cadeias de montanhas, tempestades ou até superfícies de planetas, convidando o observador a “sentir” em vez de “reconhecer”.

A técnica utilizada por Costa é profundamente táctil, empregando métodos como o empasto (aplicação espessa de tinta), salpicos, a famosa técnica de Jackson Pollock, bem como a sobreposição de camadas para construir superfícies texturadas que estimulam tanto a visão como o toque. Esta abordagem material confere uma energia física e espontânea às obras, reflectindo o que a artista descreve como “movimento orgânico, fluidez, transições perfeitas e energia dinâmica”.

O regresso de Costa à pintura, uma paixão antiga que inicialmente servia para relaxar do trabalho na magistratura, deu-se há três anos, através de aulas e workshops em Hong Kong. O seu percurso multicultural, sendo filha de pai português e mãe chinesa, e as experiências das suas viagens são fontes de inspiração fundamentais.

A exposição reveste-se também de um propósito solidário. A artista decidiu doar toda a receita líquida resultante das vendas de obras à organização não-governamental ORBIS Macau. A ORBIS é uma entidade internacional sem fins lucrativos dedicada a construir sistemas de cuidados oculares fortes e sustentáveis a nível global, com o objectivo de tornar o tratamento e a prevenção acessíveis a todos. A organização atua em toda a cadeia de cuidados, desde a educação para a saúde ocular até ao tratamento e serviços de acompanhamento.

“FLOW” marca assim uma estreia interessante, não só no circuito artístico de Macau, como na nova vida de Alice Costa, que mudou da toga para a paleta, oferecendo agora ao público uma experiência sensorial única e um gesto de generosidade para com a comunidade. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 10 de junho de 2025

Macau - Uma viagem pelas cores de Goa na fotografia de Miguel Quental

“Aquilo que realmente me chamou a atenção foram as cores, aquela beleza”. Foi a partir de uma caminhada espontânea pelas ruelas de Goa que Miguel Quental deu início a uma viagem fotográfica que manifesta a vibrante herança cultural da antiga cidade imperial. A exposição “Cores de Goa”, que será inaugurada neste sábado na Creative Macau, revela a riqueza das cores, da história e da fé que caracterizam este território no sudoeste da Índia


A Creative Macau prepara-se para receber, no próximo sábado, 14 de Junho, a exposição fotográfica intitulada “Cores de Goa”, uma mostra artística do advogado Miguel Quental que estará patente na galeria no rés-do-chão do Centro Cultural até ao dia 5 de Julho. Uma selecção de imagens captadas durante uma visita a Goa, a antiga cidade que deixou um legado multicultural de uma riqueza “extraordinária”, marcada por cores, aromas, sabores e crenças que parecem “transcender a imaginação”. “Parti um pouco à descoberta do património da UNESCO. Mas aquilo que realmente me chamou a atenção foram as cores. Aquela, aquela beleza…”, recorda Quental.

Nas palavras do artista, a sua descoberta foi espontânea, feita enquanto caminhava por rotas comuns, sem grande planeamento, mas que revelaram uma beleza impressionante. “Não andei à procura de sítios muito remotos. Dentro de todo aquele património, as cores é que são extraordinárias, bem como a conservação dos edifícios”.

A atenção de Quental foi imediatamente capturada pelas cores vívidas das igrejas antigas, dos símbolos católicos e das casas senhoriais, que parecem manter-se majestosas e impassíveis. “Foi então que comecei a fotografar principalmente as cores, mas também aqueles objectos religiosos que reflectem realmente a fé do povo. É extraordinário. A conservação das igrejas, a forma como tudo está bem mantido, despertou-me interesse”, disse ao Ponto Final.

Para o fotógrafo, essa experiência não foi apenas uma simples viagem, mas uma oportunidade de partilhar uma herança cultural que acredita merecer a atenção do público de Macau. “Gostava que estas imagens fossem um convite para que as pessoas visitem Goa. Merece a pena, pela sua diversidade cultural, sabores, cheiros. É um pouco como Macau, para quem chega cá, fica deslumbrado com as nossas cores também. E no fundo, poder repartir com os outros aquilo que eu vi na minha experiência, ainda que curta, é o que mais me motiva”, partilha.

A ligação de Goa a Macau, ambas com “resquícios” de um passado ligado a Portugal, reforça essa sensação de semelhança entre os patrimónios, embora Quental ressalte que Goa é suficientemente diferente para justificar a viagem. “As pessoas são simpatiquíssimas e realmente somos muito bem recebidos. No fundo, é um orgulho por parte da população de Goa receber os portugueses e mostrar aquilo que é a história e o passado”, sublinhou.

Paixão pela fotografia

A sua paixão pela fotografia acompanha-o há algum tempo, tendo começado desde que chegou a Macau. “Sempre gostei de fazer fotografia”, revela. Recentemente, o seu interesse evoluiu para uma prática mais consciente, procurando captar o melhor momento. “No ano passado viajei para Angola e Moçambique, uma experiência que também quis partilhar através da minha lente”. Na sua visita a Goa, usou vários tipos de câmaras, incluindo telemóveis, com o objectivo de captar a essência do momento de forma espontânea. “Uso o meu telemóvel muito mais do que a Sony. Às vezes, com o telemóvel é mais fácil fazer zoom, captar detalhes”, explica.

Apesar de se considerar um amador, Miguel Quental manifesta a sua paixão pela fotografia e o desejo de continuar a trabalhar nesta forma de expressão. “Tenho interesse em possivelmente juntar-me a um grupo ou associação fotográfica, outro incentivo para melhorar”, afirma, agradecendo o apoio de amigos na edição das suas imagens, como Francisco Ricarte, que o ajudou na pós-produção. “Disparo, mas depois, quando é com o telemóvel, não fica com grande qualidade. Portanto, busco partilhar conhecimento com outros fotógrafos que ajudam nas edições”, acrescenta.

A exposição “Cores de Goa” surge assim como uma oportunidade de explorar uma herança que mistura história, arte e fé, através do olhar de um artista que, além de advogado, é também um apaixonado por imagens que estimulam os sentidos. Quental espera que as suas fotografias sirvam de convite para que o público descubra uma cultura diferente, que traz outras expressões, tanto nas cores como na comida. “Espero que as pessoas gostem e que isto sirva de convite. A diversidade de culturas, sabores, cheiros… tudo isso faz com que a experiência seja completa, como uma viagem de sentidos”, reforça.

O evento de inauguração realiza-se neste sábado, às 18h30, na Creative Macau. Durante o período de exibição, até 5 de Julho, os visitantes terão a oportunidade de conhecer esta viagem visual que revela a beleza e a história de Goa, uma antiga cidade imperial que, apesar do tempo, mantém intacta a sua essência cultural. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 3 de março de 2025

Macau - Fotografia e desenho unem-se numa reflexão sobre a transformação urbana da Região

Imagens traçadas com luz e tinta. Obras de fotografia e desenho dos arquitectos Nelson Silva e João Nuno Marques convidam o público a reflectir sobre a efemeridade e a constante metamorfose do espaço urbano. A exposição “Framing a Future Past”, com curadoria de Sara Neves, será inaugurada na Creative Macau a 20 de Março, às 18h30, estendendo-se até 17 de Abril



Na intersecção entre memória e inovação, forma-se o núcleo da exposição “Framing a Future Past”, que será apresentada na Creative Macau entre 20 de Março e 17 de Abril. Com uma curadoria sensível a avanços culturais por parte de Sara Neves, esta mostra expõe as interpretações artísticas de dois arquitectos locais, Nelson Silva e João Nuno Marques, cuja obra convida a um mergulho reflexivo sobre a evolução incessante da cidade.

Macau, um território caracterizado pela sua riqueza cultural e histórica, é, ao mesmo tempo, um local em permanente transformação, segundo a descrição desta equipa de artistas. “Framing a Future Past” propõe um olhar atento sobre este fenómeno. Através da lente de Silva e o traço de Marques, as obras expostas ganham vida, transformando-se em crónicas visuais que capturam não apenas a estética do espaço urbano, mas também a narrativa histórica que subjaz a cada esquina, edifício e rua.

Nelson Silva, arquitecto e fotógrafo, traz para a mostra uma perspectiva íntima e poética. A sua formação em Arquitectura pela Universidade do Minho, associada a uma experiência transformadora na Noruega, enriqueceram a sua capacidade de observar e registar a vida quotidiana de Macau e as nuances do espaço habitável. As suas fotografias não são meros registos, mas sim interpretações que revelam a co-existência da natureza e da urbanidade. O segundo lugar no Concurso de Fotografia Arquitectónica de Macau em 2024 foi um reconhecimento do seu talento, mas, mais que tudo, das suas narrativas visuais que falam sobre as transformações da cidade sob uma perspectiva única.

Já João Nuno Marques destaca-se pelo seu enfoque na ilustração e no desenho como ferramentas de registo da realidade. Formado na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, traz consigo uma bagagem cultural adquirida em vários países. Os seus desenhos, que documentam a paisagem urbana e o pulsar cultural da cidade, vão além da técnica. Reflexões que capturam a leveza dos momentos efémeros, e a essência da cidade em constante mudança. Através do traço, Marques transforma o que poderia ser fugaz em eternidade, permitindo que os visitantes da exposição experimentem uma nova forma de ver e sentir.

A curadora Sara Neves tem uma abordagem que combina a sensibilidade estética com uma leitura crítica da cidade. Ao organizar “Framing a Future Past”, Neves propõe um espaço de diálogo onde as transições urbanas são discutidas através da arte. A sua intenção é que os visitantes não só vejam, mas sintam a multiplicidade de Macau, reflectindo sobre o que foi, o que é e o que pode vir a ser.

Ao visitarem esta exposição, os participantes são convidados a fazer uma introspecção sobre a efemeridade das coisas, uma temática cada vez mais pertinente num mundo em constante evolução. As obras de Silva e Marques, embora distintas, criam um diálogo interpessoal intrínseco, refletindo a maneira como a arte pode ser um meio poderoso de reflexões além do visível.

Com a inauguração à vista, “Framing a Future Past” promete ser uma experiência enriquecedora que contribuirá para a valorização do património urbano de Macau, enquanto encoraja um diálogo sobre as suas transformações contínuas. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 2 de maio de 2024

Macau - Ana Cardoso mostra pinturas com forte ligação à moda

Uma exposição de cerca de duas dezenas de pinturas e colagens de Ana Cardoso será inaugurada sábado na Creative. Nos trabalhos que vai apresentar em “Auto-Desenvolvimento”, a artista centra-se na ligação da arte com a moda. A designer foi igualmente modelo durante alguns anos, mas o seu foco é agora “a paixão pelas artes e pela moda”


Trabalhos de uma carreira de designer e modelo estão concentrados na exposição que Ana Cardoso vai lançar na Creative (Centro de Indústrias Criativas) no próximo sábado, 4 de Maio, pelas 17h00. A mostra estará patente ao público até ao dia 8 de Junho.

A exposição de cerca de 20 obras apresenta telas de técnica mista e utilização de pinturas e colagens, desenhos e roupas, reflectindo a ligação da artista à moda e à arte, depois de ter encerrado a sua carreira como modelo.

Ao Jornal Tribuna de Macau, a macaense revelou que a mostra seria inicialmente realizada em conjunto com outra artista, mas acabou por resultar numa exposição individual, a primeira do género que apresenta em Macau.

Ana Cardoso diz que se trata de uma exposição algo pessoal. “Mostra um pouco da minha vida, acontecimentos que inspiram o nosso dia-a-dia”. Essa inspiração “está por isso projectada nesta mostra”, menciona a artista, avançando que haverá uma instalação, apenas no dia da inauguração. “É uma surpresa”, vinca.

Na introdução do evento, num texto divulgado pela entidade organizadora, a autora refere que “enquanto artistas, nós procuramos inspiração no nosso quotidiano”, acrescentando que “a arte inspira-me e eu inspiro-a”. Como designer, diz, “procuramos sempre a última tendência, a nova moda, a criação que está em voga, mas a moda também é arte em si mesma”.

Ana Cardoso reconhece que, por vezes, está sempre concentrada no seu mundo. “Penso que as pessoas me compreendem, mas, na realidade, sou eu que estou dentro de mim, no meu mundo imaginário”.

Este conjunto de obras representa várias facetas da artista. “Quero sempre fazer muitas coisas ao mesmo tempo”, sublinha, acrescentando que a moda faz parte do seu desenvolvimento, da ligação que tem com a arte.


Por outro lado, reforça que “a moda está ligada aos tecidos, às roupas, às cordas, às tintas”. “Enfim é como uma visão dentro de mim, que tudo é inspirado e tudo reflecte a arte, a arte que está em mim e em desenvolvimento”.

Ana Cardoso começou a pintar aos 12 anos com a mãe, Mira Dias, e a professora de arte Fernanda Dias. Passado algum tempo, desenvolveu os seus conhecimentos de pintura sob a orientação dos mestres Mio Pang Fei e Un Chi Iam. Em 1998, começou também uma carreira de modelo, mas com a continuação dos estudos decidiu concentrar-se na sua paixão pelas artes e pela moda. A artista de Macau optou por seguir um curso relacionado com estas duas disciplinas.

Ao longo do seu percurso profissional, trabalhou em design e produção de moda para várias marcas e revistas, entre as quais Nuno Baltazar, Nomada Jeans, Lines lab, Venessa Cheah e Macau Closer. No final de 2010, regressou ao território, onde nasceu, para iniciar uma carreira como modelo e, dois anos depois, apresentou a colecção “Retrô 40’S” no Clube Militar. Este conjunto de peças foi seleccionado e premiado como uma das 12 melhores colecções no concurso “Jovens Criadores 2012” organizado pelo Clube Português de Artes e Ideias (CPAI). Apresentou também os seus trabalhos em Cascais, Portugal.

Ana Cardoso recebeu igualmente vários prémios de Excelência, incluindo o 3º lugar no Concurso de Ilustração de Moda de Macau organizado neste ano de 2024 pelo Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM).

Segundo a Creative, “a artista procura sempre usar Macau como ponto de partida para o seu trabalho, com o objetivo de desenvolver e internacionalizar a arte” e tem também contribuído para o “desenvolvimento da próxima geração” como professora de arte e design no CPTTM, na Universidade de São José, e, a partir de 2022, como professora de artes visuais na Escola Portuguesa de Macau. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”




segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Macau - Creative Macau celebra 20 anos com uma exposição de trabalhos de 40 artistas associados

Esta segunda-feira, a Creative Macau celebra 20 anos com uma exposição de trabalhos de 40 artistas associados. Confessando que sempre acreditou nos artistas locais, que considera estarem ao mesmo nível do trabalho que se faz lá fora, a directora do espaço no piso térreo do Centro Cultural de Macau é há 20 anos testemunha da evolução do sector das artes. Lúcia Lemos falou ao Ponto Final sobre o balanço que faz do trabalho desenvolvido, reflectindo também sobre a actual diversidade e vitalidade do meio artístico local, com várias associações, galerias, e até espaços em resorts a fazerem de Macau uma cidade mais criativa e dinâmica


São duas décadas de intensa actividade artística e cultural com a comunidade criativa, e sempre com a missão de acolher profissionais consagrados e novos talentos em busca de reconhecimento. Lúcia Lemos é há 20 anos a responsável pela Creative Macau, uma das primeiras galerias no território a apoiar os criativos locais, com inúmeras mostras colectivas e individuais, workshops e seminários. Esta segunda-feira, dia 28, o espaço celebra duas décadas com uma exposição que reúne obras de 40 artistas associados da Creative Macau, como Carlos Marreiros, Adalberto Tenreiro, Yaya Vai, Dennis Murell ou Justin Ung. A exposição, que termina a 29 de Setembro, intitula-se “Quatro Estações”. “Embora as Quatro Estações apelem aos sentidos sensoriais, a vida humana tem inúmeros significados no que respeita à sua capacidade criativa”, partilhou a responsável na nota enviada à nossa redacção, acrescentando que “as estações do ano e os seus fenómenos alteram significativamente a concretização dos desejos e sonhos das pessoas, levando-as a crescer, aprendendo, e falhando até conseguir”. Lúcia Lemos tem, de facto, visto os criativos a crescer, acompanhando o amadurecimento não só de vários artistas que deram os primeiros passos em exposições colectivas na Creative Macau, mas também a evolução do sector das artes em Macau, que em 20 anos se democratizou, vincou a responsável. Em conversa com o Ponto Final, Lúcia Lemos falou-nos do quanto o meio artístico mudou. Louvando a diversidade das inúmeras galerias, associações, cafés e restaurantes que também funcionam como espaços de exposição espalhados pela cidade, a dirigente da Creative Macau também aplaude o recente contributo das concessionárias ao sector das artes, que podem financiar estes artistas de uma forma mais constante, um apoio que poderá ajudar estes artistas a lançarem-se internacionalmente.

Como vai celebrar os 20 anos da Creative Macau?

Vai haver um corte de fitas, como houve na abertura, e quando fizemos 10 anos. Convidámos oficiais, e depois vai haver a entrega de um livro, o “Documenta”. Já tínhamos feito um para os anos 2003-2013, em que fizemos uma selecção do essencial do nosso trabalho visível ao público, que foram as exposições. No livro deste ano, para além das exposições, pusemos os workshops que fomos dando, conversas, seminários. Com alguns ataques cibernéticos, muita informação desapareceu, mas fizemos todos os possíveis para conseguir dar uma ideia geral das actividades, e mostrar que estivemos sempre em constante actividade. Nunca parámos. Quisemos mostrar como fomos servindo o público, principalmente o local. Para além das participações internacionais, quisemos dar a conhecer os criativos locais. A Creative Macau foi fundada pelo Instituto de Estudos Europeus de Macau, e então, no dia do aniversário, vamos ter o presidente a fazer um pequeno discurso, e também vamos entregar juntamente com o livro uma fotografia impressa em cartão de espuma do arquitecto Ricardo Meirelles, que é um membro nosso e já expôs na Creative Macau as suas fotografias, usando uma técnica de transferência manual. Ele, entretanto, saiu de Macau por questões profissionais, e deixou-nos essas fotografias de uma exposição para nós ofereceremos nesse dia a todos os convidados. Vai haver também, para além do corte de fitas, um bolo de aniversário, e depois vai haver uma actuação de um mágico chinês que muda de máscaras, aquelas máscaras tradicionais, do macaco, etc. Temos uma particularidade de que, dos 40 artistas que estão agora a ser expostos no espaço, no dia do aniversário alguns dos seus trabalhos vão ter de ser retirados, principalmente aqueles que são susceptíveis de se partirem, uma vez que há sempre muita gente numa abertura e há também essa performance. No dia seguinte serão colocados de novo na exposição. O mágico vai dar saltos enquanto muda de máscaras, e vai usar aquele vestuário chinês da ópera, e vai precisar de espaço. Já informámos todas as pessoas quando as convidámos, devido ao risco que se pode correr, não só de se partir as peças, mas de ter um acidente com pessoas. É só por precaução.

Imagino que a Lúcia, ao fim de 20 anos, já deve ter muita experiência neste tipo de detalhes de produção, que quem vê de fora muitas vezes não sabe, o que está envolvido na produção de uma exposição ou evento.

Sim, é preciso pensar nessas coisas, porque as pessoas gostam de transitar livremente, e vai haver um cocktail. O espaço parece grande, mas não é, e com 60 pessoas fica cheio, e as pessoas terão de se encostar às paredes para o mágico poder passar. Não posso ter esculturas, instalações, e tudo o que seja susceptível de bloquear o espaço, porque estes tipos de peças normalmente são vistas em 360 graus, e ficarem encostadas perturba o trabalho de outros autores. As coisas não podem estar umas em cima das outras, tem de se dar dignidade. É isso, falta de espaço, mas eu não estou a pedir outro, é preciso que se veja, é a nossa casa!

Sente a Creative Macau como se fosse sua casa?

Quando se entra num projecto de corpo e alma, fazemos daquilo a nossa casa, é normal.

E o balanço que faz destes anos?

É muito bom, naturalmente. Tivemos bastante adesão, e continuamos a receber novas inscrições. Qualquer pessoa que seja criativa e que produza qualquer coisa para além da sua profissão, porque tanto pode ser um hobby ou uma segunda profissão, e que a gente considere que o trabalho que a pessoa faz é bom, e pode ser exposto, fazemos. Normalmente as pessoas que se inscrevem como sócios da Creative Macau já expuseram, mesmo que seja em exposições colectivas noutros lugares. Os artistas que trabalham a tempo inteiro, e os que trabalham a tempo parcial, mas que já produzem regularmente e fazem disso uma segunda actividade.

Há agora em Macau mais artistas, acha que houve uma grande evolução em 20 anos?

Sim, desde que nós abrirmos também foram aparecendo mais galerias, mais lugares associativos, etc, em que as pessoas puderam criar, ensinar, e entrar nesse campo da criatividade, e mais lugares também onde as pessoas pudessem expor, e acho que se democratizou bastante o sector das artes. Aliás, hoje em dia desenvolveram-se todas as áreas criativas, como o design, e que são imensas. Nós, por exemplo, temos 12 áreas, mas dentro delas, elas cruzam-se. Imagine um designer de moda, precisa de um fotógrafo, precisa de um designer gráfico, do marketing, jornalismo, etc. Elas cruzam-se e entrelaçam-se, porque é inerente, devido à necessidade de promoção. Digamos que começou a aparecer muita gente jovem e não jovem, e o ensino tornou-se muito mais acessível. Hoje em dia todas as pessoas querem tirar uma licenciatura, isso abriu ainda mais possibilidades. No entanto, isto não quer dizer que as pessoas que produzem a tempo inteiro são imensas – não são. Há mais do que antigamente, mas as pessoas têm a sua própria carreira, e família. Mas há maior atrevimento, as pessoas têm mais coragem de ir mostrando o que vão fazendo. Também se multiplicaram os lugares de exposição, porque as associações também precisam disto para poder viver e dar continuidade ao propósito associativista. As pessoas estão mais abertas, há um maior estímulo e encorajamento, há eventos, como o salão de outono, etc. Há também maior abertura em acarinhar propostas de outras associações.

Acha que há mais interactividade entre os espaços?

Sim, e espaços diferentes, os espaços de café pequenininhos, por exemplo. O cliente já não vai só beber um café ou um copo de vinho, vai também conviver com a arte, e há ilustração e pintura nesses espaços, iniciativas que as pessoas acolhem.

A Lúcia já está ligada a esse meio há tanto tempo, sente-se feliz de ver a dinâmica actual? Por exemplo, o Festival de Artes, com tanta colaboração com espaços nos resorts, o que acha desta nova realidade?

Gosto, e vejo isso como uma grande oportunidade para os locais. Todas as pessoas que vão trabalhando com exposições de grande gabarito, como são estas [do Festival de Artes], porque o crivo é maior, podem, no fundo, tentar-se profissionalizar no sentido de qualidade. Acho que é fantástica, toda esta participação dos casinos na vida comunitária. São eles que têm muito dinheiro, e se houver esse compromisso entre o Governo e eles, é óptimo, até porque o processo envolve associações, porque eles não conhecem tudo, [as concessionárias] têm de ir ter com as associações e com os criativos para poderem saber o que eles andam a fazer, e injectarem apoio de forma mais constante, de maneira a que estes possam criar e mostrar o seu talento. Desde sempre, eu vi que quando levávamos trabalhos dos criativos locais para a Europa, as pessoas ficavam abismadas. As pessoas ainda têm aquela ideia do colorido todo, dos brilhantes, e do mobiliário tradicional, e quando vêm algo muito mais moderno, e cultural, no sentido de contemporâneo, as pessoas ficam um pouco aparvalhadas. É absolutamente interessante, e se é preciso que sejam os casinos, ou seja o que for, as entidades que tiverem disponíveis para isso, a ajudar a formação e promoção desses criativos, algo que só se consegue com muito dinheiro, que seja, porque os criativos também têm as suas famílias, e precisam de sustento. Por exemplo nós, na Creative Macau: eu convido as pessoas para expor, temos exposições colectivas, ou a seis ou a duas pessoas, ou individuais também. Mas nós não podemos subsidiar, não temos dinheiro para subsidiar, portanto depende também do interesse dos artistas. A vantagem em exporem na Creative está no facto de que, para os artistas depois poderem ter mostras nesses grandes átrios locais e internacionais, precisam de antes disso expor individualmente, e, portanto, nós somos uma mais-valia para eles. Não estou a puxar a brasa só à minha sardinha, isto também acontece noutros espaços. O artista não vai a lado nenhum participando em exposições colectivas. Vai numa exposição colectiva, etc, mas tem de dar provas de que é capaz de construir um corpo ou vários corpos de trabalhos. É a tal identidade. É a diferença que faz com que as pessoas confiem e se sintam motivadas e queiram arriscar, e confiar naquele artista. É tudo assim, nada se faz sem experiência.

Acha que os artistas cá em Macau são de qualidade internacional?

É evidente. Não tenho dúvidas nenhumas, e sempre vi com esses olhos, e eu comparo, e sempre o disse em todas as entrevistas e livros, porque eu vi, e estive e levei. Nós estamos muito bem entre os outros. É muito bom, nós fazemos bons trabalhos. Embora Macau seja pequeno, as pessoas formaram-se fora, na Europa, na Ásia, e têm contactos quer formativos, quer entre os demais que são fantásticos. E sabe como é, todas as pessoas querem ser diferentes.

Pode-me dar alguns exemplos de nomes de pessoas que acha que fazem um trabalho notável?

Posso falar no geral, membros e não membros; vem-me à cabeça a Alice Kok, ela sabe o que faz, tem um trabalho alinhado em forma conceptual, e que é bom em qualquer lado; por exemplo, o Alexandre Marreiros, o trabalho dele é bom em qualquer lado, e eu só estou a ver o de agora, mas antes também há outros. Por exemplo, a Debby Sou faz um trabalho fantástico. Ela é uma chinesa que, entretanto, foi viver para a Alemanha, já esteve em Hong Kong, e esteve em Portugal. Há tantas pessoas, aliás que se vê nas exposições que estiveram em tantos sítios, e os galeristas e associações apostam neles. Às vezes é tão surpreendente porque os criativos têm complexos em mostrar, mas quem não tem, e o faz, acaba por fazer o seu caminho. Assim como uma criança que no princípio está deitada, e depois vai aprendendo a andar, mas caindo. As pessoas às vezes têm desdém em mostrar, mas é importante tentar fazer, e esse talvez seja o passo mais difícil. Se nos lembrarmos de pessoas como Chagal, Picasso, Matisse, eles fizeram tudo para voltar a ser crianças, e foi assim que eles ficaram famosos. É preciso haver um respeito grande por quem tem coragem de mostrar, e depois a coragem é sustentada na crítica, mas crítica formativa, claro, e no crivo das instituições. Pode às vezes uma instituição gostar de uns trabalhos e não de outros; é preciso que o criativo nunca se vá abaixo com isso, e continue a criar, em cima dos erros. Não há ninguém que seja profissional sem antes ter sofrido imenso com esses trabalhos que adora, e depois tenta fazer outros, e é um desastre completo. O talento está ligado à individualidade. Gostaria apenas de referir mais um artista, o Eric Fok, que desenha em linhas e constrói todo um mundo imaginário, por exemplo de Macau e não só, de Veneza, etc, e mistura a época dos descobrimentos com a de agora. Na sala oposta à entrada no Museu de Arte, há um espaço chamado Art Space onde estão expostos artistas locais como o Eric Fok, o Konstantin Bessmertny, o Ung Vai Meng, que foi director do museu, o Lampo Leong, da UMAC, e um fotógrafo também muito bom, que já participou com Ung Vai Meng na bienal de Veneza há dois anos. Está ali uma mão cheia dos locais, que os casinos convidaram a desenvolver os trabalhos. E, claro, tiveram que injectar dinheiro para poder fazer aquilo. Recomendo que se vá ver esta exposição para ver como nós em Macau somos fantásticos. Não ficamos aquém de maneira nenhuma.

Tem projectos planeados, qual é o futuro próximo para a Creative Macau?

Em princípio a gente continua, estamos num espaço que pertence ao Centro Cultural de Macau, e penso que estaremos lá até que seja possível. Vamos continuar a desenvolver com um orçamento que vamos tendo, e fazer aquilo que fazemos: um festival de curtas de Macau, que é internacional, e que nos consome imenso tempo, que decorre sempre em Dezembro. Este ano, será de 5 a 13 de Dezembro, e vai incluir um simpósio com master classes, etc, mas que ainda está a ser delineado.

E onde vai decorrer?

É no Teatro Capitólio. Já é o nosso terceiro ano, e é um festival muito interessante, especialmente os filmes da noite, que são sempre com um conteúdo assim mais para adultos. Vamos ter agora um workshop de gravura japonesa nos quatro sábados de Setembro a começar no dia 2, um workshop que é gratuito. Sempre que seja possível, vamos organizando este tipo de iniciativas porque é algo que fazemos bem, e se houver algo extraordinário também podemos fazer, mas também só somos uma equipa de três pessoas desde 2003, e não temos muita capacidade de fazer muito mais. Isto tudo exige muito trabalho, por exemplo, o festival de curtas exige 9 meses de trabalho, mas as outras coisas também exigem, são os pequenos detalhes, toda aquela atenção e preparações.

A exposição dos 40 artistas que está na Creative Macau por ocasião do 20.º aniversário tem o tema das quatro estações? Porquê a escolha deste tema?

Sou sempre eu que escolho os temas para exposições colectivas, e escrevo o conceito para as pessoas se inspirarem. Não obrigo ninguém a fazer aquilo, é mais para que os artistas reflitam sobre o tema. Portanto pensei nas quatro estações, porque achei que era interessante, porque as quatro estações é tudo, é o cosmos, é o globo, somos envolvidos por toda a natureza. Não quer dizer que as quatro estações sejam as da Primavera, Verão, Outono, Inverno, também podem ser outras, podem ser as estações da vida das pessoas, se elas querem contar uma história de uma estação, e concentrarem-se numa parte, que o façam, é apenas um mote representativo. As pessoas têm imensas ideias, e eu quero apenas que elas as tragam cá para fora. É preciso é dar liberdade às pessoas, liberdade naquele sentido de pensar, e de ser possível fazer as coisas. Mas as pessoas têm de trabalhar para aquilo ser possível, porque as pessoas podem ter ideias, mas depois quando se começa a fazer o trabalho, não funciona, e então tem de se pensar noutra coisa. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 20 de março de 2023

Macau - Francisco Ricarte lança livro na Creative Macau


A obra, intitulada “Treasure Hotel”, é uma narrativa visual relativa ao período de quarentena obrigatória de 21 dias vivida pelo autor, entre os dias 5 e 21 de Janeiro de 2022, aquando do seu regresso à RAEM. “É uma ilustração simbólica dos estados de alma, expectativas e anseios decorrentes do período de isolamento”, referiu ao Ponto Final o autor do livro que será co-apresentado pelo advogado e fotógrafo João Miguel Barros.

O arquitecto-fotógrafo Francisco Ricarte prepara-se para lançar, no próximo dia 18 de Março, pelas 17h, na Creative Macau, o seu fotolivro “Treasure Hotel”. Trata-se de uma narrativa visual relativa ao período de quarentena obrigatória de 21 dias vivida pelo autor no Hotel Tesouro, em Macau, entre os dias 5 e 21 de Janeiro de 2022, aquando do seu regresso à RAEM, conforme nos explicou.

Ricarte referiu ainda que o livro, co-apresentado pelo advogado e fotógrafo João Miguel Barros, é uma edição de autor com 64 páginas e cerca de 40 fotografias a cores e a preto e branco, limitada a 60 exemplares, assinados e numerados. “Documento visual e ficção justapõem-se segundo uma linguagem fotográfica intimista que elabora sobre o registo quotidiano e vivência sentida durante o referido período”, explicou o autor ao Ponto Final.

O fotolivro, pela sequência proposta dos registos fotográficos e “capítulos” criados – relativos à viagem, chegada, espaço interior, vivência quotidiana, leituras e visão para o exterior –, propõe uma narrativa própria e de cariz pessoal, mas também a ser interpretado pelo potencial leitor. “É por isso, também, uma ilustração simbólica dos estados de alma, expectativas e anseios decorrentes do período de isolamento, gerador de momentos de introspecção intensos e muito específicos”, acrescentou Ricarte.

“Treasure Hotel”, porventura, considera ainda o português, “permitirá encontrar semelhanças com visões e experiências similares vividas por outros viajantes chegados a Macau em circunstâncias similares, bem assim como propiciar, aos que não viveram semelhante experiência, uma ilustração de um processo para o qual nunca estamos suficientemente preparados”. Por tal facto, conforme referenciado no texto de suporte do fotolivro, é um registo de “21 dias de uma outra realidade” em que “aos dias se seguiam às noites, onde ambos pareciam ser sem sentido e sem fim”.

Nos últimos anos, Francisco Ricarte, nascido em 1955, dedicou-se mais à apresentação dos seus trabalhos em formato de exposição, de onde se destacam “Dark Matter” no Art Garden com curadoria de Alice Kok, e “ASIA.FAR” na Casa Garden, ambas em 2022. Em 2021, expôs “Unnoticeable Objects” no Terra Drip Bar. Expõe os seus trabalhos, com regularidade, desde 2013.

Antes de se tornar arquitecto profissional, Francisco Ricarte já se dedicava à fotografia desde os 21 anos, nos idos anos de 1970, quando lhe foi oferecida a sua primeira câmara fotográfica reflex. Desde então, tem vindo a usar o meio de comunicação como uma expressão da sua própria visão sobre o ambiente que o rodeia. Em 2006, mudou-se para Macau e trabalhou como gestor de projecto em arquitectura até hoje. Nos últimos anos, tem participado em diversas exposições colectivas onde apresentou os seus trabalhos fotográficos baseados principalmente nos temas paisagem e arquitectura. O autor é ainda membro fundador da associação de fotografia local Halftone.

Como a fotografia pode potenciar o entendimento do que nos rodeia – seja humano, construído ou natural – tem sido uma pesquisa e prática fotográfica persistente, expressa em diversas séries fotográficas que tem desenvolvido ao longo dos anos, porventura, a serem “reveladas” a outros, um dia. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Macau - Hugo Teixeira apresenta “Paisagens Involuntárias” na Creative Macau

O artista português volta a Macau para revelar um trabalho que faz a ponte entre Portugal, as suas raízes, e os Estados Unidos da América, mais precisamente a Califórnia, para onde a sua família emigrou nos idos anos de 1970. Segundo o autor, trata-se de um projecto onde há uma justaposição de fotografias “através do processo de montagem e colagem totalmente manual criando novas paisagens das suas viagens à Califórnia com as do mundo português”


O trabalho do artista Hugo Teixeira está de volta a Macau. No próximo sábado, dia 4 de Fevereiro, pelas 17h, o português apresenta, na Creative Macau, “Paisagens Involuntárias”, um conjunto de trabalhos artísticos fotográficos que recorrem à técnica da montagem.

Em “Paisagens Involuntárias”, Hugo Teixeira tenta interpretar uma consciência histórica e cultural perdida, tal como a da sua família que emigrou nos anos de 1970 de Portugal para se estabelecer na Califórnia, nos Estados Unidos da América. “As fotografias que encontrou de uma família anónima do Portugal pré-revolução lembra-lhe personagens e cenários da história da sua própria família que lhe evoca recordações do passado”, pode ler-se no manifesto da exposição, enviado ao Ponto Final pela Creative Macau.

De acordo com o mesmo manifesto, Hugo “justapõe fotografias através do processo de montagem e colagem totalmente manual criando novas paisagens das suas viagens à Califórnia com as do mundo português”. “O trabalho final resultou numa expressão visual plástica belíssima em obras de arte únicas, que interpretam o passado no presente, libertando a distância entre o artista e as histórias longínquas da sua família”, considera ainda a Creative Macau.

O autor, no seu sítio oficial em www.hgtx.net, explica o processo criativo que levou ao projecto tornado público em 2020. “Fundi as fotografias usando um processo de montagem reminiscente dos fotógrafos de paisagem do século XIX que combinavam fotos não relacionadas de terra e céu para criar composições harmoniosas que não seriam possíveis numa única exposição. As imagens apresentadas mostram 14.664 composições para apenas alguns exemplos evocativos. A técnica reflecte as tentativas e erros de aprender a navegar em duas culturas sem muita orientação, mas, em última análise, aprender a se sentir em casa em uma mistura de ambos”, explicou.

Hugo Teixeira cresceu na comunidade luso-americana em San Jose, na Califórnia, nos Estados Unidos da América. É linguista por formação, tendo estudado, posteriormente, fotografia na Universidade Estatal de San Jose e na Escola Técnica de Imagem e Comunicação de Lisboa, obtendo um mestrado em 2020 através da Fotografia e Meios de Comunicação Associados do Instituto Tecnológico de Rochester, também nos EUA. No seu trabalho artístico fotográfico, utiliza materiais comuns aliando as suas competências técnicas desenvolvidas e memórias, criando imagens conceptuais e esculturas contemporâneas. Como artista plástico e professor, Hugo Teixeira já expôs trabalhos nos EUA, Portugal e em Macau, onde já residiu e volta amiúde.

A exposição fica patente até dia 4 de Março e pode ser vista de segunda-feira a sábado, excepto nos feriados públicos. A Creative Macau encerra ao domingo. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Macau - Creative Macau assinala 18 anos de exposições com exposição colectiva

O Centro de Indústrias Criativas – Creative Macau marca o seu 18.º aniversário com a inauguração da sua mais recente exposição colectiva “Open Close Open”, que visa retratar as mudanças da vida quotidiana impactadas pela pandemia de 33 artistas membros do centro. A exposição será inaugurada dia 28 de Agosto


O Centro de Indústrias criativas – Creative Macau, situado no rés-do-chão do Centro Cultural, vai inaugurar no próximo dia 28 de Agosto a exposição “Open Close Open”, uma exposição colectiva que irá servir também para assinalar o 18.º aniversário da Creative Macau. Expostos estarão trabalhos que foram propostos aos membros e que visam explicar o dilema de “Abrir – Fechar – Abrir/ fora de si próprios”, refere uma nota da Creative Macau enviada às redacções.

A exposição colectiva integra 33 artistas que criaram obras baseadas nas mudanças das suas vidas quotidianas impactadas pela pandemia mundial, que afectou a mobilidade de todos os cidadãos. O título da exposição, “Open Close Open”, além de se referir ao plano emocional, refere-se também à realidade de manter ou terminar negócios durante a pandemia, problema bastante frequente para as multinacionais e Pequenas e Médias Empresas.

Segundo o comunicado de imprensa, o actual vírus da Covid-19 tem afectado radicalmente, desde Janeiro de 2020, a vida quotidiana e a mobilidade da população mundial, arruinando vários sectores do comércio e causando milhões de contágios, mortes e várias mutações do vírus. O vírus da Síndrome Respiratória Aguda (SARS, na sigla inglesa) que ocorreu no final de 2002 e que causou receios em Macau e Hong Kong durante alguns meses “é insignificante” em comparação com a actual pandemia.

A Creative Macau acredita que, neste novo contexto, uma solução crucial foi rapidamente encontrada sob a forma de uma vacina, e a crescente imunidade de grupo devido à inoculação “faz-nos acreditar que o pesadelo está em breve a terminar”, e que “há um futuro”.

A Creative Macau aponta ainda ser inclusiva com a diversidade cultural, artística, criativa e social existente, oferecendo oportunidades aos talentos dispostos a dar o primeiro passo público rumo à internacionalização, contribuindo também para a força dos profissionais.

Em relação aos seus membros criativos, a Creative Macau “representa uma plataforma que presta serviços para divulgar os seus trabalhos”. Na retrospectiva de 18 anos de partilha de criatividade, organizou 226 exposições individuais e colectivas, mostrando mais de 6000 obras que foram visitadas por mais de 70000 visitantes, refere o comunicado.

Algumas obras seleccionadas de arte, joalharia, porcelana, design de moda, design de produto, design de mobiliário urbano e doméstico das exposições acima mencionadas foram depois expostas em Feiras de Arte e Design internacionalmente, em cidades estrangeiras como Lisboa, Londres, Porto, Xangai, e Shenzhen.

Os números listados não incluem nem os concursos de fotografia anteriormente realizados nem o Festival Internacional de Curtas Metragens de Macau anual, cuja XII edição terá lugar em Dezembro de 2021 no Teatro Capitólio.

“As obras de arte expostas para a celebração do 18.º aniversário do Centro de Indústrias Criativas – Creative Macau originaram este espectáculo maravilhoso, que vale a pena visitar”, descreve ainda o comunicado. “Continuaremos a aumentar o nosso prestígio e a promover o elevado padrão de arte e cultura de Macau. Obrigado aos participantes e a todos os membros apoiantes”, conclui. Joana Chantre – Macau in “Ponto Final”

Joanachantre.pontofinal@gmail.com