Do Direito à Arte. A macaense Alice Costa vai inaugurar a sua primeira exposição individual, intitulada “FLOW”, a 8 de Janeiro na galeria da Creative Macau, no rés-do-chão do Centro Cultural de Macau. A mostra, que decorrerá até 31 de Janeiro, apresenta uma série de pinturas abstractas inspiradas na natureza e nas suas formas orgânicas, e toda a receita líquida da venda de obras será doada à ORBIS Macau
A jornada profissional da macaense
Alice Costa (conhecida também por Lili) atravessou uma transformação notável,
da magistratura para as artes plásticas. A artista, licenciada em Direito pela
Universidade de Macau em 1994 e juíza do Tribunal de Primeira Instância entre
1997 e 2023, vai agora apresentar a sua primeira exposição individual, “FLOW”,
numa nova etapa dedicada inteiramente à pintura abstracta. A mostra inaugura a
8 de Janeiro, pelas 18h30, na galeria da Creative Macau, localizada no
rés-do-chão do Centro Cultural de Macau, e ficará patente ao público até 31 de
Janeiro.
A série “FLOW” explora a essência da natureza através de
formas, texturas e emoções, sem representar a realidade visual de forma
literal. Como a própria artista explica, “a arte abstracta não tenta
representar a realidade visual, mas usa formas, cores e marcas gestuais para
alcançar o seu efeito”. As suas pinturas caracterizam-se por formas orgânicas,
linhas fluidas e transições dinâmicas, numa paleta cromática intensa e
impactante, que evocam formas que trazem à mente florestas, marés, cadeias de
montanhas, tempestades ou até superfícies de planetas, convidando o observador
a “sentir” em vez de “reconhecer”.
A técnica utilizada por Costa é profundamente táctil,
empregando métodos como o empasto (aplicação espessa de tinta), salpicos, a
famosa técnica de Jackson Pollock, bem como a sobreposição de camadas para
construir superfícies texturadas que estimulam tanto a visão como o toque. Esta
abordagem material confere uma energia física e espontânea às obras,
reflectindo o que a artista descreve como “movimento orgânico, fluidez,
transições perfeitas e energia dinâmica”.
O regresso de Costa à pintura, uma paixão antiga que
inicialmente servia para relaxar do trabalho na magistratura, deu-se há três
anos, através de aulas e workshops em Hong Kong. O seu percurso multicultural,
sendo filha de pai português e mãe chinesa, e as experiências das suas viagens
são fontes de inspiração fundamentais.
A exposição reveste-se também de um propósito solidário.
A artista decidiu doar toda a receita líquida resultante das vendas de obras à
organização não-governamental ORBIS Macau. A ORBIS é uma entidade internacional
sem fins lucrativos dedicada a construir sistemas de cuidados oculares fortes e
sustentáveis a nível global, com o objectivo de tornar o tratamento e a
prevenção acessíveis a todos. A organização atua em toda a cadeia de cuidados,
desde a educação para a saúde ocular até ao tratamento e serviços de
acompanhamento.
“FLOW” marca assim uma estreia
interessante, não só no circuito artístico de Macau, como na nova vida de Alice
Costa, que mudou da toga para a paleta, oferecendo agora ao público uma
experiência sensorial única e um gesto de generosidade para com a comunidade. Elói
Carvalho – Macau in “Ponto Final”
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