Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Macau - Alice Costa apresenta primeira exposição individual de pintura abstracta na Creative Macau

Do Direito à Arte. A macaense Alice Costa vai inaugurar a sua primeira exposição individual, intitulada “FLOW”, a 8 de Janeiro na galeria da Creative Macau, no rés-do-chão do Centro Cultural de Macau. A mostra, que decorrerá até 31 de Janeiro, apresenta uma série de pinturas abstractas inspiradas na natureza e nas suas formas orgânicas, e toda a receita líquida da venda de obras será doada à ORBIS Macau


A jornada profissional da macaense Alice Costa (conhecida também por Lili) atravessou uma transformação notável, da magistratura para as artes plásticas. A artista, licenciada em Direito pela Universidade de Macau em 1994 e juíza do Tribunal de Primeira Instância entre 1997 e 2023, vai agora apresentar a sua primeira exposição individual, “FLOW”, numa nova etapa dedicada inteiramente à pintura abstracta. A mostra inaugura a 8 de Janeiro, pelas 18h30, na galeria da Creative Macau, localizada no rés-do-chão do Centro Cultural de Macau, e ficará patente ao público até 31 de Janeiro.

A série “FLOW” explora a essência da natureza através de formas, texturas e emoções, sem representar a realidade visual de forma literal. Como a própria artista explica, “a arte abstracta não tenta representar a realidade visual, mas usa formas, cores e marcas gestuais para alcançar o seu efeito”. As suas pinturas caracterizam-se por formas orgânicas, linhas fluidas e transições dinâmicas, numa paleta cromática intensa e impactante, que evocam formas que trazem à mente florestas, marés, cadeias de montanhas, tempestades ou até superfícies de planetas, convidando o observador a “sentir” em vez de “reconhecer”.

A técnica utilizada por Costa é profundamente táctil, empregando métodos como o empasto (aplicação espessa de tinta), salpicos, a famosa técnica de Jackson Pollock, bem como a sobreposição de camadas para construir superfícies texturadas que estimulam tanto a visão como o toque. Esta abordagem material confere uma energia física e espontânea às obras, reflectindo o que a artista descreve como “movimento orgânico, fluidez, transições perfeitas e energia dinâmica”.

O regresso de Costa à pintura, uma paixão antiga que inicialmente servia para relaxar do trabalho na magistratura, deu-se há três anos, através de aulas e workshops em Hong Kong. O seu percurso multicultural, sendo filha de pai português e mãe chinesa, e as experiências das suas viagens são fontes de inspiração fundamentais.

A exposição reveste-se também de um propósito solidário. A artista decidiu doar toda a receita líquida resultante das vendas de obras à organização não-governamental ORBIS Macau. A ORBIS é uma entidade internacional sem fins lucrativos dedicada a construir sistemas de cuidados oculares fortes e sustentáveis a nível global, com o objectivo de tornar o tratamento e a prevenção acessíveis a todos. A organização atua em toda a cadeia de cuidados, desde a educação para a saúde ocular até ao tratamento e serviços de acompanhamento.

“FLOW” marca assim uma estreia interessante, não só no circuito artístico de Macau, como na nova vida de Alice Costa, que mudou da toga para a paleta, oferecendo agora ao público uma experiência sensorial única e um gesto de generosidade para com a comunidade. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


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