Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 22 de julho de 2025

Cabo Verde lamenta a morte de Kiki Lima

O Presidente da República, Governo, familiares e amigos publicaram mensagens de condolências a propósito da morte do pintor e compositor cabo-verdiano Kiki Lima, aos 72 anos, em Portugal, onde se encontrava em tratamento médico


“Kiki Lima deixa um legado inestimável para a cultura e a arte de Cabo Verde. A sua obra, marcada pela cor, pelo movimento e pela profunda identidade cabo-verdiana, retratou com mestria as vivências do nosso povo, elevando o nome de Cabo Verde nos palcos artísticos nacionais e internacionais”, destaca a Presidência da República, num comunicado divulgado nas redes sociais.

No mesmo comunicado, a Presidência da República refere que Kiki Lima é considerado por muitos como um dos maiores pintores cabo-verdianos de todos os tempos. “Kiki Lima foi um verdadeiro embaixador da nossa cultura, cuja paixão e dedicação à arte inspiraram gerações”.

A mesma fonte sublinha ainda que o artista deixa igualmente um legado como músico e estudioso da música tradicional cabo-verdiana, com álbuns publicados como Txuva e Midje má tambor. “A sua memória e o seu contributo para o património cultural de Cabo Verde permanecerão vivos e serão sempre recordados com admiração e respeito.”

Também o Governo, através do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, lamentou o desaparecimento físico do artista, considerando que Cabo Verde perdeu um embaixador da cultura nacional, que soube cruzar linguagens visuais com a música e o design.

“Figura incontornável da cultura nacional, Kiki Lima, uma das maiores referências das artes plásticas de Cabo Verde, possuiu uma carreira notável, marcada por uma criatividade vibrante, um estilo único e uma entrega total à arte e à identidade cabo-verdiana”, frisa.


Em comunicado, o Ministério da Cultura acrescenta que Kiki Lima é autor de mais de mil obras e participou em mais de 200 exposições individuais em Cabo Verde e no estrangeiro, levando as cores, os símbolos e as emoções do arquipélago ao mundo.

O artista plástico Tchalé Figueira lembrou com carinho o legado de Kiki Lima. “A sua pintura é o retrato da nossa sociedade crioula em tonalidades quentes, do azul do mar ao amarelo solar, e de diversos temas que considero etnológicos da diversidade cultural do nosso país: do pescador ao vagabundo, das menininhas bonitas à pequena burguesia, das festas juninas ao batuque, etc.”

Tchalé Figueira destacou ainda a herança pictórica e musical do artista: “E não posso deixar de mencionar as suas composições, muitas com letras de cariz crítico-social, gravadas na voz de Dudu Araújo. O ciclo de Kiki Lima hoje encerra-se, mas para Cabo Verde, este artista deixa uma grande herança que ficará na memória da nossa identidade.”

“Foi com profundo pesar que recebi a notícia do falecimento de Kiki Lima, pintor maior de Cabo Verde e meu colega de infância, aos 72 anos. Com ele parte não apenas um artista singular, mas também um amigo leal, companheiro das alegrias e sonhos da nossa geração”, escreveu o escritor Manuel Brito-Semedo, no seu blogue Esquina do Tempo.

Para Brito-Semedo, Kiki Lima foi um verdadeiro embaixador cultural de Cabo Verde, retratando com mestria a morna, os mercados, as mulheres, as festas populares e as paisagens da infância.

“Kiki foi muito mais do que um pintor consagrado. Foi o amigo de adolescência com quem cresci num Mindelo pobre, mas sonhador, fértil em talento e solidariedade. Sempre discreto e sereno, impressionava pela determinação inabalável de viver da arte – missão que abraçou até ao fim”, concluiu. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


domingo, 6 de setembro de 2020

Cabo Verde - Tutu Sousa e Kiki Lima expõem obras inéditas na terceira edição de “Portas Fechadas”



Cidade da Praia – A terceira edição da exposição de “Portas Fechadas” de Tutu Sousa e KiKi Lima traz obras inéditas sobre a dança, a música e a religião e vão estar disponíveis na Art Gallery Tutu Sousa até final deste mês.

Nesta nova exposição colectiva que surgiu de forma espontânea, segundo o artista plástico Tutu Sousa, são 14 quadros, sendo dez da sua autoria e quatro de Kiki Lima, que trazem “algo interessante e algumas releituras de obras clássicas de grandes artistas”.

Os quatro quadros de KiKi Lima, informou, trazem o mundo verde e a dança, enquanto nas suas pinturas, procurou retratar a música e a religião.

Na religião, Tutu Sousa fez a releitura das obras “Anunciação” (o momento em que o anjo Gabriel anuncia à Maria que ela está esperando o filho de Deus) e “Mona Lisa”, ambas da autoria de Leonardo da Vinci.

Ainda, foi feita a releitura da obra “Criação de Adão”, pintado por Michelangelo Buonarotti por volta de 1511, que representa um episódio do livro do “Génesis” no qual Deus cria o primeiro homem, Adão.

Questionado o porquê de uma releitura em vez de reprodução, Tutu Sousa defendeu que os artistas não devem fazer uma reprodução das obras dos outros, mas sim devem fazer uma nova leitura destas obras.

“Há uns anos tive um desafio de reproduzir uma obra de Leonardo num restaurante na Praia, (…) fiz essa reprodução, mas depois pensei que não vale a pena fazer uma reprodução, mas sim uma releitura. Foi assim que surgiu essa ideia, mas só agora pus em prática, porque penso que os artistas não devem reproduzir obras dos grandes mestres, mas sim fazer uma releitura diferente”, precisou.

Para além das releituras, o artista aproveitou para fazer pinturas de obras que fazem uma mistura entre os seus traços de surrealistas de há 20 anos e o seu novo estilo de fazer arte, e ainda pinturas em pratos de barro e tampas de bidão.

O período de confinamento devido à covid-19, segundo o artista, foi “interessante”, porque lhe permitiu “fazer coisas novas e inovar a sua forma de fazer pinturas em qualquer objecto”.

“Naquela altura tive muita dificuldade em encontrar telas, porque os lugares estavam todos fechados e a vontade de produzir era tão forte que reinventei novas formas de pintar em tampas de bidão, vasos, prato de barro”, explicou.

Esta exposição colectiva vai estar disponível para visitas agendadas até ao final do mês de Setembro e todos devem cumprir com as medidas de segurança sanitária, como o uso obrigatório de máscaras, higienização das mãos, controle de temperatura e limitação de entradas. In “Inforpress” – Cabo Verde