Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Moçambique – A Fundação Fernando Leite Couto apresenta “A Arte do Pensamento Crítico”, programa para 90 jovens dos PALOP

A Fundação Fernando Leite Couto, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e em parceria com os colectivos CACAU (São Tomé e Príncipe), Kino Yetu (Angola), Ur-GENTE (Guiné-Bissau) e o Instituto Pedro Pires (Cabo Verde) promove em 2026 A Arte do Pensamento Crítico, um programa dirigido a 90 jovens de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.


O crescimento do espaço digital ampliou a circulação de informação e a coexistência de múltiplas narrativas, tornando mais complexos os processos de interpretação de conteúdos e do mundo. Neste contexto, o pensamento crítico afirma-se como uma competência essencial para interpretar, questionar e enquadrar narrativas. A Arte do Pensamento Crítico parte desta realidade contemporânea e propõe um espaço de formação e criação centrado na relação entre o pensamento crítico e as linguagens artísticas contemporâneas.

O programa estrutura-se em masterclasses, oficinas práticas, sessões de mentoria e uma mostra pública de trabalhos desenvolvidos, dirigindo-se a jovens entre os 18 e os 30 anos, nacionais e residentes nos PALOP.

As masterclasses reúnem escritores, académicos, jornalistas e criadores como Francisco Noa, Eduardo Quive, Raquel Lima, Nástio Mosquito e Mehak Vieira, e abordam temas como pensamento crítico, desinformação, identidade, linguagem e circulação de narrativas no contexto contemporâneo. A sessão de abertura do ciclo de masterclasses estará a cargo de Mia Couto e Elísio Macamo.

Nas oficinas, os participantes desenvolvem trabalhos autorais em escrita, fotografia e vídeo, acompanhados por facilitadores como José dos Remédios, Luísa Nhamtunbo e João Graça, que intervêm directamente no processo de construção das ideias e na tomada de decisões estruturantes relativos ao que se pretende como resultado.

O percurso inclui ainda sessões de mentoria individual e acompanhamento do desenvolvimento dos trabalhos, promovendo o aprofundamento dos processos de criação e reflexão. O programa culmina numa mostra pública de trabalhos desenvolvidos, apresentando obras em diferentes linguagens (texto, fotografia, vídeo e storytelling) produzidas ao longo do percurso.

A Arte do Pensamento Crítico parte da ideia de que o pensamento crítico não é apenas uma competência individual, mas um processo activo de construção de sentido, em diálogo com as práticas artísticas contemporâneas. As candidaturas ao programa abrem em data a anunciar brevemente. In “Moz Entretenimento” - Moçambique



quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Moçambique - Mia Couto lança novo livro infantil “As Sementes do Céu”

O escritor moçambicano Mia Couto regressa à literatura infantil com o lançamento da obra As Sementes do Céu, que será apresentada ao público neste sábado, 13 de dezembro, às 10 horas, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.


O conto, ilustrado por Susa Monteiro, aborda a relação entre o ser humano e a natureza, destacando o valor da infância, da memória e do diálogo entre gerações. A narrativa acompanha um avô e o seu neto, que lamentam o avanço do desmatamento e refletem sobre a responsabilidade de preservar a vida que brota da terra. A história sublinha a importância de cultivar esperança e de construir um futuro sustentável.

O livro traz passagens emblemáticas, como: «Um dia, o avô espreitou pela janela e contemplou as montanhas. Deu um passo atrás, com as mãos no peito, como se lhe faltasse o ar. Apontou para o topo dos montes, lá onde vivia uma imensa floresta. Agora, restava apenas areia e pedra. Tinham cortado as árvores todas.»

O lançamento contará com uma leitura encenada pelos actores Fernando Macamo e Nélia Gilberto, seguida de uma intervenção do autor e sessão de autógrafos. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Moçambique - 7.ª edição da feira do livro “Ler é uma Festa” destaca produção literária moçambicana

A Fundação Fernando Leite Couto prepara-se para acolher, de 25 de Novembro a 9 de Dezembro de 2025, a 7.ª edição da feira do livro “Ler é uma Festa”, um dos eventos literários mais marcantes do calendário cultural moçambicano. Este ano, a feira decorre sob o tema “O inventário do tempo”, integrando as celebrações dos 10 anos de existência da instituição.


A iniciativa, que tem como objectivo promover a leitura, aproximar leitores de autores e destacar a produção literária contemporânea, contará com a participação de cerca de 10 editoras e uma distribuidora. Entre as casas editoriais presentes estarão nomes de referência como Fundza, Ethale Publishing, Gala-Gala Edições, Catalogus, Alcance Editores, Massinhane, Escola Portuguesa de Moçambique, Trinta Zero Nove, Diário de uma Qawi, Kapim e a própria Fundação Fernando Leite Couto. A organização prevê uma grande diversidade de títulos, géneros e autores ao longo dos 15 dias de feira.

Além dos livros a “preços de festa”, a programação inclui encontros com autores, sessões de autógrafos, palestras e lançamentos. A abertura oficial decorre no dia 25 de Novembro, às 18 horas, com uma conversa entre quatro autores moçambicanos: Sónia Sultuane, Japone Arijuane, Otildo Justino Guido e Hélio Nguane, que irão debater o tema “De onde vêm as palavras que lemos e escrevemos”, com moderação de Anísia Sambo.

No dia 26 de Novembro, às 18 horas, será lançado o livro de poesia Miscelânea de Sonhos e Lágrimas, de Hipólito Patrício, apresentado por Hélder Muteia e António Barros. Já a 1 de Dezembro, o académico Francisco Noa irá conduzir uma reflexão essencial sobre o papel da educação e da cidadania em tempos de desinformação, na palestra “Educação e Cidadania em tempos de pós-verdade”.

A 3 de Dezembro, o destaque vai para a apresentação da obra Moçambique na Guerra e Paz, editada por Paula Ferreira, com apresentação de Mia Couto, seguida de uma conversa com Tomás Vieira Mário, Óscar Monteiro e Eduardo Quive, moderada por Ruben Morgado.

A feira inclui ainda atividades dedicadas à infância, espetáculos de teatro e música, reforçando o compromisso da Fundação em promover a diversidade cultural e incentivar novos públicos a mergulhar no universo da leitura.

“Ler é uma Festa” promete, mais uma vez, transformar a Fundação Fernando Leite Couto num espaço vibrante de celebração da literatura moçambicana. In “Moz Entretenimento” - Moçambique  


terça-feira, 11 de novembro de 2025

Moçambique - Eugénio Saranga expõe “Os que julgam sem voz” na Fundação Fernando Leite Couto

O artista plástico Eugénio Saranga apresenta, nesta quarta-feira, uma exposição intitulada “Os que julgam sem voz – ensaio sobre a ferida da caça furtiva”, na Fundação Fernando Leite Couto.


A exposição apresenta uma faceta de Saranga, virada para as questões contemporâneas da vida selvagem ao próprio comportamento humano ligado à natureza.

Eugénio Saranga pertence à geração de artistas que se posiciona num momento de reafirmação de arte plástica moçambicana e procura ir além do que se exige ao artista, viver o seu tempo e denunciar o que subverte a ordem das coisas. A natureza e tudo que nela habita.

Nas obras de desenho com recurso a tinta-da-china e caneta gel sobre papel, as imagens são associadas ao mundo selvagem ao mesmo tempo que espiritual. Sobre as figuras preenchidas pelo preto destaca-se o vermelho, das criaturas ávidas de se alimentar de outros seres, dos animais que serão feridos de uma morte inesperada, que vai servir a um fim que vai além da ganância humana.

Eugénio Saranga é, actualmente, artista plástico e curador de arte. É membro e vice-presidente do Núcleo de Arte e da Associação de Fotografia em Moçambique. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 7 de outubro de 2025

Moçambique - Derek Littleton apresenta “Onde sonhamos enquanto os leões rugem”

Derek Littleton apresenta, nesta quarta-feira, 8, a exposição de pintura intitulada “Onde sonhamos enquanto os leões rugem”, com a curadoria de Yolanda Couto. A exposição será inaugurada na Fundação Fernando Leite Couto.


Derek Littleton dedica a sua vida à conservação ambiental e social, protegendo elefantes, restaurando ecossistemas e empoderando comunidades, um caminho que iniciou nos parques nacionais do Zimbabwe, até chegar a Moçambique, onde há 25 anos se baseou na zona norte, concretamente na Reserva Especial do Niassa.

Na exposição, mostra-se o artista profundo que é Derek Littleton. Em “Onde sonhamos enquanto os leões rugem”., o artista coloca uma paleta de cores, onde predominam o verde, o azul, o cinza, castanho e amarelo, partindo de um ambiente de natureza intacta, onde tudo segue um curso normal ou ideal, com todos os seres em coabitação, intimamente ligados, desconhece-se o conflito, antes a harmonia de se ser e se pertencer.

São telas, na sua maioria, pintadas em acrílico e pastel sobre madeira, mas traduzindo o universo inesgotável das “coisas” e dos elementos da natureza, em diálogo com o espírito observador e sensível do artista. As obras de Derek fantasiam a humanidade onde o homem ao invés de lutar para alterar a ordem das coisas ele se envolve, adapta-se e complementa-se a outros seres. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 19 de agosto de 2025

Moçambique - Ana Bárbara Pedrosa e Lucílio Manjate trocam impressões literárias

Nesta quarta-feira, 20, a partir das 18 horas, na Fundação Fernando Leite Couto, Cidade de Maputo, os escritores Lucílio Manjate e Ana Bárbara Pedrosa vão trocar impressões sobre livros.

Numa sessão aberta ao público, os dois autores deverão partilhar processos criativos, dando a conhecer particularidades inerentes à oficina literária.

A escritora portuguesa Ana Bárbara Pedrosa encontra-se pela segunda vez em Moçambique, depois de, ano passado, ter estado em Maputo para uma residência literária, iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa e do Camões – Centro Cultural Português em Maputo.

Ana Bárbara Pedrosa é romancista portuguesa. Desde 2019, escreveu e publicou três romances, com selo da Bertrand Editora: “Lisboa, chão sagrado” (2019, finalista do prémio literário Fundação Eça de Queiroz), “Palavra do Senhor” (2021) e “Amor estragado”.

A autora escreve regularmente para vários órgãos de comunicação social, é cronista no jornal Mensagem de Lisboa, faz crítica literária no Observador e copywriting na Wook. É doutorada em Ciências Humanas, mestre em Estudos Portugueses, pós-graduada em Linguística, pós-graduada em Economia e Políticas Públicas e licenciada em Línguas Aplicadas. Actualmente, dedica-se exclusivamente à escrita.

Lucílio Manjate nasceu em Maputo, a 13 de Janeiro de 1981. É licenciado em Linguística e Literatura e Mestre em Filosofia pela Universidade Eduardo Mondlane, onde lecciona Literatura na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da mesma Universidade. É membro da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) e da Sociedade Moçambicana de Autores (SOMAS).

Participa também de eventos internacionais como jornadas literárias e outros encontros culturais. Escreve matérias para jornais e revistas e livros, alguns premiados, como Rabhia. É autor de obras em prosa para adultos e para crianças.

Manjate venceu o Prémio Revelação Telecomunicações de Moçambique, Prémio 10 de Novembro e Prémio Literário Eduardo Costley-White. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Moçambique – Escultor Mapfara e pintor Phamby expõem na Fundação Fernando Leite Couto

De 06 a 30 de Agosto, a Galeria da Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo, terá patente a exposição intitulada “Mahanhela”, do escultor Mapfara e do pintor Phamby.


Com curadoria de Yolanda Couto, “Mahanhela” é o mote para o encontro de duas gerações de artistas, duas linguagens e uma multiplicidade de representação sobre o colectivo, a comunhão, esse sentido de estar e ser juntos, vivências.

De acordo com a Fundação Fernando Leite Couto, com pintura em óleo sobre tela, as obras de Phamby destacam-se por representar “actos humanos”, nos seus estilos de vida, comportamentos e peculiaridades. Enquanto uns entregam o próprio corpo para o peso da vida, outros apegam-se ao lazer e ao entretenimento ou serão as duas coisas, sendo que uma complementa a outra. Mas a mensagem é mais profunda do que o simples materialismo.

A Fundação Fernando Leite Couto adianta ainda que as esculturas em cerâmica de Mapfara mostram o interior e o exterior em simultâneo, recusam-se à uma única forma, os rostos multiplicam-se aos olhos dos visitantes e guiam-nos por caminhos sinuosos que ultrapassam a razão. De olhos fechados evitam decifrar-se, deixam para o espectador a tarefa do exorcista.

Phamby, pseudónimo de Isac Abílio Tivane (1996), vive e trabalha em Maputo. Começou a dedicar-se na pintura em 2015, tornando-se membro do Núcleo d’Arte em 2017. Desde então teve as suas primeiras obras expostas no Núcleo d’Arte. Ganhou mais experiência trabalhando com outros artistas, principalmente com Butcheca e vem participando em várias exposições colectivas tais como: “Colecção Crescente” (2018) na Galeria Kulungwana, “Feições para um Retrato” (2018) em homenagem ao poeta Fernando Leite Couto, na Galeria FFLC.

Mapfara, nome artístico de António Horácio Sitoe, nasceu em Maputo aos 29 de Outubro de 1979, tendo iniciado a sua carreira em 1999, quando se junta à ACHUFRE (Associação Cultural). É daqui onde ele aprende a fazer cerâmica como autodidacta e com o passar dos anos vem desenvolvendo um estilo e técnicas próprias influenciando-se na cerâmica moderna e tradicional moçambicana.

As mais recentes exposições que realizou foram “O espírito do Mpfara” (2024), Galeria do Porto de Maputo e teve a sua obra representada na Expo Dubai 2020 no Pavilhão de Moçambique, e na exposição Colectiva Três Dimensõesʺ: Percursos, Densidades e Possibilidades (2021), no CCBM e CCFM.

Entre várias distinções foi vencedor do terceiro prémio do concurso FOOTARTE 2010, com o tema  “odeio o futebol ou adoro o futebol”; teve uma menção honrosa da bienal das TDM, 2009, e venceu o Commonwealth arts and Crafts Award 2007/2008 da Fundação Commonwealth. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 18 de julho de 2025

Moçambique - Sétimo Prémio Literário Fernando Leite Couto atribuído a Zacarias Nguenha

O Prémio Literário Fernando Leite Couto 2025 dedicado ao género Poesia, é atribuído a “Costurar a Linguagem”, original da autoria de Zacarias Lucas Lázaro Nguenha (31 anos), da província de Manica. A decisão do júri foi anunciada na noite desta quinta-feira, 17, em cerimónia pública que teve lugar na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.  Coube ao presidente do júri, Matteo Angius, o anúncio da decisão.


Costurar a linguagem associa de forma apelativa os elementos universais que vêm ganhando uma dimensão nova da linguagem poética, explorada como matéria viva construída, criando uma poesia ao mesmo tempo física e abstracta. Trata-se de um trabalho com ritmos e significação que revela domínio técnico e elevada maturidade da escrita.”

O júri que integra ainda o poeta Álvaro Taruma e a professora e poetisa Lica Sebastião felicitou o vencedor, alertando-o para “não adormecer à sombra da glória.”

Numa edição com 107 obras candidatas de autores de todo o país, destaca-se o conteúdo patente na maioria das obras propostas.

“Os autores manifestaram preocupação com o estado da Nação. As lamúrias revelando pessimismo sobre o futuro foram mitigadas por uma incessante procura de identidade, com a urgência de uma maior dedicação ao Amor e à partilha do bem comum.”, disse o presidente do júri.

Sinal de alerta vem da identificação de textos que terão sido escritos com recurso à inteligência artificial. De acordo com a acta, o júri tais práticas “comprometem a autenticidade, a originalidade e o amadurecimento literário individual dos participantes.”

Quanto ao vencedor da edição de 2025 do Prémio Literário Fernando Leite Couto, terá o livro editado e publicado em Moçambique pela Fundação Fernando Leite Couto, recebe o valor pecuniário de 150.000 Meticais, terá uma estadia por 30 dias em Portugal onde participará de um conjunto de actividades literárias, destacando-se a participação e apresentação do livro no FOLIO. Estes prémios são possíveis com as parcerias do Moza, Câmara Municipal de Óbidos, Câmara de Comércio Portugal Moçambique e Camões – Centro Cultural Português em Maputo.

Zacarias Lucas Lázaro Nguenha nasceu a 20 de fevereiro de 1994, na localidade de Munhinga, distrito de Sussundenga, província de Manica. É professor de Língua Portuguesa, licenciado pela Universidade Católica de Moçambique e frequenta o curso de Direito pela Universidade de Púnguè. Estrou-se como autor em 2024 com o livro de “Confissões da Madrugada”. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Moçambique - Novo romance de Mia Couto traz um diálogo com a História

Mia Couto lançou o seu novo romance, A cegueira do rio, esta quinta-feira, no Centro Cultural Moçambique-China. A obra literária traz um diálogo com a História de Moçambique, tendo Niassa como um espaço central.

Às 18 horas desta quinta-feira, A cegueira do rio, de Mia Couto, atraiu diversos leitores ao Centro Cultural Moçambique-China, na Cidade de Maputo. Numa audiência concorrida, o escritor apresentou uma obra literária que, sendo ficção, dialoga com um certo tempo, um certo espaço e uma certa circunstância de um território que hoje é Moçambique.

A cegueira do rio, na verdade, é um romance que atravessa o tempo para, num movimento anacrónico, recuperar do passado episódios dignos de ficção. “Este livro, mais uma vez, foi-me suscitado por um diálogo com a História. Há um episódio verídico, que aconteceu em 1914, em Niassa, na fronteira com a actual Tanzânia, que me suscitou uma grande curiosidade porque aquilo é um incidente militar, a guerra ainda estava a começar na Europa, em África não havia ainda. E é um incidente num lugar que não queria existir e que todos quiseram apagar”, disse o escritor.

A fim de dar expressão a um enredo e a um território, Mia Couto fez duas viagens a Niassa. Na província menos povoada do país, o escritor encontrou o que precisou para o seu romance ganhar densidade e essa espécie de ligação à realidade. “Eu acho que a literatura pode fazer esse exercício de nos convidar a ir a esse passado, porque a literatura não está à procura de culpados ou de apontar dedos às pessoas”, sublinhou.

No Centro Cultural Moçambique-China, o novo romance de Mia Couto foi apresentado ao público numa cerimónia realizada em jeito de sarau, com leituras dramatizadas/performances garantidas por Negro, Letícia Deozina e Rita Couto e momento de conversa conduzida por Daniel da Costa.

Para o escritor e jornalista Daniel da Costa, “Sente-se aqui que ele [Mia Couto] está à procura de um certo rumo, de mais chão na sua escrita. Em todas as escolhas que ele faz, parece-me que estava a pegar a periferia e a colocá-la no centro”.

Na cerimónia de apresentação do romance, a Ministra da Cultura e Turismo considerou que A cegueira do rio é um importante contributo para a literatura moçambicana. Por isso, recomendou a leitura do livro do escritor que tem levado a boa imagem de Moçambique além-fronteira.

A cegueira do rio é um livro editado pela Fundação Fernando Leite Couto. José dos Remédios – Moçambique in “O País”


terça-feira, 1 de outubro de 2024

Moçambique - Mia Couto lança novo romance esta quinta-feira, 03 de Outubro

Nesta quinta-feira, a partir das 18 horas, o Centro Cultural Moçambique-China, na Cidade de Maputo, vai receber a sessão de lançamento do novo romance de Mia Couto, intitulado “A cegueira do rio”.

No seu novo livro, Mia Couto escolhe uma aldeia no Norte de Moçambique como palco de um acontecimento que marca o início da Primeira Guerra Mundial no continente africano. O inesperado incidente militar abre espaço para uma série de misteriosos eventos que culminam com o desaparecimento da escrita no mundo. Livros, relatórios, documentos, fotografias, mapas surgem deslavados e ninguém mais parece ser capaz de dominar a arte da escrita. Os habitantes dessa aldeia são chamados a restabelecer a ordem no mundo, ensinando aos europeus o ofício da escrita e as artes da navegação.

De acordo com a nota de imprensa da Fundação Fernando Leite Couto, que edita o livro, “A cegueira do rio” será apresentado pelo escritor Daniel da Costa, num evento que terá momentos de leitura e performance com Negro, Rita Couto e Letícia Deozina.

A sinopse

Factos e personagens deste livro foram inspirados em eventos reais ocorridos numa e na outra margem do Rio Rovuma, que separa Moçambique da Tanzânia. O primeiro evento foi a insurreição popular que ficou conhecida como a «Revolta dos Maji-Maji» em protesto contra a cultura forçada do algodão. Encabeçada por um líder espiritual chamado Bokero, esta sublevação ocorreu entre 1905 e 1907 e a resposta das autoridades coloniais alemãs resultou num dos mais graves massacres da história de África. Pensa-se que entre 200 e 300 mil camponeses foram assassinados.

O segundo evento consistiu no assalto alemão ao posto militar português de Madziwa em agosto de 1914. Um sargento português e 11 sipaios africanos foram mortos nesse ataque.

No resto, tudo o que se relata neste livro tornou-se verdadeiro a partir do momento em que foi escrito. In “O País” - Moçambique


sábado, 13 de julho de 2024

Moçambique - Francisco Panguana Júnior vence Prémio Literário Fernando Leite Couto

O moçambicano Francisco Panguana, de nome artístico Aristarco Velos, é o vencedor da 6.ª edição do prémio literário Fernando Leite Couto, com a obra "Os peregrinos da sobrevivência", anunciou em Maputo, o júri.


"A obra ‘Os peregrinos da sobrevivência’ foi selecionada devido à sua criatividade, inovação temática, correção linguística e domínio técnico narrativo", justificou o júri na voz da sua presidente, Teresa Manjate.

A distinção de Francisco Panguana Júnior, natural da província de Tete, no centro de Moçambique, inclui um valor de 150 mil meticais (2154 euros) e a edição e publicação da obra em Moçambique e em Portugal.

Para além do valor, Francisco Panguana Júnior vai beneficiar de uma residência literária em Portugal, onde vai participar no festival internacional de literatura de Óbidos, em outubro.

O livro "Os peregrinos da sobrevivência" será editado pela Fundação Fernando Leite Couto com 600 exemplares, dos quais 100 serão impressos em Lisboa, com o patrocínio da Câmara de Comércio Portugal-Moçambique, sendo o livro apresentado durante o festival de literatura de Óbidos.

Além de Teresa Manjate, o júri foi composto pelos professores de literatura Aurélio Cuna e Agostinho Goenha, pela bibliotecária Aissa Mithá e pelo jornalista Gil Filipe, tendo sido avaliadas 67 obras.

O prémio literário Fernando Leite Couto, que "distingue novos autores", tem como objetivo "estimular a produção" de novas obras literárias de novos autores moçambicanos que escrevem em língua portuguesa. In “RTP” - Portugal




segunda-feira, 17 de junho de 2024

Moçambique - Pedro Pereira Lopes é o grande vencedor do Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil

O Camaleão que tinha desaprendido de mudar de cor, de Pedro Pereira Lopes, é a obra vencedora da segunda edição do Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil, organizado pela Associação Kulemba


A recente obra literária de Pereira Lopes destacou-se entre cinco finalistas, segundo a acta do júri, sempre com qualidades apuradas. Os membros do júri chegaram a tal conclusão porque observaram semelhanças ao nível da moral, dos ensinamentos e a mensagem das obras. Também por isso, o júri encontrou algumas dificuldades no decurso do processo de selecção da obra vencedora. Ainda assim, concluiu, por maioria de dois votos, dos três possíveis, a favor de proclamar vencedor de entre os 10 livros candidatos ao prémio, a obra “O camaleão que tinha desaprendido de mudar de cor”, de Pedro Pereira Lopes.

“Esta é, para a maioria dos membros do Júri, de entre as obras concorrentes ao Prémio, aquela que mais se aproxima do conjunto de critérios desejáveis numa obra de qualidade, a ponto de justificar a atribuição de um Prémio”, lê-se ainda na acta do júri: “A história está escrita com rigor linguístico e sem erros, e apresenta um texto bem balanceado, com melodia e que, por vezes, oferece mesmo alguns laivos artísticos, o que faz dela um texto de leitura aprazível. É uma história com enredo, não se antevendo logo à partida qual será o desfecho, o que apela à leitura até ao final. Apresenta diálogos bem construídos e relevantes para o texto, conferindo deste modo uma boa interacção entre os personagens, factor que vai ao encontro de uma das características mais recomendadas para uma história de livro infanto-juvenil de qualidade”.

Para os membros do júri da segunda edição do Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil, Carlos dos Santos, Alberto da Barca e Benjamim João, a história de Pereira Lopes passa duas importantes mensagens com carácter educativo, de relevância cada vez maior na actualidade, nomeadamente sobre a importância da protecção e da preservação do ecossistema, sugerindo os impactos negativos que o desequilíbrio do meio ambiente traz para os seres vivos, e também sobre o facto de que a união e a acção concertada entre as pessoas tem força para provocar mudanças na sociedade e no mundo.

Assim, “a eleição da história O camaleão que tinha desaprendido de mudar de cor nada diz sobre a qualidade das restantes obras, que não deixam de ter as suas próprias qualidades e valor”. clarifica o júri: “Significa tão somente que estas, segundo a opinião do júri, se aproximam menos de alguns dos critérios universais utilizados na análise integral das obras do que a obra vencedora”.

Pedro Pereira Lopes é o segundo autor a vencer o Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil, depois de Carlos dos Santos, ano passado, com a obra Os pintores de sonhos.

Ilustrado por Nelsa Guambe, O camaleão que tinha desaprendido de mudar de cor foi lançado sob a chancela da Fundação Fernando Leite Couto, em 2023. Com efeito, a distinção na segunda edição do Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil permite ao escritor e à ilustradora serem agraciados com 100 mil meticais, isto é, 80 mil para Pedro Pereira Lopes e 20 mil para Nelsa Guambe.

As outras quatro obras finalistas da segunda edição do Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil são A breve história do livro que gostaria de ser escrito, de Celso C. Cossa, O desamparo das flores, de Miguel Luís, Quando a Marta aprendeu a pedalar, de Eliana N՛Zualo, e O Kaio e o cão Panda, de Patrícia Vasco. José dos Remédios – Moçambique in “O País”


quarta-feira, 22 de maio de 2024

Moçambique - Hélio Nguane lança “Lagartos de Madeira e Zinco”

O jornalista e escritor Hélio Nguane lançou, esta terça-feira, a obra “Lagartos de Madeira e Zinco”. O livro reflecte o cotidiano moçambicano a partir de bairros da periferia da cidade de Maputo.


É o resultado de um processo de observação do cotidiano moçambicano a partir de Mafalala e outros bairros periféricos da capital do país.

Neste exercício, que o autor faz com paixão, Hélio Nguane propõe ao leitor 41 experiências em forma de crónicas.

O livro, considera o escritor, é um microfone que liberta várias vozes moçambicanas com o objectivo de provocar reflexões sobre a vida e a sociedade.

O lançamento da obra foi presenciado por várias pessoas, incluindo personalidades como o escritor Mia Couto. Regina Ernesto – Moçambique in “O País”


terça-feira, 2 de abril de 2024

Moçambique - TP50 interpreta Bossa Nova na Fundação Fernando Leite Couto

O agrupamento TP50 apresenta, quinta-feira, às 18 horas, um espectáculo de revisitação aos clássicos da Bossa Nova. Intitulado, “TP50 Canta Bossa Nova” vai acontecer na Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), em Maputo, e representa uma renovação da lealdade do grupo às suas origens em termos de ritmos e sonoridades, a Bossa Nova.


No concerto, TP50 vai evocar 14 clássicos interpretados por uma banda de oito músicos, quatro vozes e uma declamadora. “A nossa visão é essencialmente de uma Arte associada ao Humanismo e a Bossa Nova contêm não apenas uma inexplicável estética como uma poesia que toca e eleva o humanismo, incluindo uma ampla gama de emoções e razões como a resistência a repressão, ao amor, o ciúme, a paixão para citar alguns exemplos”, justifica António Prista, director do TP50, citado na nota de imprensa da FFLC.

“TP50 Canta Bossa Nova” não tem uma dedicatória específica, mas carrega na Alma todos os amigos que tornaram possível o surgimento do colectivo “em todos esses anos de violadas repletas de amizade e humanismo. Em particular os que já não estão como o Hortêncio Langa e o Calane da Silva que trazemos sempre para dentro dos nossos espectáculos”, reforça Prista.

Para TP50 fazer da Bossa Nova uma ferramenta de comunicação é fundamental para os dias de hoje, não só pelo contexto actual de Moçambique, mas do mundo em geral.

“No tempo que vivemos hoje em quase todo o mundo, a poesia da Bossa Nova e a beleza das harmonias e melodias são de novo muito oportunas”, diz o nosso interlocutor. In “O País” - Moçambique


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Moçambique - Fundação Fernando Leite Couto abre o ano de actividades com a exposição “Alquimias de Amor”

Inaugura na próxima segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2024, às 18 horas, na Galeria da Fundação Fernando Leite Couto, a exposição de pintura intitulada “Alquimias de Amor”, dos artistas plásticos Rūta Jusionytè e Francisco Sepúlveda, com a curadoria de Yolanda Couto.


Segundo uma nota de imprensa enviada à Moz Entretenimento, a exposição marca a abertura do ano de actividades culturais da Fundação Fernando Leite Couto e revela as mais recentes obras de dois artistas cuja linguagem define-se pela harmonia, paz interior, viagem e utopia. Pode-se também encontrar nas obras, apesar das diferenças claras, a tendência para elevar o imaginário, a sonoridade, a interação de vários seres que remetem ao passado das tradições culturais europeias e latino-americanas, mas próximas do contexto africano, onde a natureza e as cores da terra constituem cenário comum.

Artistas com créditos firmados e constantemente preocupados em inovar, Rūta Jusionytè que é de origem lituana e Francisco Sepúlveda, de origem chilena, complementam-se na linguagem que imprimem nas suas obras. O espectador tem à sua espera uma mostra que em cada quadro uma nova e diferente ideia do mundo se lhe expõe sem forçar as conclusões.

Rūta Jusionytė, uma artista que vive e trabalha em Paris, organiza exposições anuais de pinturas e esculturas na Galeria de arte contemporânea “Menu Tiltas” em Vilnius, na Lituânia. Em 2023 preparou uma exposição de Verão para a Galeria Klaipèda na Polónia, conjuntamente com o seu marido, o pintor e gravador Francisco Sepulveda.  A geografia das exposições dos artistas é mundial: galerias em França, Espanha, Suíça, Dinamarca e agora em Moçambique.

“Começo apenas com um mosaico colorido na tela, pontilhando pontos de forma divertida e vendo o que sai, improvisando e buscando sentido na poética aleatória das imagens. E vejo nessas formas e manchas as figuras e silhuetas de pessoas e feras. gnomos, cachorros, rostos de meninas ou suas formas vêm de cima ou de lado da tela…” afirma Rūta Jusionytè, sobre o seu processo criativo.

Francisco Sepúlveda é chileno, nascido em Santiago, com sólida formação em arte e muitas aventuras em viagens desde os 15 anos. Tendo viajado pela América Latina, México e Cuba, e vivido cinco anos em Moçambique, sem dúvida acumulou muitas impressões e influências de diversas culturas e escolas de arte. O artista também foi atraído pelos princípios das culturas antigas: arte mesopotâmica, egípcia e persa. O estilo decorativo das miniaturas persas, a estilística ornamental e a cor pura se transformam em um estilo distinto.

Nas pinturas de Francisco Sepúlveda a atmosfera de devaneio é criada pela percepção do tempo e do espaço. O espectador não sabe que horas são – dia ou noite, que lugar é – o ambiente é decorativo, plano, ornamental. Mesmo sem ler ou ouvir todos os contos de fadas e lendas chilenas, você percebe que as pinturas do artista retratam uma história que ele ouviu de sua avó ou mãe. A ligação entre o homem e a natureza não abandona o artista enquanto mora em Paris.

“Alquimias de Amor”, de Rūta Jusiony e Francisco Sepúlveda, fica patente na Fundação Fernando Leite Couto até o dia 3 de Março. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


terça-feira, 28 de novembro de 2023

Moçambique – Mia Couto lança “Compêndio para desenterrar nuvens”

Ao todo, o novo exercício literário de Mia Couto tem 142 páginas. Com o título “Compêndio para desenterrar nuvens”, a obra literária é uma viagem pelo universo do conto, onde o autor escreve, principalmente, sobre as relações humanas e sociais.

Editado pela Fundação Fernando Leite Couto, o livro “Compêndio para desenterrar nuvens” será lançado em cerimónia esta terça-feira, a partir das 18 horas, no recém-inaugurado Centro Cultural Moçambique-China, localizado no Campus Principal da Universidade Eduardo Mondlane, na Cidade de Maputo.

Segundo a nota da editora, antes dos textos de Mia Couto serem contos, foram crónicas publicadas na imprensa, o que se pode constatar na nota do editor do próprio livro; “Os contos recolhidos nesta colectânea foram publicados mensalmente na revista Visão [Portugal]. O autor aproveitou esta oportunidade para introduzir pequenas alterações”, que, ao longo das histórias, transportam o leitor a uma dimensão sustentada por diferentes crises e peripécias.

Neste livro, Mia Couto revive o ambiente social do seu país, coloca as personagens a personificarem sentimentos e emoções carregadas de acontecimentos quotidianos.

Na mesma nota de imprensa, a Fundação Fernando Leite Couto avança que “Estas estórias flutuam entre o real e o imaginário, territórios quase invisíveis se pensarmos no universo moçambicano, habitado por muitas histórias. Mia Couto traz personagens e cenários improváveis, com a poeticidade que lhe é característica, com uma narração que dá tempo ao leitor para levantar o seu próprio voo para um mundo em que todas as coisas tem vida própria”.

“Compêndio para desenterrar nuvens” é constituído por 22 contos, entre os quais “O culto dos pesarosos”, “O nome do pai”, “O eterno retorno”, “Viver de graça, morrer de raça”, “Lição de caligrafia” e “Desenterrar nuvens”. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Moçambique - Fundação Fernando Leite Couto inaugura colectiva “daqui e dali”

A Fundação Fernando Leite Couto inaugurou, esta quarta-feira, a exposição colectiva intitulada “Daqui e dali”, juntando os artistas plásticos, António Mucavele, Bruno Chichava, Miguel Levy, Nhongwene e Simbraz.


Na nota de imprensa da Fundação Fernando Leite Couto, lê-se que os cinco artistas se reúnem na exposição para levantar reflexões sobre o contexto social moçambicano em diferentes perspectivas. Todos eles, de diferentes passados e presentes, até divergentes nos anos de experiência e de vida, têm como factor de interesse os desencontros ou as discordâncias entre as cenas representadas.

A temática escolhida, de acordo com a curadora Yolanda Couto, embora abordada em diferentes vertentes quer na técnica utilizada quer ainda na forma de interpretação pessoal é, contudo, nesta exposição a sociedade em geral numa uni-multiplicidade de aspectos daqui e dali. Por isso o título escolhido que procura conferir a liberdade de interpretação que nos desafia nesta mostra eclética, mas também a maturidade do que persegue cada um dos artistas, enquanto narrativa e estilo.

António Mucavele (n.1997) apresenta um trabalho curioso de aplicação de técnicas mistas e materiais para a construção das suas esculturas. Utilizando o carvão vegetal como “matéria-prima”, as suas esculturas ganham formas que representam verdadeiras personagens em plena acção.

Bruno Chichava (n.1990), conhecido pelas paredes transformadas em telas, suas obras gravitam numa combinação de cores e símbolos que nos remetem para as relações com o imaginário, mas com a natureza em diálogo com uma África mítica.

Miguel Levy (n. 1957, Portugal) é tem no pincel as texturas da cidade, do dia-a-dia das pessoas nos passeios, nas ruas e até na sua intimidade. Na sua pintura destacam-se personagens que se aproximam de imediato das nossas curtas memórias e relações com espaços e personagens.

Nhongwene (n.1978) as suas obras fazem uma introspecção sobre o sujeito artístico, os dilemas e meditações do interior que se socorrem da inspiração artística para representar “retratos” ou figuras anónimas, mas que deambulam na mente e na alma do artista.

Simbraz (n.1992) apresenta as cores e as gentes quase como elas são, cabe a nós conferir-lhes narrativas. Fica o desafio, diante da inspiração e do talento artístico. In “O País” - Moçambique


quinta-feira, 16 de março de 2023

Moçambique - Enfrenta um momento literário muito fértil, mas é preciso investir na internacionalização dos autores, segundo Fátima Mendonça

A ensaísta e professora Fátima Mendonça defendeu, esta quarta-feira, na Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo, que Moçambique enfrenta um momento muito fértil na produção literária. Entretanto, é fundamental que os diferentes intervenientes invistam na internacionalização das obras dos autores poetas e escritores moçambicanos


Entre 1977 e 2004, Fátima Mendonça leccionou na Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Durante 27 anos, deu aulas a uma geração de ensaístas, escritores ou professores que, actualmente, são referências em Moçambique e no estrangeiro. Por exemplo, Francisco Noa, Paulina Chiziane, Nataniel Ngomane, Aurélio Cuna, Sara Jona Laisse e Aissa Mithá Issak. Aliás, tem-se dito que Fátima Mendonça é a professora de todos, no que à literatura diz respeito, pois, logo a seguir à independência nacional, foi uma das principais estudiosas que se dedicou a analisar as obras dos escritores nacionais ou o movimento literário.

Actualmente, Fátima Mendonça vive em Portugal, mas, ainda assim, continua muito atenta ao que se tem produzido em Moçambique. Por isso mesmo, na segunda sessão do Mabulu – livros e histórias da minha vida, realizada esta quarta-feira, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, a ensaísta e professora reformada pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM referiu-se abertamente às novas tendências literárias nacionais. Segundo disse Fátima Mendonça, o país enfrenta um momento muito fértil em termos de produção literária. Inclusive, com autores capazes de atrair interesses editoriais do estrangeiro, sobretudo do Brasil. “Eu não sou muito abundante em elogios, mas há, realmente, quer poetas, quer narradores, a surgirem agora, muito bons. Até me parece que são mais sensíveis em aperfeiçoar o que escrevem, em ser rigorosos e reescrever sem pressa de ter o texto pronto. Penso que daqui a uns 10 anos será possível ver o resultado deste movimento”.

No entendimento de Fátima Mendonça, o facto de haver movimentos dedicados à literatura em várias províncias do país favorece o surgimento de autores que se envolvem na dinamização da arte literária. No entanto, afirmou a ensaísta, apenas o momento fértil e a existência de bons movimentos não basta na colocação da literatura moçambicana num alto patamar. A acompanhar a qualidade literária, é indispensável a criação de revistas e páginas de jornais envolvidas na promoção e divulgação. Sem isso, há um vazio que fica. “Se ficamos só à espera das edições dos livros, fica um hiato entre o momento em que a pessoa começa a escrever e o momento em que realmente edita um livro. Esse hiato, quanto a mim, é preenchido pelas revistas. Os prémios também cumprem o seu papel, mas a divulgação tem de ser através da imprensa. E isso eu acho que falta, acho que falta espaço para divulgação”.

Além da divulgação interna, Fátima Mendonça referiu-se à importância da internacionalização das obras dos autores moçambicanos, o que depende da recepção, por exemplo, no país de chegada. “É preciso que aquilo que se exporta tenha uma boa recepção. Varia muito. Há países que gostam de um certo exotismo e um livro que tenha essas características é bem recebido”.

Ainda no campo da internacionalização literária, Fátima Mendonça destacou a importância das feiras do livro porque, além do intercâmbio artístico e cultural, é nelas que se conseguem contratos para edição e tradução.

Além de leccionar na UEM, Fátima Mendonça trabalhou em várias outras universidades. Por exemplo, no Zimbabwe, na África do Sul, na Rússia, em França, em Espanha, no Brasil e em Portugal. Como ensaísta, publicou Literatura moçambicana – as dobras da escrita (2012), Rui de Noronha: meus versos (2006), Antologia da nova poesia moçambicana (co-autoria, 1993), Literatura moçambicana – a história e as escritas (1989), co-organizou a edição da obra Sangue negro, de Noémia de Sousa, o livro póstumo Poemas eróticos, de José Craveirinha, e é co-autora de João Albasini e as luzes de Nwandzengele (2014). Em 2016, foi laureada com o Prémio de Literatura José Craveirinha, o mais importante do país. José dos Remédios – Moçambique in “O País”



quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Moçambique - Mia Couto e Manoela Pamplona lançam “A revolta dos instrumentos”



Às 10 horas deste sábado, na Fundação Fernando Leite Couto, será lançado o livro infanto-juvenil A revolta dos instrumentos, de Mia Couto e Manoela Pamplona, ilustrado por Ana Lúcia (Nwtana), e com músicas de TP50.

Segundo avança uma nota de imprensa, a obra é a adaptação de um musical proposto pelo agrupamento TP50. Deste trabalho já resultou um CD, lançado ano passado, com o patrocínio da Couto, Graça & Associados.

O enredo escrito por Mia Couto e Manoela Pamplona narra uma revolta dos instrumentos contra os músicos. Os instrumentos eram velhos e estavam armazenados há muitos anos quando os músicos os foram buscar para formarem uma banda. Volvidas duas semanas de muito ensaio de preparação para um espectáculo, os instrumentos, cansados de tanto serem tocados, e depois deixados descobertos no frio e no escuro, com o agravante de terem descoberto que não aparecem nos cartazes, o que entendem como falta de consideração, indignam-se e começam uma revolta.

A situação divide opiniões entre os instrumentos. Na discussão há alguns que defendem a realização de uma greve contra os músicos e outros que defendiam a submissão, pois essa é a função dos instrumentos.

Na véspera do show, o percussionista escutou o tambor reclamando dos maus-tratos e decidiu estabelecer o diálogo que conduziu à reconciliação por terem entendido que uns não existem sem os outros.

A nota de imprensa da Fundação Fernando Leite Couto adianta que a sessão de lançamento contará com a performance de Letícia Deozina, na voz, Nicolau Cauaneque, no piano, e uma performance das actrizes Sufaida Moiane e Clotilde Guirrugo. In “O País” - Moçambique