Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Internacional - Exposição na cidade de Lisboa celebra diálogo artístico entre Japão e Portugal

A exposição internacional “Viagem ao Japão” regressa este mês para a sua quarta edição, reforçando o diálogo artístico entre Portugal e o Japão. A mostra inaugura esta sexta-feira, às 17h00, no Atelier Natália Gromicho, em Lisboa, onde permanecerá patente até 17 de julho


Depois do sucesso das edições anteriores, a iniciativa volta a reunir diferentes linguagens artísticas numa reflexão sobre cultura, identidade, tradição e expressão contemporânea, promovendo um encontro entre artistas portugueses e o universo estético japonês.

Pela primeira vez, a exposição coloca em destaque um grupo de artistas portugueses, cujas obras serão apresentadas em diálogo com perspetivas inspiradas no Japão, num intercâmbio intercultural que pretende aproximar as duas culturas através da arte.

A mostra reúne trabalhos de pintura, desenho, escultura, fotografia e técnicas mistas, convidando o público a descobrir diferentes interpretações da estética japonesa e da criatividade contemporânea portuguesa.

Os artistas portugueses selecionados para esta quarta edição são Ana Malta, Inês Prats, Joaquim Gromicho, Leonor Ribeiro, Mafalda Gonçalves, Mariana Santos, Natália Gromicho, Patrícia Mariano, Pedro Charters, Rita Félix e Tamara Alves. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Portugal – Cidade do Porto celebra os 90 anos de Malangatana com exposição e programação cultural

A cidade do Porto acolhe, a partir deste sábado, 11 de abril, a celebração do 90.º aniversário do renomado artista moçambicano Malangatana Valente Ngwenya, (Matalana, distrito de Marracuene, Moçambique, 6 de junho de 1936 – Matosinhos, Portugal, 5 de janeiro de 2011) com a inauguração da exposição “Crepúsculo Moçambicano”, no Espaço MIRA, às 16h

A mostra reúne diversas expressões artísticas, incluindo pintura, escultura, desenho, gravura, fotografia, cinema e memorabília, homenageando o legado multifacetado de Malangatana e a riqueza da arte moçambicana. A curadoria está a cargo de Lurdes Macedo e Manuel Santos Maia.

A programação estende-se até ao final de junho, com actividades a decorrer também no MIRA Fórum, incluindo lançamento de livro, leitura performativa, exibição de documentário, debates e um colóquio inserido na II Escola de Verão de Estudos Africanos em Português.

Entre os destaques, consta o lançamento do livro Malangatana: The Eye of the Crocodile, de Richard Gray, agendado para 9 de maio, bem como a exibição do documentário “No Trilho de Malangatana: Do Legado à Memória”, seguida de debate, no dia 6 de junho.

A exposição conta ainda com obras de vários artistas, como Reinata Sadimba, Rúben Zacarias e Shikhani, entre outros, além de contribuições documentais e bibliográficas de importantes nomes da literatura e investigação lusófona, incluindo Mia Couto e Paulina Chiziane.

A iniciativa resulta de uma colaboração entre a Fundação Malangatana Valente Ngwenya, o CICANT/LabCLIP, as Galerias Mira e a Colecção João de Almeida, reforçando os laços culturais entre Moçambique e Portugal. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


terça-feira, 24 de março de 2026

Angola - Artistas exibem “100tenário de Camilo Pessanha” em exposição colectiva no Camões Centro Cultural Português

O Camões Centro Cultural Português, em parceria com o literArte, realiza hoje, a partir das 17h30, a inauguração da 14.ª Exposição colectiva “100tenário de Camilo Pessanha”, uma mostra que reúne uma selecção de 14 artistas, inspiradas em três poemas do poeta e escritor português Camilo Pessanha. Depois da abertura oficial, a mesma estará patente ao público até 15 de Abril do corrente ano


Inspirada nos poemas “Caminho”, “Vénus” e “Voz Débil que Passas”, trata-se não apenas de uma exposição de artes plásticas, mas de uma mostra que representa um encontro entre gerações, unindo uma nova geração de artistas angolanos a um dos maiores nomes da literatura portuguesa.

A exposição apresenta 28 obras, entre pintura, escultura, gravura e cerâmica, explorando diferentes correntes artísticas, como o surrealismo ou o realismo, entre outras abordagens contemporâneas.

Em declaração à imprensa, o assessor de cooperação-cultura do Camões-Centro Cultural Português, João Azeredo, disse que o grupo é composto por 14 artistas diferentes que vão colocar os seus trabalhos à disposição da comunidade, alguns com mais experiência na área e outros com menos tempo de carreira. Maria Custódia – Angola in “O País”


sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Moçambique – Escultor Mapfara e pintor Phamby expõem na Fundação Fernando Leite Couto

De 06 a 30 de Agosto, a Galeria da Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo, terá patente a exposição intitulada “Mahanhela”, do escultor Mapfara e do pintor Phamby.


Com curadoria de Yolanda Couto, “Mahanhela” é o mote para o encontro de duas gerações de artistas, duas linguagens e uma multiplicidade de representação sobre o colectivo, a comunhão, esse sentido de estar e ser juntos, vivências.

De acordo com a Fundação Fernando Leite Couto, com pintura em óleo sobre tela, as obras de Phamby destacam-se por representar “actos humanos”, nos seus estilos de vida, comportamentos e peculiaridades. Enquanto uns entregam o próprio corpo para o peso da vida, outros apegam-se ao lazer e ao entretenimento ou serão as duas coisas, sendo que uma complementa a outra. Mas a mensagem é mais profunda do que o simples materialismo.

A Fundação Fernando Leite Couto adianta ainda que as esculturas em cerâmica de Mapfara mostram o interior e o exterior em simultâneo, recusam-se à uma única forma, os rostos multiplicam-se aos olhos dos visitantes e guiam-nos por caminhos sinuosos que ultrapassam a razão. De olhos fechados evitam decifrar-se, deixam para o espectador a tarefa do exorcista.

Phamby, pseudónimo de Isac Abílio Tivane (1996), vive e trabalha em Maputo. Começou a dedicar-se na pintura em 2015, tornando-se membro do Núcleo d’Arte em 2017. Desde então teve as suas primeiras obras expostas no Núcleo d’Arte. Ganhou mais experiência trabalhando com outros artistas, principalmente com Butcheca e vem participando em várias exposições colectivas tais como: “Colecção Crescente” (2018) na Galeria Kulungwana, “Feições para um Retrato” (2018) em homenagem ao poeta Fernando Leite Couto, na Galeria FFLC.

Mapfara, nome artístico de António Horácio Sitoe, nasceu em Maputo aos 29 de Outubro de 1979, tendo iniciado a sua carreira em 1999, quando se junta à ACHUFRE (Associação Cultural). É daqui onde ele aprende a fazer cerâmica como autodidacta e com o passar dos anos vem desenvolvendo um estilo e técnicas próprias influenciando-se na cerâmica moderna e tradicional moçambicana.

As mais recentes exposições que realizou foram “O espírito do Mpfara” (2024), Galeria do Porto de Maputo e teve a sua obra representada na Expo Dubai 2020 no Pavilhão de Moçambique, e na exposição Colectiva Três Dimensõesʺ: Percursos, Densidades e Possibilidades (2021), no CCBM e CCFM.

Entre várias distinções foi vencedor do terceiro prémio do concurso FOOTARTE 2010, com o tema  “odeio o futebol ou adoro o futebol”; teve uma menção honrosa da bienal das TDM, 2009, e venceu o Commonwealth arts and Crafts Award 2007/2008 da Fundação Commonwealth. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Moçambique - Gonçalo Mabunda apresenta “O Adivinho dos Fabricantes da Pobreza”

“O Adivinho dos Fabricantes da Pobreza”, de Gonçalo Mabunda, é o título da exposição que se segue no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo.


Com curadoria de Mauro Pinto, a mostra será inaugurada na quarta-feira da próxima semana, 13 de Agosto, às 18h, na Sala de Exposições do CCFM, e poderá ser visitada até ao dia 18 de Outubro.

A nova mostra de Mabunda insere-se nas comemorações dos 30 anos do CCFM e dos 50 anos da independência de Moçambique, celebrando igualmente os 50 anos de idade de Gonçalo Mabunda, artista com um percurso consolidado no panorama artístico nacional e internacional, cuja história está intimamente ligada ao CCFM.

Reconhecido nacional e internacionalmente pelas suas emblemáticas esculturas construídas a partir de armas desactivadas — como tronos, máscaras e figuras antropomórficas, Mabunda apresenta uma obra marcada pela reflexão sobre a guerra, a memória colectiva e os mecanismos de poder, fundindo crítica política, arte contemporânea e herança cultural africana.

Sobre o artista

Gonçalo Mabunda nasceu em 1975, em Maputo, onde actualmente vive e trabalha. A sua prática artística está profundamente enraizada na memória histórica de Moçambique, país que atravessou uma prolongada guerra civil entre 1977 e 1992. Utilizando armas como matéria-prima, o artista converte instrumentos de destruição em poderosos objectos escultóricos. Desde 1992, está associado ao Núcleo d’Arte e participou no emblemático projecto “Transformação de Armas em Arte”. Um dos temas recorrentes do seu trabalho é o Trono, símbolo tanto da tradição africana como da crítica aos regimes autoritários que se perpetuam no poder através da violência.

Apesar do peso simbólico das armas, as obras de Mabunda transmitem uma mensagem de esperança, transformação e resiliência, exaltando o papel da arte como veículo de reconstrução e diálogo social.

Gonçalo Mabunda possui colecções  no Centre Pompidou, Paris, França; Tropenmuseum, Amesterdão, Países Baixos; Museu do Exército, Suécia e Países Baixos; Museus Vaticanos, Vaticano; Museum of Arts and Design (MAD), Nova Iorque, EUA; Brooklyn Museum, Nova Iorque, EUA; Saint Louis Art Museum, Missouri, EUA; Victoria and Albert Museum, Reino Unido; Louvre Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos; Museu Nacional de Arte, Moçambique; Fundação Projustitiae, Portugal; Parque da Devesa, Vila Nova de Famalicão, Portugal; Memorial de Caen, França; Museu Nacional do Uruguai, Uruguai; Tempietto del Carmelo, Roma, Itália; Musée International des Arts Modestes, França; Public Art Norway e Governo Provincial da Noruega; ou Parque Internacional de Escultura, Pequim, China. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 23 de maio de 2025

França - Encontrado busto de Jim Morrison roubado há 37 anos de cemitério de Paris

O busto do cantor Jim Morrison, figura icónica da banda The Doors, roubado há 37 anos do famoso cemitério parisiense Père Lachaise, foi descoberto acidentalmente durante uma operação policial.



A polícia de Paris anunciou na segunda-feira, através das redes sociais, a descoberta da escultura, criada pelo artista croata Mladen Mikulin, que foi roubada durante a noite, sem pistas sobre os criminosos.

Jim Morrison foi um cantor, compositor e poeta norte-americano que era o vocalista principal e letrista da, também ela icónica banda de rock The Doors, com enorme sucesso desde que foi fundada em 1965.

Devido à sua personalidade carismática, letras poéticas, voz marcante e performances imprevisíveis, para além das circunstâncias dramáticas que rodearam a sua vida e morte prematura, Jim Morrison é considerado pelos críticos musicais e fãs como um dos vocalistas mais influentes da história do rock.

Segundo a Wikipédia, desde a sua morte, em 1971 a sua fama perdurou como um dos principais ícones rebeldes e frequentemente exibidos da cultura popular, representando a diferença de gerações e a contracultura jovem.

Embora a sua morte tenha sido oficialmente atribuída a uma paragem cardíaca no seu apartamento na rua Beautreillis, várias testemunhas sugeriram posteriormente uma overdose numa discoteca que teria sido ocultada pelas autoridades e amigos.

O túmulo de Jim Morrison é um dos mais famosos do cemitério de Père Lachaise, apesar de ser o lar de muitas grandes figuras, como Oscar Wilde, Frédéric Chopin, Yves Montand e Sarah Bernhardt.

O busto foi colocado em 1981 para celebrar o décimo aniversário da morte do músico, no entanto, apenas sete anos depois, foi roubado.

Segundo a agência Lusa, a busca policial, conduzida pela Brigada Financeira e Anticorrupção da polícia de Paris encontrou o busto na casa parisiense de um executivo de uma empresa que estava sob investigação por falsificação de documentos contabilísticos.

As autoridades ainda não esclareceram se o busto será devolvido ao seu local original, mas os fãs de Jim Morrison, certamente que vão pressionar para poderem ir ao cemitério Père Lachaise prestar as suas homenagens a uma figura mítica dos anos 60, desaparecida na flor da idade… In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 4 de março de 2025

Macau - Cristina Rocha Leiria, autora do projecto do Centro Ecuménico Kun Iam: “A obra que mais me preencheu”

Até 13 de Março pode ser vista, no Centro Ecuménico Kun Iam, a mostra “Moments of Light with Kun Iam”, uma exposição de Cristina Rocha Leiria, arquitecta, escultora e autora do projecto do centro. Ao HM, Cristina Rocha Leiria fala de um espaço criado para todos, incluindo ateus, e lamenta a falta de divulgação da exposição



Fale-me de “Moments of Light”, a exposição patente no Centro Ecuménico Kun Iam.

CRL - O centro foi criado para o silêncio, porque tudo é feito para as maiorias, mas temos de pensar nas minorias, que têm direito de existir. Pode existir uma minoria que precisa de silêncio. Podem ser vistos cristais levados de Portugal e adquiridos também na China, escolhidos por mim, e pedras energéticas. Incluem-se ainda 25 peças feitas pela Atlantis [empresa portuguesa do grupo Vista Alegre] em cristal, além de um bazar com outros materiais.

O centro ecuménico foi inaugurado em 1999, passaram-se 25 anos. Como olha hoje para o projecto? Sente que está devidamente aproveitado?

CRL - É a obra que mais me preencheu. Trabalhei nele ao nível da arquitectura, porque é essa a minha área de formação, e trabalhei também com a escultura porque é o que faço, embora não tenha tirado qualquer curso. Faço escultura como terapia. Trabalhei ao nível da música com Rão Kyao e outro maestro, que perceberam o que eu queria e fizeram uma composição de tal ordem que toca o dia todo [no Centro] e as pessoas nunca se cansam. Tratei, na altura, de tudo o resto, da decoração e do que lá se vendia. As coisas foram-se esgotando e acabou por não haver quase nada para vender, à excepção de uns livros e postais. Criámos muita coisa que se vendia, os turistas iam lá, não faziam barulho porque percebiam que era um sítio de silêncio, compravam e esse espaço tinha um certo rendimento. Deve-se divulgar este centro ecuménico, que se tornou um ex-líbris de Macau, junto dos turistas como algo que Macau tem e que não existe em mais nenhum outro lugar urbano no mundo. Portanto, o centro funciona neste momento com uma exposição minha e um bazar que tem produtos que se vendem noutros locais e que não têm nada a ver com o centro ecuménico, mas que são um chamariz.

Como foi o arranque da construção deste projecto? Já tinha feito alguma coisa com tanta ligação ao mundo espiritual?

CRL - Vivi em Moçambique até ir para Lisboa estudar arquitectura. Desde criança que conheço a deusa Kun Iam, porque a minha mãe tinha uma estátua branca de Kun Iam em casa, e era a coisa que eu mais gostava naquela casa. Mal sabia eu que um dia viria a fazer um centro dedicado a esta deusa. Quando vim para Macau trabalhar no Leal Senado, como assessora do presidente, com o primeiro dinheiro que ganhei fui a Hong Kong comprar um abat-jour branco com a figura de Kun Iam, que ainda hoje tenho. Em relação à parte espiritual, esta vem de criança, sempre gostei do silêncio. Quando faço arquitectura ou escultura é sempre em completo silêncio. Estou só eu ligada ao trabalho e a um mundo que, como não é tangível, muitas pessoas nem se apercebem dele, nem acreditam nele. Eu acredito porque sinto que quando trabalho duas noites sem dormir, ou três dias seguidos, em qualquer projecto, em silêncio, acordo de manhã e penso nas ideias que tive, surpreendo-me até com elas. Então a parte espiritual está reflectida na escultura que faço. Especializei-me em habitação e a espiritualidade também se reflecte nos projectos que fiz em Macau na área da habitação social. A espiritualidade é uma parte de mim, e o centro ecuménico é orientado para isso. Nestas visitas guiadas que tenho feito tento puxar pelos mais jovens para que percebam que podemos ser muito ajudados por energias que não vemos. Não dou nomes às coisas e digo para não se importarem com isso, porque o importante é tomar consciência que há mais do que aquilo que vemos. O mundo material não é o único que nos interessa, há mais para tomarmos contacto e agradecermos.

Macau é um território pautado pelo consumo, o jogo, os excessos. Ter um centro desta natureza nesta sociedade tem um maior significado?

CRL - Este centro é ecuménico, mas nada tem a ver com a Igreja, remetendo sim para algo abrangente. O centro foi feito para ateus, agnósticos, religiosos e não religiosos, para todos aqueles que precisem de silêncio. E no mundo de Macau, ou em grandes meios urbanos, há sempre poluição auditiva. Esse centro foi feito numa ilha que pedi de propósito ao Governador de então, o general Vasco Rocha Vieira, que foi uma pessoa muito aberta a esta proposta. Essa ilha foi criada porque, na altura, não havia espaço em Macau para colocar um monumento de 20 metros de altura. O centro tornou-se um símbolo, muitos vão lá rezar, mas não foi feito para isso. Devo dizer que acredito que a essência do divino está em cada um de nós, mas nem todos têm consciência disso. Outros estão abertos para essa essência.

Voltando à exposição. O que podem as pessoas aprender com ela?

CRL - Estou agora em Macau por um período de seis meses, mas tenho tratado também de vários assuntos relacionados com projectos que fiz em Portugal há muitos anos e que estou a tentar que sejam recuperados. A exposição, por si, está lá e não é um atractivo. É bom saber-se que a reabertura do centro ecuménico não teve a divulgação que deveria ter. Ninguém sabe que o centro ecuménico foi aberto, e quem aparece lá são as pessoas que deixam os filhos nos parques, observam o espaço, e vão lá com as crianças. É interessante porque os mais pequenos dirigem-se, precisamente, para os pontos de energia identificados por mim. Aparecem pessoas que andam a passear, entram, mas não vão de propósito ver a minha exposição. Depois, como vêem a porta de saída que dá para o rio, saem logo e a exposição passa despercebida.

Mas lamenta que não se tenha feito mais divulgação.

CRL - Não se fez, não. Agora é que estou a fazer esse trabalho e a divulgar junto de pessoas amigas. Estou a acabar uma exposição sem que, de facto, as pessoas tenham usufruído, quando tenho esculturas com mensagens. Demoro cerca de um mês a fazer uma escultura, e vou escrevendo, pensando, fazendo poesia, então tenho muito a transmitir às pessoas sobre cada escultura. Muitas pessoas dizem que saem de lá mais ricas. Vou pedir que a exposição seja prolongada além do dia 13 de Março e era bom que isso acontecesse, porque têm aparecido grupos de pessoas, inclusivamente algumas que marcam hora comigo e eu vou fazer a visita guiada.

Como surgiu a sua ligação à cultura chinesa?

CRL - Essa ligação vem de infância. Depois aprofundei muito essa ligação porque tive de estudar sobre a deusa Kun Iam. Tive de ver muitas figuras de Kun Iam para pensar como iria fazer uma que estivesse ali suspensa, ao ar livre sujeita aos tufões e ventos fortes, bem como altas temperaturas. A parte espiritual foi mais fácil para mim, porque desde criança que me interesso por filosofias orientais. Essa parte da espiritualidade [na construção do centro ecuménico] foi, para mim, mais fácil, embora tenha tido muitas dificuldades. Dei tudo de mim, livros para a biblioteca, e até contribuí a nível financeiro para este centro, para que muitos jovens pudessem usufruir dele.

Disse-me que algumas obras que edificou necessitam de recuperação. É ingrato esse lado do artista, de ver os projectos a destruírem-se com o tempo, sem preservação?

CRL - Não lamento nada, tento, sim, entender. Mas também tento defender os propósitos que existiam no arranque de cada projecto. Tento entender a maneira de ser dos chineses que viveram tantos anos limitados e com muitas proibições. Gostaria de entender porque puseram um bazar na exposição a vender tantos produtos. O mesmo acontece em Portugal: tenho a obra “Vela ao Vento”, em Tavira, numa rotunda enorme que tinha um lago, foi algo que tentei fazer de forma poética, mas depois vejo que as pessoas menosprezam. Agora não há água no espaço e crescem ervas. Sinto que há uma falta de respeito pelo artista. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Artistas de Macau expõem na galeria da UCCLA

Encontra-se patente ao público, na galeria da UCCLA, em Lisboa, até 20 de dezembro, uma vibrante exposição coletiva de 25 artistas macaenses, intitulada “Aqui e Agora”, numa linha de contemporaneidade marcada, quase paradoxalmente, pelos longos e longínquos passos da História, de filosofias e de ritos orientais que se entrecruzam com as tradições do Ocidente.



A mostra percorre diversas formas de expressão artística, como a escultura, a pintura e a fotografia, mas sem perder um fio condutor que não só nos transporta, em polícromas moções, para novéis destinos, mas que também nos oferece dons e verdades de Macau, de par com dons e verdades portuguesas, nesses tempos de ontem, como nos de hoje.  

A curadoria pertence a James Chu e a José Drummond.  

Organizada pela UCCLA e pela Art For All Society (AFA), no âmbito do 25.º aniversário do retorno da Região Administrativa Especial de Macau à China, a exposição conta com o patrocínio do Governo da Região Administrativa Especial de Macau e Fundo de Desenvolvimento da Cultura, e foi apoiada pelo Instituto Cultural de Macau, com parceria institucional da Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa dos Observadores Consultivos da CPLP, da Câmara Municipal de Lisboa e do Observatório da China.

Fotografias da exposição “Aqui e Agora”


quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Japão – Pianista portuguesa Maria João Pires distinguida com Praemium Imperiale na área da Música

A pianista portuguesa Maria João Pires foi distinguida, na área da Música, com o Praemium Imperiale, um prémio internacional atribuído pela Associação de Arte do Japão, anunciou a organização.


O Praemium Imperiale reconhece anualmente o contributo internacional de cinco personalidades nas Artes e na Cultura e, na 35ª. edição, uma das artistas premiadas é a pianista portuguesa Maria João Pires.

Além da intérprete portuguesa, este ano o Praemium Imperiale reconhece o percurso artístico da artista plástica francesa Sophie Calle, da escultora colombiana Doris Salcedo, do arquiteto japonês Shigeru Ban e do realizador taiwanês Ang Lee.

Segundo a organização, o prémio tem um valor monetário de 15 milhões de ienes (cerca de 95.000 euros) e será entregue aos cinco laureados numa cerimónia marcada para 19 de novembro, em Tóquio.

Em 1998, o prémio referente à Arquitetura foi atribuído a Álvaro Siza.

Maria João Pires, que completou 80 anos em julho, é a mais internacional e reputada dos pianistas portugueses, com um percurso artístico que remonta a finais dos anos de 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público, aos quatro anos.

Na próxima semana, prepara-se para iniciar uma digressão pela Coreia do Sul, que se estenderá até ao final de outubro, prosseguindo depois com uma dezena de atuações na Europa.

Entre os prémios conquistados pelo talento artístico contam-se o primeiro prémio do concurso internacional Beethoven (1970), o prémio do Conselho Internacional da Música, pertencente à organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, 1970) e o Prémio Pessoa (1989).

Na década de 1970, o seu nome tornou-se recorrente nos programas das principais salas de concerto a nível mundial e nos catálogos das principais editoras de música clássica: a Denon, primeiro, para a qual gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974); a Erato, a seguir, nos anos de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais celebradas interpretações das “Cenas Infantis”, de Schumann; e depois a Deutsche Grammophon, a partir de 1989.

Maria João Pires fundou ainda, em 1999, o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco, um projeto educativo, pedagógico e cultural dedicado à música.

O Praemium Imperiale foi criado em 1988 pela Associação de Arte do Japão para reconhecer “o trabalho excecional” em Pintura, Escultura, Arquitetura, Música e Teatro ou Cinema.

“O prémio homenageia personalidades de todo o mundo que transcendem as fronteiras nacionais e étnicas, dando corpo à cultura e às artes do nosso tempo”, lê-se na página oficial do prémio. In “Comunidade Cultura e Arte” – Portugal com “Lusa”


quarta-feira, 6 de março de 2024

Angola - Exposição “África é Mulher” retrata o género feminino

A exposição colectiva intitulada “África é Mulher”, enquadrada na oitava edição do projecto LiterArte, vai ser inaugurada, quinta- feira, a partir das 18h00, no Hotel Fórum, em Luanda


De acordo com a mentora do projecto, Alzira Simões, em declarações, ao Jornal de Angola, a exposição serve para homenagear as mulheres pelo contributo dado à sociedade nos mais variados domínios do saber.

A amostra, explicou, foi inspirada num poema da autoria da escritora Bel Neto. Para esta edição, frisou, vão participar um total de 14 artistas, todas do género feminino. O LiterArte, assegurou, pretende dedicar esta exposição colectiva a todas as mulheres, por ser um mês dedicado a elas. Alzira Simões referiu que cada artista vai fazer parte da exposição com apenas uma criação, totalizando 14 obras em telas e esculturas.

A mentora do projecto revelou que a oitava edição conta com um leque bastante variado e representativo das diferentes gerações de artistas femininas, com destaque para Tânia Ana, Silva Vaz, Renata Cadete, Dyú-Arte, Helena Garcia, Laysa Marques, Imanni da Silva, Isabel Apolinário, Letícia Nguizani, Maria Brandão, Mariana Kumenda, Oksanna Dias, Raquel Vaz, e a própria Alzira Simões, mentora do LiterArte, que também se desafiou a pintar um quadro.

Alzira Simões ressaltou que o projecto LiterArte foi pensado com o objectivo de aliar a literatura e a poesia de autores específicos às mais diversas artes plásticas nas múltiplas vertentes, desde a pintura, escultura e o spoken Word.

A curadora realçou que a exposição "África é Mulher”, não é apenas um espaço para dar a conhecer o potencial artístico das artistas. Porém, o projecto  LiterArte visa essencialmente, a troca de experiências, a promoção de debates sobre os mais variados assuntos ligados às artes, bem como a realização de oficinas. Armindo Canda – Angola in “Jornal de Angola”


quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Moçambique - Centro Cultural Português reabre acervo com exposição, 10 anos depois

O Camões - Centro Cultural Português, em Maputo, volta a abrir as portas do seu acervo artístico. Uma nova exposição de colectânea de obras acontece 10 anos depois da última mostra e estará patente até 22 de Março.


“Sinais” é o título da exposição do acervo de arte do Centro Cultural Português em Maputo, que apresenta 33 obras, que se distribuem em núcleos, de acordo com técnicas utilizadas pelos artistas. Entre eles, Sónia Sultuane, Ídasse e Pekiwa.

A última mostra foi em 2014, por isso, 10 anos depois, os artistas falam de um regresso ao passado cheio de boas memórias.

A exposição junta artistas de diferentes meios de expressão, nomeadamente pintura, escultura, desenho, gravura, serigrafia, fotografia, cerâmica, audiovisual e instalação.

Fotografia para tornar o momento ainda mais memorável, um olhar atento pelas linhas do tempo, a noite foi nostálgica para os artistas que tiveram um encontro com as técnicas que marcaram, em muitos casos, o início das suas carreiras. Regina Ernesto – Moçambique in “O País”


segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

UCCLA - Inauguração da exposição “Liberdade - Portugal, lugar de encontros”

No ano em que se assinalam os 50 anos do 25 de Abril, a UCCLA vai inaugurar a exposição “Liberdade - Portugal, lugar de encontros” no dia 8 de fevereiro, às 18 horas.


Com curadoria de João Pinharanda, a exposição pretende dar voz à expressão artística propiciada pela conquista da Liberdade em Portugal. Com o 25 de Abril de 1974 e o fim da Guerra Colonial criaram-se condições para uma multiplicidade de encontros.

Na seleção curatorial de João Pinharanda são-nos apresentados 28 olhares artísticos contemporâneos, oriundos dos países que se expressam oficialmente em língua portuguesa. Estes artistas têm em comum o facto de terem tido ou ainda terem em Portugal um lugar de encontro e trabalho, que pode não ser central nem determinante no seu olhar, mas que não deixa de ser um laço, com a restante realidade artística. A manifesta pluralidade de perspetivas decorre não só da diversidade de origens geográficas e das vivências pessoais, que moldaram a respetiva sensibilidades e criatividade individual.

A mostra assume-se como uma exposição de cruzamentos e de encontros, daqueles que partiram e regressaram, dos que chegaram e ficaram, ou partiram de novo, ou nunca mais regressaram… Mas todos eles olharam para Portugal e registaram um encontro em imagens; ou olharam, a partir de Portugal, para os seus próprios mundos. Fizeram-no com Liberdade criativa e crítica, oferecendo-nos peças de um puzzle que outros artistas completarão e que nós próprios somos chamados a completar.

De destacar as múltiplas as técnicas utilizadas na produção das peças expostas, que incluem pintura, serigrafia, fotografia, escultura, azulejo e tapeçaria. 

As obras presentes permitem-nos viajar à descoberta de um mundo onírico e de criatividade onde se percecionam muitas das influências que inspiraram estes artistas e as respetivas gerações, com especial destaque para a expressão da liberdade e do espírito anticolonial, as influências espirituais ou religiosas, as influências culturais e literárias e as questões relacionadas à identidade. 

A entrada é livre.

A exposição engloba um núcleo no Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV), que será inaugurado no dia 15 de fevereiro.

Lista de artistas expostos:

Abraão Vicente Alfredo Cunha

Ana Marchand

Ângela Ferreira

António Ole

Carlos Noronha Feio

Cristina Ataíde

Emília Nadal

Eugénia Mussa

Fidel Évora

Francisco Vidal

Gonçalo Mabunda

Graça Morais

Graça Pereira Coutinho

Herberto Smith

Joana Vasconcelos

José de Guimarães

Keyezua

Manuel Botelho

Mário Macilau

Nú Barreto

Oleandro Pires Garcia

Pedro Chorão

Pedro Valdez Cardoso

René Tavares

Vasco Araújo

Vhils (Alexandre Farto)

Yonamine

 

Morada:

UCCLA - Avenida da Índia, n.º 110 - Lisboa

CCCV - Rua de São Bento, n.º 640 - Lisboa

Horário:

UCCLA - 8 de fevereiro a 10 de maio de 2024

Segunda a sexta-feira, das 10 às 18 horas

CCCV - 15 de fevereiro a 15 de abril de 2024

Terça a quinta-feira, das 12 às 19 horas; Sexta e sábado, das 13 às 20 horas


domingo, 27 de agosto de 2023

Goa - O tigre encontra um lar na arte contemporânea em Pilerne

A arte é um meio poderoso para fortalecer a causa da reserva de tigres em Goa


Desde que foi avistado repetidamente no Santuário de Vida Selvagem de Mhadei até ser mencionado várias vezes num recente julgamento histórico do tribunal superior, o tigre real de Bengala encontrou agora um lugar numa peça de arte contemporânea de Goa.

O conceituado artista Subodh Kerkar revelou recentemente a cabeça de tigre primorosamente trabalhada no Museu de Goa (MOG) em Pilerne. A escultura, feita de cogumelos selvagens e orgânicos, é a sua ode ao poderoso tigre, sublinhando a importância do predador de topo para as florestas e o ambiente de Goa.

A conservadora Heta Pandit e o historiador-ativista Prajal Sakhardande sublinharam a importância da arte no espaço da conservação e do ativismo, especialmente quando se trata de mensagens populares e documentação da realidade.

“O meu amigo, o artista Navso Parwar, residente em Sanquelim, enviou-me alguns cogumelos secos para usar no meu trabalho artístico. A textura dos cogumelos lembrou-me pele de tigre. Assim, inspirei-me para fazer uma escultura de tigre. As discussões que actualmente decorrem sobre a reserva de tigres em Goa tiveram impacto nesta escolha. Terminei a tarefa num mês", diz Kerkar.

A inauguração da escultura ocorre num momento em que Goa tem debatido sobre a criação de uma reserva de tigres no Santuário de Vida Selvagem Mhadei, no contexto da recente ordem do Tribunal Superior de Bombaim e da relutância do governo estadual em notificar a reserva no estado, citando limitações.

Kerkar afirma que a própria arte desempenha uma função importante como “expressão do tempo”.

“Então, aconteça o que acontecer no ambiente, aconteça o que acontecer durante a vida do artista, o artista tem que responder a isso. Quer se trate da política da floresta ou da política de deserção ou corrupção. Todos os eventos sociais devem encontrar reflexo na obra de arte. Só então o artista poderá ser considerado um verdadeiro artista”, disse Kerkar.

As suas palavras encontram ressonância nos comentários feitos pela notável conservadora do património Heta Pandit, que afirma que a arte também pode ser um passo para a criação de consciência e compreensão.

“A arte é um meio suave que muitas vezes é esquecido, mas é uma força poderosa no ativismo. Subodh criou uma combinação perfeita com o mundo frágil dos nossos cogumelos selvagens e dos tigres da região de Mhadei. Ambos os elementos são parte integrante do nosso ecossistema, da nossa cultura e do nosso ambiente, e ambos são essenciais para a nossa sobrevivência”, afirma Pandit, que também é investigador independente e autor de 11 livros sobre o património de Goa.


O historiador e ativista Prajal Sakhardande também afirma que o tigre é parte integrante da cultura goesa.

“Historicamente, os tigres foram retratados através da arte escultórica em Goa. Já vi esculturas de tigres em Shigao, Maxem e em muitas aldeias de Goa. Existem muitos templos em cavernas em Goa dedicados aos tigres. Aproveitar a arte é um belo meio para transmitir qualquer mensagem social", disse Sakhardande. In “Gomantak Times” - Goa




terça-feira, 25 de julho de 2023

Macau - Artesanato feito por reclusos e jovens em internato expostos no Museu de Ciência

Pinturas, peças de artesanato, esculturas em bambu ou madeira e outros produtos confeccionados por reclusos e jovens em internato vão estar expostos no Centro de Convenções do Centro de Ciência de Macau. São ao todo mais de 7 mil peças que podem ser adquiridas no local, mas também através de uma plataforma online. A iniciativa da Direcção dos Serviços Correcionais, do IAS e da DSEDJ pretende sensibilizar a população para a questão da reinserção social, combatendo o estigma em torno de quem “serviu tempo” nos serviços correcionais, mas que tem o direito de voltar a ser acolhido pela sociedade

De 28 a 30 de Julho, mais de 7 mil peças de artesanato criadas por reclusos e jovens internados vão estar expostas e à venda no Centro de Convenções do Centro de Ciência de Macau. A iniciativa, que pretende “despertar a atenção da sociedade”, no sentido de “apoiar e aceitar os jovens internados e reclusos na reintegração social”, foi organizada conjuntamente pela Direcção dos Serviços Correcionais (DSC), pelo Instituto de Acção Social (IAS) e pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

Em nota, a DSC indicou que a exposição inclui uma variedade de artesanatos, desde bordados, obras em ponto cruz, a esculturas em bambu ou em madeira, mas também de pinturas a óleo modernas ou de paisagens chinesas, bem como pingentes decorativos e produtos domésticos feitos a partir de argila, resina, e outros materiais ecológicos.

Paralelamente, no dia da abertura da exposição, a 28 de Julho, vai ser lançada também uma plataforma de venda online de artesanatos produzidos por reclusos e jovens internados que, indica o mesmo comunicado, vai facilitar as “vendas regulares online de diversos produtos confeccionados por reclusos e jovens internados, permitindo que o público faça compras de forma conveniente”. Concomitantemente, quem no local tiver adquirido qualquer produto, tem automaticamente acesso gratuito às restantes exposições do Centro de Ciência de Macau, acesso que é providenciado através da obtenção de um adesivo.

No local da exposição, vão ser apresentadas ainda várias mensagens de apoio e de encorajamento à reinserção social que foram escritas por vários voluntários da população. Estas mensagens foram recolhidas durante uma actividade organizada anteriormente pela DSC intitulada “Mensagens de Incentivo para a Reabilitação”. A DSC relevou ainda que vão ser divulgadas informações relativas aos vários serviços de reinserção social ligados à DSC, IAS e DSEDJ nas placas de exibição electrónicas do Centro de Convenções, e haverá ainda uma zona de tendas de jogos. Para além de auxiliar na divulgação das mensagens de solidariedade, estas tendas de jogos servem para criar um ambiente mais acolhedor do público, em que se pode, por exemplo, “auto-embalar” os produtos comprados, ou fazer ‘check-in’, divulgou ainda a mesma nota.

A Embaixadora da Solidariedade “Shiny” da DSC também vai estar presente no local da exposição para sensibilizar o público presente no sentido de se dar mais atenção e apoio aos reclusos e jovens internados, “construindo uma sociedade harmoniosa e inclusiva em conjunto”. A DSC tem-se empenhado em criar condições favoráveis para a reintegração dos reclusos e jovens internados, organizando diversos cursos de formação com certificado profissional e de técnicas profissionais orientados por instrutores profissionais, indicou a mesma em nota. Estes cursos são criados “de acordo com as mudanças sociais e tendência de desenvolvimento do mercado, para que os reclusos e jovens internados possam fazer bom uso do tempo, aprender um ofício e aumentar a capacidade competitiva, preparando assim para a reintegração social no futuro”.

A exposição, que este ano tem o tema “Mostra Activa de Talentos, Reabilitação na Convivência Harmoniosa”, é de entrada gratuita, e está aberta entre as 13h e 18h no dia 28, e entre as 10h e 18h nos dias 29 e 30 de Julho. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 16 de junho de 2023

Moçambique - Pekiwa inaugura exposição “Filhas do mar”

No dia 22 de Junho, pelas 18h00, o artista plástico Pekiwa vai inaugurar uma mostra individual no Camões – Centro Cultural Português em Maputo.


Na exposição “Filhas do mar”, Pekiwa desenvolve as suas concepções escultóricas recorrendo a materiais em madeira que adquire na Ilha de Moçambique, mas também ferro que procura nas sucatas urbanas na província de Maputo.

Desde figuras animais e humanas e composições geométricas, Pekiwa esculpe no suporte de madeira e incorpora-lhe o ferro de forma a apresentar as suas inquietações do quotidiano e da sociedade onde se insere.

“Filhas do Mar”, em particular, mostra a erosão natural inerente a materiais que convivem com o mar, mas também preocupações que o artista tem sentido ao longo do seu percurso e que propõe consciencializar, mediante alguma provocação, sobre a preservação e necessária diversidade.

Segundo avança a nota de imprensa do Camões, o desenvolvimento da obra de Pekiwa busca uma reflexão sobre temas actuais e uma forte ligação à natureza marítima, inerente ao seu pensamento, ao contexto da sua obra e à busca de matéria-prima maioritariamente numa Ilha, naturalmente relacionada intimamente com o mar, e tudo aquilo que ele proporciona.

Em diferentes linhagens, Pekiwa concede também frequentemente uma nova função a objectos de arquitectura abandonados, como portas, portadas e janelas, que através de um novo olhar passam a ser objectos de fruição e permitem momentos de reflexão.

A exposição “Filhas do Mar” conta com o apoio do Millennium Bim e estará patente no Camões – Centro Cultural Português em Maputo até ao dia 31 de Agosto, de segunda a sábado, entre as 10h00 e as 17h00.

Nelson Ferreira, de nome artístico Pekiwa, é natural de Maputo (1977). Pekiwa esculpe desde a infância, tendo no início trabalhado com o escultor Govane, seu pai. Desde 1991, participa em diversas exposições colectivas e workshops nacionais e internacionais e, desde 2002, apresenta exposições individuais. A sua obra está representada em colecções públicas e privadas em Moçambique, Portugal, África do Sul, Botswana, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Senegal, Espanha, Países Baixos, E.U.A., Inglaterra, Japão, Itália e Austrália. In “O País” - Moçambique


Macau - Galeria Amagao expõe obras de 14 artistas portugueses

A Galeria Amagao inaugurou hoje uma exposição de arte contemporânea portuguesa, integrada no programa “Junho, Mês de Portugal” e composta por mais de 50 obras de 14 artistas lusos. No sábado e domingo, o escultor Abílio Febra vai realizar dois workshops abertos ao público


Obras de pintura e escultura vão preencher uma exposição de arte contemporânea portuguesa, numa iniciativa da galeria Amagao que arrancou hoje com 14 artistas representados, entre os quais o escultor Abílio Febra, que vai dar dois workshops para o público em geral.

O evento, que integra as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, inserindo-se assim no programa “Junho, Mês de Portugal”, irá decorrer no “lobby” do Hotel Artyzen Grand Lapa, onde se encontra há mais de um ano instalada a Galeria Amagao. Esta mostra ficará patente ao público até 6 de Agosto, de terça-feira a domingo entre as 10:00 e as 20:00.

“Os artistas convidados trabalham com diversas abordagens e abrangem uma ampla gama de estilos, do figurativo ao abstracto”, salientou a galeria na apresentação do certame, acrescentando que “será uma mostra e um testemunho da vitalidade da arte contemporânea portuguesa, diversificada nas suas temáticas, técnicas e cores”.

O público poderá apreciar cerca de 50 obras de pintura e escultura dos artistas Abílio Febra, André Pedro, Cristina Vinhas, Carlos Neto, Francisco Geraldo, Gil Maia, Isabel Laginhas, Lourenço Vicente, José Luís Tinoco, Maria João Franco, Maria Leal da Costa, Pedro Proença, Raquel Gralheiro e Victor Hugo Marreiros.

Nos dois dias seguintes à inauguração da exposição, ou seja, sábado e domingo, vão realizar-se dois workshops orientados pelo escultor português Abílio Febra, no Jardim Naam, do resort do Artyzen Grand Lapa. Destinam-se ao público em geral, com limite de 10 pessoas por sessão, a um preço de 900 patacas, incluindo a formação e os materiais utilizados.

“Os participantes começarão por esboçar um projecto de trabalho, que será depois passado a três dimensões com base numa estrutura de arame. Esta será completada com cola, papier machê, cartão ou outros materiais, e finalmente pintada”, explicou a Amagao. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 30 de maio de 2023

Estados Unidos da América - Arte de Natercia Caneira promete tirar nova-iorquinos da zona de conforto

A artista portuguesa Natercia Caneira levará a Nova Iorque em junho a obra “F%@K the Comfort Zone”, uma escultura performativa vestível que apresentará no ChaShaMa Gala, um evento imersivo com mais de 200 instalações


Utilizando o corpo como veículo de expressão, Natercia Caneira apresentará a sua obra ao longo de uma performance de três horas sem interrupções, no dia 08 de junho, e de seis horas, no dia 10 de junho, no centro de Manhattan, onde está localizada a ChaShaMa Gala, uma organização dedicada a dinamizar a arte e os artistas na cidade norte-americana de Nova Iorque.

Já a obra consiste numa escultura vestível que a artista movimentará sobre uma tela.

Segundo uma nota informativa sobre a instalação, o conceito da “F%@K the Comfort Zone” passa por “um olhar sobre como funciona o processo criativo de um artista”, assim como “a evolução para um estado meditativo de criação e as reações de desconforto ligadas a processos de vulnerabilidade perante o público”.

Utilizando uma abordagem baseada na escultura-performativa, o trabalho de Natercia Caneira é maioritariamente apresentado em instalações ‘site-specific’ onde as suas obras interagem com as características arquitetónicas e as particularidades contextuais dos espaços onde são realizadas.

A sua primeira exposição individual aconteceu em 2004 na Genovese Sullivan Gallery, em Boston, e desde então a artista portuguesa tem apresentado o seu trabalho entre as cidades de Lisboa, Londres e Nova Iorque. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 27 de maio de 2023

Luxemburgo - Escultura “Sodade” do artista cabo-verdiano Silvério Delgado inaugurada na Praça do Parque de Bonnevoie

A escultura “Sodade” (saudade) do artista cabo-verdiano Silvério Delgado foi inaugurada na Praça do Parque de Bonnevoie, no Luxemburgo, na presença do Presidente da República, José Maria Neves, e vários elementos da comunidade cabo-verdiana


A escultura foi oferecida pela cidade de Luxemburgo à comunidade cabo-verdiana para assinalar os 60 anos da emigração cabo-verdiana nesse país europeu, segundo a presidente da Câmara Municipal de Luxemburgo, Lydie Polfer, que elogiou os cabo-verdianos, considerando que os mesmos estão “muito bem” integrados, numa cerimónia que contou com a presença do grão-duque Henri de Luxemburgo.

Por sua vez, Silvério Delgado explicou que a estátua “é simbólica”, começando com as estrelas que representam as ilhas de Cabo Verde e o tambor que mostra uma tocatina que faz com que pessoas se sintam em festa.

“Realmente, quando vemos esta estátua, parece uma mulher crioula, mas o nome ‘sodade’ é porque quando vemos uma crioula ficamos com saudades, quando trabalhamos no campo e um cavaquinho e o pau de ‘pilon’ que representam a cultura, também traz saudades e tudo isso faz parte da nossa cultura e da nossa identidade”, disse, sublinhando que é tudo um conjunto de figuras que juntos dá essa estátua ‘sodade’.

“Estátua é simples”, mas simbólica e com “sentido profundo da nossa cultura e identidade”

Silvério Delgado considerou que a “estátua é simples”, mas simbólica e com “sentido profundo da nossa cultura e identidade”, contando que o seu desejo é que no futuro possa levar este projecto “muito mais além”, com exposição de pinturas para descrever a referida estátua, como uma forma de “enaltecer” a identidade cabo-verdiana.

O Presidente da República, por seu lado, disse sentir-se emocionado por ter cabido a ele, enquanto chefe de Estado cabo-verdiano, retribuir a visita que o grão-duque Henri fez a Cabo Verde em 2015, tendo agradecido a autarca luxemburguesa “pelo apoio” e pelo gesto de ter trazido mais este símbolo de Cabo Verde para a cidade.

“É cintilante. Esses gestos acabam por tocar-nos profundamente. Mostram que as nossas relações e a nossa amizade vão para além das palavras, porque temos actos concretos que traduzem essa ideia de aproximação. Esta estátua é mais Cabo Verde que está aqui presente, porque soube traduzir muito bem o País”, sustentou.

“Mulher cabo-verdiana é tão forte que a sua resiliência representa Cabo Verde”

Na opinião de José Maria Neves, a “mulher cabo-verdiana é tão forte” que a sua resiliência representa Cabo Verde, acrescentando que ela representa “tudo o que de melhor existe em Cabo Verde”, ou seja, representa a “bravura” de todos os cabo-verdianos e que é “esta mulher cabo-verdiana que representa o futuro de Cabo Verde”.

Na inauguração da estátua “Sodade” estavam também presentes os elementos da delegação cabo-verdiana que acompanha o Presidente nesta visita de Estado de três dias ao Luxemburgo e que hoje termina, como o ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional, Rui de Figueiredo Soares, o ministro das Comunidades, Jorge Santos, e o ministro da Indústria, Comércio e Energia, Alexandre Monteiro.

Depois da inauguração, o Presidente da República participou num encontro com a comunidade cabo-verdiana no Luxemburgo. In “A Nação” – Cabo Verde com “Inforpress”