Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Cabo Verde - Lançamento da obra sobre os “Tubarões Azuis” na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente

Cidade da Praia – O livro Tubarões Azuis no Olimpo dos Deuses do Futebol foi apresentado no dia 20, em São Vicente, e será no dia 22, na cidade da Praia, coincidindo com a permanência da selecção nacional de futebol em Cabo Verde antes da sua deslocação aos Estados Unidos da América.


A apresentação da obra no Mindelo, agendada para 20 de Maio, segundo o autor José Mário Correia, decorreu numa altura em que os “Tubarões Azuis” se encontravam em estágio em São Vicente, o que, sublinha, justifica a escolha da ilha do Porto Grande para o primeiro lançamento oficial.

Após a passagem por São Vicente, a selecção nacional segue para a ilha do Fogo, antes de cumprir etapas no Sal e na Praia, numa espécie de despedida pelo arquipélago antes da viagem para Lisboa, onde disputará um jogo internacional a 02 de Junho.

Os Estados Unidos da América serão, posteriormente, o palco dos próximos compromissos da selecção cabo-verdiana.

A obra traça o percurso da selecção nacional de futebol e a afirmação dos “Tubarões Azuis” no panorama internacional, evocando momentos marcantes da história recente do futebol cabo-verdiano e o simbolismo da equipa junto dos adeptos.

O lançamento na cidade da Praia está igualmente agendado para 22 de Maio, num momento em que a selecção nacional permanece no país, reforçando a ligação entre a apresentação do livro e o ambiente de mobilização em torno da equipa.

Com 300 páginas, o livro é apresentado como uma “verdadeira enciclopédia” do futebol cabo-verdiano, reunindo dados sobre jogos, jogadores, golos, vitórias e derrotas ao longo de várias décadas, com enfoque nas competições internacionais, como a Taça Amílcar Cabral, a Taça de África das Nações e as fases de qualificação para os Mundiais.

O prefácio é assinado pelo presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, Mário Semedo, descrito pelo autor como “um verdadeiro prefácio, muito profundo e abrangente”, constituindo uma homenagem a atletas, adeptos, antigos dirigentes, seleccionadores e jogadores.

O posfácio é da autoria do antigo presidente da mesma instituição, Orlando Mascarenhas, actualmente presidente da Academia Olímpica Cabo-verdiana. In “Inforpress” – Cabo Verde


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

China - Futebol da Escola Portuguesa de Macau ganha experiência num Torneio Internacional Juvenil

A Escola Portuguesa de Macau está a participar no Torneio Internacional Juvenil da China, em Zhuhai, destinado a equipas de futebol da Grande Baía e algumas estrangeiras. A formação do território, Sub-18, é a única a nível escolar e terá como adversários dois conjuntos chineses e um da Coreia do Sul. Para um dos treinadores, Luís Moura, o convite “foi uma surpresa” e vai permitir preparar os jovens para o campeonato escolar do próximo ano lectivo


Uma formação de futebol representativa da Escola Portuguesa de Macau (EPM) foi convidada a participar na primeira edição do Torneio Internacional Juvenil “Futuras Estrelas”, que arrancou no Continente, mais concretamente na Academia Desportiva de Zhuhai.

A EPM é a única formação escolar da prova. Os restantes participantes são clubes da Grande Baía, que se dedicam aos escalões etários mais jovens, e ainda três formações da Coreia do Sul. “O convite foi uma surpresa, uma vez que se trata de uma competição que se realiza pela primeira vez”, disse ao Jornal Tribuna de Macau o treinador Luís Moura, que faz dupla com Arlindo Serro.

A base da equipa é o escalão A, de jogadores com idade inferior a 18 anos, que ficou esta temporada em quarto lugar no campeonato promovido pelos Serviços de Educação, mas a comitiva integra ainda alguns elementos do escalão B, com estudantes mais novos, tendo como objectivo “preparar o conjunto para as provas escolares do próximo ano lectivo”, sublinhou Luís Moura.

O “onze” da EPM integra um dos quatro grupos da prova, cabendo-lhe defrontar duas equipas do Continente e uma sul-coreana. Os dois primeiros de cada série seguirão para a fase seguinte, enquanto os restantes farão mais alguns jogos para discutir o troféu de consolação.

“Vamos ter dificuldade em conseguir o apuramento, uma vez que as restantes equipas têm bastante qualidade”, observa o treinador, que considera ser muito importante competir neste nível superior.

O técnico dos jovens estudantes destaca a “disponibilidade” demonstrada pelo director da escola, Acácio de Brito, assim como dos pais, porque “sem a aceitação deles não seria possível a participação”, admite. Acrescenta que “muitos dos alunos têm exames nacionais e por isso teria de haver um esforço da parte de todos, o que aconteceu, para que pudéssemos estar presentes”.

A delegação está instalada na própria Academia de Zhuhai, recinto que dispõe de “condições excelentes”, frisou Luís Moura, para quem o Centro é “de alto nível”, integrando 12 campos relvados e vários serviços de apoio, como ginásios, restaurantes e dormitórios.

O torneio é organizado pelo Grupo Soka de Guangdong, contando com o apoio da Fundação Chinesa para o Desenvolvimento do Futebol e a orientação da Associação Provincial de Futebol da Província de Guangdong, da Escola Técnica Soka de Zhuhai e do Centro Económico e Comercial China-Portugal de Hengqin. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 15 de março de 2025

Moçambique - Sonho de pintar Eusébio na Mafalala levou francês de Paris a Maputo

Com algumas latas de 'spray' na bagagem e um sonho, o artista francês Glac¸on fez os mais de 12 mil quilómetros que separam Paris de Maputo para pintar Eusébio no bairro onde o 'Pantera Negra' nasceu, a Mafalala



"Foi um momento especial: pintar Eusébio no lugar onde ele nasceu", explicou à Lusa Brian Diegues (Glac¸on), de 28 anos, minutos após dar os "últimos toques" ao mural no meio da Mafalala, histórico bairro periférico na capital moçambicana.

A nova pintura de Eusébio está mesmo no "campinho da Mafalala", local onde a lenda descobriu a sua paixão pelo futebol.

Para muitos, este espaço, a poucos metros do Museu Mafalala, é o coração de um bairro periférico com importância histórica em Maputo.

São becos e ruelas que separam casas de construção precária que carregam o peso de ter albergado personalidades que levaram o nome de Moçambique para o mundo, entre os quais escritores como José Craveirinha e Noémia de Sousa, além do próprio Eusébio, um ícone do futebol.

São cerca de 20 mil pessoas de quase todo o país que partilham diariamente o bairro de uma urbanização informal à base de zinco, mas que para muitos foi o "centro da resistência cultural" à administração colonial portuguesa em Maputo.

"Eu queria pintar mesmo neste bairro, sem saber ainda que se chamava Mafalala. Então, ainda em Paris, preparei uma pintura (...) e vim com material adequado para pintar o Eusébio", explica o artista.

No novo mural, Eusébio ostenta a camisola do Benfica, o seu "clube de coração" e do qual Glac¸on é também adepto por "hereditariedade".

"O meu pai é que me deu o Benfica como clube (...). Eu sou benfiquista e, sendo benfiquista, não podia esquecer a história do Eusébio no Benfica", explica o artista, que chegou a trabalhar como guia no Estádio da Luz durante um período em que viveu em Portugal.

"Vivi e cresci em Paris, mas decidi abandonar a minha vida parisiense para trabalhar no Estádio [do] Sport Lisboa e Benfica (...). Trabalhei por mais de um ano como guia", acrescentou.

De pai português, já falecido, nascido em território moçambicano antes da independência, a relação de Glac¸on com Moçambique e Portugal é "emocional".

"É sempre difícil falar de alguém que nasceu em Moçambique antes do dia 25 de junho de 1975. Eu sempre considerei meu pai português, mas, porque nasceu em Moçambique, também o considerei sempre moçambicano", acrescentou.

É esta ligação que dá Glac¸on a ambição de voltar ao país africano para dar cor a outros murais, realçando a importância de outras figuras históricas do país, incluindo Mário Coluna, outra referência no futebol português nascida em Moçambique.

"Eu gosto de contar histórias e então Samora Machel [primeiro Presidente de Moçambique], Eduardo Mondlane [fundador da Frente de Libertação de Moçambique] e Mário Coluna são as minhas próximas metas", declarou.

Para muitos um símbolo do desporto português, campeão nacional pelo Benfica 11 vezes e vencedor da Taça dos Campeões em 1962, Eusébio da Silva Ferreira morreu em 05 de janeiro de 2014, com 71 anos.

Eusébio ganhou em 1965 a Bola de Ouro, que então distinguia o melhor futebolista europeu a jogar na Europa, e conquistou duas vezes a Bota de Ouro (1967/68 e 1972/73), prémio para o melhor marcador dos campeonatos nacionais europeus.

No Mundial de 1966, disputado em Inglaterra, foi um dos mais destacados jogadores da competição e o melhor marcador, contribuindo com nove golos para o terceiro lugar de Portugal. In “Notícias ao Minuto” – Portugal com “Lusa”


quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

China - Clube de futebol com mais títulos foi dissolvido por excesso de endividamento

O Guangzhou FC, o clube de futebol com mais títulos na China, foi dissolvido devido ao excesso de endividamento, sofrendo o mesmo destino de dezenas de clubes do país, após anos de exuberância

Anteriormente conhecido como Guangzhou Evergrande, o clube não conseguiu cumprir os requisitos financeiros da Associação Chinesa de Futebol, necessários para competir na época de 2025.

“Devido aos pesados encargos financeiros resultantes de épocas anteriores, o clube não conseguiu pagar todas as dívidas dentro do prazo”, afirmou o Guangzhou, num comunicado. “Expressamos as nossas sinceras desculpas e agradecemos a compreensão e o perdão de todos os adeptos”, acrescentou.

Depois de ter sido adquirido pelo promotor imobiliário Evergrande em 2010, o clube iniciou uma onda de gastos na China que fez manchetes em todo o mundo.

Ajudado por jogadores como o internacional brasileiro Paulinho e treinadores de elite como o italiano Marcello Lippi e o antigo treinador da seleção portuguesa Luiz Felipe Scolari, o Guangzhou conquistou oito títulos da Superliga chinesa, prova máxima do futebol na China, entre 2011 e 2019. A equipa triunfou também na Liga dos Campeões da Ásia em 2013 e 2015.

No entanto, em 2021, a Evergrande registou dívidas superiores a 300 mil milhões de dólares (288 mil milhões de euros) e, como os principais jogadores deixaram o clube devido a problemas financeiros, foi despromovido ao segundo escalão da China em 2022.

Também o Cangzhou Mighty Lions, clube da Superliga chinesa, anunciou a sua dissolução, tal como o Hunan Billows, clube do terceiro escalão.

Poucas épocas depois de Alex Teixeira, Hulk, Carlos Tévez ou Ricardo Goular terem rumado à China, em contratações avaliadas em dezenas de milhões de euros e beneficiando de salários sem precedentes, vários clubes da liga chinesa faliram ou têm pagamentos em atraso.

Em 2021, após se sagrar campeão, o Jiangsu Suning anunciou o encerramento das operações, após o grupo Suning, especializado em retalho de eletrodomésticos, ter deixado de financiar o clube.

Os clubes chineses nunca foram sustentáveis, mas as grandes empresas do país, desde o ramo imobiliário à gestão portuária, suportaram durante muitos anos o orçamento das equipas, coincidindo com o desejo do Governo chinês de converter o país numa potência futebolística.

Em 2016, por exemplo, o argentino Carlos Tévez tornou-se o futebolista mais bem pago do mundo, ao assinar um contrato de 80 milhões de euros em dois anos pelos chineses do Shanghai Shenhua.

No entanto, os excessos mereceram o reparo das autoridades, que impuseram um teto salarial de três milhões de euros e passaram a taxar a 100% as contratações de futebolistas estrangeiros acima de 5,5 milhões de euros. “Só com visão a longo prazo, mantendo uma situação financeira saudável e investindo nos jovens, com paciência, é que os clubes podem construir um futuro sólido”, declarou a Associação Chinesa de Futebol num comunicado, acrescentando que 49 equipas foram consideradas financeiramente prontas para competir nos três diferentes escalões da liga em 2025. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


domingo, 4 de agosto de 2024

Guiné-Bissau - Sport Bissau e Benfica sagra-se campeão nacional de futebol da época 2023/2024

Bissau – O Sport Bissau e Benfica sagrou-se campeão da Guinéss-Liga ao empatar   0-0 com a sua congénere  Sporting Clube de Bafatá, no Estádio Inum Embaló, numa partida referente à 29ª jornada da prova.


As Águias de Bissau necessitavam apenas de um empate para se tornar campeão, o que acabou por ser uma realidade, e somam agora 70 pontos contra 63 do seu rival direto, o FC de Canchungo, campeão em título.

A uma jornada do fim do campeonato, o Benfica já é campeão e recebe em casa na próxima jornada, a última, Os Hipopótamos de Sonaco.

Com este triunfo o Sport Bissau e Benfica soma 14 títulos conquistados os mesmo que o seu rival eterno, O Sporting Clube da Guiné-Bissau. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau


segunda-feira, 15 de julho de 2024

Macau – Benfica de Macau sagra-se campeão na Liga de Elite, após alguns anos de interregno

O Benfica de Macau volta à ribalta do futebol de Macau, depois de quatro anos de superioridade incontestável do MUST CPK. As “águias” do território sagraram-se campeãs na Liga de Elite no sábado à noite, após triunfo sobre o Ching Fung, por 3-0. No final da partida e em ambiente de festa, o técnico benfiquista Luís Moura disse ao Jornal Tribuna de Macau que está muito feliz com o sucesso alcançado, numa época em que o plantel “merece estar agora a celebrar”. O presidente do clube, Duarte Alves, não estava à espera de quebrar a hegemonia do rival e considera ser “bom para o campeonato haver mais equipas a discutir o primeiro lugar”


Final de tarde de muito calor e um Estádio da Taipa praticamente vazio, com pouco mais de uma centena de espectadores. Triste e raro na maioria dos países ou regiões espalhadas pelo mundo, em especial porque se tratava de um jogo em que o campeão poderia ficar decidido.

Em caso de vitória do líder Benfica sobre o Ching Fung, as “águias” assegurariam automaticamente o título, uma vez que partiam para o seu penúltimo desafio da Liga de Elite com quatro pontos de vantagem sobre o MUST CPK.

Os “encarnados” não poderiam ter começado melhor, marcando aos nove minutos, num lance de excelente execução técnica de um dos reforços nigerianos da equipa, Jibrin Mustapha. Típico lance de contra-ataque, pela esquerda, com o africano a ultrapassar um defesa adversário ainda no seu meio-campo e a galgar terreno junto à lateral. Flectiu para terrenos mais interiores, mas mesmo sem muito ângulo aplicou um remate forte, rasteiro, que bateu o guarda-redes Fong Chi Hang. Sem dúvida um dos melhores golos da temporada.

Mustapha foi um autêntico “diabo à solta” no relvado e criava grandes dores-de-cabeça ao extremo reduto do Ching Fung, bem secundado pelo angolano Joaquim Figueira, conhecido no seio da equipa por “chocolate”.

Com o conjunto de João Rosa sem poder arriscar muito em termos ofensivos, dada a pressão exercida pelo adversário, o Benfica poderia ter chegado ao 2-0 numa grande penalidade cometida sobre Figueira, que o próprio não conseguiu converter, permitindo a defesa a Fong Chi Hang.

Os “encarnados” sentiram um pouco a não conversão do penálti, mas estiveram sempre no controlo do jogo, apesar da melhoria de produção do Ching Fung na segunda metade. Mesmo assim, os seus mais influentes jogadores, com destaque para os brasileiros Roni e Danilo Lins, nunca conseguiram criar situações complicadas para o guarda-redes Rui Oliveira.

Foi nesta toada um pouco morna, de gestão benfiquista, ainda que intranquila pelo resultado magro, que o conjunto de Luís Moura quase fazia o segundo, através de um livre directo de Iuri Capelo à barra. Pouco depois, seria a vez de Alison Brito servir Mustapha na linha de fundo e já perto da baliza contrária, mas o avançado da Nigéria viu um defesa tirar-lhe o golo.

Aos 78 minutos, no entanto, e já depois de um canto perigoso do Ching Fung (pouco mais fez do que isso), o Benfica “matou” o jogo, aumentando para 2-0. Bis de Jibrin Mustapha, servido por Lei Man Tek, que entrara dois minutos antes.

O agora campeão ainda fez 3-0 a quatro minutos do tempo regulamentar, agora por intermédio do português André Alves, que desviou de cabeça um pontapé de canto executado por Iuri Capelo, lateral de características muito ofensivas, tal como acontece do lado oposto com Chan Man.

Com o derradeiro apito do árbitro Rosbish, o Benfica selava o título, voltando à glória que havia perdido para o MUST CPK em 2019, depois de ter alcançado cinco campeonatos consecutivos.

Logo após o champanhe da vitória, o treinador Luís Moura falou em “época um pouco atribulada que termina da melhor maneira”. O técnico, que sucedeu a Nuno Capela logo nas primeiras jornadas da prova, revelou ao Jornal Tribuna de Macau estar muito feliz com o primeiro lugar assegurado e pela vitória neste jogo, que “apesar do resultado foi equilibrado”.

Sobre o título, Luís Moura sublinha que “os jogadores mereceram pela excelente temporada que realizaram, por terem acreditado que seria possível, por isso estão todos de parabéns”. Diz ainda que a equipa foi “muito competente e não falhou nos momentos-chave, daí a tão desejada conquista”. Ainda há a Taça “e queremos também ganhar”, concluiu.

Também satisfeito por voltar a colocar o Benfica no topo do futebol local, o presidente do clube, Duarte Alves, afirmou que este título é sinal de que “o futebol de Macau está mais competitivo e isso dá esperança para o futuro para as equipas poderem investir”.

O dirigente reconhece que “não estava à espera de terminar em primeiro lugar”, porque “o CPK tem vindo a manifestar hegemonia ao longo dos últimos anos”, acrescentando que “isto prova que não é preciso uma equipa ter as melhores condições, os melhores orçamentos, os melhores jogadores de Macau, para ser campeã”.

Duarte Alves agradece a todo o staff este título e no futuro garante que vai continuar a apostar principalmente nos jovens jogadores da RAEM.

De referir que o derradeiro encontro do Benfica na Liga de Elite é precisamente diante do MUST CPK, agendado para o dia 27 deste mês de Julho, mas já sem importância para o título. O ex-campeão também jogou sábado à noite e derrotou o Hang Sai por 4-2. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


domingo, 14 de maio de 2023

Portugal é o país dos quatro 'F'

Não há objetivos e poucos querem saber do país que precisamos de construir. Para quem nos governa, o importante é sobreviver politicamente de hoje para amanhã

Só há vinte e quatro democracias plenas no mundo e Portugal não é uma delas. Consideram-nos uma democracia imperfeita e puseram-nos onde já estávamos em 2006. Nada mudou nos últimos dois anos, continuamos em 28.º lugar no ‘Democracy Index 2022’, mas fomos ultrapassados pela República Checa e pela Grécia. Segue-se a Eslovénia.

Bastava termos dedicado uns minutos a ler o relatório da revista britânica The Economist e rapidamente teríamos percebido porque nos estamos a tornar no carro vassoura da Europa: reclamamos muito, mas exigimos muito pouco. Temos uma cultura que se dá à lamúria e quando nos perguntam o que queremos, é frequente respondermos que ‘tanto faz’, ou ‘escolhe tu’; E se nos perguntam como estamos, vamos ‘assim-assim’ ou ‘mais ou menos’. É típico dos portugueses, já dizia o Presidente Jorge Sampaio.

O ranking de 2022 diz-nos que somos uns empatas, num país onde o Estado não sai da frente e que em vez de subsidiar devia regular. Por isso, o relatório mostra-nos que não evoluímos na qualidade da governação e que nos alheamos das decisões e da participação política. Falta-nos exigência, ambição e avaliação. Andamos na tática e sem estratégia – tática faz-nos ganhar um jogo e estratégia faz-nos ganhar o campeonato. Não há objetivos e poucos querem saber do país que precisamos de construir. Para quem nos governa, o importante é sobreviver politicamente de hoje para amanhã.

Luís Marques Mendes, recentemente nas ‘Conferências da Sociedade Civil da RTP2’, realizadas na Porto Business School, quebrava a confidência de uma reunião em petit comité com uma alta representante da União Europeia, onde ficou a saber que a República Checa tem como ambição, em 2028, quando terminarem estes fundos de Coesão e Convergência que agora começaram a ser distribuídos, deixar de depender dos fundos europeus. Concluía o também Conselheiro de Estado que, por cá, já estamos preocupados em saber ‘quais os futuros fundos depois de acabarem estes fundos’.

A República Checa está a um lugar de ser considerada uma democracia plena. O país liderado pelo general Petr Pavel merece estudo, mas não é necessário ser cientista ou académico para rapidamente concluirmos que a explicação também está no relatório anual do The Economist. Os checos tornaram-se mais interventivos na participação política e na consciência dos problemas do seu país, o que faz com que os seus governantes sejam mais responsabilizados e os governem melhor, para além de já estarem a ultrapassar Portugal também nas liberdades civis.

Portugal é visado também no relatório do V-Dem Institute como uma das democracias eleitas onde se regista degradação das suas instituições democráticas. No ´Democracy Report 2023´, onde se avaliam os desafios das democracias face às autocracias, os investigadores da Universidade sueca de Gotemburgo também colocam a República Checa à frente de Portugal na qualidade das decisões tomadas e no acesso à igualdade de oportunidades.

Mas os checos não são os únicos, o mesmo está a acontecer com os gregos e os eslovenos que estão mais exigentes com os seus políticos e os estónios que se dizem mais bem governados do que os portugueses. Até os malteses têm bastante mais consciência política do que nós e sabem que o crescimento económico tem de andar a par do crescimento social, pois só assim se combatem as desigualdades.

Miguel Torga já escrevia sobre o que considerava um fenómeno curioso: «O país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe, e diverte-se indignado, mas não passa disto. Falta lhe o romantismo cívico da agressão. Somos socialmente uma coletividade pacífica de revoltados». Mas também nos passa depressa, até porque ao Portugal dos três ‘efes’ de Salazar – Fado, Fátima e Futebol –, a democracia deu-lhe mais um, o de Festivais. Com Fé e fezada, esqueçamos as lamúrias e rejubilemos porque o verão está a chegar e com ele vêm os concertos, o Papa e o Benfica vai ser campeão. E já passaram quase cinquenta anos. Luís Castro – Portugal in Sol


quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Lusofonia - Futebol de língua portuguesa quer formação e partilha para diminuir assimetrias

A União de Federações de Futebol de Língua Portuguesa (UFFLP) pretende ajudar os países menos desenvolvidos a progredir num amplo projecto focado na formação e partilha, essencialmente de Portugal e Brasil. Macau encontra-se entre os membros efectivos


“Queremos apoiar a evolução do futebol, sobretudo nos países onde o nível de desenvolvimento não é tão acentuado quanto o de Portugal e Brasil. A ideia é que haja inter-relação entre países e diminuir as assimetrias. Como? Principalmente por via da formação”, resumiu, à Lusa, o presidente do organismo, Artur Almeida.

O dirigente, igualmente o responsável máximo da federação angolana, refere-se à formação de gestores (para clubes, associações e federações), treinadores, árbitros e assistentes administrativos, de modo a potenciar uma melhoria “uniforme” do futebol nos países mais necessitados. “A experiência de uns servirá para outros. Para que possamos cooperar sem desequilíbrios, em igualdade e de forma harmoniosa”, sustentou.

Artur Almeida defende ainda a “criação de competições” entre as selecções, nomeadamente as mais jovens. De momento, os membros efectivos são Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Macau, Moçambique, S. Tome e Príncipe e Timor-Leste.

Apesar de terem estado na génese da criação da UFFLP, Portugal e Brasil ainda não são membros efectivos do organismo, situação que é, alegadamente, temporária e apenas dependente de “formalismos”. “Devem efectivar a entrada a qualquer momento. Estamos juntos, unidos nos mesmos princípios, simplesmente precisam de o validar em assembleias gerais. Certamente, estão a preparar-se nesse sentido”, garante o dirigente.

A sede da instituição é em Cascais, tendo Portugal sido a escolha natural por ser “uma placa giratória para os países lusófonos, com acessos fáceis e melhor em termos de custos operacionais” “Assim com a presidência é rotativa, a sede da UFFLP também o pode ser. Porém, atualmente esta é a solução ideal”, sustenta Artur Almeida.

O responsável valoriza a “grande representatividade” dos países em causa – competem na Europa, África, América do Sul e Ásia – pelo que preconiza que o financiamento e operacionalização do organismo também passam pelos contributos da FIFA, UEFA, CAF e outras instituições continentais. “Temos a grande mais-valia de representar milhões nos vários continentes”, recorda, num ideal que deseja ver vingar “pela resiliência e ideias, com projetos transformadores com impactos diretos no futebol dos seus membros”.

Com o lema “A união faz a força”, a UFFLP pretende superar as “diferenças” entre as nações integrantes e valorizar a “irmandade” que os une. “Viver em fraternidade, unidos, e procurar fazer com que união consiga fazer com que este desiderato aconteça. Há sempre diferença de ideias, pensamentos, mas o fundamental é atingirmos objetivo único, a melhoria do futebol e por esta via fazer saúde, educação, mudar a sociedade e vivermos bem. Por via do futebol podemos transformar as nossas sociedades e vamos fazer isso com a força da união”, concluiu. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sábado, 10 de dezembro de 2022

Portugal – O silêncio dos partidos de esquerda

A seleção nacional de futebol de Portugal acabou de ser eliminada pela congénere marroquina, um momento triste para os adeptos portugueses espalhados pelo mundo.

Mas este triste resultado permitiu acabar com o grande farrobodó, termo que teve origem nas grandes festas que o conde Farrobo realizava no séc XIX, ao acabar com as viagens que os políticos estavam a realizar ao Catar de avião, Presidente da República, Primeiro-ministro, Presidente da Assembleia da República, Ministra, Secretário de Estado, enfim, quando é o Estado a pagar, há sempre alguém preparado para viajar.

Portugal ficou, neste campeonato do mundo de futebol, como o país que mais dirigentes políticos estiveram de visita ao Catar. Chefes de Estado para além do português, só a Espanha, Arábia Saudita e Senegal marcaram presença, quanto a primeiros-ministros, houve a comparência do português e do País de Gales.

As críticas a estas viagens vêm dos partidos da direita, apenas porque não estão no poder e não poderem aceder a essas mesmas regalias, pois se lá estivessem faziam o mesmo. Mas os de esquerda? O silêncio comprometedor é de dar o benefício de qualquer crítica aos partidos de direita.

Enquanto os políticos no poder esbanjam o dinheiro dos contribuintes, aparecem cada vez mais, solicitações de solidariedade com os mais desfavorecidos, com aqueles que não conseguem ter rendimentos, sejam do trabalho ou das pensões, para pagar as despesas durante um mês. Foi este o propósito, já esquecido, que levou Portugal a aderir à CEE em 1986, acabar com a pobreza, dar uma qualidade de vida mais próxima dos países do centro e norte da Europa.

Enquanto os nossos políticos passam a vida no ar, a viajar de Falcon ou de outro meio aéreo, as pessoas com os pés assentes na Terra, poupam na energia, devido ao aumento dos preços, são os comerciantes do comércio tradicional a apagar as luzes das lojas, são os cidadãos a cobrirem-se com mais roupas, porque o aquecedor passou a ser um luxo, em habitações cujo nível de construção, reconhecidamente, deixa muito a desejar. No tempo agreste da pandemia, as reuniões eram todas por videoconferência, agora têm de ser presenciais.

Será que os aviões já não poluem? Quando se fala em combater as alterações climáticas, estarão os governantes portugueses a pensar que andarem sempre no ar, é garantia de uma boa gestão política?

Os políticos portugueses estão sempre a referir que se regem pela “Ética Republicana”, mas recordemos o Rei D. Carlos I que a 29 de janeiro de 1892, perante a situação económica que o país atravessava, solicitava ao primeiro-ministro que reduzisse em 20% a dotação que lhe era destinado, perante a dolorosa e terrível crise que assolava o país. Norberto Serpe - Portugal

 

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Lusofonia - Criada a União das Federações de Futebol de Língua Portuguesa em Lisboa


No último sábado, os Presidentes da Federação Angolana de Futebol, da Confederação Brasileira de Futebol, da Federação Cabo-Verdiana de Futebol, da Federação de Futebol de Guiné-Bissau, da Federação Moçambicana de Futebol, da Federação Portuguesa de Futebol e o Vice-Presidente da Federação Santomense de Futebol firmaram o compromisso histórico da criação da União das Federações de Futebol de Língua Portuguesa.

A União projetará internacionalmente uma identidade luso-afro-ásio-brasileira baseada em dois elementos culturais: a língua portuguesa e o futebol. O evento aconteceu na Cidade do Futebol, em Lisboa, e além dos signatários também serão convidados para participar entidades da Guiné Equatorial, Timor-Leste e Macau, filiado de maneira independente da China pela FIFA, e entidades responsáveis por outros territórios de língua portuguesa como a Índia e o Sri-Lanka.

O propósito é aproximar as federações lusófonas e estabelecer metas comuns no desenvolvimento do futebol nos países que tem a língua portuguesa como idioma, compartilhando e oportunizando intercâmbios com o intuito de fomentar o arranjo produtivo do futebol em todas as categorias e modalidades.

“O todo é maior que a soma das partes e o Brasil tem muito a evoluir com essa União. Nosso objetivo é unir as experiências para que todas as federações da língua portuguesa possam estreitar laços e crescer mutuamente. Estamos prontos para trabalhar na criação de novas competições, na capacitação de gestores, formação de treinadores, programas de arbitragem, intercâmbios entre outras iniciativas”, afirmou Ednaldo Rodrigues, Presidente da CBF.

“Esses dias foram extremamente ricos na troca de impressões, opiniões e objetivos. Estamos possibilitando que países com maior conhecimento e estrutura possam contribuir no desenvolvimento dos países falantes da língua portuguesa. Esse foi um passo muito importante com a criação de uma união, onde poderemos defender os interesses como um todo, seja na relação com a FIFA, ou na transmissão de conhecimento, reuniões de direção técnica e formação de Secretários-Gerais”, destacou Fernando Gomes, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

“O que nós trazemos é a nossa identidade como lusófonos para que possamos marcar a história com feitos significativos, ao lado de duas potências que podem nos alavancar. Nós podemos fazer um marco histórico no futebol! Foi muito importante esse feito, isso engrandece e valoriza o nosso trabalho”, enfatizou Feizal Sidat, Presidente da Federação Moçambicana de Futebol.

“Queremos agradecer à FPF e à CBF por essa abertura enorme. Posso dizer hoje que fizemos história! Estou extremamente satisfeito porque a Guiné-Bissau faz parte deste feito. Sabemos que Brasil e Portugal são potenciais mundiais, não são todos os dias que temos essas oportunidades para discutir fatos tão pertinentes”, elogiou Carlos Teixeira, Presidente da Federação de Guiné-Bissau.

Desde sexta-feira (20), a Cidade do Futebol, em Lisboa (POR), esteve de portas abertas pelo Presidente Fernando Gomes para aproximar e concretizar o diálogo entre as federações lusófonas. Do Brasil, Ednaldo Rodrigues agradeceu a recepção e elogiou a estrutura da casa da Federação Portuguesa de Futebol.

“Está sendo uma acolhida muito importante pela Federação Portuguesa de Futebol, representada pelo Presidente Fernando Gomes. Conhecemos a estrutura da federação e a Cidade do Futebol, ficámos entusiasmados pela beleza e a organização. Aqui tivemos debates muito produtivos para fortalecer no âmbito do futebol essas federações, buscando mais projetos que a FIFA possa apoiar, principalmente na formação de atletas de base tanto masculino como feminino, bem como a infraestrutura de estádios”, elogiou Ednaldo Rodrigues.

“Achamos que era oportuno iniciarmos um processo de integração entre as nossas federações para que, desta forma, possamos diminuir as assimetrias que temos a nível do futebol dos nossos países. Este feito vai marcar uma nova era do futebol e, com a experiência de Portugal e do Brasil, que são países com alto nível de qualidade, nós teremos a oportunidade de diminuir as assimetrias do futebol que praticamos nos nossos países”, afirmou Artur de Almeida e Silva, Presidente da Federação Angolana de Futebol.

Estiveram presentes na reunião: Artur Silva, Presidente da Federação Angolana de Futebol; Carlos Teixeira, Presidente da Federação de Futebol de Guiné-Bissau; Fernando Gomes, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol; Feizal Sidat, Presidente da Federação Moçambicana de Futebol; Mário Semedo, Presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol; Adalberto Catembe, Vice-presidente da Federação Santomense de Futebol; e Teresa Romão, Secretária-Geral da Federação Portuguesa de Futebol, além de diretores e outros integrantes da FPF. Representantes da UEFA e da FIFA também marcaram presença.

“Foram dois dias de muita discussão, aprendizado e troca de experiências. Nossas realidades são diferentes, então felizmente temos no nosso grupo duas federações que já construíram algo muito forte a nível do futebol mundial, me refiro à CBF, ao colega Ednaldo Rodrigues, que tem trazido uma experiência muito importante e certamente vai marcar o futuro das relações, e a Portugal, que tem grande relevância a nível mundial e europeu. Vamos tentar aproveitar a experiência deles para também avançarmos, porque temos potencial de evoluir nossas capacidades dentro dos nossos países”, afirmou Mário Semedo, Presidente da Federação Cabo-Verdiana de Futebol.

“Esse encontro também serviu para marcar o início de uma nova temporada. Assim, da unidade e da colaboração todos nós podemos fazer mais pelo nosso futebol e chegarmos mais longe. Com isso, permitir que os países com níveis diferentes de infraestrutura e capacitação possam trocar experiências”, aponta Adalberto Catambi, Vice-Presidente da Federação São-Tomense de Futebol. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Espanha - Banda desenhada relata o jogo de futebol que embaraçou os nazis

No álbum em quadrinhos El partido de la muerte, o guionista Pepe Gálvez (Teruel, 1950) e o desenhador Guillem Escriche (Barcelona, 1972) descrevem uma história real de heroísmo frente à barbárie. Em 9 de Agosto de 1942, em Kiev, disputou-se um jogo de futebol que fez murchar o sorriso dos ocupantes nazis. Dentro de campo eram 11 contra 11, mas a diferença de circunstâncias entre as duas equipas era enorme.

A equipa local era formada por jogadores desnutridos, com profundas cicatrizes pela repressão, quase sem tempo de preparação e com o ódio de uma invasão genocida. Como diz um dos protagonistas da história, eram “os restos de uma derrota”. Já a equipa visitante era um combinado preparado pela Luftwaffe com o único objectivo de vencer e humilhar o rival; queriam demonstrar que a raça ariana era superior também no terreno de jogo frente aos que considerava untermensch (sub-gente), por serem eslavos. Eram o time de futebol que representava a Operação Barbarossa, a descomunal ofensiva de Hitler contra a União Soviética. Uma frente de guerra que se engasgou primeiro às portas de Moscovo, e depois em Estalinegrado, deixando milhões de mortos à sua passagem.


Essa perspectiva de um jogo disputado num tempo de tantas agruras é a base de uma banda desenhada narrada em ritmo ágil, um guião bem documentado e um tratamento de cor, nas ilustrações e personagens, que reflecte à perfeição aquele tempo. Gálvez e Escriche contam as desventuras desse grupo de jogadores que se reencontram depois da invasão nazi a trabalhar numa padaria. O dono contratou-os com a intenção de voltar a montar uma equipa de futebol com jogadores de dois conjuntos emblemáticos da cidade: Dínamo e Lokomotiv. O novo elenco assumiria o nome de FC Start e tornar-se-ia uma equipe imbatível, exemplo de resistência colectiva, cujos jogadores entravam em campo cheios de dignidade, até a partida final contra a equipa nazi.

Gálvez e Escriche recuperam as vicissitudes daquele grupo e suas circunstâncias pela perspectiva da importância da memória histórica e da necessidade de não relativizar os horrores do passado. Para Gálvez, “os jogadores ucranianos eram um grupo de sobreviventes perante um desafio brutal”, que entraram no relvado motivados “pela reivindicação da vida”. E Escriche acrescenta: “Tínhamos a responsabilidade de sermos muito honestos com o que íamos contar. Em geral há duas versões desse jogo: uma muito heróica, e outra que minimiza. Então, tínhamos a obrigação de ser sinceros, pois parte do nosso trabalho é termos posição, mas sem mentir nem alterar o ocorrido”.


No estádio do Zenit de Kiev, quem ganhou foi o FC Start – e muitos jogadores vieram a ser detidos, torturados e deportados para campos de concentração. Vários morreram antes que Kiev fosse liberada, em 6 de Novembro de 1943. A façanha ecoou depois da guerra em livros, filmes e documentários.

O cinema reflectiu em diferentes visões esse duelo entre David e Golias. Houve relatos mais ou menos aproximados do que realmente passou, às vezes tratados pela exaltação patriótica, em outras vezes como referência difusa para contar uma história de resistência. O filme mais conhecido é Victory (1981), de John Houston, protagonizado por Michael Caine, Sylvester Stallone e Max von Sydow, e com a participação especial de grandes referências do futebol, como Bobby Moore, Osvaldo Ardiles e Pelé.


Contudo, o argumento, a composição dos personagens e a localização do encontro final, em Paris, pouco têm a ver com a história original. Da documentação que consultaram, os autores consideram que a mais fidedigna é o livro Gagner à en mourir, de Pierre-Louis Basse, publicado na França em 2012.

El partido de la muerte é também um testemunho útil para não esquecer os desmandos do totalitarismo. O escritor soviético Alexei Tolstói, num intervalo do julgamento de Nuremberga, dirige-se aos seus colegas da imprensa: “Por que matar os feridos? Por que aniquilar milhares de pessoas pacíficas? Que racionalidade há nisso? Tudo para que alguém, não fique a saber que você não é um gigante, mas sim, simplesmente, um psicopata medroso, e para que as pessoas continuem a ter medo de si …”.

Essa cobardia genocida foi derrotada nas quatro linhas por um grupo de futebolistas e amigos, “felizes dentro de campo”, como observa Mario Kempes no prólogo do livro, numa partida que confrontou a vida contra a morte. In “Jornal Tribuna de Macau – Macau com “Agências internacionais”







 

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Internacional - Estudo revela que dois em cada três futebolistas não sabe o que fazer após terminar a carreira

Dois em cada três futebolistas profissionais não sabem o que fazer quando terminarem a carreira, aponta um estudo hoje divulgado pela FIFPro, a associação representativa da profissão, e realizado pela Universidade de Bruxelas.

Segundo o trabalho, levado a cabo junto de 282 futebolistas no ativo e já retirados de 33 países diferentes, 67% dos jogadores não tem a certeza do que vai fazer após ‘pendurar as chuteiras’.

Apenas 33% pode garantir ter “confiança” no caminho a seguir, com 49%, dentro dos incertos, a expressar ter “uma ideia”, ou “alguns interesses”.

O trabalho foi levado a cabo no âmbito da campanha “Mind the Gap”, que procura levar sindicatos de jogadores a apoiar o desenvolvimento pessoal dos futebolistas, e os números mostram que 70% dos inquiridos que revelaram ter tido ajuda a planear o pós-carreira tiveram-no por estas associações.

Para o secretário-geral da Fifpro, Jonas Baer-Hoffmann, este estudo deve fazer “acordar a indústria do futebol” para a realidade de que é preciso “fazer mais para ajudar jovens, homens e mulheres, para se prepararem para o momento em que deixam de jogar”.

“Não é só sobre o seu futuro financeiro, mas também sobre a sua saúde mental e bem-estar”, acrescentou Baer-Hoffmann, citado em comunicado.

Mais de um terço dos futebolistas já retirados, 34%, começaram a planear a nova carreira três anos antes de parar de jogar, com 19% a pensar no assunto desde que começaram a jogar e 12% após uma lesão grave, com 46% a listarem um fim inesperado da carreira.

Mais de metade, 54%, não recebeu qualquer ajuda com planeamento ou desenvolvimento pessoal, seja apoio psicológico, oportunidades de estudo ou outros momentos formativos. Daniel Santos – Reino Unido in “As notícias”

 

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Cabo Verde – Juventude de Porto Novo recebe segundo campo de futebol com relvado sintético

Porto Novo – O campo de futebol de Chã de Itália, o primeiro campo relvado com iluminação construído em Santo Antão, tem inauguração previsto para sábado, 22, no Porto Novo, anunciou o vereador, Nilson Santos.

O anúncio foi feito no dia em que começaram a ser afixadas as seis torres de iluminação deste campo de futebol, cujo acto inaugural deverá ser presidido pelo ministro do Desporto, Fernando Elísio Freire.

Este é, também, o segundo campo relvado construído no município do Porto Novo, depois do Estádio Municipal, infra-estrutura que se insere no âmbito do projecto de requalificação urbana de Chã de Itália, que inclui ainda calcetamentos, criação de espaços verdes, parque de estacionamento e o reforço da iluminação pública.

Os jovens da Ribeira das Patas e do Tarrafal de Monte Trigo têm estado a reclamar a construção de campos relvados nas respectivas localidades, onde estão sediados clubes de futebol inscritos na associação regional da modalidade em Santo Antão-Sul. In “Inforpress” – Cabo Verde

domingo, 26 de julho de 2020

Polónia - Portugueses fundaram primeiro clube de estrangeiros

Uma dezena de portugueses integra o clube mais internacional a jogar na Polónia e o primeiro fundado por estrangeiros, “desde jovens estudantes até algumas velhas raposas”, a jogar nas competições oficiais do país. “Tudo começou em 2015, através de uma publicação no Facebook num grupo de expatriados em Cracóvia, onde surgiu a ideia de organizar um jogo de futebol entre estrangeiros a viver na cidade”, contou à agência Lusa o português Daniel Silva, um dos capitães da equipa



“Depois do jogo, e uma ida ao ‘pub’, ficou claro que a experiência seria para repetir, começando o grupo a reunir-se semanalmente para dar uns toques na bola depois do trabalho”, acrescentou.

A equipa “Dragoons FC” viria a nascer pouco depois, com um nome baseado, não só no simbolismo da cidade, o dragão de Cracóvia, mas também no espírito guerreiro dos “dragoons”, as cavalarias armadas que faziam parte de vários exércitos europeus durante os séculos XVII e XVIII.

Depois de participarem com regularidade numa liga amadora, decidiram criar o clube como entidade registada, para poderem jogar também nas competições oficiais. Outra das vitórias passaria pela ajuda na integração de estrangeiros em Cracóvia e na cultura polaca.

“Desde os tempos das ‘peladinhas’ organizadas via Facebook até ao presente, como clube, o grupo tem sido sempre um veículo de integração dos estrangeiros que vêm para a cidade. Em muitos casos, as primeiras amizades de quem chega formam-se após os primeiros treinos com a equipa. É o caso dos portugueses. Começámos com um. Se não me engano, fui o segundo e, passadas apenas algumas semanas, já chegávamos a uma dezena. Muitas vezes o Português é mesmo a língua mais falada dentro de campo, para frustração de alguns”, partilhou, entre risos.

“Juntei-me ao grupo logo nos meus primeiros dias após chegar a Cracóvia, sendo que, não conhecendo praticamente ninguém na cidade, as minhas primeiras amizades foram com a malta do futebol. Os primeiros meses foram quase uma espécie de programa Erasmus, com o sentimento comum de descoberta de uma cidade nova, com um grupo novo de amigos de vários pontos do mundo, que vivem a mesma situação”, sublinhou Daniel Silva, a viver há cerca de quatro anos na Polónia.

A equipa funciona quase como uma família, explicou, “nem que seja pelo facto de alguns terem a idade para serem pais de outros quantos”.

“Para além dos treinos e jogos, reunimo-nos com frequência para irmos tomar uns copos, fazer barbecues ou, por exemplo, algo que já é uma tradição anual, ir passar um fim de semana a Varsóvia, onde jogamos com uma equipa local e dedicamos o resto do tempo ao ‘team building’, cultivando assim esses laços que nos unem como equipa, como amigos e, de certa forma, como uma família que vive em casa fora de casa”, adiantou.

Do clube fazem parte, tanto jogadores que nunca estiveram inscritos em qualquer federação, como ex-profissionais ou semiprofissionais que alinharam nas mais diversas ligas dos seus países. No total, “são mais de vinte nacionalidades representadas, entre vários continentes, desde jovens estudantes, até algumas velhas raposas”, sendo que um dos requisitos é a obrigatoriedade de estar legalmente registado na Polónia.

A equipa conseguiu recentemente um estatuto especial que lhe permite jogar com um número ilimitado de futebolistas de fora da União Europeia (EU), devido ao carácter único do projeto.

“Pelas regras da federação polaca, para a quarta divisão e ligas inferiores, uma equipa apenas pode ter em campo simultaneamente um jogador amador de fora da UE ou três jogadores de fora da UE com contrato profissional. No entanto, os regulamentos preveem que os clubes possam fazer um pedido formal à sua associação de futebol local, de modo a não terem de obedecer a estes requisitos, caso exista uma justificação válida para tal”, precisou o português, nascido no Porto.

O “Dragoons FC” é o clube mais internacional a jogar na Polónia e o primeiro fundado por estrangeiros a jogar nas competições oficiais polacas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

terça-feira, 2 de junho de 2020

França – Paris tem um clube de nome Atlético

O FC Gobelins presidido pelo lusodescendente Frederico Pereira Mesquita decidiu mudar o nome do clube para Atlético de Paris, ou na versão oficial, Paris 13 Atletico.

O jornal Le Parisien noticia esta semana a mudança de nome deste clube que tem registado uma ascensão surpreendente: tendo começado na liga departamental, o Atletico milita agora na Nationale 2 francesa.

O deputado Carlos Gonçalves explica que “a alteração de nome do clube da Nationale 2 francesa foi inspirada no histórico Atlético Clube de Portugal”. Frederico Pereira, além de presidente do clube, e ex-jogador de futebol, é o dono da marca de equipamentos desportivos Skita que tem equipado a equipa principal do Atlético de Lisboa.

“É desta colaboração com o nosso Atlético que surgiu a ideia da mudança de nome”, explica o deputado do PSD que vive na região parisiense.

Fernando Mesquita disse ao jornal Le Parisien que a mudança de nome também se prende com o facto de “Gobelins” ser visto como pejorativo (em português, goblins ou duendes). O presidente do novo Atlético de Paris recorda que o “pequeno clube” já não é tão pequeno como isso, com mais de 1500 sócios. “Atletico soa grande e vai dar-nos uma grandeza e atrair mais adeptos”, defende Fernando Mesquita. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

sábado, 25 de abril de 2020

Brasil - Associação Portuguesa de Desportos vende ingressos para jogo imaginário, com renda revertida a moradores de rua

A renda dos ingressos virtuais será usada para doações aos mais vulneráveis ao coronavírus; o confronto imaginário será transmitido pelas redes sociais do clube no sábado (25), às 19h

A Portuguesa está vendendo ingressos para uma partida imaginária contra o novo coronavírus. O jogo será no estádio do Canindé, que estará de portões fechados, e poderá ser acompanhado em uma transmissão online neste sábado (25), às 19h, no Facebook e no YouTube do clube. A renda da partida será revertida em doações para moradores em situação de rua em São Paulo.

A narração será de Gomão Ribeiro, da Rádio NETLUSA. Os comentários serão de Antônio Quintal, apresentador do programa Paixão Lusa da Rádio Trianon, e de Luiz Nascimento, jornalista da Rádio CBN, colunista do Globo Esporte e diretor do Acervo da Bola. Os torcedores poderão empurrar a Lusa em busca da vitória de duas formas:

1) ESCALAÇÃO – A equipe da Portuguesa será formada por ídolos rubro-verdes. A escalação será feita por meio de uma votação online entre os torcedores lusitanos.

2) INGRESSOS – Os ingressos serão, na verdade, doações pela internet de R$ 5,00. Cada torcedor poderá comprar quantos ingressos desejar, caso queira fazer doações maiores. Metade da renda da partida será revertida para a Missão Eucarística Voz dos Pobres.

Site para bilheteria/doação e mais informações:

Os torcedores que doarem, comprando os ingressos para a partida imaginária da Portuguesa contra a COVID-19, vão participar de sorteios durante a transmissão e vão receber um voucher por e-mail com desconto de 10% na loja oficial do clube, que será inaugurada em breve.

A ação é pioneira entre clubes brasileiros. O objetivo é tanto ajudar o clube, que está sem atividades em meio ao isolamento necessário para enfrentar o novo coronavírus, quanto apoiar uma entidade que presta um serviço fundamental aos mais vulneráveis nessa pandemia.

A Missão Eucarística Voz dos Pobres é um movimento católico que atua no auxílio a pessoas em situação de rua e em vulnerabilidade social. A comunidade ajuda com alimentação, roupas, itens básicos de higiene e acesso aos serviços essenciais, como saúde pública.

Essa é uma ação idealizada pelo Departamento de Comunicações da Portuguesa que, neste período de isolamento social, vem promovendo atividades para a torcida como sessões online de filmes como “Ivair – O Príncipe do Futebol”, “Ataque Iê Iê Iê” e “Rubro-Verde Espetacular”. In “Mundo Lusíada” - Brasil