Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Moçambique – A Fundação Fernando Leite Couto apresenta “A Arte do Pensamento Crítico”, programa para 90 jovens dos PALOP

A Fundação Fernando Leite Couto, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e em parceria com os colectivos CACAU (São Tomé e Príncipe), Kino Yetu (Angola), Ur-GENTE (Guiné-Bissau) e o Instituto Pedro Pires (Cabo Verde) promove em 2026 A Arte do Pensamento Crítico, um programa dirigido a 90 jovens de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.


O crescimento do espaço digital ampliou a circulação de informação e a coexistência de múltiplas narrativas, tornando mais complexos os processos de interpretação de conteúdos e do mundo. Neste contexto, o pensamento crítico afirma-se como uma competência essencial para interpretar, questionar e enquadrar narrativas. A Arte do Pensamento Crítico parte desta realidade contemporânea e propõe um espaço de formação e criação centrado na relação entre o pensamento crítico e as linguagens artísticas contemporâneas.

O programa estrutura-se em masterclasses, oficinas práticas, sessões de mentoria e uma mostra pública de trabalhos desenvolvidos, dirigindo-se a jovens entre os 18 e os 30 anos, nacionais e residentes nos PALOP.

As masterclasses reúnem escritores, académicos, jornalistas e criadores como Francisco Noa, Eduardo Quive, Raquel Lima, Nástio Mosquito e Mehak Vieira, e abordam temas como pensamento crítico, desinformação, identidade, linguagem e circulação de narrativas no contexto contemporâneo. A sessão de abertura do ciclo de masterclasses estará a cargo de Mia Couto e Elísio Macamo.

Nas oficinas, os participantes desenvolvem trabalhos autorais em escrita, fotografia e vídeo, acompanhados por facilitadores como José dos Remédios, Luísa Nhamtunbo e João Graça, que intervêm directamente no processo de construção das ideias e na tomada de decisões estruturantes relativos ao que se pretende como resultado.

O percurso inclui ainda sessões de mentoria individual e acompanhamento do desenvolvimento dos trabalhos, promovendo o aprofundamento dos processos de criação e reflexão. O programa culmina numa mostra pública de trabalhos desenvolvidos, apresentando obras em diferentes linguagens (texto, fotografia, vídeo e storytelling) produzidas ao longo do percurso.

A Arte do Pensamento Crítico parte da ideia de que o pensamento crítico não é apenas uma competência individual, mas um processo activo de construção de sentido, em diálogo com as práticas artísticas contemporâneas. As candidaturas ao programa abrem em data a anunciar brevemente. In “Moz Entretenimento” - Moçambique



Internacional - Exposição na cidade de Lisboa celebra diálogo artístico entre Japão e Portugal

A exposição internacional “Viagem ao Japão” regressa este mês para a sua quarta edição, reforçando o diálogo artístico entre Portugal e o Japão. A mostra inaugura esta sexta-feira, às 17h00, no Atelier Natália Gromicho, em Lisboa, onde permanecerá patente até 17 de julho


Depois do sucesso das edições anteriores, a iniciativa volta a reunir diferentes linguagens artísticas numa reflexão sobre cultura, identidade, tradição e expressão contemporânea, promovendo um encontro entre artistas portugueses e o universo estético japonês.

Pela primeira vez, a exposição coloca em destaque um grupo de artistas portugueses, cujas obras serão apresentadas em diálogo com perspetivas inspiradas no Japão, num intercâmbio intercultural que pretende aproximar as duas culturas através da arte.

A mostra reúne trabalhos de pintura, desenho, escultura, fotografia e técnicas mistas, convidando o público a descobrir diferentes interpretações da estética japonesa e da criatividade contemporânea portuguesa.

Os artistas portugueses selecionados para esta quarta edição são Ana Malta, Inês Prats, Joaquim Gromicho, Leonor Ribeiro, Mafalda Gonçalves, Mariana Santos, Natália Gromicho, Patrícia Mariano, Pedro Charters, Rita Félix e Tamara Alves. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 25 de junho de 2026

Hong Kong - Gonçalo Lobo Pinheiro reúne passado e presente nas paredes do Foreign Correspondents’ Club

O fotógrafo Gonçalo Lobo Pinheiro apresenta a partir de 2 de Julho, no Foreign Correspondents’ Club (FCC), o seu projecto “O que foi não volta a ser…”, desta vez em exposição. Com curadoria do fotógrafo e professor canadiano Ben Marans, a mostra reúne 30 imagens impressas seleccionadas de um conjunto mais vasto de 80 fotografias publicadas em dois volumes, em 2022 e 2025.


A cerimónia oficial de inauguração terá lugar no dia 7 de Julho, às 18h30, na Van Es Wall do FCC, um espaço dedicado à apresentação de trabalhos de fotógrafos e artistas de referência. A exposição estará patente até 31 de Julho.

O trabalho de Gonçalo Lobo Pinheiro, que tem vindo a construir uma obra centrada na memória, na impermanência e na transformação dos territórios, oferece um olhar documental e sensível sobre paisagens culturais e urbanas. O projecto nasceu da recolha de imagens antigas de Macau, captadas entre as décadas de 1930 e 1990, a preto e branco, adquiridas em leilões, na internet, a particulares, em lojas e até em Portugal. Nas palavras do fotógrafo, “cada imagem é uma tentativa de reconstituir o que já pouco ou nada existe, mas que continua a habitar o espaço como fantasma, como sombra que insiste em permanecer”.

Durante pouco mais de um ano, o fotógrafo foi juntando esses registos de épocas passadas, confrontando-os com a paisagem actual da cidade. Se alguns cenários ainda são reconhecíveis, outros simplesmente já não existem. Quando questionado sobre o acto de “fotografar fotografias”, Gonçalo Lobo Pinheiro diz ser “quase performativo”. Ao Ponto Final, descreveu o trabalho como “um diálogo silencioso entre o fotógrafo e a cidade, uma coreografia de paciência e insistência. A fotografia torna-se ponte entre tempos distintos, revelando que o espaço urbano é sempre reescrito e nunca definitivo”, referiu.

O fotógrafo, nascido em 1979 e radicado em Macau há mais de 12 anos, passou por várias publicações portuguesas e estrangeiras, incluindo Público, Expresso, Washington Post, BBC e The Guardian, antes de se fixar em Macau, onde contribui actualmente para a agência Lusa. Vencedor de vários prémios ao longo da carreira, publicou também diversos livros de fotografia, incluindo os da actual exposição. É membro fundador da associação Halftone.

A exposição actual surge após o encerramento do projecto, em finais de 2025, e convida o público a reflectir sobre a inevitabilidade da mudança e a certeza de que o que foi não volta a ser, “mesmo que muito se queira”… Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”




sábado, 20 de junho de 2026

Macau - Concurso fotográfico dedicado à Grande Baía aceita candidaturas até 16 de Agosto

O “Concurso de Fotografia Tesouros da Grande Baía” está de regresso, desta vez com foco no quotidiano das aldeias urbanas. Os participantes podem submeter os seus trabalhos até 16 de Agosto na página do CURB, que atribuirá prémios em dinheiro e certificados aos trabalhos vencedores


O CURB – Centro para a Arquitectura e Urbanismo está a aceitar candidaturas para a segunda edição do concurso de fotografia da Grande Baía até 16 de Agosto. Este ano, os participantes são encorajados a explorar os “recantos mais recônditos” das cidades e a documentar, com recurso à câmara fotográfica, a vida quotidiana das aldeias urbanas.

Sob o tema “Concurso de Fotografia Tesouros da Grande Baía – Aldeias Urbanas na Grande Baía”, os participantes da segunda edição são convidados a olhar atentamente para os detalhes da paisagem urbana e a captar a rotina de quem nela vive. “Vista de uma perspectiva pessoal, as cidades da Área da Grande Baía revelam camadas ricas e toques humanos únicos”, escreve o CURB na sua página oficial, onde destaca os “edifícios densos, ruelas movimentadas, ruas históricas e bairros animados” que, juntos, “formam o autêntico carácter urbano da região”.

O concurso divide-se em três categorias: “Grupo Aberto de Macau”, “Grupo de Estudantes de Macau” e “Grupo Aberto da Grande Baía”, sendo que este último está também aberto a participantes de Hong Kong e das demais cidades da Grande Baía. Em todas as categorias, os vencedores serão recompensados com prémios pecuniários e certificados e haverá ainda espaço para a atribuição de menções honrosas às candidaturas que se destacaram, embora não tenham ficado no pódio.

Mais concretamente, os três primeiros colocados dos grupos abertos de Macau e da Grande Baía vão receber prémios de 4000, 2500 e 1500 patacas. Quanto ao grupo de estudantes de Macau, os prémios são de 2000, 1500 e 1000 patacas.

Os trabalhos podem ser submetidos até dia 16 de Agosto na página do concurso (https://competition.curb-center.com/gba-2026-edition), sendo depois apreciados por um “painel de jurados experientes” encabeçado pela fotógrafa Ines Leong e composto pelo designer Carlos Sena Caires e pelos arquitectos Francisco Ricarte e Nuno Soares. No regulamento do concurso, lê-se que as fotografias – limitadas a um máximo de três por participante – serão avaliadas com base na “criatividade, qualidade de execução e originalidade da visão”

Os resultados serão posteriormente anunciados na página de Facebook do CURB. A cerimónia de entrega dos prémios está agendada para o dia 12 de Setembro, acompanhada por uma exposição que ficará patente na Ponte 9 – Plataforma Criativa, sede da organização.

Em comunicado, o CURB recorda que tem vindo a dinamizar concursos fotográficos desde 2022, somando já cinco edições do Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau – um evento “único” na cidade, que tem ajudado a fomentar “o sentimento de pertença dos cidadãos ao local onde vivem”. Ao longo dos anos, já foram recebidos 1917 trabalhos de 831 participantes.

Com o “Concurso de Fotografia Tesouros da Grande Baía”, lançado pela primeira vez em 2024, o CURB diz querer “alcançar uma audiência mais vasta” e “envolver o público em geral na exploração da arquitectura da Grande Baía”, de forma a reforçar o “sentimento de pertença e de ligação” entre as várias cidades que a constituem. A edição anterior recebeu 377 fotografias de 157 participantes. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 27 de maio de 2026

França - Dança e fotografia unem gerações portuguesas e francesas na cidade de Paris

O projeto “Choreo.Portraits III“, dirigido pelo coreógrafo Rafael Alvarez, vai decorrer entre os dias 11 e 13 de junho, em Paris, reunindo participantes de França e Portugal num laboratório artístico interdisciplinar que cruza dança contemporânea e fotografia


A iniciativa propõe um laboratório criativo de três dias, culminando numa apresentação pública marcada para 13 de junho, às 19h00 (hora local), na Casa de Portugal André de Gouveia, na Cité Internationale Universitaire de Paris. A entrada é gratuita.

Inspirada em “O Jogo das Nuvens”, de Goethe, esta terceira edição do projeto explora a ideia de transformação e metamorfose através da observação das nuvens, propondo uma reflexão poética sobre a relação entre corpo, imagem e mundo.

O projeto integra o ciclo dos Laboratórios Mensais de Dança Contemporânea +55 anos e conta com o apoio do Camões – Centro Cultural Português em Paris.

A direção artística e mediação estão a cargo de Rafael Alvarez, enquanto a produção e difusão pertencem à BODYBUILDERS – Rafael Alvarez. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Fundação Calouste Gulbenkian - O Portugal de Todd Webb

10 abr – 27 jul, Galeria do Piso Inferior – Edifício Sede


Pouco conhecido em Portugal, Todd Webb (1905-2000) foi um dos mais relevantes fotógrafos americanos da 2.ª metade do século XX, tendo-se afirmado como um atento observador da vida quotidiana, dos espaços urbanos e das comunidades.

          A sua obra vai ser apresentada pela primeira vez em Portugal, numa exposição com curadoria de Jorge Calado. Ao todo, serão expostas 61 fotografias inéditas resultantes das três viagens que o artista realizou em Portugal e que foram recentemente doadas à Biblioteca de Arte pelo Todd Webb Archive.

Saiba mais aqui. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Macau - Livraria Portuguesa inaugura mostra de Alexandre Simões

A exposição “What are you doing the rest of your life?”, do fotógrafo Alexandre Simões, vai ser inaugurada amanhã, dia 05, na Livraria Portuguesa, ficando patente ao público até 26 de Fevereiro.


“A exposição reúne um conjunto de imagens da década de 90 até à actualidade do fotógrafo Alexandre Simões. (…) Há uma devoção à fotografia analógica como narrativa na permanência na conexão com as pessoas e a vida real, os seus encontros e intimidade, com a presença da música e do cinema”, refere Liliana Gonçalves, citada na página do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

Aponta ainda que “a riqueza estética do seu trabalho atravessa o tempo autêntico que sobre(vive) e se retroalimenta no diálogo imagético permanente com o indelével e as suas camadas”. As fotografias de Alexandre Simões, acrescenta, “assumem a durabilidade do passado que se prolonga e amplia no presente, com narrativas de solidão, espectros da nostalgia, do amor e da ausência, do estilo de vida e as suas referências culturais, atravessados pela estética que assinala o seu desígnio. (…)”.

A inauguração da mostra de Alexandre Simões está agendada para as 18h00. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 18 de novembro de 2025

Macau - Gonçalo Lobo Pinheiro e EXIT homenageiam as corridas de carros com “Race Series”

O fotojornalista português Gonçalo Lobo Pinheiro e a loja EXIT voltaram a colaborar na criação de uma colecção exclusiva de tábuas de skate, desta vez alusiva aos momentos mais emblemáticos do universo das corridas de carros de Macau.


Intitulada de “Race Series”, a linha de lançamento inclui três tábuas principais, cada uma delas inspirada numa imagem específica captada pelo fotógrafo: “Crashed”, “Edge of Turn” e “Finish Line”. “As primeiras tábuas chegam ao mercado trazendo fotografias que captam movimento, velocidade e emoção pura das lendárias cenas de corrida da cidade”, lê-se numa nota enviada às redacções. “Cada tábua combina arte e asfalto numa homenagem visual ao ritmo urbano de corridas de Macau”.

Gonçalo Lobo Pinheiro salienta que esta nova colaboração com a EXIT é como “voltar a casa”, quatro anos depois da colecção “My City”. Se a série anterior celebrou a arquitectura e a fusão dos elementos chineses e portugueses no espaço urbano de Macau, o projecto mais recente “é uma forma de eternizar a energia única de Macau durante as corridas” – “não se trata apenas de velocidade, mas de cultura, identidade e paixão”, assinala o fotógrafo.

Por sua vez, um porta-voz da EXIT refere que esta colaboração tem como propósito valorizar as expressões culturais locais. “Acreditamos que o skate também é uma forma de contar histórias. As imagens do Gonçalo têm vindo a capturar a verdadeira alma de Macau, e isso é o que queremos trazer para debaixo dos pés de quem anda de skate”.

A mesma nota desvenda ainda alguns dos projectos colaborativos previstos para os próximos meses. No próximo mês de Dezembro, será revelada ao público uma colecção inspirada no livro “O que foi não volta a ser…”, em que Pinheiro justapôs fotografias antigas de Macau nos cenários contemporâneos correspondentes. No início de 2026, segue-se uma nova linha dedicada ao património de Macau, também fruto desta parceria. Carolina Baltazar – Macu in “Ponto Final”


sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Macau - Livraria Portuguesa recebe o fotógrafo brasileiro Ale Ruaro no final do mês

Ale Ruaro está de visita a Macau para uma conversa sobre o seu percurso profissional. Nos dias 24 e 25 deste mês, a Livraria Portuguesa acolhe uma sessão de apresentação do mais recente livro do artista, “Vestígios”, e uma sessão de partilha em que o fotógrafo brasileiro será convidado a falar sobre o seu trabalho e a sua visão artística


A obra do fotógrafo brasileiro Ale Ruaro vai ser homenageada na Livraria Portuguesa no final do mês, nos dias 24 e 25 de Novembro. O evento, organizado conjuntamente pela livraria e pela associação Halftone, será realizado em língua portuguesa e contará com a presença do fotógrafo no último dia, terça-feira.

A primeira sessão tem início pelas 18h do dia 24, uma segunda-feira, com a apresentação do livro Vestígios. Publicada pela editora Selo Vertigem, a obra reúne uma série de imagens “abstractas, desfocadas e, por vezes, estranhamento inquietantes”, como descrito na sinopse, que impelem o espectador a imergir num “mundo que parece escapar à lógica do olho nu”.

Num comunicado de imprensa emitido pela organização do evento, lê-se ainda que “a obra reúne mais de duas décadas de pesquisa visual e desconstrução da linguagem fotográfica, propondo uma reflexão sobre a fotografia expandida” e criando, assim, “uma abordagem que ultrapassa os limites da representação tradicional e convida o público a questionar percepções e significados”.

No dia seguinte, também pelas 18h, a Livraria Portuguesa recebe o fotógrafo brasileiro para uma conversa sobre a arte da fotografia, em geral, e o seu trabalho, em particular. Neste diálogo com o público, Ale Ruaro vai partilhar o seu percurso de três décadas e a visão artística que caracteriza a sua obra, com uma predilecção por retratos e detalhes da figura humana.

O artista nascido no Rio de Janeiro dedica-se à fotografia desde 1995, tendo começado por fotografar teatro, publicidade e arquitectura. A nota biográfica publicada na sua página oficial revela que, depois de 14 anos de dessatisfação com a fotografia comercial, acabou por queimar todas as imagens produzidas até então e dar início ao seu trabalho como artista.

Desde então, já publicou dez foto-livros, participou em feiras e concursos brasileiros e internacionais e viu a sua obra exposta em mostras individuais e colectivas, tanto em galerias privadas como em conceituados espaços culturais como o Museu de Arte Contemporânea de Niterói ou o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli.

As suas imagens são invariavelmente captadas a preto e branco, fazendo uso de uma iluminação contrastada e densa que, segundo a organização, evoca “os contornos e a atmosfera de pintores holandeses como Vermeer e Rembrandt”. O seu olhar artístico é “suave, amoroso e solidário”, procurando questionar preconceitos e desconstruir a concepção de “normal” ou “convencional”.

Para além da associação Halftone e da Livraria Portuguesa, a visita de Ale Ruaro a Macau conta ainda com o apoio da Fundação Oriente, da agência COM Viagens, do Consulado Geral do Brasil em Hong Kong e Macau, da Universidade de São José e do Leitorado do Instituto Guimarães Rosa – USJ Macau. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Macau - Cinco fotógrafos divulgam cultura da Ásia Oriental

Fotografias que incorporam a diversidade e a vitalidade da paisagem cultural da Ásia Oriental vão estar em exposição na Galeria Amagao. São 25 trabalhos de cinco artistas, dois dos quais vivem em Macau


Explorar como a fotografia pode interpretar e reflectir a riqueza das artes, cidades, pessoas e marcos culturais da Ásia Oriental é o objectivo da exposição promovida pela Artbiz, em cooperação com a Halftone – Associação Fotográfica de Macau, cujas obras podem ser apreciadas pelo público na Galeria Amagao, a partir desta quinta-feira.

Através do olhar e da câmara de cinco fotógrafos que vivem na região da Ásia Oriental – André Carvalhosa, de Portugal, Cássia Shutt, do Brasil, José Sales Marques, de Macau, Manesok Ha, da Coreia do Sul, e Tang Kuok Hou, de Macau – a mostra apresenta um total de 25 trabalhos de arte que incorporam a diversidade e a vitalidade da paisagem cultural da região, destacando a visão dos autores e a sua percepção de uma diversidade de lugares como Macau, Hong Kong, Butão e Coreia do Sul.

André Carvalhosa divulga a série “When Darkness Falls”, na qual captura o “pulso pulsante e mutável de Hong Kong, a colisão e coexistência do caos e da calma, uma tensão poética entre presença e ausência, entre a intensidade humana e os espaços silenciosos que a sustentam”, segundo refere o texto introdutório da exposição, cuja curadoria está a cargo de Francisco Ricarte, também ele um fotógrafo.

Com as obras que lança, André Carvalhosa convida os visitantes a “sentirem a quietude dentro do próprio movimento, o eco das multidões que partem, o ritmo das ruas quase vazias enquanto a cidade expira ao final do dia”.

Cássia Shutt mostra “The Wisdom of Being”, realçando a beleza humana e o significado do Butão. Nesta série, a artista brasileira procura captar a “resiliência silenciosa deste país e de seu povo”. As fotos testemunham que os butaneses “se querem desenvolver, mas sabem, profundamente, que desenvolvimento não é sinónimo de renúncia”.

José Luís Sales Marques apresenta “A Casa do Mandarim”, que reflecte, “através de um subtil exercício de luz e sombras profundas”, sobre a antiga casa de Zheng Guanying, um renomado comerciante do século XIX em Macau. O autor salienta que decidiu fotografar em preto e branco, podendo apreciar a atmosfera delicada criada pelo design de interiores, “suavemente iluminado por luz natural e artificial, projectando belas sombras nas paredes austeras”.

Hanbok” é o título das obras de Manseok Ha, as quais promovem a cultura do vestuário tradicional da Coreia do Sul, através de “um exercício de ironia”. No texto de apresentação da mostra, o artista sublinha que “a cultura do vestuário do país passou por uma rápida ocidentalização”.

Assim, o “hanbok”, que antes era “uma vestimenta diária que expressava visualmente género, estado civil, classe e hierarquia social”, recuou do quotidiano e agora é usado apenas ocasionalmente em eventos cerimoniais, como casamentos ou comemorações de primeiro aniversário.

No entanto, “uma cena irónica desenrola-se diariamente no Palácio Gyeongbokgung, que é um local histórico, outrora um símbolo da autoridade real, com visitantes de todo o mundo a caminharem pelos jardins do palácio vestidos com hanbok”, expressa. Outrora um emblema de identidade colectiva e ordem social, o “hanbok” é usado nos dias de hoje por indivíduos de diversas nacionalidades, etnias e géneros.

Tang Kwok Hou expõe “Fotossíntese”, que examina Macau, a sua imagem e expressão visual da vida nocturna, realçando os seus contrastes visuais. O autor frisa que “Fotossíntese” é um dos seus planos de exploração para “o projecto de observação social”. Ao examinar as paisagens nocturnas “frias e claras”, tentou “descobrir como a sociedade contemporânea usa a iluminação para incentivar as pessoas a expandirem as suas experiências de vida à noite, bem como a iluminação nocturna em espaços públicos confere à cidade um padrão operacional visível”.

Em resumo, refere a Amagao, ao apresentar estas cinco narrativas visuais diversas em Macau, “uma cidade singularmente posicionada como ponte entre a China, o Leste Asiático e os países de língua portuguesa”, esta mostra “não apenas celebra a criatividade da região, mas também estimula um diálogo sobre como a cultura pode moldar a sua identidade, intercâmbio social e padrões de vida da comunidade no mundo interconectado de hoje”.

Acrescenta que, “numa era em que a globalização e a cultura local coexistem, a cultura e a arte estabeleceram-se como forças significativas na promoção do Leste Asiático e no seu desenvolvimento”.

Por meio de iniciativas como esta exposição, conclui, “é essencial considerar como a Arte e a Cultura podem valorizar a Região e as suas Comunidades, garantindo, ao mesmo tempo, a sua singularidade e sustentabilidade a longo prazo”. A mostra ficará patente até ao dia 30 de Novembro. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 18 de outubro de 2025

Hungria - Gonçalo Lobo Pinheiro vence competição internacional de fotografia

O fotojornalista português Gonçalo Lobo Pinheiro foi distinguido com o prémio Gold na categoria “Editorial/Political” dos prémios Budapest International Foto Awards (BIFA), uma competição fotográfica que premeia anualmente os melhores trabalhos fotográficos a nível global.


O trabalho premiado consiste numa colecção de fotografias captadas aquando da visita do presidente chinês Xi Jinping a Macau, em Dezembro do ano passado, durante as comemorações do 25.º aniversário da RAEM. A foto-reportagem, realizada para a Agência Lusa, retrata alguns dos momentos mais representativos da visita presidencial – incluindo, para além de Xi Jinping, fotografias do antigo Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, do actual líder do Governo, Sam Hou Fai, e de residentes e turistas chineses na região.

“Estou muito feliz com esta conquista”, afirma o fotógrafo português, radicado em Macau há mais de 15 anos, numa nota enviada às redacções. “Com imagens do presidente e das autoridades que o acompanham, a reportagem retrata o ambiente formal das celebrações, sublinhando o peso político da visita”.

O ex-fotojornalista do Ponto Final salienta ainda o cuidado em espelhar os “laços persistentes ente Macau e a China continental” nas fotografias. “Através de composições cuidadas e um olhar próximo, procurei reflectir a encenação cerimonial e a importância do momento para Macau e para a sua relação com Pequim”.

De acordo com a lista dos vencedores divulgada na página dos BIFA, repartida em dez categorias diferentes, Gonçalo Lobo Pinheiro é o único fotógrafo de Macau premiado na edição deste ano. Este é o quarto ano consecutivo em que o fotojornalista português é distinguido na competição e a segunda vez que recebe o prémio Gold, que já tinha arrecadado em 2022 com a série de fotografias Close to Me, em que retratou o seu quotidiano familiar. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Macau - Carlos Lemos lança novo livro com fotos do Grande Prémio

Quase uma centena de fotografias autografadas de pilotos de automóveis que passaram pelo Grande Prémio de Macau, entre 1954 e 1978, estão inseridas no segundo volume do livro dedicado ao evento automobilístico, da autoria de Carlos Lemos, que vai ser lançado no dia 6 de Novembro. O autor, que estará presente na sessão, disse ao Jornal Tribuna de Macau que a publicação tem como objectivo divulgar a vasta colecção de cerca de mais de 1900 fotografias, recortes dos jornais e cartazes guardados pelo seu pai Victor Lemos


Numa altura em que Macau vive o período de preparação para mais uma edição do Grande Prémio (GPM), o evento automobilístico internacional é tema de uma publicação da autoria de Carlos Lemos, que será lançada no próximo dia 6 de Novembro, pelas 15h00, na sede da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC).

O segundo volume do livro, com fotografias captadas entre 1967 e 1978, completa a história do GPM relatada no primeiro volume, entre 1954 e 1966. Trata-se de uma colecção pessoal de Victor H. de Lemos – já falecido, um entusiasta pelos desportos motorizados – que o seu filho Carlos Lemos decidiu editar em livro.

O segundo volume tem 356 páginas, mais 100 do que o primeiro. O conteúdo e a composição são muito idênticos, incluindo mais recortes de jornais chineses. Os principais destaques são o primeiro acidente fatal do GPM, a fracassada tentativa de criação do Circuito da Associação de Corridas Automóveis do Extremo Oriente, a primeira “Corrida da Guia”, a Corrida dos Gigantes e a evolução gradual do evento, desde as corridas amadoras até se tornar um acontecimento desportivo de classe mundial, reconhecido pela Federação Internacional do Automóvel (FIA) para as corridas de Fórmula Atlântico e Fórmula 3.

O livro contém cerca de 471 fotografias, bem como uma introdução à outra colecção de Victor H. de Lemos, “World of Motor Racing”, composta por mais de 1900 fotografias autografadas de pilotos, proprietários de carros e designers de renome internacional, como “II Commendatore” Enzo Ferrari, Stirling Moss, Michael Schumacher, Roy Salvadori, Dan Gurney, Jack Brabham, Juan Manuel Fangio, Helmut Marko, Colin Chapman, Jackie Stewart, Janet Guthrie, Sid Walkins, Tony e Mary Hulman (proprietários do circuito de Indianápolis), Frank Williams, Charlie Whiting, Louis Meyer, entre outros.

“Foi sempre vontade dele reunir todas as fotografias, muitas das quais contêm autógrafos de pilotos, dirigentes e outras pessoas directamente ligadas ao mundo automóvel, mas também recortes de jornais, cartazes, bilhetes de acesso ao circuito e outros elementos alusivos ao acontecimento”, revelou ao Jornal Tribuna de Macau o autor da publicação, que estará presente na sessão de lançamento.

Emigrado no Canadá, desde 1978, Carlos Lemos, de 77 anos de idade, diz que o espólio do pai é bastante valioso. “Se não fosse publicado seria perder um grande legado”, salienta, reconhecendo que “naquela altura, em 1978, quando ele terminou a sua colecção, era muito difícil compilar tudo em livro, mas agora, com as novas tecnologias, torna-se mais fácil”.

Numa nota de divulgação, a APOMAC frisa que Victor H. de Lemos “foi o maior entusiasta do desporto automobilístico que, durante anos sucessivos acompanhou, muito de perto, as corridas do circuito da Guia, tendo conseguido reunir uma vasta colecção de fotografias e autógrafos de grandes pilotos”.

Este livro “será uma relíquia para todos os amantes do desporto automóvel e particularmente para todos aqueles que participaram naquele evento e, bem assim, para os coleccionadores de registos iconográficos”, acrescenta o documento introdutório.

“O livro está muito bem organizado, com recortes de jornais portugueses, ingleses e chineses, sendo uma obra que completa a primeira”, adiantou o presidente da direcção da APOMAC, Francisco Manhão.

O preço de capa da publicação é de 400 patacas, com desconto para 350 no período de promoção. Parte do produto líquido proveniente da venda reverterá a favor da instituição Macau IC2 Association (I Can Too), que apoia pessoas com autismo e outras deficiências, sendo a outra parte destinada à APOMAC. O livro pode ser adquirido antecipadamente através do endereço de correio electrónico macau_cd8@yahoo.ca e a entrega será efectuada no dia do lançamento. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”



terça-feira, 23 de setembro de 2025

China - Trabalhos de fotógrafas portuguesas sobressaem em festival de Pingyao

O curador João Miguel Barros reuniu três artistas de Portugal e uma de Macau para o Festival Internacional de Fotografia de Pingyao, inaugurado na cidade chinesa a 19 de Setembro. Desde a reocupação de um cineteatro abandonado a formas de expressão mais abstractas e experimentais, as quatro portuguesas seleccionadas para o projecto foram desafiadas a mostrar o melhor da fotografia portuguesa no feminino ao público do festival, composto por milhares de visitantes nacionais e estrangeiros


A 25.ª edição do Festival Internacional de Fotografia de Pingyao (PIP, na sigla em inglês) foi inaugurada no dia 19 de Setembro, reunindo mais de 20.000 trabalhos de cerca de cinco mil fotógrafos – chineses e estrangeiros – sob o tema “Quebrando Barreiras, Visões Inteligentes do Futuro”. João Miguel Barros foi um dos 14 curadores internacionais do evento deste ano, que contou com a participação de quatro fotógrafas de origem portuguesa: Sara Augusto, Luísa Ferreira, Maria Oliveira e Susana Paiva.

O festival realiza-se na cidade histórica de Pingyao, na província de Shanxi, com várias exposições distribuídas pelos museus, galerias, espaços culturais e até escolas e fábricas da cidade. Apesar da localização remota, este é um dos mais relevantes eventos fotográficos da China, tendo já albergado mais de 300.000 obras de centenas de países e recebido milhões de visitantes desde a primeira edição, em 2001. A adesão deste ano foi igualmente significativa, segundo relata o curador João Miguel Barros ao Ponto Final.

“É um dos festivais mais antigos da China, que movimenta milhares de pessoas todos os anos”, contextualiza. “Este ano comemora o 25.º aniversário, com uma participação enorme do público. É realmente impressionante ver milhares de pessoas a fluir a Pingyao, uma cidade que nem sequer tem aeroporto, por causa de um festival de fotografia”.

Esta é a primeira vez que o curador, fotógrafo e fundador da galeria Ochre Space, em Lisboa, foi convidado a integrar a equipa de curadoria do festival chinês. Este projecto insere-se, aliás, nos objectivos delineados para o espaço artístico lisboeta: “Tenho estado a tentar criar uma ponte entre Portugal e a China através do Ochre Space, com a divulgação da fotografia chinesa e japonesa em Portugal”, explica, em conversa com o Ponto Final. Neste caso, o objectivo foi o inverso: levar a fotografia portuguesa à China.

A delegação de Portugal em Pingyao foi constituída por três artistas portuguesas (Luísa Ferreira, Maria Oliveira e Susana Paiva) e uma artista portuguesa de Macau (Sara Augusto), sob o título “A Fotografia Portuguesa no Feminino”. “Os três projectos de Portugal tinham sido recentemente seleccionados para um grande festival de fotografia em França, portanto eram projectos seguros”. Sara Augusto, fotógrafa radicada em Macau, foi também incluída na iniciativa pelo seu “trabalho fantástico”, acrescenta o curador.

A obra de Susana Paiva, baseada numa linha artística mais abstracta e experimental, será aquela que mais se diferencia do grupo. De resto, embora não exista um tema comum ou fio condutor que una os trabalhos das outras três artistas, todos seguem “uma linha narrativa muito contemporânea, muito ligada com as tradições, com a intimidade…”.

O projecto de fotografia documental assinado por Sara Augusto, intitulado de “Legacy”, exemplifica esta visão nostálgica do passado e do seu impacto no presente com fotografias que mostram o Cineteatro de Mangualde – abandonado e em ruínas – reocupado pelas personagens que habitariam, normalmente, este espaço, como artistas, maestros e público.

Segundo consta na ficha de projecto, disponibilizada ao Ponto Final pela autora, pretendeu-se assim “não só registar a degradação do espaço do teatro, mas também ter em conta a história do edifício e toda a vida cultural que ele representou na região, para além de se poder registar um pouco do que será a vida cultural quando o teatro estiver (sem previsão…) reabilitado”.

Elaborado ao longo de quatro meses, o registo fotográfico divide-se em três grupos: “o passado e as pessoas relacionadas com a história do edifício”, “o momento presente de ruína” e “um possível momento no futuro”. As fronteiras temporais esfumam-se nestes retratos, em que é possível ver “o maestro da orquestra da cidade conduzindo uma orquestra imaginária num palco em ruínas” ou “uma bailarina ensaiando passos de ballet”, em preparação para um espectáculo que nunca estreará.

Face ao sucesso da presente edição, João Miguel Barros tenciona voltar a desempenhar o papel de curador no próximo ano. “Provavelmente vou continuar a colaborar com o festival, para o ano, e logo verei que tipo de fotografia portuguesa irei escolher”.

O festival deste ano contou com a participação de mais de cinco mil fotógrafos de 34 países e regiões e 25 províncias ou regiões autónomas chinesas. De acordo com o jornal China Daily, o tema “Quebrando Barreiras, Visões Inteligentes do Futuro” alude à integração da inteligência artificial e da inovação tecnológica na arte da fotografia. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”

terça-feira, 22 de julho de 2025

Macau - “Uma Viagem à Terra do Crocodilo” apresenta 25 fotografias

É hoje inaugurada, na Fundação Rui Cunha, a exposição “Uma Viagem à Terra do Crocodilo no Ano da Serpente”, com fotografias de Cristiana Figueiredo e textos de Bibi Ain. A mostra ficará patente até 2 de Agosto



Intitula-se “Uma Viagem à Terra do Crocodilo no Ano da Serpente” e é uma exposição fotográfica sobre Timor-Leste, da autoria de Cristiana Figueiredo (fotos) e Bibi Ain (textos). Vai ser inaugurada hoje, às 18h30, na Fundação Rui Cunha.

Resultando de uma viagem de descoberta, para Cristiana Figueiredo, e de reencontro, para Bibi Ain, a mostra, sob o subtítulo “Pessoas. Lugares. Coisas” apresenta 25 fotografias que “revelam visualmente o que os textos descrevem sobre as emoções impregnadas nos pequenos detalhes da jornada”.

“No início de 2025, embarcámos numa viagem para Timor-Leste. Para um de nós, foi a descoberta das raízes de casa, o abraço dos entes queridos, o reaparecimento de memórias doces e frágeis. Para o outro, foi entrar num livro de História e sentir o acolhimento do desconhecido”, referem os autores, citados em comunicado.

A viagem foi “uma espreitadela íntima e inspiradora” em Timor-Leste, “onde perspectivas aparentemente díspares se uniram para criar novas perspectivas, sobre as pessoas e os lugares deste pequeno país maravilhoso”, revela o par de viajantes no seu manifesto.

“Por detrás da lente, testemunhei a transformação de comportamentos tímidos em sorrisos tropicais generosos que revelavam vislumbres íntimos e fugazes. Encontrei uma paisagem que se entregava à captura da janela de um carro em movimento numa estrada esburacada, ou de um momento tranquilo com os pés enterrados na areia quente, acariciados pelo som das ondas a bater. Partilhar esta experiência inesquecível através das fotografias desta exposição é a minha carta de amor a Timor-Leste”, refere Cristiana Figueiredo.

A vida da autora é uma tapeçaria tecida em três continentes. Nasceu em Angola, passou os anos de formação em Portugal. “Nas tardes tranquilas depois da escola, folhear as enciclopédias de arte dos pais despertou a sua paixão pelas artes, um fascínio precoce que a inspirou a fazer vários cursos de curta duração em história da arte, desenho e pintura, e a dedicar-se à fotografia, lançando as bases para o seu percurso criativo”, pode ler-se.

Após concluir a licenciatura em Sociologia na Universidade do Porto, a vida de Cristiana trouxe-a até Macau, onde, nos últimos 23 anos, foi empreendedora local no sector alimentar e das bebidas, tendo a sua criatividade virado para o design gráfico, branding e design de interiores. Recentemente, tornou-se criadora visual a tempo inteiro.

Por sua vez, a vida de Bibi Ain é uma tapeçaria tecida entre três países. Nascido em Timor-Leste, passou os anos de formação na Austrália. Estudou Arte, História da Arte, Cinema e Televisão, Literatura Inglesa e Italiana, Arquitectura, Gestão de Empresas e, por fim, Gestão Turística. Serviu o seu país como diplomata nos últimos trinta anos. Bibi Ain, nome artístico, deriva da palavra tétum “bibi” (cabra) e “ain” (pé). “Como um cabrito que salta por todo o lado com entusiasmo em busca de uma nova aventura, a minha família apelidou-me assim para reflectir a minha sede de viajar”, explica.

As imagens e textos vão estar expostos até 2 de Agosto, sendo a entrada livre. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 10 de junho de 2025

Macau - Uma viagem pelas cores de Goa na fotografia de Miguel Quental

“Aquilo que realmente me chamou a atenção foram as cores, aquela beleza”. Foi a partir de uma caminhada espontânea pelas ruelas de Goa que Miguel Quental deu início a uma viagem fotográfica que manifesta a vibrante herança cultural da antiga cidade imperial. A exposição “Cores de Goa”, que será inaugurada neste sábado na Creative Macau, revela a riqueza das cores, da história e da fé que caracterizam este território no sudoeste da Índia


A Creative Macau prepara-se para receber, no próximo sábado, 14 de Junho, a exposição fotográfica intitulada “Cores de Goa”, uma mostra artística do advogado Miguel Quental que estará patente na galeria no rés-do-chão do Centro Cultural até ao dia 5 de Julho. Uma selecção de imagens captadas durante uma visita a Goa, a antiga cidade que deixou um legado multicultural de uma riqueza “extraordinária”, marcada por cores, aromas, sabores e crenças que parecem “transcender a imaginação”. “Parti um pouco à descoberta do património da UNESCO. Mas aquilo que realmente me chamou a atenção foram as cores. Aquela, aquela beleza…”, recorda Quental.

Nas palavras do artista, a sua descoberta foi espontânea, feita enquanto caminhava por rotas comuns, sem grande planeamento, mas que revelaram uma beleza impressionante. “Não andei à procura de sítios muito remotos. Dentro de todo aquele património, as cores é que são extraordinárias, bem como a conservação dos edifícios”.

A atenção de Quental foi imediatamente capturada pelas cores vívidas das igrejas antigas, dos símbolos católicos e das casas senhoriais, que parecem manter-se majestosas e impassíveis. “Foi então que comecei a fotografar principalmente as cores, mas também aqueles objectos religiosos que reflectem realmente a fé do povo. É extraordinário. A conservação das igrejas, a forma como tudo está bem mantido, despertou-me interesse”, disse ao Ponto Final.

Para o fotógrafo, essa experiência não foi apenas uma simples viagem, mas uma oportunidade de partilhar uma herança cultural que acredita merecer a atenção do público de Macau. “Gostava que estas imagens fossem um convite para que as pessoas visitem Goa. Merece a pena, pela sua diversidade cultural, sabores, cheiros. É um pouco como Macau, para quem chega cá, fica deslumbrado com as nossas cores também. E no fundo, poder repartir com os outros aquilo que eu vi na minha experiência, ainda que curta, é o que mais me motiva”, partilha.

A ligação de Goa a Macau, ambas com “resquícios” de um passado ligado a Portugal, reforça essa sensação de semelhança entre os patrimónios, embora Quental ressalte que Goa é suficientemente diferente para justificar a viagem. “As pessoas são simpatiquíssimas e realmente somos muito bem recebidos. No fundo, é um orgulho por parte da população de Goa receber os portugueses e mostrar aquilo que é a história e o passado”, sublinhou.

Paixão pela fotografia

A sua paixão pela fotografia acompanha-o há algum tempo, tendo começado desde que chegou a Macau. “Sempre gostei de fazer fotografia”, revela. Recentemente, o seu interesse evoluiu para uma prática mais consciente, procurando captar o melhor momento. “No ano passado viajei para Angola e Moçambique, uma experiência que também quis partilhar através da minha lente”. Na sua visita a Goa, usou vários tipos de câmaras, incluindo telemóveis, com o objectivo de captar a essência do momento de forma espontânea. “Uso o meu telemóvel muito mais do que a Sony. Às vezes, com o telemóvel é mais fácil fazer zoom, captar detalhes”, explica.

Apesar de se considerar um amador, Miguel Quental manifesta a sua paixão pela fotografia e o desejo de continuar a trabalhar nesta forma de expressão. “Tenho interesse em possivelmente juntar-me a um grupo ou associação fotográfica, outro incentivo para melhorar”, afirma, agradecendo o apoio de amigos na edição das suas imagens, como Francisco Ricarte, que o ajudou na pós-produção. “Disparo, mas depois, quando é com o telemóvel, não fica com grande qualidade. Portanto, busco partilhar conhecimento com outros fotógrafos que ajudam nas edições”, acrescenta.

A exposição “Cores de Goa” surge assim como uma oportunidade de explorar uma herança que mistura história, arte e fé, através do olhar de um artista que, além de advogado, é também um apaixonado por imagens que estimulam os sentidos. Quental espera que as suas fotografias sirvam de convite para que o público descubra uma cultura diferente, que traz outras expressões, tanto nas cores como na comida. “Espero que as pessoas gostem e que isto sirva de convite. A diversidade de culturas, sabores, cheiros… tudo isso faz com que a experiência seja completa, como uma viagem de sentidos”, reforça.

O evento de inauguração realiza-se neste sábado, às 18h30, na Creative Macau. Durante o período de exibição, até 5 de Julho, os visitantes terão a oportunidade de conhecer esta viagem visual que revela a beleza e a história de Goa, uma antiga cidade imperial que, apesar do tempo, mantém intacta a sua essência cultural. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 28 de maio de 2025

Macau - Casa Garden revitalizada recebe eventos do “Junho, Mês de Portugal”

A reabertura da Casa Garden, depois de cinco meses de obras de consolidação e reparação do exterior, inicia um novo ciclo para o icónico edifício da responsabilidade da Fundação Oriente. O protagonismo da mansão de traços europeus numa zona histórica da cidade “tem de ser mais desenvolvido”, disse Catarina Cottinelli ao Jornal Tribuna de Macau. A Fundação prepara a reedição de um livro, uma monografia, que conte a história da Casa Garden, que deverá ser lançado no próximo ano, juntamente com uma pequena exposição. De “cara lavada”, o espaço vai abrir oficialmente numa cerimónia a realizar a 17 de Junho, mas antes receberá actividades culturais especiais, inseridas na programação do “Junho, mês de Portugal”


Após cinco meses de trabalhos de consolidação e reparação de exteriores, a icónica Casa Garden, com mais de dois séculos de história, vai abrir as portas ao público com alguns eventos no início do próximo mês. Uma cerimónia a realizar às 18h00 no dia 17 de Junho assinalará oficialmente a reabertura do espaço.

Coincidindo com os 20 anos do Centro Histórico de Macau, o edifício, construído em 1770 e classificado como Património da Humanidade pela UNESCO em 2005, está pronto para dar continuidade às actividades que desenvolve a nível cultural.

As obras apenas mexeram na fachada, ou seja, no visual exterior, incluindo a impermeabilização das coberturas, não se tendo realizado “qualquer intervenção no interior”, segundo referiu ao Jornal Tribuna de Macau a delegada da Fundação Oriente (FO), que se sente “muito feliz e surpreendida, pela positiva, pelo resultado final das obras” realizadas por uma empresa contratada pelo Instituto Cultural (IC), “com larga experiência na revitalização urbana e dos edifícios históricos da cidade”.

Tendo o tópico da reabertura como pano de fundo, Catarina Cottinelli realçou o protagonismo que a mansão de traços europeus tem naquela zona da cidade, com três elementos, o Jardim de Camões, a Casa, que era toda a propriedade, e o cemitério protestante.

Por isso mesmo, e atendendo à sua classificação patrimonial, a responsável frisa que a Casa, “em termos de arquitectura, tem de ser mais desenvolvida”, havendo projectos em cima da mesa. “Vamos ver se conseguimos que saia para o próximo ano a reedição de um livro, que já existiu, mas que já não há, feito por Beltrão Coelho, que contava a história de quem por aqui passou, quem tinha habitado a casa, entre outros aspectos muito interessantes”, mencionou, transmitindo a ideia de que o lançamento dessa publicação seja acompanhado por uma pequena exposição.

Por ser também arquitecta de profissão, a delegada da FO “gostaria que houvesse mais descrição do ponto de vista de arquitectura e mais investigação, para que pudéssemos perceber um bocadinho o que fez com que esta casa ficasse com este aspecto”.

Adianta ainda que a Casa Garden, através do tempo, “sofreu algumas alterações, por variadíssimas razões, daí haver uma série de coisas que no futuro gostaria de poder ter nesse livro, ou seja, uma história mais densa sobre a arquitectura do edifício”, reconhecendo que o IC tem feito igualmente alguma pesquisa, existindo uma publicação em chinês. No fundo, diz, “é juntar toda essa informação e fazer um livro, uma monografia, sobre a Casa Garden, mas sob o ponto de vista da sua arquitectura, da sua importância neste sítio do Centro Histórico de Macau”.

“Estamos nesta embalagem de um novo ciclo, por assim dizer, porque vamos abrir ao fim de cinco meses”, salienta.

Alguns eventos integram “Junho, mês de Portugal”

A Casa Garden volta assim a estar em condições de receber actividades, algumas das quais estão inseridas nas comemorações do 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. “Estes eventos não só reforçam o intercâmbio cultural sino-lusófono, mas também enriquecem o panorama cultural de Macau, promovendo um espaço de diálogo e interacção entre culturas”, refere um comunicado da FO.

A reabertura segue “extensas reformas” que restauraram a Casa Garden, com o apoio do IC, garantindo a “preservação da sua importância arquitectónica e cultural para as futuras gerações”, reforça a nota. No espaço vão ter lugar eventos diversificados, incluindo workshops, palestras e iniciativas interactivas que “estimularão o intercâmbio cultural entre Macau e o mundo”.

Além disso, acrescenta a nota de imprensa, a sua revitalização reflecte “um compromisso com a manutenção da rica história de Macau”, ao mesmo tempo que “promove o intercâmbio cultural e o envolvimento da comunidade”.

Os primeiros eventos do revitalizado “quartel-general” da FO serão duas grandes exposições nas suas galerias principal e temporária, para além de uma mostra de cinema português, que será exibida no seu auditório. De 3 a 29 de Junho, a Casa Garden será palco das exposições “Quando a Ilha Projecta Suas Sombras” e “Objectos com Alma”.

A primeira, que não faz parte das actividades incluídas na programação do “Junho, mês de Portugal”, é “Uma Retrospectiva de Frank Lei”, que homenageia o legado deste fotógrafo contemporâneo, apresentando mais de 60 obras, a preto e branco, assim como um livro e objectos pessoais, que abrangem a sua carreira desde a década de 1990 até aos projectos mais recentes.

“É um artista local, que tem uma visão sobre os espaços, sobre a vivência de Macau, em que as pessoas são no fundo o foco das suas fotografias, tiradas em sítios que agora já não são reconhecíveis, porque foram alterados, certamente para melhor”, defende Catarina Cottinelli, para quem a exposição “é uma perspectiva e um olhar do que acontecia de carácter social aqui em Macau”.

A segunda exposição, já integrada no “Mês de Portugal”, destaca a rica tradição da marioneta portuguesa. Com um acervo de mais de 1000 marionetas de diversas épocas e estilos, da colecção privada de Elisa Vilaça, curadora do evento, os visitantes terão a oportunidade de explorar as técnicas de construção e manipulação que tornam esta forma de arte única. “A exposição não só celebra a história da marioneta, como também enfatiza o seu papel educativo e cultural”, frisa a FO.

Quanto à variante cinematográfica, organizada em colaboração com a Portugal Film e a associação CUT, da Cinemateca Paixão, apresentará uma selecção de filmes em português, iniciada com a exibição de “Greice”, de Leonardo Mouramateus, aclamado em festivais de cinema de todo o mundo. A mostra divulgará também uma série de curtas-metragens inovadoras, evidenciando o panorama do cinema português contemporâneo.

De referir que estas iniciativas integradas na programação do “Junho, mês de Portugal” arrancam já amanhã, quinta-feira, com a inauguração da exposição “Diálogos da Criatividade”, com 50 obras de 24 artistas portugueses contemporâneos, promovida pela Amagao na Galeria do Hotel Artyzen Grand Lapa.

Há mais dois eventos neste mês de Maio. Na sexta-feira, a Somos – Associação de Comunicação de Língua Portuguesa organiza a exposição de fotografia “O Homem e o Divino”, no Parisian. No sábado, é inaugurada mais uma mostra fotográfica, denominada “Património Cultural de Macau”, acompanhada de visionamento do documentário “Heritople”, que terá lugar no Consulado-Geral de Portugal, com organização do Instituto Internacional de Macau.

Todas as restantes actividades decorrerão durante o mês de Junho. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”