Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Moçambique - Elcides Carlos lança o livro “A Mente de um Grande Guitarrista”

O músico, professor e guitarrista moçambicano Elcides Carlos lança no dia 18 de Outubro, às 18h00, no Instituto Guimarães Rosa, em Maputo, a sua primeira obra literária intitulada A Mente de um Grande Guitarrista – Um Guia de Motivação Artística.


Publicado sob a chancela da Agência Criativa Vírgula, o livro propõe uma reflexão profunda sobre o processo criativo, a gestão da carreira e a construção de um percurso artístico sustentável, especialmente voltado a músicos e guitarristas.

Trata-se de um livro autobiográfico, pedagógico e inspirador, em que o autor partilha vivências, dúvidas, conquistas e aprendizagens acumuladas ao longo de mais de 20 anos de carreira.

A Mente de um Grande Guitarrista – Um Guia de Motivação Artística não é apenas um livro sobre música; é um convite à transformação pessoal e profissional através da arte”, lê-se na sinopse.

Segundo Elcides Carlos, a obra nasceu das inquietações que foi enfrentando ao longo da sua jornada como músico e docente. O autor oferece ferramentas práticas, reflexões e princípios essenciais para quem deseja seguir o caminho da música com disciplina, planeamento e resiliência.

O livro resgata ainda as memórias de infância do autor, marcadas por momentos em que a família se reunia para ouvir os discos de vinil do seu pai, uma experiência que despertou o seu amor pela música e moldou a sua sensibilidade artística.

Entre as suas influências, destacam-se nomes como James Brown, Martinho da Vila, Manu Dibango, Steve Kekana e Fany Mpfumo. Mais tarde, o jazz e a complexidade harmónica das canções transmitidas pela Rádio Moçambique ajudaram-no a consolidar a paixão pela guitarra.

Nascido a 23 de Julho de 1985, em Chamanculo “D”, Elcides Carlos é licenciado em Física pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e lecciona guitarra na Escola de Comunicação e Artes (ECA) desde 2010. Em 2018, lançou o seu primeiro álbum, Sense of Presence. In “Moz Entretenimento” - Moçambique

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Angola - Pepetela lança romance “Tudo-Está-Ligado” em Luanda

Um dos mais premiados escritores da língua portuguesa, Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos “Pepetela” lança hoje, às 17h00, no Instituto Guimarães Rosa, em Luanda, o seu novo romance, intitulado “Tudo-Está-Ligado”. Sob chancela da Kacimbo Editora, o novo romance chega ao público angolano depois do sucesso nas sessões de vendas e autógrafos em Portugal, em Dezembro do ano passado pela Dom Quixote, e no Brasil, em Maio deste ano, pela Kapulana Editora



Segundo a sinopse, no novo romance, Pepetela narra a história do major Santiago que, após um acidente traumático que o obriga a reformar-se antes do tempo, regressa a casa da sua infância em Benguela. Ali, os seus dias são povoados por memórias e reflexões sobre a história da família, que remonta desde o início do reino Tchiyaka, o passado colonial de Angola e as profundas mudanças sociais que ocorreram no país. O romance explora ainda a interligação entre várias personagens, incluindo Ofeka e o espírito Olegário que a acompanha, numa narrativa que entrelaça o passado e o presente, o real e o místico.

Questionado sobre o título aquando da apresentação do livro no Brasil, Pepetela justificou que foi escrito aos poucos, em pedaços muito repartidos pelo tempo.

“Queria tratar a história e os mitos (com variadíssimas versões) da origem do estado Kyaka, mais conhecido como Tchiyaka, alguns associados a determinadas pedras e elevações, como há muitas no Planalto Central. Quando me interessei pelo assunto, há muito tempo, li os estudos e a tese de doutoramento de Mesquitela Lima, à qual agora regressei. Enquanto andava às voltas com este universo, surgiram-me as personagens Santiago e Ofeka”, contou o escritor em entrevista ao Jornal de Letras de Lisboa.

Para o escritor Ondjaki, responsável pela edição que chega ao público angolano ao preço de 15 mil kwanzas, trata-se de um romance belo e sinuoso, onde elementos do quotidiano, como a conversa, a solidão, a ternura e a amizade, são tratados com altíssimo nível literário.

Vencedor do Prémio Camões em 1997, a maior distinção literária da língua portuguesa, é um dos mais importantes escritores deste idioma. Pepetela nasceu em Benguela, em 1941. Licenciou-se em Sociologia, em Argel (Argélia), durante o exílio, e foi guerrilheiro do MPLA, político e governante. Tem publicados, entre outros, os livros “As Aventuras de Ngunga” (1973), “Muana Puô” (1978), “Mayombe” (1980), “O Cão e os Caluandas” (1985), “Yaka” (1985), “Lueji” (1989), “Geração da Utopia” (1992), “O Desejo de Kianda” (1995), “Parábola do Cágado Velho” (1997), “A Gloriosa Família” (1997), “A Montanha da Água Lilás” (2000), e “Jaime Bunda, Agente Secreto” (2001) e “Sua Excelência de Corpo Presente” (2018). Membro fundador da União dos Escritores Angolanos, na sua galeria constam, entre outros, os prémios Correntes de Escrita, em 2020, Prémio Nacional de Cultura e Artes (2002), Especial dos Críticos Literários de São Paulo (1993), Internacional da Associação de Escritores Galegos (2007) e Prince Claus da Holanda (1993). Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


terça-feira, 20 de maio de 2025

Moçambique - Natércia Chicane revela “O baú dos infelizes”

Neste 20 de Maio, às 17h00, no Instituto Guimarães Rosa, em Maputo, Natércia Chicane vai lançar o livro “O baú dos infelizes”, pela Editorial Fundza.

O livro possui 164 páginas, e retrata um conjunto de problemas sociais, familiares e conjugais, que, sobretudo, giram em torno da poligamia ou do pensamento de que a mulher deve suportar calada os vícios e as traições do marido.

Para Lucrécia Paco, a prefaciadora do livro, o enredo de Natércia Chicane “faz-nos pensar no amor e seus tropeços, nas relações abusivas no sentido do homem para com a mulher, da mulher para com o homem e dos pais para com os seus filhos.”

“O baú dos infelizes” é uma das obras seleccionadas na terceira Chamada Literária da Editorial Fundza, uma iniciativa que tem vindo a revelar novas vozes na literatura moçambicana.

Desde 2022, já foram publicados mais de 40 novos autores de todo o país.

Natércia Chicane, natural de Maputo, é guionista e realizadora de cinema. É licenciada em Contabilidade e Auditoria e também possui formação em Literatura e Cinema. Estreou na ficção com o documentário “Johana – A Terra que roubou os nossos Maridos”, lançado em Maputo durante o Festival Dokanema, em 2009. Escreveu e realizou 7 filmes. Conquistou, em 2011, o Prémio de Poesia Nosside, realizado na Itália. In “O País” - Moçambique


sábado, 3 de maio de 2025

Moçambique - Instituto Guimarães Rosa inaugura exposição “A nossa língua”

O Instituto Guimarães Rosa, na Cidade de Maputo, inaugura, esta segunda-feira, pelas 18h, a exposição “A nossa língua”: Obras do acervo do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, inspirada em poemas de língua portuguesa.


 

A mostra foi apresentada pela primeira vez no Instituto Guimarães Rosa, em Março de 2018. É reeditada, neste ano, em celebração ao Dia Mundial da Língua Portuguesa. 

A exposição reúne obras criadas a partir de poemas de autores da língua portuguesa, seleccionados pelo Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa (FBLP). Inspiradas em poemas nessa língua, as obras resultam do trabalho de 18 artistas, entre moçambicanos, brasileiros e portugueses, nomeadamente, A. Pedro Correia, Carmen Maria, Eneas Mapfala, Famós, Fornasini, Gemuce, Ídasse, Isa Bandeira, Larissa Ferreira, Marcos Muthewuye, Mudaulane, Nelsa Guambe, Saranga, Sílvia Bragança, Sónia Sultuane, Tomo, Ulisses e Walter Zandamela.

Concebida pelo presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, Nataniel Ngomane, com curadoria de Jorge Dias, Coordenador-Geral do IGR – Maputo, a exposição conforma um diálogo entre a literatura e as artes visuais. 

Os escritores dos textos que falam da língua portuguesa são Caetano Veloso, Carla Veríssimo, Clarice Lispector, Deodato Pires, Desiré Leopold Essoh, Fernando Pessoa, Gilberto Mendonça Teles, Honório Roque, José Craveirinha, Mudungazi, Mutimati Barnabé João, Natália Correia, Olavo Bilac, Oswald de Andrade e Paulo Gondim.

As obras são acompanhadas de ambientação com áudio, com leitura dos poemas seleccionados.

A exposição é uma iniciativa da Embaixada do Brasil em Moçambique, do Instituto Guimarães Rosa Maputo e o Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa. Pode ser visitada até ao dia 07 de Junho, no Instituto Guimarães Rosa – Maputo, de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h e sábados das 10h às 14h. In “O País” - Moçambique


quinta-feira, 17 de abril de 2025

Brasil e Portugal iniciam grupo de trabalho para ampliar impacto da língua portuguesa no mundo

Unesco marca o Dia Mundial da Língua Portuguesa, em 5 de maio, celebrando a diversidade cultural e a criação de pontes diplomáticas. ONU News conversou com o diretor do Instituto Guimarães Rosa sobre cooperação da entidade com o Instituto Camões, de Portugal, e decisões de elevar o status do idioma no cenário internacional

Em 5 de maio, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, irá comemorar o Dia Mundial da Língua Portuguesa. A data foi aprovada na 40ª Sessão da Conferência Geral da agência da ONU, em 2019. A primeira celebração, no entanto, em 2020, teve de ocorrer de forma virtual por causa da pandemia da Covid19, naquele ano.

Para este quinto aniversário do Dia Mundial, em 2025, o Podcast ONU News prepara uma série de entrevistas com representantes dos países lusófonos e de estudantes do idioma como língua estrangeira ou segunda língua.

Guimarães Rosa e Camões em parceria

O primeiro entrevistado é o diretor do Instituto Guimarães Rosa, o embaixador Marco António Nakata.

O IGR foi criado em 2022, pelo Brasil, exatamente 30 anos após a fundação do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua que é gerido por Portugal. Ao todo, o instituto brasileiro tem mais de 40 leitorados e 24 unidades em quatro continentes.

De Brasília, o diretor do Guimarães Rosa falou dos esforços para promover a língua comum com a formação de um grupo de trabalho das diplomacias de ambas as nações.

“Por exemplo, para citar um projeto concreto que estamos fazendo junto com o Instituto Camões, nós devemos fazer uma colaboração com eles em espaços que um ou outro não tenha uma atuação muito forte. Por exemplo, na Ásia, normalmente, o Instituto Camões tem espaços físicos mais importantes do que o Instituto Guimarães Rosa.  As unidades nossas são mais discretas no continente asiático. No continente sul-americano, por outro lado, o Instituto Guimarães Rosa é mais presente e tem inclusive unidades muito importantes. Nós temos auditório para fazer apresentações musicais etc e o Instituto Camões não tem.”

União Europeia e União Africana

Idioma oficial de 10 países e territórios com uma população de mais de 280 milhões de pessoas, o português é considerado a quinta ou sexta língua mais falada do mundo. Está presente em várias organizações internacionais e regionais como língua oficial incluindo a União Africana, a União Europeia, o Mercosul e outros.

O diretor do Instituto Guimarães Rosa contou que o objetivo do Brasil é unir forças com Portugal para aumentar a presença do português na ONU no papel de língua oficial. Marco Antonio Nakata:

“O primeiro passo que vamos tomar com relação a isso é a criação de um grupo de trabalho que vai envolver, evidentemente, diversos segmentos das Chancelarias Portuguesa e Brasileira. Uma das áreas é a área cultural então tanto o Instituto Camões como o Guimarães Rosa estarão envolvidos. Mas também vamos envolver a área geográfica de Portugal e Brasil. Nós vamos envolver a Divisão de Nações Unidas de ambas as Chancelarias. E vamos envolver também as delegações permanentes do Brasil e de Portugal nas Nações Unidas.”

Com as Grandes Navegações, no século 15, a língua de Portugal passou pelos quatro cantos do mundo. É considerada a primeira a ser globalizada.

Hoje, ela é também a primeira ou segunda língua das diásporas lusófonas espalhadas por países como África do Sul, Estados Unidos, França, Japão e Luxemburgo.

Ao comentar a chegada do quinto aniversário do Dia Mundial pela Unesco, no próximo mês, o diretor do Instituto Guimarães Rosa diz que vale a pena aprender o idioma.

“Com o conhecimento do português, você vai ter um conhecimento muito amplo da cultura brasileira, da cultura portuguesa e de todos os países de língua portuguesa na África. Então, eu acho que a pessoa só teria a ganhar ao aprender o português.”

O Dia da Língua Portuguesa, em 5 de maio, foi criado pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa em 2009 e passou a Dia Mundial após a resolução da Unesco, 10 anos depois, em 2019.

Leia na íntegra a entrevista do diretor do Instituto Guimarães Rosa que abre uma série de conversas sobre o idioma até o Dia Mundial da Língua Portuguesa, neste 5 de maio.

ONU News:  O que é o Instituto Guimarães Rosa, quantos são pelo mundo, quantos alunos e qual é a importância para a promoção da língua?

Marco Antonio Nakata: O Instituto Guimarães Rosa é baseado em Brasília, dentro do Ministério das Relações Exteriores. Ele é o sucedâneo do Departamento Cultural do Itamaraty e tem uma história de mais de 70 anos de diplomacia cultural. Ele tem hoje cerca de 24 unidades distribuídas pelo mundo inteiro e nós estamos ampliando essa rede a partir deste ano e pretendemos alcançar cidades e países através do mundo inteiro. A função do Instituo Guimarães Rosa é promover a língua portuguesa, mas também tem outras três vertentes que são: a cooperação educacional, internacional evidentemente, também tem a divulgação da cultura brasileira em todas as suas vertentes, em vários segmentos, e finalmente - e não menos importante -, os temas multilaterais culturais, que envolvem, por exemplo, projetos junto à Unesco, junto ao G20, ao Mercosul cultural, Brics cultural e assim sucessivamente.

ON: O senhor esteve recentemente na Europa fechando uma parceria com o Instituto Cervantes, da Espanha, mas também em conversações com o Instituto Camões. Esses são institutos que já têm década de experiência. O Cervantes foi criado em 1991 e o Camões como Instituto da Cooperação e da Língua, um ano depois. Como essa parceria vai fortalecer o papel do Guimarães Rosa?

MAN: Nós temos tentado criar e assinar memorandos de entendimento com várias instituições. Entre elas com o Camões, que assinámos no ano passado, e este ano com o Instituto Cervantes. A ideia é que a gente tenha ações concretas, projetos concretos de colaboração de forma a ter uma sinergia na atuação da diplomacia cultural entre o Instituto Guimarães Rosa e esses institutos que você citou que são experientes e com longa tradição. Por exemplo, para citar um projeto concreto que estamos fazendo junto com o Instituto Camões, nós devemos fazer uma colaboração com eles em espaços que um ou outro não tenha uma atuação muito forte. Por exemplo, na Ásia, normalmente, o Instituto Camões tem espaços físicos mais importantes do que o Instituto Guimarães Rosa.  As unidades nossas não mais discretas no continente asiático. No continente sul-americano, por outro lado, o Instituto Guimarães Rosa é mais presente e tem inclusive unidades muito importantes. Nós temos auditório para fazer apresentações musicais etc e o Instituto Camões não tem.

Então nossa ideia é de que haja uma colaboração entre as instituições de forma que eles possam se beneficiar de espaços físicos que nós temos e nós também possamos nos beneficiar de espaços físicos que não temos. Evidentemente, cria uma aproximação maior entre os dois países e uma coordenação melhor no ensino da língua portuguesa.

ON: Embaixador, essa é uma cooperação que o próprio Camões já tem com outros institutos como a Aliança Francesa, na África do Sul. E todos saem ganhando porque há custos envolvidos com a operação de uma sede e dois institutos podem cooperar. No caso específico do Guimarães Rosa com o Camões. Haverá aulas com professores portugueses, professores brasileiros. Eles vão intercalar? Como vai se dar isso na prática?

MAN: Não. Na prática, nesse primeiro momento a ideia não é que haja um aproveitamento do ensino da língua portuguesa.  É mais uma questão dos eventos culturais acadêmicos, seminários, conferências etc. Nós não partimos ainda para a questão do compartilhamento do espaço físico para o ensino do português. Para isso, tanto o Camões quanto o IGR temos uma rede ampla de leitores em diversas universidades do mundo inteiro. E em algumas delas, nós temos tanto a vertente portuguesa quanto a vertente brasileira. Por exemplo, no caso do Brasil, do IGR, nós temos pouco mais de 40 leitores espalhados em diversas universidades do mundo em todos os continentes. São pessoas do mais alto nível com pós-graduação, com larga experiência do ensino do português, da cultura brasileira. E eles ajudam muito a difusão da cultura brasileira, da história do Brasil etc. porque eles ensinam em suas aulas não só a língua portuguesa, mas todo o contexto cultural, histórico e político do Brasil.

ON: Portugal e Brasil acabam de fazer a 14ª. Cimeira Luso-Brasileira que ocorreu em Brasília. E nessa Cimeira, foi decido, embaixador, que haveria mais cooperação de ambos os países para uma proposta que Portugal já tem delineada em seu 24º Programa de Governo, que é fazer do português língua oficial das Nações Unidas até 2030. O Brasil apoia essa proposta?

MAN: Sim. Nós apoiamos essa proposta. Inclusive o Grupo de Trabalho de Cultura e de Língua Portuguesa conversou sobre esse tema. O primeiro passo que vamos tomar com relação a isso é a criação de um grupo de trabalho que vai envolver, evidentemente, diversos segmentos das Chancelarias Portuguesa e Brasileira. Uma das áreas é a área cultural então tanto o Instituto Camões como o Guimarães Rosa estarão envolvidos. Mas também vamos envolver a área geográfica de Portugal e Brasil. Nós vamos envolver a Divisão de Nações Unidas de ambas as Chancelarias. E vamos envolver também as delegações permanentes do Brasil e de Portugal nas Nações Unidas

É um grupo de trabalho importante porque tem de haver uma articulação muito forte entre todas essas áreas para que a gente possa efetivamente levar a cabo esse projeto. Não é um projeto simples. É um projeto bastante ambicioso, mas nós consideramos muito importante.

ON: E é um projeto, e uma decisão que depende dos Estados-membros da ONU. Não é verdade? Como é feita essa concertação diplomática para convencer que uma língua se torne língua oficial?

MAN: Esse é um longo processo que implica treinamento de intérpretes, tradutores. Implica também uma adaptação da linguagem dos tradutores e dos intérpretes à linguagem diplomática das Nações Unidas. Evidentemente, vai envolver a delegação do Brasil e de Portugal no sentido de saber quais são as exigências das Nações Unidas para que a gente possa levar adiante esse projeto. Eu acho que é um projeto muito importante. Em outras instâncias internacionais, nós temos uma participação seja como língua de trabalho, ou seja, como língua que depois pode passar ao status de língua oficial. Mas eu acho que Nações Unidas, é a organização mais importante desse ponto de vista. Nós estamos muito entusiasmados como esse projeto e vamos começar a criar esse grupo em breve e espero ter resultados concretos.

ON: A criação do Guimarães Rosa ocorre num momento de mais interesse pela língua portuguesa. Ele reúne os leitorados que já existiam há dezenas de anos pelo mundo e bem administrados pelo Brasil. Mas qual é a necessidade de se formalizar um instituto nesse momento em nível de política da língua, realizada pelo Brasil, e pelos demais países na CPLP?

MAN: Eu queria dizer umas palavras sobre o programa de leitorado que é um dos mais longevos de diplomacia cultural do Brasil. Tem mais de 70 anos. E houve pessoas extremamente importantes como o próprio Sérgio Buarque de Holanda que foi um leitor, Celso Cunha foi leitor. Houve grandes personalidades, intelectuais que foram leitores brasileiros. É fundamental porque realmente é uma política que ajuda a difundir a cultura brasileira. São pessoas que criam laços acadêmicos, culturais muito fortes com outras universidades. E permitem que haja um intercâmbio tanto cultural quanto linguístico também com outros países. Eu acho que a atuação nossa em universidades, na questão educacional é fundamental.  O atual grupo de leitores brasileiros é realmente do mais alto nível. Eu os conheci numa reunião que fizemos em Maputo, Moçambique, no ano passado, e fiquei muito impressionado. São pessoas assim muito empenhadas em difundir o Brasil, a língua portuguesa, e pessoas do mais alto nível acadêmico e intelectual. Então eu acho que é um investimento que nós fazemos para difundir a cultura brasileira, mais do que reconhecido e mais do que necessário.

ON: Embaixador, dia 5 de maio será o Dia Mundial da Língua Portuguesa. E é uma festa em todo mundo porque essa língua vai das Américas à Ásia. Ela vai de Norte a Sul. Ela é falada por 280 milhões de pessoas em pelo menos 10 países porque nós temos os nove países membros da CPLP, mas também temos a Região Administrativa de Macau, na China, onde português é língua oficial até 2049. Então, temos 10 países e territórios, e claro, as diásporas pelo mundo porque há cabo-verdianos, portugueses, brasileiros, moçambicanos em várias partes do mundo. Vamos fazer de conta que eu sou estrangeira e quero aprender português. Por que vale a pena falar português?

MAN: Bom, uma das razões você já deu.  Você terá oportunidade de ter uma comunicação com milhões de pessoas, de diferentes culturas, de diferentes continentes. Só isso já é uma razão importante. Mas eu diria que do ponto de vista cultural, o fato de você aprender o português vai abrir um mundo de cultura, de literatura, de música que, efetivamente, vai enriquecer espiritualmente e culturalmente a sua vida. Por exemplo, escritores como Camões, como José Saramago, no caso de Portugal Eça de Queirós, Fernando Pessoa. E no caso do Brasil, o próprio Guimarães Rosa, Machado de Assis, Clarice Lispector, enfim, dezenas, centenas de outros, também vários africanos de língua portuguesa que são espetaculares. Só isso já justificaria o fato de você aprender uma língua que é muito bonita, muito sonora com vertentes diferentes de sotaque. Mesmo no Brasil tem sotaques muito diversos. Também do ponto de vista musical, do ponto de vista do cinema, da música, arquitetura. Com o conhecimento do português, você vai ter um conhecimento muito amplo da cultura brasileira, da cultura portuguesa e de todos os países de língua portuguesa na África. Então, eu acho que a pessoa só teria a ganhar ao aprender o português. Monica Grayley – ONU News Nações Unidas


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Moçambique - Gala Gala Edições lança “Blasfêmeas” no Instituto Guimarães Rosa

No dia 20 de Fevereiro, às 17h30, no Instituto Guimarães Rosa (antigo Centro Cultural Brasil-Moçambique), Cidade de Maputo, a Gala-Gala Edições vai lançar o livro “Blasfêmeas, Sangue e Poesia: Novas Vozes Femininas”, uma antologia que reúne 18 novas vozes da poesia moçambicana como Kaya M, Hera de Jesus e N’wantshukunyani Khanyisani.



Segundo uma nota de imprensa, entre os dias 20 de Julho e 20 de Setembro de 2022, a Gala-Gala Edições recebeu textos para a chamada “Blasfêmeas — Sangue e Poesia”, válida para autoras que ainda não haviam publicado livros (ainda que antologiadas). 

A organização recebeu, ao todo, 96 textos de 32 autoras. 

Os textos seleccionados imaginam o lugar da mulher na sociedade moçambicana e no mundo e denunciam os males que enfrentam.

Para a editora,, a iniciativa visa dar a conhecer o trabalho de novas vozes da poesia escrita por mulheres, para quem, a poesia e a música fizeram sempre parte do seu quotidiano, mas não antes tiveram a oportunidade de publicar em livro. Por isso “BlasFêmeas”, pois “queremos que este seja um acto de heresia, de empoderamento, de liberdade, de pôr as novas poetisas [ou mesmo poetas] a declamarem os seus amores, as suas liberdades, lutas e direitos”.

A antologia, de 104 páginas, homenageia Noémia de Sousa, a “mãe dos poetas” de Moçambique, que, ao longo da sua vida e obra, abriu portas para muitas mulheres (e homens) expressarem as suas verdades e complexidades. Ademais, a publicação celebra a sua influência geracional na literatura, um ano antes do seu centenário (a acontecer em 2026).

O lançamento do livro contará com a apresentação da estudiosa Sara Jona Laisse e será comentada pelo poeta Sangare Okapi.

“Blasfêmeas, Sangue e Poesia: Novas Vozes Femininas” integra a colecção Plural da Gala-Gala Edições. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Angola - Palco do Instituto Guimarães Rosa é o cenário da Festa da Poesia

A 7.ª edição do Festival de Poesia e Performance: Slam Tundawala, sob o lema “Angola Antes da Independência”, vai realizar-se de 3 a 5 de Outubro, no Instituto Guimarães Rosa, em Luanda, numa iniciativa da Agência Art Sem Letra

O festival tem como propósito abrir espaço para o direito à liberdade de expressão e divulgar a literatura angolana, através da oratória, resgatando assim os valores culturais do povo angolano.

A presente edição apresenta uma programação bastante inclusiva e diversificada, que além da competição de poesia falada, apresenta o espaço Poetry Show (concerto intimista) com MCK, e oficina de dança com a professora Ana Clara Guerra Marques.

De acordo com o programa, a actividade vai contar, igualmente, com mesas de conversas, eventos infantis, performances, sessão de cinema e micro feira da palavra, denominada Expo-Slam, que estará aberta ao público durante os três dias de evento.

O Slam Tundavala é actualmente uma referência no cenário artístico cultural angolano, promovendo uma plataforma inclusiva e aberta para vozes que precisam de ecoar sobre os quatro cantos do país. Actualmente, o evento já teve uma edição transmitida num canal televisivo e uma outra edição internacional com artistas angolanos, brasileiros e moçambicanos.

O Festival de Poesia e Performance de Luanda, Slam Tundawala, é um evento multidisciplinar que congrega desde 2018 diversas manifestações culturais, como concertos musicais, oficinas, dança e literatura oral. Maria Hengo – Angola in “Jornal de Angola”


sábado, 21 de setembro de 2024

Angola - Luanda acolhe Bienal de Arte de São Paulo

Uma exposição colectiva itinerante de nove artistas de sete países, intitulada “Coreografia do Impossível” é o destaque da 35ª edição da Bienal de São Paulo, que decorre, pela primeira vez no país, inaugurada na noite de quinta-feira, no Instituto Guimarães Rosa, em Luanda


A mostra fica patente ao público até ao próximo dia 8 de Dezembro e pode ser visitada das 9h00 às 16h00.

A exposição, que conta com a curadoria de Hélio Menezes, Grada Kilomba, Daniel Lima e Manuel Borja Villel, reúne 13 obras e instalações artísticas. A mesma conta com nove artistas de diferentes países, nomeadamente Angola, Brasil, Portugal, França, Marrocos, Estados Unidos e Cabo Verde.

À margem da conferência de imprensa, Grada Kilomba disse que a Bienal de São Paulo, marca um acto histórico por ser a primeira vez que é apresentada em África. Desde 2011, explicou, o programa da mostra itinerante leva recortes e selecções de obras para as cidades dentro e fora do Brasil, por via de parcerias institucionais.

A curadora explicou que a escolha de Luanda, deve-se a um reconhecimento dos laços históricos e culturais entre os dois povos e reforça os preparativos dos 50 anos de Independência de Angola, em 2025. "A Bienal já esteve em Buenos Aires, na Argentina, e em La Paz, na Bolívia. Agora estamos em Luanda.”

A Bienal de São Paulo, explicou, já percorreu dez cidades do Brasil e tem previsões de ser apresentada até ao final do ano, em Porto Alegre e Rio Grande do Sul. "A presença africana na Bienal é muito forte e temos a certeza que a troca de experiências será salutar para o fortalecimento dos laços culturais entre os dois povos unidos pela mesma língua”, observou.

Em declarações ao Jornal de Angola, a primeira vice-presidente da Bienal, Maguy Etlin, destacou a importância da diversificação e troca de conhecimentos com outras culturas. "Fomos recebidos por um país com tanta conexão com a história do Brasil. É uma honra poder estar a dividir com os irmãos angolanos experiências no domínio cultural e artístico, uma relação estabelecida ainda no período colonial”. Alice André – Angola in “Jornal de Angola”

domingo, 28 de julho de 2024

Moçambique - João Ayres em exposição nas galerias de Maputo

A Associação Kulungwana (Moçambique) e a Associação Zé dos Bois (Portugal) apresentam, em parceria com o Museu Nacional de Arte, o Camões – Centro Cultural Português e o Instituto Guimarães Rosa, em Maputo, Nanquim Preto sobre fundo branco, uma exposição individual do artista João Ayres (1921-2001).


O comunicado de imprensa sobre a exposição avança que a inauguração terá lugar próxima quarta-feira, às 17h30, com início na Galeria Kulungwana, e continuidade nos outros espaços culturais envolvidos, nomeadamente no MUSART, no Instituto Guimarães Rosa e no Camões, onde encerra às 20h30, disponibilizando ao público, na mesma noite, uma visita geral a esta mostra inédita conjunta.

Nanquim preto sobre fundo branco conta com a curadoria de Natxo Checa (Portugal) e Alda Costa (Moçambique), ocupa os quatro espaços parceiros em simultâneo e é composta por um conjunto alargado de pinturas e desenhos, produzidos por João Ayres, entre 1947 e 1970, em Maputo.

A exposição apresenta e propõe olhar para as três primeiras décadas de produção artística de João Ayres, repondo a sua importância histórica e artística como precursor do Modernismo em Moçambique. É um regresso à casa mãe, ao território de produção de obras, cujo carácter apresenta pontos de convergência com as correntes intercontinentais vigentes na época (África do Sul, Brasil, Portugal, Moçambique).

Depois de décadas esquecido, tanto em Moçambique como em Portugal, e após uma primeira bem sucedida mostra em Lisboa (2022/2023), na Galeria Zé dos Bois, onde se expôs pintura e desenho que recolhia a primeira década de produção moçambicana do artista (1946-1957), é chegado o momento de uma apresentação mais alargada da obra de João Ayres, que devolve ao público de Maputo, após mais de 50 anos, a oportunidade de tomar contacto, de fruir e de valorizar o trabalho extraordinário de raiz africana que passa pelo neorrealismo, o concretismo e o expressionismo, ora figurativo ora abstracto.

Ao longo dos quatro momentos/espaços da exposição, pode-se constatar, entre outros: – corpos em esforço e lamento nas contrariedades da condição humana – com destaque para as pinturas do Cais Gorjão nos anos 40; uma série de pinturas e desenhos neoexpressionistas, do início dos anos 50, concebidos para serem mostrados no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a convite do mecenas das artes Ciccillo Matarazzo, e na galeria do Ministério da Educação e Cultura do Rio de Janeiro, a convite de personalidades das artes; uma série de desenhos a tinta-da-china da corrente concretista, em que o artista deixa de representar uma condição que lhe é alheia e passa à abstração pura; uma série de trabalhos produzidos após o regresso de João Ayres do Brasil, em meados da década de 50, até aos anos 70, parte deles da colecção do Museu Nacional de Arte, que variam entre pintura sobre cartão e tinta-da-china sobre papel, onde reconhecemos figuras, corpos, caras, máscaras, cores e formas, que nos remetem indubitavelmente à sua vivência local moçambicana.

A programação complementar a esta exposição é composta por uma sessão de exibição do filme João Ayres, Pintor Independente (2022), de Diogo Varela Silva, por visitas guiadas, entre outras actividades.

A exposição Nanquim preto sobre fundo branco é uma mostra produzida pela Associação Zé dos Bois e a Associação Kulungwana, em parceria com o Museu Nacional de Arte, o Camões – Centro Cultural Português e o Instituto Guimarães Rosa, e conta com o apoio da Direcção-Geral das Artes de Portugal (DGArtes), Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) e da Embaixada da Noruega em Maputo. Tem entrada livre (à excepção do Museu Nacional de Arte, onde se aplicam as condições de acesso em vigor) e fica patente até ao dia 27 de Setembro de 2024.

Sobre João Ayres (1921-2001)

Nasceu em Lisboa, em 1921. Estudou arquitectura na Escola de Belas Artes de Lisboa e Porto.

Em 1944 integra o II salão “Independentes” (exposição colectiva onde, entre outros, participam Fernando Lanhas, Nadir Afonso e Júlio Resende) no Coliseu do Porto, e a exposição Anual da Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa.

Em 1946, João Ayres muda-se para Moçambique, onde se encontrava o pai, o pintor naturalista Frederico Ayres, como professor na Escola Técnica da ex-Lourenço Marques. Em Moçambique exerceu, para além da actividade de pintor, com exposições na África do Sul e Brasil, outras actividades, nos Serviços de Obras Públicas, nos Serviços de Instrução Pública/Ensino Técnico, onde foi professor e, paralelamente, orientou cursos de pintura e desenho no Núcleo de Arte em diferentes períodos, tendo influenciado e contribuído para a formação de artistas como António Bronze, José Júlio, Malangatana, entre outros.

Expõe, pela primeira vez, com o pai, o pintor Frederico Ayres, em 1947. Realiza a sua primeira exposição individual em 1949, promovida pelo Núcleo de Arte, onde expõe as primeiras telas neorrealistas. Continua a expor colectiva e individualmente nos anos que se seguem, destacando-se as exposições individuais no Museu de Arte Moderna de São Paulo (1955); na Voster’s Gallery, em Pretória (1961); no Left Bank Galleries, em Joanesburgo (1965); na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa (1981).

A obra de João Ayres está representada em diversas colecções privadas e públicas, destacando-se a Fundação Calouste Gulbenkian, o Museu Grão Vasco (Viseu), o Museu Nacional de Arte (Maputo), e o Museu de Arte Moderna de São Paulo. In “O País” - Moçambique


segunda-feira, 17 de junho de 2024

Moçambique - Armindo António lança “Amores e outras cores”

A Catalogus lançou na passada sexta-feira, o livro “Amores e outras cores”, da autoria de Armindo António, no Instituto Guimarães Rosa – Centro Cultural Brasil-Moçambique, em Maputo, com a apresentação de Aissa Mithá Issak.

No livro, “Armindo António traz-nos uma narrativa que leva-nos a concluir que o verdadeiro amor transcende as barreiras raciais. Alves Pereira da Veiga, um engenheiro recém-formado, chega a Moçambique vindo de Portugal, cheio de sonhos e ambições. Como que por uma escolha do destino, os seus caminhos cruzam-se com os de Melinha, uma mulher negra moçambicana por quem, contra tudo e todos, se entrega por completo”.

De acordo com a nota de imprensa, conhecer o romance protagonizado por Melinha e Alves é um convite a voltar no tempo e reflectir sobre a miscigenação, uma realidade muito presente na sociedade moçambicana. É também uma oportunidade para perceber que, durante o período colonial, muitas histórias de amor infelizmente não conseguiram resistir às limitações impostas pelas leis coloniais.

Tal como no seu primeiro livro “Sobreviver ao fogo” (2023), Armindo António traz, em “Amores e outras cores”, uma escrita carregada de perspicácia e direcção, sendo profundo e sensível ao mesmo tempo. As desavenças familiares, a tradição e o amor são temáticas predominantes neste livro, onde o autor apresenta uma escrita afinada, assertiva, que leva o leitor para dentro da história, apresentando as personagens e os enredos de forma subtil.

O livro foi editado pela Catalogus, numa sessão que contou com leituras de Marcela Matimbe. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 7 de maio de 2024

ONU - Festa da língua portuguesa enaltece diversidade cultural

O secretário-geral António Guterres destaca o papel do idioma em áreas como cooperação global, influência e relevância para milhões em todo o mundo. O líder das Nações Unidas ainda reforçou o papel do multilinguismo na organização e na compreensão do mundo


O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, discursou nesta segunda-feira em evento de celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa realizado na sede da organização em Nova Iorque. A data é marcada em 5 de maio.

António Guterres destacou a importância do idioma como elo de conexão entre culturas e comunidades em todo o mundo. Considerou a língua portuguesa, falada por centenas de milhões de pessoas, como uma força unificadora que transcende fronteiras e promove a compreensão mútua.

Diversidade cultural

"A língua portuguesa é um testemunho do poder da conexão humana e da diversidade cultural"

O chefe da ONU ressaltou como o idioma serve como veículo de expressão na diplomacia, nas artes e na literatura, ligando países da Europa à América do Sul, da África à Ásia e à Oceânia.

Uma das iniciativas mencionadas foi a criação da secção dedicada a livros de língua portuguesa na biblioteca das Nações Unidas. Esta medida, segundo Guterres, representa um reconhecimento da riqueza cultural e intelectual dos países lusófonos, contribuindo para o enriquecimento do conhecimento e da cultura mundial.


Multilinguismo

Além disso, o seu discurso ressaltou o papel crucial do multilinguismo nas Nações Unidas. Ele apontou que o português já é uma língua de trabalho em algumas agências da ONU, evidenciando a importância de promover a diversidade linguística para uma maior cooperação global.

Guterres citou que o serviço da ONU News em língua portuguesa, em conjunto com a equipa de redes sociais e dos Centros de Informação e dos Escritórios Regionais Lusófonos da ONU, evidencia a crescente procura de informação em português e justifica o esforço para reforçar a proximidade entre pessoas que consomem o conteúdo.

Outro ponto destacado foi a colaboração com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP. O secretário-geral elogiou os valores de diálogo e solidariedade no cerne desta instituição, destacando o compromisso com temas como a juventude, igualdade de género, digitalização e desenvolvimento sustentável.

O discurso encerrou com um apelo ao compromisso com a paz, direitos humanos e desenvolvimento sustentável.

Mundo mais inclusivo e equitativo

O secretário-geral expressou confiança na capacidade da língua portuguesa e da cooperação entre os países lusófonos para enfrentar os desafios globais e promover um mundo mais inclusivo e equitativo.

A celebração contou com música ao vivo, gastronomia e a presença de representantes diplomáticos internacionais, incluindo embaixadores das nove nações integrantes da CPLP. 

A Missão do Brasil na ONU organizou a comemoração em parceria com o Camões – Instituto de Cooperação e da Língua e o Instituto Guimarães Rosa, que promovem a diplomacia cultural e educacional. ONU News – Nações Unidas

sexta-feira, 22 de março de 2024

Lusofonia - Instituto Guimarães Rosa e o Instituto Camões assinam memorando de cooperação

Na passada segunda-feira, o Instituto Guimarães Rosa (IGR) do governo brasileiro, e o Instituto Camões, de Portugal assinaram um memorando de entendimento para cooperação nas áreas de difusão da língua portuguesa, promoção da cultura lusófona e cooperação educacional.


Com base nesse instrumento, os dois institutos poderão promover iniciativas conjuntas para fortalecer sua atuação internacional, incluindo-se a concepção de projetos colaborativos, a otimização do uso de espaços no exterior e o fortalecimento do uso da língua portuguesa como idioma oficial e de trabalho em organismos e foros internacionais.

A Presidente do Camões, IP, Ana Paula Fernandes, e o Diretor do Instituto Guimarães Rosa, Marco Antonio Nakata, estiveram na assinatura no dia 18 em Brasília, do Memorando de Entendimento para a cooperação nos domínios da Língua Portuguesa, Educação e Cultura.

O IGR é responsável pela diplomacia cultural e educacional do Brasil, atua na cooperação educacional e na promoção da cultura e da variante brasileira da língua portuguesa. A cooperação com o Instituto Camões permitirá valorizar e ampliar o uso da língua portuguesa no mundo, ressalta o governo.

Já o Camões, I.P. é integrado na administração indireta do Estado, dotado de autonomia administrativa, financeira e patrimônio próprio, segue atribuições e tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal.

O memorando agora assinado considera relações históricas entre os países e os laços de amizade e cooperação já existentes entre os dois povos; o Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta, celebrado em 22 de abril de 2000, vigente entre os dois Estados; e que as instituições estão interessadas em criar sinergias e parcerias de cooperação mútua para a prossecução dos seus objetivos partilhados. In “Mundo Lusíada” - Brasil




terça-feira, 14 de novembro de 2023

Moçambique - Angelina Neves lança “Pintar incongruências”

O lançamento oficial de “Pintar incongruências”, de Angelina Neves, está marcado para dia 16 de Novembro, às 17:30h, no Instituto Guimarães Rosa/Centro Cultural Brasil-Moçambique, na Cidade de Maputo.

Angelina Neves estreia-se com um livro para adultos. Intitulado “Pintar incongruências”, a obra é constituída por 112 páginas e está dividido em sete partes.

“Com uma biografia fecunda dedicada à poesia, à literatura infantil e à educação, Angelina Neves emana um extracto humano que vibra naturalmente com a sua arte. A artista e a cidadã se anelam e formam uma expressão única, a da poetisa que aqui se neste novo livro”, lê-se na nota de imprensa da editora gala-gala.

No prefácio do livro, o escritor e cineasta brasileiro Escobar Franelas, avança a mesma nota, faz uma associação entre Angelina Neves e Fernando Pessoa, afirmando que assim como Pessoa se tornou poeta através de vários poetas, Neves se torna poeta por meio do arco solar.

A obra faz parte da colecção de poesia “Biblioteca de poesia Rui de Noronha”, da Gala-Gala Edições.

A apresentação do livro será feita pela professora brasileira (UEM) Izzy Gomes.

Angelina Neves nasceu na capital moçambicana, em 1951. Escreveu mais de 40 livros infantis. Trabalhou ligada a projectos de divulgação e defesa dos Direitos das Crianças. As tentativas de fazer poesia vêm da infância. Um dia, aos 16 ou 17 anos, a Angelina enviou, para um jornal que tinha uma página cultural onde se publicava poesia, um poema que foi “ignorado”, e aí decidiu que “não tinha entendimento suficiente para ser poeta”, e que a poesia só servia para ela brincar de poeta consigo mesma. In “O País” - Moçambique


quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Moçambique - Livros de Andreia Edna da Silva e Ernesto Moamba lançados no CCBM


A Editorial Fundza lançou, no Instituto Guimarães Rosa/Centro Cultural Brasil-Moçambique, na Cidade de Maputo, dois livros infanto-juvenis, designadamente: O príncipe Suehtan e a Aruella no Tulipix, de Andreia Edna da Silva, e O abecedário que finge ser mudo, de Ernesto Moamba.

Ambas as obras foram apresentadas pelo escritor Juvenal Bucuane e foram editadas na sequência da chamada literária aberta pela Fundza no início do ano.

O livro de Andreia Edna da Silva, O príncipe Suehtan e a Aruella no Tulipix, segundo uma nota da Editorial Fundza, começou a ser escrito em Dezembro de 2021, em Inhambane. “Recorrendo à ficção, a escritora quis projectar uma certa imagem do filho na adolescência, pensado no seu carácter, na sua educação, no seu futuro e no respeito às pessoas”, lê-se no comunicado.

O príncipe Suehtan e a Aruella no Tulipix é uma história sobre a amizade de dois adolescentes, em que o príncipe é muito curioso e gosta de fazer muitas amizades e a Aruella é uma menina especial que se protege constantemente do mundo. A personagem assim procede porque já foi discriminada por ser albina. O príncipe Suehtan tenta ajudar a amiga, mostrando-a que os seres humanos são todos diferentes e, nessa condição, iguais. O livro foi ilustrado por Denise Mboana

Quanto a O abecedário que finge ser mudo, avança a Fundza, é primeiro livro de Ernesto Moamba editado em Moçambique e foi escrito durante o confinamento, em 2020. Em geral, trata-se de uma fábula, resultado das experiências que o autor teve vivendo no campo com os seus avôs. No livro, Moamba explora uma narrativa sobre a realidade actual em Moçambique e no mundo.

Ilustrada por Ariana Kom, o conto de Moamba passa-se numa biblioteca. Nesse espaço fictício, existem um abecedário e números. Os números sempre se julgam os melhores do mundo. Pelo contrário, o abecedário sempre investe na igualdade, o que leva ao enredo um certo equilíbrio social.

A cerimónia de apresentação dos livros de Andreia Edna da Silva e Ernesto Moamba, em Maputo, aconteceu depois de ambos terem sido lançados no FLIK 2022, na Cidade da Beira.

Andreia Edna da Silva nasceu no dia 2 de Março de 1986, em Maputo, e vive na Cidade de Inhambane. Tem algumas participações em antologias poéticas e de contos, tendo, em Dezembro de 2020, sido seleccionada para fazer parte do e-book Um Natal experimental e outros contos, com o texto “O desejo do príncipe Suehtam”, pela Gala Gala Edições. Em Abril de 2022, foi lançada a obra “Espíritos quânticos: uma jornada por histórias de África em ficção especulativa”, organizada por Virgília Ferrão, onde tem o texto “Os guardiões da terra”.

Ernesto Moamba nasceu a 4 de Agosto de 1994, na Cidade de Maputo. A temática de sua escrita é marcada pela dor, o desespero e o sofrimento do seu continente. É membro fundador da AMCL (Academia Mundial de Cultura e Literatura), ocupando a Cadeira 21, com o patrono Cruz e Souza. Lançou e publicou, pela Editora do Carmo (Brasília, DF), o livro de estreia de poesia “Liberta-te, mãe África”. Lançou e publicou, pela Editora Folheando (Pará, Brasil), o livro infanto-juvenil “O coelho fugitivo: entre a esperteza e o medo”. Recentemente, publicou, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, por meio da Editora Underline Publishing, o livro “Free Yourself, Mother África”, e, na Colômbia, pela Editorial Torcaza, “Libérate, madre áfrica”, ambas traduções de “Liberta-te, mãe África”. In “O País” - Moçambique


 

sábado, 20 de julho de 2019

Brasil - Instituto brasileiro para promover língua portuguesa arranca com projeto em Luanda


Mindelo - O novo Instituto Guimarães Rosa, para promoção da língua portuguesa e da cultura brasileira, vai avançar ainda este ano com as primeiras ações, nomeadamente um projeto-piloto em Angola, anunciou à Lusa o chefe da diplomacia do Brasil.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, falava no Mindelo, ilha cabo-verdiana de São Vicente, onde participou na XXIV reunião ordinária do conselho de ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), encontro durante o qual apresentou o novo instituto, uma iniciativa do Governo brasileiro que prevê a promoção da língua portuguesa no exterior.

"Antes de mais nada queremos organizar uma atuação, hoje, do Brasil, que é um pouco dispersa. Nós temos determinados centros de estudos brasileiros ao redor do mundo, mas trabalham de maneira um pouco dispersa, individualmente. A ideia é transformar isso num processo em algo coordenado e dar-lhe uma dimensão política e uma nova visão", explicou, em entrevista à Lusa, Ernesto Araújo.

"Uma visão de que o Brasil é um país que tem, e pretende ter, uma certa presença no mundo, uma responsabilidade no mundo, e temos uma cultura e temos a responsabilidade, junto com os países aqui da comunidade [CPLP], de propagar a língua portuguesa e defender a língua portuguesa", acrescentou.

Segundo o chefe da diplomacia brasileira, e embora sem adiantar mais informação, o primeiro projeto-piloto envolvendo o novo Instituto Guimarães Rosa será lançado em Luanda, através do Centro Cultural do Brasil em Angola, seguindo-se Lima, no Peru.

"Espero que ainda este ano estejam em curso esses projetos-piloto", afirmou Ernesto Araújo.

"Batizámos esse instrumento de Guimarães Rosa, um grande escritor e diplomata brasileiro, justamente para simbolizar essa conexão entre a atividade diplomática e a promoção da língua portuguesa", concluiu o ministro Ernesto Araújo.

O novo instituto, de iniciativa brasileira, foi apresentado hoje na reunião do conselho de ministros da CPLP, tendo merecido o pronto elogio de Portugal.

"O instituto Camões [público, português], para além do IILP [Instituto Internacional da Língua Portuguesa, promovido pela CPLP], é na verdade o único instituto de promoção internacional da língua portuguesa. Tendo o Brasil como parceiro, a escala vai ser completamente diferente", afirmou, questionado pela Lusa, no Mindelo, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”