Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 2 de abril de 2026

África - Boicota Cimeira Africana das Energias em Londres

"Não participamos em ambientes onde jovens moçambicanos são discriminados apenas com base na cor da pele e não nas suas qualificações ou méritos decorrentes da experiência", justificou o presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Florival Mucave. Outros produtores de petróleo africanos juntaram-se ao boicote


Os ministros africanos do Petróleo anunciaram um boicote à Cimeira Africana das Energias (AES), que terá lugar de 12 a 14 de Maio em Londres, por "sérias preocupações" relacionadas com o conteúdo local, argumentando que esta é "uma prioridade inegociável" para a indústria petrolífera do continente.

A decisão, divulgada pela Câmara de Energia Africana, é anunciada dias depois de Moçambique acusar a entidade organizadora, a Frontier Energy Network, de "discriminação", por se recusar a pôr fim à política de não contratação de profissionais negros e resistir aos apelos para divulgar dados sobre a diversidade da força de trabalho.

"A Cimeira Africana de Energias obtém a maior parte das suas receitas de África, mas o seu padrão de discriminação equivale a um bloqueio intencional aos profissionais negros", resume a Câmara Africana de Energia (AEC, na sigla em inglês), num comunicado onde anuncia a decisão de Moçambique de se retirar da Africa Energies Summit 2026, numa altura em que o país está a reiniciar megaprojetos de gás e a pressionar para que os projectos sejam abertos a talentos locais.

Já o presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Florival Mucave, afirma que "em 2026, este não é o comportamento que se espera de quem quer que seja que utilize o nome de África", descartando a ida do país a Londres. "Não participamos em ambientes onde jovens moçambicanos são discriminados apenas com base na cor da pele e não nas suas qualificações ou méritos decorrentes da experiência", justifica.

A decisão de Moçambique acabou por ser seguida por outros países produtores de petróleo e gás africanos, que, ao boicotar o evento em Londres, enviam uma mensagem clara. "Se Gayle Meikle, da Irlanda, e Daniel Davidson, da Escócia, alterarem a sua política para que seja mais inclusiva, muitos africanos trabalharão com eles. As políticas de exclusão não reflectem os nossos valores nem os da indústria petrolífera.

A Frontier tem uma oportunidade incrível de fazer o que está certo", frisou NJ Ayuk, presidente executivo da Câmara Africana de Energia. Por outro lado, as nações produtoras de petróleo do continente enviam "um forte sinal" de que as plataformas do sector que operam sob a bandeira da energia africana "devem reflectir os valores e os objectivos de desenvolvimento do continente", acrescenta.

Compromisso com África

A Câmara Africana de Energia lembra que, em todos os sectores do oil & gas, tantos os mercados emergentes como os já estabelecidos estão a integrar políticas de conteúdo local, como forma de catalisar a criação de emprego, a participação local e o desenvolvimento de competências. Para isso, têm feito alterações à regulamentação interna, como mostram a Lei de Desenvolvimento de Conteúdo da Indústria do Petróleo e do Gás da Nigéria (NOGIC) e a Lei de Conteúdo Local de Angola, que "proporcionaram uma base sólida para a implementação do conteúdo local".

A Câmara Africana de Energia aponta ainda o projecto Greater Tortue Ahmeyim (GTA) no Senegal e na Mauritânia, que não só destina uma parte do gás a cada mercado interno, como apresenta uma estratégia de conteúdo local multifacetada centrada na cadeia de abastecimento, no desenvolvimento da força de trabalho e no investimento social.

Aponta ainda o projecto EG LNG na Guiné Equatorial como "um importante impulsionador" do conteúdo local. Em funcionamento desde 2007, o projecto "tem colocado ênfase no desenvolvimento e integração da força de trabalho local por meio de várias iniciativas que promovem a participação e um apoio económico mais amplo". Isabel Bordalo – Angola in “Expansão”


sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Portugal - Caso vençam o concurso nacional, vários artistas anunciam boicote ao Festival da Eurovisão

"Não aceitamos a cumplicidade na violação dos Direitos Humanos", afirmaram os artistas portugueses em comunicado conjunto, referindo-se às ações de Israel em Gaza, que uma investigação independente das Nações Unidas considerou um genocídio


A participação de Portugal no Festival Eurovisão da Canção do próximo ano estará em risco?

Após a notícia de que a Islândia se juntou à Irlanda, Espanha, Holanda e Eslovénia na desistência de participar do Eurovision 2026 , 17 artistas e intérpretes portugueses no Festival da Canção anunciaram que se recusam a representar Portugal caso vençam a competição nacional.

Os participantes da disputa interna para eleger um representante divulgaram uma declaração protestando contra a participação controversa de Israel na competição.

Os signatários incluem Cristina Branco, Bateu Matou, Rita Dias, DjoDje, Beatriz Bronze (Evaya), Francisco Fontes, Gonçalo Gomes, Inês Sousa, Jorge Gonçalves (Jacaréu), Marquise, Nunca Mates o Mandarim e Pedro Fernandes.

“Com palavras e canções, agimos dentro das possibilidades que nos são dadas. Não aceitamos a cumplicidade com a violação dos Direitos Humanos”, afirmaram.

“Apesar da proibição da Rússia no Festival Eurovisão da Canção 2022 por razões políticas (a invasão da Ucrânia), ficamos surpresos ao ver que a mesma postura não foi adotada em relação a Israel, que, segundo as Nações Unidas, está a cometer atos de genocídio contra os palestinianos em Gaza.”

A emissora portuguesa RTP emitiu um comunicado em resposta às declarações dos artistas, afirmando: “Independentemente da decisão dos artistas que subscrevem a declaração, a RTP voltará a organizar o Festival da Canção e reafirma a sua participação no Festival Eurovisão da Canção 2026.”

Salvador Sobral, o único artista português a vencer o Festival Eurovisão da Canção, criticou a posição da RTP num vídeo publicado nas redes sociais, no qual acusou a emissora portuguesa de "covardia política".

A indignação também chegou ao público português, que lançou uma petição exigindo a retirada imediata de Portugal do Festival Eurovisão da Canção.

Já assinado por mais de 26 mil pessoas, o documento destaca que o voto do RTP a favor da participação de Israel "coloca Portugal do lado errado da história".

"Essa postura é inaceitável diante da catástrofe humanitária em curso e da ofensiva militar na Faixa de Gaza, e diante dos escândalos de manipulação de votos que macularam a edição de 2025 em Basileia, comprovando a incapacidade da organização (EBU) de conter a politização do evento", diz o texto. Euronews.culture


quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Internacional - O boicote às universidades israelenses

Quatro universidades brasileiras, a Unicamp, a Federal do Rio de Janeiro, a Federal do Ceará e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas de São Paulo decidiram romper seus convênios de cooperação com as universidades israelenses de Haifa, de Ben Gurion e com o Instituto Tecnológico Technion, em reação às violências cometidas por Israel na Faixa de Gaza, depois do ataque terrorista do Hamas no 7 de outubro de 2023.

Esses convênios previam intercâmbio de alunos, professores e projetos mútuos de pesquisa. Esse mesmo tipo de boicote tem a participação de universidades da Noruega, Irlanda, Bélgica e Espanha.

Na Suíça, onde as universidades de Lausanne e Genebra também aderiram ao boicote, o jornal Le Temps procurou saber quais consequências negativas podem resultar desse movimento tanto para Israel como para as universidades israelenses e estrangeiras. Para isso, foi entrevistado Shlomi Kofman, responsável pela parceria de Israel com o programa Horizon Europe.

A síntese dessa entrevista é a de que "o boicote a Israel é contraproducente" no domínio da pesquisa científica, havendo riscos tangíveis para a ciência, segundo os cientistas israelenses. desde 1996, Israel e a europa se beneficiam dessa parceria em ciência e tecnologia, envolvendo estudantes, pesquisadores e empresas europeias.

Até hoje, Horizon Europe tem favorecido de maneira apolítica a pesquisa e a política, evitando ser envolvido pela política concentrado no objetivo de inovação e progresso para a humanidade.

A revista K, preocupada com os judeus na Europa e com o ressurgimento do antissemitismo, integrada por universitários e jornalistas, abriu um grande espaço dedicado "aos universitários israelenses face ao apelo pelo boicote de suas universidades.

Três professores contribuíram com suas respostas: Itai Ater e Alon Korngreen, do grupo Universitários pela democracia israelense, e o prof. Eyal Benvenisti, membro do Fórum dos professores de direito israelenses pela democracia.

Sobre os impactos decorrentes dos boicotes às universidades israelenses, acham que são muitos limitados. O governo israelense considerará serem ataques a Israel, hostilidade internacional, e reforçará as posições atuais.

O boicote será proveitoso ao governo atual e prejudicará as universidades, reforçará também a ideia de que "o mundo está contra Israel" levando o governo a um isolacionismo. O boicote prejudicará no que se refere às iniciativas de pesquisa e colaborações internacionais, reduzindo financiamentos e impedindo avanços universitários, limitando as trocas de ideias.

Muitas universidades israelenses - contam eles - participam de pesquisas inovadoras nos campos da medicina, tecnologia e meio ambiente. O boicote causará a perda de parceiros internacionais importantes para o progresso dos projetos e impedirá seus avanços.

Eles enumeram os prejuízos para os universitários israelenses, mas é também importante considerar a perda correspondente para os estudantes das universidades boicotadoras, privados de pesquisas e de experiências internacionais. Resta a dúvida se a aplicação do boicote tem algum resultado positivo. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

sábado, 13 de setembro de 2025

Europa – Países Baixos adere ao boicote do Festival Eurovisão da Canção 2026 devido à participação de Israel

A emissora pública holandesa, AVROTROS, confirmou que os Países Baixos juntar-se-á à Eslovénia, Islândia, Espanha e Irlanda no boicote ao Festival Eurovisão da Canção do ano que vem se Israel estiver envolvido


A emissora holandesa AVROTROS anunciou que boicotará o Festival Eurovisão da Canção do ano que vem se Israel for incluído na competição, juntando-se assim à Eslovénia, Islândia, Espanha e Irlanda no boicote do evento caso a União Europeia de Radiodifusão (EBU) mantenha Israel na programação.

Num comunicado, a AVROTROS afirmou: “O Festival Eurovisão da Canção foi fundado em 1956 para unir as pessoas após um período de profunda divisão e guerra. Desde a sua criação, há setenta anos, a música tem sido o cerne do Concurso como uma força unificadora, tendo a paz, a igualdade e o respeito como seus valores fundamentais.” No entanto, a emissora continuou afirmando que “não poderia mais justificar a participação de Israel na situação atual, dado o severo e contínuo sofrimento humano em Gaza”.

Assim como a emissora irlandesa RTÉ, a declaração da AVROTROS também cita preocupações sobre a liberdade de imprensa e alegou que havia “evidências comprovadas de interferência do governo israelita” durante o concurso de 2025 , e afirmou que Israel usou o evento “como um instrumento político”.

E continuou: "O sofrimento humano, a supressão da liberdade de imprensa e a interferência política estão em desacordo com os valores da radiodifusão pública."

O anúncio da RTÉ desta semana também levantou preocupações sobre os ataques a jornalistas e a negação de acesso da mídia a Gaza.

No início desta semana, o Ministro da Cultura espanhol, Ernest Urtasun, pronunciou-se sobre a participação da Espanha no Festival Eurovisão da Canção do próximo ano. A Euronews Culture noticiou que a Espanha também ameaçou retirar-se do festival caso Israel seja mantido no alinhamento.

“Não acho que possamos normalizar a participação de Israel em eventos internacionais como se nada estivesse a acontecer”, disse Urtasun durante uma entrevista no programa La Hora de La 1, da TVE. “Não é um artista individual que participa, mas alguém que participa em nome dos cidadãos daquele país.”

Urtasun disse que se Israel participar em 2026 "e não conseguirmos expulsá-lo, medidas terão que ser tomadas" - conforme citado pelo jornal espanhol La Vanguardia  - e lembrou aos telespectadores que o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez pediu anteriormente à EBU que banisse Israel da competição internacional.

Em maio, Sánchez pediu à UER que excluísse Israel, afirmando que "ninguém se mostrou contrariado" quando a Rússia foi banida de competições internacionais e da Eurovisão após a invasão da Ucrânia. Ele pediu que a mesma proibição fosse aplicada a Israel devido à guerra de Gaza.

Urtasun especificou que não é antissemita denunciar o “genocídio” que está ocorrendo em Gaza e descreveu Israel como um “governo genocida”.

A Eurovisão está envolvido em tensões políticas sobre a participação de Israel há dois anos, e os países mencionados juntam-se a mais de 70 ex-participantes da Eurovisão que assinaram uma carta aberta exigindo que Israel e a sua emissora nacional KAN sejam banidos do concurso. 

O vencedor do Eurovisão do ano passado, o cantor austríaco JJ, disse que também quer que Israel seja banido do Festival Eurovisão da Canção 2026.

A EBU estendeu o seu prazo de retirada sem penalidades até dezembro, quando uma decisão final sobre a participação de Israel é esperada na Assembleia Geral.

Desde o ataque do Hamas a cidadãos israelitas em 7 de outubro de 2023, vários especialistas em direitos humanos da ONU  declararam que as ações militares de Israel em Gaza equivalem a genocídio, com o Tribunal Internacional de Justiça considerando as alegações de genocídio plausíveis. 

No mês passado, a Classificação da Fase de Segurança Alimentar Integrada anunciou que a população da Faixa de Gaza está oficialmente enfrentando uma fome "provocada pelo homem" no território — apesar do que o governo israelita disse.

A edição de 70.º aniversário da Eurovisão acontecerá em Viena, Áustria. A final acontecerá em 16 de maio, após as semifinais em 12 e 14 de maio de 2026. Euronews.culture