Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Europa - Investigadores alertam para elevada contaminação das ribeiras urbana europeias por fármacos

Um estudo internacional, liderado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), revelou uma contaminação generalizada por fármacos nas águas de ribeiras urbanas europeias, incluindo as de Coimbra. A investigação, publicada na revista Journal of Hazardous Materials, está integrada no projeto OneAquaHealth e analisou 102 ribeiras situadas nas cidades de Benevento (Itália), Coimbra (Portugal), Ghent (Bélgica), Toulouse (França) e Oslo (Noruega).


Os resultados deste estudo apontam para a presença de 16 fármacos pertencentes a seis grupos terapêuticos, detetados em 91% dos locais de amostragem. Misturas de fármacos foram encontradas em 79% dos pontos analisados.

«Entre os compostos mais frequentes destacam-se os irbesartan e bisoprolol (anti-hipertensores), bem como carbamazepina (anticonvulsivo), identificado em mais de metade das ribeiras urbanas. O paracetamol apresentou maiores concentrações, enquanto irbesartan, bisoprolol e fluoxetina atingiram níveis recorde face ao reportado anteriormente na literatura científica», revela Fernanda Rodrigues, estudante de doutoramento da FCTUC.

Em Coimbra, foram detetados 14 fármacos nas ribeiras urbanas, com destaque para carbamazepina, irbesartan, losartan, atenolol e venlafaxina. «Um dos locais de amostragem da cidade apresentou 70% dos compostos analisados. As concentrações mais elevadas correspondem aos anti-hipertensores irbesartan e atenolol. Embora menos frequentes, quatro dos sete antibióticos testados também foram encontrados nas águas coimbrãs, um dado particularmente preocupante face à crescente resistência antimicrobiana, considerada uma das mais graves ameaças à saúde pública global», alerta Maria João Feio, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da FCTUC.

O estudo identificou diferenças estatísticas significativas entre os padrões de contaminação das cidades, com Coimbra e Oslo a apresentarem níveis mais baixos. No caso português, a presença de fármacos foi estatisticamente associada à condição morfológica e ecológica das ribeiras e ao grau de impermeabilização urbana. Segundo os investigadores, estes resultados demonstram que a poluição não depende apenas do consumo de medicamentos, mas também da qualidade ecológica e do estado de conservação dos ecossistemas ribeirinhos.

«Esta investigação evidencia a necessidade urgente de restaurar os ecossistemas de água doce e de implementar novas tecnologias de remoção de fármacos nas estações de tratamento de águas residuais. Estas medidas são essenciais para reduzir o impacto destes contaminantes nos rios e ribeiras urbanos e alinhar a gestão da água com os princípios da Saúde Única (One Health) – uma abordagem integrada que liga a saúde humana, animal e ambiental», concluem os especialistas.

O trabalho foi liderado por Fernanda Rodrigues e Maria João Feio, coordenadora do projeto OneAquaHealth, e contou com a participação de Ana R. Calapez, André Pereira, Liliana Silva, Janine Silva, Luísa Durães e Nuno Simões, com o envolvimento dos departamentos de Ciências da Vida, Engenharia Civil e Engenharia Química da FCTUC e da Faculdade de Farmácia. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Internacional - O boicote às universidades israelenses

Quatro universidades brasileiras, a Unicamp, a Federal do Rio de Janeiro, a Federal do Ceará e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas de São Paulo decidiram romper seus convênios de cooperação com as universidades israelenses de Haifa, de Ben Gurion e com o Instituto Tecnológico Technion, em reação às violências cometidas por Israel na Faixa de Gaza, depois do ataque terrorista do Hamas no 7 de outubro de 2023.

Esses convênios previam intercâmbio de alunos, professores e projetos mútuos de pesquisa. Esse mesmo tipo de boicote tem a participação de universidades da Noruega, Irlanda, Bélgica e Espanha.

Na Suíça, onde as universidades de Lausanne e Genebra também aderiram ao boicote, o jornal Le Temps procurou saber quais consequências negativas podem resultar desse movimento tanto para Israel como para as universidades israelenses e estrangeiras. Para isso, foi entrevistado Shlomi Kofman, responsável pela parceria de Israel com o programa Horizon Europe.

A síntese dessa entrevista é a de que "o boicote a Israel é contraproducente" no domínio da pesquisa científica, havendo riscos tangíveis para a ciência, segundo os cientistas israelenses. desde 1996, Israel e a europa se beneficiam dessa parceria em ciência e tecnologia, envolvendo estudantes, pesquisadores e empresas europeias.

Até hoje, Horizon Europe tem favorecido de maneira apolítica a pesquisa e a política, evitando ser envolvido pela política concentrado no objetivo de inovação e progresso para a humanidade.

A revista K, preocupada com os judeus na Europa e com o ressurgimento do antissemitismo, integrada por universitários e jornalistas, abriu um grande espaço dedicado "aos universitários israelenses face ao apelo pelo boicote de suas universidades.

Três professores contribuíram com suas respostas: Itai Ater e Alon Korngreen, do grupo Universitários pela democracia israelense, e o prof. Eyal Benvenisti, membro do Fórum dos professores de direito israelenses pela democracia.

Sobre os impactos decorrentes dos boicotes às universidades israelenses, acham que são muitos limitados. O governo israelense considerará serem ataques a Israel, hostilidade internacional, e reforçará as posições atuais.

O boicote será proveitoso ao governo atual e prejudicará as universidades, reforçará também a ideia de que "o mundo está contra Israel" levando o governo a um isolacionismo. O boicote prejudicará no que se refere às iniciativas de pesquisa e colaborações internacionais, reduzindo financiamentos e impedindo avanços universitários, limitando as trocas de ideias.

Muitas universidades israelenses - contam eles - participam de pesquisas inovadoras nos campos da medicina, tecnologia e meio ambiente. O boicote causará a perda de parceiros internacionais importantes para o progresso dos projetos e impedirá seus avanços.

Eles enumeram os prejuízos para os universitários israelenses, mas é também importante considerar a perda correspondente para os estudantes das universidades boicotadoras, privados de pesquisas e de experiências internacionais. Resta a dúvida se a aplicação do boicote tem algum resultado positivo. Rui Martins – Suíça

__________

Rui Martins é Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Internacional - Programa norueguês financia projeto de doutoranda da Universidade do Porto no Ártico

A estudante e investigadora Eva Lopes está de regresso ao Ártico para estudar os efeitos do aquecimento global nas comunidades microbianas


Eva Lopes, estudante do Doutoramento em Ciência, Tecnologia e Gestão do Mar da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), conquistou o Arctic Field Grant (AFG), uma bolsa destinada a apoiar cientistas em início de carreira.

A jovem cientista de 28 anos está a estudar como é que os ecossistemas marinhos do Ártico — uma região que está a aquecer quatro vezes mais rápido do que o resto do planeta — irão responder a um ambiente em rápida transformação. “Este aquecimento provoca alterações profundas na dinâmica dos ecossistemas marinhos, incluindo o aumento da entrada de matéria orgânica na água, seja por degelo, maior produtividade primária ou mudanças na circulação oceânica”, explica Eva.

Com esta bolsa, a estudante está, pela primeira vez, na estação científica de Ny-Ålesund, em Svalbard, na Noruega, enquanto investigadora principal, o que considera um “feito bastante emocionante, motivador e motivo de orgulho”.

Eva tem feito experiências para simular cenários de alterações nos ecossistemas e para isso tem usado duas culturas de algas: diatomáceas e microalgas do género Phaeocystis. Durante um bloom (entrada de biomassa sazonal), há uma rápida assimilação de nutrientes inorgânicos como nitrato, fosfato e sílica por parte destes organismos, o que pode levar a desequilíbrios na disponibilidade relativa destes elementos.

“Estes microrganismos desempenham um papel central na conversão da matéria orgânica de volta a formas inorgânicas, isto é, repõem os nutrientes na coluna de água e influenciam a sua distribuição vertical”, detalha a investigadora.

As comunidades microbianas têm processos metabólicos que são vitais para os ecossistemas marinhos. A resposta microbiana à entrada de matéria orgânica vai afetar diretamente a eficiência da reciclagem de nutrientes e a disponibilidade futura para novos ciclos de produção primária e, por isso, é determinante a compreensão e estudo das mudanças que podem acontecer nestas comunidades.  

A estudante da FCUP tem estudado a composição e as interações das comunidades microbianas (procariotas e protistas), com foco na sua taxonomia e dinâmica ecológica e com este projeto pretende agora avaliar os mecanismos de adaptação e interação microbiana em cenários de mudança ambiental. 

Para Eva Lopes, esta bolsa, no valor de 10 mil euros, será “de grande relevância” para o seu doutoramento e será a base para o capítulo final da sua tese.

O projeto “Life on the Edge: Unraveling Arctic Microbial Transformations from Winter to Summer” decorre até 25 de outubro. A investigadora está integrada na equipa “Ecologia e Biogeoquímica dos Microbiomas do CIIMAR” e o seu doutoramento conta com a orientação da docente da FCUP e investigadora do CIIMAR, Catarina Magalhães e dos cientistas Miguel Semedo, do CIIMAR e Philipp Assmy, do Instituto Polar Norueguês.  

Um trabalho em constante evolução

Esta é a quinta vez que Eva Lopes participa em trabalho de campo no Oceano Ártico. A estudante tem trocado os verões quentes de Portugal pelos dias polares nesta região. Em 2023, quando começou o doutoramento, participou pela primeira vez numa campanha de monitorização pelágica sazonal. Esta consiste na recolha, semanal, entre maio até inícios de setembro, de amostras de água para a genómica microbiana, clorofila, nutrientes, fitoplâncton, zooplâncton, oxigénio e matéria orgânica numa estação a meio do fjord.

No ano seguinte, voltou ao Ártico para uma expedição científica a bordo do navio de investigação Mirai, do instituto Japan Agency Marine-Earth Science and Tecnology (JAMSTEC), com o objetivo de compreender os efeitos do aumento do fluxo de calor do Pacífico na diversidade e funções do plâncton nesta região. 

Atualmente, com este projeto, de cerca de três semanas de duração, a estudante recolheu amostras de genes, nutrientes e clorofila, a bordo do pequeno navio de investigação Jean Floc’h a 200 metros de profundidade através de uma garrafa de Niskin de 12L. A primeira experiência está a decorrer no laboratório da estação, mas toda a restante análise terá lugar no CIIMAR. Universidade do Porto - Portugal      


terça-feira, 1 de julho de 2025

Internacional - Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental liderou expedição à maior montanha submarina europeia

Campanha científica internacional para mapear e caracterizar o monte Gorringe integrou nove investigadores, seis dos quais são da Universidade do Porto


O Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) liderou este mês uma expedição ao mar profundo na área do monte submarino Gorringe, a maior montanha submarina portuguesa e europeia. A campanha, realizada no âmbito do projeto europeu TwinDEEPS, integrou uma equipa de nove investigadores, seis dos quais do CIIMAR, tendo ainda utilizado um veículo subaquático operado remotamente (ROV) português, pertencente à Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental – EMEPC.

A viagem a bordo do navio de investigação NIOZ RV Pelagia, do Royal Netherlands Institute for Sea Research (NIOZ, dos Países Baixos), partiu do porto de Las Palmas para o Gorringe no dia 3 de junho e terminou a 16 de junho, no Terminal do Porto de Leixões, onde há dias decorreu uma sessão de apresentação dos resultados preliminares da expedição. A paragem em Matosinhos permitiu ainda dar a conhecer a outros investigadores do CIIMAR, bem como a várias entidades com interesse no projeto, o navio e o ROV utilizado nesta expedição.

O mar profundo representa, refira-se, 98% da Zona Económica Exclusiva Portuguesa, sendo uma área de grande relevância para a Estratégia Nacional para o Mar 2030, que pretende equilibrar o desenvolvimento económico e social com a sustentabilidade dos recursos marinhos nacionais. Já o projeto TwinDEEPS tem como principal objetivo alavancar a capacidade de investigação nacional na área da exploração e observação em mar profundo, ligando o CIIMAR a três centros de excelência internacional: o norueguês IMR, o NIOZ dos Países Baixos e o AWI, da Alemanha. O projeto visa capacitar uma nova geração de investigadores e gestores de ciência altamente qualificados, com impacto na partilha e transferência de conhecimento e de tecnologia avançada entre as instituições parceiras.

Foi neste contexto que o CIIMAR liderou, juntamente com o NIOZ, a mais recente expedição ao banco submarino Gorringe. A campanha científica surgiu na sequência de um conjunto de workshops de planeamento, liderança e gestão de dados de campanhas oceanográficas também organizados no âmbito do TwinDEEPS, o qual permitiu já formar 11 investigadores e gestores de ciência de instituições portuguesas.

Os objetivos da campanha

Furu Mienis , do NIOZ, que liderou a campanha com a investigadora Joana Xavier (CIIMAR), aponta como principais objetivos da viagem “o mapeamento e a caracterização da biodiversidade do fundo marinho e da coluna de água, bem como a recolha de informação ambiental que nos permite compreender melhor o funcionamento deste grande ecossistema e dos seus diferentes habitats”. A expedição permitiu documentar a presença, distribuição e comportamento de várias espécies de megafauna, nomeadamente de baleias, aves e tartarugas marinhas, tendo sido ainda avaliada a diversidade de comunidades microbianas na coluna de água e caracterizada a sua estrutura físico-química e a disponibilidade de nutrientes. Adicionalmente foi também avaliada a extensão da influência humana no Gorringe, incluindo o impacto do lixo marinho e de contaminantes emergentes.

“Nos últimos anos houve um grande esforço por parte da comunidade científica para estudar este banco submarino. Esta campanha vem complementar esse trabalho, focando-se nas zonas mais profundas do Gorringe (entre os 500 e os 3000 metros de profundidade), implementando uma abordagem multidisciplinar que recorreu à mais avançada tecnologia de exploração e observação oceânica dos dois países”, refere Joana Xavier, coordenadora do projeto TwinDEEPS.

Todos os dados e amostras serão tornados públicos e disponibilizados às autoridades nacionais com competências na gestão e conservação da biodiversidade marinha. Entre estas, destaca-se o ICNF, que está a desenvolver o plano de gestão desta Zona Especial de Conservação integrada na Rede Natura 2000. “Esperamos que os dados e o conhecimento gerados no âmbito desta campanha venham a apoiar esse processo e, com isso, contribuam para a proteção deste hotspot de biodiversidade, de valor natural excecional no Norte Atlântico”, explica Joana Xavier.

Situado a aproximadamente 240 quilómetros a sudoeste do cabo de São Vicente, o Banco Gorringe é uma impressionante cadeia montanhosa submersa que se estende por cerca de 180 quilómetros de comprimento e 60 de largura. Esta estrutura eleva-se do fundo oceânico, a cerca de 5000 metros de profundidade, até atingir um planalto situado entre os 200 e os 300 metros; já os montes Gettysburg e Ormonde estão apenas a 60 e a 25 metros da superfície, respetivamente. Este banco submarino é amplamente reconhecido como um oásis de biodiversidade marinha, onde se encontram inúmeras espécies e habitats de grande importância de conservação, nos quais se alimentam e reproduzem jardins de esponjas e corais, peixes, mamíferos e aves marinhas. Universidade do Porto - Portugal


sábado, 17 de fevereiro de 2024

Cabo Verde - Destaca-se como 3.ª democracia africana e 35.ª no Ranking Global

A democracia cabo-verdiana ficou em terceiro lugar no continente africano e alcançou a 35.ª posição no panorama global, segundo o relatório de 2023 do Democracy Index organizado pelo The Economist Intelligence Unit, divulgado esta quinta-feira


Segundo o documento, a nível africano, Cabo Verde fica atrás das Maurícias e Botsuana.

Com uma pontuação de 7,65, o país ocupa o 35.º lugar no ‘ranking’ mundial. O relatório destaca o processo eleitoral e pluralismo nacional com 9,17 pontos.

Dentro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Cabo Verde se posiciona logo atrás de Portugal, sendo o segundo país melhor classificado no índice.

O relatório, organizado pela Economist Intelligence Unit e que faz um retrato anual do estado das democracias em 165 países e territórios, revelou ainda que o número de países com democracias (plenas ou com defeitos) subiu de 72 para 74 no último ano.

Entretanto, o documento mostra que o índice médio caiu de 5,29, em 2022, para 5,23, em 2023.

Os dados indicam que 45,4% da população mundial viveu num qualquer tipo de democracia e apenas 7,8% da população vive numa democracia plena, em comparação com 8,9 por cento em 2015.

Este decréscimo dos regimes de democracia plena deve-se, na maioria, ao facto de os Estados Unidos terem deixado de ser uma democracia plena, para passarem a ser considerados na tipologia de "democracia com defeitos", com a chegada ao poder do ex-Presidente Donald Trump, em 2016.

Conforme a mesma fonte, em 2023, 39,4% da população mundial viveu sob um regime autoritário, um valor que tem crescido nos últimos anos.

Quanto as democracias mais desenvolvidas, o relatório afirma que estão a ser confrontadas com múltiplos desafios políticos e sociais, o que sugere que esta forma de regime político, desenvolvido após a Segunda Guerra Mundial, pode estar a apresentar sinais de ineficácia e inadaptação à nova ordem mundial, governada pelo multilateralismo.

No ‘ranking’ mundial do Índice de Democracia, a Noruega lidera, seguida pela Nova Zelândia, Islândia, Suécia e Finlândia, compreendendo os cinco primeiros lugares.

No último lugar, e no segmento de regimes totalitários, está o Afeganistão, antecedendo Myanmar, Coreia do Norte, República Centro Africana e Síria.

O Índice de Democracia, que começou a ser elaborado em 2006, retrata a situação da democracia em 2021, em 165 Estados independentes e dois territórios, com base em cinco categorias: processo eleitoral e pluralismo, funcionamento do governo, participação política, cultura política e liberdades civis.

Cada país é classificado num tipo de regime: democracia plena, democracia imperfeita, regime híbrido ou regime autoritário, e consoante a pontuação registada numa série de indicadores. Sheilla Ribeiro – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”








quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Noruega - O maior parque eólico flutuante do mundo irá alimentar plataformas de petróleo e gás

A gigante petrolífera Equinor está por trás do projecto, mas as energias renováveis ​​ainda representam apenas uma pequena fracção da sua produção total de energia


O maior parque eólico flutuante do mundo foi lançado oficialmente na costa oeste da Noruega.

A gigante dos combustíveis fósseis Equinor está por trás da enorme central Hywind Tampern, que irá gerar 88 megawatts (MW) de energia para abastecer plataformas próximas de petróleo e gás.

O projecto – que utiliza uma nova tecnologia para ligar 11 turbinas gigantes ao fundo do mar – recebeu reacções mistas por parte dos ambientalistas.

Embora ajude a reduzir as emissões dos campos de petróleo e gás, os defensores do clima argumentam que é altura de parar completamente a perfuração de combustíveis fósseis.

Se as grandes empresas de petróleo e gás podem ou devem fazer parte da transição para as energias renováveis ​​é também uma questão profundamente controversa. Um novo relatório do Greenpeace sublinha o quão pequeno é o papel da energia eólica e de outras soluções energéticas no portfólio da Equinor.

A empresa sediada na Noruega investe apenas 3% do seu orçamento em “baixo carbono real”, de acordo com a análise da Greenpeace da Europa Central e Oriental (CEE) sobre 12 empresas petrolíferas europeias.

Como o parque eólico flutuante fornecerá petróleo e gás?

A Equinor fez parceria com outras empresas petrolíferas OMV e Vaar Energi no parque eólico, que começou a produzir energia em novembro e atingiu capacidade total no início deste mês.

A energia produzida cobrirá cerca de 35 por cento da energia necessária para abastecer cinco plataformas offshore de petróleo e gás no Mar do Norte. Estas plataformas são intensivas em carbono, normalmente utilizando diesel ou gás para operar as suas máquinas.

Eletrificá-las com energia eólica reduzirá as emissões de CO2 dos campos em cerca de 200 mil toneladas por ano, afirma Equinor. Isso representa 0,4 por cento das emissões totais de dióxido de carbono da Noruega em 2022.

Hywind Tampen compreende 11 turbinas eólicas fixadas a uma base flutuante ancorada no fundo do mar, em vez de fixada no fundo do oceano – uma nova tecnologia que especialistas da indústria dizem ser adequada para uso em águas mais profundas offshore e que a Equinor espera desenvolver ainda mais.

A Noruega tem como meta 30 gigawatts de energia eólica offshore até 2040, o que duplicaria a produção atual de energia do país.

A electrificação das instalações offshore e onshore é essencial para que a Noruega alcance os seus objectivos climáticos nacionais ao abrigo do acordo de Paris, salienta a Greenpeace. Contribuem com cerca de um quarto para as emissões globais da Noruega.

O país vai licitar os seus primeiros parques eólicos comerciais, incluindo três flutuantes, neste outono.

Quão está a investir a Equinor na transição energética?

À medida que o mundo acorda para os poderes destruidores do clima pelo petróleo e gás, os produtores estão a encontrar as suas próprias formas de enfrentar a tempestade.

A Shell e a BP aumentaram a sua produção de petróleo e gás em 2023, retrocedendo nas promessas anteriores de redução. A Equinor, no entanto, nunca se desviou de um caminho de crescimento, afirma o Greenpeace.

A empresa, que é responsável por cerca de 70 por cento da produção de petróleo e gás da Noruega, aumentou os seus lucros em 134 por cento em 2022 em comparação com o ano anterior, depois de beneficiar dos preços altíssimos do gás na Europa após o início da guerra na Ucrânia.

A energia renovável representou apenas 0,13% da produção total de energia da empresa naquele ano.

E a “clara orientação fóssil do modelo de negócio” também é evidente nos seus investimentos, segundo o Greenpeace. Dos quase 10 mil milhões de dólares em 2022, 8,3 mil milhões de dólares (7,7 euros) foram diretamente para a expansão ou estabilização da produção de petróleo e gás.

Como a maioria das empresas petrolíferas, a Equinor está comprometida com o objetivo de ser uma “empresa líquida zero” até 2050. Mas afirma que, mesmo nesse prazo, “ainda haverá necessidade de petróleo e gás no mix energético de 2050”. planea usar compensações de carbono para neutralizar as suas emissões restantes.

Também estabeleceu como meta aumentar a capacidade instalada de energias renováveis ​​para 12-16 GW até 2030, acima dos 0,6 GW do ano passado. Projetos eólicos offshore de grande escala, como o Hywind Tampen, deverão realizar a maior parte desse trabalho.

Contudo, os ativistas do Greenpeace continuam céticos em relação à Equinor e ao resto da “dúzia suja” de empresas de energia. Apenas 0,3 por cento da produção de energia combinada das 12 empresas europeias em 2022 veio de fontes renováveis, conclui. E apenas 7,3% dos investimentos destas empresas no ano passado foram direcionados para energia verde.

“Em vez de fornecerem a energia limpa desesperadamente necessária, alimentam-nos com lixo verde. A falta de vontade das grandes petrolíferas em implementar mudanças reais é um crime contra o clima e as gerações futuras”, afirma Kuba Gogolewski, activista da Greenpeace na Europa Central e Oriental. In “Euronews.green” com “Reuters”


sexta-feira, 28 de julho de 2023

Moçambique - Fundo das Nações Unidas para a População leva apoio técnico e financeiro para impulsionar tecnologia de dados

Cerca de 5 mil técnicos já foram preparados no sistema nacional de estatística. A agência espera que o censo populacional de 2027 seja feito com base no sistema eletrónico de recolha de dados


Em Moçambique, a comunidade académica, economistas, jornalistas e demais pesquisadores já podem fazer o uso de dados estatísticos compilados com a nova tecnologia, em parceria com as Nações Unidas.

Especialistas utilizaram dados do último censo da população, realizado em 2017, para fazer os estudos temáticos. O resultado do trabalho foi divulgado no início desta semana em Maputo, capital do país.

Dados estatísticos

O lançamento dos estudos temáticos do quarto recenseamento geral da população e habitação, resulta da cooperação entre o governo de Moçambique e os governos do Canadá, Suécia, Reino Unido, Itália e Noruega e é implementado pelo Fundo das Nações Unidas para a População, UNFPA.

Para Walter Mendonça Filho, representante interino do UNFPA, os dados também podem ser aproveitados nos processos de planificação, defesa de causas, tomada de decisões e concepção de políticas públicas.

“Isto é de extrema importância no momento em que o país se empenha em cumprir os seus compromissos internacionais e nacionais, incluindo a Agenda 2030 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e o programa de ação da conferência internacional sobre a população e desenvolvimento, inseridos na Estratégia Nacional de Desenvolvimento (2015-2035).”

O chefe interino da agência, destacou ainda importância dos estudos, dando como exemplo o uso dos dados do censo de 2017 que permitiram desenvolver políticas e estratégias do governo e dar respostas humanitárias aos desastres naturais.

“Investimentos na igualdade de género, na promoção dos direitos à autonomia corporal e a escolha, na redução da violência com base no género e na capacitação das mulheres e raparigas, através da educação e do acesso universal a contraceptivos modernos e a redução das uniões prematuras, ajudarão mais de metade da população, as mulheres, a atingir o seu potencial pleno, as suas aspirações e a traçar o caminho da sua própria vida.”

Parceria e cooperação

Já Luísa Fumo, chefe adjunta de cooperação na Embaixada da Suécia, falando em representação dos doadores, elogiou a iniciativa. Ela disse que a cooperação visa tornar os dados estatísticos acessíveis para todos com vista a contribuir para melhoria da planificação. Ela citou ainda os progressos da cooperação.

“A divulgação dos resultados do Censo em forma de atlas demográfico e mapas georreferenciados; a Revitalização e reforço da função estatística do INE; Formação de cerca de 5 mil funcionários do Sistema nacional de estatística em várias matérias técnicas; realização do inquérito demográfico e de saúde e 17 estudos temáticos baseados nos resultados do censo de 2017.”

O UNFPA compromete-se a apoiar o governo moçambicano e os seus parceiros a alavancar de forma coletiva o poder dos dados e das tecnologias. O objetivo é impulsionar a mudança através de políticas e programas baseados em evidências, assim como o alcance dos objetivos que são parte dos compromissos nacionais e internacionais.

Desafios TIC

“Reconhecendo ainda este potencial, esperamos que para o censo da população e habitação de 2027, seja utilizado um Sistema eletrónico de recolha de dados, para melhorar a qualidade, eficiência e eficácia do processo, permitindo uma disseminação rápida dos resultados e uma qualidade incontestável da informação.”

Os Estudos Temáticos elaborados com base nos dados do Censo 2017 oferecem uma riqueza de conhecimentos sobre os principais tópicos sociais e económicos, analisam as disparidades e desigualdades geográficas e sociais e acompanham o progresso das realizações dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, no país. Ouri Pota – Moçambique ONU News


sábado, 10 de junho de 2023

Cabo Verde - Artista Ary Morais lança quinto álbum “Cruzando Fronteiras”

Cidade da Praia – O músico e compositor cabo-verdiano Ary Morais, residente na Noruega, regressa às suas raízes, trazendo de volta o seu estilo tradicional em “Cruzando Fronteiras”, seu novo álbum, disponível em todas plataformas digitais, esta sexta-feira, 09.

Após o lançamento do álbum “Norcabo” com a sua banda da Noruega, em 2020, Ary Morais apresenta ao mercado o seu mais novo trabalho, gravado na Noruega e em Portugal, entre Agosto de 2022 e Fevereiro deste ano.

O álbum traz oito temas entre os quais uma morna-fado, com a fadista portuguesa Cláudia Madur, além de colaborações com músicos cabo-verdianos, portugueses e noruegueses com géneros diversos de Músicas do Mundo, informou hoje a assessoria do artista.

Dos temas, destaca-se “Bem-vindo à Boavista”, gravada em português e língua cabo-verdiana, misturando morna e fado, uma música que enaltece a ilha natal do cantor num dueto lusófono, tendo como convidada a fadista portuguesa Cláudia Madur.

A pedido do compositor, natural da ilha da Boa Vista, Serapião Oliveira, “Nha Vão”, em Agosto de 2018, Ary Morais gravou agora a versão original da morna galope “Fusquinha” numa forma especial de homenagear “Nha Vão” que vai completar 100 anos de vida em Outubro deste ano.

“Ary Morais canta normalmente em crioulo, mas escreveu mais uma música ‘Trist som faen’, em norueguês inspirado no título de um livro do escritor e pintor Norueguês Ari Behn”, sublinha a mesma fonte.

“Cruzando Fronteiras” conta com o apoio cultural do Fundo de artes performativas da Noruega “FFUK” e convida a uma viagem pelos mais conhecidos estilos musicais cabo-verdianos como a morna, coladeira, mazurca, mas também pelos ritmos caribenhos e baladas com influência da música jazz norueguesa.

Natural da Boa Vista e radicado na Noruega desde 1995, Ary Morais começou na música aos 15 anos e é hoje uma presença assídua em vários palcos da Europa.

A partida para a Noruega trouxe-lhe novos desafios como músico e foi lá que começou a amadurecer as suas sonoridades e já lançou cinco álbuns: ‘Ka Bô Bayembora’ em 1999, ‘Abraço Tradicional’ em 2008, ‘Sonho Cabo-verdiano’ em 2014, ‘Norcabo’ em 2020 e ‘Cruzando Fronteiras’ em 2023. In “Inforpress” – Cabo Verde

 

sábado, 11 de março de 2023

Noruega – Vai ser inaugurado o túnel para bicicletas mais longo da Europa e visa reduzir o tráfego na cidade de Bergen


A cidade de Bergen, na Noruega, está a preparar-se para abrir o túnel de pedestres e bicicletas mais longo do mundo.

Em 15 de abril de 2023, o túnel de 2,9 km será aberto ao público com eventos de corrida e ciclismo. Demora cerca de 10 minutos para percorrer e 30 a 45 minutos para caminhar.

Conhecido como Fyllingsdalstunnelen, o túnel corta a montanha Løvstakken na cidade norueguesa do Sudoeste, ligando as áreas residenciais de Fyllingsdalen e Mindemyren. Os ciclistas podem continuar até ao centro de Bergen usando as rotas existentes.

Tanto o túnel Fyllingsdal quanto o restante da ciclovia para o centro da cidade de Bergen são financiados pelo Miljøløftet (Promessa Ambiental) do município, apoiado pelo estado.

O seu objetivo é tornar mais fácil para mais pessoas escolher andar de bicicleta e caminhar ao invés de dirigir. Isso não apenas ajudará a reduzir o tráfego na cidade, mas também ajudará a reduzir as emissões de aquecimento do planeta e a poluição prejudicial à saúde.

A distância total do percurso- de Fyllingsdalen a Festplassen no centro da cidade - é de 7,8 quilómetros, que leva cerca de 25 minutos de bicicleta. Atualmente, pedalar entre estas áreas leva cerca de 40 minutos.

O túnel será realmente o mais longo do mundo?

O túnel de ciclismo de Bergen foi apontado como o mais longo do mundo, mas vem com algumas ressalvas.

O Túnel Snoqualmie perto de Seattle, EUA, tem 3,6 km de extensão. No entanto, ocupa um túnel ferroviário abandonado, por isso não foi construído para esse fim.

O túnel de ciclismo Fyllingsdal é, portanto, o segundo mais longo do mundo em geral e o mais longo que foi construído para esse propósito.

Correndo paralelamente à nova linha de elétrico inaugurada em novembro, o túnel funciona como uma rota de fuga para os passageiros do elétrico.

"Basicamente, é um túnel de fuga para o transporte. Mas houve mentes sábias que disseram que também é possível pedalar por este túnel", explica o responsável do projeto Arild Tveit. "Criando aqui uma passarela, também é possível fazer exercícios... Então é a saúde pública em cada metro deste túnel."

Com o apoio de investimentos do governo, faixas exclusivas para pedestres e ciclistas - com 2,5 e 3,5 metros de largura, respectivamente - foram incluídas no seu projeto.

Qual o horário que o túnel Fyllingsdal estará aberto?

O túnel estará aberto diariamente das 5h30 às 23h30. Possui paragens para descanso bem iluminadas e câmaras de segurança por toda a parte. Telefones de emergência estão disponíveis a cada 250 metros.

A iluminação dinâmica colorida criará uma onda de luz quando um ciclista ou pedestre entrar no túnel em qualquer extremidade, alertando os ciclistas sobre o tráfego que se aproxima. Também está repleto de obras de arte e instalações para tornar a jornada mais interessante.

O túnel será mantido a uma temperatura constante de 7 graus Celsius, tornando-se uma rota de treino atraente para os corredores em dias mais frios.

A cerimónia de abertura em 15 de abril será marcada com uma corrida no túnel no sábado, seguida de um desfile de bicicletas no domingo. Angela Symons – Reino Unido in “Euronews.green”


 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Brasil - Conservatório de Tatuí abre inscrições para a aprendizagem de música moçambicana e norueguesa


Curso de Férias!

O Conservatório de Tatuí e a @SustenidosCultura abrem inscrições para um delicioso Curso de Férias:

🎶 “Música Moçambicana e Norueguesa”.

Serão cinco oficinas onde você poderá aprender um pouco sobre a música, a dança e os ritmos mais tradicionais de Moçambique e Noruega. O curso será ministrado por quatro intercambistas do projeto MOVE que estão estudando no Conservatório de Tatuí.

👉🏽 Quem pode participar:

Músicos(as) e estudantes de música a partir de 15 anos de idade

Aulas presenciais, às segundas-feiras, das 18h30 às 21h30

Local: Salão Villa-Lobos (Rua São Bento, 415, Centro, Tatuí-SP)

Período: 16/01 a 13/02/2023

🎟️ Inscrições GRATUITAS até 09/01

Ligação: https://forms.gle/HMC7zDgTGFpzTQwh9


 

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Noruega – Pretende ser uma superpotência de energia renovável

A Noruega revelou planos para uma grande expansão de sua produção de energia eólica offshore até 2040, com o objetivo de transformar um país que construiu a sua riqueza em petróleo e gás num exportador de eletricidade renovável.


O governo de centro-esquerda, que foi criticado por ambientalistas por continuar a apoiar a indústria do petróleo e gás, estabeleceu uma meta para desenvolver 30 gigawatts (GW) de capacidade eólica offshore até 2040.

"Isso quase duplicaria a nossa produção de energia", diz o primeiro-ministro Jonas Gahr Støre.

A Noruega, que diz que o mundo ainda precisa do seu petróleo e gás durante a transição para um futuro de energia mais limpa, acredita que o desenvolvimento da energia eólica offshore permitirá que ela aproveite o know-how da sua indústria de energia existente.

Empresas de petróleo e gás alinharam-se para desenvolver energias renováveis ​​na Noruega

A Noruega reservou duas áreas no Mar do Norte para acomodar até 4,5 gigawatts (GW) de capacidade de turbinas eólicas flutuantes e fixas no fundo, em meio ao forte interesse de empresas de energia.

Uma ampla gama de empresas de serviços públicos, empresas de petróleo e gás e empresas de engenharia alinharam-se para desenvolver projetos de energia offshore na Noruega, incluindo Equinor, Shell, British Petroleum (BP), Orsted da Dinamarca e Eni da Itália.

Passar de um dos maiores produtores de petróleo da Europa a exportador de renováveis

A Noruega precisa de mais energia para consumo doméstico, mas o novo plano excede em muito a procura esperada das famílias e da indústria.

"Parte significativa da eletricidade será exportada para outros países", diz um comunicado do governo.

Até ao momento, a Noruega abriu duas áreas do Mar do Norte para o desenvolvimento de até 4,5 GW de energia eólica offshore fixa e flutuante, com a primeira licitação de 1,5 GW prevista para o final deste ano.

A indústria nacional de energia, que havia criticado o governo por se mover muito devagar, saudou a ambição do projeto.

“Isso estabelecerá as bases para o desenvolvimento eólico oceânico industrial”, disse a Associação Norueguesa de Petróleo e Gás em comunicado. Doloresz Katanich – França in “Euronews.green”

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

China - Shanghai Zerun Biotechnolog obtém novo financiamento para desenvolver vacina contra todas as variantes da covid-19

Uma farmacêutica chinesa vai receber 7,4 milhões de euros adicionais da Coligação para a Inovação na Preparação para Epidemias (CEPI), visando avançar nos ensaios clínicos de uma vacina contra todas as variantes da covid-19.

A CEPI, fundação global que financia o desenvolvimento de vacinas, indicou que vai apoiar os testes de fase um e dois, a decorrer no Mali. Este financiamento adicional elevará o total fornecido pela CEPI à Shanghai Zerun Biotechnology para 22 milhões de euros.

Em Julho passado, a fundação, sediada em Oslo, disse que ia trabalhar com a empresa chinesa, como parte do programa para desenvolver vacinas de próxima geração que protejam contra novas variantes da covid-19.

O CEPI também está a apoiar uma vacina intranasal contra o novo coronavírus, desenvolvida pela Universidade de Hong Kong. Todas as vacinas que estão a ser utilizadas são baseadas na cepa original do SARS-CoV-2, identificada no estágio inicial da pandemia.

Estas vacinas também exigem doses de reforço, à medida que a imunidade diminui com o tempo. Apesar de continuarem a oferecer protecção, as variantes Delta e Ómicron reduziram a eficácia das vacinas.

Para a candidata à vacina, a Zerun Bio fez alterações estruturais na proteína ‘spike’ do vírus, com um papel fundamental na infecção de células, para melhorar a capacidade de desencadear uma resposta imune contra novas variantes do coronavírus. Os primeiros resultados do estudo contra o vírus original mostraram que a vacina experimental tem um bom perfil de segurança e induziu um alto nível de resposta imune em adultos, de acordo com um comunicado do CEPI.

“O soro clínico demonstrou um bom efeito de neutralização cruzada nas cepas Beta e Delta”, apontou a fundação, em comunicado. Em estudos pré-clínicos, a vacina da Zerun Bio também “demonstrou um amplo espetro de resultados de neutralização cruzada” para as variantes Alpha, Beta, Gamma, Delta e Ómicron.

“A covid-19 continua a evoluir e não podemos prever qual o será o próximo desenvolvimento, por isso é vital que continuemos a investir em vacinas globalmente acessíveis e eficazes contra uma ampla gama de variantes possíveis”, apontou o director executivo da CEPI, Richard Hatchett. “Essas vacinas podem colocar-nos um passo à frente do vírus, por isso são fundamentais para o controlo de longo prazo da covid-19 e vitais para a segurança global da saúde”, acrescentou.

A fundação disse que as vacinas experimentais que está a financiar, se bem sucedidas, seriam compradas e distribuídas pela Covax, iniciativa global para promover o acesso equitativo a vacinas contra a covid-19 que a CEPI lidera em parceria com a Organização Mundial da Saúde. In “Ponto Final” - Macau

 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Portugal - Conheça as vencedoras da 4.ª edição do Blue Bio Value

Na 4.ª edição do programa de aceleração que promove a bioeconomia azul, foram distinguidas três startups: uma portuguesa, uma argentina e uma norueguesa


De entre a 17 startups de dez nacionalidades diferentes a concorrer à 4.ª edição do programa de aceleração Blue Bio Value, foram distinguidas a portuguesa Blue Oasis Technology, a norueguesa Tekslo Seafood e a argentina FeedVax.

Fundada em 2021, a startup portuguesa Blue Oasis Technology cria e instala “recifes” artificiais neutros em carbono que permitem a recuperação de ecossistemas marinhos danificados e a reversão do declínio da biodiversidade do oceano. A solução BluBoxx desenvolvida por esta startup permite ainda o registo de parâmetros ambientais e a transmissão de dados, podendo ser instalada nas estruturas de recife ou noutras estruturas subaquáticas.

Já a norueguesa Tekslo Seafood centra a sua atividade na utilização de algas marinhas recolhidas de forma sustentável no Atlântico Norte para comercialização de produtos alimentares inovadores. Fundada em 2017, a empresa tem como objetivo criar grandes marcas internacionais, incluindo as algas nas dietas diárias.

Por fim, a startup FeedVax, fundada em 2017 na Argentina, detém uma plataforma para preparação de vacinas orais para peixe de aquacultura. Comercializam atualmente uma vacina oral contra a Streptococcosis na tilápia, combinada com a ração e resistente ao meio gástrico. Esta vacina oral é uma solução que simplifica a vida dos produtores e elimina não só o stress dos peixes como também a utilização de antibióticos.

Estas três startups foram premiadas com um valor total de €45000, que será utilizado na Blue Demo Network, uma plataforma focada na bioeconomia azul criada para ajudar as startups a encontrar, nas infraestruturas e serviços portugueses, respostas às suas necessidades.

O programa Blue Bio Value resulta de uma visão partilhada pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundação Oceano Azul de caminhar para um novo modelo de desenvolvimento que dissocia o crescimento económico da degradação dos recursos naturais. O Blue Bio Value Acceleration é um programa de aceleração focado na bioeconomia azul que pretende contribuir para a procura e descoberta de soluções sustentáveis e baseadas no oceano, que promovam o desenvolvimento de um novo modelo económico não destrutivo do capital natural azul. Desde 2018, o Programa Blue Bio Value já acelerou 59 empresas de 19 nacionalidades. Fundação Calouste Gulbenkian – Portugal

Saiba mais aqui.

quarta-feira, 10 de março de 2021

Noruega - Vai construir o primeiro túnel de navios do mundo

O primeiro túnel de navegação do mundo será construído na Noruega, com financiamento estatal


A Administração Costeira norueguesa (Kystverket) vai abrir licitação este ano para a construção do Túnel do Navio Star, com 1,7 quilómetro. A obra será feira numa parte traiçoeira da costa oeste da Noruega, onde vários navios naufragaram ao longo dos anos.

A construção terá início em 2022, com inauguração planeada entre 2025 e 2026.

O túnel permitirá que navios de carga e passageiros transitem diretamente entre o Mar da Noruega ao norte e o Mar do Norte ao sul, possibilitando a passagem segura durante todo o ano.

O túnel foi planeado por mais de um século - sendo citado pela primeira vez num artigo de jornal de 1874.

O túnel de 45 metros de altura e 36 metros de largura passará por baixo de uma montanha de 645 metros e terá capacidade para receber navios com calado de 12 metros. In “Portos e Navios” - Brasil


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Cabo Verde – Empresa norueguesa pretende investir em aquacultura

A empresa norueguesa Nortuna que prevê instalar uma unidade de produção em larga escala de atum em aquacultura na ilha de São Vicente, criando mais de 400 empregos, arranca o processo de instalação em junho


A primeira fase deste investimento em São Vicente, que será na praia de Flamengo, segundo o Estudo de Impacto Ambiental para a instalação do Atlantic Bluefin Tuna Farming, que implicará, para já, um investimento de 2,5 milhões de euros da Nortuna AS – Noruega, que se somam a seis milhões de euros no programa de pesquisa e desenvolvimento sobre a espécie ABFT (Atlantic Bluefin Tuna ou atum-rabilho do atlântico).

A primeira fase implica a montagem do processo de incubação e produção de biomassa para atum-rabilho, em junho de 2021, seguindo-se a expansão e processamento, no primeiro trimestre de 2022, e depois o início da produção em larga escala, bem como transformação, entre 2023 e 2024, naquela que será a terceira e última fase do projeto, conforme o estudo a que a Lusa teve hoje acesso.

“O projeto de aquacultura que a Nortuna pretende implementar em Cabo Verde tem por base os oito anos de actividades de pesquisa realizadas pela empresa”, lê-se no estudo de impacto ambiental.

A primeira fase deste projecto arranca com a previsão de criação de 12 postos de trabalho, que sobe para 92 empregos na segunda fase e para 400 empregos até 2024, com o pleno funcionamento de uma “fazenda ‘offshore’” no mar cabo-verdiano, para produção daquela espécie de atum em aquacultura.

A primeira fase envolve a construção das zonas de incubadoras e de montagem dos equipamentos que definem o processo de incubação e de teste, tendo já a capacidade de produção de até 300 toneladas por ano.

A segunda fase já comporta o cultivo de atum-rabilho na baía – aquacultura no mar – de Flamengo “em larga escala”, cujo volume de produção estimado se situa entre 8 mil e 10 mil toneladas por ano.

O atum-rabilho (Thunnus Thynnus), que pode ultrapassar os 200 quilogramas por peixe, é considerado o “rei” do sushi e apresenta, recorda a empresa, o valor mais alto de mercado, com o Japão a garantir 60% das compras.

A terceira fase comporta a produção em larga escala, a transformação e “o alargamento da produção para outras ilhas de Cabo Verde, nomeadamente Santo Antão e São Nicolau”, explica a empresa no estudo.

De acordo com o documento, os sócios da empresa norueguesa apostam que a Nortuna Cabo Verde seja montada com base na autonomia económica e financeira.

É de referir que o financiamento inicial (dois primeiros anos) do projecto está garantido em 70% pelos investidores da Nortuna AS e os restantes 30% por combinação de empréstimos e apoio das autoridades norueguesas”, acrescenta a informação no estudo. In “Notícias do Norte” – Cabo Verde com “Lusa”


quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Moçambique - Violência quadruplicou número de deslocados internos desde janeiro em Cabo Delgado

 


Mais de 33 mil moçambicanos fugiram das suas casas somente na semana passada. Trabalhadores humanitários estão preocupados com o piorar da situação, que afecta principalmente crianças e mulheres



Dezenas de milhares de pessoas continuam a fugir da violência, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique. A situação tem desafiado a capacidade do governo e das agências humanitárias de atender os deslocados. 

A Organização Internacional para Migrações, OIM, divulgou esta terça-feira, que apenas na semana passada, mais de 33 mil pessoas tiveram de fugir das suas casas para escapar da insegurança.

Necessidades

Segundo a agência da ONU, o número aumentou quatro vezes, passando de 88 mil, em janeiro, para mais de 355 mil. O agravamento deve-se aos ataques de grupos armados de extremistas islâmicos contra as forças de segurança de Moçambique.

A chefe da OIM no país, Laura Tomm-Bonde, disse que “os relatos sobre a violência contra civis são profundamente perturbadores.”

Contou que “a equipa da OIM está a ajudar milhares de famílias, incluindo muitas com crianças pequenas, a sobreviver ao deslocamento.”

Acesso

Nas últimas semanas, por causa da insegurança, a OIM não pôde chegar a vários distritos do norte da província e ao longo da costa.

A agência contou que tem mais de 100 funcionários no terreno e que eles “continuam empenhados em prestar assistência aos deslocados nos oito distritos onde a OIM pode trabalhar.”

De 16 de outubro a 11 de novembro, mais de 14,4 mil moçambicanos chegaram de barco à praia de Paquitequete, na capital da província, Pemba. Em apenas um dia, atracaram 29 embarcações com deslocados na área.

Segundo a agência, pelo menos 38 pessoas, incluindo crianças, morreram durante um naufrágio em 29 de outubro.

Crise

Uma das pessoas assistidas pela OIM contou que, quando a sua comunidade foi atacada com um incêndio criminoso, a família dela teve de fugir somente com a roupa do corpo. Elas estavam a trabalhar no campo e perderam tudo. 

Centenas de famílias continuam sendo abrigadas por outras em Pemba, onde já vivem 100 mil deslocados. Os recursos das comunidades anfitriãs são limitados e falta espaço para acolher todos.

Outras necessidades urgentes incluem saúde de emergência, proteção e apoio psicológico, acesso a saneamento, água e alimentos. ONU News – Nações Unidas