Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Portugal - Alumnus da Universidade do Porto recebe financiamento para travar doença de Alzheimer

Equipa liderada por Henrique Nogueira Pinto vai criar modelos laboratoriais mais realistas do cérebro humano, essenciais para testar novas terapias e compreender a doença


Aos 26 anos, Henrique Nogueira Pinto, antigo estudante do Mestrado Integrado em Bioengenharia (MIB) da Faculdade de Engenharia (FEUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto, tornouse um dos nomes mais promissores da investigação em neurociências ao conquistar uma bolsa de um milhão de euros que lhe permitirá aprofundar, nos próximos quatro anos, o estudo do Alzheimer e de outras doenças neurodegenerativas.

A bolsa surge na sequência do trabalho inovador que o jovem investigador e atual estudante de doutoramento no prestigiado Amsterdam University Medical Center (UMC) tem desenvolvido nos Países Baixos, onde procura recriar em laboratório os vasos sanguíneos do cérebro humano, utilizando células de pessoas com e sem doença. O objetivo é compreender, com maior precisão, como funciona a barreira hematoencefálica, a estrutura que protege o cérebro, mas que também limita a entrada de fármacos, e de que forma esta se altera muito antes dos primeiros sintomas do Alzheimer.

Através da diferenciação de células estaminais induzidas e da criação de organoides cerebrais que integram vários tipos celulares, Henrique Nogueira Pinto estuda como os fármacos chegam ao cérebro e como atuam em condições normais e patológicas, abrindo caminho a diagnósticos mais precoces e terapias mais eficazes.

O financiamento agora atribuído através do Open Technology Programme do Dutch Research Council (NWO) permitirá transformar esta visão numa plataforma de investigação mais robusta: o montante será aplicado no seu pósdoutoramento, e na contratação de um estudante de doutoramento e dois assistentes de investigação, formando uma equipa dedicada ao desenvolvimento de um modelo inovador da barreira hematoencefálica, com maior capacidade preditiva do que os modelos atualmente disponíveis.

“Juntos, iremos criar um modelo com o qual será possível modelar doenças, em particular o Alzheimer, e testar fármacos com uma fiabilidade muito superior”, explica.

“A U.Porto deu-me a oportunidade de transformar a Ciência na minha vida”

A conquista desta bolsa não surgiu por acaso. E tudo começou há muito tempo, numa Universidade não muito distante… “Desde pequeno que sempre me senti atraído pelas coisas pequenas. A partir daí, surgiu o interesse pela Ciência e por descobrir o que o mundo é na realidade e o que cada coisa faz. A Universidade do Porto deu-me a oportunidade de agarrar nesse sonho e transformá-lo na minha vida. Desde o início do curso que senti que a U.Porto fornecia aos estudantes um ambiente de excelência a nível científico e académico”, confessava o então finalista de Bioengenharia num testemunho publicado pela U.Porto, em 2021.

Henrique destaca ainda o papel da FEUP na construção das bases que hoje sustentam o seu percurso científico. “No curso de Bioengenharia, a FEUP deu-me as ferramentas certas para desenvolver este projeto, não só a nível teórico, mas também estimulando o pensamento crítico e fomentando o ‘pensar fora da caixa’. A FEUP sempre apoiou os Núcleos de Estudantes, nomeadamente o Núcleo de Estudantes de Bioengenharia (NEB), do qual fiz parte em diferentes cargos e onde adquiri soft skills essenciais para conseguir esta bolsa, em particular o contacto com empresas, a liderança e a proatividade”.

Apesar das excelentes condições de trabalho que encontra nos Países Baixos, o investigador – quer desenvolver a sua tese de mestrado no i3S – Instituto de Investigação em Saúde da U.Porto – acompanha de perto a realidade científica portuguesa. Reconhece o enorme potencial académico do país e a reputação internacional dos investigadores portugueses, mas lamenta a falta de investimento que continua a empurrar talento para o estrangeiro.

“Portugal possui um enorme potencial académico. Os investigadores portugueses são muito bem vistos no estrangeiro, acima de tudo pela nossa capacidade de solucionar problemas, a nossa vontade de trabalhar, e a nossa excelente educação. Contudo, devido à falta de investimento governamental para a investigação, estes investigadores altamente capacitados decidem deixar o país em busca de melhores condições e recursos científicos. Ainda assim, Portugal é cada vez mais competitivo no panorama europeu e apresenta propostas de elevado valor em diversas bolsas europeias, como as ERC e as Marie Curie, devido à qualidade dos nossos investigadores”, nota Henrique Nogueira Pinto.

Quanto ao futuro, o alumnus da U.Porto mantém o foco na investigação translacional, sempre em articulação com hospitais e empresas. “Para já, desejo continuar no ambiente académico, mas sempre em investigação translacional, em colaboração com hospitais e empresas. Após este pós-doutoramento, em princípio irei rumar a outro país para consolidar a minha linha de investigação. Depois, tenciono voltar para Portugal e prosseguir com a minha carreira académica, sem fechar portas a outras oportunidades que poderão aparecer pelo caminho, mas sempre com regresso a casa marcado”. Universidade do Porto - Portugal



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