Equipa liderada por Henrique Nogueira Pinto vai criar modelos laboratoriais mais realistas do cérebro humano, essenciais para testar novas terapias e compreender a doença
Aos 26 anos, Henrique Nogueira Pinto,
antigo estudante do Mestrado Integrado em Bioengenharia (MIB) da Faculdade de
Engenharia (FEUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da
Universidade do Porto, tornou‑se um dos nomes mais
promissores da investigação em neurociências ao conquistar uma bolsa de um milhão
de euros que lhe permitirá aprofundar, nos próximos quatro anos, o estudo do
Alzheimer e de outras doenças neurodegenerativas.
A bolsa surge na sequência do trabalho inovador que o
jovem investigador e atual estudante de doutoramento no prestigiado Amsterdam
University Medical Center (UMC) tem desenvolvido nos Países Baixos, onde
procura recriar em laboratório os vasos sanguíneos do cérebro humano,
utilizando células de pessoas com e sem doença. O objetivo é compreender, com
maior precisão, como funciona a barreira hematoencefálica, a estrutura que
protege o cérebro, mas que também limita a entrada de fármacos, e de que forma
esta se altera muito antes dos primeiros sintomas do Alzheimer.
Através da diferenciação de células estaminais induzidas
e da criação de organoides cerebrais que integram vários tipos celulares,
Henrique Nogueira Pinto estuda como os fármacos chegam ao cérebro e como atuam
em condições normais e patológicas, abrindo caminho a diagnósticos mais
precoces e terapias mais eficazes.
O financiamento agora atribuído através do Open
Technology Programme do Dutch Research Council (NWO) permitirá transformar esta
visão numa plataforma de investigação mais robusta: o montante será aplicado no
seu pós‑doutoramento, e na
contratação de um estudante de doutoramento e dois assistentes de investigação,
formando uma equipa dedicada ao desenvolvimento de um modelo inovador da
barreira hematoencefálica, com maior capacidade preditiva do que os modelos
atualmente disponíveis.
“Juntos, iremos criar um modelo com o qual será possível
modelar doenças, em particular o Alzheimer, e testar fármacos com uma
fiabilidade muito superior”, explica.
“A U.Porto deu-me a oportunidade de transformar a Ciência
na minha vida”
A conquista desta bolsa não surgiu por acaso. E tudo
começou há muito tempo, numa Universidade não muito distante… “Desde pequeno
que sempre me senti atraído pelas coisas pequenas. A partir daí, surgiu o
interesse pela Ciência e por descobrir o que o mundo é na realidade e o que
cada coisa faz. A Universidade do Porto deu-me a oportunidade de agarrar nesse
sonho e transformá-lo na minha vida. Desde o início do curso que senti que a
U.Porto fornecia aos estudantes um ambiente de excelência a nível científico e
académico”, confessava o então finalista de Bioengenharia num testemunho
publicado pela U.Porto, em 2021.
Henrique destaca ainda o papel da FEUP na construção das
bases que hoje sustentam o seu percurso científico. “No curso de Bioengenharia,
a FEUP deu-me as ferramentas certas para desenvolver este projeto, não só a
nível teórico, mas também estimulando o pensamento crítico e fomentando o
‘pensar fora da caixa’. A FEUP sempre apoiou os Núcleos de Estudantes,
nomeadamente o Núcleo de Estudantes de Bioengenharia (NEB), do qual fiz parte
em diferentes cargos e onde adquiri soft skills essenciais para
conseguir esta bolsa, em particular o contacto com empresas, a liderança e a
proatividade”.
Apesar das excelentes condições de trabalho que encontra
nos Países Baixos, o investigador – quer desenvolver a sua tese de mestrado no
i3S – Instituto de Investigação em Saúde da U.Porto – acompanha de perto a
realidade científica portuguesa. Reconhece o enorme potencial académico do país
e a reputação internacional dos investigadores portugueses, mas lamenta a falta
de investimento que continua a empurrar talento para o estrangeiro.
“Portugal possui um enorme potencial académico. Os
investigadores portugueses são muito bem vistos no estrangeiro, acima de tudo
pela nossa capacidade de solucionar problemas, a nossa vontade de trabalhar, e
a nossa excelente educação. Contudo, devido à falta de investimento
governamental para a investigação, estes investigadores altamente capacitados
decidem deixar o país em busca de melhores condições e recursos científicos.
Ainda assim, Portugal é cada vez mais competitivo no panorama europeu e apresenta
propostas de elevado valor em diversas bolsas europeias, como as ERC e as Marie
Curie, devido à qualidade dos nossos investigadores”, nota Henrique Nogueira
Pinto.
Quanto ao futuro, o alumnus da U.Porto
mantém o foco na investigação translacional, sempre em articulação com
hospitais e empresas. “Para já, desejo continuar no ambiente académico, mas
sempre em investigação translacional, em colaboração com hospitais e empresas.
Após este pós-doutoramento, em princípio irei rumar a outro país para
consolidar a minha linha de investigação. Depois, tenciono voltar para Portugal
e prosseguir com a minha carreira académica, sem fechar portas a outras
oportunidades que poderão aparecer pelo caminho, mas sempre com regresso a casa
marcado”. Universidade do Porto - Portugal
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