Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta FEUP. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta FEUP. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Portugal - Alumnus da Universidade do Porto recebe financiamento para travar doença de Alzheimer

Equipa liderada por Henrique Nogueira Pinto vai criar modelos laboratoriais mais realistas do cérebro humano, essenciais para testar novas terapias e compreender a doença


Aos 26 anos, Henrique Nogueira Pinto, antigo estudante do Mestrado Integrado em Bioengenharia (MIB) da Faculdade de Engenharia (FEUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto, tornouse um dos nomes mais promissores da investigação em neurociências ao conquistar uma bolsa de um milhão de euros que lhe permitirá aprofundar, nos próximos quatro anos, o estudo do Alzheimer e de outras doenças neurodegenerativas.

A bolsa surge na sequência do trabalho inovador que o jovem investigador e atual estudante de doutoramento no prestigiado Amsterdam University Medical Center (UMC) tem desenvolvido nos Países Baixos, onde procura recriar em laboratório os vasos sanguíneos do cérebro humano, utilizando células de pessoas com e sem doença. O objetivo é compreender, com maior precisão, como funciona a barreira hematoencefálica, a estrutura que protege o cérebro, mas que também limita a entrada de fármacos, e de que forma esta se altera muito antes dos primeiros sintomas do Alzheimer.

Através da diferenciação de células estaminais induzidas e da criação de organoides cerebrais que integram vários tipos celulares, Henrique Nogueira Pinto estuda como os fármacos chegam ao cérebro e como atuam em condições normais e patológicas, abrindo caminho a diagnósticos mais precoces e terapias mais eficazes.

O financiamento agora atribuído através do Open Technology Programme do Dutch Research Council (NWO) permitirá transformar esta visão numa plataforma de investigação mais robusta: o montante será aplicado no seu pósdoutoramento, e na contratação de um estudante de doutoramento e dois assistentes de investigação, formando uma equipa dedicada ao desenvolvimento de um modelo inovador da barreira hematoencefálica, com maior capacidade preditiva do que os modelos atualmente disponíveis.

“Juntos, iremos criar um modelo com o qual será possível modelar doenças, em particular o Alzheimer, e testar fármacos com uma fiabilidade muito superior”, explica.

“A U.Porto deu-me a oportunidade de transformar a Ciência na minha vida”

A conquista desta bolsa não surgiu por acaso. E tudo começou há muito tempo, numa Universidade não muito distante… “Desde pequeno que sempre me senti atraído pelas coisas pequenas. A partir daí, surgiu o interesse pela Ciência e por descobrir o que o mundo é na realidade e o que cada coisa faz. A Universidade do Porto deu-me a oportunidade de agarrar nesse sonho e transformá-lo na minha vida. Desde o início do curso que senti que a U.Porto fornecia aos estudantes um ambiente de excelência a nível científico e académico”, confessava o então finalista de Bioengenharia num testemunho publicado pela U.Porto, em 2021.

Henrique destaca ainda o papel da FEUP na construção das bases que hoje sustentam o seu percurso científico. “No curso de Bioengenharia, a FEUP deu-me as ferramentas certas para desenvolver este projeto, não só a nível teórico, mas também estimulando o pensamento crítico e fomentando o ‘pensar fora da caixa’. A FEUP sempre apoiou os Núcleos de Estudantes, nomeadamente o Núcleo de Estudantes de Bioengenharia (NEB), do qual fiz parte em diferentes cargos e onde adquiri soft skills essenciais para conseguir esta bolsa, em particular o contacto com empresas, a liderança e a proatividade”.

Apesar das excelentes condições de trabalho que encontra nos Países Baixos, o investigador – quer desenvolver a sua tese de mestrado no i3S – Instituto de Investigação em Saúde da U.Porto – acompanha de perto a realidade científica portuguesa. Reconhece o enorme potencial académico do país e a reputação internacional dos investigadores portugueses, mas lamenta a falta de investimento que continua a empurrar talento para o estrangeiro.

“Portugal possui um enorme potencial académico. Os investigadores portugueses são muito bem vistos no estrangeiro, acima de tudo pela nossa capacidade de solucionar problemas, a nossa vontade de trabalhar, e a nossa excelente educação. Contudo, devido à falta de investimento governamental para a investigação, estes investigadores altamente capacitados decidem deixar o país em busca de melhores condições e recursos científicos. Ainda assim, Portugal é cada vez mais competitivo no panorama europeu e apresenta propostas de elevado valor em diversas bolsas europeias, como as ERC e as Marie Curie, devido à qualidade dos nossos investigadores”, nota Henrique Nogueira Pinto.

Quanto ao futuro, o alumnus da U.Porto mantém o foco na investigação translacional, sempre em articulação com hospitais e empresas. “Para já, desejo continuar no ambiente académico, mas sempre em investigação translacional, em colaboração com hospitais e empresas. Após este pós-doutoramento, em princípio irei rumar a outro país para consolidar a minha linha de investigação. Depois, tenciono voltar para Portugal e prosseguir com a minha carreira académica, sem fechar portas a outras oportunidades que poderão aparecer pelo caminho, mas sempre com regresso a casa marcado”. Universidade do Porto - Portugal



segunda-feira, 14 de julho de 2025

Portugal - Investigador da FEUP e CIIMAR recebe bolsa Marie Curie para revolucionar a energia das ondas

Rodeada por mais de 68 mil quilómetros de costa, a Europa possui um enorme potencial, em grande parte inexplorado, para um melhor aproveitamento da energia das ondas – uma fonte renovável emergente que é mais previsível do que o vento e complementar à energia solar, particularmente durante os meses de inverno.


Para revolucionar este aproveitamento deficitário da energia das ondas, o investigador Gianmaria Giannini, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), lançou o projeto WEC-Pro que é apoiado com uma bolsa de pós-doutoramento Marie Skłodowska-Curie (Marie Curie), com um orçamento total de aproximadamente 200 mil euros, naquela que é uma das bolas de investigação mais competitivas atribuídas pela Comissão Europeia, no âmbito do programa Horizonte Europa.

Ao qualificar-se para este financiamento com uma pontuação total de 98,40%, o investigador da Universidade do Porto irá, nos próximos dois anos, desenvolver um conversor de energia das ondas (WEC), impresso em 3D, que transforma a energia mecânica das ondas do mar em eletricidade.

Este avanço pode simplificar e reduzir, significativamente, o custo e a complexidade do desenvolvimento dos mesmos, através da integração de restrições no fabrico destas peças na fase inicial de conceção e simulação, levando a uma melhoria técnica e económica dos WEC.

A caminho de Itália, mas com viagem de regresso

A investigação do projeto WEC-Pro permitirá uma produção automatizada e em grande escala destes conversores de energia das ondas, investindo numa energia que desempenhará um papel fundamental na construção de um sistema energético mundial mais resiliente e diversificado, com baixo teor de carbono.

Os primeiros passos desta investigação foram dados na secção de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente (SHRHA) do Departamento de Engenharia Civil da FEUP, e no grupo de investigação de Energia Marinha do CIIMAR. Gianmaria Giannini vai seguir, agora, para o Marine Offshore Renewable Energy Lab (MORE) do Politécnico de Turim, em Itália, onde o projeto será desenvolvido nos próximos dois anos, em colaboração com a Caracol, um dos principais fabricantes de sistemas de impressão 3D industrial para produção de peças grandes e complexas a partir de materiais termoplásticos reforçados.

O investigador italiano agradeceu todo o apoio que recebeu na FEUP e no CIIMAR, com a promessa de regressar para implementar esta tecnologia inovadora.

“Estes anos aqui em Portugal foram uma valiosa experiência e desempenharam um papel fundamental na definição da direção desta investigação. Foi aqui que nasceu o projeto WEC-Pro. Quando regressar, pretendo trazer de volta novos conhecimentos, ferramentas e ideias para contribuir ainda mais para a investigação e inovação em curso no setor das energias renováveis marinhas em Portugal”, vaticina Gianmaria Giannini. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 2 de junho de 2025

Portugal - Morreu António Barbedo de Magalhães, um dos principais defensores da causa timorense

Professor Emérito da Universidade do Porto foi uma das principais vozes de defesa da independência de Timor-Leste durante o período de ocupação indonésio daquele território


António Barbedo de Magalhães, Professor Emérito da Universidade do Porto, faleceu aos 82 anos. O também Professor Jubilado da Faculdade de Engenharia (FEUP) foi uma figura incontornável no ensino da engenharia e uma voz forte na defesa da independência de Timor-Leste durante o período de ocupação indonésio no território.

A sua ligação à causa timorense remonta a 1974, ano em que cumpriu o serviço militar em Timor. Já doutorado em Ciências Aplicadas pela Universidade de Ghent, na Bélgica, em 1973, na área da Metalurgia, coordenou o trabalho de uma equipa luso-timorense que elaborou um projeto para a reestruturação do ensino em Timor, com vista a uma eventual independência a médio prazo.

Membro da Comissão para os Direitos do Povo Maubere, da Associação Paz e Justiça para Timor-Leste e da Comissão Organizadora das Jornadas de Timor da Universidade do Porto, além de ter organizado numerosas conferências em Portugal, Alemanha, Austrália, Estados Unidos, Canadá, Brasil e outros países, é autor de sete livros sobre Timor-Leste, o último dos quais, editado pela Afrontamento em 2007, tem 3 volumes (1000 páginas) e cerca de 10.000 páginas em documentos anexos, sobre a história política de Timor-Leste desde 1942 até 2007.

Em 2017, a Biblioteca da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) acolheu a apresentação pública dos acervos documental e bibliográfico relacionados com a história de Timor-Leste e com a política internacional acumulados ao longo de décadas pelo Professor António Barbedo de Magalhães. A iniciativa promovida pelo Serviço de Documentação e Informação da FEUP surgiu na sequência de um tratamento inicial de preservação do acervo documental realizado no âmbito de um projeto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

António Barbedo de Magalhães foi condecorado pelo Estado Português (Ordem do Infante D. Henrique) e pelo Estado Timorense (Ordem de Timor-Leste) pelas suas ações em defesa dos direitos do povo timorense. Desde 1989, teve nessas atividades o apoio da Universidade do Porto, a qual representou em múltiplas iniciativas em diversos países, levando a questão de Timor até ao ‘Caucus’ dos Direitos Humanos do Congresso Americano.

A pedagogia como base no ensino da engenharia

António Barbedo de Magalhães começou a lecionar no Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) em 1968, ano em que terminou o curso. Antes disso, foi membro da Comissão Instaladora da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP), que nunca conseguiu legalizar-se durante a vigência do Estado Novo. Formou-se em Engenharia Mecânica, em julho de 1968, com 17 valores, apesar de ter trabalhado durante parte do curso como desenhador e, depois, na fundição de uma empresa metalomecânica.

Doutorou-se em 1973, na área da Metalurgia, com a Máxima distinção. Foi professor da FEUP até à sua jubilação, quando fez 70 anos, em fevereiro de 2013, e diretor de um centro de investigação e apoio à indústria de fundição, do INEGI (instituto de interface entre o Departamento de Engenharia Mecânica da FEUP e a indústria), criado em 1986 quando era diretor do DEMec.

Autor de cinco patentes de invenção na área das tecnologias da fundição, propôs em 2004 uma componente pedagógica inovadora na FEUP, de projetos liderados por estudantes e realizados por equipas multidisciplinares de estudantes de diferentes cursos e idades, podendo incluir alunos do ensino secundário. Estes projetos, com a designação de PESC (Projetar, Empreender, Saber Concretizar), envolveram centenas de estudantes e dezenas de professores da FEUP e numerosas pessoas ligadas a empresas e organismos públicos. Em 2008 estes projetos interdisciplinares foram generalizados a toda a Universidade do Porto, com a designação de Projetos Lidera e em 2008/09 envolveram mais de 450 estudantes, dos quais cerca de 80 do ensino secundário.

Dirigiu o Programa Doutoral em Segurança e Saúde Ocupacionais da U.Porto, fruto da colaboração de 12 das 14 faculdades da Universidade do Porto, e do qual resultaram, em dois anos, mais de 100 publicações dos respetivos estudantes.

Ciclo de Debates “Novos Paradigmas”

Em 2010, com mais dois colegas da Faculdade de Engenharia, Rui Azevedo e Alcibíades Guedes, Barbedo Magalhães propôs a realização semestral de debates sobre “Novos Paradigmas” sobre os temas mais diversos. Entre março de 2012 – data em que foi lançado publicamente o seu e-book «A evolução dos modelos educativos e a formação de engenheiros-cidadãos para o mundo» – e finais de 2016 grande parte destes debates teve como tema central a Educação.

Na sequência destas iniciativas, foi criada, a Rede para o Desenvolvimento de Novos Paradigmas da Educação (RedeNPEdu), mediante um Memorando de Entendimento, com sede na Faculdade de Engenharia.

O funeral de Barbedo Magalhães realizou-se na passada quinta-feira, dia 29 de maio, na cidade do Porto. Universidade do Porto


terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Internacional - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto desenvolve tecnologia inovadora para converter CO₂ em e-metanol

No âmbito do projeto eMetCO2, a equipa liderada pela investigadora Francisca Moreira vai desenvolver um eletrolisador com características inovadoras para a redução eletroquímica do CO2 em metanol



Para atender à necessidade urgente de mitigar a crescente concentração de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global e pelas alterações climáticas, surge o projeto eMetCO2. Este projeto, que conta com a participação da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), pretende desenvolver uma tecnologia inovadora e energeticamente eficiente para a conversão de CO₂ em e-metanol, um combustível e produto químico versátil com inúmeras aplicações energéticas e industriais.

A solução passa pela redução eletroquímica do CO2 (eCO₂R), a qual oferece uma alternativa sustentável para a captura, utilização e armazenamento de carbono. A ausência de eletrolisadores eficientes para a eCO₂R, capazes de oferecer alta taxa de conversão e estabilidade a longo prazo, representa um desafio significativo à sua implementação. O projeto eMetCO2 pretende superar esta limitação por meio do desenvolvimento de um eletrolisador com um design inovador e eletrocatalisadores de última geração.

Através da equipa liderada por Francisca Moreira, investigadora do Laboratório de Processos de Separação e Reação – Laboratório de Catálise e Materiais (LSRE-LCM) do Departamento de Engenharia Química e Biológica, a FEUP é responsável pela linha de investigação relacionada com o “desenvolvimento, caracterização e otimização de um sistema eNETmix”.

Na prática, será desenvolvido e caracterizado um eletrolisador inovador baseado no misturador estático NETmix, com o auxílio de simulações avançadas de Dinâmica de Fluidos Computacional (CFD). Simultaneamente, será desenvolvido um protótipo à escala laboratorial nas instalações do laboratório colaborativo Net4CO2, integrando o novo eletrolisador, no qual serão realizados ensaios de otimização da eCO₂R em e-metanol.

Para a investigadora, este projeto pretende acelerar a implementação desta solução no mercado. “A eCO₂R encontra-se, atualmente, num nível de prontidão tecnológica (TRL) baixo e requer avanços significativos na inovação do design de reatores e no desenvolvimento de eletrocatalisadores de última geração. Esta tecnologia será desenvolvida à escala laboratorial sob condições relevantes para uma aplicação industrial subsequente, com o objetivo de aumentar o TRL da tecnologia de 2 para 5 e atrair interesse comercial.”

A par de Francisca Moreira, a equipa do LSRE-LCM conta com o contributo dos investigadores Ricardo Santos, Tânia Silva e Vítor Vilar. “A integração do LSRE-LCM e da FEUP neste projeto inovador proporciona acesso a redes de colaboração internacionais, reunindo conhecimentos complementares e especializados em áreas distintas, o que impulsiona o desenvolvimento de soluções verdadeiramente inovadoras e de impacto global. Para além disso, a participação num projeto desta relevância aumenta o prestígio e a visibilidade do laboratório e da faculdade, consolidando a sua posição como referência de excelência no campo da investigação científica e tecnológica”.

Colaboração entre a FEUP e o Net4CO2

Nascido da colaboração contínua entre a FEUP e o coordenador do projeto, o laboratório colaborativo Net4CO2, o qual está instalado no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC), este projeto resulta de uma parceria que tem promovido uma forte sinergia entre investigação fundamental e aplicada, unindo o avanço científico a soluções com maior aplicabilidade industrial.

Para atingir os seus objetivos gerais, o projeto eMetCO2 é apoiado por uma equipa colaborativa, transnacional e interdisciplinar com capacidades reconhecidas e experiência em eletroquímica, eletrocatálise, ciência dos materiais, química, dinâmica de fluidos e engenharia, provenientes da academia e da indústria de três países diferentes: Portugal, Espanha e Estónia.

A representar Portugal estão os supracitados FEUP e Net4CO2, assim como o parceiro industrial Ria Stone. De Espanha vêm as contribuições das universidades de Alicante e da Cantábria, e da Estónia vem o contributo da Universidade de Tartu. A liderança dos seis pacotes de trabalho que definem o projeto eMetCO2 é distribuída por estas entidades. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 22 de julho de 2024

Portugal - Biotêxtil de cascas de alho "made in" Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e F Belas Artes UP vence prémio internacional

O projeto “Sacalho” destacou-se na categoria de «Product Design/Eco Design - Estudantes» dos DNA Paris Design Awards 2024


Produzir um biotêxtil feito de cascas de alho? A proposta tem tanto de inusitado, mas a verdade é que o conceito acaba de ser premiado nos DNA Paris Design Awards, na categoria de Product Design/Eco Design – Estudantes. Criado no Laboratório de Desenvolvimento de Produtos e Serviços (LDPS) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), no âmbito do Mestrado em Design Industrial e de Produto, o “Sacalho” de Guilherme Giantini surgiu com o intuito de viabilizar a exequibilidade de fabrico, promover a criação de materiais alternativos, de base biológica, aos comumente usados com fins lucrativos no mercado, e que contribuem para o alto impacto e poluição ambiental.

Tudo começou a ganhar forma a partir da exploração da composição de vários resíduos alimentares: borras de café, cinzas de madeira, cascas de amendoim e cascas de alho. A última opção acabou por prevalecer por ser um elemento típico da cozinha mediterrânea.

Em Portugal, onde são perdidos, anualmente, cerca de 1 milhão de toneladas de alimentos, e o setor têxtil é responsável por 20% da contaminação da água doce, o projeto teve como principal estratégia a utilização de resíduos para o seu fabrico.

Ciente de que o atual descarte de sacos de algodão atinge o equilíbrio do seu impacto ambiental somente após 20 mil utilizações consecutivas, fazendo com que seja necessário usá-las, diariamente, por 54 anos para compensar a poluição associada ao seu fabrico, o “Sacalho” pretende ajudar a mitigar a pegada ecológica destes artigos.

O projeto de design de Guilherme Giantini contou com a mentoria científica de Lígia Lopes, Diretora do Mestrado em Design Industrial e de Produto da Faculdade de Belas Artes da U.Porto (FBAUP) e apoio ao fabrico de Jorge Lino Alves, docente da Secção de Materiais e Processos Tecnológicos do Departamento de Engenharia Mecânica da FEUP.

Sobre os DNA Paris Design Awards

Os DNA Paris Design Awards distinguem o trabalho de arquitetos e designers internacionais, que melhoram o nosso quotidiano através de um design prático, belo e inovador.

Esta competição aborda as disciplinas do design nas áreas da arquitetura, interior, paisagem, produto ou gráfico, que cause impacto e mereça exposição internacional.

Todas as candidaturas foram avaliadas por um júri composto por designers, editores e criativos que se dedicam à verdadeira excelência do design. A avaliação das candidaturas baseia-se numa série de critérios que são constantemente adaptados às normas atuais. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Moçambique - Felicidade Niquice, doutoranda da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, é um dos novos talentos científicos da África Subsariana

Felicidade Xerinda Niquice é uma das 30 jovens cientistas reconhecidas com o prémio L’Oréal-UNESCO For Women in Science Young Talents (Sub-Saharan Africa) 2023


“Foi na primeira vez que vi a casca de uma cebola ao microscópio que percebi que queria seguir ciência”. Quem o diz é Felicidade Niquice, estudante do Programa Doutoral em Segurança e Saúde Ocupacionais da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e uma das vencedoras da edição de 2023 do prémio L’Oréal-UNESCO For Women in Science Young Talents (Sub-Saharan Africa).

Investigadora e médica com especialização em medicina do trabalho, Felicidade afirma “sentir-se honrada por ter elevado o nome de Moçambique e da lusofonia na esfera científica”, após ter sido a segunda moçambicana a receber o prémio.

A razão da distinção deve-se ao projeto que a estudante da FEUP vem desenvolvendo no sentido de promover a saúde e segurança no trabalho nos hospitais de Moçambique, a sua terra natal.

“A avaliação e gestão de risco ocupacional em relação a patologias de disseminação em contexto hospitalar, como a Hepatite B, C e HIV, é um trabalho necessário e pertinente para a realidade moçambicana, uma vez que o sistema nacional de saúde não testa ou oferece tratamento para estas patologias prevalentes na comunidade”, explica Felicidade Niquice.


Sobre o prémio

Promovidos anualmente pela Fundação L’Oréal e pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, os  L’Oréal-UNESCO For Women in Science Young Talents Sub-Saharan Africa Awards visam capacitar jovens talentos naquela região do globo – uma vez que a comunidade de cientistas em África representa apenas 2,5% dos investigadores do mundo – e reforçar o compromisso de promoção da igualdade de género na ciência. Ao mesmo tempo, procura-se garantir um futuro mais justo e sustentável para o continente.

Desde a sua primeira edição, em 2010, este programa regional já apoiou mais de 200 investigadores africanos, garantindo-lhes apoio financeiro para que possam conduzir os seus projetos de investigação. Atualmente, o valor das bolsas atribuídas aos vencedores varia entre os 10000 euros (para estudantes de doutoramento) e os 15000 euros (para investigadores de pós-doutoramento).

A 14.ª edição do galardão reconheceu este ano 25 doutorandas e 5 investigadoras de pós-doutoramento na sua cerimónia anual, que decorreu no início de novembro em Kasane, Botswana. Universidade do Porto - Portugal











segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Portugal - SPAT-I: Foguetão de estudantes da Universidade do Porto prestes a ser lançado

Equipa de estudantes das faculdades de Engenharia e Ciências é uma das duas portuguesas selecionadas para competir no «European Rocketry Challenge»


Uma equipa composta por estudantes das Faculdades de Ciências (FCUP) e de Engenharia (FEUP) da Universidade do Porto está em contagem decrescente para a participação na quarta edição do European Rocketry Challenge (EuRoC), um concurso europeu de lançamento de foguetões.

Os 11 estudantes da FCUP e da FEUP fazem parte dos cerca de 600 estudantes de 14 países que vão competir em Constância (Santarém) de 10 a 16 de outubro. De um total de 22 equipas de várias universidades europeias, a “North Space” é uma das duas únicas equipas nacionais selecionadas para a final do EuRoC.

O projeto SPATI-I, concebido pela equipa da U.Porto. será apresentado pela primeira vez na competição, tendo sido “possível completar com sucesso todo o design estrutural interior e exterior do foguetão, bem como planear o seu sistema de “recovery” e estudar a sua performance através de simulações computacionais”, como explica Gonçalo Teixeira, estudante da Licenciatura em Engenharia Física, curso conjunto entre FCUP e FEUP.


A fase de testes de ejeção dos paraquedas do foguete está também a decorrer e, com ela, toda a preparação da equipa para as operações que irão acontecer no terreno durante o EuRoC.

“Esperamos que, juntamente com as empresas parceiras, consigamos atingir a meta dos três quilómetros e recuperar o SPATI-I com sucesso. Apesar de todas as incertezas associadas a uma estreia na competição, estamos a aplicar todos os esforços para cumprirmos este nosso primeiro objetivo como associação”, explica Rita Pires, estudante do Mestrado em Engenharia Mecânica da FEUP.

O último ano de esforço colocado no projeto será decisivo para que a equipa consiga um “voo de sucesso”, ciente da concorrência que lhe espera por parte de outras equipas estudantis.

“Estamos muito curiosos em relação às equipas europeias que vamos conhecer e às ligações que poderemos fazer. Estamos lá todos pelo mesmo propósito: colocar em prática o nosso apreço pelo espaço”, conclui Gonçalo Teixeira.


A equipa North Space é ainda constituída por elementos do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) e da Universidade de Aveiro. Universidade do Porto - Portugal






segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Portugal - Tecnologia "made in" Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto transforma a água do mar em potável

Solução criada por investigadoras do LEPABE permite obter minerais imprescindíveis na indústria farmacêutica, automóvel e eletrónica


As investigadoras Eva Sousa e Sofia Delgado, do Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE), sediado na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), criaram um método de valorização dos materiais presentes na salmoura – associada muitas vezes a água extremamente salgada e carregada de toxicidade em resultado da dessalinização da água do mar – obtidos através de um processo designado por Osmose Inversa.

Com um potencial de mercado estimado em 7 mil milhões, esta nova tecnologia poderá ser a solução para vários problemas associados à sustentabilidade no setor da água. Os resultados preliminares são promissores e deram já origem à SeaMoreTech, uma spin-off da FEUP.

A dessalinização é uma das soluções apontadas para combater a escassez de água e a seca, que vão acontecer com mais frequência e intensidade nos próximos anos, por causa das alterações climáticas.

Esta solução vai permitir obter minerais absolutamente necessários na indústria farmacêutica, automóvel e também no campo da eletrónica que têm visto as suas cadeias de valor muito atrasadas, em consequência da dependência da Rússia e da China neste processo e de toda a situação geopolítica que se vive com o conflito na Ucrânia.

“Ao valorizarmos uma corrente que é vista tipicamente como um subproduto, um resíduo, que é a salmoura, nós podemos, de facto, de uma forma muito rápida e também muito eficiente, devolver todos estes minerais para estas indústrias que tanto necessitam, e em simultâneo, viabilizar a própria tecnologia da osmose inversa no ponto de vista de duplicar, por exemplo, a eficiência na recuperação de água potável”, explica Sofia Delgado.

“Estamos em Portugal, um país com 900 quilómetros de costa, temos que nos virar para o óbvio, que é trabalhar no desenvolvimento de uma economia azul sustentável. Há aqui um potencial enorme que tem de ser aproveitado até para podermos viabilizar tudo o que vem a seguir, como a proteção de espécies marinha e dos ecossistemas”, acrescenta Eva Sousa.

As duas jovens engenheiras conheceram-se quando desenvolviam trabalho no âmbito das respetivas teses de doutoramento no LEPABE, baseadas em eletrolisadores e pilhas de combustível para a produção e utilização de hidrogénio verde.

Focadas e fortemente motivadas pelos resultados que têm obtido à escala laboratorial, Eva Sousa e Sofia Delgado assumem que o grande objetivo para os próximos meses passa por trabalhar na comercialização desta tecnologia de uma forma sustentável e conseguir viabilizar a utilização da água do mar para a produção hidrogénio verde ou para a utilização pelas comunidades como água potável. Universidade do Porto - Portugal


terça-feira, 11 de julho de 2023

Portugal - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto desvenda novo protótipo de carro elétrico de corrida para competição

Equipa de estudantes de Engenharia vai participar em provas internacionais já no final de julho, com um protótipo de motorização 100% elétrica


Um palco, um carro. Hoje, dia 11 de julho, ao cair do pano, será desvendado o novo protótipo de carro elétrico de corrida totalmente construído por estudantes da Formula Student (FS) FEUP.

O “Rollout 2023”, assim se designa a sessão de apresentação do novo protótipo, vai juntar cerca de 300 pessoas na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e deverá contar com uma forte adesão por parte dos 50 patrocinadores do projeto, que assim vão ter a oportunidade de conhecer, em primeira mão, o carro de competição que fará a sua estreia absoluta na mítica pista de Silverstone, no Reino Unido, no final de julho.

A equipa, atualmente composta apenas por estudantes da FEUP, não poderia estar mais orgulhosa: “O protótipo representa a conclusão de todos os processos de manufatura e assemblagem dos vários subsistemas, resultado de um longo trabalho realizado pelos nossos estudantes nestes últimos dois anos”, revela Tiago Teixeira, finalista do Mestrado em Engenharia Mecânica e responsável de marketing do projeto.

O entusiasmo é grande dentro da equipa, com a promessa de um Verão diferente e que não será de férias para os cerca de 20 estudantes que rumam à Formula Student UK para integrar a prova “Electric Vehicle Category”.

Ainda em Silverstone, a equipa da FEUP vai participar pela primeira vez na categoria “Dynamic Driving Task”, que avalia e testa o software desenvolvido pelos estudantes num veículo conduzido de forma autónoma.

“A partir de um chassis, grupo motor e acessórios básicos de funcionamento, fornecidos pela organização da prova, este carro vai ser instrumentado pela equipa AI com um sistema programado para navegar autonomamente, realizando um conjunto de provas dinâmicas adaptadas a esta tecnologia”, revela Luís Galamba Carvalho, professor no Departamento de Engenharia Mecânica da FEUP e Faculty Advisor da FS FEUP.

Dois anos de trabalho árduo

A verdade é que desde muito cedo se percebeu que este era um projeto promissor. O esforço e dedicação dos estudantes foi premiado em 2022, altura em que participaram pela primeira vez numa prova internacional. O desenvolvimento do conceito e design do veículo estava validado com o primeiro lugar na classe de conceito na FS UK 2022, e um 2ª lugar, semanas depois, na Formula SAE Italy 2022.

Os lugares de pódio deram um impulso importante à equipa que a partir daí não mais parou, tendo passado à construção do seu primeiro protótipo, desenhado para uma ótima relação performance-custo. Com um chassis tubular, sem estruturas aerodinâmicas avançadas, totaliza 270 kg de peso, que se movem graças ao motor que pode atingir 80kW de potência, alimentado pelo acumulador elétrico de 8kWh, cujas células foram fornecidas pela Tesla como parte do seu patrocínio.

“Fiel ao seu projeto, o carro é o reflexo da aprendizagem e domínio de cada um dos seus membros. Atinge claramente os objetivos estabelecidos, coloca-se confortavelmente no patamar de performance pretendido e nele está depositada a serena confiança dos seus criadores. A equipa, com uma dedicação à prova de bala, merece reconhecimento pelo excelente trabalho!”, felicita Luís Galamba Carvalho.

Depois de Silverstone, a “tour” pelas provas internacionais continua com a 1.ª edição internacional da Formula Student Portugal, a decorrer em agosto no Circuito de Castelo Branco. A época termina na Formula Student Germany, a mais importante competição da área, onde apenas 40 equipas a nível mundial têm oportunidade de participar.

O “Rollout 2023” vai ter lugar no Auditório José Marques dos Santos, a partir das 17h00. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Internacional - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde e Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência integram projeto europeu para combater as doenças cardiovasculares

Ao longo dos próximos cinco anos, o projeto «CARE-IN-HEALTH», vai desenvolver e testar ferramentas tecnológicas para prevenção, diagnóstico e monitorização de doenças cardiovasculares


O projeto europeu «CARE-IN-HEALTH», que tem como parceiros portugueses o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) e o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), foi recentemente financiado com sete milhões de euros pelo Programa Horizon Europe da Comissão Europeia. O projeto, que terá a duração de cinco anos e envolve dez parceiros europeus, tem como objetivo desenvolver e testar ferramentas tecnológicas para prevenção, diagnóstico e monitorização de doenças cardiovasculares.

Coordenado pelo Instituto francês de Saúde e Investigação Médica – Institut National De La Sante Et De La Recherche Medicale (INSERM), o CARE-IN-HEALTH foca-se numa das principais causas de morte e morbilidade a nível mundial: as doenças cardiovasculares (DCV). Só na Europa, as DCV são responsáveis por 1,9 milhões de mortes/ano e estima-se que os custos associados ao tratamento destas doenças sejam de 200 mil milhões de euros.

“Trata-se de um problema de saúde pública que tem sido muito difícil de controlar e, principalmente, de prevenir, não só devido aos hábitos de vida pouco saudáveis, mas também porque as terapias de redução de risco cardiovascular, que têm como objetivo evitar a formação de placas de gordura nas artérias, comprometem seriamente o sistema imunitário», explicam os investigadores dos dois institutos nacionais.

Tendo em conta que níveis elevados de lípidos no sangue estão diretamente associados à transição saúde-doença cardiovascular, porque desencadeiam a inflamação crónica que aumenta o risco de diversas doenças cardiovasculares, incluindo o enfarte do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC), o CARE-IN-HEALTH propõe-se desenvolver novas estratégias de prevenção baseadas precisamente na redução desta inflamação.

O papel do i3S e do INESC TEC

A equipa do i3S, que irá receber 788 mil euros de financiamento, é coordenada pela investigadora Inês Mendes Pinto e conta com a participação dos investigadores João Relvas, Miguel Neves e Paulo Aguiar.

A missão do i3S neste projeto passará por ” desenvolver uma tecnologia portátil (CARE-IN-HEALTH BIOSENSOR) para monitorizar a resolução da inflamação de forma minimamente invasiva (através de um pequeno volume de sangue)”, explica Inês Mendes Pinto, que é também professora da Faculdade de medicina da U.Porto (FMUP).

Já a equipa do INESC TEC, coordenada pelo investigador João Paulo Cunha, com a participação do investigador Duarte Dias, trará para o projeto a sua longa experiência em processamento avançado de biosinais e desenvolvimento de dispositivos médicos portáteis. Ao INESC TEC, o projeto destina cerca de 340 mil euros e os investigadores irão, assim, apoiar a interligação do referido biossensor numa aplicação móvel e num sistema na cloud com vista a monitorizar biomarcadores inflamatórios e integrar esta informação com outros parâmetros clínicos de forma a avaliar o risco de doença.

“Este projeto será uma excelente oportunidade para colocarmos o nosso conhecimento avançado em conceção e desenvolvimento de dispositivos médicos portáteis ao serviço de uma tecnologia de biossensores com um potencial de disrupção no futuro da gestão das doenças cardiovasculares”, adianta João Paulo Cunha, que é também docente na Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP).

Um modelo personalizado contra as doenças cardiovasculares

No âmbito do CARE-IN-HEALTH será igualmente feita uma recolha de dados epidemiológicos, multieconómicos e imunológicos que serão compilados numa plataforma, que estará disponível para toda a comunidade científica e profissionais de saúde. Estes dados permitirão não só identificar e validar as vias imunitárias críticas de um indivíduo, usando ferramentas de Inteligência Artificial e tradução clínica, mas também, e mais importante, permitirá desenhar um modelo personalizado para tratar a inflamação de cada cidadão.

Para aplicar estas inovações, será desenvolvido um sistema digital multicritério de apoio à decisão médica, para orientar os profissionais de saúde na conceção de estratégias personalizadas de prevenção da doença cardiovascular.

Todas estas ferramentas, incluindo o biossensor portátil, serão testadas em cenários reais através de dois ensaios clínicos de prova de conceito, que serão feitos no Instituto Karolinska, na Suécia, uma das principais universidades médicas do mundo. Universidade do Porto - Portugal


quarta-feira, 1 de junho de 2022

Portugal - Investigadores da Universidade do Porto premiados por estudo na área da Energia do Mar

Novo conceito de fundações para eólicas offshore, desenvolvido por equipa do CIIMAR e da FEUP, já resultou na submissão de um pedido provisório de patente

Uma equipa de investigadores do grupo Marine Energy do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR-UP) e da Secção de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) acaba de ser distinguido com o Haclrow Prize, atribuído pela prestigiada Institution of Civil Engineers (Reino Unido), por um estudo inovador em fundações para estruturas eólicas em alto mar.

Com a ambição de desenvolver um tipo de fundação inovadora para as fundações de eólicas em zonas offshore (alto mar), o grupo de investigadores do CIIMAR e da FEUP, em colaboração com o Indian Institute of Technology Delhi, desenvolveu um sistema que utiliza cabos pré-tensionados para oferecer estabilidade adicional à estrutura, permitindo que seja utilizado até 50 metros de profundidade, numa solução de baixo custo.

A fundação do tipo monopilar que tipicamente é usada nas eólicas offshore apenas permite a sua colocação em zonas com profundidades até 30 metros. Até agora, a única possibilidade de aplicação destas eólicas a profundidades superiores passava pelo aumento do diâmetro das fundações, o que implicava valores que são financeiramente incomportáveis.

Segundo o investigador Tiago Ferradosa, coautor deste estudo, “nestas profundidades, a grande maioria dos conceitos de fundações fixas no fundo do mar ou de fundações flutuantes acabam por ter custos demasiado elevados.”

A solução apresentada pelos investigadores Tiago Ferradosa, Paulo Rosa Santos e Francisco Taveira Pinto no artigo “Bottom-supported tension leg towers with inclined tethers for offshore wind turbines”, publicado em dezembro de 2021, na revista “Maritime Engineering”, da ICE, passa por combinar um sistema de cabos pré-tensionados com a fundação monopilar standard, oferecendo assim estabilidade adicional à fundação da eólica offshore.

Dependendo da geometria e configuração usada, esta adaptação permite que os monopilares convencionais passem a poder ser utilizados até aos 50 m de profundidade, sempre que a profundidade de água não permita a aplicação do monopilar standard e onde as fundações do tipo flutuante não sejam economicamente competitivas.

Testes à escala real

Este tipo de fundação inovador, testado numericamente para diferentes condições de agitação marítima e diferentes configurações geométricas, encontra-se validado numericamente para os 50 metros de profundidade.

Os investigadores pretendem agora avançar para estudos de modelação física que permitam perceber melhor qual a viabilidade da solução à escala real. A equipa vai ainda estudar outros aspetos importantes para o dimensionamento, como é o caso da erosão no sopé da estrutura ou do colapso por fadiga, entre outros fenómenos relevantes que podem determinar a sua utilização caso a caso.

Neste momento já se iniciaram esforços para que o conceito seja testado em modelo físico com diferentes escalas no Laboratório de Hidráulica da FEUP. Mas o impacto no futuro é muito promissor pelo que, este ano, o grupo de trabalho já fez o pedido provisório de patente relativo a este conceito.

“No caminho certo para fazer mais e melhor”

Instituído em 1960, em homenagem a Sir William Halcrow (1883-1958), presidente da Institution of Civil Engineers entre 1946 e 1947, o Halcrow Prize distingue anualmente os melhores artigos publicados nas revistas da ICE  nos domínios das Docas e Portos ou outras obras marinhas, Túneis, e Energia hidroeléctrica ou energia de outras fontes naturais renováveis.

O galardão vem por isso reforçar a importância das linhas de investigação que o Marine Energy Group do CIIMAR tem vindo a desenvolver, nomeadamente, no que respeita à promoção e desenvolvimento das energias renováveis marinhas.

“Além de ser sempre um motivo de alegria e motivação para o grupo, é também um prémio atribuído pelo ICE que é uma instituição de renome em diversos domínios da Engenharia Civil. Estamos muito satisfeitos e convictos que estamos no caminho certo para fazer mais e melhor”, congratula-se Tiago Ferradosa.

Sobre a Institution of Civil Engineers

Fundada em 1818, a Institution of Civil Engineers (ICE) é uma associação profissional independente de engenheiros civis, sediada em Londres.

Com mais de 92000 membros espalhados por cerca de 150 países, a ICE tem como missão apoiar a profissão de engenheiro civil, oferecendo qualificação profissional, promovendo a educação, mantendo a ética profissional, e estabelecendo ligações com a indústria, academia e governo. Eunice Sousa e Mafalda Leite – Portugal in “Universidade do Porto”


quarta-feira, 4 de maio de 2022

Internacional - MORfood, o projeto que quer ajudar a combater a má nutrição no mundo

Combater a desnutrição infantil em países em vias de desenvolvimento é o grande objetivo do projeto “MORfood - Microencapsulação de extratos de Moringa oleifera e sua aplicação em alimentos funcionais”, liderado pelo investigador Licínio Ferreira, da Universidade de Coimbra (UC).

O projeto, com a duração de três anos, tem um financiamento de cerca de 230 mil euros, atribuído pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pela Aga Khan, uma fundação que apoia projetos nos domínios da saúde e educação, nomeadamente o desenvolvimento científico e tecnológico dirigido ao progresso da qualidade de vida no continente africano.

Além da equipa da Universidade de Coimbra, através da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), da Faculdade de Farmácia (FFUC) e da PRODEQ - Associação sem fins lucrativos do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da FCTUC, também participam no projeto investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e da Universidade Agostinho Neto (UAN), em Angola.

O MORfood foca-se em produzir microcápsulas ricas em compostos bioativos extraídos de Moringa oleifera, conhecida como a planta da vida, que serão incorporadas em determinados alimentos (pão, iogurtes e sumos) para crianças em idade escolar, entre os 4 e 10 anos.

A Moringa oleifera, uma espécie nativa do norte da Índia, Paquistão e Afeganistão, e muito cultivada em países tropicais e subtropicais de África, Ásia e América Latina, é uma das plantas «mais nutritivas do mundo, muito rica, por exemplo, em proteínas, vitaminas e minerais, como cálcio e potássio. É uma planta que já é utilizada pelas populações africanas para combater um conjunto alargado de patologias, tais como asma, bronquite, hipertensão, diabetes, entre muitas outras. O nosso estudo centra-se nos extratos das folhas, a parte da planta mais rica em nutrientes», explica Licínio Ferreira, docente da FCTUC e investigador do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF).

A equipa apostou na microencapsulação para enriquecer os alimentos, porque, segundo o coordenador do estudo, é uma tecnologia que apresenta muitas vantagens, neste caso «protege a atividade biológica de alguns compostos que são extraídos da planta e que de outra forma se degradariam. Por exemplo, no caso do pão, um dos alimentos que selecionámos, as microcápsulas podem ser introduzidas na própria farinha, e se os compostos não estiverem incorporados dentro destas microcápsulas, as suas propriedades iriam degradar-se e desaparecer durante o fabrico do pão, daí a importância das microcápsulas».

Nesta primeira etapa do projeto, os investigadores estão a caracterizar as amostras de folhas de moringa provenientes de Angola, de modo a obter a composição fitoquímica e nutricional das folhas. Após essa caracterização, que é fundamental, seguem-se os estudos de extração de compostos e seleção dos mais adequados ao objetivo do projeto, ou seja, compostos importantes para combater a desnutrição infantil.

Antes da fase da microencapsulação, os extratos serão selecionados, «porque eventualmente haverá compostos indesejáveis que têm de ser removidos. Desta seleção, obteremos frações enriquecidas de macronutrientes e micronutrientes que são benéficos para combater a desnutrição infantil, nomeadamente hidratos de carbono, vitaminas, sais minerais, entre outros», esclarece Lícino Ferreira.

No final do projeto, os alimentos funcionais (enriquecidos) com microcápsulas carregadas de nutrientes extraídos de moringa vão ser testados junto de crianças angolanas. São os chamados testes de aceitabilidade sensorial, para aferir a reação da população infantil a este tipo de alimentos.

Natural de Angola e conhecedor da realidade da desnutrição infantil naquele país, Licínio Ferreira nota que a desnutrição infantil é um grande flagelo mundial. «Segundo o relatório de 2020 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 8,9% da população mundial estava desnutrida em 2019, o que representa 690 milhões de pessoas. Ainda segundo esse relatório, este número corresponde a um aumento de 60 milhões de pessoas em comparação a 2014. É um flagelo que tende a agravar-se ao longo dos anos».

Se o projeto alcançar os resultados esperados, a equipa tentará depois estabelecer uma parceria com a UNICEF, de modo a que os alimentos enriquecidos com extratos de moringa possam chegar a um maior número de países em vias de desenvolvimento. Universidade de Coimbra - Portugal



segunda-feira, 17 de maio de 2021

Portugal - Cientistas criam verniz que mata bactérias em poucos minutos

Uma equipa multidisciplinar de cientistas, liderada por Jorge Coelho e Paula Morais, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), desenvolveu um verniz para superfícies que mata bactérias, mesmo as mais resistentes, em apenas 15 minutos, uma solução segura e eficaz para prevenir e combater as infeções hospitalares.

Este novo verniz inteligente com elevada atividade antimicrobiana, que é ativada por ação de luz branca, inócua para o ser humano, foi desenvolvido no âmbito do projeto de investigação “SafeSurf”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), e teve a participação de investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

O projeto, cujos resultados já se encontram publicados na revista científica ACS Applied Materials & Interfaces, compreendeu três fases. Primeiro, os cientistas desenvolveram e testaram uma nova geração de polímeros catiónicos com propriedades antimicrobianas contra várias espécies de bactérias. De seguida, procuraram um fotossensibilizador com atividade fotodinâmica à superfície, tendo sido utilizado um composto natural que é produzido por plantas, a curcumina.

Ao combinar os polímeros catiónicos com a curcumina, os cientistas verificaram que a atividade antimicrobiana dos polímeros aumentou de forma significativa, permitindo matar um maior número de bactérias em menos tempo, como relatam Jorge Coelho e Paula Morais: «quando juntámos os dois sob a ação da luz branca, verificámos que as bactérias morriam passado muito pouco tempo. As várias experiências realizadas em superfícies mostraram que, em apenas 15 minutos de exposição, estes dois compostos combinados reduziam mil vezes o número de bactérias gram-positivas e gram-negativas, como por exemplo, da Escherichia coli. Ou seja, numa ação conjunta, os dois materiais provocam stress oxidativo nas bactérias, eliminando-as de forma eficaz e segura».


Perante os resultados obtidos, os investigadores avançaram então para a formulação de um revestimento (verniz). Com recurso a uma formulação industrial, desenvolveram um verniz de base poliuretano contendo, pela primeira vez, biocidas poliméricos catiónicos combinados com um fotossensibilizador de curcumina.

A bateria de testes antimicrobianos realizados com o verniz desenvolvido mostrou a eficácia na eliminação de bactérias. A grande inovação, segundo os coordenadores do projeto, reside no facto de «conseguirmos incorporar estes dois compostos num verniz de formulação industrial de base poliuretano, utilizando condições industriais, dando ao verniz a inovação da funcionalidade antibacteriana, facilitando assim a sua introdução no mercado. A formulação do verniz contendo os polímeros catiónicos e o fotossensibilizador constituiu uma etapa do projeto de elevada complexidade que foi realizada pelos nossos colegas da FEUP».

Sabendo-se que a grande maioria das infeções surge em ambiente hospitalar, Jorge Coelho e Paula Morais salientam que «os revestimentos de superfície inteligentes que apresentam vários mecanismos de atividade antimicrobiana surgiram como uma abordagem avançada para prevenir com segurança esse tipo de infeção». Assim, acrescentam, este novo verniz representa «uma solução eficaz e segura para a prevenção e controlo de infeções nosocomiais [contraídas nos hospitais], uma vez que impede a proliferação das bactérias nas superfícies».

Questionados sobre quando é que esta solução poderá chegar ao mercado, os docentes e investigadores dos departamentos de Engenharia Química e de Ciências da Vida da FCTUC referem que, do ponto de vista científico, «o conceito está provado, ou seja, foi desenvolvido um verniz eficaz e completamente seguro para o ser humano. No entanto, é necessário realizar uma avaliação económica do projeto». Universidade de Coimbra - Portugal




quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Portugal - Investigadora da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto lidera invenção de bateria revolucionária

A investigação está a ser vista como muito sólida e a tecnologia anunciada tem fortes possibilidades de ser industrializada rapidamente



O artigo publicado na revista Energy & Environmental Science está a criar grande entusiasmo junto da comunidade científica internacional e a razão prende-se essencialmente com o facto de se poder estar perante uma nova geração de baterias sólidas, capazes de armazenar muito mais energia do que as de ião de lítio, com uma vida muito mais longa, mais seguras e não poluentes. A garantia chega-nos através de Maria Helena Braga, investigadora do Departamento de Engenharia Física da Faculdade de Engenharia da U. Porto (FEUP), que há mais de dois anos se dedica ao estudo de materiais para o armazenamento de energia em baterias.

A principal inovação destas novas baterias é fazer depender a capacidade de armazenamento de energia a partir do ânodo, em vez do tradicional cátodo, através de um eletrólito sólido de vidro, que permite a utilização de um ânodo construído em metais alcalinos sem a formação de “dendritos” (curto-circuitos internos). Estes elementos podem surgir em baterias de lítio tradicionais, que usam eletrólitos líquidos, levando a curtos circuitos internos que provocam incêndios rápidos e até mesmo explosões.

A tecnologia de eletrólitos em vidro foi desenvolvida por Maria Helena Braga e tem ainda a vantagem de poder operar em temperaturas muito baixas, outro benefício relativamente às baterias de lítio atuais. Isso poderá revolucionar todo o paradigma dos carros elétricos, por exemplo, uma vez que com estas novas baterias vão poder operar a temperaturas de -60 graus celsius.

Maria Helena Braga, 45 anos, publicou pela primeira vez sobre a tecnologia de eletrólitos de vidro em 2014 quando desenvolvia investigação na FEUP. De imediato recebeu inúmeros telefonemas e pedidos de contacto, um deles de Andy Murchison, investigador norte-americano da Universidade do Texas, que conhecia bem John Goodenough, o inventor das baterias de iões de lítio. Com 94 anos de idade e ainda no ativo, Goodenough desafiou a investigadora portuguesa a trabalhar com ele de maneira a provar que a tecnologia de eletrólitos de vidro funcionava, de facto.

“Durante um ano vim muitas vezes a UT-Austin e em fevereiro de 2016 pedi equiparação a bolseiro para fazer trabalho em baterias com lítio-metálico que não podia fazer na FEUP porque à data não tinha laboratório e muito menos caixa de luvas que é absolutamente essencial para este trabalho, uma vez que o lítio reage violentamente na presença de humidade e oxida facilmente”, explica Maria Helena Braga.

Até julho, o objetivo será aproveitar esta estadia nos EUA e a possibilidade de trabalhar de perto com tecnologia e equipamento de ponta. A adaptação correu bem, a forma de fazer investigação não é muito diferente da que se faz na Europa, o que realmente faz a diferença é “a velocidade a que as coisas acontecem”, admite a investigadora. “Fui muito bem-recebida pelo Prof. Goodenough. Ele, apesar dos seus 94 anos é um exemplo de abertura a novas ideias! O Andy também sempre acreditou no que fazíamos”, conclui.

Apesar de os anúncios sobre novas tecnologias de baterias serem frequentes, esta investigação está a ser vista como muito sólida e a tecnologia anunciada tem fortes possibilidades de ser industrializada rapidamente, de acordo com o comunicado divulgado pela Universidade do Texas.

Com a possibilidade de entrar para a história mundial da engenharia física com esta inovação e de a sua vida poder dar uma volta de 180 graus, Maria Helena Braga quer voltar a Portugal e continuar o seu trabalho a partir daqui. No entanto, não deixa de ser crítica do sistema português no que toca à progressão na carreira docente: “As universidades/faculdades têm que reconhecer os talentos antes que as notícias venham de fora… Dito isto, têm que fazer tudo o que estiver ao seu alcance para proporcionar condições a quem quer fazer. Quando sentimos que estão a fazer o que podem por nós, respondemos imediatamente com um sentimento de lealdade… As Universidades teriam que ter mais poder discricionário para poder dar condições a quem quer trabalhar em Portugal. Talvez por exemplo, reduzindo a carga horária e atribuindo mais licenças sabáticas a quem quer fazer investigação”. Universidade do Porto “Faculdade de Engenharia” - Portugal