Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 22 de julho de 2026

São Tomé e Príncipe - Roças, do inferno de onde não se saía até ao (quase) reconhecimento mundial

O professor universitário e líder da comunidade de Monte Café, em São Tomé e Príncipe, recua aos tempos de escravidão para lembrar o que se dizia sobre as roças: “um inferno onde se entra e não se sai”.


Filipe Samba, docente de Bio-Ética, nascido e a residir em Monte Café, não resiste a citar os antepassados, como que espreitando alguma garantia de futuro e de reparação: “a ferida da dor não se cura, o sofrimento não se cura com palavras, mas com acções concretas”.

A cultura esclavagista, pela mão de portugueses, que construiu a memória e o património arquitectónico ligado a seis roças (quatro em São Tomé e duas no Príncipe) alimentou negócios de café e de cacau e tradições de angolanos e moçambicanos, entre outros africanos, arrastados para São Tomé e Príncipe, com os cabo-verdianos a chegarem já numa condição de contratados, explica Samba.

Desde domingo e até 29 de Julho reúne-se na Coreia do Sul o Comité do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Em Busan decidir-se-á se as roças são-tomenses são inscritas na lista de Património Mundial da UNESCO. E São Tomé e Príncipe concorre na categoria Sítios Culturais, com “As roças de São Tomé e Príncipe: Sistema colonial agrícola e migração forçada”.

“Para nós é importante esta inscrição com o património da UNESCO porque isso vem reforçar a nossa dedicação, o nosso empenho para a preservação deste memorial histórico. E assim já ficamos nós a acreditar que as gerações futuras poderão ter a perspectiva de rever essa história”, começa por argumentar, em declarações à Lusa, o líder da comunidade de Monte Café.

“Vai criar mais emprego, vai mobilizar, vai haver mais sinergias no âmbito da empregabilidade para a nossa população. Nós estamos quase meio abandonados, mas essa infra-estrutura é que fala por nós, essa infra-estrutura (…) dignifica a nossa imagem e a nossa identidade”, sublinha.

Depois de passagens pela então União Soviética, onde se formou, o regresso a Monte Café, onde cerca de cinco mil pessoas residem, tem sido marcado pelo trabalho comunitário, agora com um horizonte de esperança que vai até ao final deste mês: “É um momento de grande relevância para a nossa comunidade, porque, com esse estímulo, a UNESCO reconhece esta memória, não só do ponto de vista memorial, também do ponto de vista económico”.

Até à data, o Comité do Património Mundial inscreveu 1248 sítios em 170 países na lista do Património Mundial.

Segundo a UNESCO, a classificação como Património Mundial permite reconhecer e proteger sítios de valor universal excepcional, sejam eles naturais, culturais ou mistos, e “compromete os Estados-membros a preservar estes locais emblemáticos”. João Carreira – Agência Lusa in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 18 de julho de 2026

Moçambique - Marracuene acolhe lançamento de “Coelhinho Enfeitiçado”, obra de Bora Chung traduzida por três criadoras moçambicanas

A primeira livraria do distrito de Marracuene, a Livroteca, recebe no próximo sábado, 18 de Julho, às 10h00, o lançamento da edição moçambicana de “Coelhinho Enfeitiçado”, da escritora sul-coreana Bora Chung. Publicada pela Editora Trinta Zero Nove, a obra ganha uma edição especial que destaca o trabalho de três mulheres moçambicanas responsáveis pela tradução, ilustração e narração do audiolivro, aproximando os leitores nacionais de uma das mais conceituadas vozes da literatura coreana contemporânea.


Finalista do prestigiado International Booker Prize, “Coelhinho Enfeitiçado” reúne dez contos que cruzam o terror, o realismo mágico, a ficção científica e o surrealismo para abordar temas como a solidão, a memória, o trauma, o amor e a condição humana. A edição moçambicana conta com tradução directa do coreano para português por Sandra Tamele, ilustração da capa assinada por Jesse Jane e narração do audiolivro por Camila “Kami” do Castelo, valorizando o talento nacional em diferentes áreas da criação artística.

O lançamento decorrerá em formato de conversa, reunindo as três criadoras para partilharem os bastidores do processo editorial e os desafios de transportar uma obra entre diferentes linguagens, da tradução à ilustração e da interpretação vocal. A sessão incluirá ainda a leitura de um excerto do livro e contará com a participação especial da Embaixada da Coreia em Maputo, que disponibilizou hanboks, trajes tradicionais coreanos, para a ocasião.

Com esta publicação, a Editora Trinta Zero Nove reforça o seu compromisso de promover a tradução literária, ampliar o acesso à literatura mundial e incentivar formatos como o audiolivro. O evento assinala igualmente mais um marco para a Livroteca, que continua a afirmar-se como um espaço de promoção da leitura, do diálogo intercultural e da valorização da criação literária em Moçambique. In “Moz Entretenimento” - Moçambique




sábado, 16 de maio de 2026

Coreia do Sul - Um monge budista robô chegou ao país

Gabi liderou uma procissão de monges budistas entoando cânticos no Templo Jogye, em Seul, Coreia do Sul, na semana passada. Vestindo um manto cerimonial cinzento e castanho, sapatos pretos, um rosário e luvas cor da pele, Gabi ergueu as mãos em oração.



– “Vai dedicar-se ao Buda sagrado?”, questionou um dos monges, segundo a agência de notícias coreana Yonhap.

– “Sim, vou dedicar-me”, respondeu Gabi.

– “Dedicar-se-á aos ensinamentos sagrados?”, perguntou o monge.

– “Sim, vou dedicar-me”, respondeu Gabi.

Se estas respostas soam robóticas, é porque Gabi é, de facto, um robô.

Com pouco mais de 1,2 m de altura, Gabi tornou-se no primeiro monge robô da Coreia do Sul ao juntar-se à Ordem Jogye, a maior seita budista do país. O nome Gabi significa misericórdia em coreano.

“Tentámos dar um nome que não fosse muito difícil de pronunciar e que não fosse antiquado, e que representasse a disseminação da misericórdia de Buda pelo mundo”, disse o venerável Seong Won, responsável pelos assuntos culturais da Ordem Jogye, à agência Yonhap.

O robô é o mais recente esforço dos monges do país para demonstrar a relevância moderna do budismo. Introduzida na Coreia por volta do século IV, a religião tem sofrido um declínio na popularidade e na prática.

Em Janeiro, o Venerável Jinwoo, presidente da Ordem Jogye, prometeu incorporar a inteligência artificial na tradição no seu discurso anual de Ano Novo.

Durante a cerimónia da passada quarta-feira, um monge presenteou Gabi com cinco preceitos, ou votos, para um robô budista: Respeitar a vida e não a magoar; não danificar outros robôs e objectos; seguir os humanos e não lhes responder; não se comportar ou falar de forma enganadora; e poupar energia e não sobrecarregá-la.

A ordem desenvolveu preceitos utilizando os ‘chatbots’ de inteligência artificial Gemini e ChatGPT, informou a Yonhap.

O instrutor Zen Noah Namgoong, do Templo Budista Coreano Jo-Gei da América, na cidade de Nova Iorque, disse que o robô era “uma coisa bastante estranha” que falava mais de “algo socioeconómico do que espiritual”.

O budismo nunca foi uma religião de proselitismo, disse a professora de antropologia Sujung Kim, da Universidade Johns Hopkins, que se concentra no budismo na Ásia Oriental. Mas a introdução de um monge robô pode ser uma estratégia para reforçar o capital social e a presença cultural da religião, especialmente tendo em conta a localização privilegiada do templo no centro de Seul.

O proselitismo refere-se ao acto de converter ou tentar converter pessoas de uma religião, crença ou opinião para outra.

O monge robô, disse Kim, é “uma estratégia de visibilidade de marketing muito singular”.

A Universidade de Quioto, no Japão, apresentou um robô semelhante em Fevereiro, capaz de aprender escrituras e fornecer feedback às pessoas que procuram orientação, segundo a académica. Em contraste, os meios de comunicação sul-coreanos exibiram vídeos de Gabi a acenar com as mãos em vez de se curvar.

Embora as suas capacidades possam ser limitadas, o robô sul-coreano aborda um tema central do budismo: o que significa realmente ser humano?

“A questão é que esta questão transcende a lógica, o raciocínio e a capacidade de pensar”, afirmou Namgoong, o que torna difícil para um robô reflectir realmente sobre ela, dado que “não tem mente”.

Mas, quando se trata da função social de um monge, talvez ele possa ser útil.

“Um monge está aqui basicamente para ajudar outras pessoas a libertarem-se”, disse. “Portanto, se este robô puder ajudar outras pessoas a libertarem-se, pode ser útil”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

China - Futebol da Escola Portuguesa de Macau ganha experiência num Torneio Internacional Juvenil

A Escola Portuguesa de Macau está a participar no Torneio Internacional Juvenil da China, em Zhuhai, destinado a equipas de futebol da Grande Baía e algumas estrangeiras. A formação do território, Sub-18, é a única a nível escolar e terá como adversários dois conjuntos chineses e um da Coreia do Sul. Para um dos treinadores, Luís Moura, o convite “foi uma surpresa” e vai permitir preparar os jovens para o campeonato escolar do próximo ano lectivo


Uma formação de futebol representativa da Escola Portuguesa de Macau (EPM) foi convidada a participar na primeira edição do Torneio Internacional Juvenil “Futuras Estrelas”, que arrancou no Continente, mais concretamente na Academia Desportiva de Zhuhai.

A EPM é a única formação escolar da prova. Os restantes participantes são clubes da Grande Baía, que se dedicam aos escalões etários mais jovens, e ainda três formações da Coreia do Sul. “O convite foi uma surpresa, uma vez que se trata de uma competição que se realiza pela primeira vez”, disse ao Jornal Tribuna de Macau o treinador Luís Moura, que faz dupla com Arlindo Serro.

A base da equipa é o escalão A, de jogadores com idade inferior a 18 anos, que ficou esta temporada em quarto lugar no campeonato promovido pelos Serviços de Educação, mas a comitiva integra ainda alguns elementos do escalão B, com estudantes mais novos, tendo como objectivo “preparar o conjunto para as provas escolares do próximo ano lectivo”, sublinhou Luís Moura.

O “onze” da EPM integra um dos quatro grupos da prova, cabendo-lhe defrontar duas equipas do Continente e uma sul-coreana. Os dois primeiros de cada série seguirão para a fase seguinte, enquanto os restantes farão mais alguns jogos para discutir o troféu de consolação.

“Vamos ter dificuldade em conseguir o apuramento, uma vez que as restantes equipas têm bastante qualidade”, observa o treinador, que considera ser muito importante competir neste nível superior.

O técnico dos jovens estudantes destaca a “disponibilidade” demonstrada pelo director da escola, Acácio de Brito, assim como dos pais, porque “sem a aceitação deles não seria possível a participação”, admite. Acrescenta que “muitos dos alunos têm exames nacionais e por isso teria de haver um esforço da parte de todos, o que aconteceu, para que pudéssemos estar presentes”.

A delegação está instalada na própria Academia de Zhuhai, recinto que dispõe de “condições excelentes”, frisou Luís Moura, para quem o Centro é “de alto nível”, integrando 12 campos relvados e vários serviços de apoio, como ginásios, restaurantes e dormitórios.

O torneio é organizado pelo Grupo Soka de Guangdong, contando com o apoio da Fundação Chinesa para o Desenvolvimento do Futebol e a orientação da Associação Provincial de Futebol da Província de Guangdong, da Escola Técnica Soka de Zhuhai e do Centro Económico e Comercial China-Portugal de Hengqin. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Macau - Mercado português de visitantes foi o que mais cresceu em 2025

A RAEM registou em 2025 um acréscimo de cerca de 14% nos visitantes internacionais, incluindo mais de 14.300 oriundos de Portugal, mercado que teve o maior crescimento anual, ao subir 43,5%. No entanto, a China Continental aumentou o seu peso nas entradas de visitantes, passando a representar 72,4% do total


Os esforços de diversificação dos visitantes em Macau produziram alguns resultados em 2025, com os mercados internacionais a registarem uma subida de 13,7% em termos anuais. Segundo os dados actualizados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), Macau recebeu 2.755.474 visitantes internacionais, o que corresponde a 6,88% do total, uma percentagem que, todavia, ficou aquém dos 6,93% do ano anterior, devido ao crescimento acima da média do mercado da China Continental.

Portugal foi responsável pelo maior aumento entre os visitantes internacionais, embora o seu peso continue a ser quase inexpressivo no contexto geral do turismo de Macau. Ao longo de 2025, o território recebeu 14.331 visitantes de Portugal, número que ilustra um acréscimo homólogo de 43,5% e equivale a 0,04% do total. Desde 2008, quando começaram a ser compilados os registos das origens dos visitantes, o número mais elevado de entradas portuguesas foi atingido em 2017 (16.259).

Os Serviços de Turismo também retiraram dividendos da aposta no Sudeste Asiático, sobretudo junto dos visitantes das Filipinas (540.284), Indonésia (208.043), Malásia (188.977) e Tailândia (185.963), que cresceram 9,5%, 13,6%, 3,9% e 38,1%, respectivamente, face a 2024, compensando a quebra de 1,7% no mercado de Singapura (117.165).

Excluindo a Grande China, a Coreia do Sul foi a principal fonte de visitantes, com 547.638 (+11,3%). A DSEC destaca ainda os casos do Japão (159.455), EUA (162.460) e Índia (114.040), devido aos acréscimos de 26,1%, 9,8% e 9,8%, respectivamente.

No cômputo geral de 2025, o número de entradas de visitantes na RAEM totalizou 40.069.360, mais 14,7% em termos anuais, atingindo um novo recorde absoluto. Os dados incluem 23.524.943 excursionistas (+24,6%) e 16.544.417 turistas (+3,1%) num ano em que o período médio de permanência dos visitantes foi de 1,1 dias, menos 0,1 dias do que em 2024, devido ao reforço da proporção das excursões.

Os visitantes do Interior da China aumentaram 18,5% para 29.017.164, representando 72,4% do total, mais 2,3 pontos percentuais do que em 2024. Este crescimento foi fomentado pelos portadores de visto individual (15.440.699), que subiram 25,7%.

Já os visitantes de Hong Kong (7.300.582) e Taiwan (996.140) aumentaram 1,7% e 19,4%, respectivamente.

Preços dos quartos de hotéis caíram 3,5% em 2025

O preço médio dos quartos de hotéis em Macau desceu 3,5% para cerca de 1353 patacas em 2025, face ao ano anterior, segundo dados da Associação de Hotéis publicados no site dos Serviços de Turismo. Em 2024, os preços tinham subido 3,1% para 1402 patacas. No ano passado, a quebra foi impulsionada pelos quartos de cinco estrelas, cujo preço médio desceu 5% para 1513 patacas, bem como pelas unidades de três estrelas, onde se registou uma diminuição de 2,4% para 936 patacas. Em sentido contrário, os quartos de quatro estrelas encareceram 0,7%, para 1124 patacas. O preço médio tem em conta informações de 48 hotéis, incluindo 27 de cinco estrelas, 14 de quatro estrelas e sete de três estrelas. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Açores - Sul-coreana Innospace escolhe a Região para lançar foguetões

A empresa sul-coreana Innospace selecionou a ilha de Santa Maria, nos Açores, como base para lançar os seus foguetões na Europa. O acordo com o Atlantic Spaceport Consortium é válido até 2030, estando previsto o primeiro voo orbital para o final de 2026, seguido de lançamentos regulares nos anos seguintes a partir do centro de lançamento de Malbusca


“Este contrato está alinhado com a visão do Atlantic Spaceport Consortium para um porto espacial aberto, e somos gratos à Innospace pela confiança depositada”, explicou Bruno Carvalho. “O porto espacial de Malbusca prosperará nos próximos anos e a Innospace certamente liderará o caminho para a órbita, a partir de Santa Maria”, refere o diretor do Atlantic Spaceport Consortium, citado em comunicado.

De acordo com o Eco, com este acordo, a empresa sul-coreana tem acesso prioritário à rampa de lançamento nos Açores (local que se junta ao Brasil e Austrália), o que permite à Innospace operar os seus veículos globalmente. A empresa desenvolveu uma família de foguetões híbrida, o Hanbit, com capacidade de transportar entre 90 a 1300 kg.

“Este acordo representa um marco significativo para a Innospace, pois estabelece o nosso primeiro local de lançamento na Europa, após o Brasil e a Austrália, expandindo a nossa rede global de lançamentos para a região europeia”, destacou Soojong Kim. “Ao conectar locais de lançamento na América do Sul, Oceânia e Europa, construímos uma estrutura global de operações de lançamento que permite aos clientes selecionar, de forma flexível, locais de lançamento e trajetórias orbitais adaptadas aos requisitos de suas missões”, menciona o fundador e CEO da Innospace, em comunicado.

“A decisão da Innospace de realizar lançamentos a partir de Santa Maria é um forte sinal da confiança internacional nas ambições espaciais de Portugal. Este acordo contribui para acelerar o desenvolvimento de serviços de lançamento orbital seguros, sustentáveis ​​e regulamentados a partir dos Açores, criando oportunidades para atividades de elevado valor na região”, explica Ricardo Conde, presidente da Agência Portuguesa Espacial.

Acrescente-se que a ilha de Santa Maria vai acolher o futuro Centro Tecnológico Espacial de Santa Maria (Space Hub Açores).

A referida ilha açoriana foi também o local de aterragem escolhido para o Space Rider (um veículo orbital reutilizável, não tripulado, concebido para missões de curta duração em órbita baixa) cujo voo inaugural está previsto para 2028. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Coreia do Sul - Catarina Sobral premiada em concurso de livro ilustrado

A ilustradora portuguesa Catarina Sobral foi uma das vencedoras do Nami Concours 2026, o concurso internacional de livro ilustrado promovido na ilha de Nami, na Coreia do Sul, anunciou a organização. A artista recebeu o prémio “Purple Island”, um dos quatro atribuídos, pelo trabalho visual do livro “As pessoas são esquisitas”, da autoria de Victor D. O. Santos

© Bruno Colaço

O Nami Concours distingue autores de todo o mundo pelo trabalho visual em álbum ilustrado e foi atribuído pela primeira vez em 2013, no âmbito do Nambook Festival, um festival internacional, bienal, dedicado à ilustração e aos livros para crianças.

As pessoas são esquisitas, editado em Portugal pela Orfeu Negro, apresenta um olhar sobre o mundo e as idiossincrasias dos humanos, a partir da perspetiva de uma criança, admirada pelos modos de vestir e de agir das outras pessoas.

O livro, com direitos vendidos para vários idiomas, incluindo coreano, também foi selecionado pela Biblioteca Internacional da Juventude como uma das melhores obras de literatura para crianças e jovens de 2025.

Esta é a segunda vez que a ilustradora natural de Coimbra recebe um prémio no Nami Concours, depois de ter vencido em 2017 o “Green Island” com o livro A sereia e os gigantes.

Em edições anteriores, esta competição internacional já reconheceu igualmente o trabalho de André Letria (2019) e Yara Kono (2017). Na edição do Nami Concours 2026, o Grande Prémio foi atribuído à autora belga Astrid Verplancke.

Catarina Sobral é uma mais premiadas autoras portuguesas de livro ilustrado, com cerca de duas dezenas de obras publicadas em Portugal e noutros países, como Achimpa, Vazio, Impossível e Toi Toi Toi. Em 2014, venceu o prémio internacional de ilustração da Feira do Livro Infantil de Bolonha (Itália) com o livro O meu avô, e em 2024 venceu o Prémio Nacional de Ilustração pelo livro Fantasmas, Bananas e Avestruzes.

Nascida em Coimbra em 1985, Catarina Sobral também tem produzido espetáculos de teatro para a infância e filmes de animação.

O Nambook Festival e o Nami Concours acontecem na ilha de Nami, surgida com a construção de uma barragem na década de 1940, é considerada um ponto turístico da Coreia do Sul, com espaços verdes e equipamentos pensados sobretudo para os mais novos.

Portugal foi o país convidado do Nambook Festival em 2021, quando celebrou 60 anos de relações diplomáticas com a Coreia do Sul. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 2 de novembro de 2025

Coreia do Sul – Descoberto túmulo do século IV talvez do Reino de Silla

Pela primeira vez, foram encontrados restos mortais de um comandante militar do Reino de Silla (57 a.C.-935 d.C.), juntamente com fragmentos da sua coroa de bronze dourado, armadura e capacete, num avanço significativo no estudo do antigo reino coreano. Os artefactos foram descobertos no primeiro túmulo exterior, datado dos séculos IV e V, sob um túmulo real em Hwangnam-dong, Gyeongju.


A escavação, liderada pelo Serviço de Património da Coreia (KHS) em parceria com a cidade de Gyeongju, desenterrou os artefactos do sítio arqueológico nº 120 de Hwangnam-dong, uma grande câmara tumular de madeira coberta por pedra e terra. Abaixo dele, os arqueólogos confirmaram a existência de um antigo túmulo exterior, onde o esqueleto do comandante foi encontrado juntamente com uma espada longa, marcando presumivelmente o seu estatuto militar de elite.

“Este é um momento raro, mostrando ao público um conjunto completo de armadura de comandante, tanto para homem como para cavalo”, disse o administrador do KHS, Huh Min, numa conferência de imprensa no local.

“É uma oportunidade inestimável para testemunhar uma realidade histórica – até os dentes do comandante foram encontrados”, destacou.

A inauguração está programada para coincidir com a Cimeira de Cooperação Económica Ásia-Pacífico de 2025, e o local do enterro e os artefactos estão abertos ao público.

A câmara principal do túmulo exterior nº 1 de Hwangnam-dong acolhia os restos mortais e as armas do comandante, enquanto uma câmara adjacente continha um esqueleto, provavelmente de um camareiro que serviu de perto o comandante durante a sua vida e foi enterrado ao seu lado num sacrifício de vassalo.

A descoberta incluiu também um raro exemplar de armadura de cavalo – apenas o segundo do género encontrado num túmulo de Silla – oferecendo uma imagem mais clara da cavalaria pesada e da organização militar de Silla no século V.

“Analisando o desgaste dos dentes, estimamos que o comandante tivesse cerca de 30 anos”, disse o investigador Lee Min-hyung, que trabalha com o Instituto de Investigação do Património Cultural de Silla. “Traços de uma figura humana também foram detectados acima da sela do cavalo, embora existam apenas vestígios ténues”, revelou.


O conjunto de armadura fornece informações importantes sobre a hierarquia militar. Os investigadores observaram que a parte inferior da armadura era feita de couro – um design diferente de uma descoberta semelhante de 2009 – reflectindo o estatuto e a funcionalidade.

“Este é apenas o segundo conjunto de armadura de Silla confirmado até agora”, disse um investigador, acrescentando que “os componentes de couro sugerem tentativas de tornar a armadura mais leve, ao mesmo tempo que indicam o estatuto extremamente elevado do utilizador – provavelmente um dos principais comandantes da sua época”.

Significativamente, os fragmentos de coroa de bronze dourado no túmulo podem ser os mais antigos do género já encontrados no período Silla. Os elementos decorativos na coroa assemelham-se aos de Goguryeo (37 a.C.- 668 d.C.), sugerindo intercâmbios culturais ou influência entre os dois reinos.

“Quando escavámos o túmulo de Hwangnamdaechong anteriormente, foram encontrados brincos que se acredita terem sido feitos em Goguryeo no local do enterro da rainha”, disse o investigador Kim Hun-suk, do Instituto Nacional de Investigação do Património Cultural de Gyeongju.

“Agora, padrões semelhantes aparecem nesta coroa, indicando ainda mais a influência de Goguryeo sobre Silla durante o período de construção do túmulo”, apontou.

A descoberta lança uma nova luz sobre a transição das práticas funerárias em Silla, de caixões de madeira para túmulos mais complexos, cobertos de pedra, oferecendo raros insights arqueológicos sobre a elite dominante do início de Silla. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”




terça-feira, 9 de setembro de 2025

Coreia do Sul - Seul vai enviar avião para repatriar mais 300 trabalhadores sul-coreanos detidos nos EUA

A Coreia do Sul vai enviar um Boeing 747-8i da Korean Air aos Estados Unidos para repatriar os mais de 300 trabalhadores sul-coreanos detidos na operação de imigração realizada numa megafábrica da Hyundai na passada sexta-feira

O avião partirá o mais tardar esta quarta-feira do Aeroporto Internacional de Incheon com destino ao aeroporto Hartsfield-Jackson, em Atlanta, Geórgia (EUA), segundo fontes da indústria da aviação citadas ontem pela agência de notícias local Yonhap.

Seul já tinha anunciado que os mais de 300 trabalhadores sul-coreanos detidos após uma grande operação de imigração numa fábrica da Hyundai no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, iriam ser libertados e levados para casa.

As autoridades de imigração dos Estados Unidos anunciaram na sexta-feira que detiveram 475 pessoas, a maioria delas cidadãos sul-coreanos, quando centenas de agentes federais procederam a uma inspeção na fábrica da Hyundai na Geórgia, onde a marca sul-coreana tem uma linha de montagem de veículos eléctricos.

Os agentes concentraram-se numa fábrica ainda em construção, na qual a Hyundai fez uma parceria com a LG Energy Solution para produzir baterias que alimentam veículos eléctricos.

O chefe da diplomacia sul-coreana, Cho Hyun, anunciou no último fim de semana que mais de 300 nacionais da Coreia do Sul tinham sido detidos e que viajaria pessoalmente para os Estados Unidos para tentar acordar com as autoridades norte-americanas uma solução para o caso.

A operação foi a mais recente de uma longa série de inspeções realizadas no quadro da agenda de deportação em massa da Administração do Presidente Donald Trump. Ainda assim, distingue-se pela dimensão e porque o local visado tem sido apresentado como o maior projeto de desenvolvimento económico do estado da Geórgia.

Por outro lado, a operação também surpreendeu Seul, que é uma importante aliada de Washington. Em julho, a Coreia do Sul concordou em comprar aos Estados Unidos 100 mil milhões dólares (85,37 mil milhões de euros) de energia, assim como fazer um investimento em território norte-americano de 350 mil milhões de dólares (298,8 mil milhões de euros) em troca da redução das tarifas alfandegárias decretadas por Trump.

Há cerca de duas semanas, por outro lado, os dois chefes de Estado encontraram pela primeira vez na Casa Branca.

O episódio voltou a colocar em discussão a denúncia constante das empresas sul-coreanas sobre a falta de vistos adequados para enviar técnicos às suas fábricas nos Estados Unidos. A ausência de autorizações de trabalho adequadas levou muitos trabalhadores a viajar com vistos que não lhes permitiam realizar tarefas nas obras em causa, segundo Seul.

Paralelamente, o recente acordo comercial assinado com a administração Trump inclui compromissos de investimento por parte de Seul em áreas-chave como baterias e semicondutores, o que aumenta ainda mais a necessidade deste tipo de pessoal especializado.

O caso gerou um descontentamento geral na Coreia do Sul, que incluiu protestos em Seul. Uma pesquisa da Realmeter publicada na terça-feira mostrou que quase 60% dos cidadãos se declararam profundamente decepcionados com o governo norte-americano do Presidente Donald Trump devido a medidas consideradas excessivas, contra 31%, que disseram entender a medida como uma ação inevitável das autoridades migratórias americanas. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 17 de julho de 2025

Macau - Leva três equipas ao Campeonato Asiático de Hóquei em Patins

O hóquei em patins de Macau vai estar presente em mais uma edição do Campeonato da Ásia, apresentando três selecções, seniores masculinos e femininos e sub-19. A prova arranca no próximo dia 23 na cidade sul-coreana de Jecheon. “As equipas do território vão lutar pela melhor classificação possível, tentando atingir o pódio, podendo até os mais jovens ir um pouco mais além do que o terceiro lugar”, disse ao Jornal Tribuna de Macau o presidente da Associação de Patinagem, António Aguiar


A cidade de Jecheon, na Coreia do Sul, vai acolher mais um Campeonato da Ásia de Hóquei em Patins, onde Macau apresentará três equipas, duas de seniores, homens e mulheres, e ainda uma formação júnior, com jogadores menores de 19 anos. A prova arranca no dia 23 de Julho e irá decorrer durante uma semana, durante a qual as equipas, de todos os escalões, se vão defrontar no sistema de todos-contra-todos, em apenas uma volta.

Na competição rainha, o Asiático de seniores masculinos, estão inscritos sete países ou regiões, com a RAEM a ter pela frente Taiwan, Índia, Japão, Nova Zelândia, República Popular da China e Hong Kong. A presença da RAEHK é a principal novidade e, em sentido inverso, nota-se a ausência da Austrália, segunda classificada, atrás de Taiwan, na última edição da prova, realizada em 2023 no Continente chinês, em Hebei.

“A não participação da formação australiana, que terminou à nossa frente no Asiático anterior, dá-nos um certo alento para podermos conquistar uma melhor classificação”, começou por dizer ao Jornal Tribuna de Macau o treinador.

Nuno Antunes salientou que a Índia é a principal favorita, tendo agora como técnico o italiano Giuseppe Marzella, antigo internacional. “Eles estão muito fortes, têm vindo a evoluir, por isso, penso que são os grandes favoritos ao título”, destacou. De resto, “Taiwan também não será fácil, mas tudo depende da equipa que irão apresentar”, ressalvou.

Quanto ao nível actual da selecção de Macau, o antigo jogador, com vários campeonatos asiáticos conquistados, considera ser “idêntico ao campeonato de há dois anos, mas com a inclusão de alguns juniores que permitirão refrescar a equipa quando for necessário”.

A equipa da RAEM integra alguns elementos com experiência nestas andanças, com destaque para Helder Ricardo, que vive agora em Portugal, mas continua a ser convocado para vir representar a selecção. A seu lado estarão os irmãos Ramos, Augusto e João, e ainda Eduardo Nunes e Lo Wai Wa.

De acordo com o calendário já elaborado, a estreia de Macau será diante de Hong Kong, no dia 23, seguindo-se Nova Zelândia, China, Índia, Japão e Taiwan.

“Quanto ao sector feminino, Macau, orientado por José Sousa, não terá tantas ambições, uma vez que “o sector feminino é um projecto que está ainda numa fase inicial”, segundo revelou António Aguiar. O presidente da Associação de Patinagem considera que “vencer dois ou três jogos já será uma boa prestação e com isso ficar a meio da tabela”.


A selecção feminina abre o campeonato, defrontando o Japão. Nos dias seguintes joga com Austrália, Nova Zelândia, Índia e finalmente diante de Hong Kong no dia 28.

Os sub-19, treinados por Nuno Antunes, têm já alguns elementos com alguma experiência, adquirida em competições anteriores, tendo neste Asiático um “autêntico teste de fogo”, como salienta o técnico.

Também António Aguiar está optimista para o campeonato que os jovens poderão fazer, tendo uma “secreta esperança” de luta pelo título de campeão”. “Não prometemos isso, obviamente, mas enquadra-se dentro dos objectivos que estamos a traçar, pois temos equipa para isso”, frisou.

Este escalão, que cede quatro hoquistas à equipa sénior, portanto com a possibilidade de actuarem em simultâneo no mesmo torneio, com horários diferentes, terá como primeiro adversário, a 24 de Julho, a Nova Zelândia, seguindo-se Índia, Taiwan, China e Austrália.

Em jeito de antevisão, o responsável associativo, que é igualmente membro da “World Skate” e que irá mais cedo do que a delegação de Macau para avaliar as condições do recinto, acredita que as “equipas do território vão lutar pela melhor classificação possível, tentando atingir o pódio, podendo até os mais jovens ir um pouco mais além do que o terceiro lugar”.

As três selecções da RAEM, que têm como treinadora-adjunta Sónia Silva, realizaram recentemente jogos de preparação, recebendo Hong Kong, em partidas efectuadas no Pavilhão do Nordeste da Taipa, local onde têm decorrido também as sessões de treino.

A comitiva para Jecheon integra quase 40 elementos, entre os quais os árbitros Jocelino Costa e Amanda Lameiras, que possuem os níveis 3 e 2, respectivamente. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”




quinta-feira, 5 de junho de 2025

Ásia - Ópera cantonense e dança portuguesa “deslumbram” a Oriente

O Instituto Cultural (IC) apresentou a dança folclórica portuguesa e a ópera cantonense em várias cidades da Ásia Oriental. Segundo o IC, as actuações “deslumbrantes” demonstraram a “essência da coexistência multicultural” de Macau


O Instituto Cultural (IC) foi convidado a participar nas actividades de abertura do programa da “Cidade de Cultura da Ásia Oriental”, sendo que as cerimónias decorreram na RAEM, em Huzhou, Anseong e Kamakura. O IC apresentou actuações de dança folclórica portuguesa e ópera cantonense, no sentido de “apresentar a profunda essência da coexistência multicultural de Macau”, refere uma nota do instituto.

Representantes da Associação de Danças e Cantares Portuguesa “Macau no Coração” apresentaram a dança folclórica portuguesa em Huzhou, um dos itens da Lista do Património Cultural Intangível de Macau, demonstrando “as características de fusão cultural sino-portuguesa de Macau”, com “ritmos alegres e encanto único”.

A Associação de Ópera Cantonense Zhen Hua Sing, por sua vez, “levou o tesouro da arte tradicional de Lingnan”, às cidades de Anseong e de Kamakura. Os artistas Chu Chan Wa e Mok Weng Lam apresentaram a “essência” desta arte tradicional com actuações “deslumbrantes”.

Segundo o IC, os espectáculos proporcionaram ao público “uma festa artística tradicional na sua essência e moderna no seu estilo” e mostraram “a vitalidade em termos de herança cultural e de inovação” de Macau, promovendo intercâmbio e cooperação cultural na região da Ásia Oriental.

A iniciativa reforçou os laços culturais com as cidades que acolheram os espectáculos e mostrou ao mundo “o encanto da cultura chinesa”, no domínio das humanidades e das artes, segundo a nota de imprensa. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 27 de maio de 2025

Angola - Sul coreanos pretendem construir autoestrada intercontinental africana com passagem pelo país

Um projecto para a construção de uma autoestrada intercontinental africana foi apresentado num encontro entre o embaixador de Angola na Coreia do Sul, Sianga Abílio, e o presidente da Korea-African Peace Foundation, Yongwoo Lee



Segundo um comunicado de imprensa que o JA Online teve acesso, o plano inclui um trecho de aproximadamente 1912 km em território angolano, ligando diversas províncias do país até a fronteira com a Namíbia.

Além da infra-estrutura rodoviária, Yongwoo Lee manifestou interesse em financiar um projecto social voltado à criação de um Centro de Acolhimento para Crianças e Formação Educacional, com formação aos níveis básico, médio, superior e técnico-profissional.

De acordo com o responsável da fundação sul-coreana, esse modelo já foi implementado com sucesso na Etiópia em 2024.

O embaixador Sianga Abílio mostrou-se receptivo às propostas e garantiu que serão encaminhadas às autoridades competentes, em especial ao Ministério das Relações Exteriores (MIREX), para avaliação e possíveis desenvolvimentos futuros. In “Jornal de Angola” - Angola


terça-feira, 1 de abril de 2025

Ásia - Tóquio, Seul e Pequim aceleram acordo de comércio livre

O Japão, Coreia do Sul e China anunciaram que pretendem reforçar a cooperação e proporcionar um “ambiente previsível” às empresas e “acelerar” as negociações sobre um acordo de comércio livre, que responda às incertezas provocadas pelos EUA



Os ministros da Indústria e do Comércio dos três países realizaram uma reunião de emergência em Seul, destinada a acertar políticas de resposta à aceleração dos aumentos tarifários impostos por Washington – uma reunião tripartida de emergência e a primeira neste formato desde 2020.

O ministro sul-coreano da Indústria, Ahn Duk-geun, o seu homólogo japonês, Yoji Muto, e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, concordaram em “prosseguir as discussões com vista a acelerar as negociações para um acordo de comércio livre trilateral abrangente” e “justo”, de acordo com uma declaração conjunta.

As discussões sobre esse acordo começaram em 2013 e continuaram até 2019, altura em que estagnaram. Foram relançadas em 2024, numa cimeira tripartida especial, que reuniu os líderes dos três países em Seul.

Por enquanto, “continuaremos a trabalhar para garantir condições de concorrência equitativas a nível mundial, a fim de promover um ambiente comercial e de investimento previsível, livre, aberto, justo, não discriminatório, transparente e inclusivo”, acrescenta a declaração conjunta.

Para os três países, o objetivo é “intensificar gradualmente a sua cooperação”, a fim de “criar um ambiente comercial previsível, estabilizar as cadeias de abastecimento e melhorar a comunicação sobre os controlos das exportações”, insistiu Seul numa declaração separada.

De uma forma mais geral, Seul, Pequim e Tóquio concordaram em “trabalhar em estreita colaboração” para promover a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e incentivar novos membros a aderir à vasta Parceria Económica Regional Abrangente (RCEP), que reúne a China e 14 países asiáticos. Entre eles, a China, o Japão e a Coreia do Sul representam cerca de 20% da população mundial, um quarto da economia mundial e 20% do comércio global.

A reunião tripartida surge após a imposição por parte da Administração norte-americana de Donald Trump, em meados de março, de direitos aduaneiros de 25% sobre o aço e o alumínio, poucos dias antes da imposição, a partir de 02 de abril, de sobretaxas aduaneiras de 25% sobre os automóveis importados pelos Estados Unidos.

O Japão e a Coreia do Sul representam, respetivamente, 16% e 15% do total das importações de automóveis dos Estados Unidos, um setor importante para as respetivas economias nacionais. A China, por seu lado, enfrenta uma sobretaxa aduaneira total de 20% sobre todas as suas exportações para os Estados Unidos. Há ainda o espectro dos direitos aduaneiros “recíprocos”, que Washington também ameaça impor a partir da próxima semana. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


domingo, 16 de fevereiro de 2025

Coreia do Sul - Porta-contentores Hyundai movido a energia nuclear transporta até 15 000 contentores

É um gigante do mar, tem uma capacidade para 15 mil contentores e será lançado ao mar pela mão da Hyundai. A característica que faz toda a diferença é o "combustível" que faz mexer este navio: energia nuclear



A HD Korea Shipbuilding & Offshore Engineering (HD KSOE), uma subsidiária intermédia do sector da construção naval da HD Hyundai, apresentou um modelo de navio porta-contentores alimentado pela tecnologia Small Modular Reator (SMR).

Esta inovação promete revolucionar o mercado dos transportes marítimos.

Aprovação preliminar e lançamento oficial

O projeto deste navio porta-contentores de 15.000 TEU recebeu a Approval in Principle, em português Aprovação em Princípio (AIP) do American Bureau of Shipping (ABS), um organismo conhecido pelas suas rigorosas certificações marítimas.

Esta aprovação é um aval inicial para que o projeto prossiga para as fases seguintes de desenvolvimento e certificação final.

A apresentação oficial do modelo teve lugar na New Nuclear for Maritime Houston Summit, realizada no Asia Society Texas Center, em Houston, EUA.

No evento, a empresa destacou as vantagens desta tecnologia em termos de eficiência económica, desempenho e segurança, posicionando-se como uma referência no sector naval rumo à neutralidade carbónica.

Inovações tecnológicas e vantagens de design

Ao contrário dos navios convencionais, este novo modelo SMR de propulsão nuclear não necessita de sistemas de escape nem de tanques de combustível fóssil.

Esta alteração permite otimizar o espaço de maquinaria dos motores tradicionais, aumentando assim a capacidade de carga, o que se traduz numa maior eficiência logística e rentabilidade.

Para garantir a segurança contra possíveis fugas radioativas, foi implementado um sistema de blindagem com um tanque duplo de aço inoxidável e água leve. Esta tecnologia acrescenta uma camada extra de proteção, minimizando os riscos associados à utilização de reatores nucleares em ambientes marítimos.

Além disso, a HD KSOE, em colaboração com a empresa global de tecnologia energética Baker Hughes, incorporou um sistema de propulsão supercrítico à base de dióxido de carbono, que aumenta a eficiência térmica em cerca de 5% em relação aos sistemas de vapor tradicionais.

Esta inovação está em conformidade com os princípios da eficiência energética e da sustentabilidade, essenciais no atual contexto de transição ecológica.

Rumo à comercialização da tecnologia nuclear marinha

A fim de avançar para a aplicação comercial desta tecnologia, a HD KSOE criará uma instalação de demonstração nuclear marinha no seu Centro de Ensaios de Tecnologias Futuras, na Coreia do Sul. Esta instalação permitirá verificar a segurança e o desempenho dos projetos antes da sua instalação em navios operacionais.

Patrick Ryan, Diretor de Tecnologia da ABS, sublinhou que os navios movidos a energia nuclear podem marcar um ponto de viragem no mercado naval, especialmente numa altura em que a neutralidade de carbono se tornou uma prioridade global.

Park Sangmin, chefe do Laboratório de Investigação de Energia Verde da HD KSOE, afirmou que a empresa está a reforçar a sua colaboração com os organismos reguladores internacionais e as sociedades de classificação para estabelecer as bases regulamentares que facilitem a comercialização destes navios. O seu plano estratégico prevê o desenvolvimento de um modelo de negócio de propulsão nuclear marítima até 2030.

Os pequenos reatores de energia nuclear modulares (SMR) são uma alternativa aos combustíveis fósseis tradicionais.

A sua capacidade de funcionar continuamente durante longos períodos sem reabastecimento oferece uma alternativa viável para rotas transoceânicas de longa distância, reduzindo a dependência dos combustíveis convencionais e eliminando as emissões diretas de gases com efeito de estufa. In “Pplware” - Portugal


sexta-feira, 26 de julho de 2024

Macau - Iniciantes representaram quase 50% dos alunos no Curso de Verão da Universidade de Macau

Termina hoje mais uma edição dos cursos de Verão de língua portuguesa organizados há 38 anos pela Universidade de Macau. O programa deste ano contou com 343 alunos, divididos por 17 turmas. Mais cerca de 60 estudantes do que em 2023. A maior parte veio do Interior da China, mas igualmente de países como Vietname e Coreia do Sul, para além de 43 de Macau. A grande novidade deste ano foi a presença de 160 jovens que se inscreveram no nível básico e de iniciação, representando quase metade do total. Várias actividades à margem foram organizadas pela UM, não faltando a dança e a gastronomia


Ao longo de 18 dias, 343 alunos participaram no 38º Curso de Verão promovido pelo Departamento de Português da Universidade de Macau (UM), “que foi um sucesso, tal como tem acontecido ao longo do trajecto desta iniciativa”, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau um dos coordenadores, o professor Vítor Silva. Houve um aumento de cerca de 60 estudantes em relação a 2023.

O curso, que encerrou as inscrições ao fim de duas semanas, ao contrário de um mês, como estava previsto, voltou a chamar a atenção de muitos jovens interessados em aprender, aperfeiçoar e desenvolver a língua de Camões, com uma grande maioria de participação de alunos do Interior da China, que totalizaram 289. De Macau inscreveram-se 43, de Hong Kong quatro, da Coreia do Sul seis e do Vietname apenas um.

Os estudantes foram divididos em níveis consoante o seu perfil linguístico, ou seja, desde o básico, até ao avançado, passando pelo elementar e intermédio. No total, foram constituídas 17 turmas de cerca de 20 alunos, oito das quais incluíram estudantes do grau mais básico (A1), o que constituiu uma das principais novidades do programa deste ano. Oito das turmas integraram jovens de “iniciação completa” e do nível básico normal, o que representa um universo de 160 alunos, o que não aconteceu nos últimos anos. Este tipo de estudantes representou, assim, cerca de 47% do total de alunos participantes na iniciativa.

“Apareceram-nos muitos alunos que têm um perfil bastante diferente, como alguns que estudam outras línguas, por exemplo alunos de Chengdu, que estão a tirar francês, mas vieram aprender português pela primeira vez durante o Verão, ou espanhol também”, salienta Vítor Silva, acrescentando que “há pessoas que não têm nada a ver com línguas e que este ano decidiram vir para este curso, o que aumentou bastante este tipo de perfil de estudante que vem para a iniciação”.

No grau de elementar o curso contou com cinco turmas, no intermédio três e no avançado uma. De referir que, ao inscreverem-se, os candidatos têm de fazer um teste para determinar o nível que melhor se adequa ao seu perfil linguístico.

O coordenador do curso, juntamente com o professor Pedro Zhang Jianbo, diz que o grande objectivo deste tipo de iniciativa dedicada ao ensino da língua portuguesa é “atrair os estudantes à instituição”, o que já tem acontecido.

“Temos jovens que estiveram aqui a fazer o curso durante pouco mais de duas semanas e que depois entram para licenciatura, que começa já no dia 19 de Agosto”, confirma, acrescentando que “há igualmente alunos que repetem estes cursos de Verão e até professores, como duas de mandarim, no nível avançado que aqui se deslocam para aperfeiçoamento”.

Sobre a importância deste Curso de Verão da UM, o académico reconhece: “Tem já bastante relevância dentro da instituição e ganhou carinho mesmo pela parte das chefias e, por isso, creio que haverá todo o interesse em continuar e em aumentar estes números que temos vindo a alcançar”.

18 docentes leccionaram nos diferentes níveis

Para além das centenas de alunos, que atingiram um recorde depois da pandemia (antes cerca de meio milhar participaram na iniciativa), o curso de Verão 2024 contou com a presença de 18 professores, 12 de língua materna portuguesa e os restantes de língua materna chinesa, mas são bilingues, “alguns que já tinham estado em Macau e regressaram para dar estas aulas, porque há uma ligação que permanece e que, por isso, eu considero que eles têm sido inexcedíveis”, destaca Vítor Silva.

As aulas dos cursos A1 e A2 realizaram-se entre as 9h00 e as 13h00, no total de 60 horas lectivas. Nos cursos intermédio (B1 e B2) e avançado (nível C), decorreram entre as 10h00 e as 13h00, totalizando 45 horas. Os participantes dispuseram também de uma oferta de cursos temáticos.

Outra das características do programa é que os cursos de língua podem ser complementados por 15 horas de estudo autónomo, orientado pelos professores. Além do desenvolvimento das competências receptivas e produtivas, escritas e orais, os cursos incluem sessões dedicadas a questões da gramática, do vocabulário e a outros aspectos específicos de cada nível e relevantes para os estudantes. A oferta temática incluiu literatura, história, relações internacionais, tradução e tópicos de várias áreas sobre os países de língua portuguesa.

“Clubes” dedicados a várias actividades

Nas actividades extra-curso propriamente dito, realizadas ao final da tarde, os estudantes puderam participar nos “clubes” dedicados a várias expressões artísticas associadas aos países de língua portuguesa, como dança folclórica e capoeira, música, poesia, linguagem cinética, gastronomia e enologia. Neste último caso, o monitor foi Luís Herédia que falou do vinho na cultura portuguesa.

Os alunos visitaram igualmente a exposição de Vítor Marreiros com cartazes comemorativos do Dia de Portugal, assistiram a um concerto e degustaram comida portuguesa no Restaurante da Torre de Macau Tromba Rija. “Tiveram assim um importante contacto com a gastronomia portuguesa”, frisa o coordenador.

Em jeito de conclusão da entrevista concedida ao JTM, Vítor Silva fez o ponto da situação do ensino da língua portuguesa em Macau. “Claro que há ainda muito a fazer e a melhorar, aliás, como diria Camões, se mais mundo houver é lá chegar”. O coordenador considera que tem havido sempre um incentivo por parte do Governo para que o português continue a ser usado nos diferentes organismos.

“A nível de ensino, penso que as instituições, e não falaria só pela Universidade de Macau, tem conseguido chamar um grande número de alunos, tanto em Macau como na China continental e até na Ásia”. Aí, o responsável destaca o Vietname, país onde abriu um departamento de português, há 20 anos, com 20 alunos. “Na minha última visita, há 10 anos, já tinha 400 estudantes, o que é significativo”, atesta. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”