Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 25 de outubro de 2025

Macau - “PortugalFoods” de olho no mercado online chinês

A “PortugalFoods assinou um acordo com a “Tmall” para ter “uma forte presença portuguesa” numa das maiores plataformas de comércio electrónico da China, revelou a directora executiva da associação do sector agro-alimentar. Deolinda Silva considerou “muitíssimo interessante” o protocolo de cooperação assinado durante a 2ª Exposição Económica e Comercial China–Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), em Macau.


“O nosso objectivo é começarmos a trabalhar realmente na constituição de – eu não digo uma loja – uma forte presença portuguesa nesta plataforma”, explicou. “Não é fácil, mas eles estão ali prontos para nos ajudar, e nós também já vamos cada vez mais adquirindo mais conhecimento sobre o desafio que nos espera”, admitiu.

A cooperação arrancou com uma apresentação dos produtos de associados da “PortugalFoods” junto de empresas chinesas “das mais variadas categorias”, revelou. A associação trouxe produtos de 12 companhias à C-PLPEX, mas conta com mais de 200 associados entre empresas, entidades do sistema científico e da fileira agro-alimentar e outras actividades conexas.

A apresentação faz parte de uma estratégia da “Tmall” para promover os produtos agro-alimentares portugueses “de uma forma agregada, para se ganhar alguma dimensão”, referiu Deolinda Silva. “O trabalho que tem de ser feito junto destes parceiros chineses é imenso, porque praticamente não existe uma presença de produtos portugueses”, lamentou.

O primeiro contacto com a “Tmall” aconteceu durante a edição de 2024 do “FHC Shanghai Global Food Trade Show”. A “PortugalFoods” voltará a participar nesta feira, entre 12 e 14 de Novembro, para “percepcionar melhor o potencial que existe para criar parcerias” para encontrar futuros compradores, referiu a directora executiva.

A China “é um mercado com um potencial brutal, mas que deve ser trabalhado de forma faseada e por regiões”, disse Silva, apontando o sul da China como prioridade.

Segundo a “PortugalFoods”, as exportações agro-alimentares portuguesas atingiram 10 mil milhões de euros em 2024, um crescimento anual de 8,5%. A associação antecipa novo crescimento em 2025, embora mais modesto.

Empresa de Fafe quer exportar pudins para a China

Por sua vez, uma empresa de Fafe está a investir em robots para conseguir produzir, por ano, um milhão de pudins inspirados no pudim abade de priscos e começar a exportar para a China. O criador do Pudim da TV, Paulo Fernandes, anunciou que, até ao final do ano, a fábrica da empresa no distrito de Braga terá quatro robots a operar, atingindo assim a capacidade para produzir um milhão de pudins por ano.

A unidade fabril, criada há dois anos e meio, já fornece sobremesas a mais de 400 restaurantes em Portugal e exporta para nove países na Europa e América do Sul, disse Fernandes no segundo dia da C-PLPEX, que está a decorrer em simultâneo com a 30ª Feira Internacional de Macau.

Fernandes trouxe o Pudim da TV ao território “acima de tudo para tentar perceber como é que é o palato daqui dos chineses, se o pudim é bem aceite ou se nós temos que fazer alguma afinação ao sabor”.

A empresa, cujo volume de negócios atinge “umas centenas de milhares de euros”, pretende também “arranjar parceiros” para fazer a distribuição do pudim e repetir “o crescimento exponencial” do pastel de nata no estrangeiro.

Paulo Fernandes disse estar a analisar a possibilidade de aderir a um programa do Governo de Macau, que irá entrar em vigor em Novembro, para ajudar empresas estrangeiras a internacionalizar-se a partir da RAEM. O chef revelou que tinha reuniões marcadas com potenciais parceiros. Dependendo do interesse, Macau pode ser a “porta de entrada” do Pudim da TV para mercados como Hong Kong e a China continental. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Moçambique - Gás natural lidera exportações e gera receitas recorde

O gás natural tornou-se o principal produto de exportação de Moçambique no primeiro trimestre de 2025, superando o carvão mineral. As exportações de gás totalizaram 567,7 milhões de dólares, um crescimento homólogo de 28%, impulsionado pelo aumento do volume exportado na área 4 da bacia do Rovuma e pela valorização de 12,8% no preço médio internacional.




Em sentido oposto, segundo a agência Lusa, o carvão registou uma queda de 35%, totalizando 300,8 milhões de dólares, devido a paralisações em minas, interrupções na linha férrea causadas por intempéries e instabilidade social relacionada com o período eleitoral. Além disso, o preço médio do carvão caiu 6%.

O alumínio também ultrapassou o carvão, com exportações no valor de 380,7 milhões de dólares, representando um crescimento de 88,3% face ao ano anterior, alavancado pelo aumento de 45% no volume exportado e de 14% nos preços.

O Estado arrecadou até Junho 210 milhões de dólares em receitas provenientes da exploração de petróleo e gás natural, mais do que em todo o ano de 2024. Os valores, canalizados para o Fundo Soberano de Moçambique, incluem montantes referentes a exercícios passados e ao primeiro semestre de 2025. In “O País” – Moçambique com “Lusa”


segunda-feira, 14 de julho de 2025

Sacanagem e chantagem de Trump contra o Brasil

Você já leu, ouviu ou viu na tv, Trump criou um imposto de 50% para os produtos brasileiros exportados para os americanos, ou seja, o preço desses produtos nos EUA vai custar ainda mais da metade do que custava, isto é, o que custava 10 dólares vai custar 15, o que custava 20 custará 30 e daí por diante

Nos EUA, isso vai atingir em cheio, principalmente o café da manhã, o suco de laranja, a carne e os produtos agrícolas. Mas existem as exportações de petróleo, de ferro, celulose, aço e mesmo de aviões. Para o agronegócio brasileiro vai ser um choque a partir de agosto e essa imposição absurda, antes era da ordem de 10% vai provocar desemprego nessas áreas e perdas entre os empresários nacionais.

Ou seja, muitos imigrantes brasileiros expulsos pela polícia de Trump, não encontrarão emprego nem no Brasil, exceto se os exportadores encontrarem rapidamente países compradores dos produtos brasileiros. Resumindo, vai haver uma crise.

Até agora não existia nenhum problema com os EUA e os Estados Unidos ganham ao comerciar com o Brasil, pois vendem mais do que compram.

Então porque Trump decidiu tratar o Brasil como um inimigo? Por que essa sacanagem? Porque o babaca do filho do Bolsonaro, Eduardo, faz nos EUA, junto com mais três bandidos – o Alan dos Santos, Paulo Figueiredo neto do antigo ditador, e Rodrigo Constantino, uma campanha contra o Brasil, com a finalidade de evitar o processo e a prisão de Bolsonaro com sua anistia.

E acabaram convencendo o Trump de que existe no Brasil uma ditadura perseguindo o coitado do Bolsonaro.

Trump enviou uma carta desrespeitosa a Lula, praticamente exigindo com o tarifaço, a anulação do processo contra Bolsonaro.

E você, o que acha?

Os chamados patriotas estão comemorando essa intromissão do gringo Trump na Justiça brasileira, os líderes bolsonaristas na Câmara e Senado babam de alegria, mais um pouco baixando mastro nossa bandeira verde amarela, que usam como trapo para enrolar no corpo, e hasteiam a bandeira norte-americana.

Até o governador de São Paulo, Estado que mais vai sofrer com o tarifaço, evita criticar Trump mas coloca a culpa em Lula. Uma atitude tão rasteira que o crítico do Uol qualificou de preferir ser vassalo do Trump. Tarcísio que será candidato a presidente, já deu a nota – se fosse eleito, vai ser vassalo obediente ao Trump.

O que você acha disso?

Essa gente que vive de verde e amarelo agora aplaude uma espécie de invasão, uma ameaça às nossas instituições judiciárias, um ataque à nossa economia com o tarifaço? Um ataque à nossa soberania?  Não acha que nos envergonham, que são uns traidores e entreguistas? Uns canalhas que não querem taxar os ricos e apoiam a taxação do Brasil pelos EUA que irá repercutir na vida da população trabalhadora brasileira!

O que acha do Tarcísio e desses evangélicos que continuam achando ser Trump o enviado de Deus! Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

China e Brasil são países que pensam da “mesma maneira”, afirma Presidente chinês

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que China e Brasil são “bons amigos que pensam da mesma maneira”, numa mensagem enviada ao homólogo brasileiro, Lula da Silva, por ocasião do 50.º aniversário das relações diplomáticas.


Citado pela agência noticiosa oficial Xinhua, Xi disse que China e Brasil são “ambos importantes países em desenvolvimento e mercados emergentes fundamentais”, bem como “bons amigos que pensam da mesma maneira” e devem tomar o aniversário “como um novo ponto de partida” para reforçar os laços.

Na sua mensagem de felicitações, Lula referiu que as relações entre Brasil e China “são cada vez mais importantes para a construção de uma ordem multipolar, bem como uma governação global mais justa e eficaz”. “As relações entre Brasil e China desempenham um papel importante no apoio à estabilidade e à previsibilidade dos dois países e do mundo”, afirmou Lula, também citado pela agência noticiosa Xinhua.

De acordo com dados oficiais, a China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2008, e os dois países têm mantido relações estreitas impulsionadas pelo bloco de economias emergentes BRICS – fundado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – que desde 2009 defende uma maior representação dos países em desenvolvimento nas organizações internacionais.

O mercado chinês foi o destino de 30 por cento das exportações brasileiras em 2023, quando as vendas para o país asiático totalizaram 104 mil milhões de dólares, constituídas maioritariamente por produtos alimentares e matérias-primas. A China mantém investimentos no Brasil de cerca de 40 mil milhões de dólares. In “Hoje Macau” – Macau com “Xinhua”


quinta-feira, 25 de julho de 2024

Comércio Internacional de mercadorias de Portugal com a China (2022-2023 e Janeiro-Maio 2023-2024)

Ao longo do último quinquénio, o ritmo de evolução anual do valor das importações portuguesas com origem na China (2019=100) foi sustentadamente crescente, atingindo em 2022 um crescimento significativo face a 2019 (188,8%), tendo desacelerado em 2023 (176,8%).

Por sua vez o ritmo das exportações portuguesas com este destino, à excepção do ano 2020 (94,3%), manteve-se até 2022 ligeiramente acima do nível de 2019, tendo registado um acréscimo significativo em 2023 (127,8%). Walter Marques – Portugal in “ECOPOR”


Aceda ao artigo completo em ECOPOR – Economia Portuguesa.


segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Brasil - Exportações para a China são as mais altas de todos os tempos, ultrapassando US$ 100 mil milhões

As exportações brasileiras para a China ultrapassaram pela primeira vez os 100 mil milhões de dólares em 2023, enquanto o excedente comercial do Brasil atingiu um recorde de 51,1 mil milhões de dólares.


O valor equivalia a mais da metade do superavit comercial total brasileiro em 2023, que também atingiu a marca histórica de US$ 98,8 mil milhões, segundo estatísticas oficiais da Secretaria de Comércio Exterior do Brasil (Secex/Mdic).

O excedente comercial China-Brasil no ano passado excedeu em muito o saldo de 28,68 mil milhões de dólares em 2022. Em 2024, a China deverá continuar a ser o principal parceiro comercial do Brasil, apontam os especialistas.

O crescimento do superavit com os chineses resultou do aumento das exportações para o país asiático, mas também da queda das importações brasileiras.

As remessas para a China cresceram 16,6% em 2023 face ao ano anterior e totalizaram 104,31 mil milhões de dólares, segundo dados da Secex/Mdic.

O desempenho ficou bem acima da alta de 1,7% do total das vendas externas brasileiras. Com isso, a participação da China nas exportações do país sul-americano aumentou de 26,8% em 2022 para 30,7% no ano passado. In “China-Lusophone Brief” - Macau


terça-feira, 29 de agosto de 2023

Brasil - Novo estudo da Apex aponta Portugal como “maior destino das exportações” brasileiras no cenário da CPLP

Os países da CPLP apresentam mais de 1400 oportunidades para as exportações brasileiras, segundo estudo


A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) lançou o Perfil CPLP, um estudo que traz análises e informações sobre comércio, questões de acesso a mercado e investimentos entre os países que fazem parte desta Comunidade. O anúncio foi feito durante a XIV Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que teve lugar no último dia 27 de agosto, em São Tomé e Príncipe.

A seguir a publicação dos perfis bloco Mercosul, União Europeia e BRICS, a Inteligência da ApexBrasil lançou esta semana o Perfil CPLP, com informações sobre o cenário do comércio internacional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e os seus nove países-membros.

Comércio exterior

O estudo aponta que entre os desafios a serem superados na relação comercial entre os países da CPLP está a questão da logística para possibilitar “maior circulação de produtos e pessoas”. Outro desafio identificado é a “promoção de uma maior integração de negócios entre os diversos países e ainda a possibilidade da criação de um banco de fomento”.

Hoje, a CPLP é o 14° principal destino das exportações brasileiras, e os dados mostram que “há espaço para crescimento”. O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou 1451 oportunidades comerciais para empresas brasileiras nos países-membros da Comunidade, com destaque para óleos brutos de petróleo, tubos de ferro ou aço, produtos laminados, produtos alimentícios e máquinas e equipamentos de transporte.

Exportações brasileiras

As exportações do Brasil para a CPLP ainda concentram-se em bens de menor valor agregado. Óleos brutos de petróleo, soja e milho não moído representam 62% das exportações. Outros produtos com destaque são laminados de ferro ou aço, açúcares, carnes de aves e preparações de carne, que contam com exportações acima de US 100 milhões.

Entre os parceiros comerciais do Brasil na CPLP, Portugal aparece destacadamente como o maior destino das exportações, com participação de 84,3% em 2022, expressivamente maior que o segundo destino, Angola, com 12,6%.

Segundo o Perfil, o comércio brasileiro com a CPLP mostra tendência de crescimento. Entre 2018 e 2022, as exportações brasileiras para os países da Comunidade apresentaram um crescimento médio anual de 26,6%. Para o biénio 2022-2024, é esperado crescimento médio anual de 3,6%.

Importações de países da CPLP

As importações brasileiras provenientes da CPLP também são relativamente concentradas: os cinco principais grupos de produtos representam cerca de 75% da pauta, com destaque para Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus (28,8%), Gorduras e óleos vegetais, “soft”, bruto, refinado ou fracionado (17,8%), no segmento de commodities, e no segmento de produtos com maior valor agregado: aeronaves e outros equipamentos, incluindo as suas partes (7,1%), e Bebidas alcoólicas (3,7%).

Em 2022, Portugal foi também a maior origem das importações brasileiras, com participação de 56,3%. Entre os principais produtos estão azeite de oliva e partes e peças de aeronaves, sendo estes últimos devido à operação de subsidiária da Embraer naquele país. Após Portugal, Angola segue como a segunda maior origem de importações, com 43,6%, com, basicamente, Óleos brutos de petróleo.

Entre os principais fornecedores para o mercado brasileiro, os Estados Unidos concorrem com os países da CPLP em Óleos brutos e Óleos combustíveis de petróleo.

Acesso a mercados

Segundo informações de entidades ligadas ao governo do Brasil, “não existe acordo de comércio entre todos os membros da CPLP. Da mesma forma, nenhum dos países da CPLP possui acordo comercial com o Brasil. No entanto, Mercosul e União Europeia concluíram, em 2020, as negociações para a criação de uma área de livre comércio. Atualmente, os textos do acordo estão em fase de revisão jurídica para posterior assinatura e processo de internalização”.

Entre os grupos de produtos mais protegidos, destacam-se alíquotas incidentes nos grupos “bebidas e tabaco” com tarifas variando entre 15,8% e 56,6%, considerando cinco dos noves países analisados. O grupo “vestuário” aparece como um dos mais protegidos em quatro dos nove países analisados, com variação tarifária entre 20% e 35%. Dentre os países da CPLP, Timor-Leste é o que possui menor tarifa simples NMF, média de 2,5%.

Em termos comparativos, a CPLP, como um conjunto, ocuparia a 18ª posição no ranking de stock de investimento estrangeiro direto (IED) no Brasil em 2021.Entre 2012 e 2015, o stock de IED da CPLP no Brasil teve uma redução, voltando a crescer a partir de 2016. Em 2021, alcançou US 11,9 mil milhões, impulsionado pelo crescimento do stock de IED português no país.

Pela ótica do número de empresas que operam no Brasil, houve um aumento significativo da quantidade de empresas portuguesas entre 2010 e 2020, com redução do número de empresas angolanas. Além destes, entre os membros da CPLP, apenas Cabo Verde tem empresa operando no Brasil. No total, o número de empresas de países da CPLP que atuavam no país em 2020 era de 796.

Na perspectiva dos investimentos greenfield anunciados, destacam-se os vários investimentos da EDP (Portugal) no Brasil entre os quais a fábrica de hidrogênio verde em São Gonçalo do Amarante-CE (2022), e a abertura do Data Center da Angola Cables em Fortaleza-CE, em 2023.

Quanto aos investimentos do Brasil em países da CPLP, o stock de IED brasileiro cresceu 38% entre 2020 e 2021, registando US 6,97 mil milhões em 2021, distribuídos entre Portugal (US 5,6 mil milhões), Angola (US 1,2 mil milhões), Moçambique (US 68,4 milhões) e Guiné Equatorial (US 39,5 milhões).

Em termos comparativos, o conjunto dos países da CPLP ficaria na 13ª posição no ranking de destino do stock de IED brasileiro em 2021. Essa posição já chegou a ser a décima entre 2012 e 2013.

Na perspectiva dos investimentos greenfield anunciados, destacam-se o anúncio da fábrica de motores elétricos da WEG em Santo Tirso, Portugal, estimada em US 27 milhões em 2022; a abertura da sede regional da TV Miramar (Record) em Maputo, Moçambique em 2023, estimada em US 65 milhões, e a sede regional da Transdata em Luanda, Angola em 2023, estimada em US 27 milhões.

“Os estudos Perfil País oferecem visão panorâmica e análises sucintas sobre os principais mercados mundiais, permitindo às empresas brasileiras rápido acesso aos aspetos mais relevantes para comércio e investimentos. Estão disponíveis informações como oportunidades para negócios brasileiros no país, macroeconomia, balança comercial, principais concorrentes e fornecedores, governança, investimentos e acordos em comércio internacional, entre outras”, informou a ApexBrasil.

Aposta da FUNCEX Europa

Em maio deste ano, a nossa reportagem revelou que o espaço económico da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai contar com o maior banco de dados de comércio exterior alguma vez já produzido. Foi o que assegurou, na altura, Higor Ferro Esteves, diretor geral da FUNCEX Europa, entidade localizada em Portugal, e que serve de base de atuação, no velho continente e na África, da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior – FUNCEX, com sede no Brasil. Nelma Fernandes, presidente da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), é uma das impulsionadoras desta solução que promete dar “maior qualidade” às conexões comerciais das nações lusófonas.

O projeto foi anunciado no último dia 24 de abril em Lisboa, durante um evento que discutiu as “Relações Comerciais – Brasil – CPLP” e que foi organizado pela FUNCEX, em parceria com a CE-CPLP e o banco português Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Torres Vedras. Esta iniciativa decorreu no âmbito da Cimeira Luso-Brasileira e teve como intuito “fortalecer as relações comerciais e de cooperação entre o Brasil e a CPLP”.

Segundo apurámos, o banco de dados vai surgir fruto de um protocolo assinado entre a FUNCEX e a CPLP e vai possibilitar cruzar os dados comerciais dos nove países aderentes à CPLP. A ideia é fomentar o comércio dos Estados-membro da CPLP entre si e com outros países.

António Pinheiro, presidente da FUNCEX, disse que a parceria com a Confederação Empresarial da Comunidade de Países de Língua Portuguesa é “fundamental” no processo de internacionalização da Fundação que preside e que um dos objetivos da entidade é “estabelecer conexões ainda mais profundas com a CPLP, tendo como parceira fundamental a CE-CPLP, uma organização fundada em Lisboa em 2004 e que visa incentivar a cooperação económica entre os Estados-membros com foco nos seis espaços económicos onde estão inseridos”.

Entenda a CPLP

A CPLP destaca-se por ser um foro multilateral de cooperação entre os países de língua portuguesa, integrado por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Portugal e Timor-Leste. Criado em 1996, o grupo procura “fomentar a concertação política entre os seus membros, a cooperação em todos os domínios e a difusão da língua portuguesa”.

O ponto de partida para a formação da CPLP foi a língua portuguesa e o seu significado como herança cultural partilhada. A partir destes laços culturais, os países membros articularam crescente cooperação multitemática, na qual as questões económicas ganham crescente importância. In “Mundo Lusíada” - Brasil


terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Macau - Importações de mercadorias produzidas em países de língua portuguesa cresceram 65,1% em Janeiro

O valor importado para Macau de mercadorias produzidas nos países de língua portuguesa foi, em Janeiro, 125 milhões de patacas, ou seja, mais 65,1% do que em Janeiro do ano passado. A informação foi divulgada ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

As estatísticas do mês de Janeiro de 2023 mostram que foram exportadas 899 milhões de patacas de mercadorias, menos 37,2%, face ao idêntico mês de 2022. O valor da exportação doméstica (89 milhões de patacas) diminuiu 55,4%. A DSEC destaca que o valor da exportação doméstica de vestuário e o de produtos farmacêuticos e produtos químicos orgânicos caiu 79,8% e 50,3%, respectivamente. No mês em análise importaram-se 10,45 mil milhões de patacas de mercadorias, ou seja, menos 24,7%, em termos anuais. Realça-se que os valores importados de: telemóveis; joalharia em ouro, bem como produtos de beleza, de maquilhagem e de cuidados da pele diminuíram 56,8%, 37,1% e 32,8%, respectivamente. Todavia, os valores importados de componentes electrónicos e de alimentos e bebidas aumentaram 102,1% e 2,5%, respectivamente.

Os valores exportados de mercadorias para Hong Kong (713 milhões de patacas), para os Estados Unidos da América (19 milhões de patacas) e para a União Europeia (7 milhões de patacas) em Janeiro de 2023 desceram 38,4%, 67,7% e 59,9%, respectivamente, face ao idêntico mês do ano transacto. O valor exportado de mercadorias para o interior da China fixou-se em 57 milhões de patacas (menos 35,7%, em termos anuais).

Quanto aos países ou territórios de origem, os valores importados de mercadorias produzidas na União Europeia (3,76 mil milhões de patacas) e no interior da China (3,01 mil milhões de patacas) em Janeiro de 2023 caíram 25,4% e 29,4%, respectivamente, face ao idêntico mês do ano transacto. In “Ponto Final” - Macau

 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Moçambique - Acelera crescimento para 3,2% este ano segundo a consultora Oxford Economics Africa

A consultora Oxford Economics Africa estima que a economia de Moçambique deverá acelerar o crescimento este ano para 3,2%, depois de ter registado uma expansão de 2,2% no ano passado

“Olhando em frente, esperamos que a tendência de acréscimo das exportações minerais seja mantida a médio prazo, alimentada principalmente pela contínua melhoria da produção de carvão e pelo início da produção de gás natural na bacia do Rovuma”, apontam os analistas, num comentário aos números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Moçambique.

“Além disso, antecipamos que os investimentos nas infraestruturas de expansão da rede energética, a reconstrução da infraestrutura danificada em Cabo Delgado, e o recomeço dos investimentos nos maiores projetos de gás também ajude a sustentar o crescimento económico”, lê-se na nota enviada aos clientes.

A economia de Moçambique cresceu 2,1% no ano passado, de acordo com os dados do INE, o que para os analistas da Oxford Economics Africa é desapontante, já que apesar de ter crescido 3,4% no último trimestre de 2021 em comparação com o mesmo período do ano anterior (variação homóloga), Moçambique até registou um crescimento negativo de 0,2% face ao terceiro trimestre do ano passado (variação em cadeia).

“Vários fatores pesaram no desempenho económico em 2021, incluindo questões operacionais temporárias nas principais minas, a destruição de infraestrutura e propriedades devido às cheias e o desalojamento de comunidades devido à insurgência em curso em Cabo Delgado”, apontam os analistas, concluindo, ainda assim, que “apesar dos desafios, a subida na produção de carvão na mina de Moatize, operada pela Vale, apoiada pela melhoria das exportações de outras matérias-primas e a redução das medidas de contenção à pandemia, deu à economia algum fôlego”. In “Milénio Stadium” - Canadá

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Japão - Economia cresce no final de 2021 alavancada pelo consumo e exportações

A economia do Japão cresceu a um ritmo anual de 5,4% entre Outubro e Dezembro, impulsionada por uma subida no consumo e nas exportações, disse ontem o Governo nipónico

O Produto Interno Bruto (PIB) real do Japão, que mede o valor dos produtos e serviços de um país, cresceu 1,3% em relação ao trimestre anterior, segundo dados divulgado pelo conselho de ministros japonês.

O crescimento acelerou após a suspensão das medidas implementadas em 2021 para conter a subida das infeções por coronavírus. As restrições incluíam horários reduzidos para restaurantes e bares e o cancelamento de eventos de grande escala ou a sua realização com limitações no número de participantes ou espetadores.

O futuro da economia japonesa permanece incerto, já que as restrições voltaram a ser impostas recentemente na maior parte do país, incluindo na capital, Tóquio, após a variante Ómicron, considerada mais contagiosa, ter levado a um aumento das infeções e mortes.

No último trimestre do ano passado, antes do recente surto de covid-19, os japoneses tinham começaram a viajar novamente, sair para jantar e fazer compras. Entre Outubro e Dezembro, a procura doméstica cresceu 1,1%, impulsionada pelo consumo. As exportações também cresceram.

O Japão está atrás de outros países desenvolvidos na administração de doses de reforço das vacinas contra a covid-19, que chegaram a cerca de 10% da população.

Em 2021, a terceira maior economia do mundo cresceu 1,7%, a primeira subida em três anos. Este valor reflete a recuperação de uma economia estagnada, que em 2020 foi afectada pela pandemia. A economia do Japão encolheu em 2020 e 2019. Em 2021, a economia tinha crescido a uma taxa anual de 2,4% entre Abril e Junho, antes de contrair 2,7% no terceiro trimestre, entre Julho e Setembro.

Takayuki Toji, economista da SuMi TRUST, disse que os dados mais recentes mostram uma forte recuperação devido ao aumento do consumo, bem como uma subida nas exportações e no investimento devido à retoma da produção. O analista deu como exemplo a retoma na indústria automóvel, cuja produção tinha sido paralisada por uma crise no fornecimento de semicondutores.

Embora o fornecimento tenha recomeçado, permanecem restrições na oferta de semicondutores, algo que está a pressionar o investimento e as exportações japonesas, disse Toji. “Prevemos que a economia desacelere mais uma vez neste trimestre devido a um aumento das infeções por covid-19”, acrescentou. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Brasil - Comércio exterior: razões para otimismo

São Paulo – Embora o Ministério da Economia tenha informado que a balança comercial registrou déficit de US$ 176 milhões em janeiro deste ano, o que importa é que o comércio exterior vem seguindo uma trajetória de recordes neste início de 2022. Basta ver que, em janeiro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, as exportações cresceram 25,3% e atingiram US$ 19,6 bilhões, o melhor resultado do mês na série histórica iniciada em 1997.

Mesmo com o período de entressafra e os problemas advindos da pandemia de coronavírus (covd-19), os bens agropecuários foram o grande destaque das exportações, com 97,5% de crescimento em janeiro, especialmente em função do desempenho da soja. A indústria de transformação também foi destaque, com crescimento de 36,1% em janeiro, chegando a US$ 12,2 bilhões em vendas.

Já as importações chegaram a US$ 19,8 bilhões, registrando uma alta de 24,6%, a maior desde janeiro de 2014, quando chegaram à marca de US$ 20,2 bilhões. Isso se deu principalmente porque houve um aumento expressivo nas compras de produtos para a indústria extrativa – em especial, petróleo bruto, gás natural e carvão – ligados à produção de energia no Brasil, ainda que os preços dos bens da indústria extrativa importados estejam subindo desde o segundo semestre de 2021, chegando a 99,1% em janeiro deste ano.

Em razão disso, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) também foi recorde, subindo 25% e chegando a US$ 39,52 bilhões. Houve déficit de US$ 176 milhões porque o volume de importações superou o de exportações, mas, apesar de negativo, o resultado representa uma evolução na comparação com janeiro de 2021, quando o déficit comercial somou US$ 219,9 milhões. Este também foi melhor saldo comercial para esse mês desde 2018, quando foi registrado um superávit de US$ 1,6 bilhão.

Em outras palavras: ao lado de uma exportação bastante aquecida, com registros de recordes a cada mês, a importação está em crescimento, o que vem se registrando desde o último semestre do ano passado. Apesar de uma queda no setor agropecuário de 15,7%, em janeiro, houve um aumento de 325,8% nas aquisições da indústria extrativa e crescimento de 14,9% nas compras do exterior da indústria de transformação. As exportações também seguem em alta, com crescimento de 51,8% naquelas destinadas aos Estados Unidos, de 46% no volume enviado para a União Europeia e de 18,3% para a Argentina.

Já para a China, Hong Kong e Macau, os embarques diminuíram 3,8%, refletindo a queda que houve na saída de minério de ferro. Mas isso também pouco representa no comércio entre Brasil e China, que, de 2020 para 2021, avançou 34%, compensando a perda de 5,4% no ano anterior. Aliás, o comércio com a China teve aumento maior que aquele registrado com os Estados Unidos, União Europeia e América do Sul, segundo dados do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getúlio Vargas, que registrou, em 2021, um avanço no volume exportado para o país asiático de 360% desde 2008. Em sentido contrário, no mesmo período, houve uma queda de 18,6% em relação aos Estados Unidos.

Diante desses números, não há como deixar de ver com otimismo o futuro do comércio exterior brasileiro. Basta assinalar que, em 2021, a balança comercial registrou superávit de US$ 61 bilhões, ficado 21,1% superior ao saldo de 2020, quando, na média diária, houve superávit de US$ 50,4 bilhões. Com base nisso, o Banco Central projetou um resultado positivo de US$ 52 bilhões para 2022, enquanto o mercado financeiro se mostrou mais otimista ainda, prevendo um superávit de US$ 57,2 bilhões. Se a confirmação dessas projeções vier, já será uma grande vitória. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG) do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: lianalourenco@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

terça-feira, 30 de novembro de 2021

China - Exportação de agroalimentares de Portugal com novas regras a partir de 2022

A exportação de produtos agroalimentares de Portugal para a China vai passar a ter novos requisitos a partir do próximo ano, nomeadamente, ao nível da fiscalização e informação exigida, verificando-se a inclusão de novos alimentos na categoria de “alto risco”

Segundo a informação divulgada pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), as novas regras são aplicáveis à China continental, excluindo as regiões administrativas especiais de Macau e Hong Kong e os produtos agroalimentares exportados para este mercado passam a ser organizados em duas categorias.

A primeira diz respeito aos produtos de alto risco, abrangendo carne e produtos de carne, produtos aquáticos, lácteos e apícolas, óleos e gorduras comestíveis, ovos e produtos de ovos, invólucros animais, ninhos de pássaros e derivados, produtos de trigo recheados, cereais comestíveis, produtos das indústrias de moagem de grão e malte, vegetais frescos e desidratados, condimentos, frutos secos e sementes, grãos de café e cacau não torrados, alimentos com finalidades dietéticas, alimentos saudáveis e feijão seco. Anteriormente, apenas eram considerados produtos de alto risco as carnes, produtos aquáticos, lácteos, ninhos de pássaros e derivados.

Entre a documentação agora exigida inclui-se uma carta de recomendação da autoridade competente, a lista de estabelecimentos que pretenderem ser habilitados, documentos de identificação dos estabelecimentos, como a licença comercial, declaração de conformidade emitida pela autoridade competente, “informando que o estabelecimento visado cumpre com o estipulado pela legislação chinesa aplicável”, e o relatório de auditoria e supervisão da autoridade competente. Adicionalmente, poderá também ser exigida a planta da fábrica, plano de armazenamento da cadeia de frio e o mapa de fluxo da produção.

As entidades envolvidas na cadeia produtiva devem ser igualmente registadas, nomeadamente, as que têm influência no “processamento, embalamento e armazenamento de produtos”. De acordo com o mesmo comunicado, os estabelecimentos portugueses de carne de porco, produtos aquáticos e lácteos, que estavam habilitados a exportar para a China, continuam aptos até 1 de Janeiro, mantendo-se os seus números de registo válidos após esta data.

Os estabelecimentos destas categorias que pretendam dar início a novos processos de habilitação devem entrar em contacto com a Direção Regional de Alimentação e Veterinária ou com Direção Regional de Agricultura e Pescas.

Por sua vez, a Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) ficará responsável por registar os produtores portugueses, que operam nas restantes categorias, e que realizaram exportações para este mercado desde Janeiro de 2017. Neste caso, as empresas devem fazer parte da lista que a DGAV enviou à GACC em 31 de Outubro, sendo que a mesma pode ser actualizada até ao final de Novembro.

Já a segunda categoria, agora definida, inclui os restantes produtos agroalimentares, como bebidas, que são importados pela China, os denominados de baixo risco. Os produtores que se insiram nesta categoria devem registar-se no novo sistema ‘China Import Food Enterprises Registration’.

“Todos os estabelecimentos portugueses que pretendam iniciar exportações de produtos desta categoria para o mercado chinês a partir do dia 1 de Janeiro de 2022, bem como todos os estabelecimentos anteriormente registados no antigo sistema […] deverão proceder ao registo automático no novo sistema”, precisou a DGAV.

Todos os “produtores do produto final, bem como outras entidades intermediárias envolvidas na cadeia produtiva” devem ser registados, assim como os que exportem matérias-primas ou produtos para a China.

A estes requisitos somam-se ainda exigências ao nível da rotulagem dos produtos, como a obrigação de incluir os novos números de registo nas embalagens exteriores e interiores.

Conforme explicou a DGAV, podem ser utilizados autocolantes em conformidade com a legislação chinesa, com exceção para os produtos de carne, aquáticos, frescos ou congelados, saudáveis e com fins dietéticos.

Neste caso, os produtos devem ter embalagens com rótulos impressos “no momento da sua produção”, não sendo assim permitidos autocolantes. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 16 de novembro de 2021

Brasil - Privatização: é preciso bom senso

São Paulo – Estudo preparado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) mostra que, se não houver nenhuma recidiva na pandemia de coronavírus (covid-19), especialmente com o aparecimento de possíveis variantes mortais, como a Delta, particularmente contagiosa, o comércio internacional poderá crescer 10,8%, em vez dos 8% que foram estimados em março. Superada a fase mais aguda da pandemia, esse crescimento poderia ser maior, se não houvesse, como consequência daquele mal, escassez de contêineres e atraso na movimentação de cargas nos portos.

Segundo dados da OMC, a expectativa de crescimento na América do Sul é de 7,2% nas exportações neste ano. Já as importações devem crescer 19,9%, indicando uma retomada da atividade na região. Ao mesmo tempo, o comércio de serviços deverá ficar atrás da expansão das trocas de mercadorias, sobretudo nos setores ligados ao turismo. Para 2022, a OMC prevê uma expansão de 5,3% da economia mundial.

Seja como for, o Porto de Santos precisará estar preparado para a retomada dos índices que foram registrados no período pré-pandemia. É o que se espera a partir da efetivação das mudanças previstas pelo Ministério da Infraestrutura, que não são poucas. No primeiro trimestre de 2022, será leiloado o arrendamento do terminal STS 11, na margem direita. Além disso, para os próximos quatro anos, estão previstos 11 leilões, que deverão render cerca de R$ 10 bilhões que serão investidos com o arrendamento de áreas, infraestrutura nos terminais com contratos vigentes e acesso rodoferroviário.

Ainda neste mês de novembro, serão leiloados os terminais STS 08 e STS 08A destinados a granéis líquidos minerais. Já o leilão do STS 53, destinado a granéis sólidos minerais, será em 2022. Outros leilões estão previstos, mas ainda sem data. São eles: STS 10 e o TRA (Terminal Retro Alfandegado) Saboó e TRA Margem Esquerda, destinados à movimentação de contêineres. O STS 11, no bairro de Paquetá, será arrendado para um terminal destinado a granéis sólidos vegetais (soja em grão, farelo de soja, milho, açúcar e desembarque de trigo). Segundo a Santos Port Authority (SPA), estão previstos, inicialmente, investimentos estimados em R$ 693 milhões para uma área de 114,7 mil metros quadrados, com capacidade para armazenar 397 mil toneladas. Esses arrendamentos terão um prazo inicial de 25 anos.

Segundo o Ministério da Infraestrutura, a desestatização do Porto de Santos deverá gerar investimentos que serão destinados ao aprofundamento do calado, serviços de dragagem, acessos terrestres, a construção do túnel Santos-Guarujá, entre outras obras e serviços. O novo operador deverá assumir a administração da SPA, empresa com controle majoritário do governo federal, responsável pela gestão e fiscalização das instalações portuárias e das infraestruturas públicas.

Se vai dar certo, não se sabe, mas, a se levar em conta experiências anteriores, a privatização tem sido benéfica para o País. Basta ver que o serviço de telefonia teve um salto de qualidade após a privatização da Telebras, enquanto outras empresas privatizadas que antes eram deficitárias passaram a registrar lucros, como o Vale e a CSN, que hoje geram em impostos mais receita à União do que quando estavam sob controle estatal.

Já na área de energia elétrica, a experiência não tem sido exitosa. Basta ver que, em Goiás, com a venda da Companhia Energética de Goiás (Celg) para a Ente Nazionale per l´Energia Elettrica (Enel), a energia elétrica ficou bem mais cara para o consumidor. O curioso é que o governo italiano é o maior acionista da Enel. Ou seja, ocorreu uma “privatização”, pois os lucros da empresa vão para o governo da Itália. Por isso, é preciso que cada privatização seja muito bem pensada. E que haja bom senso. Até porque essa não é uma panaceia, capaz de curar todos os males. Liana Martinelli - Brasil            

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Relações Institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Brasil - Agregar valor ao agronegócio

Na maioria, foram convidados por conchavos e pelo contato do principal mandatário com a caserna. A rigor, esses pretensos ministros, se tivessem autocrítica e realmente estivessem preocupados com o desenvolvimento do País, jamais aceitariam a responsabilidade de administrar aquilo que efetivamente não conhecem

São Paulo - Como quarta economia do mundo, o Brasil não depende – e ainda bem – do governo central para dar andamento a sua economia, mas que suas ações podem atrapalhar não há dúvida. E, infelizmente, é o que vem ocorrendo com frequência. Com exceção dos ministérios da Fazenda e da Agricultura e do Banco Central, administrados por titulares de alto nível técnico e formação acadêmica invejável, os demais órgãos, com raras exceções, são conduzidos por profissionais que estão longe de serem os mais bem preparados. 

Na maioria, foram convidados por conchavos e pelo contato do principal mandatário com a caserna. A rigor, esses pretensos ministros, se tivessem autocrítica e realmente estivessem preocupados com o desenvolvimento do País, jamais aceitariam a responsabilidade de administrar aquilo que efetivamente não conhecem. Na verdade, mostram-se tão despreparados para a função que é possível imaginar que tenham sido convidados para encobrir mais a falta de talento administrativo e político do presidente da República do que por outra razão mais nobre. Seja como for, o que se lamenta é que a soberba impeça que se deem conta do quanto sua incompetência vem prejudicando o País.

Em que pesem trapalhadas governamentais e atitudes do presidente que fogem à luz da razão, o empresariado nacional tem sabido como se portar, assimilando as informações e os movimentos econômicos e administrativos do governo que são dignos de serem levados em conta. E assim o País, apesar dos sobressaltos causados pela pandemia de coronavírus (covid-19), segue firme em busca da retomada da produção e da normalidade econômica para fazer frente a um mercado consumidor que deve chegar em 2030 como o quinto maior do mundo, com um potencial previsto de US$ 2,5 trilhões, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Basta ver que, mesmo em meio à pandemia, em 2020, no acumulado do ano, a balança comercial registrou superávit de US$ 50,9 bilhões, com exportações de US$ 209,9 bilhões e importações de US$ 158,9 bilhões, tendo a corrente de comércio chegado a US$ 368,8 bilhões, segundo dados do Ministério da Economia.

Obviamente, esses números foram sustentados pelo agronegócio e pela mineração com a produção que alcançaram, mas não se pode deixar de reconhecer que esses setores também ajudaram o segmento industrial com a compra de máquinas, tratores e até aviões para o trabalho de pulverização da lavoura. Enfim, há uma grande gama de produtos industrializados que são exigidos para o plantio e a colheita de safras gigantescas.

Isso significa que, para que a balança continue superavitária, é preciso agregar cada vez mais valor ao agronegócio. Ou seja, é fundamental que a indústria de transformação invista em tecnologia e em novos processamentos para que possa atender ao agronegócio em sua necessidade de escoar ainda mais e aumentar o número de vendas para o mundo. Além disso, é essencial que o governo federal, por meio do Ministério da Infraestrutura, continue a investir em obras que possam facilitar o escoamento da produção, o que inclui o reaparelhamento de portos e aeroportos.

Por fim, não se pode deixar de lado a tão decantada reforma tributária que, segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, haverá de ser ainda aprovada neste ano e que tem por objetivo ampliar a base de arrecadação para conseguir reduzir alíquotas de impostos.  O que se espera é que essa reforma venha também a contribuir para o desenvolvimento não só do comércio exterior como daqueles outros setores que a ele estão ligados. Adelto Gonçalves – Brasil

 

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Adelto Gonçalves, jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional (trading company). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br


sexta-feira, 23 de abril de 2021

Macau - Associação pede mais apoio aos negócios sino-lusófonos

Tendo em conta que muitas empresas chinesas e lusófonas sofreram “um golpe sem precedentes” durante a pandemia, a Associação Comercial Internacional de Empresários Lusófonos entende que Macau deve trabalhar em várias frentes para desenvolver o seu papel de plataforma

A Associação Comercial Internacional de Empresários Lusófonos alertou para o facto de muitas empresas chinesas e de países de língua portuguesa terem relatado que os seus negócios foram atingidos por um “golpe sem precedentes”, numa altura em que o mundo continua a ser severamente afectado pela pandemia. Nesse contexto, a vice-presidente da associação, Latonya Leong, avisou que as dificuldades sentidas por essas empresas representam um desafio que “não pode ser ignorado”.

Na sua perspectiva, Macau pode trabalhar em vários aspectos para melhorar esta situação. Ao Jornal Tribuna de Macau, Latonya Leong sugere que o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa coopere com associações económicas e comerciais sino-portuguesas profissionais da RAEM para acelerar o intercâmbio entre empresas da China Continental e dos mercados lusófonos. Concretamente, acredita que isso poderá ser feito no comércio e investimento, bem como na cooperação regional, de modo a promover a viabilidade de uma cooperação mutuamente benéfica entre o Continente, a RAEM e os países de língua portuguesa.

Ademais, a mesma responsável aponta para a exploração de novas possibilidades, combinando projectos de desenvolvimento existentes na RAEM. A medicina tradicional chinesa “é uma das indústrias emergentes que Macau se esforça por cultivar, sendo também um campo chave na promoção da diversificação económica adequada”, refere. O estabelecimento da sede internacional do “Guangzhou Pharmaceutical Group” em Macau é um marco importante, que no futuro, deve ajudar a indústria farmacêutica do território e de Hengqin, a inovar-se, desenvolver-se e também a ajudar na diversificação da economia do território, disse,

Além de servir de plataforma para a cooperação sino-lusófona, Macau é também uma das janelas importantes para a cooperação internacional da China. Latonya Leong sublinhou que Macau espera aumentar as oportunidades de cooperação e alargar a outros países as vantagens e o desenvolvimento da medicina tradicional chinesa, bem como levar marcas conhecidas a África para registo, desenvolvimento e, gradualmente, liderar o desenvolvimento da medicina chinesa nos países de língua portuguesa.

Apontou também que o “Centro de Exposições de Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa” será utilizado para levar esses produtos para o Continente de modo a responder à procura interna de alimentos importados. “Recomenda-se ao Governo o apoio à publicidade e, em conjunto com o detalhado planeamento de mercado, a promoção das vantagens dos produtos alimentares dos países de Língua Portuguesa”, frisa.

“Actualmente existe pouco conhecimento sobre os produtos alimentares derivados dos países de Língua Portuguesa na China Continental, a elevada qualidade e preços razoáveis podem ser utilizados como pontos de venda para uma exploração eficaz de novas oportunidades de desenvolvimento”, defendeu Latonya Leong.

A associação entende ainda que deve ser feito um bom uso do fundo de desenvolvimento cooperativo entre a China e o universo lusófono e do sistema de seguro de crédito à exportação de Macau para pequenas e médias empresas (PME). De acordo com dados citados pela mesma responsável, o Fundo apoiou seis projectos no total, incentivando as empresas chinesas a investirem cerca de quatro mil milhões de dólares americanos em países lusófonos, abrangendo áreas como infra-estruturas, agricultura, manufactura, entre outras. No futuro, estes projectos deverão continuar a trazer contribuições financeiras para os países lusófonos e contribuir para a criação de postos de trabalho, o aumento da capacidade produtiva e o desenvolvimento social.

O sistema de seguro de crédito à exportação para PME de Macau é um marco importante para a plataforma lusófona. “Se o Governo puder incentivar mais empresas a usar o fundo, a envolverem-se activamente em negócios com os países de língua portuguesa e a combinar a utilização e investimento do fundo com o desenvolvimento interno e externo de empresas chinesas e portuguesas em Macau, acredita-se que serão criadas novas oportunidades para muitas entidades”, disse a mesma responsável.

Latonya Leong defende ainda o reforço da promoção e divulgação do papel e função da Plataforma China-Lusofonia no país e no estrangeiro, com foco na formação de uma nova geração de jovens empresários da China e lusófonos. Desse modo, a Plataforma poderá ser “maior e mais forte”. Viviana Chan – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 10 de abril de 2021

Brasil - 2021, um ano quase perdido

SÃO PAULO – Nem mesmo se chegou à metade do ano e não há quem possa imaginar que a balança comercial irá fechar com um superávit de US$ 70 bilhões, com as exportações chegando a US$ 256 bilhões (contra US$ 221 bilhões em 2020) e as importações a US$ 186 bilhões (contra US$ 168 bilhões em 2020), de acordo com a previsão feita em março pelo Banco Central. Se isso se confirmar, o superávit representará um recorde histórico, pois será superior à maior marca já alcançada, a de 2017 (de US$ 67 bilhões).

Segundo o Banco Central, embora o ano tenha começado com números decepcionantes, em consequência do agravamento provocado pela segunda onda da pandemia de coronavírus (covid-19), é esperado um aumento nas exportações ainda neste primeiro semestre de 2021, especialmente em razão da boa safra de soja e do patamar elevado em que se encontram os preços das commodities (alimentos, petróleo e minério de ferro) e pela recuperação da demanda internacional.

Essa previsão, porém, parece muito otimista, até porque as indústrias brasileiras continuam com dificuldades para obter insumos e matérias-primas nacionais e importadas, o que significa que do segmento de produtos industrializados não se poderá esperar uma contribuição significativa para a formação do superávit. Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, as expectativas de normalização das cadeias produtivas nacionais, inicialmente previstas para este semestre, foram frustradas. Segundo levantamento da CNI, 37% das empresas esperam que a situação se normalize nos próximos três meses, 42% preveem melhora apenas para o segundo semestre e 14% só veem um cenário mais positivo em 2022. 

Esse cenário adverso, obviamente, vem não só do impacto provocado na economia pela letargia com que o governo federal se movimentou no combate à epidemia, o que contribuiu decisivamente para o seu agravamento, como de uma ausência quase completa de medidas mais concretas que pudessem reduzir as consequências da falta de competitividade dos produtos industrializados em função do elevado custo-Brasil, que, segundo estudo do Ministério da Economia, consome R$ 1,5 trilhão e representa 22% do Produto Interno Bruto (PIB).

Entre as medidas, aparentemente, deixadas de lado pelo governo, a pretexto de esperar por melhores tempos, estão a tão anunciada reforma tributária, a implementação do Acordo de Facilitação de Comércio e a conclusão do mecanismo de funcionamento do Portal Único de Comércio Exterior, que poderia reduzir sobremaneira a burocracia e seu custo nos produtos industrializados. Para piorar, há ainda uma série de problemas econômicos e políticos enfrentados por países vizinhos, que deverá redundar em baixa nas exportações dos manufaturados brasileiros.

Sem contar os prejuízos trazidos para a diplomacia comercial por um ministro das Relações Exteriores nada diplomático que, em vez de estimular a negociação de acordos com países e blocos representativos e o fortalecimento do Mercosul, contribuiu ainda mais para o isolamento do País, chegando ao ponto de colocar em risco até o relacionamento com a China, hoje o principal parceiro comercial do País.

De positivo, só se deve ressaltar os leilões de concessões de mais de 50 ativos nas áreas de energia elétrica, gás, óleo e logística portuária que o Ministério da Infraestrutura vem promovendo, que deverão resultar em mais de R$ 460 bilhões de investimentos ainda neste ano. De assinalar ainda é que, em 2022, deverão ser privatizadas a Autoridade Portuária de Santos (antiga Codesp), a Companhia Docas do Espírito Santo, a Companhia Docas de São Sebastião e a Autoridade Portuária de Itajaí-SC.

Nesse cenário turvo, portanto, as exportações de commodities deverão continuar a funcionar como o motor de sustentação das exportações brasileiras, dependendo ainda de medidas que venham a ser tomadas pelo presidente norte-americano Joe Biden, que podem impactar esse importante segmento das exportações brasileiras. Mas, seja como for, o que se prevê é que a soja deverá continuar a liderar a lista dos principais produtos de exportação, seguida por petróleo e minério de ferro, que representaram 35,4% do volume total exportado em 2020. Diante disso, o mais provável é que o Brasil venha a ter uma participação até mesmo inferior a 1% no comércio mundial. Tempos difíceis vêm por aí. Adelto Gonçalves – Brasil

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Adelto Gonçalves, jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde (Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns e Barter Comércio Exterior). E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br