Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Japão - Sobreviventes de Hiroshima demonstram preocupação sobre fim do tratado New Start

Os sobreviventes japoneses dos bombardeamentos atómicos de 1945 disseram ontem que temem que o mundo esteja a caminhar para uma guerra nuclear, com o fim do último tratado de controlo de armas entre os Estados Unidos e a Rússia


A vigência do tratado New Start terminou, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter rejeitado a proposta do homólogo russo, Vladimir Putin, de alargar os limites às ogivas nucleares por mais um ano.

Terumi Tanaka, dirigente da Nihon Hidankyo, uma organização de sobreviventes dos bombardeamentos atómicos norte-americanos contra as cidades de Hiroxima e Nagasáqui, em agosto de 1945, disse que “o mundo ainda não compreendeu a gravidade da situação”. Este grupo pacifista foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz em 2024.

O último pacto de armas nucleares entre a Rússia e os Estados Unidos expirou, removendo os limites para os dois maiores arsenais atómicos do mundo. O fim do Tratado New Start pode abrir caminho para a corrida ao armamento nuclear.

O Presidente russo, Vladimir Putin, declarou no ano passado estar pronto para respeitar os limites do tratado por mais um ano, caso Washington também corresponde-se nos mesmos termos. O presidente norte-americano, Donald Trump, não se comprometeu com uma prorrogação.

Putin discutiu o fim do pacto com o líder chinês, Xi Jinping, na quarta-feira, disse o conselheiro da Presidência russa, Yuri Ushakov, referindo que Washington não respondeu à proposta de prorrogação. A Rússia vai agir de forma equilibrada e responsável, com base numa análise minuciosa da situação de segurança, acrescentou Ushakov.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo afirmou, num comunicado divulgado durante a última noite, que “nas circunstâncias atuais”, presume que as partes do tratado já não estão vinculadas a obrigações ou declarações simétricas, incluindo as disposições principais.

O Tratado New Start, assinado em 2010 pelo então presidente norte-americano Barack Obama e o homólogo russo, Dmitri Medvedev, restringia as duas partes a um máximo de 1550 ogivas nucleares num máximo de 700 mísseis e bombardeiros prontos a usar. Originalmente, o tratado deveria expirar em 2021, mas foi prorrogado por mais cinco anos. O pacto previa inspecções para verificar o cumprimento das disposições. As inspecções foram interrompidas em 2020 devido à pandemia de COVID-19 e nunca mais foram retomadas.

Em fevereiro de 2023, Putin suspendeu a participação de Moscovo nas inspeções, alegando que a Rússia não podia permitir as visitas norte-americanas às instalações nucleares russas numa altura em que Washington e os aliados da Aliança Atlântica declaravam abertamente a derrota de Moscovo na Ucrânia. Ao mesmo tempo, a Rússia sublinhou que não se estava a retirar completamente do pacto, prometendo respeitar os limites estabelecidos sobre a posse de armas nucleares.

Ao oferecer, em setembro de 2025, o cumprimento dos limites do New Start, durante um ano, para dar tempo a ambas as partes de negociar um novo acordo, Putin afirmou que o fim do pacto seria desestabilizador e poderia provocar a proliferação nuclear. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sábado, 28 de junho de 2025

Irão – Inicia processo de saída da agência da ONU que controla a energia atómica

Enquanto Israel procura voltar a aplicar toda a sua força letal contra a população desprotegida de Gaza, no Irão, o Governo do Presidente Masoud Pezeshkian e o aiatla Ali Khamenei, o Líder Supremo, desenvolvem o processo leal de saída do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) e da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o que coloca, em tese, Teerão no caminho da obtenção de armas nucleares.



Depois de o Parlamento iraniano ter aprovado a saída da AIEA, a instância Constitucional do país (Conselho da Guarda Revolucionária, que tem poder de veto sobre o Parlamento), ratificou a decisão parlamentar após os ataques israelitas e dos EUA à infra-estrutura nuclear iraniana nas últimas duas semanas.

A IRNA, agência oficial iraniana, cita o porta-voz do Conselho da Guarda Revolucionária, Hadi Tahan Nazif, para avançar que esta decisão é uma consequência directa dos ataques de Israel e dos EUA às instalações nucleares "pacíficas" do Irão.

Esta era a derradeira fase antes de a decisão ser submetida à aprovação final do Presidente Pezeskhian, sendo o país, a partir desse momento, livre para agir sem as grilhetas do TNP e da AIEA, o que, em tese, significa que pode começar a trabalhar na aplicação militar do seu urânio enriquecido.

\O Irão acusa a AIEA de ser "uma organização ao serviço do regime sionista e dos EUA", tendo mesmo Teerão mostrado alegados documentos que prova que esta agência da ONU estava, antes da guerra com o Irão, a passar informação a Telavive sobre o programa nuclear do Irão.

Este contexto é de grande melindre porque o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avisou com elevada sonoridade que ordenará novos ataques, ainda mais robustos, se o Irão voltar a enriquecer urânio ou sejam percebidas movimentações no sentido da obtenção de uma arma atómica.

O que vários analistas consideram ser uma porta aberta para o regresso da guerra israelo-americana contra o Irão, tendo o cessar-fogo sido uma mera gestão do conflito, porque o objectivo global de Washington é atacar a parte mais frágil do eixo estratégico Pequim-Teerão-Moscovo no âmbito da disputa global pela nova ordem mundial em construção. In “Novo Jornal” - Angola



sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Japão - Nagasaki pede abolição de armas nucleares mesmo para efeitos de dissuasão

As autoridades de Nagasaki aproveitaram ontem o 78.º aniversário do bombardeamento atómico da cidade japonesa pelos Estados Unidos para exortar as potências mundiais a abolir as armas nucleares, mesmo para efeitos de dissuasão. O apelo foi feito depois de o grupo das sete potências industriais (G7) ter adoptado, em Maio, um documento sobre o desarmamento nuclear que apelava para utilização das armas nucleares como meio de dissuasão. O Japão integra o G7, juntamente com Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália e Reino Unido. “Enquanto os Estados dependerem da dissuasão nuclear, não poderemos construir um mundo sem armas nucleares”, afirmou o presidente da câmara de Nagasaki, Shiro Suzuki, citado pela agência norte-americana AP.

A ameaça nuclear da Rússia encorajou outros países a acelerar ou a aumentar as capacidades nucleares, elevando ainda mais o risco de uma guerra nuclear, disse Suzuki. Desde que invadiram a Ucrânia, em 24 de Fevereiro de 2022, as autoridades russas têm avisado o Ocidente de que um envolvimento no conflito pode levar a uma guerra nuclear. Os Estados Unidos lançaram a primeira bomba atómica do mundo sobre a cidade japonesa de Hiroshima em 6 de Agosto de 1945, destruindo a cidade e matando 140 mil pessoas. Três dias depois, um segundo ataque contra Nagasaki matou mais 70 mil pessoas. O Japão rendeu-se seis dias depois, em 15 de Agosto, pondo fim à Segunda Guerra Mundial e a quase meio século de agressão na Ásia.

Às 11:02 locais, no momento em que a bomba explodiu sobre a cidade do sul do Japão, os participantes na cerimónia ontem realizada por ocasião da efeméride guardaram um momento de silêncio com o som de um sino da paz. Suzuki manifestou a preocupação dos sobreviventes com o facto de a tragédia ser esquecida à medida que o tempo passa e as memórias se desvanecem. A preocupação aumentou depois de uma reação generalizada de indignação no Japão às publicações nas redes sociais sobre “Barbenheimer”, uma combinação dos títulos dos filmes “Barbie” e “Oppenheimer”, lançados no Verão. A associação da boneca a J. Robert Oppenheimer, que ajudou a desenvolver a bomba atómica, foi vista por muitos japoneses como uma forma de minimizar o número de vítimas dos bombardeamentos. Shiro Suzuki, cujos pais eram ‘hibakusha’ (pessoas afectadas pela explosão), disse que os testemunhos dos sobreviventes são uma verdadeira dissuasão do uso de armas nucleares. Numa mensagem vídeo, o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, reconheceu que o caminho para um mundo sem armas nucleares se tornou mais difícil devido ao aumento das tensões e dos conflitos, incluindo a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Kishida, que representa Hiroshima no parlamento, irritou os sobreviventes por justificar a posse de armas nucleares para fins de dissuasão e por se recusar a assinar o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares. Suzuki exigiu a aprovação rápida do tratado “para mostrar claramente a determinação do Japão em abolir as armas nucleares”, apesar das tensões provocadas pela China e Coreia do Norte. In “Ponto Final” - Macau