Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Estados Unidos da América - Depois da Copa, os discos voadores

Assim que terminar o Mundial de Futebol, o presidente Trump já criou uma alternativa para a imprensa esquecer seu fiasco por não ter conseguido derrubar a teocracia islâmica iraniana, também conhecida como a ditadura dos molás.

Trata-se da divulgação gradativa, já iniciada, de documentos até agora considerados secretos, nos arquivos do Departamento de Defesa ou das Forças Armadas dos EUA, Pentágono, relacionados com o aparecimento, ainda durante a Segunda Guerra Mundial, dos chamados Discos Voadores ou Unidentified Flying Objects ou ainda OVNI Objeto Voador Não Identificado.

Embora muitos pilotos aliados dos aviões de caça da época tenham relatado a presença de objetos luminosos que os seguiam, alimentando o imaginário da imprensa, os aliados atribuíam aos nazistas alemães a invenção e utilização de armas voadoras desconhecidas, descartando-se como delírio imaginativo a hipótese de serem observadores extraterrestres.

Essa explicação continuou com a de que os russos comunistas ao entrarem na Alemanha teriam se apoderado dos cientistas alemães e de suas invenções aéreas militares, aperfeiçoadas e visíveis em muitos países durante o período da Guerra Fria.

Mas, nos dias de hoje, as grandes potências têm praticamente os mesmos avanços tecnológicos aéreos seja em termos de mísseis, drones e aviões supersônicos, porém nada comparáveis com os relatos de testemunhos visuais de aparelhos voadores, cuja velocidade e manobras são inexplicáveis.

Existiriam também destroços de aparelhos caídos, tripulados por seres não semelhantes aos humanos ou extraterrestres. Os documentos, que começam a se tornar públicos, irão confirmar a existência de uma realidade até agora ignorada sobre a visita ao nosso planeta de naves vindas de regiões distantes do universo? Ou serão documentos inconsistentes, nos deixando a constatação de estarmos sós no espaço sem visitas, mas com muita imaginação!

Seja como for e até surgir prova definitiva, existe um podcast recente com cerca de quatro milhões de inscritos, produzido pelo informador inglês Steven Bartlett, cujo título ousado é um eficaz chamariz - Um físico da CIA prova que os extraterrestres existem!

Quem é ele? O dr. Hal Puthoff, especialista em física quântica do NSA (National Security Agency), principal agência de informação eletromagnética dos EUA, especialista na interceptação e descodificação de comunicações mundiais e na proteção das redes informativas do governo norte-americano.

Junto com Hal Puthoff está, numa mesa-redonda, Dan Farah, o cineasta realizador do documentário The Age of Disclosure, produzido em três anos com investigações e informações colhidas junto de Marco Rúbio, secretário de Estado dos EUA, pilotos de caça da Marinha norte americana, almirantes, generais e depoimentos de diversos responsáveis de informações.

Nessa mesa-redonda, ambos discutem porque o governo norte-americano dissimulava a existência de vida inteligente não humana nos anos 1940, certos objetos aeroespaciais não identificados (PAN) acidentados foram recuperados com corpos não humanos no interior, foram identificados aparelhos PAN sobre os depósitos de armas nucleares norte-americanos, a decisão de Trump de revelar tais documentos pode se tornar histórica, o grande público está ou não preparado para uma revelação de vida não humana no universo e qual seria o significado dessa revelação para as religiões? Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

sábado, 11 de abril de 2026

Senegal - Primeiro-Ministro acusa presidente americano Donald Trump de desestabilizar o mundo

O primeiro-ministro do Senegal acusa o presidente dos Estados Unidos da América de criar instabilidade no mundo. Ousmane Sonko critica os ataques de Donald Trump ao Irão.

É a primeira vez que o Governo senegalês, através do Primeiro Ministro, assume posicionamento face ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.

Ousmane Sonko, que falava numa conferência internacional sobre soberania, em Dakar, criticou duramente Donald Trump pela guerra contra o Irão, considerando que visa desestabilizar a ordem global, sem nenhum benefício.

“A redução da capacidade balística do Irão não foi alcançada. Forçar o Irão a abandonar todos os seus programas nucleares, tanto civis quanto militares, não é um objetcivo atingido”.

O primeiro-ministro do Senegal afirmou igualmente que Trump não é um homem de paz.

“Nenhum dos objectivos foi alcançado e, ainda assim, o mundo mergulhou num caos injustificável. O Sr. Trump não é um homem de paz, ele é um homem que desestabiliza o mundo”.

Sonko apelou às nações africanas para que unissem forças e compartilhassem o seu poder, apontando a juventude africana como uma “força a ser mobilizada”, afirmando que a soberania não pode ser alcançada sem o seu envolvimento. In “O País” - Moçambique


quinta-feira, 2 de abril de 2026

Brasil - Flávio quer intervenção de Trump no país se perder em outubro

Depois do comício pelas Reformas de Base no 13 de março de 1964, a queda do presidente Jango Goulart era questão de dias. Esta não é uma simples lembrança do golpe militar ocorrido há 62 anos, vale como uma advertência, pois tem gente querendo repetir a dose, com uma diferença: a situação política no Brasil de hoje nada tem a ver com o clima político da época de Goulart. Essa nova tentativa de golpe quer aproveitar o momento favorável da presidência de Donald Trump nos EUA.

Ninguém esqueceu dos esforços de Eduardo Bolsonaro, quando ainda deputado federal, junto ao governo Trump, por uma intervenção dos EUA no Supremo Tribunal Federal, conseguindo incluir o ministro Alexandre de Moraes em todos os rigores da lei Magnitsky, e a revogação do visto de entrada nos e EUA para outros 14 outros nomes do Judiciário, Ministério Público e Advocacia Pública.

A tentativa golpista acabou sendo prejudicial ao próprio Eduardo, mas isso não desestimulou seu irmão Flávio, agora candidato à presidência, de continuar no mesmo caminho. A atração exercida sobre os filhos de Bolsonaro pelo golpismo levou o próprio jornal Estadão a elaborar a teoria de ser genética essa tendência. Na verdade, seria mais que uma simples tendência natural, e sim uma estratégia empregada diante de resistência e obstáculos contrariando seus desejos e objetivos.

É importante assinalar essa posição do Estadão, uma espécie de mea culpa por ter se aliado aos militares golpistas em 1964. Lembro-me bem do telegrama recebido do velho Mesquita, quando secretariava, ao lado de Mário Martins, a última grande reunião pública de crítica e protesto contra a ditadura, o Encontro com a Liberdade, em janeiro de 1967, no Teatro Paramount abarrotado, em São Paulo.

No telegrama, o velho Mesquita se solidarizava com o Encontro contra a Lei de Imprensa. Enquanto eu lia o telegrama, esperava uma reação positiva daquele grande público formado, na grande maioria, de jovens. Mas veio, para minha surpresa, uma enorme vaia contra o Estadão e contra os Mesquitas.

No dia seguinte, o jornal deu algumas linhas ao Encontro sem mencionar as vaias. Sempre me ficou a impressão de se ter perdido ali uma grande oportunidade de união contra a ditadura, mas os ânimos estavam excitados e a moçada universitária de esquerda não perdoava o apoio do Estadão ao Golpe, três anos atrás.

Tantos anos depois, o candidato Flávio à presidência, da dinastia Bolsonaro, não aceitou a derrota golpista do pai e foi aos EUA, com já fizera seu irmão pedir apoio da extrema-direita, direta, evangélicos norte-americanos para uma nova tentativa golpista, desta vez com o apoio do presidente Trump. Indiretamente, Flávio sugere que Trump poderia repetir a extração do presidente Lula do Palácio do Planalto em Brasília, como fizera com Maduro em Caracas.

O argumento é o mesmo já empregado por Trump e por Bolsonaro:  se Flávio Bolsonaro ganhar em outubro, as eleições terão sido livres e corretas, mas se Flávio perder, terá havido fraude nas eleições e os EUA deverão intervir! E como reagem os patriotas vestidos com a bandeira ou com as cores da nossa bandeira?

Isso é grave, não se trata de uma hipótese de intervenção no Brasil, mas de um pedido quase direto de intervenção de um candidato à presidência, considerado pelas primeiras sondagens em situação de empate com Lula. Ou seja, se perder poderá provocar um novo 8 de janeiro para justificar uma intervenção militar norte-americana. Se ganhar, irá governar como um vassalo de Trump, um lacaio, um vendido, um entreguista de nossas riquezas e um traidor.

O próprio Estadão não deixa por menos no seu editorial com o título “Tal pai, tal filho”. O jornal se reporta ao discurso de Flávio Bolsonaro na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), um ponto de encontro da extrema-direita em Dallas, onde não pronunciam só discursos, mas se tramam golpes.

E continua o Estadão: Flávio defendeu o monitoramento das eleições brasileiras pelos EUA e sugeriu pressões diplomáticas externas para "garantir um pleito livre e justo", alegando que se perder terá havido fraude e manipulação nas eleições. Isso deveria ser suficiente para um processo de tentativa pré-golpista! Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Grokipedia contra Wikipedia

O alerta foi dado pelo governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, ao denunciar TikTok, versão norte-americana, de praticar censura em favor de Donald Trump. Newson recebeu denúncias de utilizadores de TikTok com dificuldades para postar vídeos sobre a morte do enfermeiro Alex Pretti pela polícia anti-imigração ICE.

O jornal suíço Le Temps publicou com destaque uma reportagem sobre acusações de censura e controle do TikTok, numa estranha e perigosa colusão de Silicon Valley com a Casa Branca. Além disso, o próprio uso da inteligência artificial poderia ser manipulado politicamente, pois o ChatGPT passou a utilizar nos EUA, como fonte de informação, a enciclopédia Grokipedia lançada por Elon Musk para concorrer com Wikipedia.

O risco é o controle da informação pela IA segundo a versão dos seguidores de Trump, dispensando mesmo a necessidade de censura. Não será ainda o controle total previsto por George Orwell, mas um 1984 regional. Outro perigo é o de uma enciclopédia desse tipo inventar e impor uma outra narrativa histórica, uma visão ideológica de Elon Musk.

Inicialmente serão os conservadores e fundamentalistas eleitores de Trump os utilizadores dessa enciclopédia, mas rapidamente suas interpretações serão difundidas em outros países, como o Brasil e nos países com movimentos de extrema-direita influentes e em expansão. Já existem mesmo predições de um fim para a neutra Wikipedia, não se podendo excluir a potência financeira e tecnológica do grupo chefiado por Elon Musk.

Dispondo desses meios de doutrinação e controle, cujos efeitos se farão sentir nas jovens gerações a longo termo, Trump, Musk e a extrema-direita fundamentalista poderão testá-los na preparação das eleições de novembro nos EUA.

Se nas eleições brasileiras de 2022, as redes sociais da extrema-direita despejavam fakes news, pode-se imaginar o impacto do uso da IA na propagação de mentiras e falsificações de notícias, com o apoio dos EUA, cujo presidente Trump quer controlar os países sul-americanos. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Trump em Davos: o show-man megalômano

Parecia a estreia de um grande espetáculo, havia filas para entrar, a sala estava cheia, muita gente ficou de fora. No centro do palco, de pé, como um star americano que, ao final, seria aplaudido de pé pela plateia numa standing ovation, o show-man, conhecido por criar suspense, contava lorotas nas quais era sempre o melhor ou o ganhador. Era Donald Trump, presidente dos EUA, que havia ameaçado a Dinamarca de empregar a força, caso não lhe vendesse um enorme pedaço de gelo, a Groenlândia.

O lugar era o Fórum Econômico de Davos, na Suíça, durante alguns dias o centro da economia ocidental. Trump já esteve por lá outras vezes, mas nunca num clima de tanta expectativa, pois uma parte dos europeus temia uma guerra se houvesse uma invasão da Groenlândia pelos Estados Unidos.

Na metade da sua hora e doze minutos de show, como qualificaram alguns jornalistas suíços, Trump garantiu não usar a força para obter seu grande pedaço de gelo, essencial, segundo ele, para garantir a segurança dos EUA. E chamou a Dinamarca de ingrata pois "se não fossem os Estados Unidos, hoje estaria falando alemão ou japonês", referindo-se à participação dos EUA na libertação da Dinamarca na Segunda Guerra Mundial.

Irreverente ou mais precisamente mal-educado, Trump procurou ridicularizar o presidente francês Emmanuel Macron e a ex-presidenta do conselho federal suíço Karin Keller-Sutter. Ao contar à sua maneira a conversa telefônica mantida com um e outro, é sempre Trump, o esperto e mais forte, quem sai ganhando.

A Europa voltou a respirar mais tranquila, após o encontro do secretário-geral da OTAN com Trump, no qual Mark Rutte praticamente jurou fidelidade e apoio, no caso de uma guerra envolvendo os EUA. Ambos negociaram, depois do discurso de Trump no Fórum de Davos, a instalação e utilização de bases militares norte-americanas soberanas e autônomas na Groenlândia.

Trump se demonstrou satisfeito com esse acordo pelo qual pode dominar a região ártica. Mas existe um problema, o governo dinamarquês não participou e poderá vetar, em nome da soberania do país. O acordo inclui uma ajuda norte-americana para a exploração dos recursos minerais da ilha de gelo. Será o próximo capítulo.

Com base nesse acordo, o poderoso Trump anulou suas ameaças de um tarifaço suplementar em fevereiro e junho para os europeus.

O atual presidente suíço, Guy Parmelin, sempre cortês e calmo, mostrou a Trump não haver um déficit comercial de 41 bilhões de dólares favorável à Suíça, mas um superávit de 8,8 bilhões em favor dos Estados Unidos. Trump teria se mostrado surpreso e não teria se irritado, como acontece quando é contraditado.

Aproveitando o encontro com o presidente suíço, Trump se mostrou curioso quanto ao funcionamento do rodízio presidencial no conselho federal suíço. E, de acordo com o jornal suíço Le Temps, logo perguntou se um presidente suíço poderia exercer duas vezes seu mandato, revelando sua intenção de prorrogar seu mandato.

Embora no seu discurso megalomânico tudo pareça um sucesso, parece haver uma erosão do apoio a Trump entre os republicanos e entre seus eleitores. As eleições de meio mandato, em novembro, revelarão se Trump poderá continuar se mostrando como o star do MAGA. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Esquerda rejeita revolução iraniana - Trump ameaçou, mas recua

Vai haver um ataque dos EUA às instalações do governo iraniano e aos quartéis dos Guardiães da Revolução em represália à violenta repressão contra o povo, revoltado e pedindo o fim da ditadura teocrática islâmica, no poder desde 1979?

Talvez não, essa a impressão nesta quinta-feira. Trump teria se dado por satisfeito diante das notícias de que, segundo ele, "teria parado a matança no Irão e não seria executado nenhum preso". Por sua pressão e ameaças ao Irão, é claro!

Mas, na verdade, Trump teria recuado depois de avaliar o risco da resposta iraniana afetar a segurança das bases norte-americanas na região e comprometer sua imagem dentro dos EUA. Acabaria se transformando numa repetição da guerra contra o Iraque.

Ninguém precisa se iludir com a imagem de um Trump preocupado com a vida dos iranianos anti-Khamenei! Quase ao mesmo tempo seus guardiães do ICE, a polícia contra imigrantes, está espalhando o terror, numa menor escala, na cidade de Minneápolis, a maior cidade de Minnesota, depois do assassinato (também com tiros na cabeça como no Irão) de Renée Nicole Good, norte-americana mãe de três crianças, acusada de ser dona de casa terrorista! Sem esquecermos da ameaça de invasão da Groenlândia!

Nem sempre funciona o refrão "o povo unido derruba a ditadura", principalmente quando não se tem armas diante de ferozes inimigos.

É válida uma ajuda externa? Aqui entra o argumento de que a queda do Xá Reza Pahlevi teve apoios, embora indiretos, da França, do Iraque, da União Soviética e de intelectuais de esquerda como Sartre, Simone de Beauvoir e Michel Foucault que, na luta contra o capitalismo e os EUA, não imaginavam estar incentivando o surgimento de uma ditadura religiosa retrógrada, no lugar da monarquia também ditatorial mas secular, modernista e pró-ocidente.

A monarquia do Xá procurava acentuar o passado persa do país, anterior ao islamismo, retirou parte das terras dos religosos e deu o direito de voto às mulheres, decisões mal vistas pelos religiosos. Embora o país crescesse com o petróleo e o aço, o regime do Xá favorecia as elites, enquanto o povo pobre se apegava ao islamismo e iria, mais tarde, preferir o aiatolá Khomeine ao país secularizado e ocidentalizado do Xá.

A chegada dos religiosos ao poder, acabou criando uma nova casta, a dos molás, e o fanatismo islâmico levou ao financiamento dos movimentos extremos pela expansão do Islão, contra o Ocidente e contra Israel.

De acordo com o sociólogo francês Gilles Kepel, autor de uma vintena de livros, o equilíbrio no Oriente Médio foi rompido com o atentado terrorista do 7 de outubro, cometido pelo Hamas, financiado pelo Irão, que também financiava o Esbolá. A fuga do ditador sírio Bachar-al-Assad, mais o aniquilamento do Hamas e do Esbolá isolaram e enfraqueceram o Irão, acentuando sua crise econômica com maior inflação, causada também por sanções ocidentais em represália ao financiamento do terrorismo, e o povo, também descontente com o desvio do dinheiro do Irão para o financiamento de grupos terroristas, saiu às ruas.

A repressão tem sido sangrenta e violenta. Não se viu nenhuma tentativa de apaziguamento por parte da ditadura teocrática. Ao que se informa, os guardiães da revolução têm a ordem de balear os manifestantes na cabeça e o número de mortos, ainda incerto pela falta de Internet, varia de três mil a doze mil, enquanto se fala em 20 mil presos. A maioria desses presos serão julgados rapidamente, sem advogado, e condenados, na maioria, à morte na forca, senão agora, dentro de alguns meses, como ocorreu com os manifestantes depois do assassinato da jovem curda Amina Mahsi.

O governo iraniano dirigido pelo aiatolá Khamenei cortou o acesso à Internet em todo país, diante da rebelião do povo iraniano contra a ditadura teocrática islâmica. Quase ao mesmo tempo, os chamados canais progressistas ou de esquerda deixaram de fazer comentários sobre essa situação de revolta popular ou acusaram ser uma revolta insuflada pelos EUA.

Sinto-me à vontade para fazer essa crítica porque sou de esquerda e não entendo porque companheiros de esquerda, que deram destaque a pirataria do ditador Trump, decidem fechar os olhos à ditadura teocrática islâmica iraniana, não criticam o ditador aiatolá Khamenei e não dão apoio à revolta popular iraniana.

Em 1979, eu era um dos exilados em Paris contra a ditadura militar brasileira. Vivia no Quartier Latin, mais precisamente na rue de la Sorbonne, e acompanhava os movimentos da esquerda em Paris contra o Xá Reza Pahlevi, movimentos liderados pelo aiatolá Khomeini, com o apoio de Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Michel Foucault.

A queda do Xá foi comemorada por todos, mas a alegria durou pouco porque o aiatolá, logo transformado em Guia Supremo, instaurou um regime religioso islâmico extremamente severo baseado na Charia.

As mulheres, consideradas cidadãs de segunda classe, se revoltaram e criaram recentemente o movimento Mulher Vida e Liberdade, depois de muita repressão e mortes.

Houve grande agitação depois do assassinato pelos chamados guardiães da revolução ou policiais da fé islâmica, da jovem curda Mahsa Amini por não ter colocado corretamente o véu na cabeça.

O que me obrigou a inserir aqui um comentário foi ter visto e ouvido, numa entrevista ao canal Opera Mundi, por um companheiro de esquerda, depois de uma viagem ao Irão de quinze dias mas sem falar farsi, o idioma iraniano, a versão de que não foram os policiais que mataram a jovem curda Mahsa Amini, adotando a versão da ditadura iraniana.

Isso me lembrou que, durante a ditadura militar no Brasil, também o Doi Codi sempre tinha uma outra versão para seus assassinatos, como aconteceu com Vladimir Herzog e Rubens Paiva. Não faz muito tempo, alguém no Canal GGN, tinha qualificado o ex-presidente iraniano, logo depois de sua morte num acidente de helicóptero, como um humanista! Ora Ebrahim Raisi, autor da condenação à morte na forca de mais de 8 mil pessoas, era conhecido como açougueiro!

Tenho acompanhado e publicado o processo de islamização da esquerda não só no Brasil como na França. Não se pode fazer seleção de ditadores, condenando uns e aceitando outros. Trump é um proto ditador perigoso, Maduro era também um ditador. Não se pode condenar o ato de pirataria na Venezuela sem condenar a invasão da Ucrânia e a ameaça de tomada de Taiwan.

Não se pode ser de esquerda e fechar os olhos às denúncias mostradas em filmes contra a ditadura teocrática islâmica, cujos diretores são presos e proibidos de ir aos festivais. Entrevistei alguns deles nos Festivais de Berlim e Locarno. O realizador do filme A Semente do Figo Sagrado, Mohammad Rasoulof, teve de fugir do Irão pelas montanhas para não ser preso. Jafar Panahi, premiado em Cannes, passou anos na prisão.

Para o 247 não existe uma revolução popular, mas uma situação criada por pressões e sanções econômicas. Ditadura teocrática islâmica? O que é isso?

Basta um trecho: “o colapso econômico iraniano precisa ser lido, portanto, como crise induzida. Uma crise fabricada de fora para dentro”. Num longo artigo, nenhuma menção à estrutura ditatorial religiosa do país.

Prefiro ficar com o povo iraniano e sua revolução contra o “evangelismo” iraniano e contra sua ditadura teocrática islâmica. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Ano 2026 começou muito mal - Crans Montana, Venezuela e Irão

O ano de 2026 começou mal na Suíça, piorou logo depois na Venezuela e continua tenso no Irão. A sequência pode ser ainda mais terrível - uma invasão da Groenlândia, desta vez sem o pretexto do narcotráfico.

O ato de pirataria do presidente Trump ao sequestrar, em Caracas, o presidente venezuelano Nicolás Maduro, rompe o equilíbrio mundial e instaura a lei da selva. Foi essa a principal reação da imprensa internacional. O desrespeito à soberania venezuelana, garantido pelo poderio militar dos EUA, fragiliza o respeito e o equilíbrio entre os países e instaura o domínio da força.

Isso não é nenhuma novidade, a maneira como Trump vem agindo lembra a progressão da Alemanha nazi de Hitler. Não se pode também esquecer que invasão e ataques já ocorreram e continuam na Ucrânia pela Rússia. E a prometida invasão da Groenlândia lembra as ameaças da China de se apossar de Taiwan.

Neste momento, ao se buscar uma visão na qual se consiga distinguir quem são os melhores e os piores podem surgir algumas dificuldades. Trump é um imperialista interessado em se apossar de um país e torná-lo um protetorado para ter acesso ao petróleo, mas Maduro não deixa de ser um ditador, tanto que o Brasil não reconheceu sua vitória nas eleições. Em todo o caso, se os donos do mundo são ditadores, que talvez cheguem a um acordo de paz repartindo entre si países e suas riquezas, a ONU deixará de ter qualquer utilidade.

O terceiro fator, que tumultuou e tumultua este começo do ano, é o Irão, vivendo um clima de revolta da população, capaz de derrubar a ditadura teocrática islâmica e o aiatola Khamenei. E aqui, novamente, a confusão: é a esquerda quem apoia o ditador islâmico.

Mas vamos retornar ao primeiro tema do ano - a tragédia do incêndio no subsolo do bar-discoteca Le Constellation, onde tanta insegurança e negligência nos fariam pensar, se fosse no Brasil, em corrupção.

Talvez nunca tenha havido uma passagem de ano tão trabalhosa e tão dolorosa para os jornalistas suíços e europeus, na madrugada do réveillon, no dramático incêndio no bar-discoteca Le Constellation, na luxuosa estação de esqui de Crans Montana.

As chamas e a fumaça, ainda na primeira hora e meia de 2026, acabaram com os festejos e a alegria próprios da passagem do ano. Os socorros foram rápidos, mas não puderam evitar 40 mortes e 119 pessoas gravemente queimadas, a maioria jovens e, entre os mortos, a metade era de menores.

Coube também aos jornalistas de diversas nacionalidades denunciarem a responsabilidade das autoridades locais, de funcionários encarregados do contrôle das instalações de casas de diversão e do casal proprietário pelas irregularidades existentes no Le Constellation, causadoras do incêndio e pelas dificuldades para sair rapidamente do local.

Ninguém poderia ter imaginado ser possível tal tragédia na Suíça, onde existe uma real e constante preocupação com a segurança da população. Muito menos numa estação de esqui e num bar-discoteca de luxo.

Entretanto, as negligências cometidas em matéria de segurança levantam suspeitas de que a falta de controles ou de controles malfeitos teriam sido voluntários. As investigações necessárias deverão mostrar porque o estabelecimento funcionava sem as garantias normalmente exigidas. Numa entrevista à televisão lo suíça, o embaixador italiano Gian Lorenzo Cornado denunciou não haver sequer extintor ou mangueira de incêndio, nem saída de emergência utilizável no bar Le Constellation. O incêndio começou com velas de faíscas nas garrafas de champagne, cujas chamas chegaram ao teto protegido com material inflamável amortecedor de som.

Nem numa boate de periferia no Brasil existe uma tal insegurança e irresponsabilidade. A saída de emergência estava fechada para evitar que frequentadores do bar saíssem sem pagar. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Estados Unidos da América - É o começo do fim de Trump?

Será que virou a sorte de Trump?

O homem com vocação de ditador não tolera derrotas, mas tomou uma série de sarrafadas de uma só vez! Os democratas que pareciam liquidados ou fora de forma, ressurgem com uma vitória retumbante em Nova Iorque. E, como uma resposta à política de Trump contra os imigrantes, o eleito para a Prefeitura de Nova Iorque é um imigrante, vindo de Uganda aos 7 anos.

Seu nome, que devemos aprender porque ele pode ir longe, Zohran Mandani, embora não possa chegar a presidente por não ter nascido nos Estados Unidos.

E sua primeira frase depois de eleito é rica em simbologia - "neste período de escuridão política, Nova Iorque será a luz" ou poderemos também traduzir NY será a claridade!  Mamdani disse também - "Nova Iorque poderá mostrar a um país traído por Trump, como vencê-lo".

Como irá reagir o quase ditador Trump, cuja ambição é a de criar um terceiro mandato como presidente? Pouco antes das eleições, Trump, como de hábito, fez ameaças ao "comunista" Mamdani e seus eleitores, como a de cortar os fundos e subvenções federais a Nova Iorque, revelando sua perigosa incapacidade de aceitar derrotas.

Entretanto, os Estados Unidos, submetidos nestes nove meses ao regime arbitrário e autoritário de Trump, mostram ser capazes de reagir democraticamente pelo voto, esperando-se que Trump, apesar das ameaças, respeite a vontade popular.

Essas vitórias dos democratas criam esperanças de novas vitórias nas eleições para deputados e senadores, dentro de um ano, que poderão acabar com a maioria trumpista e com as ambições autoritárias e de um terceiro mandato para Trump.

Nas eleições para governador em Nova Jersey, muitos notaram o abandono de Trump pelos eleitores latinos. O jornal comunista francês, l´Humanité, enfatiza as radicalizações de Mamdani, próximas das defendidas na França por Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa.

Vizinho de Nova Iorque, o Estado de Nova Jersey derrotou o homem de negócios Jack Ciatarelli, candidato de Trump, e elegeu a democrata Mikie Sherrill, ex-pilota de helicóptero na marinha americana. O tema da campanha foi o alto custo de vida e da eletricidade.

E na Virgínia foi também uma democrata, Abigail Spanberger quem derrotou o candidato de Trump.

Na Califórnia, os eleitores aprovaram uma nova carta eleitoral, pela qual poderão ser eleitos mais deputados democratas.

Ironia da sorte: nesta semana, Trump poderia estar comemorando os aniversários de suas vitórias para o primeiro e segundo mandatos, porém com as derrotas de terça-feira, são os democratas que comemoram os primeiros sinais do fim do governo autoritário de Trump. Esse final poderá ser apressado se a Corte Suprema dos EUA, agora reunida, condenar e considerar ilegais os excessos da política aduaneira, "os tarifaços" de Trump. Hipótese quase improvável porque Trump tem maioria na Corte Suprema. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Trump pode deportar até os indígenas americanos

Em paralelo às expulsões de imigrantes dos Estados Unidos aplicadas pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement), geralmente com o uso da força e, se necessário, da violência, agora são os próprios indígenas norte-americanos, como os Navajos, que temem ser presos pelo ICE e deportados não sabem para onde.

De acordo com dados oficiais, mais de 400 mil imigrantes sem papéis já foram expulsos, entre eles mais de dois mil brasileiros. Outros, num total de um milhão e seiscentos mil chamados de ilegais, preferiram sair voluntariamente, alguns recebendo uma ajuda de custo.

De acordo Jonathan Nez, ex-presidente dos Navajos do Arizona, numa reportagem do Le Temps, jornal suíço, muitos indígenas mais velhos têm medo de sair do território da reserva e serem apanhados pelo ICE, pois não têm nenhum documento, nasceram em casa e ficaram sem uma certidão de nascimento.

Assim, os ameríndios dos Estados Unidos temem serem deportados de suas terras ancestrais. A administração Trump está anulando todas regras antes existentes entre as diversas populações ameríndias e mesmo questionando sua cidadania.

Como aconteceu no Brasil, os indígenas foram dizimados ou transferidos para outras regiões menos produtivas pelos colonizadores. Foi assim com os Cherokees, removidos para o Oeste pelo Indian Removal Act de 1830. Seguido do Indian Appropriation Act.

Enquanto no Brasil são missões religiosas norte-americanas encarregadas da assimilação dos indígenas da Amazônia, houve nos EUA uma assimilação forçada de crianças ameríndias em pensionatos, onde eram proibidas sua língua, religião e sua cultura.

Uma esperança surgiu com Joe Binden, responsável pela nomeação de uma primeira ameríndia como ministra do Interior, Deb Haaland, responsável por utilizar bilhões de dólares para melhorar as condições de vida nas reservas. Ela também criou uma unidade especial para investigar os milhares de casos de desaparecimento e assassinatos de indígenas.

Donald Trump, no seu retorno à presidência, justamente no primeiro dia, revogou a cidadania norte-americana por nascimento. Esse decreto visa também os ameríndios que só tiveram direito a um passaporte em 1924. Trump cortou também subvenções à cultura, escolas e universidade para ameríndios e anulou investimentos em infraestruturas e energias limpas nas reservas, muitas delas ainda sem eletricidade. Está programado o fim dos serviços médicos gratuitos nas reservas com sua privatização.

E assim chegamos ao livro Enterrem Meu Coração na Curva do Rio, de Dee Brown,1970, traduzido pelo conhecido jornalista do Estadão, JT, Veja, Geraldo Galvão Ferraz, o Kiko, trazido à atualidade pelo Eduardo Bueno, também jornalista, tradutor e influencer.

Esse livro conta uma parte da história de crimes cometidos pelos descobridores e colonizadores imigrantes no que seriam os Estados Unidos, na chamada Conquista do Oeste. Essa história da colonização dos Estados Unidos foi levada ao cinema hollywoodiano, cujos filmes faroestes transformaram em heróis os massacradores de ameríndios. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.



quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Estados Unidos da América - Trump oficializa censura de jornalistas

A imprensa internacional e brasileira já deram amplo destaque e interpretações aos discursos dos presidentes Lula e Trump na abertura da Assembleia da ONU em Nova Iorque. Ficou na base de conjecturas, como ocorrerá e quais serão os resultados do encontro entre os dois presidentes, previsto para a próxima semana.

Esse encontro, anunciado pelo próprio Trump, será destinado a discutir uma redução do tarifaço com base em questões econômicas e comerciais ou terá por objetivo se transformar numa tentativa inoportuna de Trump para questionar a recente condenação do ex-presidente Bolsonaro?

Nesta última hipótese, a de Trump forçar a mão na questão da soberania brasileira, poderão piorar as relações entre Brasil e EUA, pois a posição brasileira ficou bem clara no discurso de Lula. Uma parcela da imprensa brasileira prefere ser otimista, imaginando Trump reativando as boas e amigáveis relações costumeiras com o Brasil, como acaba de fazer com o presidente ucraniano Zelenski.

Outros mais realistas preferem a versão de um desencontro ou encontro negativo entre Trump e Lula, vaticinado pelo filho de Bolsonaro, Eduardo que, durante meses, procurou envenenar Trump contra os ministros do STF, correndo agora o risco de prisão e cassação do mandato de deputado federal.

Enquanto os dois presidentes, do Norte e do Sul, não se encontram, vale a pena destacar como Donald Trump, cujos pendores autoritários não enganam mais ninguém, continua seu processo de censura da imprensa agora com os correspondentes estrangeiros.

Da censura dos jornalistas norte-americanos, no noticiário nacional, são os próprios jornais que cuidam, ao fazer o copy desk de seus repórteres e comentaristas. Quem sair da regra, como foi o caso do Wall Street Journal e do New York Times, tomam processos de pesadas multas.

A liberdade de imprensa nos EUA está sob forte pressão mas alguns sinais de reação começam a surgir. A Tv ABC, pertencente à Disney anulou a  suspensão ao humorista Jimmy Kimmel por ter feito ironia com o significado da morte do influenciador e líder de extrema direita Charlie Kirk, ponta de lança do trumpismo junto à juventude norte-americana e evangélica conservadora. Cresceram os protestos de artistas contra o cerceamento da liberdade de expressão do humorista, no país que se considera o mais livre do mundo. E Jimmy Kimmel voltou ao seu show de grande audiência nos EUA.

Prosseguindo no processo de controle da imprensa, Trump quer também evitar o vazamento de más notícias dos EUA para o Exterior com o uso da censura. Agora todo correspondente de jornais estrangeiros tipo Le Monde, Le Temps, Globo, Estadão e UOL (a correspondente Mariana Sanches que se cuide) responsável por cobertura no Pentágono, o setor militar dos EUA, terá de mostrar seu texto ou sua gravação, antes de divulgação, para o ex-Ministério da Defesa, agora com novo nome: passou a se chamar Ministério da Guerra, imagina-se por premonição trumpista!

O ministro da Guerra, ex-da Defesa, Pete Hegseth, ex-animador da Fox News, da extrema-direita, avisou não querer ver nenhum correspondente perambulando pelos corredores do governo. "Sigam as regras ou voltem para casa", disse o ministro. Os correspondentes tiveram de assinar um novo formulário restringindo seus direitos sob pena de retirada do credenciamento e imediata perda de visto nos EUA.

Fora isso, antes de Trump os correspondentes tinham direito a um visto de residência de 5 anos, agora diminuído para 240 dias renováveis. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Trump está vivo, quem pode morrer são os norte-americanos

Correm rumores e fakes sobre o estado de saúde de Trump, mas quem corre risco de morte e doenças são os norte-americanos.

Pela simples razão de que o ministro da Saúde de Trump, Robert Kennedy Jr., não acredita em vacinas e é tão negacionista como o ex-presidente Bolsonaro.

Na época da epidemia do Covid, quando esse sobrinho do presidente John Kennedy, não era ainda ministro da Saúde, dizia besteiras sobre a vacina contra Covid, acusando-as, sem provas, de provocarem a morte de quem se vacinasse.

Porém, diante do Congresso norte-americano, antes de sua nomeação como ministro da Saúde, Robert Kennedy Jr. negou ser contra as vacinas. Entretanto, tão logo assumiu o cargo começou sua ação contra as vacinas, demitindo um grupo de 17 cientistas especialistas em vacinas, cortou as subvenções para pesquisas sobre vacinas, tornou opcional e não obrigatória a vacinação de crianças nas escolas, e acaba de demitir Sandra Monarez, do cargo de diretora dos CDC, centros de prevenção e controle de doenças. Logo depois de empossado como presidente, Donald Trump já havia retirado os CDC da Organização Mundial da Saúde, onde tinham participação ativa.

A demissão de Susan causou surpresa, pois sua nomeação tinha sido confirmada pelo Senado há pouco mais de um mês por ser reconhecida especialista em doenças infecciosas.

A demissão veio em reação à sua posição em favor do uso de vacinas. Embora Susan tenha resistido à demissão, o ministro anti-vacinas recorreu ao presidente Trump, obtendo a declaração de que Susan não dirigia mais os centros CDC. Em apoio a Susan, um grupo de cientistas também se demitiu.

Está ocorrendo nos Estados Unidos um desmantelamento da credibilidade científica, diante do negacionismo do ministro da Saúde.

A imprensa europeia assinala que diante dessas opções não científicas do governo passa a correr perigo a saúde pública nos Estados Unidos, quebrando uma situação de prestígio ocupada até a chegada de Trump ao poder.

Numerosas doenças banidas até agora com a vacinação nas escolas poderão ressurgir, sem a obrigatoriedade da vacinação. E não serão os pastores da vertente evangélica Cura Divina, verdadeiros embusteiros, que impedirão o ressurgimento dessas doenças como varíola, pólio, sarampo, hepatite B, meningite, tétano e outras. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI
 

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Estados Unidos da América - Mulheres não devem votar

Quando li, há dois anos, o livro premonitório do escritor Douglas Kennedy sobre uma nova secessão dos Estados Unidos, em 2045, depois de uma guerra civil, achei um tanto excessivo. A história começa com execução pública na fogueira de uma atriz de teatro, trans e judia nova iorquina, por haver proferido, numa de suas apresentações, reflexões consideradas blasfémias sobre Jesus, morrendo de medo antes de ser crucificado.

Donald Trump era só um possível pesadelo, porém, há dois anos ninguém poderia imaginar (exceto Douglas Kennedy) nem um terço do que vem sendo praticado por Trump nestes primeiros meses de governo.

Como ainda lhe restam três anos e meio, nada parece impossível em termos de rompimento com a tradição democrática norte-americana. Ninguém pode se considerar seguro num país sem garantia por tempo de serviço, sem garantia de função, onde ministros, professores, reitores, altos funcionários públicos são demitidos e onde Trump parece empenhado em limpar da história os lados negros da escravidão com uma triagem nos livros nas bibliotecas. Em breve haverá uma revisão nos programas escolares e já se pode prever censura política nos cenários de filmes e na edição de livros.

Estarei também sendo excessivo como critiquei o escritor Douglas Kennedy? Talvez não, infelizmente.

A Idade Média, durante a qual o Ocidente viveu alguns séculos, chegou ao fim, entre outros fatores, com a invenção da prensa de Gutenberg, facilitando o acesso ao conhecimento pelos livros e principalmente à livre interpretação dos textos sagrados. Uma importante consequência foi a Reforma acabando com a primazia da Igreja Católica e permitindo a prática independente do culto cristão sem submissão aos dogmas papais.

Pouco a pouco, o poder religioso de Roma foi se esvaecendo, enquanto o fim do feudalismo, transformações sociais, revoluções e crises econômicas impulsionaram na direção de formas democráticas de governo até as atuais grandes concentrações econômicas, oligarquias,  convivendo com ditaduras políticas e teocracias, sem se esquecer das novas tecnologias de comunicação, das high tech, geradoras das redes sociais e de novos tipos de comunicações humanas imediatas, tudo conectado à inteligência artificial.

Tudo isso são os albores de um novo mundo e de novas conquistas sociais? Aparentemente não. Ao contrário, esses albores parecem anunciar o despertar de tempos já vividos.

E um sucesso de livraria na Europa dos livros do escritor italiano Giuliano da Empoli A Hora dos Predadores e Os Engenheiros do Caos não são obras de premonição, mas tratam da nossa realidade.

Um mundo de populistas como Trump e Bolsonaro, como diz a apresentação dos livros, cuja incompetência e erros se transformam em qualidades para seus eleitores. Porém, eles seriam incapazes de ir mais longe se não fossem apoiados pelos especialistas do Big Data. Pessoas desconhecidas do grande público estão mudando as regras da política que, paradoxalmente, parecem provocar ou ameaçam provocar uma enorme marcha-a-ré nas relações internacionais e sociais do nosso mundo.

Por que essa forte dose de descrença? Ao ler mais um dos projetos retrógrados do governo Trump, anunciados pela imprensa - o de retirar das mulheres o direito ao voto.

Num comunicado trocado com pastores evangélicos norte-americanos, o ministro da defesa Pete Hegseth mostrou-se favorável ao fim do voto feminino e à sujeição das esposas ao seu marido, ao republicar no X um trecho das entrevistas de pastores evangélicos contra o voto feminino.

Isso no contexto de declarações do pastor Dough Wilson das Igrejas Reformadas Evangélicas, sobre os EUA como um país cristão num mundo cristão, sem mulheres participando das Forças Armadas.

Para reforçar essas tomadas de posição contra a liberdade e igualdade das mulheres com os homens, outro pastor declarou à CNN que, numa sociedade cristã ideal, o voto seria por família representada pelo marido.

Com esse tipo de regressão, as mulheres norte-americanas evangélicas acabarão perdendo seus direitos e se tornarão como as mulheres iranianas e islâmicas (que podem votar), cidadãs de segunda classe. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Vietname - Um punhado de dólares e arroz “em troca” de clube de golfe de Trump

A agricultora vietnamita Nguyen Thi Huong tem dormido mal desde que as autoridades lhe ordenaram que desocupasse a sua quinta para um resort de golfe apoiado pela família Trump, oferecendo apenas em troca 3200 dólares e provisões de arroz.



O resort de golfe, cuja construção está prevista começar em Setembro, está a oferecer a milhares de residentes estes pacotes de compensação para que deixem os terrenos que lhes proporcionaram o sustento durante anos ou décadas, de acordo com seis pessoas com conhecimento directo e documentos vistos pela Reuters.

O projecto é a primeira parceria da empresa familiar do presidente Donald Trump, no Vietname, que acelerou as aprovações enquanto negociava um acordo comercial crucial com Washington.

Os promotores imobiliários estão agora a reduzir as previsões de compensação de uma estimativa inicial de mais de 500 milhões de dólares, disse uma pessoa familiarizada com os planos, que se recusou a explicar os motivos da redução.

O terreno de 990 hectares designado para o campo de golfe alberga actualmente quintas de fruta, com cultivo de banana e outras.

Embora alguns vejam oportunidades, muitos agricultores são idosos e temem ter dificuldades em encontrar meios de subsistência alternativos na vibrante economia vietnamita, com a sua população maioritariamente jovem.

“Toda a aldeia está preocupada com este projecto porque vai tomar as nossas terras e deixar-nos sem emprego”, disse Huong, de 50 anos, que foi obrigada a deixar o seu terreno de 200 metros quadrados na província de Hung Yen, perto da capital Hanói, por um valor inferior ao salário médio anual no Vietname.

As autoridades determinarão as taxas finais de indemnização com base no tamanho e localização do terreno, com aprovação formal prevista para Setembro.

Cinco agricultores que enfrentam expropriações disseram que as autoridades sinalizaram indemnizações no valor entre 12 e 30 dólares por metro quadrado de terra cultivável. Ofereceram também pagamentos adicionais por plantas arrancadas e fornecimento de arroz durante alguns meses, em linha com um documento visto pela Reuters.

Uma autoridade local não quis falar sobre a compensação, mas afirmou que os preços das terras agrícolas na região geralmente não ultrapassam os 14 dólares por metro quadrado. Noutras províncias, costumam ser mais elevados.

No Vietname comunista, as terras agrícolas são geridas pelo Estado. Os agricultores recebem pequenos lotes para utilização a longo prazo, mas têm pouca influência quando as autoridades decidem retomar as terras. Os protestos são comuns, mas geralmente infrutíferos.

A compensação é paga pelo Estado, mas as construtoras suportam a factura. Quatro dos agricultores contactados pela Reuters não estavam satisfeitos com os preços propostos, uma vez que os seus pequenos lotes iriam render baixos pagamentos.

Milhares de residentes serão afectados, de acordo com um segundo documento das autoridades locais visto pela Reuters, que afirmava que as decisões finais de pagamento eram esperadas para Setembro.

A Sra. Huong arrenda um lote maior a outros residentes, mas pode reclamar uma compensação apenas pelo pequeno lote que lhe foi atribuído e pelas plantas que cultiva. “O que pode alguém como eu fazer depois disto?”

O primeiro-ministro do Vietname, Pham Minh Chinh, afirmou que os agricultores seriam reembolsados de forma justa quando discursou em Maio na cerimónia de lançamento da primeira pedra do projecto de golfe para uma plateia que incluía o filho de Trump, Eric, vice-presidente sénior da Trump Organization.

“Não temos o direito de negociar. É uma pena”, disse Do Dinh Huong, outro agricultor a quem foi dito que a sua terra seria indemnizada em cerca de 12 dólares por metro quadrado.

Disse que teria aceitado o que acreditava ser uma taxa baixa se o terreno fosse utilizado para construir estradas ou outras infra-estruturas públicas. “Mas este é um projecto empresarial. Não sei como é que isso contribuirá para a vida das pessoas.”

As autoridades ofereceram ainda arroz como indemnização, com provisões que variam entre dois e doze meses, de acordo com um dos documentos vistos pela Reuters.

A Sra. Nguyen Thi Chuc, uma agricultora de 54 anos que cultiva bananas no que virá a ser o clube de golfe Trump, foi informada pelas autoridades que poderia receber cerca de 30 dólares por metro quadrado pelo seu terreno de 200 m². “Estou a ficar velha e não consigo fazer mais nada além de trabalhar na quinta”, disse.

Por outro lado, os advogados e investidores da província disseram que o clube de golfe criaria melhores empregos e enriqueceria os residentes.

O senhor Le Van Tu, um residente de 65 anos que será indemnizado pelo seu pequeno terreno e proprietário de um restaurante numa aldeia adjacente ao clube de golfe, disse que irá transformar o seu restaurante num restaurante para servir clientes mais ricos.

Os preços dos terrenos na aldeia quintuplicaram desde que o projecto foi anunciado em Outubro, disse. Também estava feliz com o fim de uma quinta de porcos nas proximidades: “Já não vai cheirar mal.” In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”