Os sobreviventes japoneses dos bombardeamentos atómicos de 1945 disseram ontem que temem que o mundo esteja a caminhar para uma guerra nuclear, com o fim do último tratado de controlo de armas entre os Estados Unidos e a Rússia
A vigência do tratado New Start terminou,
depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter rejeitado a proposta
do homólogo russo, Vladimir Putin, de alargar os limites às ogivas nucleares
por mais um ano.
Terumi Tanaka, dirigente da Nihon Hidankyo, uma
organização de sobreviventes dos bombardeamentos atómicos norte-americanos
contra as cidades de Hiroxima e Nagasáqui, em agosto de 1945, disse que “o
mundo ainda não compreendeu a gravidade da situação”. Este grupo pacifista foi
galardoado com o Prémio Nobel da Paz em 2024.
O último pacto de armas nucleares entre a Rússia e os
Estados Unidos expirou, removendo os limites para os dois maiores arsenais
atómicos do mundo. O fim do Tratado New Start pode abrir caminho para a corrida
ao armamento nuclear.
O Presidente russo, Vladimir Putin, declarou no ano
passado estar pronto para respeitar os limites do tratado por mais um ano, caso
Washington também corresponde-se nos mesmos termos. O presidente
norte-americano, Donald Trump, não se comprometeu com uma prorrogação.
Putin discutiu o fim do pacto com o líder chinês, Xi
Jinping, na quarta-feira, disse o conselheiro da Presidência russa, Yuri
Ushakov, referindo que Washington não respondeu à proposta de prorrogação. A
Rússia vai agir de forma equilibrada e responsável, com base numa análise
minuciosa da situação de segurança, acrescentou Ushakov.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo afirmou, num
comunicado divulgado durante a última noite, que “nas circunstâncias atuais”,
presume que as partes do tratado já não estão vinculadas a obrigações ou
declarações simétricas, incluindo as disposições principais.
O Tratado New Start, assinado em 2010 pelo então
presidente norte-americano Barack Obama e o homólogo russo, Dmitri Medvedev,
restringia as duas partes a um máximo de 1550 ogivas nucleares num máximo de
700 mísseis e bombardeiros prontos a usar. Originalmente, o tratado deveria
expirar em 2021, mas foi prorrogado por mais cinco anos. O pacto previa
inspecções para verificar o cumprimento das disposições. As inspecções foram
interrompidas em 2020 devido à pandemia de COVID-19 e nunca mais foram
retomadas.
Em fevereiro de 2023, Putin suspendeu a participação de
Moscovo nas inspeções, alegando que a Rússia não podia permitir as visitas
norte-americanas às instalações nucleares russas numa altura em que Washington
e os aliados da Aliança Atlântica declaravam abertamente a derrota de Moscovo
na Ucrânia. Ao mesmo tempo, a Rússia sublinhou que não se estava a retirar
completamente do pacto, prometendo respeitar os limites estabelecidos sobre a
posse de armas nucleares.
Ao oferecer, em setembro de 2025, o
cumprimento dos limites do New Start, durante um ano, para dar tempo a ambas as
partes de negociar um novo acordo, Putin afirmou que o fim do pacto seria
desestabilizador e poderia provocar a proliferação nuclear. In “Ponto
Final” – Macau com “Lusa”
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