Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 6 de maio de 2021

Hong Kong - Impressão em 3D “salva” corais

Biólogos marinhos da Universidade de Hong Kong conseguiram recuperar corais na pequena baía de Hoi Ha Wan com o recurso a placas impressas em 3D


Cientistas não esconderam a sua satisfação quando, sob as águas de Hong Kong, viram um molusco a proteger os seus ovos, escondendo-os em estruturas impressas em 3D, que devem funcionar como leitos artificiais para os frágeis recifes de coral. Para estes investigadores-mergulhadores da Universidade de Hong Kong (HKU), a presença de animais selvagens nas lajes colocadas no Verão passado confirma o seu empenho na utilização das mais recentes tecnologias ao serviço do ambiente.

“A impressão 3D permite-nos fabricar placas personalizadas para este ou aquele ecossistema, e é aí que o verdadeiro potencial desta tecnologia é visto”, explicou David Baker, professor da Escola de Ciências Biológicas de HKU, à AFP.

A imagem mais comum de Hong Kong é a de uma selva urbana densamente plantada com altos arranha-céus. Contudo, esta é apenas uma das realidades de um território que tem três quartos cobertos por parques naturais, montanhas e florestas e, como pano de fundo, as águas do Mar do Sul da China, com os seus recifes de coral.

Cerca de 84 espécies de corais vivem em torno de Hong Kong, uma diversidade maior, segundo os cientistas, do que a do Mar das Caraíbas. A maioria está em enseadas relativamente protegidas, distantes do Delta do Rio das Pérolas no oeste e do seu tráfego marítimo pesado.

Mas, tal como os recifes noutras partes do mundo são afectados pela mudança climática, os corais em Hong Kong também sofrem. Por isso, os biólogos marinhos da HKU mobilizaram-se: começaram a colocar grandes placas impressas em 3D no fundo da água, como recifes artificiais para abrigar as larvas de coral.

“Quando fizemos isso, havia poucos peixes”, recordou o investigador Vriko Yu durante uma visita de inspecção à pequena baía de Hoi Ha Wan, parque marinho protegido no extremo leste de Hong Kong.

Seis meses depois, a vida voltou, incluindo aquele molusco, de presença “emocionante”, segundo Yu.

O governo ordenou o início de investigações sobre a condição dos corais em Hoi Ha Wan após um grave episódio de branqueamento, que eliminou a maioria deles. O clareamento é um fenómeno de deterioração que resulta em perda de cor. Deve-se ao aumento da temperatura da água, que provoca a expulsão das algas simbióticas que dão ao coral a sua cor e nutrientes.

Os recifes podem recuperar se a água esfriar, mas morrer se o fenómeno persistir.

Restaurar um recife de corais mortos ou danificados implica a existência de um terreno adequado para permitir que as larvas se agarrem e a impressão 3D tem sido muito fiável. Várias placas com 400 fragmentos de coral foram colocadas numa área de 40 metros quadrados do fundo do mar em Hoi Ha Wan.

Noutras partes do mundo, navios ou pedaços de concreto afundaram na água, mas esses métodos – que muitas vezes também funcionam – podem alterar o ambiente químico.

As placas usadas em Hong Kong são feitas de argila cozida, cujo impacto ambiental é limitado. E se não cumprirem o seu papel de desenvolver uma colónia de coral, irão erodir sem deixar rastros, de acordo com Christian Lange, do “College of Architecture” da HKU. In “Jornal tribuna de Macau” com “Agências Internacionais”


segunda-feira, 3 de maio de 2021

Angola - Introdução de espécies e o seu impacto na biodiversidade marinha local, a situação angolana

O que são espécies introduzidas?

A diversidade nas comunidades locais é o resultado de processos históricos, regionais e locais que afectam a extinção, especiação e dispersão de espécies que, por sua vez, determinarão as biotas e os domínios biogeográficos regionais. No entanto, desde o início das grandes rotas interoceânicas e transoceânicas, a humanidade tem mudado significativamente a distribuição de espécies e os padrões biogeográficos, introduzindo organismos além da sua distribuição nativa. Espécies introduzidas (ou exóticas) são aquelas que foram transportadas, intencionalmente ou não através de meios mediados por humanos, para regiões onde elas não existiam anteriormente

Segundo as definições adoptadas pela Convenção Internacional sobre Diversidade Biológica, se a espécie introduzida consegue reproduzir-se e gerar descendentes férteis, com alta probabilidade de sobreviver no novo habitat, ela é considerada estabelecida. Caso a espécie estabelecida expanda a sua distribuição no novo habitat, ameaçando a diversidade biológica nativa, ela passa a ser considerada uma espécie introduzida invasora.


Impactos das espécies marinhas introduzidas

Uma vez no novo habitat, as espécies marinhas introduzidas podem dispersar-se para substratos naturais e artificiais, causar impactos ecológicos e socioeconómicos em: biodiversidade (ex. redução na riqueza de espécies), habitats (ex. perda de habitat), interacções bióticas (ex. competição por recursos ou espaço), genéticos (ex. alteração na pool de genes por hibridização), turismo (ex. redução de actividades turísticas), pesca (ex. redução da abundância de espécies comerciais), aquicultura (ex. redução na qualidade dos produtos), embarcações-amarrações (ex. aumento do custo de manutenção como resultado da presença de organismos incrustantes), etc.

A bioinvasão é reconhecida como a segunda principal causa de perda de biodiversidade, impactando os serviços ecossistémicos. Portanto, o conhecimento desses eventos é de extrema importância para o desenvolvimento de políticas públicas nacionais e os seus efeitos negativos, podem ser motivo de especial preocupação em regiões do mundo onde o estado de conhecimento da biota marinha é relativamente pobre, pois podem promover a perda da biota nativa antes mesmo antes de ser conhecida pela ciência.

Baías como áreas de interesse

A maior parte do comércio mundial ocorre por transporte marítimo entre portos, concentrados em baías e estuários, criando oportunidades para transferências de espécies associadas a cascos de navios e materiais de lastro. Além disso, as baías são focos para muitas outras actividades conhecidas por transferir organismos, como aquacultura, pesca e recreação ao ar livre. As condições hidrológicas e ambientais locais modificadas permitem fornecer protecção aos barcos, mas por sua vez criam condições favoráveis para a chegada de espécies introduzidas.

As baías e os serviços ecossistémicos que nelas existem, como as marinas, são pontos focais ideais para a detecção precoce dessas espécies, o que pode ser um aspecto essencial para uma potencial erradicação e um manejo efectivo, fornecendo igualmente um excelente ambiente para experimentos para testar teorias sobre mecanismos subjacentes ao processo de invasão, especialmente durante as fases de assentamento e estabelecimento.

Espécies introduzidas encontradas em uma marina de Luanda

A situação no Atlântico Sul - O caso de Angola

Estudos do Atlântico Sul que descrevem espécies introduzidas estão, na sua maioria, restritos às costas argentina, brasileira e sul-africana. Dentre os estudos mais importantes, foram relatadas mais de 75 espécies introduzidas na região ao largo do Uruguai e da Argentina; 42 espécies introduzidas de invertebrados bentónicos associadas a incrustações em cascos de embarcações na costa brasileira e 95 espécies introduzidas para a África do Sul.

Considerando este grande número de espécies introduzidas reportadas e o intenso tráfico de escravos que ligaram os continentes americano e africano desde o século XVI, é esperado que a pouco conhecida costa ocidental tropical de África esteja exposta à intensa introdução de espécies introduzidas. No entanto, as mesmas são desconhecidas ou relatadas, na sua maioria, em revistas locais ou na literatura cinzenta.

Angola possui vários portos internacionais e marinas, com uma história de navegação de mais de 500 anos, iniciada pela chegada dos primeiros colonos europeus e intensificada por um forte tráfico de escravos. No entanto, o conhecimento sobre a fauna nativa e introduzida da costa angolana é escasso, impedindo uma melhor compreensão da distribuição das espécies para o Atlântico Sudeste. A falta de avaliação ecológica e estudos das espécies introduzidas marinhas em Angola criou uma lacuna em relação à sua distribuição actual e impacto nas comunidades nativas.

Recentemente, deu-se o início à investigação em bioinvasões marinhas ao longo da costa angolana, concretamente em invertebrados marinhos, com os primeiros estudos a serem realizados nas baías de Luanda e do Lobito. Dos estudos efectuados nas duas baías, foram identificadas 21 espécies introduzidas, das quais 13 espécies são relatadas pela primeira vez em águas angolanas. A maior parte das espécies introduzidas tem origem no hemisfério norte, uma consequência da principal via de introdução, que foi provavelmente a proveniente do Atlântico Norte/Mar Mediterrâneo durante a colonização portuguesa, apesar de também ter-se verificado introduções vindas da Ásia, sendo que as mesmas poderão ter-se dado mais

recentemente, com o aumento de trocas comerciais entre Angola e China nos últimos 10 anos. Várias espécies causadoras de perdas ecológicas e económicas em habitats costeiros em todo o mundo, foram registadas para a região, sendo mandatória a existência de estratégias de manejo de espécies introduzidas em águas angolanas.

Espécies introduzidas encontradas em placas de colonização

O futuro

Certamente subestima-se a diversidade de espécies introduzidas e, desta forma, avaliações regulares e rigorosas, especialmente em relação a outros táxons ainda não mencionados, e monitoramento das espécies marinhas introduzidas ajudarão a entender melhor os vectores, rotas e o tempo das introduções, bem como o papel dos portos e marinas como fontes de invasões marinhas ao longo desta costa. Torna-se assim decisivo o estudo das bioinvasões marinhas na costa tropical ocidental de África no geral, e em Angola em particular, por razões tanto económicas como ecológicas, mas sobretudo para se ter uma imagem global da situação e seleccionar acções para a conservação dos habitats marinhos. Lueji Pestana – Angola in “Novo Jornal”

Lueji Pestana - Professora Auxiliar do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto

 


sábado, 6 de março de 2021

Internacional - Investigador da Universidade de Aveiro na equipa que analisa impacto da Covid-19 na aquacultura mundial

“Tanto os fatores de stress antropogénicos como a pandemia COVID-19 representam desafios económicos significativos para os sistemas de aquacultura em todo o mundo”. A conclusão é apontada num artigo assinado por um consórcio internacional de investigadores, onde se inclui António Nogueira, professor e investigador da Universidade de Aveiro (UA). Entre os “fatores de stress antropogénicos” referidos, destacam-se as alterações climáticas


O artigo “The synergistic impacts of anthropogenic stressors and COVID-19 on aquaculture: a current global perspective” é assinado por investigadores de 54 países e foi publicado no periódico científico “Reviews in Fisheries Science & Aquaculture” (DOI: 10.1080/23308249.2021.1876633). Incluindo membros de quatro continentes (América, Europa, Ásia e África), do consórcio fez parte o académico que é professor do Departamento de Biologia e membro do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA.

As conclusões deste estudo, para já, referem-se ao conjunto dos países analisados, uma vez que os dados por país ainda não foram analisados, afirma o professor da UA. Assim, as conclusões, nesta fase, indicam que tanto os fatores de stress provocados pelo homem, e neste conjunto destacam-se as alterações climáticas, como a pandemia COVID-19 “representam desafios económicos significativos para os sistemas de aquacultura em todo o mundo, ameaçando a cadeia de abastecimento de uma das mais importantes fontes de proteína animal, com potenciais impactos desproporcionados sobre as populações mais vulneráveis.” Entre as populações mais vulneráveis, salientam-se pequenas empresas dedicadas à aquacultura em regime de monocultura suscetíveis a alterações nas cadeias de produção e distribuição, sendo que os sistemas de aquacultura multitrófica integrada são mais resilientes. Este sistema funciona em circuito quase fechado, uma vez que os efluentes que resultam do cultivo de uma espécie são usados como input nos tanques de cultivo de outra espécie.

Fatores múltiplos

A iniciativa partiu da noção de que as medidas restritivas impostas mundialmente para conter a propagação da COVID-19 têm tido consequências diretas nas mais diversas atividades económicas. Em maio de 2020, a pandemia por COVID-19 já era um fenómeno global, tendo o consórcio decidido avaliar os impactes da pandemia na aquacultura. Além disso sabia-se que seria importante avaliar “os efeitos prejudiciais da COVID-19 sob uma lente de stress múltiplo, concentrando-se em áreas que já sofreram perdas económicas devido a fatores de stress antropogénicos na última década, explica-se no sumário do artigo. Ou seja, como pressuposto para o estudo, aceita-se que que os fatores, os motivos da crise/stress são múltiplos, sendo difícil, senão mesmo impossível, isolar os fatores, como seria o caso de uma eventual avaliação dos efeitos da Covid-19 ou das alterações climáticas isoladamente, cujas manifestações ocorrem com diferentes magnitudes e frequência em diferentes países.

O consórcio foi liderado por Gianluca Sarà. professor da Universidade de Palermo (Itália), parceiro do projeto “FISHAQU - Knowledge Exchange in sustainable Fisheries management and Aquaculture in the Mediterranean region” que é coordenado por António Nogueira e financiado pelo programa Erasmus+. In Universidade de Aveiro - Portugal


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Internacional - Estudo alerta para a fraca qualidade ecológica dos rios em todo o mundo


Uma equipa de 29 peritos de todos os continentes, liderada por Maria João Feio, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), fez o ponto da situação sobre a qualidade ecológica dos rios no mundo e as notícias não são boas.

O estudo, que abrangeu 88 países, revela fraca qualidade ecológica dos rios em todo o mundo e a sua elevada perda de biodiversidade. Cerca de metade dos troços ou rios analisados encontra-se abaixo do nível aceitável na Europa e nos Estados Unidos, um terço na Austrália e um quarto na Coreia do Sul.

Uma das consequências da fraca qualidade ecológica dos rios «é uma perda muito elevada de biodiversidade. Por exemplo, na Nova Zelândia 70% das espécies de peixes de água doce estão em perigo, enquanto no Japão 40% estão ameaçadas. Noutros países a monitorização físico-química mostra um grau de poluição muito elevado que põe em risco a saúde humana», assinala Maria João Feio no artigo científico publicado na revista Water, intitulado “The Biological Assessment and Rehabilitation of the World’s Rivers: An Overview”.

Os cientistas avaliaram também o estado de implementação da biomonitorização dos rios, ou seja, a avaliação dos rios com base nas comunidades aquáticas – por exemplo, peixes, invertebrados bentónicos, algas ou outras plantas –, e as medidas que estão a ser tomadas para os recuperar, tendo concluído que, «na maioria dos países do mundo, a monitorização biológica dos rios de forma regular não está a ser feita. Numa grande parte dos países existe, no máximo, uma análise físico-química da água o que é insuficiente para traduzir a degradação destes sistemas resultantes das ações humanas (tais como a articialização das margens, corte de vegetação, presença de espécies não nativas e espécies invasoras, açudes e barragens que alteram a circulação da água, sedimentos e espécies ao longo das bacias hidrográficas)», expõe Maria João Feio.


Em relação à implementação de medidas de reabilitação dos rios, o panorama também não é animador. Segundo os autores do estudo, «apesar de existirem bons exemplos, tanto na Europa (principalmente no norte) como nos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, concluímos que a este nível muito pouco tem sido feito a nível global».

«Se recuperados, os rios podem fornecer serviços muito importantes às pessoas, desde o fornecimento de água e alimento, e contribuir para a melhoria da qualidade do ar, do solo, a mitigação de extremos climáticos e ainda proporcionar zonas de lazer essenciais ao bem-estar humano», comenta a investigadora da FCTUC.

No que respeita aos rios portugueses, Maria João Feio diz que seguimos o padrão europeu, «com cerca de metade das massas de água analisadas em bom estado ecológico. E temos situações muito críticas ao nível dos grandes rios que estão muito alterados por barragens. Em todo o país, existem ainda casos de poluição pontual e difusa e também fortes alterações na vegetação ribeirinha, que é essencial tanto para o funcionamento do ecossistema aquático como para melhorar a qualidade do ar e do solo e filtrar as águas de escorrência que vão ter aos rios».

Tendo em vista a melhoria da qualidade dos rios, a equipa internacional de peritos produziu ainda um conjunto de recomendações, destacando-se, por exemplo, «a necessidade de definição de objetivos ecológicos realistas e claros para os planos de reabilitação/restauro; a obrigatoriedade de fazer planos de reabilitação/restauro ecológico com base em dados recolhidos, a priori, em programas de monitorização e fazer o acompanhamento desses planos também com monitorização ecológica».

Os especialistas defendem ainda a necessidade da criação de equipas interdisciplinares na elaboração dos referidos planos – cientistas conhecedores dos ecossistemas, engenheiros e ainda cientistas sociais –, de modo a «permitir envolver todos os tipos de utilizadores da água (população, indústria, decisores) num objetivo comum. É ainda essencial existir financiamento adequado e que a recuperação dos rios seja colocada nas prioridades políticas nacionais e internacionais». Universidade de Coimbra - Portugal




 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Moçambique – Investigadora ganha prémio da UNESCO para mulheres cientistas

A bióloga e investigadora moçambicana do Instituto Nacional de Saúde, Raquel Matavele, foi distinguida com o prémio Early Career Fellowship, iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), referiu uma nota oficial.

Raquel Matavele ficou entre as 15 investigadoras do continente africano e da região da Ásia-Pacífico vencedoras do prémio, de 50 mil dólares (42,3 mil euros), ao qual concorreu com um projeto relacionado com potenciais tratamentos para covid-19 em populações residentes nas zonas tropicais de África, através de plantas nativas para controlar a resposta inflamatória exacerbada que ocorre em casos graves, refere a nota do Instituto Nacional de Saúde (INS).

“Ao prémio em alusão candidataram-se investigadoras de cerca de 60 países de todos os continentes”, acrescenta o INS.

Raquel Matavele é licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Eduardo Mondlane, mestre em Biologia Celular e Molecular pela Fundação Instituto Oswaldo Cruz, no Brasil, e doutorada em Ciências Biomédicas pela Universidade de Antuérpia, na Bélgica.

A investigadora moçambicana é coordenadora do Programa de Doenças Endémicas de Grande Impacto Sanitário no INS.

Moçambique regista um total acumulado de 9296 casos de covid-19 com 66 mortos e 6104 recuperados (65% do total), segundo as últimas atualizações.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e quarenta e cinco mil mortos e mais de 35,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

terça-feira, 3 de março de 2020

Timor-Leste – Polícia Científica de Investigacão Criminal recebeu equipamentos laboratoriais disponibilizados pela União Europeia



DÍLI – No âmbito do Projeto de Apoio à Consolidação do Estado de Direito em Timor-Leste (PACED-TL), financiado pela União Europeia (UE) e Camões, I.P, decorreu, na passada quinta-feira (27/02/2020), a cerimónia de entrega de equipamentos laboratoriais à Polícia Científica de Investigacão Criminal (PCIC), no que toca aos diversos domínios das ciências forenses, nomeadamente nas áreas de Biologia e Toxicologia.

O equipamento foi entregue pelo Embaixador de Portugal em Timor-Leste, José Pedro Machado Vieira, ao Diretor Nacional da PCIC, Vicente Fernandes e Brito e à Chefe de Laboratório da PCIC, Mónica Menezes, no edifício da PCIC, em Caicoli, Díli.

O Diretor Nacional da PCIC agradeceu, em nome da Instituição, à União Europeia o apoio concedido para reforçar a capacidade laboratorial com vista a efetuar a recolha de vestígios.

Vicente Fernandes referiu ainda que os materiais de laboratório vão permitir aos peritos nacionais efetuarem recolhas das amostras nos diferentes domínios das ciências forenses. Salientou ainda que tem ocorrido no país vários crimes, como o trafico de substâncias ílicitas.

O responsável destacou ainda a importância do apoio concedido, pois visa reforçar o trabalho laboratorial da PCIC, facto que contribuirá para uma investigação mais eficiente.

“Se qualquer investigacão não for realizada através de um teste forense, dificilmente conseguiremos apurar a verdade. Não conseguiremos descobrir quem é o autor nem a cronologia do crime, como é o caso dos crimes de homicídio e violação sexual”, afirmou Vicente Brito.

Também o Embaixador de Portugal em Timor-Leste, José Pedro Vieira, disse que o apoio faz parte do Projeto de Apoio a Consolidação do Estado de Direito Democrático nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Timor-Leste (PALOP-TL), oriundo da parceria entre a União Europeia, PALOP e Timor-Leste.

Salientou ainda que o projeto em causa tem por objetivo consolidar o Estado de direito democrático e a prevenção e luta contra a corrupção, o crime organizado, o branqueamento de capitais e o crime de tráfico de droga.

Recorde-se que a UE tem prestado apoio a PCIC desde 2015, nomeadamente na dinamização de ações de formação destinadas aos investigadores e peritos timorenses. Nelson de Sousa – Timor-Leste in “Tatoli”

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Estados Unidos da América - Extinção do periquito-da-Carolina aconteceu há cem anos de "forma abrupta" e foi causada por ação humana direta


Um investigador português integrou uma equipa internacional que reconstruiu o primeiro genoma completo do extinto periquito-da-carolina, tendo concluído que o desaparecimento da espécie foi um “processo abrupto” atribuível à ação humana direta



O estudo, em que participou o geneticista Agostinho Antunes e que foi publicado hoje na revista “Current Biology”, revela a história evolutiva deste pássaro norte-americano declarado extinto no início do século XX.

“O estudo tentou decifrar uma situação que, do ponto de vista biológico, é bastante interessante e que tem a ver com o facto de uma espécie de periquito que era bastante frequente se ter extinguido na região dos Estados Unidos", disse à agência Lusa Agostinho Antunes, coordenador do Grupo de Genómica Evolutiva e Bioinformática do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto.

O periquito-da-carolina era “um caso único” na família de papagaios por ser a espécie que vivia na latitude mais a norte, com uma distribuição desde o sul da Nova Inglaterra até ao Golfo do México e até ao leste do Colorado.

Apesar de voar em bandos barulhentos de centenas de indivíduos, foi amplamente caçado durante as últimas décadas do século XIX, em parte para obtenção de penas para decorar chapéus.

“Estes periquitos únicos tinham uma coloração muito bonita, com verde no corpo, amarelo na cabeça e laranja no rosto. Era uma ave icónica que foi descrita por vários ilustradores conhecidos”, descreveu Agostinho Antunes.

Ainda assim, a causa de sua extinção permaneceu controversa. De acordo com Agostinho Antunes, embora a sua mortalidade excessiva possa estar associada à destruição recente de habitat e à caça ativa, a sua sobrevivência também pode ter sido afetada negativamente pelo facto de a sua área se tornar cada vez mais irregular ou pela exposição a patógenos de aves.

Para o professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, a extinção desta espécie de “forma abrupta” - o último exemplar morreu em 1918 - constituiu “uma perda muito grande”, porque “sempre que se perde uma espécie não há possibilidade de a repor”.

Para fazerem a sequenciação do genoma da ave, os cientistas reuniram amostras do osso da tíbia e dos dedos de um espécime preservado numa coleção particular em Girona, Espanha, da naturalista catalã Marià Masferrer.

Para mapear o genoma completo da ave extinta, foi sequenciado primeiro o genoma de um parente vivo próximo, o 'Aratinga solstitialis' ou periquito-do-sol da América do Sul.

Os resultados apontaram que “não existe nenhuma prova de uma diminuição da variabilidade genética, que se encontra normalmente associada ao declínio natural de populações, o que coloca uma marca muito precisa nesta situação: o envolvimento dos humanos na extinção destas espécies”, disse Agostinho Antunes.

Por outro lado, a investigação permitiu compreender algumas adaptações únicas desta espécie. “Estes periquitos alimentavam-se de uma planta que contém um poderoso tóxico que não os afetou, mas que os tornou notoriamente tóxicos para os predadores”, explicou. In “Sapo 24” – Portugal com “MadreMedia / Lusa”

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Portugal – Duas medalhas de bronze na XXX Edição das Olimpíadas Internacionais de Biologia



Portugal voltou a ter um fortíssimo destaque mundial na Olimpíada Internacional de Biologia ao ganhar, pelo sexto ano consecutivo, importantes distinções que muito honram o nosso país”, afirma a Ordem dos Biólogos em comunicado.

A XXX Edição das Olimpíadas Internacionais de Biologia decorreu em Szeged, entre 14 e 21 de julho, e contou com a presença de quase 300 participantes, em representação de 78 países.

Portugal teve em sua representação os estudantes Diogo Nogueira, José Miguel Matos, Marco Ribeiro e Raul Jorge Sofia.

Marco Ribeiro, estudante do 12.º ano no Colégio do Ave – Famalicão e Diogo Nogueira, estudante do 12.º ano da Escola Básica e Secundária Vale de Tamel, Barcelos, foram os galardoados com uma medalha de bronze cada.

“Ano após ano, os representantes lusitanos comprovam e promovem a enorme qualidade dos estudantes nacionais de Biologia, cuja qualidade técnica e académica é, invariavelmente, multipremiada ano após ano”, sublinha a Ordem dos Biólogos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

terça-feira, 11 de junho de 2019

Suíça - A vida de uma cientista portuguesa no coração da Basileia

A portuguesa Joana Pinto Couto Silva saiu do Porto para brilhar na Suíça. Conquistando um lugar de destaque entre os jovens talentos da ciência no país, a bióloga participou de uma pesquisa pioneira da Universidade de Basileia, que revelou que hormônios de stress estão diretamente relacionados a metástases do câncer de mama. Atualmente trabalhando no Instituto Novartis para Pesquisa Bio-Médica, NIBR, a cientista conta à swissinfo como é sua vida na Basileia



Ela é uma filha única de pais professores, nascida, crescida e formada entre o Porto e Vila Nova de Gaia. Curiosa e interessada, assim se apresenta ao primeiro olhar a pesquisadora Joana Pinto Couto Silva. Tenho a oportunidade de a encontrar em uma torre da empresa farmacêutica Novartis, no bairro de Klybeck, às margens do Reno. É um dia ensolarado e a bióloga me recebe com um sorriso jovial de generosa afetuosidade. Joana está grávida e o bebê primogênito deverá nascer no final de maio.

A PhD em bio-medicina se mostra radiante com o momento que vive aos 35 anos. Não apenas a maternidade é um motivo de alegria, mas também o reconhecimento pelo trabalho científico. Em março a renomada revista Nature publicou uma pesquisa pioneira da qual ela participou. O estudo estabeleceu a relação entre glicocorticóides e metástases de câncer de mama.

O artigo foi elaborado pela equipe do professor Mohamed Bentires-Alj, do qual Joana foi colaboradora de 2013 a 2018, enquanto pós-doutoranda da Universidade de Basileia (Unibas), e do Instituto Friedrich Miescher de Pesquisa Bio-Médica (FMI). O instituto é uma organização mista que engloba pesquisas interdisciplinares da Unibas e do Instituto Novartis para Pesquisa Bio-médica (NIBR). 

Modesta, Joana minimiza a importância da sua participação nessa descoberta e ressalta que sua atuação foi mais significativa em outras pesquisas já publicadas e ainda pendentes, como o estudo da enzima mutante PIK3CA ou a delimitação de gatilhos para mudanças na identidade celular nas glândulas mamárias.

Independentemente do debate sobre qual contribuição foi a mais significativa, é incontestável que sua competência a conduziu à atual posição: chefe de laboratório no NIBR. Desde 2018 ela lidera uma equipe de três pessoas, cujo objetivo é desencadear descobertas de novos alvos, que resultem em trilhas de pesquisa de medicamentos contra o câncer.

Ser cientista

"É um momento muito interessante para se fazer ciência e descobrir novos fármacos. Começamos a compreender novas formas de atacar alvos que há até pouco tempo atrás estavam fora de questão por serem muito difíceis de serem inibidos. Houve uma mudança na forma de encarar novos alvos terapêuticos, em parte graças aos recentes desenvolvimentos tecnológicos e científicos na area da manipulação genética e novas modalidades para atacar proteínas oncogênicas. Estamos numa era onde basicamente o céu é o limite", avalia.

Joana não está apenas na hora certa, mas também no local certo: o coração da indústria farmacêutica mundial. A Novartis é um gigante com capacidade de custear investimento de impacto. Somente em 2018, a empresa aportou US$ 9,1 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, contabilizando vendas líquidas na ordem de US$51,9 bilhões. A unidade de oncologia respondeu por 38% disso (US$ 13,4 bilhões da receita).

"No meio acadêmico é muito fácil se focar, entrar em uma bolha e esquecer qual é o propósito de tudo. Na indústria nunca esquecemos o propósito. Há o objetivo claro de desenvolver medicamentos que vão ajudar pacientes. A responsabilidade é finalmente produzir algo", diz.

A motivação vem também de uma tragédia familiar. O irmão da mãe faleceu abruptamente em 2012. Entre o diagnóstico e o fim passaram-se apenas três semanas. "Meu padrinho era muito próximo e teve um câncer catastrófico, isso fortaleceu ainda mais meu propósito de persistir pesquisando", conta.

Diversidade

Sendo portuguesa, jovem e mulher, Joana carrega consigo a emblemática da diversidade, um valor também muito presente na empresa. "No começo é bastante assustador perceber que sou apenas uma pequena peça em um grande quebra-cabeças", conta, se referindo aos mais de 13 mil trabalhadores do conglomerado na Suíça.

"Tenho pessoas na minha equipe que são de diversas nacionalidades, idades e formações educacionais", conta. "Estando ciente das diferenças, você aprende que não pode ser controlador sobre a maneira como as pessoas trabalham. Diversidade enriquece a equipe e quanto mais diversa ela for for, mais rapidamente avançará" acredita.     

Saber lidar com a diversidade sem fronteiras foi algo que ela aprendeu em Nova Iorque e no Porto, onde concluiu seu PhD. Joana estudou de 2008 a 2012 no renomado núcleo de pesquisa oncológica Memorial Sloan-Kettering Cancer Center e no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade de Porto (IPATIMUP).

Dos Estados Unidos a pesquisadora recorda: "Todos os dias tínhamos grandes investigadores visitando e palestrando, então havia muita exposição à comunidade científica internacional".

Família bi-nacional

Aqui na Suíça, Joana é uma dentre os mais de 266 mil portugueses que adotaram a confederação como país de residência. Com a maternidade, questões de identidade e pertencimento tem rondado os pensamentos dela.

"Ainda não estou considerando ativamente me candidatar para a cidadania suíça, mas é algo que poderei pensar quando me tornar apta. Quero que meus filhos sejam educados como suíços e portugueses. Naturalmente será mais fácil para eles serem suíços, porque estarão vivendo aqui, mas falarei com eles apenas em português".

A cientista é casada com o pesquisador suíço Adrian Britschgi, que também é especializado em oncologia e pesquisador na indústria farmacêutica.  Eles se conheceram no laboratório do FMI e foi o acolhimento da família dele que a fez chamar a Suíça definitivamente de "lar".

"Por um tempo, é claro, eu sonhava em retornar ao Portugal. Mas agora me sinto também um pouco suíça. Aconteceu uma transformação há cerca de dois anos atrás. Eu já estava aqui há quatro anos e de repente comecei a perceber que esse era o meu lar. Foi uma sensação ao mesmo tempo interessante e estranha, mas devo isso ao meu marido, a sua família e aos amigos que ganhei aqui".

O oposto também é verdadeiro."Agora o meu marido está considerando se candidatar para cidadania portuguesa", diz. "Ele realmente gosta do país, das pessoas e até fala em comprar uma casa lá".

Como a jovem matriarca define sua família? "Somos bi-nacionais, permanecemos tão conectados à cultura suíça quanto à portuguesa!". Marina Wentzel – Suíça in “Swissinfo”

Perfil

2018: Chefe de Laboratório no Instituto Novartis de Pesquisa Biomédica, Basileia

Pesquisa:

2013-2018: pós-doutoranda no Instituto Friedrich Miescher de Pesquisa Biomédica (FMI) e Departamento de Biomedicina da Universidade de Basileia

Graduação:

2008-2012: PHD em Biomedicina Humana na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto, Portugal e Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, New York, EUA

2002-2006: licenciatura em Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

domingo, 10 de março de 2019

Brasil - Possui entre 15% e 20% da diversidade biológica mundial



O uso sustentável de recursos naturais é crítico para gerações atuais e futuras do Brasil. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, para que isso seja possível, ao mesmo tempo que se monitora a perda da biodiversidade e se trabalha nos esforços de conservação, é crucial compreender primeiro os recursos da nação.

Entre 15% e 20% da diversidade biológica do planeta é encontrada no país, que tem mais de 120 mil espécies de invertebrados, cerca de 9 mil vertebrados e mais de 4 mil espécies de plantas. De acordo com o Pnuma, o Brasil está no topo dos 18 países megadiversos.

A agência aponta uma média de 700 novas espécies animais descobertas todos os anos no Brasil.

Para o Pnuma, armazenar todas as informações de maneira que possam ser utilizadas é um desafio enorme, especialmente considerando o tamanho do país e o número de instituições envolvidas na pesquisa sobre biodiversidade.

A coordenadora geral de biomas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil, Andrea Nunes, explica que “quando a informação é espalhada através das diferentes instituições, fica mais difícil de localizar ela, julgar a qualidade dos dados e compreender como ela pode ser utilizada.” Fora isso, a também coordenadora do projeto Sistema de Informação de Biodiversidade Brasileira, diz que o “tempo necessário para compilar os dados pode tornar ineficiente o seu uso, como é o caso nas políticas públicas.”

Andrea Nunes destaca, como exemplo, o caso do mapa das áreas prioritárias para conservação, uso sustentável e benefício de compartilhamento da biodiversidade. Segundo ela, o mapa é uma ferramenta de política pública para apoiar os processos participativos de tomada de decisão, como a criação de áreas protegidas.

Como aponta a especialista, o “desenvolvimento deste mapa pode levar dois anos, por isso ele é atualizado a cada quatro ou cinco anos, o que é muito tempo quando se pensa em termos de dinâmica territorial e mudanças no uso da terra.”

Mas, com o apoio do Pnuma e o Fundo para o Meio Ambiente Mundial, uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil está trabalhando para mudar esse cenário, criando o recurso mais abrangente do país sobre a biodiversidade nacional.

O Sistema de Informação de Biodiversidade Brasileira atualmente reúne data e informação de mais de 230 instituições, de universidades a centros de pesquisa, museus, agências estatais, jardins botânicos e zoológicos.

Operando desde novembro de 2014, o sistema tem como objetivo apoiar a ciência, a política pública e a tomada de decisões relacionadas à conservação do meio ambiente e o uso sustentável de recursos naturais.

A meta é alcançada incentivando e facilitando a digitalização e a publicação on-line, integrando dados e informações de acesso aberto da biodiversidade brasileira.

Usos

Como aponta o Pnuma, para os pesquisadores, o sistema é um ativo inestimável. Um cientista pesquisando um animal em extinção como o lobo-guará, por exemplo, pode agora encontrar informações abrangentes sobre a espécie. Além disso, ele pode divulgar o seu próprio trabalho para um público mais amplo de pesquisadores em todo o mundo.

O sistema também tem outros usos práticos. Os agricultores por exemplo, podem usar a plataforma para ajudar a calcular os créditos de compensação ambiental ou para decidir em quais espécies devem priorizar os esforços de recuperação.

Entre estas está a flora em extinção, ou plantas que fornecem abrigo e alimento para espécies ameaçadas da vida selvagem na região. Outro benefício é que qualquer usuário pode contribuir com o sistema enviando fotografias, documentação e informações sobre a biodiversidade por meio do programa Ciência Cidadã.

Para a representante do Pnuma no Brasil, Denise Hamú, a “implementação do Sistema de Informação da Biodiversidade Brasileira é um passo importante em direção à disseminação de dados biológicos no país, tanto para a pesquisa acadêmica quanto para o gerenciamento ambiental.” A representante acrescenta que o “o sistema é cada vez mais relevante para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e a conservação da natureza.”

O banco de dados do sistema já conta com mais de 15 milhões de registros sobre a ocorrência de espécies brasileiras publicadas pelas principais instituições brasileiras de pesquisa. Entre elas estão o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

O sistema também possui dados obtidos em parcerias com herbários na Europa e nos Estados Unidos. Parte dessa informação apoiou a criação de uma ferramenta chamada Biodiversidade e Nutrição, que fornece um banco de dados sobre a composição nutricional de espécies nativas brasileiras. In “Mundo Lusíada” - Brasil

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Portugal - Descoberta nova espécie de abelha

Ana Gonçalves estava ainda a fazer a licenciatura em Biologia quando, em trabalho de campo, em 2016, capturou o exemplar, nas margens do rio Vascão, perto de Mértola. A publicação da nova espécie aconteceu em 2018



Foi um acaso feliz. A primeira e única vez que Ana Gonçalves esteve nas margens do rio Vascão, perto de Mértola, em trabalho de campo, para coletar insetos, foi na primavera de 2016. Mas saiu-lhe logo a sorte grande dos biólogos: descobriu uma nova espécie. Neste caso, uma nova abelha, que tem, além disso, a particularidade de ser única na Europa.

Ana Gonçalves, que está neste momento a fazer o mestrado em Biologia da Conservação, na Universidade de Lisboa, não se apercebeu na altura de que tinha um pequeno tesouro científico nas mãos. Nem podia. Como sempre fazia com as abelhas, enviou o exemplar para David Baldock, um inglês que estava na época a completar o catálogo das abelhas de Portugal - e não pensou mais no assunto. Só que, as coisas acabaram por se desenvolver de forma inesperada.

Intrigado com a aparência um pouco bizarra daquela abelha, David Baldock decidiu enviá-la para um especialista francês em entomologia, Gerard Le Goff, que a estudou. E, um belo dia, no ano passado, Ana Gonçalves recebeu um telefonema de Le Goff. A abelha, disse ele, era uma nova espécie, era necessário fazer a sua publicação.

"Fiquei muito contente, não estava nada à espera", conta a jovem bióloga ao DN. "Não é todos os dias que se descobre uma abelha nova em Portugal, mas isso também mostra como ainda se conhecem muito mal as espécies de insetos, não apenas no nosso país mas em geral", sublinha.

No artigo que publicaram, ainda em 2018, na Zobodat, Gérard Le Foff e Ana Gonçalves batizaram a nova espécie como Protosmia lusitanica. A sua particularidade mais evidente - "tem outras, mas são pequenos detalhes morfológicos", explica - é a barriga cor de laranja. "Não há mais nenhuma na Europa com esta coloração", nota.

O seu estado de conservação? Não se sabe

A Protosmia lusitanica pertence a um grupo de abelhas solitárias que fazem os seus ninhos em cascas vazias de caracóis e que, embora se alimentem de grande variedade flores, não são produtoras de mel. Mas, pelo menos para já, o exemplar que Ana Gonçalves capturou nas margens do rio Vascão mantém-se único para a nova espécie. Por isso pouco se sabe ainda sobre ela, quer da sua biologia quer do seu estado de conservação.

"O exemplar que coletei é uma fêmea, agora era preciso apanhar também um macho para estudar a sua biologia, e ir para o terreno, para avaliar o seu estado de conservação, sobre o qual ainda não sabemos nada", refere.

A estudar neste momento um outro grupo de insetos muito pouco conhecido, as Ariasella, um tipo de moscas corredoras, que não têm asas e só existem na Península Ibérica, em florestas de carvalhos e de outras árvores folhosas, Ana Gonçalves não tem tempo para levar por diante um trabalho em relação à nova abelha.

"Quando estiver mais livre, penso fazer isso, mas também é necessário que haja financiamento", diz. "Era importante fazer este estudo, mas a investigação em insetos em Portugal, e mesmo internacionalmente, tem pouco financiamento. Quem financia a ciência básica não tem muito interesse em investir no trabalho de campo em relação aos insetos. Mesmo internacionalmente, tem-se andado um pouco para trás neste ponto", adianta.

Seja como for, estudar a Protosmia lusitanica não está para já nos seus planos. "Se outros quiserem avançar, é bom", diz. Quanto a si, não está parada e já tem uma série de outras novidades para dar à ciência. Ainda neste ano, Ana Gonçalves espera publicar a descoberta de cinco novas espécies do grupo de moscas que tem andado a estudar. "Até este momento conheciam-se cinco espécies deste grupo na Península Ibérica, e a partir de agora passamos a conhecer dez." Aos 25 anos, não deixa de ser um currículo invejável. Filomena Naves – Portugal in "Diário de Notícias"