Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Brasil - Márcia Mikai ajuda a reinventar crescimento urbano com “agrihoods”, o bairro do futuro

Iniciativa pioneira impulsiona restauração de ecossistemas, fortalece resiliência climática e desenvolve comunidades saudáveis. Com o apoio do PNUMA, novas áreas são projetadas para funcionar em harmonia com a natureza, beneficiando produção de alimentos e abastecimento de água


Cidades e centros urbanos abrigam mais da metade da população mundial e são responsáveis por cerca de 70% das emissões de gases de efeito estufa que impulsionam a crise climática.

Urbanistas no Brasil estão a liderar uma revolução no design das cidades para criar áreas com uma pegada de carbono significativamente menor.

Resiliência climática e comunidades saudáveis

Não é exagero dizer que a forma como as cidades cresceram não tem sido positiva para o planeta. A falta ou inadequação de planeamento levou a uma série de problemas, como inundações, ilhas de calor e escassez de água.

Ao mesmo tempo, as cidades distanciaram-se da produção de alimentos e da natureza. O aumento da distância entre a vida urbana e as áreas agrícolas alimenta o desmatamento, as emissões e a perda da consciência ecológica.

Mas Márcia Mikai e os seus colegas acreditam ter uma resposta para a expansão urbana insustentável. Eles chamam essa solução de agrihood.

A sua empresa, Pentagrama Projetos em Sustentabilidade e Regeneração, está reinventando a forma como as cidades crescem, para que elas passem a impulsionar a restauração de ecossistemas, fortalecer a resiliência climática e desenvolver comunidades saudáveis.

Os urbanistas, designers e arquitetos da Pentagrama colocam as suas ideias em prática em várias cidades brasileiras, especialmente em São Paulo, cuja região metropolitana, com 22 milhões de habitantes, continua a expandir-se sobre áreas agrícolas e florestais, apagando as fronteiras entre zonas urbanas e rurais.

Verde e lucrativo

Em entrevista para a ONU News, Márcia afirmou que estuda os modelos financeiros de sistemas agroflorestais há décadas. Uma das conclusões da pesquisa é que “o agrihood pode ser muito lucrativo”.

Márcia afirma que “muitas pessoas estão extremamente preocupadas com a segurança alimentar; elas querem um lugar para viver que tenha áreas comuns de qualidade e um senso de comunidade”. A especialista relata que quando mostra imagens de como esses bairros podem ser, a pessoas ficam encantadas.

O modelo desenvolvido por Márcia Mikai foi projetado para interromper a expansão urbana desordenada ao recuperar áreas degradadas, muitas vezes abandonadas após terem sido utilizadas em práticas insustentáveis, como a pecuária intensiva.

Nesta versão do agrihood, termo originalmente utilizado para promover empreendimentos residenciais nos Estados Unidos, o terreno é regenerado para combinar práticas sustentáveis de manejo florestal com edificações de uso misto e espaços dedicados à educação ambiental.

Trabalhando com a natureza

Essas novas áreas são projetadas para funcionar em harmonia com a natureza, tornando-se quase uma extensão do ambiente natural. Plantas e árvores nativas e comestíveis são reintroduzidas, ajudando a resfriar as cidades e reduzir o risco de inundações, desacelerando o escoamento superficial da água, além de contribuir para o reabastecimento de aquíferos.

Espécies ameaçadas, expulsas das cidades, encontram refúgio, enquanto espaços verdes compartilhados reconectam os moradores com a produção de alimentos e com a comunidade. Além disso, o ambiente biodiverso absorve ativamente carbono da atmosfera, transformando o crescimento urbano em ação climática.

“Os agrihoods têm inúmeras vantagens”, afirma Mikai. “Eles economizam água, protegem a biodiversidade e permitem que as pessoas consumam alimentos produzidos localmente”. Ela disse que esses podem ser lugares onde “jovens, idosos, pessoas ricas e de baixo rendimento vivem juntas e se integram”.

A brasileira acredita que isso pode tornar-se uma nova realidade.

Os agrihoods brasileiros, que também estão a ser testados em Brasília e Curitiba, reforçam o argumento defendido pela ONU de que investir em soluções positivas para a natureza gera retornos ambientais e económicos saudáveis.

Risco de colapso

No início deste mês, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, PNUMA, divulgou o seu mais recente relatório do Estado do Financiamento para a Natureza.

O documento revela que o volume de recursos destinado a investimentos que prejudicam o planeta, como energia baseada em combustíveis fósseis e construção civil, é 30 vezes maior do que o direcionado a soluções positivas para a natureza, como os agrihoods.

O chefe da unidade de financiamento climático do PNUMA, Ivo Mulder, afirma que a exploração dos recursos naturais precisa ser contida porque “embora esse financiamento negativo para a natureza esteja impulsionando nossas economias, ele acabará levando essas mesmas economias ao colapso”.

“Não coloque cercas”

Além de defender reformas de políticas públicas no relatório, Mulder acredita que a forma como pensamos sobre a natureza também precisa mudar.

Para ele, “as pessoas frequentemente falam sobre a natureza como ambientes intocados, como parques nacionais cercados”. O especialista defende que é preciso integrar a natureza ao nosso cotidiano, adaptando as nossas cidades para enfrentar eventos climáticos extremos, para que, quando houver chuvas intensas, as nossas ruas e casas não sejam inundadas.

Segundo Mulder, essa mudança de mentalidade não deve limitar-se apenas aos líderes dos setores imobiliário, turístico e industrial, mas também alcançar a população em geral.

Ele ressaltou que neste momento de incerteza geopolítica, as pessoas têm uma visão relativamente pessimista do mundo, mas elas precisam imaginar uma alternativa positiva. Por exemplo, como seria Nova Iorque se incorporasse mais soluções baseadas na natureza?

Para Mulder, a cidade poderia ter mais áreas verdes, o que tornaria menos necessário usar menos ar-condicionado durante o verão, e isso poderia resultar em maior produtividade e uma economia mais dinâmica.

Restauração de Ecossistemas

Os projetos de agrihood da Pentagrama Projetos em Sustentabilidade e Regeneração contam com o apoio do BioCidades Empreendedoras, do PNUMA, um programa de incubação criado para apoiar 50 empreendedores em estágio inicial que desenvolvem soluções para a resiliência climática urbana em São Paulo e Curitiba.

O BioCidades Empreendedoras recebe apoio do PNUMA, da Bridge for Billions e do Instituto Legado, organizações que promovem o empreendedorismo social.

O projeto é inspirado pela Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas, uma oportunidade para abandonar políticas que degradam o planeta e revitalizar o mundo natural. ONU News – Nações Unidas

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Marcia Mikai Junqueira de Oliveira - Arquiteta e urbanista pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, MBA em Gestão e Tecnologias Ambientais pela POLI-USP, mestrado pelo IAU-USP, certificada pelo National Charrette Institute (NCI) em gerenciamento e planejamento de Charrettes. Empresária desde 1987, participante de projetos selecionados em Bienais de Arquitetura. Foi membro curador do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), Vice-presidente do Instituto Smart City Business America (atual Conselheira Técnica), docente em cursos de pós-graduação e extensão universitária. Atua com ênfase em projetos colaborativos, cocriação, desenvolvimento de “agrihoods” e sistemas agroflorestais de larga escala.


terça-feira, 30 de abril de 2024

Internacional - Enfrentar o problema do plástico: três formas de reduzir a pegada de carbono

Cerca de dois terços de todas as embalagens plásticas vêm de bens de consumo, sendo as garrafas plásticas a maior fonte individual. No entanto, apenas 9% do plástico é reciclado, sendo que grande parte dele segue para os cursos d´água e contribui para cerca de 11 milhões de toneladas de poluição plástica no fundo dos oceanos – e mais dez milhões de toneladas que entram nos oceanos todos os anos. Relembrando o Dia da Terra, recentemente comemorado em 22/4, como consumidores, temos o poder de fazer a diferença. Veja como:


1)     Opte por garrafas e sacos reutilizáveis/recarregáveis

Quanto mais reduzirmos o consumo de garrafas, embalagens e sacos de plástico, melhor. Estima-se que 1,3 mil milhões de garrafas de plástico sejam utilizadas diariamente em todo o mundo, o que equivale a 1 milhão por minuto.

A forma de combater esse grande volume de resíduos plásticos é parar e pensar no que você joga fora no dia a dia. O que você está descartando no final de cada dia? Você está retirando garrafas plásticas e embalagens de sua bolsa de trabalho? Veja onde você pode comprar recipientes reutilizáveis para usar na preparação e armazenamento de refeições/bebidas; com isso você pode reduzir o desperdício de plástico.

2)     Faça compras sem desperdício

Procurar suprimentos sem plástico pode ser mais fácil do que você pensa. Com os preços exorbitantes das compras de alimentos em muitas cadeias de supermercados, comprar a granel pode ser uma forma de poupar dinheiro – e o planeta.

As lojas de alimentos com desperdício zero são projetadas para eliminar embalagens excessivas e, ao mesmo tempo, incentivar o uso de recipientes sustentáveis em casa para encher e reabastecer com alimentos integrais e produtos domésticos. Em Londres, há uma comunidade crescente para isso, com lojas localizadas pela cidade. Fazer uma mudança sem plástico por meio de compras de alimentos com desperdício zero pode ajudar a reduzir o uso semanal de plástico e resultar em uma redução significativa em seu consumo ao longo de um ano.

3)     Compre de marcas ecológicas

Onde e como gastamos o nosso dinheiro tem um impacto nas tendências de consumo – com um impacto potencial significativo sobre o que as empresas escolhem produzir e oferecer. Considere comprar e apoiar organizações para um futuro mais sustentável. Aqui alguns exemplos de marcas com esse mindset:

Ecover e Method usam plástico reciclado em partes das suas embalagens de produtos de limpeza, com algumas das matérias-primas de origem específica.

Notpla cria embalagens com algas marinhas. Esta alternativa sem resíduos a garrafas e copos de plástico é feita de um material mais barato que o plástico e pode ser usada para embalar água, refrigerantes, condimentos e cosméticos, e até bebidas alcoólicas.

A Evoware é uma empresa social que cria alternativas biodegradáveis aos produtos plásticos de uso único. Desde sacolas plásticas feitas de mandioca e canudos descartáveis feitos de arroz até copos e embalagens feitas de algas marinhas, a Evoware aproveita o poder das plantas em materiais sustentáveis.

Essas escolhas são fundamentais na luta contra a poluição plástica. À medida que líderes empresariais conscienciosos se destacam, precisamos demonstrar apoio por meio de compras ecológicas e garantir que a indústria esteja preparada para se tornar mais verde e limpa.

4)     Siga a estrada de tijolos verdes

É vital que todos nós desempenhemos um papel na economia circular. Por meio dela, empresas e indivíduos podem contribuir para um futuro mais sustentável. Para quem deseja saber mais sobre o assunto, há o curso Sustentabilidade e Economia Circular na Coursera. E para aqueles que desejam calcular sua pegada de carbono e se familiarizar com os fundamentos da sustentabilidade, é possível explorar mais sobre os assuntos no meu curso complementar: O Imperativo da Sustentabilidade. Michael Readey – Estados Unidos da América