Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Redução. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Redução. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 23 de março de 2026

Estados Unidos da América - Moçambicanos sujeitos a caução de 15 mil dólares para entrar no país a partir de abril

Os cidadãos de Moçambique e outros 11 países terão de pagar uma caução de até 15 mil dólares para terem visto de entrada nos Estados Unidos a partir de 2 de abril, anunciou o Departamento de Estado

A medida aplica-se aos titulares de passaportes do Camboja, Etiópia, Geórgia, Granada, Lesoto, Maurícia, Mongólia, Moçambique, Nicarágua, Papua-Nova Guiné, Seicheles e Tunísia. Que terão de pagar a caução, que é reembolsada se o pedido de visto for recusado ou, caso seja concedido, se a pessoa cumprir os termos do visto.

De acordo com uma nota publicada no sítio do Departamento de Estado norte-americano, equivalente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros nos governos europeus, a partir de 2 de abril, estes países são adicionados a uma lista, que já conta 50 países, cujos cidadãos estão sujeitos a esta exigência.

Esta obrigatoriedade começou a ser introduzida pelo governo do presidente Donald Trump no ano passado, no âmbito de uma repressão à permanência ilegal após o vencimento do visto e de medidas mais amplas para reduzir a imigração ilegal.

Ao abrigo do programa, os requerentes de visto de países designados, muitos dos quais de África, que apresentam elevadas taxas de permanência ilegal, têm de prestar cauções de cinco mil, dez mil ou 15 mil dólares (4300 a 13 mil euros), dependendo das suas circunstâncias e do critério do funcionário consular responsável pelo processamento do pedido.

"O programa de cauções para vistos já se revelou eficaz na redução drástica do número de titulares de vistos que excedem o prazo de permanência e permanecem ilegalmente nos Estados Unidos", argumenta o governo norte-americano na nota, acrescentando que quase 97% das cerca de mil pessoas que pagaram a caução não excederam o prazo de permanência do seu visto.

O Departamento de Estado estima que expulsar um migrante do país custa, em média, mais de 18 mil dólares (15,6 mil euros), pelo que considera que este sistema permitirá aos contribuintes norte-americanos poupar até 800 milhões de dólares, quase 700 milhões de euros, por ano.

Com a inclusão destes doze países, são já 50 os que estão sujeitos a este requisito, entre eles os africanos Argélia, Angola, Benim, Botsuana, Burundi, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gabão, Gâmbia, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Maláui, Mauritânia, Namíbia, Nigéria, São Tomé e Príncipe, Senegal, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue. In “Milénio Stadium” – Canadá com “JN”  


quarta-feira, 18 de março de 2026

Internacional - Projeto Europeu REENFORCE impulsiona Agricultura Sustentável e Inovação em Coimbra

O setor agrícola europeu enfrenta o desafio crítico de conciliar a eficiência produtiva com a preservação da biodiversidade e a redução do impacto ambiental. Para responder a esta urgência, Portugal integra o consórcio internacional do projeto REENFORCE, uma iniciativa apoiada pelo programa Horizon Europe da União Europeia.


O projeto REENFORCE foca-se no desenvolvimento de soluções de baixo risco e base biológica para a proteção de culturas, utilizando técnicas de pulverização inteligentes e tecnologia de precisão para minimizar o uso de fitofarmacêuticos convencionais. Coordenado pela Agricultural University of Athens, o consórcio reúne instituições de referência da Grécia, Portugal e Bélgica.

A Clover Strategy, empresa sediada na Incubadora do Instituto Pedro Nunes (IPN), assume um papel central nesta parceria. Sendo a única empresa em Portugal com o reconhecimento de Boas Práticas de Laboratório para estudos de toxicidade ambiental em organismos terrestres e aquáticos, a Clover Strategy reforçará a sua capacidade científica através deste projeto.

Até 2029, a empresa participará num ambicioso programa de intercâmbio, prevendo o envio de colaboradores para missões na Bélgica e Grécia, e o acolhimento de especialistas nas suas instalações em Coimbra.

O REENFORCE assenta num modelo de destacamentos temporários entre os parceiros, visando: troca de conhecimento: promover a colaboração direta entre universidades e empresas; formação especializada: capacitação em gestão de I&D e competências científicas; e empregabilidade: reforçar a carreira dos investigadores e a ligação entre a academia e a indústria.

"O projeto REENFORCE é apoiado pelo programa Horizon Europe da União Europeia, no âmbito da ação HORIZON-WIDERA-2024-TALENTS-03". Esta iniciativa reforça a transição da Europa para uma bioeconomia resiliente e competitiva, posicionando Coimbra e o ecossistema do IPN na vanguarda da inovação tecnológica aplicada à sustentabilidade.

Sobre a Clover Strategy: Sediada na Incubadora do Instituto Pedro Nunes (IPN), a Clover Strategy é especialista em serviços de ecotoxicologia e avaliação de risco ambiental, detendo certificações únicas no mercado nacional para estudos de toxicidade em diversos organismos. Instituto Pedro Nunes - Portugal


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Brasil - Márcia Mikai ajuda a reinventar crescimento urbano com “agrihoods”, o bairro do futuro

Iniciativa pioneira impulsiona restauração de ecossistemas, fortalece resiliência climática e desenvolve comunidades saudáveis. Com o apoio do PNUMA, novas áreas são projetadas para funcionar em harmonia com a natureza, beneficiando produção de alimentos e abastecimento de água


Cidades e centros urbanos abrigam mais da metade da população mundial e são responsáveis por cerca de 70% das emissões de gases de efeito estufa que impulsionam a crise climática.

Urbanistas no Brasil estão a liderar uma revolução no design das cidades para criar áreas com uma pegada de carbono significativamente menor.

Resiliência climática e comunidades saudáveis

Não é exagero dizer que a forma como as cidades cresceram não tem sido positiva para o planeta. A falta ou inadequação de planeamento levou a uma série de problemas, como inundações, ilhas de calor e escassez de água.

Ao mesmo tempo, as cidades distanciaram-se da produção de alimentos e da natureza. O aumento da distância entre a vida urbana e as áreas agrícolas alimenta o desmatamento, as emissões e a perda da consciência ecológica.

Mas Márcia Mikai e os seus colegas acreditam ter uma resposta para a expansão urbana insustentável. Eles chamam essa solução de agrihood.

A sua empresa, Pentagrama Projetos em Sustentabilidade e Regeneração, está reinventando a forma como as cidades crescem, para que elas passem a impulsionar a restauração de ecossistemas, fortalecer a resiliência climática e desenvolver comunidades saudáveis.

Os urbanistas, designers e arquitetos da Pentagrama colocam as suas ideias em prática em várias cidades brasileiras, especialmente em São Paulo, cuja região metropolitana, com 22 milhões de habitantes, continua a expandir-se sobre áreas agrícolas e florestais, apagando as fronteiras entre zonas urbanas e rurais.

Verde e lucrativo

Em entrevista para a ONU News, Márcia afirmou que estuda os modelos financeiros de sistemas agroflorestais há décadas. Uma das conclusões da pesquisa é que “o agrihood pode ser muito lucrativo”.

Márcia afirma que “muitas pessoas estão extremamente preocupadas com a segurança alimentar; elas querem um lugar para viver que tenha áreas comuns de qualidade e um senso de comunidade”. A especialista relata que quando mostra imagens de como esses bairros podem ser, a pessoas ficam encantadas.

O modelo desenvolvido por Márcia Mikai foi projetado para interromper a expansão urbana desordenada ao recuperar áreas degradadas, muitas vezes abandonadas após terem sido utilizadas em práticas insustentáveis, como a pecuária intensiva.

Nesta versão do agrihood, termo originalmente utilizado para promover empreendimentos residenciais nos Estados Unidos, o terreno é regenerado para combinar práticas sustentáveis de manejo florestal com edificações de uso misto e espaços dedicados à educação ambiental.

Trabalhando com a natureza

Essas novas áreas são projetadas para funcionar em harmonia com a natureza, tornando-se quase uma extensão do ambiente natural. Plantas e árvores nativas e comestíveis são reintroduzidas, ajudando a resfriar as cidades e reduzir o risco de inundações, desacelerando o escoamento superficial da água, além de contribuir para o reabastecimento de aquíferos.

Espécies ameaçadas, expulsas das cidades, encontram refúgio, enquanto espaços verdes compartilhados reconectam os moradores com a produção de alimentos e com a comunidade. Além disso, o ambiente biodiverso absorve ativamente carbono da atmosfera, transformando o crescimento urbano em ação climática.

“Os agrihoods têm inúmeras vantagens”, afirma Mikai. “Eles economizam água, protegem a biodiversidade e permitem que as pessoas consumam alimentos produzidos localmente”. Ela disse que esses podem ser lugares onde “jovens, idosos, pessoas ricas e de baixo rendimento vivem juntas e se integram”.

A brasileira acredita que isso pode tornar-se uma nova realidade.

Os agrihoods brasileiros, que também estão a ser testados em Brasília e Curitiba, reforçam o argumento defendido pela ONU de que investir em soluções positivas para a natureza gera retornos ambientais e económicos saudáveis.

Risco de colapso

No início deste mês, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, PNUMA, divulgou o seu mais recente relatório do Estado do Financiamento para a Natureza.

O documento revela que o volume de recursos destinado a investimentos que prejudicam o planeta, como energia baseada em combustíveis fósseis e construção civil, é 30 vezes maior do que o direcionado a soluções positivas para a natureza, como os agrihoods.

O chefe da unidade de financiamento climático do PNUMA, Ivo Mulder, afirma que a exploração dos recursos naturais precisa ser contida porque “embora esse financiamento negativo para a natureza esteja impulsionando nossas economias, ele acabará levando essas mesmas economias ao colapso”.

“Não coloque cercas”

Além de defender reformas de políticas públicas no relatório, Mulder acredita que a forma como pensamos sobre a natureza também precisa mudar.

Para ele, “as pessoas frequentemente falam sobre a natureza como ambientes intocados, como parques nacionais cercados”. O especialista defende que é preciso integrar a natureza ao nosso cotidiano, adaptando as nossas cidades para enfrentar eventos climáticos extremos, para que, quando houver chuvas intensas, as nossas ruas e casas não sejam inundadas.

Segundo Mulder, essa mudança de mentalidade não deve limitar-se apenas aos líderes dos setores imobiliário, turístico e industrial, mas também alcançar a população em geral.

Ele ressaltou que neste momento de incerteza geopolítica, as pessoas têm uma visão relativamente pessimista do mundo, mas elas precisam imaginar uma alternativa positiva. Por exemplo, como seria Nova Iorque se incorporasse mais soluções baseadas na natureza?

Para Mulder, a cidade poderia ter mais áreas verdes, o que tornaria menos necessário usar menos ar-condicionado durante o verão, e isso poderia resultar em maior produtividade e uma economia mais dinâmica.

Restauração de Ecossistemas

Os projetos de agrihood da Pentagrama Projetos em Sustentabilidade e Regeneração contam com o apoio do BioCidades Empreendedoras, do PNUMA, um programa de incubação criado para apoiar 50 empreendedores em estágio inicial que desenvolvem soluções para a resiliência climática urbana em São Paulo e Curitiba.

O BioCidades Empreendedoras recebe apoio do PNUMA, da Bridge for Billions e do Instituto Legado, organizações que promovem o empreendedorismo social.

O projeto é inspirado pela Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas, uma oportunidade para abandonar políticas que degradam o planeta e revitalizar o mundo natural. ONU News – Nações Unidas

___________

Marcia Mikai Junqueira de Oliveira - Arquiteta e urbanista pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, MBA em Gestão e Tecnologias Ambientais pela POLI-USP, mestrado pelo IAU-USP, certificada pelo National Charrette Institute (NCI) em gerenciamento e planejamento de Charrettes. Empresária desde 1987, participante de projetos selecionados em Bienais de Arquitetura. Foi membro curador do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), Vice-presidente do Instituto Smart City Business America (atual Conselheira Técnica), docente em cursos de pós-graduação e extensão universitária. Atua com ênfase em projetos colaborativos, cocriação, desenvolvimento de “agrihoods” e sistemas agroflorestais de larga escala.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Japão - Extrai com sucesso terras raras em missão em águas profundas no Pacífico

Um grupo de investigadores japoneses extraiu elementos de terras raras de um depósito marinho junto à ilha Minami Torishima, no Oceano Pacífico, a dois mil quilómetros a sul de Tóquio, confirmou o ministro da Educação e Ciência


“A Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre (JAMSTEC), sob a jurisdição do Ministério da Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, recuperou com sucesso lama rica em terras raras a uma profundidade de seis mil metros, utilizando o navio de investigação Chikyu”, escreveu o ministro Yohei Matsumoto, na rede social X, no domingo. Matsumoto afirmou que a JAMSTEC divulgará mais detalhes sobre a operação em comunicado nesta terça-feira.

O Chikyu iniciou em 12 de janeiro uma missão inédita com o objetivo de extrair terras raras das águas profundas junto a Minami Torishima, uma ilha desabitada, visando reduzir a dependência económica do país face à China.

A missão do navio de perfuração científica em águas profundas deverá durar até 14 de fevereiro.

O teste ocorre num momento em que a China, de longe o maior fornecedor mundial de terras raras, aumenta a pressão sobre o país vizinho.

A viagem do Chikyu pode levar à produção nacional de terras raras, afirmou em 12 de janeiro o diretor de programas do gabinete do primeiro-ministro japonês, Shoichi Ishii. “Estamos a considerar diversificar as nossas fontes de abastecimento e evitar uma dependência excessiva de determinados países”, afirmou aos jornalistas.

Estima-se que a zona em torno de Minami Torishima contenha mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, o que a tornaria, segundo o jornal económico Nikkei, a terceira maior jazida do mundo.

As “terras raras”, 17 elementos metálicos não particularmente raros, mas difíceis e caros de extrair, são essenciais para setores inteiros da economia – automóvel, energias renováveis, digital, defesa –, servindo para a fabricação de ímanes potentes, catalisadores e componentes eletrónicos.

A China representa quase dois terços da produção mineira mundial de terras raras e 92% da produção refinada, de acordo com a Agência Internacional de Energia. O país usa há muito tempo como alavanca geopolítica o seu domínio na área, inclusive na guerra comercial com os Estados Unidos.

O Japão depende da China para 70% das importações de terras raras, apesar de ter-se esforçado para diversificar as fontes de abastecimento desde um conflito anterior em 2010, durante o qual Pequim suspendeu as exportações por vários meses.

Tóquio e Pequim atravessam uma crise diplomática, desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que admitiu uma reação militar em caso de um ataque chinês a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim. Sinal do agravamento das tensões bilaterais, Pequim anunciou no início de janeiro que iria reforçar os controlos sobre a exportação para o Japão de bens chineses de dupla utilização civil e militar, o que pode incluir os metais raros. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”




terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Japão - Inicia missão em águas profundas para extrair terras raras

Um navio de investigação japonês iniciou uma missão inédita com o objectivo de extrair terras raras das suas águas profundas, visando reduzir a dependência económica do país face à China


O Chikyu, um navio de perfuração científica em águas profundas, partiu do porto de Shimizu, na cidade de Shizuoka (centro-leste), por volta das 09:00, com destino à isolada ilha japonesa de Minami Torishima, no Pacífico, onde as águas circundantes podem ser ricas em minerais preciosos.

Esta viagem de teste ocorre num momento em que a China, de longe o maior fornecedor mundial de terras raras, aumenta a pressão sobre o país vizinho.

A viagem do Chikyu, adiada um dia devido ao mau tempo, pode levar à produção nacional de terras raras, afirma Shoichi Ishii, diretor de programas do Gabinete do primeiro-ministro. “Estamos a considerar diversificar as nossas fontes de abastecimento e evitar uma dependência excessiva de determinados países”, afirmou aos jornalistas reunidos no porto, enquanto o navio se preparava para partir.

Estima-se que a zona em torno de Minami Torishima, ilha situada nas águas económicas do Japão, contenha mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, o que a tornaria, segundo o jornal económico Nikkei, a terceira maior jazida do mundo.

As “terras raras”, 17 elementos metálicos não particularmente raros, mas difíceis e caros de extrair, são essenciais para setores inteiros da economia – automóvel, energias renováveis, digital, defesa –, servindo para a fabricação de ímanes potentes, catalisadores e componentes eletrónicos.

A China representa quase dois terços da produção mineira mundial de terras raras e 92% da produção refinada, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE).

O país há muito tempo usa o seu domínio nessa área como alavanca geopolítica, inclusive na sua guerra comercial com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No entanto, o Japão depende da China para 70% das suas importações de terras raras. E isso apesar de ter-se esforçado para diversificar as suas fontes de abastecimento desde um conflito anterior em 2010, durante o qual Pequim suspendeu as suas exportações por vários meses.

Tóquio e Pequim estão envolvidos há dois meses numa crise diplomática, desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre uma possível intervenção militar em caso de um ataque chinês a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim.

Sinal do agravamento das tensões bilaterais, Pequim anunciou na semana passada que iria reforçar os controlos sobre a exportação para o Japão de bens chineses de dupla utilização civil e militar, o que poderia incluir os metais raros. A missão do Chikyu deverá durar até 14 de fevereiro. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Moçambique – Pretende reduzir taxa de analfabetismo para 23% até 2029

Moçambique quer reduzir a taxa de analfabetismo para 23% até 2029, que actualmente chega a metade nas mulheres, adaptando os currículos às novas dinâmicas tecnológicas e expandido modalidades de educação formal e informal, anunciou o Governo


A ministra da Educação e Cultura moçambicana, Samaria Tovela, citada numa nota daquele ministério, refere que o sucesso da alfabetização no país depende de uma ação “coordenada, sustentável e inclusiva”, que chegue, efetivamente, às comunidades mais vulneráveis, contribuindo para a “justiça social e desenvolvimento sustentável”.

Apesar do progresso registado na educação nacional, a governante reconheceu, contudo, que 49,4% das mulheres continuam analfabetas no país, havendo a necessidade de “intensificar” ações no domínio da educação de jovens e adultos, sendo que, globalmente, a taxa de analfabetismo no país ronda os 38%.

“O Ministério da Educação e Cultura reafirma o seu compromisso com a promoção da alfabetização em Moçambique, estabelecendo como meta a redução da taxa de analfabetismo para 23% até 2029”, refere-se no documento.

Para responder ao desafio, o ministério assinala a implementação do Plano de Ação para Aceleração da Alfabetização de Jovens e Adultos, para aumentar a participação de adultos, com especial atenção às mulheres, raparigas e pessoas com necessidades educativas especiais.

O plano prevê igualmente desenvolver programas integrados de literacia e geração de rendimentos, expandir modalidades de educação formal e informal, tanto em sistemas monolingue como bilingue.

Inclui ainda a adaptação dos currículos às novas dinâmicas tecnológicas e contextos locais, o estabelecimento de parcerias estratégicas para diversificação das fontes de financiamento, o reforço dos mecanismos de gestão, monitoria e avaliação e o investimento na formação e capacitação de professores e alfabetizadores.

O Presidente moçambicano anunciou, em junho, que a taxa de analfabetismo reduziu de 93%, em 1975 (ano da independência nacional), para 38% em 2024, alertando que a pobreza e o desemprego juvenil são ainda “obstáculos” ao desenvolvimento inclusivo. “Com a independência, reduzimos o elevado índice de analfabetismo de 93% em 1975 para 38% em 2024. Embora ainda seja um desafio a sua eliminação, sobretudo nas mulheres, por isso continuamos a trabalhar”, declarou Daniel Chapo.

De acordo com o chefe de Estado, no mesmo período, Moçambique expandiu o ensino a todos os níveis, “incluindo o ensino técnico e superior”, de três institutos de ensino médio e uma universidade em 1975 para 245 institutos e cerca de 60 instituições de ensino superior em todas as províncias em 2024. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sábado, 1 de junho de 2024

Internacional - Estudo da Science alerta para a necessidade de redução do impacto humano nos ecossistemas aquáticos

Um estudo publicado na Revista Science, em que participa a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), alerta para a necessidade de redução do impacto humano nos ecossistemas aquáticos.


Esta investigação contou com a participação de mais de 150 investigadores de 40 países, incluindo Portugal, representado por Cristina Canhoto, professora do Departamento de Ciências da Vida (DCV) e investigadora no Centro de Ecologia Funcional (CFE), Manuel Graça, professor do DCV e investigador do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) e Verónica Ferreira, investigadora do DCV/MARE.

O estudo estima as taxas de decomposição de matéria orgânica em ecossistemas de água doce (uma fonte de emissões de carbono) a nível global. A decomposição de matéria orgânica produzida pela floresta que ladeia os cursos de água é um processo fundamental nos ribeiros florestados, estando na base das teias alimentares aquáticas.

O trabalho de campo decorreu em 550 rios de todo o mundo, onde os cientistas levaram a cabo um ensaio padronizado para avaliar a taxa de decomposição de pequenos pedaços de tecidos de algodão (constituído maioritariamente por celulose, um composto vegetal muito abundante na Terra). Com base nestes testes, foram, posteriormente, utilizados modelos preditivos e algoritmos de machine learning para estimar as taxas de decomposição de celulose e de folhas de várias espécies para várias áreas do globo.

A nível global, este trabalho lança um alerta para a necessidade de redução dos impactos humanos nos cursos de água, o que permitirá evitar a libertação de CO2 para a atmosfera e contribuir para o controlo das alterações climáticas. «Precisamos de minimizar os impactos humanos nas águas doces para gerir de forma mais eficaz o ciclo global de carbono», alertam os investigadores da FCTUC.

Os resultados deste trabalho mostraram maiores taxas de decomposição em áreas agrícolas densamente povoadas (Estados Unidos, Europa e Sudeste Asiático). O que resulta do escoamento agrícola e urbano é um dos principais contribuidores para o aumento das emissões de carbono responsáveis pelas alterações climáticas.

«Quando pensamos em emissões de gases de efeito estufa, tendemos a associar às emissões dos automóveis e da indústria, mas os ecossistemas aquáticos também libertam dióxido de carbono (CO2) e metano, em resultado dos processos naturais que lá ocorrem», revela Verónica Ferreira.

«A decomposição de detritos vegetais é um processo fundamental nos ecossistemas de água doce, mas quando as atividades humanas adicionam nutrientes (como fertilizantes), elevam a temperatura dos cursos de água e as taxas de decomposição também aumentam, levando à libertação de mais CO2 para a atmosfera», complementa Cristina Canhoto.

O estudo aponta, de forma inequívoca, para o impacto determinante que os seres humanos estão a ter nas taxas de decomposição da matéria orgânica nos rios à escala global. Esta descoberta está ilustrada pelos mapas apresentados no artigo, de acesso gratuito através de um sítio construído pelos autores.

«Esta ferramenta de mapeamento online permite que qualquer pessoa perceba com que rapidez os diferentes tipos de folhas se podem decompor nos rios locais», explica Manuel Graça, acrescentando que «a sua utilização permite obter uma estimativa das taxas de decomposição foliar mesmo em rios que não tenham sido alvo de investigação prévia». 

Scott Tiegs (Universidade de Oakland, EUA), Krista Capps (Universidade da Geórgia, EUA) e David Costello (Universidade Estadual de Kent, EUA) são os coautores principais do estudo “Human activites shape global patterns of decompositions rates in rivers”. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Internacional – Projeto para reduzir a captura acidental de megafauna marinha integra a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) integra um projeto internacional que tem como principal objetivo reduzir a captura acidental de megafauna marinha. O “REDUCE - Reducing bycatch of threatened megafauna in the east central Atlantic” acaba de ser financiado pelo programa Horizonte Europa com aproximadamente 9 milhões de euros.


O consórcio do projeto é liderado pela Universidade de Barcelona e o pacote de trabalhos relacionado com a temática “Bycatch monitoring” é coordenado por Catarina Silva, investigadora do Departamento de Ciências da Vida (DCV). Fazem ainda parte da equipa da FCTUC Zara Teixeira e Filipe Martinho, também investigadores do DCV.

A captura acidental pode representar até 40% do total das capturas de pesca, atingindo globalmente até 38 milhões de toneladas descartadas por ano, perturbando a cadeia alimentar oceânica e podendo representar uma ameaça à sobrevivência de espécies já sob pressão de várias outras atividades humanas. Atualmente, já são vários os regulamentos nacionais, europeus e internacionais que partilham um objetivo, que também consta da Estratégia de Biodiversidade da União Europeia (UE): tornar a pesca compatível com medidas de proteção ambiental para conservar espécies marinhas ameaçadas.

«O REDUCE vai apostar no desenvolvimento e teste de novas tecnologias e estratégias de gestão para uma melhor avaliação, monitorização e redução das capturas acessórias de aves, tartarugas, cetáceos, tubarões e raias na frota europeia de pesca de longa distância composta por arrastões, cercadores e palangreiros que operam nas águas do Oceano Atlântico, desde as costas da Península Ibérica até à Macaronésia e Golfo da Guiné».

Assim, este projeto «pretende melhorar os programas de monitorização das pescas, incorporando a monitorização eletrónica, promover a compreensão das capturas acessórias e dos seus impactos nas dimensões científica, económica e social, e avaliar potenciais medidas de mitigação. O “Bycatch monitoring” irá melhorar os programas tradicionais de observação e monitorização de capturas acessórias a bordo e combiná-los com a implementação de novos sistemas modernos de monitorização eletrónica (EMS – “Electronic monitoring systems”) a bordo, permitindo um teste rigoroso da sua função e eficácia», revela a investigadora do DCV.


Os EMS são cada vez mais utilizados para aumentar a cobertura dos observadores, potencialmente até 100%, mas continuam a ser limitados à pesca de palangre e arrasto da UE que atuam na região ECAO. Uma barreira para uma maior utilização dos EMS são os recursos e o esforço significativos para recolher dados.

«Este pacote de trabalhos promoverá a instalação e o teste de EMS na frota de palangre e de arrasto e o desenvolvimento de modelos inteligentes de identificação automática de espécies através de imagens (modelos de Machine Learning) que aumentarão drasticamente a eficiência da recuperação de dados de EMS baseados em câmaras», termina.

O consórcio do projeto é composto por 13 parceiros de países como Espanha, França, Portugal, Reino Unido e Senegal. Universidade de Coimbra - Portugal




segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Internacional - Faculdade de Medicina da Universidade do Porto propõe nova abordagem para reduzir risco cardiovascular em doentes com diabetes tipo 2

Estudo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Medicina avaliou a eficácia de dois fármacos combinados para reduzir de forma adicional o risco cardiovascular

Um estudo internacional liderado por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que a combinação de dois fármacos específicos, bem conhecidos pelos médicos, pode reduzir o risco de doença cardiovascular em doentes com diabetes tipo 2.

Neste trabalho, a equipa avaliou dois grupos de fármacos com benefícios significativos e amplamente usados e seguros, mas cujo impacto do tratamento sob a forma combinada ainda não era suficientemente claro.

Segundo João Sérgio Neves, médico e investigador da FMUP, os resultados revelaram que “a utilização dos dois fármacos em simultâneo reduz de forma adicional o risco cardiovascular”, podendo contribuir para que os médicos e os doentes passem a optar com maior frequência pela utilização deste tratamento.

O investigador salienta que este é mais um pequeno passo para combater a morbilidade e a mortalidade associadas à doença cardiovascular na diabetes tipo 2, sublinhando que “os diabéticos têm um risco de enfarte do miocárdio ou AVC duas a quatro vezes superior à restante população”.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores efetuaram uma análise ao estudo internacional Harmony Outcomes, no qual havia sido avaliado o impacto do tratamento com um medicamento antidiabético da classe dos agonistas do recetor do GLP-1 em doentes diabéticos com alto risco cardiovascular.

Nesta população, os investigadores avaliaram o impacto do tratamento com um agonista do recetor do GLP-1 nos doentes com e sem tratamento simultâneo com medicamentos da classe dos inibidores SGLT2 (outro grupo de medicamentos com benefícios cardiovasculares conhecidos). Posteriormente, os resultados obtidos foram combinados com os dados de um outro estudo internacional – Amplitude-O – o que permitiu avaliar o impacto da terapêutica combinada em mais de mil doentes.

Nova recomendação em vigor

Já após a publicação deste estudo, a Sociedade Europeia de Cardiologia atualizou as suas guidelines, passando a recomendar que todos os doentes com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular sejam tratados com as duas classes de fármacos em combinação, “desde que tenham indicação clínica e não apresentem contraindicações ou intolerância”, salientam os investigadores.

O artigo científico foi recentemente publicado na “Revista do Colégio Americano de Cardiologia”, uma das mais relevantes publicações da área cardiovascular.

Intitulado «GLP1 Receptor Agonist Therapy with and Without SGLT2 Inhibitors in Patients with Type 2 Diabetes», o trabalho é assinado pelos investigadores da FMUP João Sérgio Neves, Marta Borges-Canha, Francisco Vasques-Nóvoa, Davide Carvalho, Adelino Leite Moreira e João Pedro Ferreira. Universidade do Porto - Portugal


quinta-feira, 15 de junho de 2023

Fundação Calouste Gulbenkian - O impacto ambiental de uma exposição

Avaliação de ciclo de vida de "Europa Oxalá" – Maria do Rosário Palha, Patrícia Fernandes, Sara Pais

Inserida no conjunto de ações desenvolvidas pela Fundação Calouste Gulbenkian para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa associadas ao seu funcionamento diário e respetivas atividades, esta avaliação de ciclo de vida procurou criar uma base de conhecimento científico que pode ser aplicada a outros eventos da mesma natureza e, também, por outras instituições culturais e artísticas empenhadas em reduzir a sua pegada ambiental. A publicação inclui ainda exemplos de boas práticas já implementadas pela Fundação Calouste Gulbenkian nos últimos anos e possíveis medidas a implementar para reduzir as emissões de CO2 neste âmbito.

“O mundo da arte é, neste momento, lugar de um importante debate no contexto alargado do combate às alterações climáticas e pela preservação dos ecossistemas, espécies e pela habitabilidade do planeta. É também um local de produção de conhecimento, de discussão e troca de ideias, bem como de experimentação para uma sociedade mais sustentável.

O estudo que agora se apresenta traduz as preocupações da Fundação Calouste Gulbenkian nesta discussão. Produtora de centenas de eventos artísticos por ano, e entre estes, mais de uma dezena de exposições de vocação internacional, a Fundação é destino de centenas de milhares de visitantes, dispondo de vários milhares de metros quadrados de área de exposição, bem como de armazenamento climatizado de obras de arte e de livros. A análise do ciclo de vida da exposição Europa Oxalá, um projecto artístico, europeu e europeísta, reunindo mais de vinte artistas que trabalham o lugar da Europa num mundo pós-colonial, pretende constituir-se como um case study singular que permita compreender e desconstruir a forma como a mais bem-intencionada actividade pode influir de maneira perniciosa na vida de todos.”

In Prefácio, por Miguel Magalhães (diretor Programa Cultura) e Louisa Hooper (Diretora Programa Sustentabilidade)

Publicação elaborada a partir da tese de mestrado de Ana Luna Riks de Lacerda “Avaliação do impacte ambiental de exposições artísticas: Aplicação à exposição “Europa Oxalá”. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal

Ficha técnica

Outras Responsabilidades:

Revisão Científica: Ricardo da Silva Vieira e Ricardo Filipe de Melo Teixeira, Instituto Superior Técnico

Edição: 1ª ed.

Idioma: Português

Coordenação editorial: Fundação Calouste Gulbenkian

Editado: 2023

Páginas: 21 p.


sábado, 11 de março de 2023

Noruega – Vai ser inaugurado o túnel para bicicletas mais longo da Europa e visa reduzir o tráfego na cidade de Bergen


A cidade de Bergen, na Noruega, está a preparar-se para abrir o túnel de pedestres e bicicletas mais longo do mundo.

Em 15 de abril de 2023, o túnel de 2,9 km será aberto ao público com eventos de corrida e ciclismo. Demora cerca de 10 minutos para percorrer e 30 a 45 minutos para caminhar.

Conhecido como Fyllingsdalstunnelen, o túnel corta a montanha Løvstakken na cidade norueguesa do Sudoeste, ligando as áreas residenciais de Fyllingsdalen e Mindemyren. Os ciclistas podem continuar até ao centro de Bergen usando as rotas existentes.

Tanto o túnel Fyllingsdal quanto o restante da ciclovia para o centro da cidade de Bergen são financiados pelo Miljøløftet (Promessa Ambiental) do município, apoiado pelo estado.

O seu objetivo é tornar mais fácil para mais pessoas escolher andar de bicicleta e caminhar ao invés de dirigir. Isso não apenas ajudará a reduzir o tráfego na cidade, mas também ajudará a reduzir as emissões de aquecimento do planeta e a poluição prejudicial à saúde.

A distância total do percurso- de Fyllingsdalen a Festplassen no centro da cidade - é de 7,8 quilómetros, que leva cerca de 25 minutos de bicicleta. Atualmente, pedalar entre estas áreas leva cerca de 40 minutos.

O túnel será realmente o mais longo do mundo?

O túnel de ciclismo de Bergen foi apontado como o mais longo do mundo, mas vem com algumas ressalvas.

O Túnel Snoqualmie perto de Seattle, EUA, tem 3,6 km de extensão. No entanto, ocupa um túnel ferroviário abandonado, por isso não foi construído para esse fim.

O túnel de ciclismo Fyllingsdal é, portanto, o segundo mais longo do mundo em geral e o mais longo que foi construído para esse propósito.

Correndo paralelamente à nova linha de elétrico inaugurada em novembro, o túnel funciona como uma rota de fuga para os passageiros do elétrico.

"Basicamente, é um túnel de fuga para o transporte. Mas houve mentes sábias que disseram que também é possível pedalar por este túnel", explica o responsável do projeto Arild Tveit. "Criando aqui uma passarela, também é possível fazer exercícios... Então é a saúde pública em cada metro deste túnel."

Com o apoio de investimentos do governo, faixas exclusivas para pedestres e ciclistas - com 2,5 e 3,5 metros de largura, respectivamente - foram incluídas no seu projeto.

Qual o horário que o túnel Fyllingsdal estará aberto?

O túnel estará aberto diariamente das 5h30 às 23h30. Possui paragens para descanso bem iluminadas e câmaras de segurança por toda a parte. Telefones de emergência estão disponíveis a cada 250 metros.

A iluminação dinâmica colorida criará uma onda de luz quando um ciclista ou pedestre entrar no túnel em qualquer extremidade, alertando os ciclistas sobre o tráfego que se aproxima. Também está repleto de obras de arte e instalações para tornar a jornada mais interessante.

O túnel será mantido a uma temperatura constante de 7 graus Celsius, tornando-se uma rota de treino atraente para os corredores em dias mais frios.

A cerimónia de abertura em 15 de abril será marcada com uma corrida no túnel no sábado, seguida de um desfile de bicicletas no domingo. Angela Symons – Reino Unido in “Euronews.green”


 

terça-feira, 30 de março de 2021

CPLP - Reunião ministerial aprova plano para combate ao trabalho infantil 2021-2025


Cidade da Praia – A XIV reunião dos Ministros do Trabalho e Segurança Social realizada hoje, por vídeo-conferência, recomendou o reforço das estratégias nacionais de redução da pobreza e aprovou o plano de trabalho para o combate ao trabalho infantil 2021-2025.

O encontro, que acontece sob a presidência de Cabo Verde e que contou com a participação de quase todos os nove países que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), teve como tema “Covid-19 e o mundo do trabalho” e serviu para abordar e concertar posicionamentos no combate aos impactos devastadores da pandemia no mundo do trabalho.

Segundo a ministra da Justiça e do Trabalho de Cabo Verde, Janine Lélis, todos os países tiveram a oportunidade, a partir das suas intervenções, de descrever as suas políticas, as medidas que tomaram para proteger o rendimento das famílias, os postos de trabalho e a saúde das pessoas.

“Resulta unânime que nós todos devemos, cada vez mais, estender os pisos de protecção social para que os nossos países, a nossa comunidade possa responder da melhor forma aos desafios, agora mais expressivos por causa da covid, e por causa do que a covid-19 trouxe para o mundo do trabalho”, explicou.

De entre as recomendações constantes de uma declaração final, a governante cabo-verdiana destacou o reforço das estratégias nacionais para o desenvolvimento de medidas para a redução da pobreza, a promoção de políticas sociais e políticas activas de emprego.

O plano de trabalho para o combate ao trabalho infantil 2021-2025, conforme explicou, foi aprovado como forma de promover o engajamento de todos os países da comunidade na luta contra o trabalho infantil em linha daquilo que se mostra necessário fazer, tendo em conta os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o comprometimento que todos têm em relação à OIT.

Outras recomendações vão no sentido de também reforçar a cooperação e concertação político-diplomática, e de desenvolver as acções de cooperação técnica entre os países, tendo sido instruído o Secretariado Técnico Permanente no sentido de avaliar a possibilidade de reactivar um centro de informação de protecção social.

“Foi entendido aqui que temos boas práticas a partilhar e que seria muito bom a possibilidade de criar esse centro de informação, por forma a que todos possam ter, ao mesmo tempo, um nível de informação sobre as medidas que estão sendo desenvolvidas nos vários países da comunidade para que a gente possa nesta via, de troca de informações e partilha de dados, fazer melhor a favor dos nossos povos”, sustentou.

Igualmente foi mandatado ao secretariado técnico a criação de um grupo de trabalho para promover uma reflexão sobre o Conselho Económico e Social da CPLP, uma entidade que, na perspectiva de Janine Lélis, poderá ser de “grande valia” na medida em que poderá servir de fórum de concertação social a nível da comunidade.

“Será um parceiro social para nos ajudar naquilo que seria a definição das melhores políticas públicas neste sentido”, disse, indicando ainda que houve consenso sobre a necessidade da ratificação da convenção multilateral da segurança social da CPLP, um projecto que já vem de algum tempo, e cuja ratificação se faz necessária para sua aplicabilidade.

Da parte cabo-verdiana, que detém a presidência da CPLP, participou, para além da ministra da Justiça e do Trabalho, Janine Lélis, o ministro da Saúde e Segurança Social, Arlindo do Rosário. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Egipto – Canal do Suez reduz custos de passagem

A Autoridade do Canal do Suez (ACS) anunciou um novo pacote de reduções nas “portagens” cobradas aos navios porta-contentores em viagem entre a Ásia e a costa Leste dos EUA. Os descontos variam entre os 45% e os 65%, consoante as origens/destinos.

As reduções serão válidas por 90 dias e seguem-se aos descontos de 30% implementados em Abril e que vigoraram até domingo passado.

Então como agora, o objectivo da Autoridade do Canal do Suez é evitar a fuga de navios, seja para a Rota do Cabo (mais longa mas mais barata por causa da baixa do preço do combustível), seja para o “novo” Canal do Panamá, que a partir do próximo dia 26 poderá receber navios de maiores dimensões.

Recorde-se, a propósito, que os descontos implementados em Abril não lograram reganhar os serviços que entretanto se mudaram para o Cabo, e que pelo contrário em Maio mais foram os navios que passaram a contornar África por Sul.

Apesar disso, o volume de receitas da ACS cresceu ligeiramente no primeiro trimestre do ano, de 1,236 para 1,239 mil milhões de dólares.

No ano passado, passaram pelo Canal do Suez 17 483 navios, mais 2% do que no ano anterior.

Em Agosto do ano passado, o Egipto inaugurou a expansão do Suez, realizada em tempo recorde, num investimento de 8,5 mil milhões de dólares. In “Transportes & Negócios”