Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Nações Unidas – Curso de língua portuguesa para funcionários esgota vagas em menos de 24 horas

É a primeira vez que a língua será ensinada a diplomatas, funcionários e associados ao lado dos seis idiomas oficiais da organização; iniciativa resulta de parceria das Nações Unidas com o Governo de Portugal; número de matrícula em tempo recorde e criação de lista de surpreendeu até mesmo os professores do Instituto Camões, que ministrarão as aulas


A língua portuguesa começou a ser ensinada neste 28 de setembro no curso regular de idiomas estrangeiros da Organização das Nações Unidas, com sede em Nova Iorque. Segundo os organizadores, é a primeira vez que uma língua não-oficial será compartilhada pela Unidade de Treinamento de Língua e Comunicação da ONU.

Em entrevista à ONU News, na semana passada, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, lembrou algumas credenciais do português que é falado num universo de mais de 300 milhões de pessoas em quatro continentes, além de ser o maior idioma do Hemisfério Sul em número de locutores.

Desafio e promoção

O representante e coordenador do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua nos Estados Unidos, João Caixinha, explicou como surgiu o projeto.

“Nesta visão, estratégia de implementar mais cursos de português em organizações internacionais, o Camões aceitou este desafio da nossa Missão Permanente de Portugal nas Nações Unidas, nomeadamente o desafio que o embaixador Rui Vinhas lançou à Coordenação do Ensino do Camões, no sentido de ensinarmos novos cursos de português junto das Nações Unidas e dos seus funcionários, diplomatas, e outros funcionários como a Monica referiu. E é muito importante que o português tenha uma presença cada vez mais forte junto das Nações Unidas. Até porque não é ainda uma língua oficial, e isto também permite que nós possamos alavancar o nível que queremos para promoção da língua portuguesa junto das organizações internacionais.”

O ritmo recorde com que as vagas foram preenchidas, em menos de 24 horas, surpreendeu até mesmo os tutores do curso, como explicou a professa Carla Gomes da Silva que assumirá as turmas de Português Nível 1, para Principiantes.

Interesse crescente pelo idioma

“E pelo que nos foi dito, há até uma lista de espera. E neste momento, nós iríamos começar com 15 alunos por cada turma, e vamos começar por ter 18 alunos em cada turma. E pelo que foi dito, pelo que entendi, e que foi falado com o dr. João Caixinha, é que no futuro, se possível, é continuar a alargar, não é? Porque realmente há muito interesse. E eu penso que o interesse virá dos profissionais aqui da ONU que realmente querem ter outra ferramenta que é a língua portuguesa para trabalhar na cooperação, para conversar uns com os outros. E eu penso na minha opinião que o interesse virá daí: do interesse crescente pela língua portuguesa.”

A língua portuguesa já é ensinada, há vários anos, a crianças, como disciplina opcional, na Escola das Nações Unidas, aberta a filhos de diplomatas e outros estudantes como língua estrangeira e que tem sede em Nova Iorque.

Este primeiro curso de português para adultos na ONU é coorganizado pelo Escritório do Departamento de Apoio Operacional das Nações Unidas. Já o Governo de Portugal delegou ao Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, a tarefa de ensinar o português.

Línguas que vêm do latim

O representante do Camões, João Caixinha explica a abordagem didática para os novos alunos.

“Eu acho que a nossa dinâmica, o approach, é um pouco diferente, claro, da Escola das Nações Unidas porque é um público estudantil para crianças. Aqui, é um público adulto em que vamos focar, sobretudo, naqueles alunos que ainda não dominam a língua. Esses são claros, obviamente, iniciação. Apesar de poderem conhecer outras línguas, vai depender do perfil de cada aluno, é evidente. E isto a Carla tem experiência para ver quais são as línguas que o aluno já domina. Se forem línguas europeias talvez mais ligadas ao latim como o francês, ou o espanhol, ou outras que tenham a base o latim, talvez a base gramatical seja mais incidente e mais próxima do português.”

Lista de espera e razões para aprender

Considerada a “primeira língua a ser globalizada no mundo”, o português lançou-se aos mares de Norte a Sul com as históricas e pioneiras Grandes Navegações portuguesas numa altura em que para se negociar, comprar e vender, era preciso fazê-lo em português. 



Hoje, quem se interessa pelo idioma aponta esta e outras razões: a importância geoestratégica dos países lusófonos, oportunidades económico-comerciais, avanços na carreira, cultura, história, redes sociais e ainda laços familiares como explicaram as estudantes americanas Chanel Jackson e Kristen Antunes, neste vídeo gravado de Boston para a ONU News.

“Eu queria aprender a língua porque o meu marido é do Brasil e tenho família dos Açores. E agora eu estou grávida e queria ensinar ao meu bebé a língua e a cultura de Portugal.”

Kristen: “E eu queria aprender o português porque o meu pai é da Madeira. E ele emigrou para Massachussetts com a minha família. Muitas pessoas em Massachussetts e nos Estados Unidos falam português no dia a dia.”

A italiana, Lara Palmisano, que trabalha na ONU em Nova Iorque, entrou na lista de espera, e explicou o porquê de querer aprender o português.

Lara conta que escuta bastante música portuguesa e brasileira e que gostaria de entender a letra das canções. Ela também tem planos de visitar o Brasil e Portugal e se comunicar diretamente com as pessoas.

E para outros futuros alunos que querem aprender o português, a professora Carla termina com uma dica:

“Bom. A minha dica é sempre a exposição à língua. Seja ela que maneira for, seja na leitura. Seja pela à música. Seja pelas férias em Portugal. Eu sou professora das escolas comunitárias há mais de 20 anos. E realmente, quando os miúdos iam a Portugal passar férias e voltavam em setembro era uma riqueza. Ouvir todos os alunos a falarem português de uma forma incrível. Então nós dizíamos que esse era o melhor remédio: era ir a Portugal, passar umas férias e passar tempo com a família e falar português. Mas para quem não pode fazer isso, realmente, o importante é expor-se à língua. Tentar conversar com pessoas que saibam falar essa língua. Até tentar ler uma notícia, ou um pequeno livro em português. A exposição à língua é muito importante.”

As línguas oficiais da ONU já ensinadas na organização são: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo.

O Instituto Camões lembra que as aulas irão de 28 de setembro até 11 de dezembro com possibilidade de continuidade para um segundo trimestre.

O curso é inteiramente gratuito para funcionários da organização, que só pagam uma taxa simbólica em caso de ausência ou reprovação. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Macau - Bibliotecas públicas já têm 120 mil livros em língua portuguesa

As bibliotecas públicas de Macau tinham um total de aproximadamente 120 mil livros escritos em língua portuguesa até ao fim do ano passado, tendo o volume aumentado cerca de 2% face a 2021, constatou o Instituto Cultural (IC), em resposta ao Jornal Tribuna de Macau. Por outro lado, o IC revelou que, de 2022 ao corrente ano, o Fundo de Desenvolvimento da Cultura subsidiou a publicação de 28 livros e publicações na Língua de Camões, para os quais concedeu apoios financeiros de 1,5 milhões de patacas no total. Já o próprio IC publicou 45 obras em português, entre 2021 e Maio deste ano


Até ao final de 2025, as bibliotecas públicas em Macau acolhiam um total de cerca de 120 mil livros em língua portuguesa, o que representa um acréscimo de aproximadamente 2% em relação a 2021, revelou o Instituto Cultural (IC), numa resposta enviada ao Jornal Tribuna de Macau. Segundo frisou, essas bibliotecas subordinadas ao IC têm enriquecido de forma contínua o acervo, conforme o princípio das “Políticas de Desenvolvimento de Colecções”. Em simultâneo, as bibliotecas públicas disponibilizam diariamente cerca de oito jornais em língua portuguesa para leitura.

Actualmente, a RAEM conta com 16 bibliotecas públicas, sendo que 13 se localizam na Península, duas em Coloane e uma na Taipa. Por outro lado, no antigo Hotel Estoril, está a ser construída a Nova Biblioteca Central de Macau, cuja obra de superestrutura deverá estar concluída em Março de 2028.

De acordo com o Anuário Estatístico referente a 2025, no ano passado, as bibliotecas e salas de leitura públicas em Macau contavam com mais de 2,375 milhões de livros no total. Face ao volume de 2,32 milhões contabilizado em 2021 (indicado no Anuário Estatístico de 2023), houve um aumento de quase 2,4%. Com base nesses dados, no ano transacto, os livros escritos em português representavam 5% do total dos livros nas bibliotecas e salas de leitura públicas no território.

Por outro lado, o IC revelou que, em 2025, as bibliotecas públicas emprestaram cerca de 4100 livros em língua portuguesa a um total de 2400 pessoas/vezes.

Presentemente, existem também livros antigos em formato digital em língua portuguesa, compostos por aproximadamente 280 títulos e 330 volumes, observou o IC. Segundo continuou, no ano passado, houve um total de 17 consultas bibliográficas relacionadas com os respectivos livros digitais.

O IC indicou ainda ter feito 45 publicações em português, entre 2021 e Maio deste ano, englobando, por exemplo, catálogo de exposições, colecção de desenhos de levantamento arquitectónico e informação urbana. A par disso, publica anualmente a Edição Internacional da Revista de Cultura, escrita em inglês e português.

Adicionalmente, lembrou ter publicado, este ano, a versão em língua chinesa dos contos “Mong-Há”, de Henrique de Senna Fernandes, por forma a “ajudar a conhecer a situação real da vida dos portugueses e chineses em Macau no passado”.

Segundo revelou, de 2022 ao presente ano, o Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC) subsidiou a publicação de um total de 28 livros e publicações na Língua de Camões, tendo atribuído apoios financeiros que totalizaram cerca de 1,5 milhões de patacas.

17 milhões para actividades de cultura portuguesa

Noutra esfera, o IC recordou que, nos últimos anos, tem vindo a impulsionar activamente o intercâmbio e a cooperação culturais entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP), através da realização de actividades culturais sino-lusófonas. Em paralelo, revelou que, por via do “Plano de Apoio Financeiro para Actividades / Projectos Culturais” e do “Plano de Apoio Financeiro aos Projectos do Património Cultural Intangível”, o FDC apoiou associações locais sem fins lucrativos na realização de 157 actividades culturais relacionadas com a cultura portuguesa, entre 2022 e Maio deste ano, tendo concedido cerca de 17 milhões de patacas em apoios financeiros.

Em relação às actividades culturais sino-lusófonas realizadas pelo IC, o organismo liderado por Leong Wai Man destacou que, em 2025, o “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, que incluiu o Festival da Lusofonia, atraiu a participação de mais de 90 mil pessoas / vezes, com mais de 80 programas, englobando exposição anual de artes, exposição de livros ilustrados, espectáculos na comunidade, festival de cinema, concerto e workshops.

Além disso, mencionou a realização de diversas exposições artísticas e culturais sino-lusófonas, exemplificando com “Helena Almeida: Estou Aqui – Presença e Ressonância”, “Reflexos das Ligações Marítimas: O Intercâmbio Cultural Sino-Português entre os Séculos XVI e XIX”, bem como “Reflexos do Mar de Espelhos: Exposição de 500 Anos de Intercâmbio entre as Civilizações Chinesa e Ocidental em Macau”, realizada em Abril deste ano em Lisboa. Para o IC, essas actividades “reflectem plenamente o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as culturas chinesa e portuguesa”.

Questionado sobre se planeia lançar novas actividades culturais ligadas à lusofonia no futuro ou se tem intenção de alargar a dimensão das actividades do género existentes, o organismo referiu que “o IC e o FDC irão rever continuamente a eficácia das actividades, integrando e optimizando os projectos existentes, na esperança de, através de actividades diversificadas de intercâmbio cultural sino-lusófono, reforçar os laços humanísticos e artísticos entre a China e os PLP, fazendo com que Macau desempenhe plenamente o papel enquanto ‘Uma Plataforma, Uma Base’, impulsionando o intercâmbio e a cooperação culturais entre a China e os países lusófonos”.

Edição de “Os Livros e a Cidade” mostra quotidiano na Macau de Senna Fernandes

A 43.ª edição de “Os Livros e a Cidade”, publicada pela Biblioteca Pública, está já disponível, informou o Instituto Cultural (IC). Na secção “Fala o Autor”, Iok Lan Fu Barreto, tradutora da obra literária portuguesa de Macau “Mong-Há”, apresenta aos leitores o antigo modo de vida de Macau, retratado por Henrique de Senna Fernandes, recriando o quotidiano das comunidades portuguesa e chinesa da época. Além disso, a secção “Novos Lançamentos” recomenda uma variedade de livros e revistas recentes, incluindo também 10 recensões de livros em chinês, português e inglês, “visando alargar os horizontes e servir de inspiração na escolha de futuras leituras”. O IC indica ainda que esta edição é dedicada ao tema “Leitura Divertida na Comunidade”, apresentando as diversas actividades e serviços oferecidos pela Biblioteca Pública. A secção “Lupa”, por seu turno, destaca os novos recursos electrónicos recentemente disponibilizados e várias exposições de livros de temas específicos que terão lugar no segundo semestre do ano. Estão disponíveis para levantamento gratuito 3.000 exemplares de “Os Livros e a Cidade”, quer em bibliotecas, quer em instituições de ensino superior, na Galeria Tap Seac e em várias livrarias, bem como nos diversos espaços culturais e artísticos da cidade. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


Bélgica - Português para adultos: Inscrições abertas em Bruxelas

O Centro de Língua Portuguesa Camões, I. P. de Bruxelas abriu as inscrições para os cursos de português destinados a adultos, dirigidos a quem pretende aprender a língua ou aprofundar os conhecimentos já adquiridos

Os cursos são lecionados por professores nativos e abrangem diferentes níveis de aprendizagem. Entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027 estarão disponíveis os níveis Iniciação A1 e Intermédio B1.1. Entre fevereiro e junho de 2027 serão lecionados os níveis de Iniciação A2 e Intermédio + B1.2.

Nesta primeira fase, estão abertas as inscrições para os níveis A1 e B1.1, que decorrem até 30 de setembro. Os interessados podem consultar as informações e efetuar a inscrição através do formulário disponibilizado pelo Centro de Língua Portuguesa Camões, I. P. de Bruxelas.

Para esclarecimentos adicionais, é possível contactar o Centro através do endereço clp.bruxelas@camoes.mne.pt. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 13 de setembro de 2026

Luxemburgo – Língua portuguesa em destaque nas comemorações do Dia Europeu das Línguas

O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, através do Centro Cultural Português – Camões Luxemburgo e da Coordenação de Ensino Português no Benelux, associa-se ao Instituto Pierre Werner e ao Parlamento Europeu para assinalar o Dia Europeu das Línguas


A iniciativa realiza-se no dia 25 de setembro, a partir das 18h00, no Parlamento Europeu, em Kirchberg, e pretende celebrar a diversidade linguística e cultural da Europa, promovendo o conhecimento das diferentes línguas faladas no continente.

O programa contará com a participação de Paulo Condessa, escritor, poeta e ‘performer’, que apresentará a intervenção “Uma língua à volta do mundo”, dedicada à língua portuguesa. Através da leitura de poemas e da apresentação de curiosidades relacionadas com a história e a evolução do português, o artista convidará o público a conhecer diferentes perspetivas sobre uma língua que atravessa fronteiras e une comunidades em vários pontos do mundo.

A Coordenação de Ensino Português no Benelux estará presente com um stand dedicado à língua portuguesa e à sua aprendizagem. Também a Livraria Pessoa participará na iniciativa, disponibilizando uma seleção de livros para venda e contribuindo para a divulgação da literatura e da cultura portuguesas.

As intervenções realizadas nas diferentes línguas contarão com tradução simultânea para inglês.

A organização considera que esta será uma oportunidade para celebrar a diversidade linguística e cultural europeia e, simultaneamente, dar a conhecer a riqueza e a dimensão internacional da língua portuguesa.

A inscrição, obrigatória e gratuita, pode ser feita aqui.

O evento terá lugar no Parlamento Europeu – Luxemburgo, situado na 17, Avenue John F. Kennedy, L-2929 Luxembourg – Kirchberg, no dia 25 de setembro de 2026, a partir das 18h00. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Cabo Verde - Colecção “Stória pa Mininus” disponibiliza 10 livros bilingues em Kriolu e Português para promover identidade infantil

Cidade da Praia - A colecção Stória pa Mininus lançou 10 livros bilíngues em Kriolu e Português, numa iniciativa destinada a facilitar o contacto das crianças com a língua materna e reforçar a ligação às raízes culturais cabo-verdianas.

O projecto, concebido pela tradutora Karolina Abramowicz, apresenta contos infantis universais na variante do crioulo de Santiago em paralelo com o português.

Segundo informação enviada à Inforpress, a nova edição assume relevância estratégica para as comunidades cabo-verdianas na diáspora, ajudando as crianças residentes no estrangeiro a manterem ligação com as suas raízes, sobretudo as crescidas em Portugal.

A colecção inclui clássicos como “Sinderela”, Rapunzel, Prinseza y Ervilha, Patinhu Feiu, Kapuxinhu Burmedju, Gatu di Bota, Djon ku Maria, Djon y Fixon Májiku, Branka di Nevi e Tres Porkinhu.

Lançado em 2023, o projecto tem como objectivo levar literatura infantil em crioulo cabo-verdiano, variante de Santiago, aos jovens leitores.

Para além das 10 histórias internacionalmente conhecidas, Karolina Abramowicz adaptou ainda uma selecção de histórias polacas para integrar a colecção.

No mesmo ano, foram impressos 3445 livros e livros para colorir, distribuídos por 206 instituições em Cabo Verde, Portugal e Estados Unidos.

Ainda em 2025, o projecto passou também a disponibilizar novos formatos, incluindo audiolivros narrados por mulheres cabo-verdianas, vídeos que combinam narração e imagem e vídeos em língua gestual, com o propósito de tornar as histórias mais inclusivas e acessíveis.

Os recursos digitais da colecção estão disponíveis gratuitamente online. In “Inforpress” – Cabo Verde





segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Macau – Superado apenas pelo Brunei no que diz respeito ao bem-estar da população entre os países ou zonas da Ásia

Depois de ter percorrido um longo roteiro passando por Yunnan, Tibete e outras localidades, o nosso grupo de visita de estudo à China chegou finalmente a Hengqin, uma parte de Zhuhai que parecia uma cidade moderna cuja construção em ilhas Hengqin, atrasadas, começou em 2009, no âmbito da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin desde 2021, com grande dinamismo económico e com um posto de controlo para entrada e saída de Macau.


Com dois anos de trabalho em Macau e algumas visitas posteriores, atravessei imensas vezes a fronteira Macau-Zhuhai pelas Portas do Cerco, onde tinha de passar pelo controlo de Macau e fazer uma caminhada com malas para chegar ao controlo de Zhuhai, ou vice-versa. Mas o posto de Hengqin apresenta um processo totalmente diferente: num enorme salão moderno passámos com malas pelo controlo de Zhuhai e depois, para grande surpresa nossa, o controlo de Macau estava mesmo ao lado, separado apenas por um vidro.

Quando saímos de Macau via Ilha Artificial, ou posto da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, era o mesmo sistema de dois controlos num posto, mas com dois destinos a optar: Zhuhai e Hong Kong. A passagem era tão fácil, sendo realmente uma novidade para mim.

Logo no dia seguinte da nossa chegada, fomos visitar a Macau University of Science and Technology (MUST) e deparei-me com outra novidade: existem agora dez estabelecimentos de Ensino Superior, em contraste com uma, Universidade Ásia Oriental (hoje Universidade de Macau), em 1987 quando trabalhava em Macau. Fundada em 2000, a MUST tem conhecido grandes desenvolvimentos fabricando até um satélite lançado em 2023.

Vimos grandes filas de novos alunos a fazer matrícula, levando malas muitos grandes, a revelar que vinham de outras partes da China.

Tivemos um convívio alegre com professores e alunos do Departamento dos Estudos Portugueses, a ver vídeos sobre Macau, sendo alguns feitos pelos alunos chineses a apresentar, em português, temas referentes à cultura portuguesa em Macau, como a língua, a gastronomia, etc. Seguiu-se uma sessão de perguntas e respostas em português entre visitantes e alunos. A conversa era tão animada que até pedimos para adiar o almoço e todos concluímos que era o ponto alto da nossa viagem.

A senhora Zhang, nossa guia, falou-nos de Macau com orgulho: em relação ao bem-estar do povo, Macau ocupa o 2.º lugar entre países ou zonas da Ásia, superado apenas por Brunei; boas políticas de assistência médica gratuita, sobretudo para idosos e doentes de cancro e problemas mentais; Educação gratuita durante 15 anos e pedidos de subsídios a estudos; subsídio anual em dinheiro, pensão para idosos... Essas novidades foram confirmadas e complementadas pelos meus amigos de Macau.

Esta visita a Macau foi um projeto conjunto da Fundação Macau e da nossa Associação, com a participação de 35 sócios e/ou discentes de chinês, entre os quais muitos pisaram pela primeira vez esta terra longínqua pela qual a China e Portugal cruzaram o seu caminho e a sua sorte durante séculos.

Forneceu-nos, gente simples de Portugal, uma oportunidade de aprofundar a compreensão do desenvolvimento e da realidade de Macau em todas as áreas.

Graças à Fundação Macau, constatámos emocionados, com os próprios olhos, a prosperidade e a estabilidade de Macau, a felicidade e a satisfação do seu povo, a valorização do seu governo da cultura portuguesa e a integração harmoniosa das duas culturas, o que resultou num consenso total: “Depois de voltarmos para Portugal, vamos divulgar com empenho o que vimos e sentimos em Macau − um autêntico exemplo da prática bem-sucedida de 'um país, dois sistemas'.” Wang Suoying – Portugal in “Diário de Notícias”

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Wang Suoying - Prof.ª Auxiliar aposentada da Universidade de Aveiro e Presidente da Associação Portuguesa dos Amigos da Cultura Chinesa


Macau – Escola Portuguesa de Macau inicia ano com ligeira subida de alunos e novo director já em funções

A Escola Portuguesa deu hoje início ao ano lectivo 2026/2027, apresentando como novidade o novo director, João Miguel Gonçalves, que concluiu o curso obrigatório da DSEDJ, podendo assim exercer oficialmente as funções. O Ministro português da Educação, Ciência e Inovação havia prometido uma “transição suave” e o certo é que o período de hiato na direcção do estabelecimento de ensino praticamente não existiu. O novo responsável deu as boas-vindas aos alunos, acompanhado pelo seu antecessor, Acácio de Brito. A EPM terá este ano 824 estudantes, mais 14 do que em 2025/2026


Uma ‘velha’ escola com um novo director. É assim que se apresenta hoje, no primeiro dia de aulas, a Escola Portuguesa de Macau (EPM), estabelecimento de ensino não superior de referência da língua de Camões no território. A grande novidade para o ano lectivo 2026/2027 é a liderança da direcção da EPM, agora sob responsabilidade de João Miguel Gonçalves.

Para que o novo director pudesse oficialmente exercer o cargo, era necessário que participasse no curso promovido pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). O programa de formação específica, habitualmente conhecido como “Acção de Formação para Preparação de Directores das Escolas”, foi concluído no final de Agosto, cerca de 15 dias após a chegada de João Miguel Gonçalves ao território.

Para o acto de apresentação, que assinala o arranque do ano lectivo 2026/2027 na EPM, o novo director esteve ladeado pelo seu antecessor, Acácio de Brito, que acompanhou em Macau o período de adaptação da nova chefia, tendo posteriormente viajado para Angola, onde vai assumir a direcção da Escola Portuguesa de Luanda. Regressa agora ao território, apenas por alguns dias, para se envolver no arranque do ano lectivo da EPM, escola onde permaneceu como director entre Novembro de 2023 e Agosto de 2026.

Com a disponibilidade total de João Miguel Gonçalves, em termos de assumpção oficial do cargo, cumpre-se a “transição suave” prometida pelo Ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, em declarações proferidas em Macau, em Junho deste ano, altura em que tornou pública a decisão de substituir Acácio de Brito. Na verdade, desde o anúncio da saída de um e a entrada do outro, o hiato na direcção da EPM praticamente não existiu.

A escola começa este ano lectivo com 824 alunos, mais 14 do que em 2025/2026. Embora signifique um ligeiro aumento (cerca de 1,7%) em termos anuais, não deixa de confirmar a tendência registada nos últimos anos.

Para o presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEP), “isto é motivo de orgulho para a EPM, porque significa que continua a ser uma escola com procura, à qual os encarregados de educação dão valor e, portanto, por este motivo, querem ali inscrever os seus educandos”. Filipe Figueiredo enfatizou que o constante aumento de estudantes na EPM “é um orgulho para a escola, uma vez que a diferencia de grande parte dos outros estabelecimentos de ensino, que têm problemas com o número de alunos”.

Segundo informações fornecidas ao Jornal Tribuna de Macau por João Miguel Gonçalves, a EPM terá, no ensino básico, 280 alunos no 1º ciclo, 177 no 2º e 219 no 3º, enquanto o ensino secundário contará com 148. O número de alunos que entram para o primeiro ano, portanto os mais pequenos, é de 66.

Por outro lado, no horizonte dos 824 alunos que estudarão este ano na escola de matriz lusa, 267 não têm o português como língua materna, o que significa 32,4% do número total. A dificuldade destes alunos em se expressar em português levou a EPM a criar em Julho deste ano um curso de Verão, no sentido de uma melhor aprendizagem dos que entram pela primeira vez.

Professores cobrem todas as disciplinas

No que concerne ao quadro de professores, será de 83. “Temos todos os professores para iniciar o ano lectivo”, disse ao JTM o novo director, o qual presidiu à tradicional reunião geral de apresentação com a maioria do corpo docente, que teve lugar no dia 1 de Setembro no anfiteatro da escola, com direito a fotografia de grupo publicada no sítio da EPM, com a seguinte legenda: “Agora é tempo de partilhar ideias e preparar cada detalhe para receber os nossos alunos com a excelência de sempre”.

Filipe Figueiredo considera ser “o ideal” começar o ano sem falha de professores, depois de algumas dificuldades nos últimos anos. “O problema maior foi há dois anos, mas desta feita não há falhas”, diz, recordando que “saíram cinco e entraram cinco”.

Numa óptica de antevisão do novo ano lectivo, o JTM registou a opinião de alguns docentes, tendo todos preferido não divulgar os seus nomes.

Uma professora do 1º ciclo disse que a expectativa para este ano é “fortalecer a ponte entre professores, alunos, famílias e comunidade”, acrescentando que, “quando existe cooperação e confiança mútua nessa relação, as crianças e os jovens sentem-se mais seguros para arriscar e evoluir”. Assegurou estar “pronta para trabalhar em equipa, como tenho feito ao longo dos anos, e fazer deste um ano equilibrado, exigente e recompensador”.

Um professor de educação física referiu que “num tempo de mudanças rápidas e de exigências crescentes, cabe à escola e a nós professores não apenas ensinar, mas também inspirar, questionar e preparar para a vida; e é com esse compromisso, feito de responsabilidade, ambição e confiança, que a comunidade educativa inicia mais uma etapa de um caminho que nunca está verdadeiramente concluído”. Para o ano lectivo que se avizinha, espera ter “muita inspiração e muitas conquistas”.

Por seu turno, uma docente do Departamento de Línguas expressou que “cada novo ano lectivo abre portas a aprendizagens renovadas e a desafios que nos fazem crescer como comunidade escolar”. Observou também que os professores entram neste ciclo “com esperança e motivação, certos de que a escola se reinventa continuamente para responder às necessidades dos alunos e valorizar o trabalho dos professores”.

A concluir, desejou que este ano “seja marcado por aprendizagens significativas, pelo reconhecimento do esforço docente e pela construção de uma comunidade inclusiva, resiliente e inspiradora”.

Também em jeito de antevisão do ano lectivo, Filipe Figueiredo espera que comece sem problemas. “O que é desejável é que esteja tudo organizado para arrancar, e julgo que assim vá acontecer”, afirmou.

Costa Nunes iniciou com um total de 155 crianças

O Jardim de Infância D. José da Costa Nunes começou o ano lectivo dias antes da EPM, como é habitual. Na passada quinta-feira abriram-se as portas para receber os alunos, com destaque para os que entram pela primeira vez, os K1 como são designados.

Esse grupo é constituído por 45 crianças, distribuídas por duas turmas. “No primeiro dia tivemos aqui os pais e as famílias para uma reunião, que teve uma boa participação”, disse ao nosso jornal a directora do estabelecimento de ensino, Felizbina Gomes.

Na página do Facebook da escola pode ler-se: “as nossas salas ganharam cor e vida outra vez! Que alegria receber os nossos pequenos de volta para mais um ano incrível no nosso Jardim de Infância. Juntos, escola e família, vamos construir memórias inesquecíveis e transformar cada dia numa grande aventura de aprendizagem. Aqui vamos nós!!!”

O Costa Nunes conta este ano com 155 alunos, menos 30 do que em 2025/2026 (185). “A redução já era expectável, por causa da diminuição da natalidade”, indicou a responsável do Jardim de Infância, adiantando ser um número razoável face às circunstâncias.

“Temos agora é que pelo menos manter para os próximos anos, o que também significará a manutenção da equipa de trabalho, mas logo veremos aquando das inscrições que decorrem sempre em Janeiro, para depois os pais escolherem [confirmarem] em Maio”, sustentou.

O Jardim de Infância apresenta este ano oito turmas do ensino regular e uma do ensino especial, esta com três crianças, quando no ano passado eram cinco. No que diz respeito aos educadores, serão 16, integrados no número geral de funcionários da escola (43), incluindo a direcção. “No ano passado eram 54, mas tivemos de fazer uma redução em todo o pessoal”, lamentou a responsável.

Perspectivando o novo ano lectivo, Felizbina Gomes espera que “corra bem em toda a comunidade educativa”, garantindo que a escola que dirige vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance, no sentido de “contribuir para o melhor possível das nossas crianças”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 5 de setembro de 2026

Macau - Fórum de Macau antevê “mais condições” para formar bilingues e promover culturas lusófonas

Nos últimos anos, o Fórum de Macau tem procurado promover o intercâmbio cultural sino-lusófono e a difusão da Língua de Camões, com destaque para a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa e as acções de formação de quadros lusófonos, que já produziram frutos como o aumento do conhecimento e do interesse do público sobre as culturas lusófonas e a elevação do nível do Português entre os jovens de Macau, considera o Secretariado Permanente do organismo. Ao Jornal Tribuna de Macau, o Secretariado garante que continuará a “criar ainda mais condições favoráveis” à formação de quadros bilingues e à difusão das culturas de língua portuguesa


Criado em Outubro de 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau), vulgo Fórum de Macau, tem-se dedicado, além das conferências ministeriais e da consolidação do intercâmbio económico e comercial entre os dois blocos, às esferas do “intercâmbio cultural” e “educação e formação”, designadamente através da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa.

Numa resposta a questões formuladas pelo Jornal Tribuna de Macau, o Secretariado Permanente do Fórum sublinha que, nos últimos cinco anos, a Semana Cultural tem evidenciado uma tendência de crescimento contínuo em termos do número de participantes e uma “expansão drástica da influência”, especialmente graças à adopção de um modelo de realização trans-regional do evento a partir de 2025. Isso “reflecte que a actividade possui atractividade e potencial de desenvolvimento fortes”, entende o Fórum, destacando também o “reconhecido papel” da Semana Cultural para a promoção da língua portuguesa.

O organismo considera que esse evento anual, que já acumulou 18 edições, tem sido “eficaz” no aumento do conhecimento e do interesse do público sobre as culturas dos países de língua portuguesa (PLP), numa “atmosfera cultural relaxante”.

Ao expandir-se para mais cidades do Interior da China, a Semana Cultural contribuiu para fomentar potenciais aprendentes e utilizadores da Língua de Camões, atraindo sobretudo mais jovens. O Fórum mostra-se convicto que, a longo prazo, o evento continuará a contribuir para a expansão gradual do grupo de aprendentes da língua portuguesa, “desempenhando um papel promotor duradouro para a formação de quadros bilingues em Chinês e Português” e também uma função “positiva” para a difusão linguística.

Olhando para o futuro, o Fórum promete optimizar o conteúdo das actividades integradas na Semana Cultural e as formas de realização, com o objectivo de “aproveitar ainda mais as vantagens de Macau como plataforma sino-lusófona”. Desse modo, sustenta, será possível “promover a formação e concentração de mais quadros altamente qualificados para a cooperação económica e comercial e o intercâmbio humanístico entre a China e os PLP”.

Em 2021 e 2022, sob o impacto da pandemia, a Semana Cultural adoptou actividades online e offline, tendo atraído mais de 35 mil visualizações online e cerca de 3000 participantes presenciais, por cada edição. Em 2023 e 2024, com o regresso da sociedade à normalidade, a dimensão de participantes presenciais voltou para cerca de 30 mil pessoas/vezes, segundo dados do Fórum.

Em 2025, pela primeira vez, o evento foi repartido por Macau, Pequim e Zhongshan, modelo inovador que contribuiu para um total de 138 mil participantes, incluindo mais de 115 mil nas actividades offline. Ao mesmo tempo, 23 mil pessoas assistiram às transmissões em directo das actividades pertinentes, o que “ilustra uma expansão notória da escala de participação”.

Quanto a 2026, as estatísticas preliminares indicam que o evento atraiu cerca de 6700 espectadores presenciais e 250 mil das transmissões em directo. Além disso, pelo menos 200 mil leram notícias e reportagens sobre o evento.

A este jornal, o organismo acentua que continuará a aproveitar as vantagens de Macau enquanto plataforma e a ter como base os trabalhos existentes, para “aprofundar continuamente os trabalhos de promoção do Português e de formação de quadros, explorando activamente modelos de promoção mais diversificados, no sentido de criar ainda mais condições favoráveis à formação de quadros bilingues Chinês-Português e à difusão das culturas de língua portuguesa”.

63 colóquios de formação para 1600 lusófonos

Por outro lado, desde a sua criação, em 2011, o Centro de Formação do Fórum de Macau tem vindo a fomentar a cooperação sino-lusófona na área dos recursos humanos. Até à primeira metade deste ano, o Centro já realizou 63 colóquios de formação (incluindo seis online), tendo convidado, no total, mais de 1600 formandos para intercâmbios em Macau, principalmente direccionados a dirigentes governamentais, pessoal técnico ou quadros superiores de algumas instituições, oriundos dos nove países lusófonos.

As áreas de formação incluem administração pública, economia e comércio, finanças, saúde, educação, entre diversos domínios. Ao mesmo tempo que oferece formação a oficiais governamentais lusófonos e os leva a “participar em várias actividades económicas e comerciais de relevo no Interior da China e em Macau”, e em visitas a províncias e cidades do Continente chinês, o Centro de Formação tem convidado instituições de ensino superior de Macau para a organização das respectivas acções de formação. Assim, “aproveitou as vantagens educacionais da RAEM e fomentou uma atmosfera propícia para os jovens locais contactarem com o Português e conhecerem culturas dos países lusófonos”.

Embora não tenha estatísticas concretos sobre o número de alunos, jovens e professores locais envolvidos anualmente nos colóquios de formação, o Fórum constata que, no âmbito desses programas, jovens locais puderam participar em actividades económicas e comerciais e visitas no Continente chinês e na RAEM. Envolveram-se nessas iniciativas como voluntários, tradutores presenciais ou guias, e utilizaram o Português em cenários reais de trabalho.

“Através do intercâmbio e da partilha de experiências com profissionais de diversas áreas dos PLP, conseguiu elevar-se o nível da língua portuguesa de jovens de Macau num ambiente imersivo, com alargamento da sua visão internacional” e, em paralelo, “aprofundou-se o seu conhecimento sobre culturas de diferentes países lusófonos”, conclui o Fórum, asseverando que os jovens locais “demonstraram grande entusiasmo” nessas actividades e têm dado um “feedback positivo”. De um modo geral, acredita que os colóquios de formação e outras actividades assumem um “papel promotor positivo” no crescimento dos jovens de Macau.

Acções “a múltiplos níveis”

Por outro lado, o Fórum realça que, ao longo da última meia década, um dos reflexos do seu empenho em aproveitar as funções abrangentes da RAEM enquanto plataforma de serviço para a cooperação comercial entre a China e os PLP assenta na “promoção activa a múltiplos níveis” dos trabalhos relacionados com a divulgação da língua portuguesa e a formação de talentos, tanto a nível académico como no que respeita ao intercâmbio cultural, à tradução de obras literárias e à participação juvenil.

Por outro lado, o Fórum frisa que tem apoiado instituições no estabelecimento de plataformas de investigação focadas na cooperação sino-lusófona. A título de exemplo, menciona o apoio ao Instituto de Gestão de Macau para a criação da “Aliança de Estudos da Cooperação China-Países de Língua Portuguesa” em 2025, que perspectiva a integração de recursos de investigação locais, mobilizando instituições de ensino superior, centros de reflexão, especialistas e forças de diversos sectores do Interior da China e dos PLP, para promover conjuntamente o desenvolvimento da plataforma sino-lusófona e o aprofundamento da investigação nas áreas relevantes.

O Fórum salienta também que tem impulsionado activamente trabalhos de tradução e publicação de obras literárias de autores lusófonos, incluindo de escritores angolanos para chinês. Iniciativas desse género ofereceram a mais leitores chineses a oportunidade de conhecer e compreender a criação literária nos países lusófonos, contribuindo assim para promover, a um nível mais amplo, o intercâmbio cultural e a promoção linguística, enfatiza.

Paralelamente, o Fórum aponta para o apoio concedido a actividades de inovação vocacionadas para jovens, tal como o “Concurso de Vídeos Curtos para Jovens da China e dos Países de Língua Portuguesa 2026”, para estimular o interesse e entusiasmo pelo universo cultural lusófono. Ademais, tem recorrido a “variadas exposições e convenções económicas e comerciais” e “actividades de divulgação”, por forma a proporcionar uma “janela de exibição” para as culturas lusófonas ao promover a cooperação económica e comercial. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


domingo, 30 de agosto de 2026

França - Rede de cursos de português em França foi publicada no Diário da República com 105 professores

A nova rede de cursos de ensino de Português em França para o ano letivo de 2026/2027, foi publicada no Diário da República, tem 105 postos e confirma uma forte concentração de horários na Região Parisiense. O despacho conjunto dos Ministérios da Educação e dos Negócios Estrangeiros aprova oficialmente a lista de postos, que revela a distribuição territorial do ensino da língua portuguesa no país gerida pelo Instituto Camões.


Recorde-se que Portugal coloca em França os professores do ensino básico (Primaire), através do Instituto Camões e no quadro dos acordos bilaterais entre os dois países.

De acordo com a lista publicada, há 79 postos de professores correspondentes ao 1° e 2° ciclo do ensino básico criados em França, mas 5 dos quais são horários incompletos com 20 horas (em Bordeaux, Marseille e em Orléans) ou com 16 horas (em Lyon e em Paris). Os outros 74 postos têm horários completos.

Dos 79 postos de professores correspondentes ao 1° e 2° ciclo do ensino básico, 52 estão região de Paris, seguindo-se 12 na área consular de Lyon, 4 na área consular de Bordeaux, 3 na área consular de Bordeaux e 3 na antiga área consular de Tours. Os restantes postos estão em Clermont-Ferrand, Lille, Orléans, Strasbourg e Toulouse, com um professor por cada uma destas regiões.

Mas, para além dos 79 postos de professores correspondentes ao 1° e 2° ciclo do ensino básico, também há 26 horários no ensino secundário, 11 dos quais de História.

Trata-se essencialmente de professores de Português e de História que lecionam nas Secções internacionais. Três professores de Português e 2 de História para as Secções internacionais de Lyon e de Grenoble), 1 professor de Português e um de História para a Secção Internacional de Nice, 3 professores de Português e 1 de História para a Secção internacional de Strasbourg e 8 professores de Português e 7 de História para as várias Secções internacionais da região de Paris.

De notar que esta rede de ensino de português em território francês é gerida diretamente pela Coordenadora do ensino de português em França, Isabel Sebastião e pelas duas Adjuntas de Coordenação, Ana Lisete Carlos e Patrícia Lagos. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”


sábado, 22 de agosto de 2026

Associação Internacional dos Lusodescendentes - lança mapeamento para conhecer escritores lusófonos na diáspora

A Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) lançou um mapeamento destinado a identificar autores e escritores lusófonos que vivem fora dos seus países de origem


A iniciativa pretende perceber quem são e quantos são os escritores lusófonos que vivem na diáspora, servindo de base a um projeto que a associação prevê concretizar no âmbito do seu plano de atividades para este ano.

O objetivo é realizar em Portugal uma Feira do Livro e do Autor da Comunidade de Língua Portuguesa, em parceria com um município português. Segundo a AILD, já estão a decorrer contactos com um município para a concretização da iniciativa.

O certame pretende promover e divulgar a língua portuguesa e a cultura lusófona, através do apoio, reconhecimento e estímulo aos autores das comunidades lusófonas que continuam a escrever em português e a contribuir para a divulgação da língua.

A feira pretende ainda dar visibilidade ao património literário produzido pelas comunidades lusófonas e aos seus autores, criando um espaço dedicado à valorização da criação literária em língua portuguesa fora dos países de origem.

Para concretizar o mapeamento, a AILD convida os escritores lusófonos residentes no estrangeiro a preencherem o formulário de inscrição disponibilizado pela associação. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Macau - Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento deu oportunidades de estágio a centenas de quadros bilingues

O IPIM assegura que tem promovido o desenvolvimento de quadros bilingues chinês-português, tendo proporcionado, nos últimos cinco anos, oportunidades de estágio a centenas de quadros no IPIM ou nas actividades de MICE que organiza. Além disso, gerindo uma base de dados onde se registam mais de 2200 quadros chinês-português (10% são locais), o IPIM revelou que, através dos serviços de conjugação online, foram concretizados 80 emparelhamentos de emprego para quadros bilingues no último ano, envolvendo áreas como a tradução. Por outro lado, os serviços da Conduta do Comércio China-PLP receberam 200 novos projectos entre Janeiro e Maio deste ano


Com recursos a “canais diversificados”, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) tem proporcionado oportunidades de estágio para quadros que dominam a língua portuguesa, tendo oferecido oportunidades de estágio a “centenas” de quadros bilingues chinês-português nos últimos cinco anos, revelou o organismo ao Jornal Tribuna de Macau, sem especificar um número concreto.

Segundo indicou, uma das acções passa por coordenar instituições de ensino superior locais para levar alunos provenientes dos países de língua portuguesa (PLP) a estagiarem no IPIM, “para que experimentem presencialmente o funcionamento da plataforma sino-lusófona, conhecendo a situação dos intercâmbios económicos e comerciais entre a China e os PLP”.

A par disso, o IPIM salientou que costuma convidar, nas convenções e exposições económicas e comerciais de grande escala que organiza, quadros que dominam a língua de Camões de instituições de ensino superior a participar nos trabalhos relacionados com convenções e exposições (MICE), tradução, atendimento e conjugações.

Em paralelo, o organismo continua a gerir o “Portal para a Cooperação na Área Económica, Comercial e de Recursos Humanos entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, onde criou uma “Base de Dados de Profissionais Qualificados em Chinês e Português” e uma rede de serviços de conjugação online, com foco no desenvolvimento de talentos bilingues chinês-português, referiu o IPIM.

Actualmente, mais de 2200 quadros chinês-português estão registados nessa Base de Dados, sendo profissionais dedicados às áreas como a tradução (51,23%, 727 pessoas), Direito (3,24%, 46 pessoas), finanças (3,6%, 51 pessoas) e MICE (3,52%, 50 pessoas). Em concreto, a maioria é oriunda do Interior da China (1827 pessoas) ou dos nove países lusófonos (incluindo 32 talentos portugueses e 107 brasileiros), representando os talentos da RAEM cerca de 10% do total (211 pessoas).

Questionado sobre o número de casos bem-sucedidos através das conjugações online de emprego que tem promovido, o IPIM revelou que, no último ano, foram concretizadas mais de 80 acções de emparelhamento, tendo sido conjugadas com sucesso as necessidades tanto do lado da oferta como da procura em áreas como a tradução. Quanto ao tempo médio necessário entre o registo do talento e o sucesso na conjugação, o organismo disse que não existe uma periodicidade fixa, uma vez que o processo é influenciado por uma combinação de factores, como os requisitos da vaga, o ritmo de recrutamento da empresa e a disponibilidade dos próprios talentos.

Segundo recordou, ao longo do último ano, a equipa do Portal, além de ter publicado “recomendações para bons empregos” nas redes sociais, realizou a “LusoPartilha – Sessão de Partilha com Empresas e Sectores” na Universidade de Macau e na Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong, onde convidou representantes empresariais a apresentar a procura de talentos nos respectivos sectores, tendo as empresas realizado ainda o recrutamento de quadros durante as sessões. Depois de ter recolhido a procura de extensão derivada dessas actividades, a equipa organizou entrevistas online e offline, para ajudar a conjugação de empresas com os quadros chinês-português que reúnam os requisitos, acrescentou.

“Baseado continuamente no posicionamento de Macau como ‘Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os PLP’, o IPIM tem promovido os trabalhos de desenvolvimento de quadros bilingues e de optimização dos serviços económicos e comerciais ao mesmo tempo”, enfatiza o organismo liderado por Alex Che.

Conduta do Comércio China-PLP com mais de 200 novos projectos

Por outro lado, em termos dos serviços económicos e comerciais, a este jornal, o IPIM revelou que, nos primeiros cinco meses deste ano, os serviços da Conduta do Comércio China-PLP receberam mais de 200 novos projectos.

A Conduta do Comércio China-PLP é um serviço de apoio do IPIM vocacionado para ajudar as empresas dos PLP na exploração dos mercados do Interior da China, além de apoiar as empresas da China Continental, de Macau e de outras regiões interessadas em desenvolver os respectivos negócios nos países lusófonos. Os serviços abrangem “apoio em todo o processo”, incluindo alinhamento de projectos, consultoria de mercado e emparelhamento comercial, segundo o IPIM.

Até ao momento, esses serviços contribuíram para promover o estabelecimento de bases de produção no Brasil e em Angola por empresas que fazem parte das 500 maiores empresas da China, bem como a aquisição de matérias-primas brasileiras por empresas entre as 10 principais empresas de cereais e óleos da China, constatou o organismo.

Segundo descreveu, os utilizadores dos serviços são principalmente provenientes do Interior da China, da RAEM e dos nove países lusófonos, sendo que os de Portugal e do Brasil representam cerca de 10% cada.

Duas marcas portuguesas elegíveis para abrir “primeira loja”

Ademais, sobre o “Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito de Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau”, na primeira fase, houve 20 candidaturas que cumprem os objectivos e requisitos preliminares, sendo as marcas interessadas provenientes do Interior da China, da RAEHK, de Taiwan e de Portugal. A este jornal, o IPIM adiantou que duas marcas são de Portugal.

Além de marcas dos sectores tradicionais, como restauração e retalho, registam-se marcas de novos modelos de negócio com elementos tecnológicos, por exemplo, jogos interactivos e sensoriais e centros de experiência de produtos, reitera o organismo.

Em relação à segunda fase de candidaturas, que decorreu até 31 de Julho deste ano, o IPIM afirmou que irá proceder, de acordo com o mecanismo estabelecido, à apreciação dos pedidos através do Comité de Investimentos, para verificação das marcas, e avaliar, de forma abrangente, a capacidade orçamental e o interesse público, entre outros factores, sendo as informações relativas à 2.ª fase do “Plano” divulgadas ao público em tempo oportuno.

De um modo geral, observou que, desde o lançamento, o “Plano” tem recebido “respostas activas” por parte de marcas tanto nacionais como internacionais. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


Timor-Leste - Portugal apoia formação de professores de português

A embaixada de Portugal em Díli recebe, durante os meses de agosto e setembro, um ciclo de formação destinado a professores de português timorenses


A iniciativa é promovida pelo Ministério do Ensino Superior, com a colaboração da embaixada de Portugal, que disponibiliza o espaço do Centro Cultural para a realização da formação.

O programa aborda dois temas relacionados com o ensino da língua portuguesa: “Ensino de Língua Portuguesa em tempos digitais” e “Avaliação do ensino da Língua Portuguesa”.

A formação pretende assim proporcionar aos professores participantes um espaço de aprendizagem e reflexão sobre diferentes desafios associados ao ensino e à avaliação da língua portuguesa, incluindo o impacto das novas ferramentas digitais.

O embaixador de Portugal em Timor-Leste esteve presente na sessão de abertura da iniciativa, tendo desejado a todos os participantes um bom trabalho ao longo do ciclo de formação. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 9 de agosto de 2026

Reino Unido - Publicou poesia ou prosa? O Grande Prémio de Literatura Portuguesa na Diáspora é para si

O jornal “As Notícias”, com sede no Reino Unido, lançou o Grande Prémio de Literatura Portuguesa na Diáspora, uma iniciativa com inscrições gratuitas e de âmbito internacional destinada a “reconhecer, valorizar e promover a criação literária de autores portugueses residentes fora de Portugal”, em duas categorias: Prosa e Poesia


De acordo com os seus organizadores, “com periodicidade anual, o prémio pretende afirmar-se como uma referência cultural da diáspora portuguesa, distinguindo obras de elevada qualidade escritas em língua portuguesa e incentivando a produção literária das comunidades portuguesas espalhadas pelos cinco continentes”, tendo como objetivo ainda “valorizar a ligação à língua e à cultura portuguesas através da escrita”.

A iniciativa destina-se a cidadãos com nacionalidade portuguesa residentes atualmente no estrangeiro, com idade mínima de 18 anos.

As obras a concurso devem ter sido publicadas entre 5 de maio de 2024 e 6 de setembro de 2026, não podem estar vinculadas a outros concursos nem terem sido já premiadas noutras oportunidades. Não são elegíveis autores residentes em Portugal, ainda que tenham sido emigrantes no passado. O encerramento das candidaturas acontece dia 6 de setembro 2026.

Serão atribuídos prémios pecuniários para os vencedores em cada categoria, no valor de 500 libras. Os trabalhos serão avaliados por um júri composto por personalidades de reconhecido mérito no panorama literário e cultural português.

“Mais do que um concurso literário, o projeto pretende dar visibilidade a autores que, muitas vezes longe dos grandes circuitos editoriais, contribuem de forma significativa para a riqueza e diversidade da literatura em português”, disseram os responsáveis.

A primeira edição culminará com a cerimónia de entrega dos prémios em Thetford, na Inglaterra, dia 6 de novembro de 2026, integrada nas celebrações do 20.º aniversário do jornal As Notícias, quando “deverão estar presentes os concorrentes ou se fazerem representar”.

“Ao longo de décadas de emigração, milhões de portugueses construíram histórias de vida que fazem parte da memória coletiva do país. O Grande Prémio de Literatura Portuguesa na Diáspora nasce precisamente para preservar esse património humano, cultural e histórico, incentivando a escrita como veículo de memória, identidade e aproximação entre Portugal e as suas comunidades no estrangeiro”, afirmaram esses mesmos responsáveis pelo jornal localizado no Reino Unido, que sublinharam que, numa primeira fase, o projeto conta com a colaboração de vários órgãos de comunicação social da diáspora portuguesa, entre os quais o Bom Dia além do apoio da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP).

O regulamento pode ser consultado aqui.

As candidaturas devem ser feitas online aqui. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo