Número ascende A 7,6 milhões de pessoas. Os indicadores do Censo 2024 destapam a falta de investimento, e até de cuidado, na implementação de políticas públicas para melhorar o desempenho do sistema de educação, que é essencial para dotar a população de ferramentas que ajudam a quebrar ciclos de pobreza e de exclusão social
Os resultados do recenseamento geral
da população e da habitação realizado em 2024, apesar das dúvidas sobre a
qualidade da informação recolhida, trazem vários indicadores e pistas para
entender melhor o País. No caso da educação, mesmo considerando alguma evolução
em determinados segmentos, o Censo 2024 revela que, entre os 31,4 milhões de
angolanos com mais de 5 anos, mais de 7,6 milhões nunca frequentaram uma
escola. São quase 25 em cada 100 cidadãos acima dos 5 anos (24,2%).
Entre o elevado número de pessoas que nunca viram uma
carteira escolar ou um professor, 4,4 milhões são mulheres, enquanto 3,2
milhões são homens, o que assinala uma disparidade de género no acesso à
educação, em prejuízo do sexo feminino. Segundo os cálculos do Expansão, tendo
em conta os resultados do Censo 2014, a proporção de pessoas que nunca
frequentaram um estabelecimento de ensino aumentou na última década: passou de
22,5% (4,7 milhões entre 20,8 milhões de cidadãos com mais de 5 anos) para os referidos
24,2% apurados em 2024.
A mesma realidade verifica-se entre os 5 e 18 anos, onde
a percentagem da população fora do sistema de ensino "aumentou em 12
pontos percentuais entre 2014 e 2024, passando de 22%, em 2014, para 34%, em
2024". "O maior aumento verifica-se no grupo etário 12-14 anos",
admite o Instituto Nacional de Estatística no relatório final do Censo 2024.
"São factores como a pobreza, a
falta de infraestruturas escolares nas zonas rurais, barreiras culturais,
desigualdade de género e as limitações no acesso à educação, especialmente em
áreas remotas, que justificam esta situação", explica Lando Pedro,
professor universitário e especialista em Educação. Miguel Gomes – Angola in “Expansão”
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