Vanuza Francisca Barbosa, secretária de Estado das Comunidades visitou São Tomé e Príncipe, e apresentou ao primeiro-ministro Américo Ramos as novas acções de carácter social com impacto económico, a serem implementadas no quadro da cooperação bilateral.
O conceito de escola cabo-verdiana vai ser implementado
nas regiões mais isoladas do país. Trata-se de um projecto piloto que Cabo
Verde pretende disseminar noutros países africanos que albergam a comunidade
cabo-verdiana.
Professores cabo-verdianos estarão envolvidos na
implementação do conceito de escola cabo-verdiana nas regiões mais isoladas da
ilha de São Tomé e na ilha do Príncipe.
«Vamos trazer para aqui, o conceito de escola
cabo-verdiana para a sua implementação nas comunidades com menor acesso ao
ensino, e pretendemos ter São Tomé e Príncipe como o projecto piloto», declarou
Vanuza Francisca Barbosa.
O Ministério da Educação de Cabo Verde já aceitou o
desafio e o conselho de ministros cabo-verdiano vai agir. «Este projecto já
está a ser avaliado no conselho de ministros, e a breve trecho teremos
novidades na implementação», assegurou.
A educação é estruturante para o desenvolvimento de
qualquer sociedade, ao mesmo tempo, Cabo Verde que há vários anos apoia a
formação dos jovens são-tomenses continua a conceder bolsas de estudo para a
juventude são-tomense, tanto para a formação universitária como para a formação
profissional.
«Cabo Verde dá 20 bolsas de estudo para os estudantes
são-tomenses. Também há bolsas de estudo para o ensino superior em Marrocos.
Também atribuímos bolsas de estudo para formação profissional em Cabo Verde, e
continuamos a fazer essa cooperação», confirmou a secretária de Estado das
comunidades.
A cultura, é um laço que há séculos une os dois países.
Segundo Vanuza Francisca Barbosa, o primeiro-ministro Américo Ramos prometeu
contribuir para acelerar a instalação do primeiro centro cultural de Cabo Verde
em São Tomé e Príncipe.
«O senhor primeiro-ministro acabou de reafirmar o seu
compromisso para acelerar o projecto. Temos um espaço para ser reabilitado e
implementar o centro cultural cabo-verdiano. Será um ponto de contacto e de
partilha de cultura. O objectivo é que o centro tenha múltiplas valências, e
certamente que a comunidade cabo-verdiana e outras radicadas aqui em São Tomé
terão assim uma mais-valia», explicou.
As autoridades cabo-verdianas estimam em cerca de 10 mil,
os cabo-verdianos residentes em São Tomé e Príncipe. Uma comunidade que gerou
milhares de descendentes. Para a secretária de Estado das comunidades de Cabo
Verde juntando os são-tomenses de ascendência cabo-verdiana pode atingir cerca
de 70 mil pessoas, num país de 200 mil habitantes.
A maioria dos idosos que trabalharam nas roças de cacau e
café, não beneficia de uma pensão de reforma. O Governo cabo-verdiano avançou
com uma pensão solidária que inicialmente era de 20 euros, depois subiu para
40, e mais tarde para 60.
A pensão solidária é um compromisso assumido pelo Estado
cabo-verdiano com a sua diáspora em África. São mais de 3 mil idosos. São Tomé
e Príncipe alberga a maioria dos pensionistas na diáspora africana, 1033
pessoas.
O executivo cabo-verdiano inscreveu no orçamento geral do
Estado para 2026, mais um aumento do valor da pensão atribuída aos idosos em
São Tomé e Príncipe. Agora são 70 euros.
«Aqui em São Tomé temos mais de 1000 pensionistas. Neste
momento com a aprovação do orçamento geral do Estado para 2026, esse valor
passa para 70 euros. É o mesmo valor que pagamos para os pensionistas do regime
não contributivo em Cabo Verde. É a nossa contribuição para a melhoria das
condições de vida da nossa comunidade aqui em São Tomé e Príncipe», destacou.
No entanto o fomento do turismo e das trocas comercias
entre os dois países é condicionado pela falta da ligação aérea e marítima. A
companhia aérea angolana que assegurava a ligação entre os dois arquipélagos
acabou por suspender os voos.
«Foi o assunto abordado à instantes com o
primeiro-ministro. Há negociações em curso entre Cabo Verde e Angola. Estamos
em negociações para que se define a melhor rota que traga benefícios, tanto
para Angola, Cabo Verde como para São Tomé, para todos nós que precisamos desta
ligação aérea para trocas comerciais», concluiu Vanuza Francisca Barbosa.
Ligados por história, cultura e
consanguinidade, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe reforçam as relações de
cooperação e de solidariedade. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”
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