O projecto “Leitura ao Domicílio” continua a merecer a devida atenção de figuras ligadas ao Universo das Letras, ao aproximarem se cada vez mais das comunidades
A Biblioteca Comunitária A.S Leituras
realizou este Sábado, 07, no âmbito do projecto “Leitura ao Domicílio”, mais
uma sessão com a escritora Margarida Leite, autora do livro Os Meus 11
Kambas. A actividade, visando aproximar o escritor ao leitor na Comunidade
da Estalagem KM 12- A, município satélite de Viana, ocorreu poucas semanas após
a anterior ter sido orientada pelo também escritor Boaventura Cardoso.
Neste seu primeiro contacto Literário com a comunidade
local, a escritora Margarida Leite iniciou a sessão com uma conversa agradável e
enriquecedora sobre os Direitos das Crianças, promovendo uma reflexão, partilha
de experiência e incentivo à leitura na comunidade. Nesta sessão educativa, a
escritora abordou, de forma lúdica e dialógica, os “Onze Compromissos” com a
criança em Angola, enfatizando a importância do registo civil, da saúde e da
protecção contra a violência.
A autora utilizou o conto de histórias para capacitar
crianças e jovens sobre os seus direitos e o papel fundamental da família e do
Estado. A conversa iniciou com a premissa de que o registo de nascimento é o
que garante a existência de um indivíduo perante a sociedade e o Estado, sendo
um direito fundamental para que a pessoa tenha uma identidade reconhecida.
Paralelamente, a educação na primeira infância foi
apresentada como o “Quarto Compromisso” essencial para que as crianças possam
progredir na vida, exigindo um esforço conjunto dos pais desde os primeiros
anos de ensino.
Saúde, inclusão e combate ao estigma
Um outro ponto central do diálogo foi a desmistificação
de doenças como o HIV/SIDA. Através do depoimento jovem, Isa destacou que o
carácter e o aprendizado de uma pessoa são mais importantes do que sua condição
de saúde, defendendo a não discriminação. O “Compromisso Sete” focou-se
especificamente no atendimento a grupos vulneráveis e na prevenção, mencionando
programas como o “Nascer para Brilhar”, que ajudaram a superar barreiras
históricas de preconceito e exclusão familiar.
O “Compromisso Oito” tratou de situar os petizes em
questões relacionadas a prevenção e do combate à violência contra a criança,
abrangendo casos de negligência, abuso sexual e espancamento.
Nesta prestigiada sessão, a escritora Margarida Leite
realçou que o Estado angolano estabeleceu mecanismos de denúncia, como o
serviço SOS Criança, que actua em conjunto com o INAC (Instituto Nacional da
Criança) e a Polícia Nacional para intervir em situações de risco, reforçando
que a protecção é uma responsabilidade compartilhada, onde os pais cuidam e o
Estado provê a infra-estrutura necessária.
Participação activa e investimento público
Quanto a este quesito, a escritora considerou que a
criança deve ter voz activa na sociedade, o que é garantido pelo compromisso
com a Comunicação Social, Cultura e Desporto.
Margarida sublinhou que iniciativas
como o Parlamento Infantil permitem que deputados mirins de todas as províncias
apresentem problemas das suas comunidades às autoridades. Para sustentar esses
direitos, a escritora destacou o “Compromisso Onze”, que tem como foco o
Orçamento Geral do Estado (OGE), defendendo que o investimento em hospitais e
escolas deve ser prioritário para transformar a “esperança” de cada criança em
“felicidade” real. Augusto Nunes – Angola in “O País”
Sem comentários:
Enviar um comentário