Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 9 de março de 2026

Angola - Escritora Margarida Leite partilha experiências com crianças e incentiva a leitura na comunidade

O projecto “Leitura ao Domicílio” continua a merecer a devida atenção de figuras ligadas ao Universo das Letras, ao aproximarem se cada vez mais das comunidades


A Biblioteca Comunitária A.S Leituras realizou este Sábado, 07, no âmbito do projecto “Leitura ao Domicílio”, mais uma sessão com a escritora Margarida Leite, autora do livro Os Meus 11 Kambas. A actividade, visando aproximar o escritor ao leitor na Comunidade da Estalagem KM 12- A, município satélite de Viana, ocorreu poucas semanas após a anterior ter sido orientada pelo também escritor Boaventura Cardoso.

Neste seu primeiro contacto Literário com a comunidade local, a escritora Margarida Leite iniciou a sessão com uma conversa agradável e enriquecedora sobre os Direitos das Crianças, promovendo uma reflexão, partilha de experiência e incentivo à leitura na comunidade. Nesta sessão educativa, a escritora abordou, de forma lúdica e dialógica, os “Onze Compromissos” com a criança em Angola, enfatizando a importância do registo civil, da saúde e da protecção contra a violência.

A autora utilizou o conto de histórias para capacitar crianças e jovens sobre os seus direitos e o papel fundamental da família e do Estado. A conversa iniciou com a premissa de que o registo de nascimento é o que garante a existência de um indivíduo perante a sociedade e o Estado, sendo um direito fundamental para que a pessoa tenha uma identidade reconhecida.

Paralelamente, a educação na primeira infância foi apresentada como o “Quarto Compromisso” essencial para que as crianças possam progredir na vida, exigindo um esforço conjunto dos pais desde os primeiros anos de ensino.

Saúde, inclusão e combate ao estigma

Um outro ponto central do diálogo foi a desmistificação de doenças como o HIV/SIDA. Através do depoimento jovem, Isa destacou que o carácter e o aprendizado de uma pessoa são mais importantes do que sua condição de saúde, defendendo a não discriminação. O “Compromisso Sete” focou-se especificamente no atendimento a grupos vulneráveis e na prevenção, mencionando programas como o “Nascer para Brilhar”, que ajudaram a superar barreiras históricas de preconceito e exclusão familiar.

O “Compromisso Oito” tratou de situar os petizes em questões relacionadas a prevenção e do combate à violência contra a criança, abrangendo casos de negligência, abuso sexual e espancamento.

Nesta prestigiada sessão, a escritora Margarida Leite realçou que o Estado angolano estabeleceu mecanismos de denúncia, como o serviço SOS Criança, que actua em conjunto com o INAC (Instituto Nacional da Criança) e a Polícia Nacional para intervir em situações de risco, reforçando que a protecção é uma responsabilidade compartilhada, onde os pais cuidam e o Estado provê a infra-estrutura necessária.

Participação activa e investimento público

Quanto a este quesito, a escritora considerou que a criança deve ter voz activa na sociedade, o que é garantido pelo compromisso com a Comunicação Social, Cultura e Desporto.

Margarida sublinhou que iniciativas como o Parlamento Infantil permitem que deputados mirins de todas as províncias apresentem problemas das suas comunidades às autoridades. Para sustentar esses direitos, a escritora destacou o “Compromisso Onze”, que tem como foco o Orçamento Geral do Estado (OGE), defendendo que o investimento em hospitais e escolas deve ser prioritário para transformar a “esperança” de cada criança em “felicidade” real. Augusto Nunes – Angola in “O País”


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