Interesse em garantir participação de 15%
A entrada da Zâmbia na Refinaria de Lobito está dependente da participação financeira deste País no projecto, o que até agora não aconteceu, apesar da manifestação pública de interesse das autoridades zambianas. A posição foi manifestada esta semana pela Sonangol, que garante que a estrutura da sociedade da refinaria ainda não está fechada, mas é preciso que os interessados se cheguem à frente
"A estrutura da sociedade não
está fechada. Estamos abertos, há muita manifestação de interesse. Agora, se a
Zâmbia está interessada, tem de provar. Há instrumentos jurídicos, e alguns
foram assinados, mas há que mostrar o interesse", disse o administrador
executivo da Sonangol, Belarmino Chitangueleca, durante a conferência de
imprensa que marcou os 50 anos da petrolífera angolana.
A Zâmbia terá manifestado interesse em adquirir 15% do
capital da refinaria, mas nada está concretizado. Enquanto os zambianos não
chegam, a construção desta infraestrutura prossegue com a financiamento da
Sonangol, que já aplicou pelo menos 1,4 mil milhões USD no projecto, segundo a
petrolífera nacional. O foco agora está na procura de novos financiadores e a
China tem sido o alvo das atenções da Sonangol, segundo o presidente do
conselho de administração.
"Sendo um projecto global avaliado em 6,2 mil
milhões USD, a fase seguinte estaria estimada em 4,2 mil milhões e estamos a
contactar entidades chinesas, com apoio do empreiteiro, que também é chinês, no
sentido de obtermos este financiamento", explicou o PCA da Sonangol,
Sebastião Gaspar Martins.
Segundo o responsável, os contactos com potenciais
investidores chineses estão avançados, estando prevista a ida à China, em
Abril, de uma equipa técnica da petrolífera para negociar com entidades
financeiras.
"Temos contactos muito avançados. Temos equipas na
China constantemente e ainda temos previsto mais uma missão, provavelmente para
Abril, para continuar a contactar as entidades financeiras. Uma vez que o
empreiteiro é de origem chinesa, uma boa parte do equipamento é chinês, também
há na parte das entidades chinesas uma obrigação de contribuir, o que é
normal", disse.
Enquanto o financiamento chinês não chega, a construção
da refinaria prossegue, garante a Sonangol, na esperança de que o financiamento
seja colocado à sua disposição.
A refinaria do Lobito, com previsão de
processar 200 mil barris de petróleo por dia, está a ser construída pela
empresa chinesa National Chemical Engineering Group Corporation Ltd (CNCEC). A
refinaria do Lobito foi apresentada em 2002 e passou por várias fases. Apenas
em 2023 foi assinado o contrato com a CNCEC. Faustino Diogo – Angola in “Expansão”
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