O banco do bloco BRICS anunciou a primeira emissão de dívida na RAEM, no valor de 50 milhões de dólares americanos. Numa nota divulgada na sexta-feira, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) disse que a operação representa “um marco importante” nos esforços da instituição para diversificar as fontes de financiamento e expandir a presença em outros mercados.
O banco explicou que concluiu com sucesso, na
quarta-feira, a emissão de dívida, com maturidade de três anos, denominada em
euros e à taxa de juro diária do dólar (SOFR, na sigla em inglês) mais 0,3
pontos percentuais. A emissão foi organizada pela sucursal de Macau do Banco
Industrial e Comercial da China, uma instituição estatal, e feita na Central de
Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários do território, que é detida pela
Autoridade Monetária de Macau e foi inaugurada em Dezembro de 2021.
O NDB – fundado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul – tem sede em Xangai e é liderado pela brasileira Dilma Rousseff.
O nome da antiga Presidente do Brasil (2011-2016) foi proposto pela Rússia,
tendo Rousseff sido reeleita em Março de 2025 para um mandato de cinco anos à
frente do banco.
O NDB foi criado em 2014 e começou a funcionar um ano
depois, com o objectivo de oferecer uma alternativa de financiamento aos países
em desenvolvimento. Desde 2021 que tem alargado o número de membros, com a
incorporação do Egipto, Irão, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e, por último, a
Indonésia, que formalizou a sua entrada em Março de 2025, após uma visita de
Rousseff a Jacarta.
A expansão do banco ocorre numa altura em que o grupo
BRICS desempenha um papel mais proeminente nos fóruns multilaterais, no meio de
debates sobre a reconfiguração da ordem económica mundial.
Macau tem apostado nos serviços financeiros para
diversificar a economia da cidade, altamente dependente dos casinos e do
turismo. Em Novembro, o líder do Governo, Sam Hou Fai, sublinhou que o valor
dos títulos de dívida emitidos na região, sobretudo pelas autoridades centrais
ou locais chinesas, tinha ultrapassado 100 mil milhões de patacas.
Em Janeiro, o Banco de Desenvolvimento da China tornou-se
o primeiro banco estatal chinês a emitir dívida em Macau, no valor de 5,5 mil
milhões de yuan, para financiar projectos nos países de língua portuguesa. In “Jornal
Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”
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