Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 26 de abril de 2026

Cabo Verde - Redução do financiamento internacional pode comprometer combate à malária

Cidade da Praia — A investigadora e docente Lara Goméz alertou que a redução do financiamento internacional poderá comprometer o combate à malária, sobretudo em países africanos com menor capacidade financeira.


O alerta foi feito na sessão de abertura da quarta conferência internacional “Malária nos PALOP”, promovida pela Universidade Jean Piaget de Cabo Verde.

Segundo a investigadora, a diminuição dos apoios à saúde em África, incluindo através do Fundo Global, estará associada a mudanças políticas nos Estados Unidos, embora tenha ressalvado não dispor de dados totalmente confirmados.

Lara Goméz defendeu uma abordagem integrada no combate à doença, sublinhando a necessidade de articulação entre saúde humana, sanidade animal e ambiente, bem como o reforço da vigilância e da consciencialização das populações.

A docente considerou ainda que uma eventual redução da ajuda internacional poderá afectar países com fraca capacidade económica, ao limitar os recursos disponíveis para programas de combate à malária, incluindo em Cabo Verde.

Recordou que, após a pandemia da COVID-19, se registou um retrocesso nos indicadores da doença, com aumento da mortalidade, que ultrapassou as 600 mil mortes de crianças, maioritariamente em África, devido ao redireccionamento de recursos para o combate à pandemia.

Relativamente a Cabo Verde, indicou que o país já eliminou a malária por três vezes, mas enfrentou reintroduções associadas a casos importados.

Alertou que a presença de mosquitos e o aumento da sua densidade podem favorecer novos surtos, acrescentando que, entre o final de 2024 e 2025, foram registados casos de transmissão autóctone na zona de Fonton, entretanto controlados pelas autoridades sanitárias.

A conferência realiza-se pelo quarto ano consecutivo, no âmbito do Dia Mundial da Malária, com o objectivo de divulgar conhecimento científico e reforçar competências técnicas. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”


segunda-feira, 23 de março de 2026

Portugal - Polpa de café pode ajudar a combater a síndrome metabólica

Estudo liderado por investigadores da FMUP e da FFUP demonstra benefícios no controlo do peso, da glicose e da pressão arterial


Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), em colaboração com a Faculdade de Farmácia (FFUP) e o Laboratório Associado para a Química Verde e da Rede de Química e Tecnologia (REQUIMTE/LAQV), concluiu que a polpa de café – um subproduto frequentemente descartado durante a produção do grão – apresenta benefícios metabólicos relevantes.

Publicado na revista científica Antioxidants, o trabalho demonstrou que a suplementação com polpa de café reduziu o aumento de peso, melhorou os níveis de glicose no sangue, diminuiu a resistência à insulina e atenuou a subida da pressão arterial em animais alimentados à base de uma dieta rica em frutose.

Fátima Martel, professora da FMUP e uma das autoras deste trabalho, explica que foram avaliados os efeitos da polpa de café num modelo experimental, no qual se mimetizaram as alterações observadas na síndrome metabólica humana. Os resultados indicam que a suplementação com este subproduto contribuiu para atenuar várias dessas alterações, incluindo a acumulação de gordura no fígado e perturbações no metabolismo da glicose.

“Os componentes bioativos da polpa de café atuam de forma integrada sobre as vias metabólicas, inflamatórias e vasculares, revelando-se um potencial funcional relevante na mitigação de múltiplos componentes da síndrome metabólica”, descreve a investigadora.

O estudo destaca que este subproduto é particularmente rico em cafeína e compostos fenólicos, associados a uma elevada atividade antioxidante e a efeitos benéficos no combate à inflamação, hipertensão, diabetes e acumulação de gordura.

Aplicações alimentares em desenvolvimento

“A polpa de café pode ser utilizada de diferentes formas, como infusão ou incorporada em alimentos como pães, bolos, bolachas e iogurtes”, descreve Rita Carneiro Alves, investigadora do REQUIMTE/LAQV, que acrescenta que as equipas de investigação já desenvolveram bolachas e bebidas com polpa de café, que registaram boa aceitação num painel de avaliação sensorial.

Saliente-se que a introdução da polpa seca de café no mercado da União Europeia foi recentemente autorizada pelas autoridades competentes.

Assim, os investigadores sugerem que a polpa de café poderá evoluir para um recurso multifuncional, capaz de gerar alimentos funcionais e ingredientes tecnológicos.

“Esta transição não só amplia o portefólio de aplicações económicas, como também contribui para práticas agrícolas mais sustentáveis e para a redução do impacto ambiental da produção de café”, finalizam as investigadoras.

Os próximos passos passam pela transposição dos resultados obtidos para o contexto clínico em humanos, mas a realização desses ensaios dependerá da obtenção de novo financiamento.

O estudo contou com a participação dos investigadores Nelson Andrade, Ilda Rodrigues, Francisca Carmo, Gabriela Campanher, Isabella Bracchi, Joanne Lopes, Emília Patrício, João T. Guimarães, Juliana A. Barreto-Peixoto, Anabela S. G. Costa, Liliana Espírito Santo, Marlene Machado, Thiago F. Soares, Susana Machado, Maria Beatriz P. P. Oliveira, Rita C. Alves, Fátima Martel e Cláudia Silva, e foi realizada no âmbito do projeto COBY4HEALTH, liderado pelo REQUIMTE e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde descobre novo alvo terapêutico para combater Doença de Alzheimer

Equipa descobriu que restaurar o transporte e a concentração da vitamina C, deficitária em células cerebrais de doentes com Alzheimer, pode ser importante para atrasar o início e o avanço da doença


Uma equipa de cientistas do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), descobriu que o transporte e consequente normalização da concentração da vitamina C dentro das células da microglia – o “sistema imunitário do cérebro” – em modelos pré-clínicos da doença de Alzheimer, restabelece o funcionamento normal destas células e atrasa o início e a progressão da doença. O estudo foi publicado na prestigiada revista Redox Biology.

A vitamina C é essencial para o normal funcionamento do cérebro, atuando como um poderoso antioxidante que protege os neurónios e as células da glia, incluindo as da microglia. A vitamina C é captada na forma de ascorbato através de um transportador específico (o SVCT2) para dentro das células de microglia, que funcionam como o sistema imunitário do cérebro e são importantes para o seu desenvolvimento, manutenção e resposta a traumas ou doenças. A disfunção microglial pode desempenhar um papel central no desencadear e/ou na progressão de muitas doenças neurológicas, incluindo a Doença de Alzheimer e de Parkinson.

Durante o envelhecimento, e em contextos de patologia como na Doença de Alzheimer (DA), os níveis de vitamina C no cérebro diminuem e não conseguem ser repostos adequadamente nem por suplementação oral nem por via endovenosa. Isto sugere uma perda de eficiência na capacidade de transporte da vitamina C para dentro das células da microglia e foi precisamente isso que a equipa do i3S demonstrou com este trabalho: “Verificámos que em modelos animais com Doença de Alzheimer o transportador específico da vitamina C está muito diminuído”.

Mas isso não se verifica apenas em modelos pré-clínicos, sublinha João Relvas, líder do grupo que desenvolveu esta investigação no i3S e professor da Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP): “Resultados mais recentes do nosso laboratório, em colaboração com o Banco Português de Cérebros, e ainda não publicados, mostram que os níveis do transportador estão também reduzidos na microglia de cérebros humanos com Doença de Alzheimer, o que eventualmente confere maior relevância translacional ao estudo agora publicado”.

Camila Portugal, primeira autora do estudo, explica que a equipa conseguiu também provar que “aumentando a expressão deste transportador e, consequentemente, repondo os níveis de vitamina C na microglia, conseguimos restabelecer o funcionamento normal destas células no cérebro com Doença de Alzheimer. E, mais importante ainda, os dados indicam que isso parece ser suficiente não só para atrasar o início da doença, mas também para atrasar a progressão da doença quando esta já começou a manifestar-se”.

À procura do “transporte” certo

“Os resultados são claros: este transportador pode ser considerado um alvo terapêutico”, sublinha Renato Socodato, que integra a equipa do grupo «Glial Cell Biology» do i3S. “Nesta investigação recorremos à engenharia genética para aumentar a expressão do transportador e, consequentemente, a captação da vitamina C pela microglia, mas no futuro queremos usar agentes farmacológicos. Idealmente, o doente tomaria um medicamento que aumentaria o nível do transportador e a captação de vitamina C da microglia, o que conferiria alguma proteção contra a Doença de Alzheimer”, explica.

Nesse sentido, a equipa está já a trabalhar no próximo passo: a avaliar milhares de compostos farmacológicos com o objetivo de encontrar uma molécula que possa manter os níveis adequados do transportador e, consequentemente, de vitamina C dentro das células.

Para João Relvas, “este trabalho é também muito relevante porque demonstra que é a captação e não a suplementação da vitamina C que é crítica. Ou seja, por mais vitamina C que possamos ingerir, se não tivermos a maquinaria de transporte a funcionar, ela não entra nas células da microglia e o seu efeito é nulo”.

O investigador adianta ainda ter dados que indicam que a diminuição do transporte da vitamina C está associada à neuroinflamação noutras doenças neurodegenerativas, como por exemplo na Doença de Parkinson, pelo que, garante, “esta abordagem poderá eventualmente ser transposta para outras doenças e já temos alguns dados experimentais que suportam essa estratégia”. Universidade do Porto - Portugal


Cabo Verde e Macau alargam cooperação financeira

O combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo e a formação de quadros são algumas das áreas abrangidas por um novo acordo de cooperação entre a Autoridade Monetária de Macau e o Banco de Cabo Verde


A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) e o Banco de Cabo Verde assinaram um novo acordo de cooperação, para aprofundar o intercâmbio em matérias relacionadas com a supervisão financeira. Focado na vertente “prudencial”, este acordo, celebrado durante o 12.º “Encontro de Governadores dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa”, realizado em Cabo Verde, “abrange áreas como a supervisão no combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, a cooperação técnica, a formação de quadros profissionais, bem como a supervisão e o intercâmbio relativos a serviços financeiros emergentes, com o objectivo de salvaguardar em conjunto a segurança e a estabilidade dos respectivos sistemas financeiros”, informou a AMCM, num comunicado.

“Esta iniciativa simboliza um aprofundamento da cooperação e intercâmbio entre as duas instituições no domínio da supervisão financeira”, sintetiza a entidade reguladora de Macau.

A AMCM selou o primeiro acordo de cooperação e assistência técnica com o Banco de Cabo Verde em 1999, tendo a versão actualizada sido assinada, em Setembro de 2024, em Macau, por ocasião da 2ª “Conferência dos Governadores dos Bancos Centrais e dos Quadros da Área Financeira entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Até agora, a AMCM já celebrou acordos de cooperação bilateral com 12 autoridades de supervisão financeira de oito países de língua portuguesa. Olhando para o futuro, o organismo garante que “continuará a aprofundar a cooperação bilateral e multilateral com os países de língua portuguesa no âmbito financeiro, promovendo activamente o intercâmbio e a interacção” entre a China e os países lusófonos, por forma a “desempenhar plenamente o papel de Macau como “Plataforma de Serviços Financeiros entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

O Encontro de Governadores dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa inclui intervenções de representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor-Leste, bem como do Banco Central dos Estados da África Ocidental e do Banco dos Estados da África Central. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 9 de setembro de 2025

Moçambique – Mulheres estão motivadas a voltar à escola através do projeto de alfabetização

Projeto da Unesco com o governo moçambicano procura combater o analfabetismo, que afeta em maior proporção as jovens e mulheres em zonas rurais. A ONU News ouviu duas pessoas que tentam vencer essa barreira. O Centro Wuxa reúne pessoas acima dos 40 anos que querem melhorar de vida


No dia em que o mundo comemora o Dia Internacional da Alfabetização sob o tema “Promovendo a alfabetização na era digital”, a ONU News conheceu as experiências de mulheres determinadas a combater o problema. Ambas retornaram aos bancos escolares depois dos 40 anos para aprender a ler e escrever ou a continuar os estudos.

Adelaide Maria Ngoenha, 44 anos, tem três filhos que cria sozinha. Em 1996, ela concluiu a 6.ª série escolar, mas teve que abandonar a escola para cuidar das crianças além de outros desafios.

Após tantos anos, ela conta que preferiu começar do zero e o projeto de alfabetização levado a cabo pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, foi a melhor opção.

Maior sonho é a caligrafia

Ela sonha em escrever e ler, ter uma caligrafia “como as outras mulheres”, que confessa ser o seu maior sonho no momento.

“Eu vi que que tenho dificuldades na escrita, na leitura...faço leitura, mas com dificuldade, então eu vi que é bom eu retornar e continuar a escola. Foi por isso que eu vim aqui para eliminar estas dificuldades. O meu desejo não é de parar, queria continuar e chegar até lá. Quando vejo as pessoas a escrever com aquela caligrafia bonita eu cobiço. Eu quero ter aquela caligrafia bonita e escrever as coisas como devem ser.”

Queremos mais pessoas alfabetizadas

Mário Fernando Eduardo Riasso, 40 anos, é professor de alfabetização há 13 anos. Atualmente, trabalha no Centro de Formação da Mulher – Wuxa, localizado na cidade da Matola, na província de Maputo, capital de Moçambique.

O professor nota uma redução de alunos na alfabetização. Em causa cita a pandemia da Covid-19, o fator económico e as recentes manifestações políticas que assolaram o país.

No Centro Wuxa, estão atualmente 117 alfabetizados, deste número 97 são mulheres e 20 homens, subdivididos em dois períodos: manhã e tarde.

O sonho do professor Mário Riasso é ter mais pessoas alfabetizadas. Ele conta algumas das motivações que faz com que o local acolha mais interessados.

Ler e escrever eleva autoestima das mulheres

“Muitas das vezes, o que motiva estes alunos a estar connosco. É pelo facto de, em algum momento, precisarem de assumir algum cargo dentro da igreja ou também por questões de amizade. Eu vejo a minha amiga a seguir a escola então devo seguir a minha amiga. Mas também temos a questão de fazer um registo, assinar um documento ou contrair matrimónio.”

A experiência de integração da Gilda Alberto Mathe, 42 anos, solteira, é diferente de outras mulheres. Ela conta que foi numa sessão de ginástica matinal que teve informação sobre a existência do Centro de Formação da Mulher – Wuxa.

Sonho por concretizar

Para ela, aprender a ler e escrever na idade adulta é um desafio pois nunca havia frequentado a escola.

“Uma das colegas do campo disse-me que vai à escola. Então fui à casa dela perguntar o que era necessário para eu também poder ir à escola, pois desde que nasci nunca fui à escola. Gostaria também de sair do guarda fato, tirar esse medo de me esconder para aprender algo. Ela disse-me que apenas precisam de fotografia e o bilhete de identidade. Fui para lá com ela, fiz a matrícula e pronto ...neste ano comecei a estudar aqui.”

Era digital

Este ano, o Dia Internacional da Alfabetização é celebrado sob o tema “Promovendo a alfabetização na era digital”.

Dados da Unesco citam que a digitalização está a mudar formas, métodos de aprendizagem, vivência, socialização e trabalho, quer na perspetiva positiva assim como negativa.

A agência defende que a alfabetização é fundamental para tornar as transformações inclusivas, relevantes e significativas.

Além de ler e escrever em papel, a alfabetização na era digital permite que as pessoas acedam, compreendam, avaliem, criem, comuniquem e interajam com conteúdo digital de forma segura e adequada.

A alfabetização também é fundamental para fomentar o pensamento crítico, discernir informações confiáveis ​​e navegar em ambientes informacionais complexos. Ouri Pota – Moçambique ONU News


segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Portugal - «Super-células» criadas no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde podem revolucionar tratamento de tumores

Células CAR T editadas geneticamente por investigadoras do i3S prometem ser mais eficazes e resistentes no combate a tumores sólidos


As células CAR-T representam uma das mais inovadoras abordagens em imunoterapia no tratamento de tumores. No entanto, a sua ação esgota-se rapidamente contra tumores sólidos. Uma equipa internacional liderada por Salomé Pinho, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), editou geneticamente essas células tornando-as mais competentes e resistentes. Criou verdadeiras super-células CAR T para o combate a tumores sólidos.

O estudo, recentemente publicado na revista Cancer Immunology Research, da Associação Americana de Investigação em Cancro (AACR), revela o resultado desta estratégia inovadora de edição genética de células T.

Os investigadores mostraram que, em fases iniciais do cancro colorretal, os linfócitos T que circulam no tumor sofrem modificações significativas na composição de açúcares complexos à superfície celular (glicanos). Estas alterações que acontecem nos linfócitos T durante o desenvolvimento tumoral estão associadas a maior exaustão imunológica, e desta forma a uma maior incompetência destas células T no combate ao tumor.

Utilizando a tecnologia de edição genética CRISPR/Cas9, a equipa conseguiu eliminar o gene MGAT5, responsável pela síntese destes glicanos complexos, que prejudicam a a função imunológica destas células T. O resultado foi surpreendente: “Células T sem este gene MGAT5 apresentaram maior capacidade de destruir células tumorais, revertendo o seu estado de exaustão e tornando-as mais resistentes e mais agressivas no combate às células tumorais”, explica Salomé Pinho, líder do grupo «Immunology, Cancer & GlycoMedicine» do i3S.

Antevendo a aplicação deste conhecimento na imunoterapia contra diferentes tipos de cancro, os investigadores aplicaram esta estratégia em células CAR-T anti-CD19 – uma terapia celular já utilizada em tumores hematológicos, mas com eficácia limitada em tumores sólidos, e descobriram que as células CAR-T modificadas para não expressarem MGAT5 (células Glyco-CAR T) são mais eficazes a inibir o crescimento de tumores sólidos.

“Estes resultados inovadores revelam um novo alvo molecular que pode ter aplicação clínica para reforçar a eficácia da imunoterapia baseada em células T, como o caso das células CAR-T, em especial no contexto desafiante dos tumores sólidos”, destaca a também docente da Faculdade de Medicina (FMUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da U.Porto.

Catarina Azevedo, primeira autora do estudo e estudante do Programa Doutoral em Ciências Biomédicas do ICBAS, sob orientação de Salomé Pinho e coorientação de Ângela Fernandes, reforça ainda que “o estudo fornece uma prova de conceito de que a manipulação do glicoma das células T pode representar uma estratégia promissora para ampliar o potencial terapêutico das células CAR-T”.

Esta nova evidência, refere ainda Ângela Fernandes, uma das autoras séniores deste estudo, “abre perspetivas para o desenvolvimento de abordagens inovadoras em imunoterapia oncológica.”

O estudo agora publicado contou com a participação de uma equipa de investigadores internacionais, concretamente da Universidade de Pittsburgh (EUA) e teve o apoio da FLAD e da FullBright, que financiou uma bolsa de estágio no âmbito do projeto de doutoramento de Catarina Azevedo, desenvolvido na Universidade de Pittsburgh/ “UPMC Hillman Cancer Center”, no laboratório do Dr. Greg Delgoffe.

Sobre as CAR-T cells

As CAR-T cells (do inglês Chimeric Antigen Receptor T cells) representam uma das mais inovadoras abordagens em imunoterapia. Trata-se de células T do próprio doente, geneticamente modificadas em laboratório para expressar um recetor capaz de reconhecer alvos específicos nas células tumorais.

Após serem reintroduzidas no organismo, estas células atuam como “fármacos vivos”, destruindo células tumorais com elevada precisão. Embora já tenham demonstrado resultados revolucionários em alguns tipos de cancro hematológico, como é o caso de algumas leucemias, a sua eficácia em tumores sólidos continua a ser um dos grandes desafios da área.

Este estudo revela novas evidências que poderão estar na base de uma nova geração de células CAR-T (Glyco-CAR T) com maior eficácia antitumoral, sobretudo em tumores sólidos. Universidade do Porto - Portugal

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Portugal - Investigadores desenvolvem bioplástico inovador com propriedades antibacterianas para uso hospitalar

Um grupo de investigadores do Centro de Química de Coimbra (CQC), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com o Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da UC, está a desenvolver uma solução inovadora que alia sustentabilidade ambiental ao combate de infeções hospitalares, resultantes de bactérias multirresistentes.


O projeto Natural-based antibacterial bioplastics: a synergic and sustainable approach for surface photo-decontamination (PhotoBioSyn) combina ácido polilático (PLA) – um bioplástico biodegradável obtido a partir de biomassa – com curcumina, um composto natural extraído da raiz da curcuma (açafrão-da-índia), resultando num material com ação antibacteriana quando ativado pela luz.

«Estamos a criar uma alternativa sustentável aos plásticos hospitalares tradicionais, que representam cerca de 70% dos resíduos e são um dos principais vetores de contaminação por bactérias multirresistentes. Os resultados preliminares são promissores, uma vez que estes bioplásticos fotossensíveis foram capazes de inativar bactérias multirresistentes, após um tempo curto de exposição à luz», revela Rafael Aroso, investigador do Laboratório de Catálise e Química Fina (C&FC) e coordenador do projeto.

Atualmente, uma equipa liderada por Mariette Pereira, coordenadora do laboratório C&FC, está a trabalhar na escalabilidade do processo para produção industrial em colaboração com as empresas Bio4Plas e Periplast, bem como o Polo de Inovação em Engenharia de Polímeros (PIEP), com financiamento no âmbito do PRR. O objetivo final é oferecer ao mercado hospitalar um produto biodegradável, funcional e economicamente viável.

«Além do impacto ambiental, esta solução poderá ter um impacto significativo na saúde pública, contribuindo para a redução de infeções hospitalares, que afetam milhões de pessoas por ano na Europa», conclui o especialista.

A equipa do projeto PhotoBioSyn contou com os investigadores Rui Carrilho, Fábio Rodrigues, Madalena Silva e João Baptista, do CQC, e Gabriela Silva, professora da Faculdade de Farmácia da UC e investigadora do CNC. Universidade de Coimbra – Portugal


segunda-feira, 14 de abril de 2025

Portugal - Faculdade de Ciências da Universidade do Porto na vanguarda do combate à doença de Parkinson

O desenvolvimento de novos fármacos e a nanomedicina são algumas das estratégias que estão a mobilizar os cientistas da Faculdade de Ciências



Na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), mais especificamente no Departamento de Química e Bioquímica, há duas equipas focadas em novas terapias para o tratamento da doença de Parkinson. Neste Dia Mundial da Doença de Parkinson, fomos conhecer duas abordagens diferentes, mas complementares, para dar conta da investigação da FCUP no âmbito desta doença.

A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa que afeta as regiões do cérebro humano responsáveis pelo controlo dos movimentos, resultando principalmente da deterioração de neurónios dopaminérgicos. Para além de fármacos para aumentar os níveis de dopamina no cérebro, existem outras estratégias como o recurso a agonistas dopaminérgicos que visam potenciar e prolongar a ação da dopamina: os inibidores da monoamina oxidase B (MAO-B) e os inibidores da catecol-O-metiltransferase (COMT).

É precisamente sobre os inibidores COMT que o grupo de Química Biológica e Medicinal do Centro de Investigação em Química da Universidade do Porto (CIQUP-IMS), liderado pela docente da FCUP, Fernanda Borges, tem estado a trabalhar nos últimos anos, entre outras abordagens.

Em concreto, os investigadores recorreram à nanomedicina, nomeadamente através da utilização de nanopartículas poliméricas ou lipídicas como veículos para fármacos. O objetivo é fazer chegar ao seu destino e de forma mais eficiente os inibidores da COMT.

“No contexto dos inibidores da COMT atualmente aprovados para uso clínico, destacam-se três compostos com estrutura nitrocatecólica: tolcapona, entacapona e opicapona. A tolcapona é um inibidor potente, com ação a nível central e periférico, mas o seu uso clínico está limitado pelo risco de toxicidade hepática grave, sendo, ainda assim, utilizada pela sua elevada eficácia”, explicam os investigadores deste grupo.

Neste âmbito, os cientistas desenvolveram uma formulação de tolcapona encapsulada em nanopartículas poliméricas funcionalizadas com oligossacarídeos, o que resultou numa marcada redução da toxicidade hepática em modelos celulares, mantendo-se a eficácia farmacológica.

Este trabalho pioneiro, dado que esta abordagem nunca havia sido aplicada à tolcapona, foi publicado na revista ACS Applied Materials & Interfaces, com um fator de impacto de 8.5.

Estes avanços reforçam a relevância da nanotecnologia na reformulação de fármacos já existentes, com vista à melhoria do seu perfil de segurança e eficácia.

Um novo e mais seguro inibidor 

O grupo também desenvolveu um novo inibidor da COMT que poderá ser usado como alternativa às opções atualmente disponíveis na prática clínica. Em colaboração com a Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP), demonstraram, em modelos celulares, que este novo inibidor poderá constituir uma alternativa mais segura à tolcapona e, contrariamente à entacapona e à opicapona, poderá exercer o seu efeito terapêutico ao nível do cérebro.

Este trabalho foi desenvolvido no âmbito do projeto “COMT4BRAIN: Development of centrally-active and safe catechol O-methyltransferase inhibitors”, financiado em 250 mil euros pelo COMPETE/ Fundação para a Ciência e Tecnologia. Os resultados obtidos com o novo inibidor da COMT foram recentemente patenteados a nível nacional e encontram-se também publicados na revista Journal of Medicinal Chemistry.

Atualmente, em dois projetos de investigação em conjunto com a FMUP, um deles financiado ao abrigo do programa BIP Proof, estão a desenvolver ensaios pré-clínicos mais robustos em modelos in vitro e in vivo, para avaliar outros efeitos benéficos do novo inibidor da COMT para minimizar (ou até mesmo prevenir) a neurodegeneração na doença de Parkinson. 

A equipa do Grupo de Química Biológica e Medicinal do CIQUP-IMS envolvida neste trabalho integra ainda os investigadores Carlos Fernandes, Daniel Chavarria, Sofia Benfeito e Carla Lima.

Novo fármaco para o tratamento do Parkinson em desenvolvimento

Os fármacos existentes no mercado têm como objetivo aumentar a produção de dopamina no sistema nervoso central. No entanto, ao longo dos anos, estes medicamentos perdem eficácia, havendo necessidade de administrar doses mais elevadas, o que resulta em efeitos secundários que, em muitos casos, podem até exacerbar os sintomas da doença.

Uma equipa de cientistas do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV-REQUIMTE) tem estado a avançar com um novo fármaco para o tratamento da doença de Parkinson, mais eficiente e com menos efeitos secundários do que os atualmente usados.

“O que acontece na doença de Parkinson é que os baixos níveis de dopamina não são suficientes para ativar os recetores de forma adequada e, por conseguinte, comprometem a ativação dos circuitos dopaminérgicos. O que nós pretendemos é aumentar a afinidade destes recetores para a dopamina e, assim, conseguir que os sintomas motores sejam atenuados mesmo a concentrações baixas deste neurotransmissor”, salienta Ivo Dias, que lidera a equipa de investigadores do LAQV-REQUIMTE, que iniciou este trabalho com o projeto DynaPro, financiado pela FCT e que está a dar continuidade a esta investigação num novo projeto.

Com resultados promissores, a equipa já conseguiu identificar moléculas inovadoras capazes de aumentar a afinidade dos recetores de dopamina. Aliás, foram recentemente alvo de patente em Portugal e em Espanha.

Os investigadores conseguiram também já provar que estas moléculas são seguras, não apresentando toxicidade hepática ou cardíaca, e possuem capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, alcançando o sistema nervoso central, como pretendido.

Ensaios in vivo 

Com esses avanços, a investigação segue agora para ensaios in vivo, uma etapa crucial para determinar o potencial terapêutico das moléculas em modelos de Parkinson em roedores.

Esta equipa da FCUP é uma das poucas do mundo a trabalhar nesta abordagem terapêutica e é a única em Portugal a focar-se nos moduladores dos recetores de dopamina, nos quais se incluem a melanostatina.

A equipa está agora focada no projeto Pep2mer, financiado pela FCT, para complementar a investigação desenvolvida em moduladores dos recetores de dopamina como alternativa farmacológica para o tratamento da doença de Parkinson e conta com a colaboração da FF-USC e o Centro de Investigação em Química Biológica e Materiais Moleculares da Universidade de Santiago de Compostela (CiQUS).

Deste grupo da FCUP fazem parte Ivo Dias e José Enrique Borges, professores na FCUP e investigadores integrados do LAQV-REQUIMTE, e os investigadores do LAQV-REQUIMTE, Sara Reis, Hugo Almeida, Beatriz Lima e Xavier Correia, estudantes de doutoramento em Química Sustentável da FCUP. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 31 de março de 2025

Portugal – Universidade de Coimbra lança guia prático para tornar renovação energética acessível nas comunidades rurais europeias

Uma equipa de investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu, no âmbito da sua participação no projeto RENOVERTY, Roteiros de Renovação Rural, um guia prático pensado para tornar a renovação energética acessível às comunidades rurais em toda a União Europeia (UE).



Num momento em que a eficiência energética se torna essencial para combater a pobreza energética, estes roteiros pretendem ajudar os proprietários rurais a melhorar as suas habitações (condições de conforto e salubridade do espaço interior), contribuindo simultaneamente para melhorar a sua qualidade de vida e alcançar a descarbonização do parque edificado, seguindo os objetivos climáticos da UE.

Os roteiros, desenvolvidos em colaboração com grupos de ação local (GAL) da Croácia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Hungria, Itália, Osona e Portugal, tentam responder aos desafios enfrentados pelas zonas rurais. Este guia prático oferece orientações claras e práticas sobre as opções técnicas, legislativas e financeiras, disponíveis em cada região, numa tentativa de simplificar o processo de renovação das habitações das famílias que enfrentam uma situação de pobreza energética. 

Como explica Paula Fonseca, investigadora do ISR, «estes instrumentos permitem adaptar cada intervenção às necessidades específicas de cada caso, ao orçamento disponível e aos incentivos aplicáveis. Além disso, pretendem ajudar a superar desafios comuns, como a complexidade dos requisitos administrativos, a iliteracia energética, a escassez de informação, as limitações no acesso a financiamento e a falta de profissionais qualificados. Ao oferecerem uma visão clara e orientada para as necessidades, os roteiros tornam o processo de renovação mais acessível, eficiente e bem-sucedido». 

De acordo com os especialistas, o envelhecimento do parque imobiliário europeu representa um desafio urgente, uma vez que 35% dos edifícios têm mais de 50 anos e 75% continuam a ser ineficientes do ponto de vista energético, contribuindo para 40% do consumo de energia da UE e 36% das emissões de CO₂. 

«As zonas rurais enfrentam vulnerabilidades próprias que intensificam a pobreza energética, nomeadamente o envelhecimento das populações, as elevadas taxas de pobreza e o parque imobiliário mais velho e ineficiente. Muitos agregados familiares que vivem nestas zonas dependem de combustíveis fósseis com elevado teor de carbono para aquecimento, como o carvão e o gasóleo, devido às opções energéticas mais limitadas», realçam os investigadores.

Assim, «os roteiros RENOVERTY abordam estes desafios, apresentando medidas passíveis de apoiar as comunidades rurais, contribuindo para a diminuição das desigualdades e ajudando os cidadãos que mais necessitam de apoio. Além de sensibilizar e respeitar o ambiente rural, este projeto pretende contribuir para manter e promover o conhecimento local, a identidade cultural e a preservação da natureza», concluem. 

Neste âmbito, os especialistas estão a promover, até 7 de abril, um concurso que convida  municípios, agências de energia, peritos do setor e outras partes interessadas a unir esforços no combate à pobreza energética rural, aplicando os conhecimentos adquiridos, aproveitando simultaneamente as oportunidades de colaboração e as soluções comprovadas para a renovação rural. Mais informações sobre este concurso aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

China e Tailândia unidas contra redes de burlas

O Presidente chinês, Xi Jinping, e a Primeira-ministra tailandesa, Paetongtarn Shinawatra, prometeram combater as redes de burla que assolam o sudeste asiático, durante um encontro, em Pequim.

Myanmar, Camboja e Laos, que se situam a sul da China e partilham fronteiras com a Tailândia, tornaram-se os principais centros de operações de fraude online, onde pessoas atraídas por falsos anúncios de empregos bem remunerados são mantidas em complexos secretos e forçadas a trabalhar para grupos criminosos que gerem burlas dirigidas a pessoas de todo o mundo. A situação tem afectado a reputação da Tailândia, uma vez que surgiram vários casos de chineses atraídos para trabalhar em Banguecoque para depois serem traficados para alguns complexos em Myanmar, sendo o actor Wang Xing a mais recente vítima.

A Tailândia e a China tomaram medidas para resolver o problema das burlas, incluindo uma visita de Liu Zhongyi, vice-ministro chinês da segurança pública, à região fronteiriça.

“A China aprecia as fortes medidas adoptadas pela Tailândia para combater a fraude online. As duas partes devem continuar a reforçar a aplicação da lei, a segurança e a cooperação judicial”, disse Xi, citado pela televisão estatal CCTV.

“A Tailândia está disposta a reforçar a cooperação em matéria de aplicação da lei com a China e outros países vizinhos e a adoptar medidas resolutas e eficazes para combater os crimes transfronteiriços, como o jogo e a fraude”, garantiu Paetongtarn.

Esta semana, a Tailândia cortou o fornecimento de electricidade a algumas zonas de Myanmar junto à sua fronteira, para tentar perturbar as operações dos grupos fraudulentos. O efeito desta medida não é claro, uma vez que os complexos têm frequentemente geradores próprios.

A visita à China é a primeira de Paetongtarn como Primeira-ministra e ocorre numa altura em que os dois países celebram 50 anos de laços diplomáticos.

Por outro lado, Xi afirmou que a China está pronta a trabalhar num novo projecto ferroviário entre os dois países. Na terça-feira, a Tailândia aprovou uma ligação ferroviária de 10 mil milhões de dólares que ligará Banguecoque à linha de alta velocidade Laos-China. Segundo Xi, os dois países também esperam aprofundar a cooperação no domínio dos veículos eléctricos, uma vez que a Tailândia é um mercado emergente para os fabricantes chineses.

A China já foi uma parte significativa do segmento turístico da Tailândia, mas em 2024, o número de visitantes baixou para 6,7 milhões, muito abaixo dos 11 milhões em 2019, quando os chineses representavam quase um terço de todas as chegadas. Paetongtarn frisou que a Tailândia está disposta a acomodar os interesses chineses em questões fundamentais.

Vincou ainda que a Tailândia respeita “firmemente” o princípio de ‘uma só China’, a posição de Pequim segundo a qual Taiwan faz parte da China. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Indonésia - Lança programa de refeições gratuitas para crianças e grávidas

A Indonésia deu início ontem a um ambicioso programa de refeições gratuitas, no valor de 4,2 mil milhões de euros, para combater o atraso de crescimento devido à subnutrição, uma promessa eleitoral do Presidente, Prabowo Subianto



Subianto, que sucedeu a Joko Widodo em outubro, comprometeu-se a fornecer refeições gratuitas a dezenas de milhões de crianças em idade escolar e mulheres grávidas, afirmando que isso melhoraria a qualidade de vida e impulsionaria o crescimento económico. “Isto é histórico para a Indonésia, que pela primeira vez está a implementar um programa nacional de nutrição para crianças, estudantes, mães grávidas e lactantes”, sublinhou o porta-voz presidencial, Hasan Nasbi, no domingo à noite.

O Governo indonésio atribuiu 10 mil rupias (0,59 euros) por refeição às cozinhas que se comprometam a servir arroz, proteínas, legumes e fruta.

A meta do Executivo é atingir 19,47 milhões de crianças em idade escolar e mulheres grávidas em 2025, mas o objetivo final é de vir a fornecer refeições a quase 83 milhões de pessoas, incluindo alunos em mais de 400 mil escolas em todo o país, até 2029.

O orçamento global do programa é de 71 mil milhões de rupias (4,2 mil milhões de euros) para 2025, montante que permite ao Executivo manter o défice do Orçamento do Estado anual abaixo do limite máximo legislado de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), afirmou o líder da recém-formada Agência Nacional de Nutrição.

Dadan Hindayana acrescentou que o dinheiro permitirá adquirir cerca de 6,7 milhões de toneladas de arroz, 1,2 milhões de toneladas de frango, 500 mil toneladas de carne de bovino, um milhão de toneladas de peixe, legumes e frutas e quatro milhões de litros de leite, e que serão montadas, pelo menos, cinco mil cozinhas em todo o país.

O programa de refeições gratuitas visa combater o atraso de crescimento, que afeta 21,5% das crianças do vasto arquipélago de cerca de 282 milhões de pessoas. A Indonésia quer reduzir esta taxa para 5% até 2045.

Prabowo defendeu este programa com veemência durante a campanha presidencial e prometeu que as regiões mais pobres e isoladas do país do Sudeste Asiático serão a prioridade.

Depois de chegar ao poder, o antigo general visitou vários países, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido, para obter apoio financeiro.

Na China, durante a primeira visita como Presidente, em novembro, chegou a um acordo no valor de 10 mil milhões de dólares (9,7 mil milhões de euros) com o líder chinês Xi Jinping para apoiar várias políticas, incluindo o programa de refeições gratuitas. No entanto, alguns analistas duvidam da viabilidade do programa a longo prazo.

“Estou bastante pessimista se tudo for assumido pelo governo central. Economicamente, não será sustentável”, disse à agência de notícias France Presse Aditya Alta, analista do Centro de Estudos Políticos da Indonésia, em Jacarta. “O atraso de crescimento é um problema multidimensional e não pode ser resolvido através de uma única abordagem”, acrescentou. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa” 


sábado, 24 de agosto de 2024

Cabo Verde - Fundação Menos Álcool Mais Vida alerta para elevado consumo de álcool no país e pede fiscalização

O presidente da Fundação Menos Álcool Mais Vida alertou para o elevado consumo de bebidas alcoólicas em Cabo Verde, sobretudo no período das férias, e pediu uma maior fiscalização no comércio, principalmente na venda a crianças


Em entrevista à Lusa, Manuel Faustino referiu que tem "havido algum aumento do consumo de álcool" no país, onde o alcoolismo é um grave problema social e de saúde pública.

"Nós não temos dados objectivos que nos permitam afirmar em que medida isso está acontecendo [aumento do consumo do álcool]”, afirmou o responsável, avançando que a Fundação pretende realizar um estudo para actualizar os dados publicados em Outubro de 2021.

Na altura, o estudo concluiu que 17% da população cabo-verdiana parou ou reduziu o consumo de bebidas alcoólicas devido à pandemia da COVID-19.

Manuel Faustino disse recear um agravamento, invertendo a tendência anterior de redução ou paragem do consumo de bebidas alcoólicas no país, e apontou que no período das férias, festas e festivais, "há uma tendência maior para o aumento do consumo abusivo do álcool".

O presidente da fundação disse que é preciso uma "maior educação e informação" sobre o consumo do álcool para além do que é passado nas escolas, "envolvendo famílias, comunidades e uma fiscalização mais intensa” para conseguir a redução.

Lembrou que a lei proíbe a venda de bebidas alcoólicas a menores em Cabo Verde, mas que "muitas vezes" são as crianças que vão comprar porque uma mãe, um pai ou algum familiar lhe mandou.

"Enquanto não houver uma consciência que é muito ruim para a criança ir comprar bebidas alcoólicas, temos de esperar que a fiscalização não permita que o vendedor venda a menores", pediu.

Além disso, defendeu que é preciso proteger as pessoas vulneráveis como crianças e jovens e aqueles que não têm propensão para beber.

"A lei protege a saúde e a própria vida se for cumprida. Em alguns lugares às vezes há instituições que não compreendem o seu papel, promovem atividades que estimulam o incumprimento da lei e mesmo o consumo abusivo", referiu.

O responsável avançou, na entrevista dada à Lusa esta semana, que a Fundação, juntamente com colaboradores, pretende idealizar um programa específico para alertar as pessoas a terem mais cuidado sobre o consumo do álcool.

Também o objectivo é criar um programa de formação online e presencial para activistas, membros de várias instituições cabo-verdianas.

Entretanto, Manuel Faustino lamentou o facto de a Fundação ainda não ter uma estrutura que lhe permita por tudo isto a funcionar.

"Para fazer tudo isso, manter os contactos, elaborar os programas, dialogar com várias instituições, atender a várias solicitações, naturalmente precisamos de uma estrutura", alertou.

A Fundação Menos Álcool Mais Vida foi constituída em Setembro de 2022 para dar continuidade à campanha com o mesmo nome, iniciada em 2018, pelo ex-Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, e quando Manuel Faustino era o chefe da Casa Civil.

A Lei do Álcool entrou em vigor em Cabo Verde em 05 de Outubro de 2019, e proíbe qualquer forma de publicidade de bebidas alcoólicas, a venda a menores de 18 anos e na via pública, venda ambulante ou em quiosques.

O alcoolismo é um grave problema social e de saúde pública em Cabo Verde.

Um diagnóstico apresentado em setembro de 2019 apontou que o consumo de álcool e drogas estão entre os principais problemas de saúde dos adolescentes cabo-verdianos. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”


quinta-feira, 11 de julho de 2024

Turquia – Jovens criam soluções na agricultura para combater as alterações climáticas

Estes adolescentes da Turquia são os finalistas do Prémio Terra pela sua solução rápida e barata para a quebra de colheitas


“A minha comunidade é a minha inspiração”, diz Beyza, de 17 anos, vice-campeã do The Earth Prize.

“Na Turquia, estamos a viver os efeitos das alterações climáticas. Esta região era a Mesopotâmia, onde a agricultura e a civilização nasceram, mas agora as pessoas estão a lutar contra as alterações climáticas e a seca.”

Enquanto muitos jovens marcham para exigir ações climáticas, Beyza alavancou a sua mente científica ao desenvolver uma “solução de cultivo alimentada por plasma que desafia a seca”.

“Não é bom assistir quando os grandes governos conseguem resolver estes problemas, mas estamos a tentar fazer isso e não eles”, diz Diyar, de 18 anos, que está a trabalhar no projeto com Beyza.

“E já que não somos capazes de mudar o clima - o problema em si - estamos a tentar resolver os efeitos dele. Acho que se este problema recebesse atenção suficiente de autoridades muito maiores, ele poderia ser resolvido - essa é a parte com a qual as pessoas estão com raiva.”

Junto com os seus colegas inventores da Equipe Ceres, eles inscreveram a sua solução no The Earth Prize, uma competição global de sustentabilidade ambiental para estudantes que fornece orientação e financiamento para ideias vencedoras.

Enquanto Beyza tira o protótipo ' Plantzma ' do guarda-roupa do quarto e o explica numa videochamada, fica claro que eles não são adolescentes comuns.

Como o plasma pode ajudar os agricultores a lutar contra as alterações climáticas?

“A nossa ideia para o Plantzma surgiu dos desafios agrícolas que observamos na nossa comunidade e família”, diz Beyza.

“Muitas pessoas que conhecemos trabalham na agricultura, já que a nossa região tem acesso limitado a recursos como a educação, e elas enfrentam problemas significativos devido à seca e à quebra de colheita - houve um declínio de 40% nas taxas de precipitação, levando a uma perda de 80% nas colheitas.”

A probabilidade de quebra de colheitas deverá ser até 4,5 vezes maior globalmente até 2030, e 25 vezes maior até 2050, de acordo com o Fórum Económico Mundial.

Isso não só afeta os meios de subsistência e a segurança alimentar dos agricultores, como também leva ao uso excessivo de fertilizantes, o que piora o problema por meio da poluição e da degradação do solo.

Beyza e a sua equipa decidiram resolver estes problemas com o Plantzma: um dispositivo fácil de usar que utiliza plasma para criar culturas mais resistentes e enriquecer a água de irrigação.

Com o preço de €176, um único dispositivo pode evitar perdas de colheitas em até 60% e reduzir o uso de fertilizantes caros em até 40%, estima a Equipa Ceres.

“Então, quando entrevistamos os agricultores, eles ficaram felizes em ouvir sobre este produto”, diz Beyza. “Ele pode ser usado clicando apenas em dois ou três botões.”

O que é exatamente o plasma?

Plasma — o quarto estado da matéria, além do sólido, líquido e gasoso — “é essencialmente ar ionizado supercarregado”, explica Diyar.

As suas partículas superaquecidas têm tanta energia que os eletrões se separam dos seus átomos. Ao contrário do gás, conduz eletricidade facilmente.

Raro na Terra, mas abundante no Espaço, o plasma requer três coisas para ser criado: um gás como o ar, um sistema de descarga com elétrodos e um sistema de voltagem, explica Beyza.

A sua jornada com plasma é uma prova da sua curiosidade científica além da sala de aula.

“Pensei em usar plasma porque eu gostava de exoplanetas”, ela relembra. “Então eu estava a ler muito os artigos da NASA, e a NASA tem muito trabalho sobre plasma e a sua ampla gama de usos.”

O dispositivo Plantzma usa plasma de baixa temperatura de duas maneiras.

“No tratamento direto, tratamos as sementes num recipiente com plasma antes do cultivo, melhorando a taxa de germinação e o potencial de crescimento desde o início, criando nanofissuras na superfície dessas sementes, e isso aumenta a resistência a doenças, seca e outros problemas ambientais”, explica Diyar.

“No tratamento indireto, tratamos a água de irrigação com plasma, enriquecendo as suas propriedades para beneficiar o crescimento das plantas, e esse processo transforma a água num fertilizante de plasma [ecológico e enriquecido com nitrogénio] que fornece nutrientes essenciais para a planta e estimula frutas e vegetais.”

'Quero trabalhar na ONU, esse é meu sonho'

A equipa Ceres quer que a sua tecnologia de plasma se torne o mais acessível possível, para que possa ser dimensionada e usada em comunidades rurais.

“A solução pode ser implementada em qualquer lugar do mundo onde a agricultura seja [prevalente], incluindo muitos lugares que não têm acesso a tecnologias modernas”, diz Beyza.

Para que isso se torne realidade, eles estão a tentar levantar fundos para promover a ideia e, eventualmente, expandi-la internacionalmente.

Enquanto Diyar se forma em engenharia elétrica na NYU Abu Dhabi, Beyza espera em breve estudar engenharia ambiental e ciência política na universidade.

“Sinto raiva sobre a alteração climática porque, como sabe, não está relacionada apenas ao meio ambiente, está principalmente relacionada à economia ... e estou com raiva do futuro, pensando: 'Os nossos recursos hídricos são suficientes para nós? E seremos capazes de mitigar os efeitos da alteração climática na nossa região?'”, pergunta ela.

“Quero trabalhar na ONU, esse é meu sonho… Vejo que há uma falta de políticas ambientais em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento… [onde] as alterações climáticas são um verdadeiro desafio.

“Então, quando inventamos algo, torná-lo realmente acessível e mudar as políticas ambientais é realmente importante para essas comunidades vulneráveis.” Euronews.green


sábado, 15 de junho de 2024

Cabo Verde - Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente lança música oficial da campanha "PROTEJA"

O Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) lançou, nas plataformas digitais, “Protegem” a música oficial da campanha “PROTEJA - Crianças e Adolescentes Livres da Violência Sexual”


A música foi lançada esta terça-feira, 4 de Junho, Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão, e Dia Nacional Contra o Abuso e Exploração Sexual de Menores em Cabo Verde.

O tema é da autoria da artista cabo-verdiana Sandra Horta, conta com a participação de Lua Alinho e Daniela Garcia, e produção de Hernâni Almeida. “A letra apela à responsabilidade de todos de proteger os sonhos e direitos das crianças”.

Segundo uma nota enviada, a campanha foi lançada no passado mês de Maio, com o objectivo de informar e mobilizar a sociedade cabo-verdiana para a prevenção e combate à violência sexual contra crianças e adolescentes.

“Pretende-se, desta forma, promover uma mudança efetiva de atitudes e comportamentos em prol do direito à proteção das crianças e adolescentes, visando reduzir os casos de violência sexual”, revela.

Promovida pelo ICCA, com o apoio do UNICEF, a campanha tem como símbolo um papagaio de papel, que representa a liberdade, a alegria e a inocência da infância que devem ser protegidas. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


terça-feira, 19 de março de 2024

Turquia - Oferece três embarcações para patrulha do mar à Guiné-Bissau

Bissau – O Governo da Turquia disponibilizou três embarcações para ajudar a Guiné-Bissau a patrulhar as suas costas marítimas no âmbito do combate à pesca ilegal e ao tráfico de drogas.


O embaixador de Turquia na Guiné-Bissau, Ali Sait Akim procedeu à entrega das referidas embarcações ao governo guineense, através do Estado-maior da Armada, na presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, Chefe de Estado-maior General  das Forças Armadas, Biaguê NTan e do ministro da Defesa Nacional, Nicolau dos Santos.

As três embarcações dispõem de equipamentos para vigilância marítima.

Na ocasião, o embaixador da Turquia no país declarou a disponibilidade de seu país continuar a apoiar a Guiné-Bissau no processo de desenvolvimento, principalmente, na requalificação e na construção das infraestruturas marítimas.

“É neste quadro que o Governo da Turquia doou estas embarcações ao governo guineense para reforçar a sua capacidade de fiscalização marítima”, disse o diplomata turco.

O Presidente da República agradeceu ao seu homólogo da Turquia pela doação das embarcações ao país, destinadas ao reforço das suas  capacidades de fiscalização, através do Estado-maior da Armada (Marinha).

Umaro Sissoco Embaló disse que, para além destas embarcações, o país vai ainda beneficiar da Turquia, de cinco embarcações de transporte de passageiros, por forma a reduzir as dificuldades de ligação  entre a capital Bissau e as ilhas.

Estas jangadas, segundo o chefe de Estado, serão colocadas na travessia de Tchetchi, Farim, Cubumba e de Bissau para Ntchudé.

Umaro Sissoco Embaló anunciou ainda para breve a recepção do Governo português de um navio de transporte de cargas e passageiros.

Disse que essas ações se enquadram nas celebrações do centenário do nascimento de Amílcar Cabral e de 60 anos da criação das Forças Armadas.

O chefe de Estado Guineense lamentou a situação da Força Aérea, em termos de materiais, por isso assegurou que vai diligenciar junto dos parceiros, equipamentos para este ramo das Forças Armadas.

“Temos uma Força Aérea na teoria, mas na prática nada existe, porque uma Força Aérea tem que ser adoptada de meios, sobretudo de aviação, não só para garantir a segurança territorial, mas também ajudar na questão de evacuação sanitária”, afirmou.

Para que isso aconteça, segundo o chefe de Estado, é preciso que haja estabilidade no país.

O chefe de Estado Guineense recomendou ao chefe de Estado-maior da Armada a fazer o bom uso das embarcações recebidas do Governo da Turquia.

O Presidente guineense afirmou que as embarcações não servem só para fiscalização marítima, mas também para combate ao tráfico de drogas no mar. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau