Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Portugal – Procura diversificar parcerias para financiar desenvolvimento global

Na ONU, durante a primeira avaliação desde a Conferência de Sevilha sobre o tema, o país promete investir em projetos com impacto e em iniciativas com o setor privado. A língua portuguesa abre portas para ações de sustentabilidade e outras áreas, em nações lusófonas


Portugal está empenhado em diversificar parcerias para financiar o desenvolvimento como parte do Compromisso de Sevilha, que resultou do Quarto Encontro de Cúpula Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, realizado na cidade espanhola, no ano passado.

Ali, os líderes internacionais prometeram ampliar o financiamento para acelerar a implementação da Agenda 2030, de desenvolvimento sustentável. Para chegar lá, no entanto, o mundo precisa preencher uma lacuna de pelo menos US$ 4 trilhões, anualmente.

Brasil e Moçambique

Durante o Fórum sobre o tema, realizado pelo Conselho Económico e Social da ONU, em Nova Iorque, a embaixadora de Portugal e presidente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, IP, Florbela Paraíba, informou que o seu país defende um Apelo à Ação sobre dados, evidências e visibilidade da cooperação triangular.

Nesta entrevista à ONU News, ela falou de exemplos práticos destas parcerias em países como o Brasil e Moçambique, que visam impacto e transformação.

“Temos exemplos como o que fazemos com o Brasil nas culturas do café e na defesa da sustentabilidade em dois parques naturais na Gorongosa e em Chimanimani, em Moçambique. É um exemplo de como é que as comunidades locais, os agricultores locais beneficiam do apoio de agências neste caso portuguesa e espanhola. E são coisas que, no local, nós percebemos a diferença e o fator de transformação que eles introduzem nas comunidades. Em termos de sustentabilidade ambiental, em termos de educação, em termos de sensibilização, portanto, toda a comunidade é envolvida.”

Alguns dos desafios atuais para financiar o desenvolvimento são as tensões geopolíticas, crise climática, conflitos e guerras que drenam recursos aumentando a pressão sobre os países mais vulneráveis.

Dívida e pandemia

A embaixadora Florbela Paraíba contou que além dos países de língua portuguesa, em quatro continentes, Portugal mantém parcerias com nações como Costa Rica, México, Colômbia, Argentina e plataformas de aproximação do Sul Global que inclui a África.

Este mês, Portugal lançou a terceira edição de uma iniciativa com bolsas de estudo que focam em pesquisas sobre oceanos, entre outras áreas de interesse, como explicou a embaixadora Florbela Paraíba.

Oceanos e espaço digital

“Portugal tem créditos muito estabelecidos na defesa dos oceanos. No ODS dos oceanos. Um papel tradicional em chamar a atenção para a questão dos oceanos, tanto do ponto de vista económico, mas também do ponto de vista de regulação internacional e do ponto de vista do ambiente, naturalmente. O digital que também é muito importante para os LDC (Países Menos Desenvolvidos), nomeadamente, e também a parte do espaço.”

Segundo a ONU, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, ODA, caiu drasticamente, o investimento estrangeiro continua a diminuir e muitos países têm dificuldades em angariar receitas fiscais suficientes para financiar os serviços básicos.

Cerca de 3,4 mil milhões de pessoas vivem em países que gastam mais em pagamentos de juros do que em saúde ou educação.

O Relatório sobre o Financiamento para o Desenvolvimento Sustentável 2026, divulgado pela ONU, no evento em Nova Iorque, revela que apesar de perspectivas sombrias, o crescimento económico global superou as expectativas no ano passado. O comércio entre países em desenvolvimento subiu nas últimas duas décadas e o investimento em energia renovável atingiu um recorde de US$ 2,2 trilhões em 2024, representando o dobro do nível investido em combustíveis fósseis. Monica Grayley – Brasil ONU News


quinta-feira, 2 de junho de 2022

Angola - Centro de Investigação Científica, uma parceria da Fundação Calouste Gulbenkian

Investigar a malária, a anemia e a relação entre problemas respiratórios e parasitas intestinais ou intervir na saúde materna e neonatal, em Angola, tornou-se possível deste que, em 2007, a Fundação Gulbenkian e vários parceiros criaram o Centro de Investigação em Saúde de Angola (CISA). Um Centro onde já foram desenvolvidos mais de 40 estudos e que tem em curso seis projetos com financiamento internacional


CISA – Centro de Investigação em Saúde de Angola

Centro para o desenvolvimento da investigação na área da saúde no Caxito em Angola

Área de atuação: Investigação em saúde

Parceiros: Ministério da Saúde de Angola, Governo Provincial do Bengo, Camões, Instituto da Cooperação e da Língua e Fundação Calouste Gulbenkian

Financiadores: Fundação Calouste Gulbenkian e Camões, Instituto da Cooperação e da Língua

Localização: Caxito, Angola

Duração: 2007- 2022

Fase do Projeto: Em desenvolvimento

ODS: 3, 9 e 17


O CISA, projeto de cooperação entre Angola e Portugal, resultou na criação de um centro de investigação no Caxito, no qual a Fundação Gulbenkian está ligada desde a sua génese, em 2007.

Localizado no Caxito, a 60 km a norte de Luanda, o CISA pretende:

  • contribuir para um melhor conhecimento das doenças e problemas de saúde que afectam os países em vias de desenvolvimento, quer as doenças mais visíveis como a malária, tuberculose e HIV/SIDA, quer as conhecidas por “doenças negligenciadas” (schistossomíase, tripanossomíase, febres hemorrágicas virais, filaríases, helmintíases);
  • funcionar como catalisador da investigação biomédica envolvendo investigadores angolanos e de outros países, nomeadamente, portugueses.

A investigação do CISA assenta em três plataformas de recolha de dados de rotina que fornecem informação demográfica (para determinar a dimensão e a dinâmica da população da área em estudo pelo CISA), de mortalidade e morbilidade, usadas nos estudos epidemiológicos e de intervenção.

Caxito, Mabubas e Úcua foram as três comunas do município do Dande definidas como área de intervenção prioritária do CISA, que cobre 4700 Km2, com uma população de aproximadamente 60 000 habitantes, distribuídos por 69 bairros com características quer urbanas, quer rurais.

Projetos em curso

  • Sickle Cell Anemia and Fetal Hemoglobin. Genetic modifiers in Angolan Children Cohort
  • Malaria drug resistance: treatment alternatives and optimization – MalAngo
  • Vigilância de grávidas drepanocíticas. Prevenção de Acidentes Vasculares Cerebrais em Angola
  • Monitorização de doenças diarreicas em crianças menores de cinco anos no Hospital Geral do Bengo. Agentes bacterianos e Rotavírus
  • Next-generation sequencing to understand the HIV-1 transmission patterns in Angola – HITOLA
  • Helminth infections and allergic respiratory diseases. Does a neglected tropical disease influence a noncommunicable disease?
  • Probing the future of triple artemisin-based combination therapy in Angola

Em 2007 o Ministério da Saúde de Angola, o Governo Provincial do Bengo, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e a Fundação Calouste Gulbenkian realizam uma parceria para a criação do CISA. Em 2013, o Centro torna-se instituto público, tutelado pelo Ministério da Saúde de Angola, e em 2019 há um reenquadramento para a sua autonomia científica. Fundação Calouste Gulbenkian – Portugal

Saiba mais aqui.


 

sábado, 25 de dezembro de 2021

Alemanha – Renovado o protocolo entre a universidade de Göttingen e o Camões Instituto da Cooperação e da Língua

Foi assinada a renovação, por mais três anos, do protocolo entre o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e a Universidade Georg-August de Göttingen, que estabelece as condições para alargar a oferta dos estudos relativos à língua portuguesa e culturas de expressão portuguesa mediante a criação da Cátedra José de Almada Negreiros


O protocolo foi assinado pelo Embaixador de Portugal na Alemanha, Francisco Ribeiro de Menezes, que representou no ato o Presidente do Conselho Diretivo do Camões, I.P., João Ribeiro de Almeida, e pelo Presidente da Fundação da Universidade, Metin Tolan.

No presente ano letivo estão inscritos 1854 alunos em cursos de Língua Portuguesa nas universidades alemãs apoiadas pelo Camões, I.P, dos quais 49 na Universidade de Göttingen.

São 15 as universidades (incluindo 2 cátedras) com as quais o Camões, I.P. tem instrumentos de cooperação: Aachen, Berlim (Humboldt e Freie), Chemnitz, Colónia, Göttingen, Hamburgo, Heidelberg, Leipzig, Konstanz, Mainz, Marburgo, Munique, Rostock e Saabrücken. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



domingo, 12 de dezembro de 2021

França - Obras de quatro escritores de língua portuguesa recebem apoio para tradução

Obras dos escritores Cecília Ferreira, Miguel Szymanski, José Eduardo Agualusa e Gonçalo M. Tavares vão ser traduzidas e editadas em francês, no âmbito da Temporada França-Portugal 2022, foi anunciado.

De acordo com a Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB), a linha de apoio à tradução e edição contemplará, com um total de 18000 euros, quatro editoras francesas, que irão editar aqueles autores.

Pela Agullo Editions sairá “Ouro, Prata, Silva”, do escritor luso-alemão Miguel Szymanski, enquanto a Éditions Métailié publicará “Os vivos e os outros”, do autor angolano José Eduardo Agualusa, e L’Oeil du Prince recebe apoio para editar a dramaturgia “A acompanhante”, de Cecília Ferreira.

De Gonçalo M. Tavares serão publicadas duas obras em francês pela Éditions Viviane Hamy: “A mulher sem cabeça e o homem do mau olhado” e “Cinco meninos, cinco ratos”.

Estas cinco obras serão traduzidas e publicadas no mercado francês, por conta de uma linha de apoio especial, criada pela DGLAB e pelo Instituto Camões, no âmbito da Temporada Portugal-França 2022.

O apoio destinava-se a obras de autores portugueses e de autores africanos e timorenses escritas em português, para serem publicadas em francês até ao final de 2022.

A Temporada Portugal-França é uma iniciativa de diplomacia cultural, de aprofundamento de relações entre os dois países e decorrerá entre fevereiro e outubro de 2022.

A iniciativa tem curadoria do encenador Emmanuel Demarcy-Mota, coadjuvado por Manuela Júdice e Victoire Bigedain Di Rosa no comissariado-geral em cada um dos países. In “LusoJornal” - França

 

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Cabo Verde - Instituto Camões cofinancia musealização de ruínas de igreja

O Instituto Camões vai cofinanciar em 15 mil euros o projeto de musealização das ruínas da Igreja Nossa Senhora da Conceição, situado na Cidade Velha, Património Mundial em Cabo Verde, informou o Instituto do Património Cultural cabo-verdiano

Segundo aquele instituto cabo-verdiano citado pela Inforpress, o projeto irá permitir a conservação dos vestígios local e inovar as infraestruturas culturais do sítio histórico cabo-verdiano.

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição, localizado na Cidade Velha, Património Mundial, é conhecida como uma das mais antigas igrejas de Cabo Verde, (construída entre 1466 e 1470), serviu de oratório para os habitantes senhoriais sediados no bairro de São Pedro.

De acordo com o IPC, a musealização deste património histórico justifica-se pela necessidade de uma “nova abordagem” na gestão da Cidade Velha como sítio classificado como Património Mundial da Humanidade.

Conforme o projeto, criado pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, a musealização irá permitir uma “compreensão fidedigna” da história e do sítio arqueológico na sua íntegra, gerar empregos através de espaços de qualidade como um produto turístico de excelência, bem como aproveitar o património através de políticas públicas, no sentido de melhorar as condições de vida da comunidade.

“Seguindo as recomendações da UNESCO, segundo a qual é desejável um melhor equilíbrio entre a conservação do património histórico e o desenvolvimento urbano, valorização do espaço natural e ambiental, com vista a contribuir para melhorar a qualidade de vida e sentido de pertença dos residentes e visitantes”, descreveu o IPC.

A mesma fonte recordou que em 2015 a mesma igreja foi alvo de escavações para estudos arqueológicos lideradas por dois cientistas da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

Durante as escavações, os arqueólogos recuperam a planta da superfície da igreja, para além de várias lápides de dignitários locais da época como o de Fernão Fiel de Lugo, traficante de escravos e tesoureiro da Cidade Velha entre 1542 e 1557.

A musealização da Igreja Nossa Senhora da Conceição é mais um projeto do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde que é financiado pelo Camões Instituto de Portugal, depois da reabilitação da Capela Gótica no interior da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, num valor de 50 mil euros, refere a Inforpress. In “A Semana” – Cabo Verde com “Inforpress”


quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Guiné-Bissau - Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos afirma que o prémio “Jornalismo e Direitos Humanos” visa reforçar papel dos jornalistas na sociedade


Bissau - O Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), disse que o “Prémio Jornalismo e Direitos Humanos” tem como objectivo reforçar o papel dos jornalistas enquanto agentes de mudança de mentalidade na sociedade.

Augusto Mário da Silva falava esta terça-feira após a cerimónia de lançamento e sessão de esclarecimento aos jornalistas sobre a 8ª Edição do Prémio Jornalismo e Direitos Humanos.

Aquele responsável disse que, o referido concurso estimula a construção de uma cultura de participação democrática e cívica com vista a promoção e defesa dos direitos humanos.

Realçou que os jornalistas têm estado a fazer trabalhos extraordinários na vertente da promoção e proteção dos direitos humanos.

ʺAtravés dos jornalistas conseguimos saber muitas coisas como violação dos direitos humanos para tal qualificamos-lhes de principais defensores dos direitos humanos”, explicou.

Augusto Mário da Silva afirmou que pretendem com o prémio reconhecer os trabalhos que os jornalistas estão a fazer e a forma corajosa como o fazem, apesar do ambiente desfavorável em que exercem.

O Presidente da LGDH encoraja os jornalistas a participarem no concurso e disse que os trabalhos a concurso devem ser aqueles que já foram publicados de Janeiro até 1 de Novembro do ano em curso, e que os prémios serão entregues aos vencedores no dia 10 de Dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Explicou que a ideia do concurso para atribuição do Prémio Jornalismo surgiu em 2013 depois do lançamento do projeto Observatório dos Direitos em que foi realizado um inquérito sobre recolha e tratamento de dados sobre situação de direitos humanos no país.

Aquele responsável da organização de defesa dos direitos humanos disse que sempre mostraram aos jornalistas que o importante não é o valor do prémio mas sim, a sua simbologia.

O Prémio Jornalismo e Direitos Humanos que já se encontra na sua oitava edição, atribui um prémio de 300 mil francos CFA e um computador portátil, para os melhores trabalhos selecionados na categoria de imprensa escrita, Rádio e Televisão e conta com o patrocínio do Instituto Camões e da União Europeia. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau


 

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Estados Unidos da América - Vão nascer três novas cátedras de língua portuguesa

O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal participa esta terça-feira, dia 2 de novembro, na sessão de assinatura de protocolos entre o Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. (CICL), a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e quatro universidades norte-americanas, tendo em vista a criação de três cátedras de língua e cultura portuguesa nos EUA.

A Universidade de Rutgers New Brunswick receberá a Cátedra Três Marias, a Universidade de Massachussets UMass Amherst a Cátedra Lídia Jorge, e as Universidades do Utah e Brigham Young a Cátedra de Língua e Cultura Portuguesa.

De acordo com o programa enviado ao nosso jornal, o evento irá iniciar-se pelas 14h00 (hora de Lisboa), com a assinatura dos protocolos, seguindo-se as intervenções dos presidentes das universidades citadas e o encerramento levado a cabo pelo Ministro. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 

domingo, 10 de outubro de 2021

Guiné-Bissau - Militares receberam certificados do curso de língua portuguesa

Bissau – Oitenta e oito militares, dos três ramos das Forcas Armadas(Marinha de Guerra Nacional, Exército e Força Aérea) receberam os seus certificados de seis meses do curso para melhoria da proficiência em língua portuguesa.

No acto de encerramento do curso, o Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas (CEMGFA), Biagué Na N’Tan felicitou a embaixada de Portugal e o Instituto Camões pelo esforço feito na implementação da melhoria de proficiência da língua portuguesa nas Forças Armadas da Guiné-Bissau.

O CEMGFA garantiu que vão anotar as falhas ocorridas nesta primeira fase, por ser a mais difícil, e que vai exigir à todos os comandantes dos ramos para respeitarem as regras de formação, tendo em conta a importância da Língua Portuguesa para o país e particularmente para as forças armadas.

Para o embaixador de Portugal no país, José Rui Carroço os resultados são bastante positivos.

O diplomata luso garantiu que o curso será alargado aos que não puderam estar presentes agora, e revela que se encontram em Portugal quatro militares num curso de formadores, que mais tarde irão assegurar a escola de línguas do exército.

Disse que o empenho da embaixada do Portugal através da cooperação técnico militar, representada pelo Instituto Camões, vão continuar a trabalhar juntos, “porque a importância da língua portuguesa como utensílio e ferramenta indispensável, deve ser, cada vez mais incorporada e trabalhada, pelas Forças Armadas da Guiné-Bissau”.      

Segundo o Adido de Defesa da Embaixada de Portugal, Nuno Vitória Duarte, os formandos tiveram um aproveitamento de quase 60 por cento porque dos 88 que receberam os certificados 72 conseguiram passar de nível.

Disse que valeu a pena e que é importante continuar com as formações se houver condições e interesses porque a língua é um factor estratégico.

ʺCom certeza que hoje aprendemos uma coisa, o que é que correu menos bem, então vamos rectificar na próxima vez e com certeza, naturalmente, vai ser muito melhor e é provável que, daqui a sete meses, um aproveitamento de 80 ou 90 por cento será o ideal e haverá mais gente qualificada com competência para falar o português”, referiu.

Vitória Duarte realçou o esforço empreendido pelos professores e alunos que se dedicaram e nunca faltaram ao curso e que melhoraram significativamente em termos de redigir os textos. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

 

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Nações Unidas – Presidente do Instituto Camões vê a língua portuguesa em franco crescimento como língua de negócios

O novo presidente do Instituto Camões – da Cooperação e da Língua, João Ribeiro de Almeida, falou à ONU News sobre o avanço do idioma e o aumento do interesse pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP. Desde a última Cimeira do bloco, em Luanda, em julho, a entidade já soma dezenas de observadores incluindo o Estados Unidos, França e Índia


Falado num universo de mais de 280 milhões de pessoas, o português vê aumentar a sua importância como língua de cultura e língua de negócios. A declaração é do presidente do Instituto Camões – da Cooperação e da Língua, o embaixador português, João Ribeiro de Almeida.

Ele falou à ONU News, diretamente de Lisboa, sede do Camões, sobre o aumento da importância geopolítica do idioma, especialmente nos últimos anos.



Hemisfério Sul

“Sim porque a língua portuguesa é uma língua de educação, de cultura, de aproximação, de pontes, mas também é uma língua... E não podemos esconder isso, pelo contrário, temos que o assumir. É uma língua de negócios, é uma língua de ciência, é uma língua de inovação e de conhecimento, cada vez mais.

Aliás, o Instituto Camões, na sua rede de Cátedras no Estrangeiro, tem apoiado muito a formação de cátedras que tenham a ver com a ciência, a inovação e a tecnologia, e obviamente também, a língua de negócios.

"Porque a língua portuguesa é um grande ativo em todo o mundo já. A Mónica sabe disse, mas eu vou repetir aqui para todos: o português já é uma das línguas mais faladas no Hemisfério Sul na internet. Imaginem o que isto tem de potencial para poder levar o mais avante possível tudo o que tem a ver também como uma língua de negócios. Portanto, o português cada vez mais a afirmar-se como uma das línguas globais em todo o mundo.”

Tétum

João Ribeiro de Almeida é embaixador de carreira e já representou Portugal em países como Argentina e Colômbia. Nos anos 2000, ele serviu no Timor-Leste, onde viu nascer o país do sudeste asiático que escolheu o português como língua oficial ao lado do tétum, em 2002.

Na entrevista à ONU News, João Ribeiro de Almeida lembrou também a  criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, há 25 anos, que reunia, naquela época, apenas algumas nações associadas.  Mas com o fortalecimento de blocos regionais e comerciais como Mercosul, União Europeia e União Africana, intensificou-se o interesse pela CPLP, que está presente em quatro continentes.

Hoje, a entidade é procurada, cada vez mais, por nações interessadas na esfera de atuação da CPLP, que acompanha a do português, indo das Américas à Ásia passando por África e Europa.

Angola

Na última Cúpula de Chefes de Estado e Governo, por exemplo, em Luanda, capital de Angola, países como Estados Unidos, Índia, Espanha, Canadá e Catar se associaram ao bloco integrando uma lista que já tinha Reino Unido, França, Japão e outras nações que não falam o idioma.

Na íntegra da entrevista, que será publicada nesta sexta-feira, na página da ONU News, o presidente do Camões também citou o caso do Timor-Leste, onde segundo ele, o português vem crescendo em número e importância.

João Ribeiro de Almeida lembra que quase todos os estudantes agora do ensino superior em Timor-Leste reconhecem a relevância da língua portuguesa como uma marca da nacionalidade timorense e uma diferenciação de outras nações vizinhas como Austrália e Indonésia.

Samba e fado

Para o embaixador, uma das apostas do Camões é também a cultura, que cria pontes de promoção da língua.

“Porque há muita gente que chega à língua portuguesa pela cultura. Há muita gente que chega, pela primeira vez, à língua portuguesa porque se apaixona pela cultura em língua portuguesa. Não tem que ser cultura somente de Portugal, pode ser cultura brasileira, angolana. Quantas vezes, nós descobrimos pessoas que dizem: ‘e, pá, aquele samba é tão bonito, mas eu queria perceber o que eles dizem’, isso, os nossos amigos estrangeiros, a mesma coisa com o fado... Então, há muita gente que chega à língua pela cultura em língua portuguesa.  E nós temos que procurar e tentar organizar toda esta gente.”

Atualmente, o Instituto Camões – da Cooperação e da Língua gere 51 leitorados e 83 centros de língua portuguesa.  A entidade mantém ainda protocolos de apoio à ciência em 312 universidades no mundo em 76 países e lidera 55 cátedras.

Até o fim do ano, o Instituto Camões deve abrir mais dois Centros de Língua na América Central. ONU News – Nações Unidas


domingo, 25 de julho de 2021

Portugal - Investe cada vez mais na língua portuguesa

O mercado das línguas estrangeiras é extremamente competitivo e Portugal procura um lugar ao sol. A ação do Estado português, por intermédio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, chega a um número cada vez maior de estudantes

No sexto encontro da Rede de Ensino Português no Estrangeiro, que decorreu esta sexta-feira em Lisboa, de forma presencial, e à distância, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, anunciou a alocação de 23 milhões de euros nos próximos dois anos para equipar os centros culturais no estrangeiro e centros de língua portuguesa com material informático e pedagógico.

“Há, felizmente, hoje muitas dezenas de milhares de crianças e jovens, que estudam português como língua estrangeira, como nós estudamos línguas estrangeiras no nosso sistema de ensino e a nossa política tem sido de apoiar os países para que seja cada vez maior o número de países que tem o português como língua estrangeira no currículo do ensino secundário”, sublinha Augusto Santos Silva.

O reforço da oferta no ensino básico e secundário é também uma aposta. No próximo ano letivo há mais de um milhar de escolas em 750 localidades diferentes que serão cobertas com professores afetos ao Camões.

No ensino superior a rede contava com 51 leitores em universidades estrangeiras e organismos internacionais no último ano letivo. Mas a ambição não fica por aqui, como nos diz Adelaide Cristóvão, coordenadora de ensino em França: “Sensibilizar a comunidade francesa para que escolham o português como língua viva, (…) tomarem consciência do peso que a língua portuguesa tem em termos culturais mas também em termos económicos no mundo de hoje, a importância que a língua tem. E isso aos poucos tem estado a ser feito. Eu penso que cada vez mais há alunos franceses que escolhem o Português como língua viva no 2.º e 3.º e secundário.” In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 19 de julho de 2021

Brasil - Universidade Federal do Sergipe recebe a sétima cátedra Camões no país

O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.) e a Universidade Federal de Sergipe – UFS, assinaram um protocolo de cooperação para criação da Cátedra Marquês de Pombal na universidade.

Esta é a sétima cátedra Camões no Brasil e a 55ª cátedra Camões no mundo.

A cátedra terá como propósito o desenvolvimento de um conjunto de iniciativas de carácter científico e cultural orientadas para a reflexão e a investigação sobre o século XVIII no Brasil e em Portugal.

Segundo o coordenador da Cátedra, Prof. Doutor Luiz Eduardo Oliveira, “para além de consolidar o campo dos estudos pombalinos, que já vêm sendo desenvolvidos na Universidade Federal de Sergipe, a cátedra cria as condições para o desenvolvimento de estudos, em várias áreas das humanidades, relacionados não só ao Marquês de Pombal e ao Pombalismo, mas também aos estudos sobre receção e circulação de pensadores e filósofos iluministas em Portugal e no Brasil, bem como questões teóricas relacionadas à história das ideias linguísticas e à literatura.”

Para Professor Valter Santana, Reitor da Universidade Federal de Sergipe, a cátedra é uma conquista relevante, pois “insere a universidade num grupo seleto de instituições de ensino superior que proporcionam pesquisas aprofundadas sobre a língua portuguesa, bem como seus aspectos culturais e filosóficos”.

Como patrono, a Universidade Federal de Sergipe propôs a figura de Marquês de Pombal, apesar das controvérsias em torno do seu papel histórico, tanto em Portugal quanto no Brasil, é “um fato incontestável” que sua obra impulsionou, em vários sentidos, o processo de autonomia política do Brasil, segundo o coordenador da Cátedra.

“Isso porque ele dotou a mais importante colônia portuguesa com os elementos necessários para a construção de sua nacionalidade, desde sua unidade linguística, provocada pela Lei do Diretório de 1755, tornando a língua portuguesa uma língua nacional; passando pela sua unidade territorial, algo inicialmente assegurado no final de 1762 com o armistício entre os exércitos peninsulares; pela sua identidade cultural e literária, dado o seu mecenato com relação aos poetas neoclássicos nascidos no Brasil; pela sua estrutura política e institucional, uma vez que a transferência da corte de D. João para o Brasil, em 1808, significou, em muitos aspetos, a aplicação e desenvolvimento das diretrizes estabelecidas pelas reformas pombalinas; e a estruturação do seu sistema de instrução pública, seja através da institucionalização da profissão docente, seja mediante o impulso dado ao novo método de ensino de humanidades, para não mencionar o fato de que a reforma de 1772 da Universidade de Coimbra proporcionou a formação dos quadros científicos, políticos e burocráticos do Brasil, os quais foram formados pelos homens responsáveis por sua independência”, ressaltou o professor Luiz Eduardo.

A cátedra Marquês de Pombal junta-se às cátedras João Lúcio de Azevedo (Universidade Federal de Belém do Pará), CESPUC – Centro de Estudos Luso-Afro-Brasileiros (PUC-Minas/Belo Horizonte), Agostinho da Silva (Universidade de Brasília e Universidade Federal de Uberlândia), Padre António Vieira de Estudos Portugueses (PUC-Rio de Janeiro), Fidelino Figueiredo (Universidade do Estado da Bahia/Salvador) e Jaime Cortesão (USP), tornando o Brasil o segundo país com mais cátedras do Camões IP, logo após a Itália. In “Mundo Lusíada” - Brasil

 

domingo, 30 de maio de 2021

PALOP - Abertas candidaturas para apoiar a criação artística contemporânea nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Timor-Leste


Cidade da Praia – A Fundação Calouste Gulbenkian já abriu, até 07 de Julho, as candidaturas para apoiar o desenvolvimento de quatro pólos de criação artística contemporânea nas áreas das artes cénicas e música, nos PALOP e Timor-Leste.

Em comunicado a Fundação Gulbenkian, explica que esta iniciativa será desenvolvida em parceria com o Instituto Camões, salientando que a criação destes pólos visa promover a qualificação de recursos humanos e de instituições da sociedade civil ligadas às artes.

As candidaturas são destinadas a instituições/entidades com sede e actuação nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), nomeadamente, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A mesma fonte adianta que, este concurso prevê apoios na investigação artística, na criação de novas produções/obras, na programação de produções/obras pré-existentes, bem como a iniciativas de carácter formativo e de capacitação ou acções específicas de envolvimento e desenvolvimento de públicos.

A nota informa ainda que só serão aceites candidaturas online e que o concurso decorre em duas fases e no final serão apoiados quatro pólos, cujo programa de actividades deve ter a duração de 30 meses.

A Procultura PALOP-TL é uma Acção do Programa Indicativo Multianual PALOP – Timor-Leste e União Europeia, financiada pela União Europeia, co-financiada e gerida pelo Camões, I.P. e co-financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Tem como objectivo contribuir para a criação de emprego em actividades geradoras de rendimento na economia cultural e criativa nos PALOP e em Timor-Leste.

Está enquadrada pelos princípios do Consenso Europeu em matéria de desenvolvimento nomeadamente, pelo reconhecimento de que a cultura favorece «a inclusão social, a liberdade de expressão, a formação da identidade, o empoderamento civil e a prevenção de conflitos» e pela intenção da União Europeia e dos seus Estados membros de fomentar a economia e as políticas culturais quando estas contribuam para alcançar o desenvolvimento sustentável. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

sábado, 22 de maio de 2021

Alemanha – “Portugal Lê – Um olhar sobre o país convidado 2022”

Isabela Figueiredo e Mia Couto são alguns dos autores de língua portuguesa que participarão este mês num festival literário da Feira do Livro de Leipzig, na Alemanha, adiada para 2022 por causa pandemia


Portugal seria o país convidado da Feira do Livro de Leipzig 2021, mas só o será verdadeiramente na edição de 2022, pelo que, em alternativa, a organização decidiu fazer uma programação especial, com iniciativas literárias presenciais na cidade e também ‘online’, nos dias 27 a 30 de maio.

O instituto Camões anunciou esta sexta-feira que Afonso Reis Cabral, Isabela Figueiredo, Patrícia Portela e José Luís Peixoto vão a Leipzig para participar na iniciativa “Portugal Lê – Um olhar sobre o país convidado 2022”, com apresentação de livros publicados recentemente na Alemanha.

Estes quatro autores viram obras apoiadas pelo programa especial para editoras em língua alemã criado pelo Camões e pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB). No mesmo programa foram abrangidas obras de outros autores como Margarida Vale de Gato, Gonçalo M. Tavares e Dulce Maria Cardoso.

No programa de encontros literários à distância, ‘online’, estarão a poetisa portuguesa Ana Luísa Amaral, que apresentará “What’s in a name”, o escritor moçambicano Mia Couto, a propósito da tradução alemã de “As areias do imperador”, o cabo-verdiano Germano Almeida, pelo romance “O fiel defunto”, e o angolano Ondjaki, pela coletânea de contos “Sonhos azuis pelas esquinas”.

A tradutora Maralde Meyer-Minnemann falará sobre a recente tradução de “Até que as pedras se tornem mais leves que a água”, de António Lobo Antunes, o editor guineense Abdulai Sila conversará sobre o mercado literário da Guiné-Bissau, e a historiadora Irene Pimentel participará num debate sobre o acolhimento de judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial.

Será dado ainda destaque à escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol, que, com o livro “Lisboaleipzig – O Encontro Inesperado do Diverso”, “construiu uma ponte entre estas duas cidades e duas grandes figuras da cultura europeia a elas associadas – Fernando Pessoa e Johann Sebastian Bach”.

A 29 de janeiro deste ano foi anunciado o cancelamento da Feira do Livro de Leipzig deste ano, e ficou a saber-se que, apesar disso, as instituições portuguesas e alemãs envolvidas continuavam a colaborar no sentido de avançar com a publicação de mais de 50 obras de autores de língua portuguesa, traduzidos para alemão.

“Os livros dão a conhecer a história e o presente de Portugal e dos países de língua portuguesa – desde a história colonial em África a Portugal como país de exílio e trânsito durante a Segunda Guerra Mundial, passando por questões atuais como o corpo, a transexualidade e fronteiras”, afirmou Ana Patrícia Severino, curadora do programa, citada no comunicado do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 12 de maio de 2021

Associação das Universidades de Língua Portuguesa - Abertas candidaturas para o Prémio Fernão Mendes Pinto 2021


A Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) já abriu, até 31 de Julho, as candidaturas para a atribuição do Prémio Fernão Mendes Pinto 2021, destinado a estudantes dos países de língua portuguesa.

Em comunicado, a AULP referiu que o prémio galardoa com oito mil euros a uma dissertação de mestrado ou doutoramento, informando que só se poderão candidatar ao prémio as instituições membros da AULP que tenham as quotas em dia.

O prémio, atribuído anualmente por uma acção conjunta entre AULP e CPLP, segundo a mesma fonte, tem o objectivo de contemplar uma dissertação de mestrado ou doutorado que promova a aproximação das comunidades de Língua Portuguesa, explicitando relações entre comunidades de, pelo menos, dois países.

A dissertação a submeter, escrita em português, avançou, tem que ter sido defendida durante o ano civil imediatamente anterior ao da candidatura, salientando que as propostas deverão ser apresentadas por instituições de ensino superior ou institutos de investigação científica membros da AULP, de países de língua portuguesa.

Os trabalhos são agrupados pelas seguintes áreas: “Letras e Artes”, “Ciências Exactas”, “Ciências da Saúde e da Vida”, e “Ciências Sociais e Humanas”. A investigação ganhadora terá publicação a cargo do Instituto Camões.

A mesma fonte realça ainda que o júri será constituído por um conjunto de professores de áreas diferentes e provenientes de instituições de ensino superior de vários países. O presidente da AULP fará parte do júri e é da responsabilidade do conselho de administração nomear os avaliadores por um período de 3 anos.

A AULP é uma Organização Não Governamental (ONG) internacional, fundada em 1986, que promove a cooperação e troca de informação entre universidades e institutos superiores, com membros dos países de língua oficial portuguesa. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

sábado, 1 de maio de 2021

Vamos aprender português?

 

França - “Atual estatuto da língua portuguesa é um problema”

O presidente do instituto Camões, João Ribeiro de Almeida, reconheceu que “existe realmente um problema” com a perda do estatuto de língua de especialidade do português em França, defendendo que é preciso voltar a negociar

“É um problema de percurso que temos de voltar a negociar com os franceses. Vamos abordar essa questão e, sobretudo, transmitir ao lado francês aquilo que para nós fazia sentido continuar para o reforço da língua portuguesa em França”, disse João Ribeiro de Almeida.

A reforma de 2019 do ensino em França determinou a retirada do português da lista de línguas com prova específica de acesso ao ensino superior, dando à língua portuguesa o estatuto de língua rara, e mantendo o inglês, alemão, espanhol e italiano.

A medida foi mal recebida pela comunidade portuguesa no país, que considera que tal medida “é simbólica” da perda de importância e estatuto do português, levando a França a recuar na retirada total do ensino de português como especialização de língua e cultura e a manter dois projetos piloto em Paris e na Guiana Francesa.

A ideia é continuar com estas experiências durante dois a três anos para perceber se há realmente alunos suficientes interessados nesta especialização que justifique a sua manutenção ou alargamento.

“Existem questões que temos que bilateralmente ver com a França”, acrescentou João Ribeiro de Almeida, classificando este processo como “um acidente de percurso” que Portugal espera até ao fim do ano abordar numa reunião da Comissão de Acompanhamento do Acordo Bilateral entre França e Portugal em matéria de educação.

“São acidentes de percurso e estamos cá para os ultrapassar, reconhecendo que existe realmente um problema”, disse.

Considerou, neste sentido, que o português em França “não pode voltar a ser apenas a língua para filhos de emigrantes”.

“Queremos ir bastante mais longe e contribuir para a pujança da língua portuguesa”, disse, o presidente do Camões, adiantando que não “ficaria satisfeito” apenas com a manutenção do português como língua de especialidade nas duas regiões que integram os projetos piloto.

“Temos de ver claramente, olhos nos olhos, com os franceses, como podemos avançar a contento de ambas as partes”, sublinhou.

A língua portuguesa é ensinada nas escolas em França desde 1973 e, até 2019, servia como prova específica de acesso à universidade e conclusão do liceu.

No entanto, a reforma introduzida fez com que o português deixasse de contar para os exames nacionais – que em França se chama ‘baccalauréat’ ou apenas ‘bac’ -, passando apenas a contar para a avaliação contínua, tendo menor preponderância na nota final dos alunos.

Esta reforma abrangeu os alunos que entraram para o equivalente português dos 10.º e 11.º anos de escolaridade, tendo impacto nos exames nacionais de 2021.

Esta medida é entendida como “um passo atrás” na valorização da língua em França por professores, diplomatas e representantes das comunidades lusófonas, que temem que o português volte novamente a ser visto “como língua de emigrantes para emigrantes”.

De acordo com dados do instituto Camões, a língua portuguesa é ensinada em França a 12917 alunos no ensino básico e secundário, enquanto 4730 estudantes do ensino superior frequentam disciplinas de língua e cultura portuguesas.

No país, existem 96 professores no ensino básico e secundário e o apoio a 15 docentes no ensino superior.

Em 2021, a rede do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) está presente em 18 países (14 da rede oficial e 4 rede apoiada), através de 978 professores, abrangendo 1445 escolas e 66055 alunos dos níveis de ensino pré-escolar, básico e secundário, segundo dados oficiais.

A Rede EPE, no ano letivo 2020/2021, tem ainda uma presença ao nível do ensino superior, em universidades estrangeiras e organismos internacionais​,através da colocação de 51 leitores, funcionando 63 leitorados e estando estabelecidos 299 Protocolos de Apoio à Docência e Investigação.

Segundo o IC, “é neste âmbito assegurado o ensino da língua e cultura portuguesa internacionalmente a mais de 100000 estudantes, contando também com o apoio de 84 Centros de Língua Portuguesa e 57 Cátedras instalados em todos os continentes do mundo”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Lusofonia - Antologia digital será lançada no Dia Mundial da Língua Portuguesa


Lisboa – Pepetela trouxe Luaia Gomes Pereira, Mia Couto sugeriu Mbate Pedro e Germano Almeida indicou Eileen Barbosa, juntando-se a outros 10 escritores lusófonos numa antologia digital que será lançada no Dia Mundial da Língua Portuguesa.

“Vamos apresentar uma antologia de 16 escritores de língua portuguesa, oito consagrados e oito emergentes. Os emergentes foram propostos pelos consagrados” para um “diálogo” em língua portuguesa, disse à agência Lusa o presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, João Ribeiro de Almeida.

Por agora, a edição será digital, mas o objectivo é, no futuro, avançar para a publicação também em papel, explicou o presidente do Camões, entidade responsável pela coordenação das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se assinala em 05 de Maio.

João Ribeiro de Almeida falava, em entrevista à agência Lusa, em antecipação à efeméride, instituída em 2019 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se comemora pela segunda vez, será em formato híbrido, presencial e ‘online’, e a programação inclui mais de 150 actividades em 44 países de todos os continentes, além de uma cerimónia oficial a partir de Lisboa.

A antologia vai reunir textos dos escritores Pepetela e Luaia Gomes Pereira, de Angola, Milton Hatoum e Socorro Acioli, do Brasil, Germano Almeida e Eileen Barbosa, de Cabo Verde, Odete Semedo e Rita Ié, da Guiné-Bissau, Mia Couto e Mbate Pedro, de Moçambique, Lídia Jorge e Bruno Vieira Amaral, de Portugal, Conceição de Deus Lima e Orlando Piedade, de São Tomé e Príncipe, e Vicente Paulino e Jonato Xavier, de Timor-Leste.

No âmbito da programação da cerimónia em Lisboa, está prevista também a realização de uma mesa-redonda com a participação dos escritores Ondjaki (Angola), Odete Semedo (Guiné-Bissau), Afonso Cruz (Portugal), além de concertos, espectáculos de dança, concursos literários e sessões de cinema.

Será ainda apresentado o projecto Dicionário do Português de Moçambique (DIPOMO), cujos trabalhos preparatórios arrancaram em Março, em Maputo, e a plataforma digital “Ler em Rede”, iniciativa de apoio à leitura e à auto-aprendizagem dirigida a jovens da rede Ensino de Português no Estrangeiro (EPE), entre outras iniciativas.

No estrangeiro, as comemorações envolvem todo o “exército” que integra a rede de centros culturais, leitorados e cátedras do instituto Camões, na realização de conferências, colóquios, concertos, concursos literários e de poesia, edição e tradução de obras, ciclos de cinema, entre outras iniciativas.

Espanha, Alemanha, Estados Unidos, China, Itália e Moçambique serão os países com mais actividades comemorativas do Dia Mundial da Língua Portuguesa.

Além dos lusófonos e dos países com grandes comunidades portuguesas, estão previstas iniciativas em lugares como Quénia, Senegal, Chile, Colômbia, Cuba, China, Índia, Indonésia, Tailândia, Croácia, Dinamarca, Rússia, Servia, República Checa ou Vaticano.

Espanha apresenta um extenso programa cultural em torno do Dia Mundial da Língua Portuguesa, centrado nas cidades de Vigo e Sevilha, com uma mostra de cinema português contemporâneo, teatro, um ciclo de leituras literárias, concursos de desenho, fotografia e poesia, maratonas de leitura em língua portuguesa.

Promove ainda uma exposição dedicada à vida e obra da escritora Luísa Ducla Soares, uma sessão sobre mulheres escritoras da lusofonia, bem como uma semana de divulgação cultural dos países de língua portuguesa.

Na Alemanha, destaca-se a inauguração de uma exposição de artistas lusófonos e a apresentação da edição bilingue da obra “Beatriz e o Plátano”, de Ilse Losa.

Moçambique dá um toque de actualidade às comemorações com o lançamento do concurso literário “Estórias Pandémicas”, homenageia o escritor moçambicano Calane da Silva e realiza o Festival Literário Resiliências.

Na China, a efeméride é assinalada com a realização da II Mostra de Cinema em Língua Portuguesa, com a entrega de minibibliotecas “Ler +” e com a iniciativa “Jovens repórteres chineses e Portugal”.

A programação reedita também a iniciativa do ano passado em que cada aluno ou professor dos departamentos de português no estrangeiro escolhe um espaço exterior, um jardim ou uma praça, para ler um texto em língua portuguesa.

Uma ideia que no ano passado, devido às restrições da pandemia, se limitou às janelas, mas que este ano poderá voltar a espaços exteriores.

“Queremos passar a mensagem de que está a normalizar, mas muito devagarinho. É possível já fazer coisas presenciais, mas sem grandes públicos”, disse João Ribeiro de Almeida, adiantando que as comemorações serão ainda “muito limitadas” pela situação sanitária causada pela pandemia de covid-19.

O programa de comemorações no estrangeiro está disponível no site do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e pode aceder aqui.

Além destas, serão promovidas iniciativas pelas áreas da Cultura, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e Educação, em Portugal.

A UNESCO proclamou, em 2019, 05 de Maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa, na sequência da proposta de todos os países lusófonos, apoiada por mais 24 Estados, incluindo países como a Argentina, Chile, Geórgia, Luxemburgo ou Uruguai. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”