Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 21 de abril de 2026

França - Fabricante de cimento Lafarge é condenada por financiar terrorismo na Síria

A Justiça francesa condenou a Lafarge por pagar a grupos jihadistas, incluindo o Estado Islâmico, para manter uma fábrica a operar durante a guerra na Síria

A fabricante francesa de cimento Lafarge e oito ex-executivos foram considerados culpados nesta segunda-feira por financiar o terrorismo em 2013 e 2014, ao pagarem a grupos jihadistas para manter uma fábrica em funcionamento em meio à guerra na Síria.

A empresa, que desde então se fundiu com o grupo suíço Holcim, realizou pagamentos a três organizações jihadistas, incluindo o Estado Islâmico, que somaram quase €5,6 milhões, segundo a decisão do Tribunal Criminal de Paris. A corte destacou que os pagamentos permitiram aos jihadistas “preparar atentados terroristas”, em especial os de janeiro de 2015 na França.

“Esse método de financiamento de organizações terroristas, e principalmente do Estado Islâmico, foi essencial para o controlo da organização sobre os recursos naturais da Síria, permitindo financiar atos terroristas na região e planeados no exterior, particularmente na Europa”, afirmou a presidente do tribunal, Isabelle Prévost-Desprez. In “Swissinfo” - Suíça


sábado, 3 de janeiro de 2026

Moçambique - Mais ataques no norte do país agravam acesso humanitário

Estatísticas indicam que recentemente 107 mil pessoas foram deslocadas na província de Nampula; cerca de 92 civis foram mortos e outras 87 pessoas foram raptadas e mais tarde libertas após alegados pagamentos de resgate


As províncias moçambicanas de Cabo Delgado, Niassa e Nampula são alvo de ataques por grupos armados não estatais causando o aumento do medo e de violência contínua ligada a operações militares.

Entre 11 e 26 de novembro uma série de incursões provocou um deslocamento de 107 mil pessoas no distrito de Memba. A maioria procurou refúgio nos distritos Mecúfi, na província de Cabo Delgado, e em Eráti e Nacala, na província de Nampula.

Morte e rapto de civis

Ataques repetidos e a ameaça de violência agravam as necessidades por auxílio humanitário. Pelo menos 92 civis foram mortos, dos quais 56 nos distritos de Memba e Eráti, na província de Nampula.

De acordo com dados do Escritório da ONU de Assistência Humanitária, Ocha, em novembro foram reportados 101 incidentes de segurança no norte de Moçambique.

Os casos incluem 77 registos de violência e ameaças contra civis que resultaram em mortes, raptos e novas ondas de deslocamento.

Cerca de 87 pessoas foram raptadas, incluindo 19 crianças e 18 mulheres, muitas delas libertadas após alegados pagamentos de resgate.

Os raptos tornaram-se uma tática deliberada usada pelos grupos para financiar operações, criando um clima de medo e insegurança que mina a resiliência comunitária.

Insegurança e restrições de acesso

O Ocha revela que o aumento súbito de ataques exerce enorme pressão sobre comunidades e parceiros, tendo em conta que os atuais canais de abastecimento não chegam para responder à escala das necessidades.

Há relatos de que os serviços sobrecarregados e os recursos limitados pioram a coesão social entre deslocados internos e populações anfitriãs, pois a assistência não chega a todos de forma equitativa.

A agência cita que as restrições de acesso dificultaram de forma significativa a entrega de assistência humanitários a pelo menos 22 mil deslocados internos no distrito de Memba.

Operações militares e a presença desses grupos levaram a restrições temporárias de movimento nas grandes rodovias. Limitações nas estradas R705 e R706, que ligam Eráti e Nacala a Memba, deixam em situação de fragilidade àqueles que não conseguiram deslocar-se por falta de recursos.

A comunidade humanitária aponta um ambiente operacional ainda volátil, com riscos de segurança elevados, e os entraves burocráticos como fatores que comprometem a entrega de ajuda e a segurança das equipas.

Desinformação e violência

No distrito de Chiúre, na província de Cabo Delgado, uma distribuição de alimentos por uma agência da ONU tornou-se violenta quando a polícia interveio para evitar saques, resultando em duas mortes e dois feridos.

Várias ações a nível governamental e exigências de apoio logístico levaram à suspensão de operações em Mecúfi.

A desinformação sobre a cólera desencadeou violência contra profissionais de saúde em Nampula. Membros da comunidade em Memba agrediram uma enfermeira e ameaçaram um líder local acusado de espalhar a doença.

Comunicação de riscos

Os ataques colocam em risco os esforços de saúde pública e destacam a necessidade urgente de reforçar a comunicação de riscos, o envolvimento comunitário e a proteção dos profissionais de saúde.

Os atos de violência no norte de Moçambique começaram na província de Cabo Delgado em 2017 e já deslocaram mais de 1,3 milhão de pessoas. Ouri Pota – Moçambique ONU News


sábado, 24 de maio de 2025

Moçambique - Cabo Delgado perdeu mais de duas mil salas de aulas devido ao terrorismo e ciclones

Cabo Delgado perdeu 2323 salas de aulas, nos últimos cinco anos, devido ao terrorismo e a ciclones. Muitas dessas infraestruturas ainda não foram reconstruídas devido à falta de fundos. Actualmente, o Governo da província tem feito campanhas para pedir ajuda aos parceiros de cooperação.



A destruição de mais da metade das salas de aulas, em Cabo Delgado, nos últimos cinco anos, deveu-se ao ciclone Chido, que deixou a província parcialmente em ruínas.

Além da destruição de salas de aulas, Cabo Delgado continua com muitas escolas fechadas devido ao terrorismo, um dos principais problemas que tem estado a comprometer o sector de Educação na província.

Para acelerar o processo de reconstrução da rede escolar destruída pelo terrorismo e pelos sucessivos ciclones que passam por Cabo Delgado, o governo da província reuniu-se com parceiros de cooperação do sector de Educação para mais uma vez pedir ajuda financeira. In “O País” - Moçambique

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Macau e Angola vão assinar acordo para combater lavagem de dinheiro

Macau e Angola vão assinar um acordo para trocar informações de formar a prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo, anunciou o Governo

De acordo com um despacho publicado em Boletim Oficial, o memorando de entendimento para a troca de informação relativa ao combate ao branqueamento de capitais, crimes precedentes associados, financiamento ao terrorismo e financiamento à proliferação de armas de destruição maciça será assinado com a Unidade de Informação Financeira da República de Angola.

Segundo o despacho, assinado pelo chefe do Executivo, Sam Hou Fai, em 14 de Fevereiro, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, pode delegar esta missão ao comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Leong Man Cheong.

O Gabinete de Informação de Macau (GIF), responsável pelo combate ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e à proliferação de armas de destruição maciça, está sob a tutela dos SPU.

Em Março de 2022, um relatório anual do Departamento de Estado dos EUA designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial.

Segundo o relatório anual do GIF, Macau tornou-se em 2019 o único membro do Grupo Ásia-Pacífico Contra o Branqueamento de Capitais (GAFI) que cumpria “todos os 40 padrões internacionais” sobre a prevenção da lavagem de dinheiro, do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa.

Angola foi acrescentada à ‘lista cinzenta’ do GAFI em 2024, depois de ter ficado aquém dos seus regimes legais e de regulamentação financeira.

O GAFI, uma organização intergovernamental, estabelece normas internacionais em matéria de luta contra o branqueamento de capitais, o financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição maciça.

A ‘lista cinzenta’ identifica os países que estão a trabalhar ativamente com o GAFI para resolver deficiências estratégicas nessas áreas.

O GIF assinou acordos para a troca de informação com 33 países e territórios, incluindo a Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária de Portugal, em 2008, a Unidade de Informação Financeira do Banco Central de Timor-Leste, em 2018, e, em 2019, o Conselho de Controlo de Atividades Financeiras do Brasil e a Unidade de Informação Financeira de Cabo Verde.

O número de transacções suspeitas registadas nos casinos de Macau atingiu um novo recorde em 2024 devido à recuperação da economia e do turismo, disse o GIF à Lusa no início de Fevereiro.

De acordo com dados divulgados em 15 de Janeiro pelo GIF, as seis operadoras de casinos em Macau submeteram, no total, 3837 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo em 2024, mais 11,8% do que no ano anterior. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 10 de maio de 2024

Moçambique - Terroristas ocupam distrito de Macomia em Cabo Delgado

A vila sede do distrito de Macomia, no centro da província de Cabo Delgado foi ocupada pelos terroristas na madrugada de hoje, 10 de Maio. Há troca de tiros nas matas de Macomia entre os militares e os terroristas. A informação foi confirmada por um sobrevivente.


O grupo terrorista que assola a província de Cabo Delgado voltou a entrar em acção. Desta vez foi no distrito de Macomia.

“Eles entraram por volta das cinco horas e, até agora, ninguém sabe de nada porque continuamos escondidos aqui no mato”, contou um sobrevivente do mais recente ataque terrorista a vila de Macomia, onde está instalado um dos acampamentos militares dos países da África Austral, que desde 2021 ajudam Moçambique no combate ao terrorismo.

Com este ataque, a circulação na estrada N380 que liga a zona norte de Cabo Delgado e a República da Tanzânia foi interrompida.

As autoridades continuam no silêncio e pouco ou quase nada se sabe sobre as consequências deste ataque que ocorreu a quase 200 quilómetros de Pemba, a capital da província.

Macomia já foi alvo de ataques terroristas por várias vezes, e o penúltimo ocorreu em Maio de 2020, quando o grupo armado deixou a vila parcialmente em ruínas, depois de ter ocupado por quase uma semana. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Moçambique - UNICEF preocupado com crianças deslocadas em idade escolar na província de Cabo Delgado

Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em Nampula, diz ser urgente a mobilização de parceiros para a alocação de tendas à vila de Namapa, sede distrital de Eráti.


O objectivo é que os alunos deslocados devido ao terrorismo, em Cabo Delgado, possam regressar às aulas, escreve o sítio da Rádio Moçambique.

Neste momento na vila de Namapa, pelo menos seis escolas primárias uma secundária e um internato, estão a funcionar como centros transitório dos deslocados do vizinho distrito de Chiúre, em Cabo Delgado que fogem às ameaças terroristas.

Segundo o coordenador provincial do UNICEF em Nampula, Baissane Juaia, o mais preocupante prende-se pelo facto de 60% dos cerca de 33 mil deslocados serem crianças em idade escolar.

Falando à Rádio Moçambique na vila de Namapa o coordenador Juaia disse que o UNICEF está a trabalhar junto de parceiros para a alocação de tendas para o funcionamento de salas provisórios.

Terça-feira, depois da Sessão do Conselho de Ministros, o Governo assegurou que as pessoas já estão a receber kits de alimentação e higiene e que a situação humanitária ainda não justifica a decretação de Estado de Emergência. O Executivo anunciou que a nova onda de ataques já levou à deslocação de mais de 60 mil pessoas.

“Nesta altura, nós falamos 67 321 deslocados, o que corresponde a 14 200 famílias que são consideradas como chegadas à província de Nampula e outros sítios tidos como mais seguros para os deslocados dentro da própria província de Cabo Delgado”, avança, Filimão Suazi, porta-voz do Conselho de Ministros, acrescentando que “estão num centro provisório de emergência no distrito de Eráti (província de Nampula) e está a ser feito todo um trabalho para que, nas escolas em que as pessoas se foram refugiar ou nas casas de familiares em que as pessoas estão, sejam melhoradas as condições de alojamento”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Filimão Suaze.

No entanto, o Executivo já avança que se assiste, também, a um movimento de retorno da população recentemente deslocada às suas zonas de origem, conforme a melhoria das condições de segurança nas aldeias e postos administrativos onde foram registadas incursões terroristas nos últimos dias. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 17 de junho de 2022

Moçambique - Afunda e Angola sobe no Índice Global de Paz

Moçambique teve uma das maiores quedas no Índice Global de Paz, para a 122.ª posição em 163 países, devido ao terrorismo no país, enquanto Angola escalou 14 lugares, para 78.º, de acordo com o relatório publicado esta semana

Moçambique caiu 11 lugares, a segunda queda mais alta no indicador de proteção e segurança, atrás apenas da Ucrânia, devido ao conflito no país com grupos terroristas, refere a análise do Instituto de Economia e Paz (IEP).

Isto resultou num aumento do número de refugiados, de manifestações violentas e de terror político.

“No entanto, o impacto do terrorismo melhorou e as mortes por conflitos internos também reduziram”, notou o fundador e diretor do IEP, Steve Killelea, que atribuiu o progresso à colaboração de Maputo com o Ruanda e a Comunidade Africana de Desenvolvimento no combate ao Estado Islâmico.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Há 784 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes, a norte, junto à Tanzânia, mas a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio temporário.

Pelo contrário, Angola subiu 14 lugares no Índice para 78.º lugar devido a melhorias na redução de manifestações violentas, do impacto do terrorismo, e melhoria das perceções sobre a criminalidade, embora registe um forte custo económico da violência no país.

“Mostrou também um compromisso maior com o financiamento de [missões de] manutenção da paz e reduziu os gastos com as forças armadas como percentagem do PIB [Produto Interno Bruto] e importou menos armas”, salientou Killelea, em declarações à agência Lusa.

Dos restantes países lusófonos analisados, Timor-Leste manteve-se em 54.º lugar, a Guiné Equatorial desceu seis posições para a 59.ª e a Guiné-Bissau caiu nove para a 110.ª posição da lista de 163 países. O Brasil manteve-se no 130.º lugar.

O Índice Global de Paz, atualmente na 16.ª edição, faz uma análise sobre as tendências da paz, o valor económico e como desenvolver sociedades pacíficas, usando 23 indicadores qualitativos e quantitativos em três domínios: o nível de segurança e proteção social, a dimensão do conflito doméstico e internacional em curso, e o grau de militarização. In “Milénio Stadium” – Canadá com “Lusa”


quinta-feira, 7 de abril de 2022

Moçambique - UNODC promove cooperação para combater terrorismo

Para além do escritório da ONU e do governo de Moçambique, as autoridades portuguesas também fazem parte dos esforços. O evento que formaliza a cooperação trilateral está a acontecer em Lisboa, Portugal, entre 6 e 8 de abril

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, UNODC, está a promover a partir desta quarta-feira um evento de cooperação trilateral em Portugal para debater o combate do terrorismo e crime organizado em Moçambique.

Além das autoridades portuguesas e dos representantes da agência das Nações Unidas, também estarão na reunião representantes do governo moçambicano.


Combate ao terrorismo e crime organizado

O evento marca formalmente o início da parceria entre as instituições e reforça o compromisso na colaboração e apoio a Moçambique nas áreas de combate ao terrorismo e ao crime organizado.

Faz parte da cooperação a Direção-Geral da Política de Justiça do Ministério da Justiça e a Polícia Judiciária Portuguesa, além do Governo de Moçambique.

De acordo com o UNODC, o terrorismo, o seu financiamento e o crime organizado transnacional são ameaças complexas que precisam de respostas diversas e adequadas à realidade do país.

O UNODC está a apoiar Estados com os seus sistemas jurídicos, políticos e de justiça penal para prevenir os crimes e a avançar com processos legais fundamentados nos princípios do Estado de Direito e padrões internacionais de direitos humanos.

Apoio das Nações Unidas

O escritório apoia as autoridades nacionais com aconselhamento técnico e jurídico e de treinamento em áreas relacionadas com as respostas do sistema de justiça penal ao terrorismo e ao crime organizado. 

Segundo o UNODC, o trabalho é orientado pelas resoluções do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral das Nações Unidas, incluindo a Estratégia Global Antiterrorista das Nações Unidas e as avaliações do Comité Antiterrorista.

Desde 2019, o UNODC está a trabalhar com o Governo de Moçambique para apoiar a resposta do país ao extremismo violento e ao terrorismo. Foi no início de outubro de 2017 que grupos armados começaram a atacar áreas do extremo norte que já deslocaram mais de 700 mil pessoas na província de Cabo Delgado, de acordo com os dados da ONU em agosto do último ano.

O “Roteiro de Maputo”, que foi aprovado pelo Governo de Moçambique, define as áreas em que o escritório foca as iniciativas de assistência técnica para o país.

A atuação inclui a implementação de atividades de capacitação para investigadores nacionais, procuradores, juízes e outras autoridades relevantes que trabalham em questões relacionadas com o terrorismo. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Moçambique - Presidente do Botsuana visitou operacionais em Cabo Delgado

O Presidente do Botsuana, Mokgweetsi Masisi, orientou esta quinta-feira as suas forças em operações de apoio ao Exército moçambicano em Cabo Delgado a serem implacáveis no combate ao terrorismo no Norte de Moçambique

"Está claro, vocês entenderam e aceitaram [a missão]. Matem o inimigo, esse é o vosso trabalho, até que eles se rendam", disse Mokgweetsi Masisi, falando perante as suas forças, no âmbito de uma visita que realizou à província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique.

O Botsuana faz parte da Força em Estado de Alerta da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) que desde julho está a apoiar Moçambique no combate a grupos rebeldes em Cabo Delgado, ao lado de países como Angola, África do Sul, Lesoto e Tanzânia.

Para Mokgweetsi Masisi, as forças que estão a apoiar Moçambique face à insurgência devem dar o seu melhor, dentro de uma conduta moralmente correcta.

"Por favor, dêem o seu melhor e brilhem em Moçambique [...] Quero encorajar a todos vocês e deixar claro que terão sempre o meu apoio", frisou o chefe de Estado do Botsuana.

Por sua vez, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, enalteceu o papel do Botsuana para um posicionamento regional contra o terrorismo em Moçambique, admitindo a possibilidade de extensão do período da presença das forças da SADC, embora sem avançar datas.

"O Presidente Mokgweetsi Masisi, desde a primeira hora, mostrou solidariedade", frisou o chefe de Estado moçambicano.

Nyusi disse ainda que a permanência das forças da região em Moçambique será debatida numa sessão da 'troika' do órgão da SADC Mais Moçambique agendada para o próximo mês.

"Independentemente do que está a acontecer no Niassa [província vizinha de Cabo Delgado, que regista pela primeira vez ataques], nós já sabíamos que o terrorismo não termina cedo", declarou o chefe de Estado moçambicano.

Além da SADC, Moçambique conta com o apoio do Ruanda e a ofensiva conjunta permitiu desde Julho aumentar a segurança em Cabo Delgado, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde Agosto de 2020.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas tem sido aterrorizada desde Outubro de 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3100 mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas. In Novo Jornal” – Angola com “Lusa”


quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Palestina - A maior livraria de Gaza renasce dos escombros


Pela primeira vez nas quatro guerras ocorridas em Gaza desde 2008, três livrarias arrasadas. Israel reduziu a escombros em Maio o local com 100 mil volumes que Samir Mansur havia transformado na maior e mais prestigiada livraria da Faixa de Gaza. Graças ao apoio de microfinanciamento popular internacional e às doações de exemplares oferecidos do estrangeiro, o livreiro e editor dispõe-se a reabrir no final do ano

“Quando o edifício Kahil for reconstruído, o nosso projecto é criar ali um centro cultural com as obras doadas”, diz Mansur, de 54 anos. “Nasci entre os livros e o meu pai ensinou-me o ofício ao pé das estantes desde os 14 anos. E agora tenho ao meu lado uma nova geração da família para seguir em frente” frisou.

Liderada pelos advogados Clive Stafford Smith e Mahvish Rukhsana, que defenderam presos em Guantánamo, ao apelo à reconstrução já chegou aos 240000 dólares e milhares de obras foram oferecidas por editoras e particulares para repor seu fundo editorial, ainda que Mansur reconheça que será difícil que cheguem através do porto israelita de Ashdod. “O Exército controla tudo o que entra em Gaza”, avisa.

Mansur recebia as últimas novidades editoriais publicadas no Cairo, Amã e Beirute, e tinha a melhor oferta de literatura e ensaios em inglês da Faixa mediterrânea. “Tínhamos muitas obras infantis, religiosas, de ensino de idiomas…”, lembra com saudades do estabelecimento desaparecido do centro da cidade, ponto de reunião de autores e intelectuais e que para muitos leitores de Gaza era uma via de escape cultural ao bloqueio imposto por Israel há 15 anos. Amontoados em apenas 365 km quadrados, os dois milhões de habitantes de Gaza têm uma das mais altas densidades populacionais do mundo.

“Não entendo por que nos atacaram. Não somos um objectivo militar e não temos ligação com nenhuma organização política” questiona Mansur. Na época, o Exército israelita explicou que o edifício era utilizado por membros do Hamas para fabricar armas e que a organização islamita escondia as suas actividades em imóveis civis, o que o livreiro nega.

Mansur editava em média uma centena de obras de autores locais por ano, sempre com tiragens de 500 a mil exemplares. Também publicou traduções para o árabe de clássicos como Os Miseráveis, de Victor Hugo, e Crime e Castigo, de Fiodor Dostoievski. Mas o seu trabalho editorial acabou desde os ataques em Maio. Então os bombardeamentos israelitas mataram 250 palestinianos em resposta aos misseis islamitas que mataram 13 em Israel.

Outras duas livrarias, entre um total de uma dúzia de estabelecimentos relevantes, também ficaram destruídas e gravemente danificadas num revés cultural sem precedentes no fraco território palestiniano. Shaban Eslim, de 34 anos, conserva como um tesouro, o Corão impresso com elegante caligrafia que resgatou dos escombros da livraria Irqa (Ler, em árabe), localizada perto das universidades.

Mesmo também a tentar organizar uma recolha popular de fundos no exterior, o livreiro lamenta que as autoridades do Hamas, o movimento islamita que governa de facto a Faixa desde 2007, tenha impedido o prosseguimento da campanha de microfinanciamento. “Prefiro não comentar esse assunto”, finaliza quando pedimos para que detalhe o ocorrido. “Também não recebi ajudas públicas para reconstruir o negócio. Pergunto-me se há algum interesse oficial pelos livros em Gaza”, diz desiludido.

O ataque à livraria de Mansur e a outras da Faixa de Gaza representa um golpe demolidor à difusão do conhecimento do qual o território demorará a recuperar. Graças ao trabalho editorial de alguns livreiros, os autores locais tinham rompido o forçado isolamento e enviar ao Egipto trabalhos digitalizados para que fossem impressos no país vizinho antes de ser distribuídas no mundo árabe. Muitos desses textos retornavam, por fim, à Gaza no formato de livros, evitando as barreiras do bloqueio.

A campanha de recolha internacional pretende ultrapassar o objectivo fixado de 250 mil dólares para reerguer a livraria Mansur dos escombros da última guerra. “Somos vítimas de uma agressão à cultura; danos colaterais de um conflito do qual não participamos directamente. É óbvio que Israel cometeu um erro connosco”, conclui o veterano livreiro e editor.

Agora sonha em organizar a cerimónia de inauguração de seu novo local com dezenas de milhares de volumes, provavelmente em Novembro e espera poder convidar todos os artífices da operação de mecenato internacional e os autores do enclave cujas obras publicou nas duas últimas décadas.

“A nossa livraria sobreviveu a duas Intifadas e a três guerras, mas não pôde resistir às bombas do quarto conflito”, lamenta Mansur, adiantando que “os livros continuam a ser a minha vida, os meus filhos espirituais”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


 

quinta-feira, 8 de abril de 2021

UCCLA - Os representantes das 55 cidades associadas reuniram-se em solidariedade com as vítimas de terrorismo em Cabo Delgado

As cidades associadas da UCCLA reuniramse por videoconferência no dia 8 de abril manifestando solidariedade com as vítimas do terrorismo em Cabo Delgado, Moçambique

Na reunião, muito participada e representativa, foram votadas importantes deliberações constantes de uma proposta de solidariedade com as vítimas do terrorismo em Cabo Delgado. Seguem as importantes deliberações saídas da mesma



Considerando que a região de Cabo Delgado, em Moçambique, preencheu subitamente as manchetes dos media de todo o mundo;

Considerando que tal facto se ficou a dever à divulgação de um ataque ainda mais traiçoeiro, que os anteriores, preparado com a intenção clara de ter repercussão internacional ao atingir não só cidadãos moçambicanos, mas também de envolver outras nacionalidades que trabalham no centro logístico de Afungi, de uma multinacional que aí tem instalações logísticas;

Considerando que os terroristas, por o serem, alvejam vítimas inocentes, independentemente da condição de género, de idade, de origem étnica ou geográfica e de opção religiosa;

Considerando que a agressão dos terroristas é contra Moçambique e contra toda a Humanidade;

Considerando que matam indiscriminadamente, instrumentalizados por organizações fanáticas e sindicatos do crime que reclamam os ataques, a soldo de interesses com origens exógenas;

Considerando que este flagelo de insegurança causada pelo terrorismo e violência provocou mais de 722 mil deslocados provenientes de Cabo Delgado, dentro dela e para as províncias de Niassa, Nampula, Zambézia, Manica, Sofala e Inhambane dentre os quais 331352 são crianças;

Considerando que estes atos pretendem desvalorizar os esforços de paz alcançados pelo povo moçambicano;

Considerando que estes atos concorrem para a desestabilização da democracia e para ruir os sonhos e expectativas de uma vida melhor dos moçambicanos;

Considerando que o Governo da República de Moçambique já manifestou à Comunidade Internacional o seu pedido de apoio e as necessidades para fazer face ao combate do terrorismo;

Considerando que o apoio bilateral e multilateral solicitado está sendo avaliado em respeito à soberania nacional;

Considerando que urge pôr termo à barbárie, objetivo reiteradamente expresso por organizações internacionais vocacionadas para a paz, em respeito ao artigo 1.º da Carta das Nações Unidas, mas também por responsáveis de países de todos os continentes que se disponibilizaram a solidarizaremse com o povo e o governo de Moçambique, no respeito pela independência e soberania deste;

Considerando que essa disponibilidade resulta da avaliação que os acontecimentos divulgados pelos media respeitam a toda a humanidade e que o que ocorre em Cabo Delgado pode amanhã ocorrer em qualquer país ou cidade;

Considerando que a UCCLA por representar cidades cujos munícipes falam a língua que é a oficial do povo moçambicano, o português, expressando a dor e o sofrimento pelas mesmas palavras da esmagadora das vítimas de Cabo Delgado;

Considerando que as cidades não têm nem exercem funções soberanas como os Estados, mas têm um importante papel de sensibilização da opinião pública, na firme condenação do terrorismo e da adoção de medidas de apoio humanitário às famílias enlutadas e aos refugiados;

Considerando, por isso, a necessidade dos representantes das cidades UCCLA tudo dever fazer dentro das suas capacidades para, nas matérias do referido apoio humanitário e de sensibilização dos cidadãos dos respetivos países da comunidade internacional convergirem solidariamente nesse apoio para as vítimas de Cabo Delgado;

Os representantes das cidades associadas da UCCLA, reunidas em videoconferência no dia 8 de Abril de 2021, a partir das 18h30m, hora de Cabo Delgado, deliberam:

1. Condenar de forma muito veemente os ataques que grupos terroristas vêm perpetrando na região de Cabo Delgado, em Moçambique, vitimando inocentes independentemente do género, idade, etnia e opção religiosa, semeando a morte e dando causa a um número muito significativo de refugiados;

2. Solidarizarse com o povo de Moçambique e as instituições públicas do país no combate a travar sem tréguas aos grupos terroristas que operam em Cabo Delgado;

3. Apoiar a celeridade na tomada de medidas coletivas de repúdio contra o terrorismo em todas as suas formas;

4. Juntarse ao apelo da República de Moçambique à comunidade internacional;

5. Saudar as instituições internacionais vocacionadas para a paz e os responsáveis dos inúmeros países que manifestaram a solidariedade, por diferentes formas e meios, com o povo e o Estado de Moçambique por considerar que estes atos constituem uma grave ameaça à paz e segurança regional e internacional;

6. Relevar a enorme importância que na denúncia e combate ao terrorismo que ocorre em Cabo Delgado assume o reforço da consciencialização da opinião pública mundial e o papel que para esse objetivo têm as cidades em geral e, em particular, as associadas na UCCLA, cujos municípios exprimem o sentimento de dor e da revolta na mesma língua, o português;

7. Que, em resultado da gravidade da situação existente e dos riscos que ela comporta para toda a humanidade, a UCCLA elabore um pequeno vídeo, para ser amplamente divulgado nas redes sociais através das plataformas das cidades associadas, de vigorosa condenação do terrorismo que flagela Cabo Delgado e contribua para reforçar a sensibilização da opinião pública, com vista à canalização dos apoios que se justificarem às famílias das vítimas enlutadas e aos refugiados;

8. Mandatar a UCCLA para dirigir em nome das cidades associadas uma carta tendo como destinatários o Secretáriogeral da ONU, Eng.º António Guterres, o Presidente da República e o Primeiroministro de Portugal, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa e Dr. António Costa, estes responsáveis do país que, no primeiro semestre de 2021 preside à União Europeia (EU), ao Dr.  António Vitorino, Directorgeral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), e ao Embaixador de Cabo Verde em Portugal, Dr. Eurico Monteiro, país que preside à CPLP, ao Secretário Executivo desta, Dr. Francisco Ribeiro Teles, face ao facto de todos terem como língua materna o  português e  ocuparem  relevantes  cargos  de  responsabilidade internacional, no sentido de  articularem  entre  si  as  ações  conducentes  às respostas que a situação de Cabo Delgado impõe no plano internacional que incluem saúde, alimentação, água e saneamento nos centros de acomodação e de trânsito dos deslocados internos;  reassentamento  e  apoio  psicossocial;  infraestruturas  e  reconstrução  do  tecido económico;

9. A UCCLA deverá ainda informar os responsáveis máximos dos países e regiões onde existem cidades associadas suas das diligências que vão ser desencadeadas em resultado da aprovação do presente, inclusive para as respostas que se imponham serem dadas pelos países de língua oficial portuguesa;

10. Dado que no quadro mundial atual em que a humanidade vive, há ainda o flagelo da pandemia da Covid19, a UCCLA é ainda mandatada para dirigir uma carta ao Dr. Durão Barroso, Presidente da Aliança Global para as Vacinas,  face ao drama que vive a população de Cabo Delgado para, também, tudo fazer para uma resposta ainda mais eficaz da COVAX à vacinação da população da região;

11. Dirigir, ainda, a presente proposta à ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), UA (União Africana) e SADEC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral). 

por Cabo Delgado


segunda-feira, 1 de março de 2021

Moçambique – Ataques em Cabo Delgado estenderam-se até à região de Quionga

Helicópteros das forças moçambicanas têm sobrevoado a zona em perseguição aos agressores e carros com militares têm se deslocado da sede de distrito, Palma, para a zona dos ataques

Um grupo armado invadiu e matou residentes da aldeia costeira de Quirinde, norte de Moçambique, na noite de sexta-feira, disseram à Lusa várias fontes locais.

Seguiu-se outro ataque, durante a noite deste sábado, na mesma zona, contra o posto fronteiriço de Namoto entre Moçambique e a Tanzânia, junto ao rio Rovuma, acrescentaram, sem outros dados disponíveis.

Helicópteros das forças moçambicanas têm sobrevoado a zona em perseguição aos agressores e carros com militares têm se deslocado da sede de distrito, Palma, para a zona, descreveram fontes no local.

Com as duas incursões contra Quirinde e Namoto, este passou a ser o segundo fim-de-semana consecutivo de ataques na área do posto administrativo de Quionga, zona costeira onde até agora não havia registo de incursões dos grupos armados que há três anos aterrorizam Cabo Delgado.

Quionga tem acesso por mar e por uma estrada em terra batida, situando-se 20 quilómetros a norte de Palma, vila e sede de distrito que acolhe o megaprojeto de exploração de gás natural do Rovuma, maior investimento privado de África.

A 19 de fevereiro fontes locais relataram um ataque contra Quionga com a morte de quatro pessoas, sendo os agressores repelidos no dia 20 pelas forças moçambicanas, fugindo para norte, em direção à fronteira, para a zona de conflito deste fim-de-semana.

Segundo os relatos do ataque à aldeia de Quirinde, na última sexta-feira, os agressores entraram por terra e pela praia ao princípio da noite, pelas 18:00, surpreendendo a população durante a hora de jantar.

O grupo armado usou metralhadoras e catanas e iniciou-se uma fuga em massa para as matas, tal como tem acontecido noutras incursões.

Os relatos preliminares indicam que sete pessoas morreram, três das quais decapitadas.

Também à semelhança do que tem acontecido noutros ataques, as fontes locais relatam destruição de casas, saque de alimentos e de outros produtos das bancas de venda, além do rapto de residentes.

Quirinde fica seis quilómetros a leste de Quionga.

A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, defendeu na quinta-feira, no parlamento, que há “notícias animadoras” da luta contra os grupos armados que atuam na província de Cabo Delgado, norte do país, defendendo uma cooperação global contra o “terrorismo”.

“Temos notícias que nos dão ânimo da crescente neutralização e liquidação dos terroristas que se tentam apoderar das nossas riquezas em Cabo Delgado”, afirmou o chefe da bancada da Frelimo na Assembleia da República (AR), Sérgio Pantie.

A violência armada na província nortenha de Moçambique, onde se desenvolve o maior investimento multinacional privado de África, para a exploração de gás natural, está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 670 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos.

A violência surgiu em 2017, algumas das incursões foram reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico depois de 2019, mas a origem dos ataques continua sob debate. In “África 21 Digital” – Brasil com “Lusa”

 

sábado, 2 de janeiro de 2021

Moçambique - Petrolífera francesa Total reduz operações por causa do terrorismo

A petrolífera francesa Total anunciou que reduziu as operações e o número de trabalhadores envolvidos no projeto de gás natural em Moçambique devido aos ataques terroristas perto das instalações, o último a cinco quilómetros

“A Total reduziu temporariamente a sua força de trabalho no local em resposta ao ambiental atual”, disse a petrolífera em respostas à agência de informação financeira Bloomberg, não revelando, no entanto, o número de trabalhadores que foram mandados para casa nem por quanto tempo.

“A situação está em constante avaliação”, acrescentou apenas a petrolífera que lidera o projeto de exploração de gás natural no norte de Moçambique, um investimento de 20 mil milhões de dólares e que é o maior investimento privado na África subsaariana.

A violência no norte de Moçambique tem-se intensificado nas últimas semanas, com o último ataque a ocorrer na semana passada e a apenas cinco quilómetros do local onde decorrem as obras para a instalação de uma central de gás natural liquefeito, num projeto liderado pela Total, que os insurgentes dizem que pode ser o próximo alvo.

Para além do problema da violência, a Total destacou também que a pandemia de covid-19 também contribuiu para a decisão de reduzir a força de trabalho no local.

Moçambique está a tentar controlar a insurgência armada na província de Cabo Delgado, que começou em outubro de 2017 e já terá morto mais de 2500 pessoas, motivando mais de meio milhão de moçambicanos a abandonarem as suas casas para fugir à violência.

O projeto da Total, a que se junta o da italiana Eni e da norte-americana Exxon Mobil, tem o potencial de transformar a economia do país quando começarem a ser exportadas as enormes quantidades de reservas de gás natural que estão no norte do país, nomeadamente ao largo da costa, e que vão colocar o país no topo da lista dos maiores exportadores mundiais.

O segundo ataque próximo aos megaprojetos de gás em dezembro ocorreu na terça-feira, após um primeiro que ocorreu no dia 07 de dezembro na aldeia de Mute, a menos de 25 quilómetros da área onde está a ser construída a zona industrial de processamento de gás natural da Área 1 da bacia do Rovuma.

Os novos ataques de terça-feira ocorreram um dia depois de o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, pedir às Forças de Defesa e Segurança “máxima prontidão” face ao “silêncio do inimigo”, após operações com “bons resultados” por parte das forças governamentais em Macomia, outro distrito de Cabo Delgado que tem sido afetado com frequência pelas incursões dos rebeldes. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Moçambique – Pede apoio internacional para combate ao terrorismo em Cabo Delgado

 


A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) fez hoje um “veemente apelo” à comunidade internacional para prestar assistência humanitária a Moçambique por causa da violência que se regista na província de Cabo Delgado.

O apelo foi feito durante a reunião do Conselho de Ministros da CPLP, que esteve reunido por videoconferência, e presidido a partir da cidade da Praia por Luís Filipe Tavares, ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, país que detém a presidência pro-tempore da comunidade lusófona.

“Fizemos também um veemente apelo à comunidade internacional no sentido de prestar assistência humanitária a Moçambique que neste momento precisa da colaboração dos Estados vizinhos, mas também de toda a comunidade internacional porque a crise humanitária que se vive lá é muito complicada. A CPLP está solidária com Moçambique”, disse o ministro cabo-verdiano.

Luís Filipe Tavares afirmou que a posição dos chefes de diplomacia da CPLP foi assumida após uma intervenção da homóloga da Moçambique, Verónica Macamo Dlhovo, que falou da situação em Cabo Delgado.

“Nós manifestámos o nosso apoio político e a nossa solidariedade para com Moçambique nesta situação, que é uma tragédia humana terrível. Vamos continuar a acompanhar a situação com muita atenção”, garantiu.

Questionado sobre outros apoios concretos da CPLP, o ministro cabo-verdiano reafirmou que neste momento o mais importante é o apoio político-diplomático, mas garantiu que os países vão concertar-se para verem que outras ajudas podem dar a Moçambique.

Esta foi a primeira vez que a CPLP se pronunciou publica e formalmente sobre os ataques e a violência que afetam a província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

Moçambique enfrenta uma insurgência armada com ligações ao grupo 'jihadista' Estado Islâmico na província de Cabo Delgado, norte do país.

A violência está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 560 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

Também esta quarta-feira o ministro da Defesa moçambicano, Jaime Neto, reiterou junto do seu homólogo português, João Gomes Cravinho, o pedido de apoio internacional para combate ao terrorismo em Cabo Delgado, norte do país.

A posição é expressa num comunicado sobre o encontro mantido hoje, em Maputo, entre os dois titulares da pasta da Defesa, mas sem mais detalhes sobre qualquer eventual parceria com Portugal para aquela província.

"Jaime Neto reiterou o pedido de apoio feito à União Europeia (UE) e agradeceu a resposta pronta de total disponibilidade em prestar assistência ao país, concretamente na província de Cabo Delgado, no combate ao terrorismo e apoio às populações", lê-se no comunicado do Ministério da Defesa moçambicano. In “Contacto” – Luxemburgo com “Lusa”




quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Moçambique – Portugal está disponível para ajuda militar a “país irmão”

 

O ministro português da Defesa admitiu nesta quarta-feira a possibilidade de enviar forças militares para ajudar Moçambique no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, em função do que as autoridades do país pretendam, destacando a experiência na área da formação.

“Portugal está disponível. Moçambique é um país irmão, da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), um país com o qual sentimos grande proximidade e estamos obviamente sempre disponíveis. Em primeira linha, compete às autoridades moçambicanas estabelecer aquilo que entendem por útil. Portugal está completamente disponível”, disse Gomes Cravinho.

Após a apresentação de um livro do Estado-Maior-General das Forças Armadas sobre as missões na República Centro-Africana das FND portuguesas, entre 2017 e 2020, no polo da Amadora da Academia Militar, Gomes Cravinho foi questionado pelos jornalistas sobre a disponibilidade de Portugal para apoiar Moçambique no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, Moçambique.

O ministro da Defesa sublinhou que “Portugal tem múltiplas valências que têm sido visíveis” nas Forças Nacionais Destacadas e destacou que Portugal tem “uma longa experiência de trabalho com Moçambique”.

“Há também um diálogo com a União Europeia (UE) e, havendo uma missão da UE, naturalmente Portugal participaria, mas temos a nossa cooperação bilateral, que continuará e será seguramente reforçada neste âmbito”, concluiu Gomes Cravinho.

O primeiro-ministro, António Costa, comunicou terça-feira com o presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e anunciou uma próxima cimeira bilateral entre os dois países, no segundo semestre de 2021, em Maputo.

A violência armada em Cabo Delgado, norte de Moçambique, está a provocar uma crise humanitária com cerca de duas mil mortes e 500 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

A província onde avança o maior investimento privado de África, para exploração de gás natural, está desde há três anos sob ataque de insurgentes e algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico desde 2019. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


sábado, 10 de outubro de 2020

Moçambique – União Europeia vai apoiar o país no combate a grupos armados em Cabo Delgado

 

A União Europeia vai ajudar Moçambique no combate a grupos armados classificados como terroristas em Cabo Delgado, na sequência de um pedido de apoio do Governo moçambicano enviado no mês passado a Bruxelas, anunciou fonte diplomática.

“Posso confirmar que os pedidos que foram feitos à UE receberam uma resposta positiva e agora temos de trabalhar nas diferentes questões que foram colocadas”, disse o embaixador da União Europeia em Maputo, Antonio Sánchez-Benedito Gaspar.

O responsável falava à comunicação social, na capital moçambicana, momentos após entregar uma carta à ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Verónica Macamo, com a resposta ao pedido de apoio feito pelo Governo moçambicano em setembro.

Em 16 de setembro, a chefe da diplomacia moçambicana escreveu um ofício ao Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, pedindo apoio na logística e no treino especializado das forças governamentais para travar as incursões armadas de grupos classificados como terroristas em Cabo Delgado.

Antonio Sánchez-Benedito Gaspar explicou que a ideia é fortalecer as capacidades de resposta de Moçambique, esclarecendo, no entanto, que “não está na agenda a vinda de militares europeus ao país”.

“Até agora todos os nossos esforços têm estado virados para a parte da emergência humanitária e para a parte de desenvolvimento. Vamos continuar a fazer esforços para a parte da segurança, que está agora a começar. O Governo de Moçambique pediu ajuda e nós vamos dar, mas é uma ajuda mais em termos de formação, logística e serviços médicos para as forças que estão a combater o terrorismo no norte de Moçambique”, acrescentou.

A província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, é palco há três anos de ataques armados desencadeados por forças classificadas como terroristas.

A violência provocou uma crise humanitária com mais de mil mortos e cerca de 250.000 deslocados internos. In “Mundo Lusíada” - Brasil