Na ONU, durante a primeira avaliação desde a Conferência de Sevilha sobre o tema, o país promete investir em projetos com impacto e em iniciativas com o setor privado. A língua portuguesa abre portas para ações de sustentabilidade e outras áreas, em nações lusófonas
Portugal está empenhado em
diversificar parcerias para financiar o desenvolvimento como parte do
Compromisso de Sevilha, que resultou do Quarto Encontro de Cúpula Internacional
sobre Financiamento para o Desenvolvimento, realizado na cidade espanhola, no
ano passado.
Ali, os líderes internacionais prometeram ampliar o
financiamento para acelerar a implementação da Agenda 2030, de desenvolvimento
sustentável. Para chegar lá, no entanto, o mundo precisa preencher uma lacuna
de pelo menos US$ 4 trilhões, anualmente.
Brasil e Moçambique
Durante o Fórum sobre o tema, realizado pelo Conselho
Económico e Social da ONU, em Nova Iorque, a embaixadora de Portugal e
presidente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, IP, Florbela
Paraíba, informou que o seu país defende um Apelo à Ação sobre dados,
evidências e visibilidade da cooperação triangular.
Nesta entrevista à ONU News, ela falou de exemplos
práticos destas parcerias em países como o Brasil e Moçambique, que visam
impacto e transformação.
“Temos exemplos como o que fazemos com o Brasil nas
culturas do café e na defesa da sustentabilidade em dois parques naturais na
Gorongosa e em Chimanimani, em Moçambique. É um exemplo de como é que as
comunidades locais, os agricultores locais beneficiam do apoio de agências
neste caso portuguesa e espanhola. E são coisas que, no local, nós percebemos a
diferença e o fator de transformação que eles introduzem nas comunidades. Em
termos de sustentabilidade ambiental, em termos de educação, em termos de sensibilização,
portanto, toda a comunidade é envolvida.”
Alguns dos desafios atuais para financiar o
desenvolvimento são as tensões geopolíticas, crise climática, conflitos e
guerras que drenam recursos aumentando a pressão sobre os países mais
vulneráveis.
Dívida e pandemia
A embaixadora Florbela Paraíba contou que além dos países
de língua portuguesa, em quatro continentes, Portugal mantém parcerias com
nações como Costa Rica, México, Colômbia, Argentina e plataformas de
aproximação do Sul Global que inclui a África.
Este mês, Portugal lançou a terceira edição de uma
iniciativa com bolsas de estudo que focam em pesquisas sobre oceanos, entre
outras áreas de interesse, como explicou a embaixadora Florbela Paraíba.
Oceanos e espaço digital
“Portugal tem créditos muito estabelecidos na defesa dos
oceanos. No ODS dos oceanos. Um papel tradicional em chamar a atenção para a
questão dos oceanos, tanto do ponto de vista económico, mas também do ponto de
vista de regulação internacional e do ponto de vista do ambiente, naturalmente.
O digital que também é muito importante para os LDC (Países Menos
Desenvolvidos), nomeadamente, e também a parte do espaço.”
Segundo a ONU, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, ODA,
caiu drasticamente, o investimento estrangeiro continua a diminuir e muitos
países têm dificuldades em angariar receitas fiscais suficientes para financiar
os serviços básicos.
Cerca de 3,4 mil milhões de pessoas vivem em países que
gastam mais em pagamentos de juros do que em saúde ou educação.
O Relatório sobre o Financiamento para o Desenvolvimento
Sustentável 2026, divulgado pela ONU, no evento em Nova Iorque, revela que
apesar de perspectivas sombrias, o crescimento económico global superou as
expectativas no ano passado. O comércio entre países em desenvolvimento subiu
nas últimas duas décadas e o investimento em energia renovável atingiu um
recorde de US$ 2,2 trilhões em 2024, representando o dobro do nível investido em
combustíveis fósseis. Monica Grayley – Brasil ONU News
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