Cidade da Praia — A investigadora e docente Lara Goméz alertou que a redução do financiamento internacional poderá comprometer o combate à malária, sobretudo em países africanos com menor capacidade financeira.
O alerta foi feito na sessão de abertura da quarta
conferência internacional “Malária nos PALOP”, promovida pela Universidade Jean
Piaget de Cabo Verde.
Segundo a investigadora, a diminuição dos apoios à saúde
em África, incluindo através do Fundo Global, estará associada a mudanças
políticas nos Estados Unidos, embora tenha ressalvado não dispor de dados
totalmente confirmados.
Lara Goméz defendeu uma abordagem integrada no combate à
doença, sublinhando a necessidade de articulação entre saúde humana, sanidade
animal e ambiente, bem como o reforço da vigilância e da consciencialização das
populações.
A docente considerou ainda que uma eventual redução da
ajuda internacional poderá afectar países com fraca capacidade económica, ao
limitar os recursos disponíveis para programas de combate à malária, incluindo
em Cabo Verde.
Recordou que, após a pandemia da COVID-19, se registou um
retrocesso nos indicadores da doença, com aumento da mortalidade, que
ultrapassou as 600 mil mortes de crianças, maioritariamente em África, devido
ao redireccionamento de recursos para o combate à pandemia.
Relativamente a Cabo Verde, indicou que o país já
eliminou a malária por três vezes, mas enfrentou reintroduções associadas a
casos importados.
Alertou que a presença de mosquitos e o aumento da sua
densidade podem favorecer novos surtos, acrescentando que, entre o final de
2024 e 2025, foram registados casos de transmissão autóctone na zona de Fonton,
entretanto controlados pelas autoridades sanitárias.
A conferência realiza-se pelo quarto ano consecutivo, no
âmbito do Dia Mundial da Malária, com o objectivo de divulgar conhecimento
científico e reforçar competências técnicas. In “Inforpress”
– Cabo Verde com “Lusa”
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