Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 5 de maio de 2026

Macau - Exposição de poemas ilustrados abre Festival da Língua Portuguesa

Uma exposição de poemas de vários escritores portugueses, seleccionados por Pedro D’Alte e ilustrados pelo artista Joaquim Franco, assinala o arranque da primeira edição do Festival de Língua Portuguesa, promovido pela Casa de Portugal. A mostra na Casa Garden serve também para celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa. O festival, que se prolongará até 18 de Junho, inclui ainda momentos de leitura, histórias contadas nas escolas, workshops de escrita criativa, espectáculo de marionetes, um concerto e uma peça de teatro. Para Elisa Vilaça, “é necessário haver algo que nos lembre a importância da língua portuguesa e da sua preservação, sendo a poesia um elemento de referência”


Pela primeira vez, a Casa de Portugal promove o Festival de Língua Portuguesa, organizando uma série de actividades que têm hoje início, precisamente no Dia Mundial da Língua Portuguesa, com a inauguração de uma exposição na Casa Garden, pelas 18h30. A mostra combina 16 poemas de vários escritores portugueses e outros países de expressão portuguesa, como Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Mia Couto, José Luís Peixoto e José Craveirinha, que abrangem desde o século XVI até à actualidade, seleccionados pelo académico Pedro D’Alte, com a ilustração de igual número de pinturas de acrílico em tela produzidas pelo artista Joaquim Franco.

“As ilustrações vão ser expostas em paralelo com os poemas, cujos textos acompanham a interpretação do artista”, disse ao Jornal Tribuna de Macau a curadora da exposição Elisa Vilaça.

O objectivo nesta exibição, em conjunto com o restante programa do festival, é dar “maior ênfase à língua portuguesa, que é bem importante hoje, mais do que nunca”, sublinhou a directora artística da Casa de Portugal.

Ao abordar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, Elisa Vilaça considera que a preservação da língua é fundamental. “Para tudo, não só como uma profunda raiz daquilo que foi feito em Macau, ao longo de 450 anos, mas principalmente agora, com todo esse sistema de globalização, que nós temos a consciência de que a língua portuguesa é falada em imensos países”, sublinha.

Lembrando que o Português é a quinta língua mais falada em todo o mundo, admite que “por vezes nós esquecemo-nos disso, da importância que temos a nível de linguística e do que tem sido feito pelos escritores”. Nesse sentido, defende, “é necessário haver algo que nos lembre a importância da língua portuguesa e da sua preservação, sendo a poesia um elemento de referência”.

Por tudo isso, diz, “há uma mensagem que tem de ser passada sobre a preservação da nossa língua e no cruzamento com as diferentes culturas que nós encontramos em Macau”.

Para a curadora da exposição, “a única coisa que é muito importante fazer neste momento é tentar cativar cada vez mais a população jovem, que, quem sabe, poderá permanecer por aqui, ou procurar os seus empregos, o seu futuro, noutras paragens”. Para além da comunidade portuguesa e de representantes de outros países lusófonos estabelecidos em Macau, “a comunidade chinesa, desenvolvendo e interessando-se pela língua, ela própria também terá, no futuro, um meio e uma ferramenta importante na inter-relação com os diferentes países, inclusivamente Portugal”.

Mesmo considerando que “a história é uma coisa que se vai esquecendo”, considera que a língua é “um elo importantíssimo” e faz parte dessa história. “Por isso, afirma que “devemos fazer uma sensibilização cada vez maior em termos da divulgação da cultura e da língua, não só entre a comunidade portuguesa, mas principalmente na comunidade chinesa que é a maior em Macau”.

Histórias com marionetas contadas nas escolas

Assim sendo, o Festival da Língua Portuguesa, que começa esta tarde com a inauguração da exposição, que se manterá até ao dia 24 deste mês, “surge nesse sentido de sensibilizar para a importância da preservação, contando inclusivamente histórias aos alunos e às crianças de algumas escolas, como forma de os motivar a familiarizarem-se com a língua portuguesa”, menciona.

Os estabelecimentos abrangidos pelas conversas, intituladas “Contar Histórias”, da responsabilidade da própria Elisa Vilaça, são o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, a Escola Sir Robert Ho Tung e a Escola Luís Gonzaga Gomes, onde haverá espectáculos de marionetas a partir de 13 de Maio e prolongando-se até Junho.

Trata-se de uma mistura das marionetas com o texto em si, numa “história mimada”, porque tem “a minha participação, não só como manipulador, mas como próprio autor”, refere, acrescentando que, “contrariamente ao que acontece quando faço espectáculos de marionetas em Macau, em que não tenho palavra, apenas música, neste caso, como é dedicado à língua portuguesa, o português vai ter maior predominância, utilizando no fundo a marioneta como um elemento de comunicação entre as crianças”.

Nos restantes pontos do programa do Festival, destaque para “Pausa para Ler”, que terá por palco a Casa Garden, no dia 8 de Maio, das 18h30 às 20h00, e para dois workshops de “Escrita Criativa”. O primeiro no dia 15, entre as 19h00 e as 21h00, para maiores de 18 anos, e o segundo, a 16, entre as 15h00 e as 17h00, para maiores de 15 anos, orientados por Paula Pinto. Ambos serão realizados na sede da Casa de Portugal.

Enquanto isto, está agendado um concerto para o dia 16, a partir das 19h00, na Casa Garden, com Tomás Ramos de Deus, Miguel Andrade, Paulo Pereira, Irawan Kusuma, Luís Bento e outros músicos convidados.

O festival, que conta com o apoio da Fundação Macau e da Fundação Oriente, encerrará a 18 de Junho com a peça “O Pior Professor do Mundo” protagonizada pelo Teatro João de Brito, no Auditório da Escola Portuguesa de Macau, pelas 19h00, estando reservada uma sessão para os alunos e outra aberta ao público.

Conversas em Português no Café do IPOR

Por forma a celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa e os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o Instituto Português do Oriente (IPOR) vai organizar hoje e amanhã, entre as 18h30 e as 20h30, um evento especial em formato de conversas rápidas. As “Conversas em Português à Volta do Mundo” decorrerão no Café Oriente no IPOR e destinam-se a estudantes ou “curiosos” que não têm o Português como língua materna. Segundo o IPOR, os participantes poderão, em várias mesas, conversar durante 5 a 7 minutos com falantes nativos de Português. Quem passar por todas as mesas terá direito a um prémio. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Macau - Rota das Letras regressa à Casa Garden para celebrar a 15.ª edição

Tal como já acontece há dois anos, o Festival Literário de Macau – Rota das Letras volta a ter lugar na Primavera. O evento – um dos mais relevantes ao nível das artes no território – vai ocupar a Casa Garden entre os dias 5 e 15 de Março, apresentando uma programação diversa que vai para além das letras e explora expressões artísticas como o cinema, o teatro e a música. A lista de convidados é extensa e inclui desde poetas locais a argumentistas de filmes de Hollywood


O Festival Literário de Macau – Rota das Letras está de regresso. A 15.ª edição do evento decorre de 5 a 15 de Março na Casa Garden, voltando a plantar no coração da Península uma celebração primaveril da arte nas suas múltiplas vertentes. Da literatura ao cinema, passando pela música e pelo teatro, a Rota das Letras oferece uma palete diversificada de manifestações artísticas produzidas por autores de diferentes culturas, em diferentes línguas, para o público igualmente heterogéneo de Macau.

O propósito da iniciativa mantém-se inalterado desde 2012, aquando da primeira edição: materializar “um ponto de encontro fundamental entre culturas, línguas e expressões artísticas do Oriente e do Ocidente”. A morada principal é a Casa Garden, onde decorrerão as habituais sessões de discussão e de lançamento de livros que caracterizam o festival, mas a programação contempla ainda a exibição de filmes, representações teatrais e concertos em vários espaços culturais da cidade.

A “celebração” e o “diálogo intercultural” são as forças motoras da presente edição, segundo adianta a organização em comunicado de imprensa. Celebra-se, sobretudo, os 15 anos de realização ininterrupta da Rota das Letras, que manteve a sua função enquanto ágora artística e cultural mesmo em plena pandemia de Covid-19 e que continua a ser uma referência incontornável na aproximação dos polos ocidental e oriental.

Será também assinalado o centenário do falecimento de Camilo Pessanha, poeta português que viveu, morreu e garantiu um lugar perene no território ao ser sepultado no Cemitério de São Miguel Arcanjo. “A sua ligação profunda a Macau e o seu legado literário serão revisitados através de diversas iniciativas, sublinhando o papel da cidade como ponte entre mundos”, indica o comunicado, que desvenda ainda três nomes envolvidos na celebração. São eles António Carlos Cortez, poeta e professor de Português e Literatura; Carlos Morais José, escritor e jornalista radicado em Macau; e Christopher Chu, escritor e jornalista que já publicou um livro sobre os trinta anos em que Pessanha viveu na cidade.

Embora a programação completa ainda não tenha sido divulgada ao público, já é possível saber qual o foco do dia de abertura do festival, a 5 de Março. Nesse dia, estará em destaque a exposição “Territórios Humanos: Fotografia, Pertença e Memória”, que reunirá imagens captadas pela óptica do português Alfredo Cunha e do chinês Liu Zheng e explorará as suas “identidades” particulares, bem como as “narrativas” comuns que se cruzam nos respectivos acervos fotográficos. A mostra será acompanhada pelo lançamento de dois livros de fotografia.

Nomes sonantes da literatura

O painel completo de convidados será divulgado em comunicado posterior, mas já se conhecem alguns dos nomes locais e internacionais que integrarão as sessões desta edição da Rota das Letras.

O panorama literário local divide-se entre os poetas Yao Feng, Cheung Wai Man, Kam Un Loi e Nick Groom, no lado masculino, e Rai Matsu e Zita Si Tou Chi U, no lado feminino. A lista de convidados radicados em Macau inclui também o pintor Konstantin Bessmertny e o maestro Veiga Jardim. Por sua vez, Rui Leão e Maria José de Freitas e “outros autores locais” vão homenagear a obra do arquitecto macaense José Maneiras, falecido em Novembro do ano passado.

As sessões dedicadas ao mundo lusófono contarão ainda com a presença de dois jornalistas e escritores que no ano passado publicaram, individualmente, livros sobre personalidades portuguesas de diferentes espectros políticos. Falamos de João Miguel Tavares, autor de José Sócrates – Ascensão (1957-2005), e de Miguel Carvalho, autor de Por Dentro do Chega – A face oculta da extrema-direita em Portugal. Destaque ainda para a jornalista Andreia Sofia da Silva com O lápis vermelho, livro que se debruça sobre os efeitos da censura do Estado Novo nos territórios ultramarinos, com especial foco na imprensa de Macau.

No que respeita à literatura em língua chinesa, a lista de convidados é composta por nomes bastante sonantes e reconhecidos tanto pelo público como pela crítica especializada. O comunicado começa por mencionar Bi Feiyu, vencedor de prémios como o Man Asian Literary Prize, o Lu Xun Literary Prize e o Mao Dun Prize – provavelmente, o mais prestigioso prémio literário chinês.

Seguem-se escritores como Xiao Bai, autor de Xangai que também venceu o prémio Lu Xun; Gu Shi, detentora dos prémios Nebula e Locus pelas suas histórias de ficção científica; e Lu Jian, poeta da geração “pós-anos 80s” galardoado com o Prémio de Poesia Zhang Qiang. Importa ainda mencionar o nome de Xie Youshun, que se destaca dos demais por se dedicar à análise e crítica da literatura contemporânea chinesa – responsabilidade que lhe mereceu, aliás, a atribuição do Prémio Feng Um de Crítica Literária.

Por seu turno, a categoria das letras internacionais é representada por personalidades de múltiplas línguas e continentes. No continente asiático, incluem-se o escritor indiano Amitav Ghosh – considerado um dos grandes vultos da literatura mundial graças à sua “Trilogia Ibis” e à forma como retrata temas como colonialismo, ambiente e identidade humana – e Elisa Shua Dusapin, romancista franco-suíça com raízes sul-coreanas cuja obra de estreia, Inverno em Sokcho, se situa precisamente na cidade turística da Coreia do Sul.

Viajando até às Américas, encontramos Hernán Diáz, escritor argentino-americano que venceu o prémio Pulitzer em 2023; Carlos Andrés Gomez, colombiano-americano que escreve e declama poesia ‘spoken word’; e Guy Delisle, cartoonista canadiano conhecido pelos seus livros de viagem sobre destinos pelo mundo fora – incluindo a China, que explorou no livro de 2000 Shenzhen: A Travelogue from China.

A Europa é representada pelo britânico Adam Sisman, autor de biografias aprofundadas sobre figuras como A. J. P. Taylor ou Hugh Trevor-Roper, e pelo trio envolvido na concepção do filme “Ballad of a Small Player”, lançado na Netflix no final do ano passado: Lawrence Osborne, o autor do livro homónimo de 2014, e Mike Goodridge, o produtor da longa-metragem. Este filme, recorde-se, foi gravado em Macau no Verão de 2024 e catapultou cenários bem conhecidos da região, como templos e casinos, para os ecrãs dos utilizadores da Netflix.

Para além das letras

Enveredando pela área do cinema, a programação tem espaço para uma homenagem à sétima-arte portuguesa com a apresentação de “Salatinas”, um documentário assinado pela jornalista Filipa Queiroz que aborda a expulsão de cerca de três mil residentes da Alta de Coimbra para dar lugar à Cidade Universitária.

O cinema português vai também estar representado por Tiago Guedes, com os seus filmes “A Herdade”, de 2019, e “Restos do Vento”, de 2022. Para além de realizador de cinema, é também encenador da peça de teatro “À Primeira Vista”, que terá assim a sua estreia em Macau. A ocasião marca o regresso da actriz Margarida Vila-Nova ao território, onde já residiu e inclusive fundou projectos como a Mercearia Portuguesa ou a Futura Clássica.

“À Primeira Vista” é a versão portuguesa do monólogo de 2019 “Prima Facie”, que a produtora Força de Produção descreve na sua página oficial como “uma das mais reconhecidas pelas de teatro dos últimos anos”. Com assinatura de Suzie Miller, o espectáculo promete um “thriller jurídico de cortar a respiração” sobre temas fortes como “poder, consentimento e lei”.

Quanto ao calendário musical, o único nome até agora confirmado é o de Rodrigo Leão. O músico e compositor, figura essencial do género ‘new age’ em Portugal e membro das bandas Sétima Legião e Madredeus, tem actuação marcada para a noite de 11 de Março no Centro Cultural de Macau.

O comunicado de imprensa sublinha que serão “brevemente” acrescentados “nomes adicionais” a esta primeira lista de convidados. A 15.ª edição do Festival Literário de Macau é organizada com o apoio do Governo de Macau e de representações diplomáticas, associações locais, empresas (sobretudo as do sector hoteleiro) e órgãos de comunicação social. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 28 de maio de 2025

Macau - Casa Garden revitalizada recebe eventos do “Junho, Mês de Portugal”

A reabertura da Casa Garden, depois de cinco meses de obras de consolidação e reparação do exterior, inicia um novo ciclo para o icónico edifício da responsabilidade da Fundação Oriente. O protagonismo da mansão de traços europeus numa zona histórica da cidade “tem de ser mais desenvolvido”, disse Catarina Cottinelli ao Jornal Tribuna de Macau. A Fundação prepara a reedição de um livro, uma monografia, que conte a história da Casa Garden, que deverá ser lançado no próximo ano, juntamente com uma pequena exposição. De “cara lavada”, o espaço vai abrir oficialmente numa cerimónia a realizar a 17 de Junho, mas antes receberá actividades culturais especiais, inseridas na programação do “Junho, mês de Portugal”


Após cinco meses de trabalhos de consolidação e reparação de exteriores, a icónica Casa Garden, com mais de dois séculos de história, vai abrir as portas ao público com alguns eventos no início do próximo mês. Uma cerimónia a realizar às 18h00 no dia 17 de Junho assinalará oficialmente a reabertura do espaço.

Coincidindo com os 20 anos do Centro Histórico de Macau, o edifício, construído em 1770 e classificado como Património da Humanidade pela UNESCO em 2005, está pronto para dar continuidade às actividades que desenvolve a nível cultural.

As obras apenas mexeram na fachada, ou seja, no visual exterior, incluindo a impermeabilização das coberturas, não se tendo realizado “qualquer intervenção no interior”, segundo referiu ao Jornal Tribuna de Macau a delegada da Fundação Oriente (FO), que se sente “muito feliz e surpreendida, pela positiva, pelo resultado final das obras” realizadas por uma empresa contratada pelo Instituto Cultural (IC), “com larga experiência na revitalização urbana e dos edifícios históricos da cidade”.

Tendo o tópico da reabertura como pano de fundo, Catarina Cottinelli realçou o protagonismo que a mansão de traços europeus tem naquela zona da cidade, com três elementos, o Jardim de Camões, a Casa, que era toda a propriedade, e o cemitério protestante.

Por isso mesmo, e atendendo à sua classificação patrimonial, a responsável frisa que a Casa, “em termos de arquitectura, tem de ser mais desenvolvida”, havendo projectos em cima da mesa. “Vamos ver se conseguimos que saia para o próximo ano a reedição de um livro, que já existiu, mas que já não há, feito por Beltrão Coelho, que contava a história de quem por aqui passou, quem tinha habitado a casa, entre outros aspectos muito interessantes”, mencionou, transmitindo a ideia de que o lançamento dessa publicação seja acompanhado por uma pequena exposição.

Por ser também arquitecta de profissão, a delegada da FO “gostaria que houvesse mais descrição do ponto de vista de arquitectura e mais investigação, para que pudéssemos perceber um bocadinho o que fez com que esta casa ficasse com este aspecto”.

Adianta ainda que a Casa Garden, através do tempo, “sofreu algumas alterações, por variadíssimas razões, daí haver uma série de coisas que no futuro gostaria de poder ter nesse livro, ou seja, uma história mais densa sobre a arquitectura do edifício”, reconhecendo que o IC tem feito igualmente alguma pesquisa, existindo uma publicação em chinês. No fundo, diz, “é juntar toda essa informação e fazer um livro, uma monografia, sobre a Casa Garden, mas sob o ponto de vista da sua arquitectura, da sua importância neste sítio do Centro Histórico de Macau”.

“Estamos nesta embalagem de um novo ciclo, por assim dizer, porque vamos abrir ao fim de cinco meses”, salienta.

Alguns eventos integram “Junho, mês de Portugal”

A Casa Garden volta assim a estar em condições de receber actividades, algumas das quais estão inseridas nas comemorações do 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. “Estes eventos não só reforçam o intercâmbio cultural sino-lusófono, mas também enriquecem o panorama cultural de Macau, promovendo um espaço de diálogo e interacção entre culturas”, refere um comunicado da FO.

A reabertura segue “extensas reformas” que restauraram a Casa Garden, com o apoio do IC, garantindo a “preservação da sua importância arquitectónica e cultural para as futuras gerações”, reforça a nota. No espaço vão ter lugar eventos diversificados, incluindo workshops, palestras e iniciativas interactivas que “estimularão o intercâmbio cultural entre Macau e o mundo”.

Além disso, acrescenta a nota de imprensa, a sua revitalização reflecte “um compromisso com a manutenção da rica história de Macau”, ao mesmo tempo que “promove o intercâmbio cultural e o envolvimento da comunidade”.

Os primeiros eventos do revitalizado “quartel-general” da FO serão duas grandes exposições nas suas galerias principal e temporária, para além de uma mostra de cinema português, que será exibida no seu auditório. De 3 a 29 de Junho, a Casa Garden será palco das exposições “Quando a Ilha Projecta Suas Sombras” e “Objectos com Alma”.

A primeira, que não faz parte das actividades incluídas na programação do “Junho, mês de Portugal”, é “Uma Retrospectiva de Frank Lei”, que homenageia o legado deste fotógrafo contemporâneo, apresentando mais de 60 obras, a preto e branco, assim como um livro e objectos pessoais, que abrangem a sua carreira desde a década de 1990 até aos projectos mais recentes.

“É um artista local, que tem uma visão sobre os espaços, sobre a vivência de Macau, em que as pessoas são no fundo o foco das suas fotografias, tiradas em sítios que agora já não são reconhecíveis, porque foram alterados, certamente para melhor”, defende Catarina Cottinelli, para quem a exposição “é uma perspectiva e um olhar do que acontecia de carácter social aqui em Macau”.

A segunda exposição, já integrada no “Mês de Portugal”, destaca a rica tradição da marioneta portuguesa. Com um acervo de mais de 1000 marionetas de diversas épocas e estilos, da colecção privada de Elisa Vilaça, curadora do evento, os visitantes terão a oportunidade de explorar as técnicas de construção e manipulação que tornam esta forma de arte única. “A exposição não só celebra a história da marioneta, como também enfatiza o seu papel educativo e cultural”, frisa a FO.

Quanto à variante cinematográfica, organizada em colaboração com a Portugal Film e a associação CUT, da Cinemateca Paixão, apresentará uma selecção de filmes em português, iniciada com a exibição de “Greice”, de Leonardo Mouramateus, aclamado em festivais de cinema de todo o mundo. A mostra divulgará também uma série de curtas-metragens inovadoras, evidenciando o panorama do cinema português contemporâneo.

De referir que estas iniciativas integradas na programação do “Junho, mês de Portugal” arrancam já amanhã, quinta-feira, com a inauguração da exposição “Diálogos da Criatividade”, com 50 obras de 24 artistas portugueses contemporâneos, promovida pela Amagao na Galeria do Hotel Artyzen Grand Lapa.

Há mais dois eventos neste mês de Maio. Na sexta-feira, a Somos – Associação de Comunicação de Língua Portuguesa organiza a exposição de fotografia “O Homem e o Divino”, no Parisian. No sábado, é inaugurada mais uma mostra fotográfica, denominada “Património Cultural de Macau”, acompanhada de visionamento do documentário “Heritople”, que terá lugar no Consulado-Geral de Portugal, com organização do Instituto Internacional de Macau.

Todas as restantes actividades decorrerão durante o mês de Junho. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 25 de janeiro de 2025

Macau - Presidente da Fundação Oriente lamenta “falta de vontade” de Portugal para resolver problemas da Escola Portuguesa

O presidente da Fundação Oriente está de novo em Macau e vai reunir-se com a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, revelou, em entrevista ao Jornal Tribuna de Macau. No encontro com O Lam, Carlos Monjardino irá abordar, entre outros temas, a necessidade de um maior apoio ao Instituto Português do Oriente por parte do Executivo do território. O dirigente da Fundação Oriente considera que o papel do IPOR é “muito importante no trabalho que tem sido feito em termos de ensino do português a chineses”. Sobre a Escola Portuguesa de Macau, sublinha que o Governo de Portugal não tem mostrado tanta “vontade” como se desejava para resolver “os problemas pendentes” no estabelecimento de ensino



O trabalho desenvolvido pelo Instituto Português do Oriente (IPOR) em Macau, no que diz respeito ao ensino da língua portuguesa, “terá de ser mais apoiado pelo Governo do território”, considera o presidente do Conselho de Administração da Fundação Oriente.

Em mais uma visita à RAEM, antes de rumar a Goa, onde vai participar nas comemorações dos 30 anos da instalação da Fundação Oriente naquela antiga colónia lusa, Carlos Monjardino insiste na necessidade de haver uma maior ajuda ao IPOR, uma questão que já tinha enfatizado há cerca de um ano quando se deslocou ao território.

À semelhança do que fez então, o presidente da Fundação Oriente vai voltar a chamar a atenção do Governo da RAEM para esta matéria, através de uma reunião agendada com a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam.

“Vou sensibilizá-la para a necessidade de haver uma maior ajuda ao trabalho que tem sido desenvolvido pelo IPOR no ensino da língua portuguesa a chineses, e não propriamente a portugueses nem a outras nacionalidades”, adiantou Carlos Monjardino, ao sublinhar que “o IPOR tem um papel de grande importância que merecia um maior apoio das entidades da RAEM”.

Em entrevista ao Jornal Tribuna de Macau, o dirigente da Fundação Oriente abordou igualmente a questão da falta de professores que a Escola Portuguesa de Macau (EPM) tem sentido nos últimos tempos.

Carlos Monjardino considera que “tem de haver boa vontade do Governo de Portugal para a resolução dos problemas que estão pendentes”. Até agora, “essa vontade não tem existido, ou pelo menos não tem sido tão boa quanto seria de esperar para uma escola que tem um papel fundamental no ensino do português fora de Portugal”, lamentou.

“A Escola Portuguesa deveria ser mais acarinhada e os problemas resolvidos mais rapidamente”, acentuou o responsável da Fundação Oriente, instituição cuja saída da estrutura gestora da EPM foi oficializada em Setembro de 2015, numa altura em que já não contribuía para o orçamento do estabelecimento de ensino. Na altura, com a formalização dos novos estatutos, estabeleceu-se também a mudança permanente para Macau da sede da Fundação da Escola Portuguesa.

Relativamente à velha questão das instalações do edifício da Escola Portuguesa, o presidente da Fundação Oriente lamentou que isso não tivesse sido resolvido há anos. O local onde se situava o antigo Hotel Estoril chegou a ser apontado como uma hipótese para uma eventual mudança de instalações, entre diversas possibilidades exploradas ao longo de vários anos, entre as quais a venda do terreno à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM).

“O edifício estava paredes meias com o casino [Grand Lisboa] e não fazia sentido ter ali uma escola tão encostada ao casino”, lembra Carlos Monjardino. Provavelmente, “para a STDM dava jeito e nós íamos buscar dinheiro para depois fazermos as instalações da EPM noutro local”, acrescentou.

Questionado sobre os factores que impediram a concretização desses planos, o dirigente da Fundação Oriente disse não fazer ideia das razões. “Isso já me ultrapassa, foi fora do meu reinado, digamos assim”, referiu, confirmando que, na altura, a Fundação atribuiu uma verba, que não foi retribuída pelo facto de não ter havido mudança de instalações. “Na altura, houve com certeza uma reacção da minha parte, mas a verba também não foi assim tão avultada, pelo que me lembro”, observou, sem indicar um valor concreto.

Em Abril de 2014, o então ministro da Educação e Ciência de Portugal encerrou o ‘dossiê’ EPM, anunciando formalmente que a instituição manter-se-ia nas instalações onde continua a funcionar actualmente. A decisão teve em consideração dois aspectos: o da estabilidade do local e dos alunos e professores e o da duração da localização escolhida, segundo explicou na altura Nuno Crato.

Relativamente ao destino da verba concedida pela Sociedade de Jogos de Macau, de Stanley Ho, à Fundação Escola Portuguesa de Macau, de cerca de 65 milhões de patacas, para a mudança de instalações da EPM – que não se realizou – o ministro atestou então que “há, de facto, um donativo”, depositado nas contas da Fundação, pelo que “há um processo de diálogo que a fundação agora vai ter de encetar com a SJM, porque parte desse donativo estava assegurado para o funcionamento da escola”.

Numa entrevista que concedeu ao JTM em Abril de 2023, Carlos Monjardino dizia que teria de haver uma solução para a questão das instalações da EPM, contudo, ressalvava: “Muito francamente eu não vejo também razão para estar a aumentar muito as instalações da Escola Portuguesa, porque a procura é relativamente pequena, é aquela que é e vai crescer pouco. Porque são os filhos dos expatriados, quem quer fazer cursos em Lisboa…”. Confrontado com a realidade do crescimento do número de alunos de língua materna chinesa a ingressar na Escola, Monjardino insistia, ainda assim, que o aumento da procura pelo ensino na Escola Portuguesa ou pelo ensino do Português aqui seria “pouco”. “Se me enganar, ainda bem”, acrescentava.

Obras na Casa Garden finalizadas em Maio

Relativamente às obras na Casa Garden, Carlos Monjardino – que desempenhou também o cargo de governador substituto do Governo de Macau entre 1986 e 1987 – deseja que a conclusão seja uma realidade em Abril. “Mas, a delegada Catarina Cottinelli disse-me que talvez só em finais de Maio”, adiantou.

Este edifício histórico, situado no Centro Histórico de Macau e classificado como Património Mundial da UNESCO, é considerado um marco significativo do património cultural da região. Construída no final do século XVIII, a Casa Garden tem sido um espaço de intercâmbio cultural e social, além de ser a sede da Fundação Oriente, cuja missão é servir a comunidade local e promover a cultura.

As obras, que tiveram início no mês de Dezembro, incluem a recuperação do exterior, a consolidação da estrutura da cobertura e fachadas, bem como o restauro dos elementos arquitectónicos que compõem a fachada, como as persianas e outros detalhes decorativos.

A empreitada vai ser subsidiada pelo Instituto Cultural, a quem a Fundação Oriente agradeceu pelo “apoio fundamental” e pela “contribuição para a implementação do Plano de Salvaguarda do Património Histórico de Macau”, segundo referiu anteriormente o organismo.

“Esta colaboração é vital para garantir que a Casa Garden não só mantém a sua integridade estrutural, mas também continua a ser um espaço activo de cultura e diálogo”, sublinhou a Fundação Oriente. Sublinhou ainda que a renovação é motivo de entusiasmo, sendo que, uma vez concluídas as obras, a Fundação Oriente espera reiniciar as actividades culturais, “que são essenciais para a comunidade de Macau”. Vítor Rebelo *Macau in “Jornal Tribuna de Macau” 


quarta-feira, 29 de maio de 2024

Macau - Francisco Ricarte apresenta exposição de fotografia seguida de workshop para jovens iniciantes na arte

Um fim-de-semana cheio de actividades para todos os amantes da fotografia. O arquitecto e fotógrafo Francisco Ricarte apresentará dois dias de imersão na arte da imagem, através de uma exposição que pretende incentivar os jovens a ganhar mais interesse pela fotografia e um workshop que demonstrará o ofício na prática. Uma organização da Casa de Portugal em Macau (CPM) e com patrocínio da Fundação Macau, estes dois eventos fazem parte do programa “Junho, Mês de Portugal na RAEM”. A exposição inaugura este sábado, dia 1 de Junho, às 17h. No dia seguinte, a primeira sessão do workshop dará início às 10h30. Ambos eventos serão realizados na Casa Garden


O mês de Junho arranca com uma série de novas actividades culturais que marcam as celebrações do Dia de Portugal, anualmente comemorado no dia 10 de Junho. Para inaugurar a entrada no primeiro dia do mês com uma pertinente contribuição para o âmbito artístico de Macau e em celebração ao Dia Mundial da Criança, Francisco Ricarte, arquitecto e fotógrafo, apresenta dois eventos inteiramente ligados à arte da fotografia, uma exposição e um workshop, dividido em duas sessões.

A exposição leva o nome “Para os olhos dos jovens (de espírito)” e reúne 23 registos fotográficos, que pretendem instigar um interesse mais aprofundado pela fotografia aos jovens iniciantes na arte. Com imagens a apresentar intrigantes momentos corriqueiros e situações inesperadas do dia-a-dia, carregam em si algum humor e ironia, que dessa forma poderão captar a atenção da camada mais jovem da população e surpreender os espectadores mais velhos – jovens de espírito – através da curiosidade e da brincadeira.

Por entre as fotografias de rua, o fotógrafo também incluiu registos de performances de grande intensidade coreográfica e visual, para não só apresentar o lado mais sensível da fotografia, como introduzir os espectadores ao poder pictórico da produção de imagens.

“A fotografia, pela sua imensa abrangência e possibilidades criativas, tem sido um instrumento fundamental no desenvolvimento das artes visuais”, diz Ricarte. Ultimamente, tem sido figura central na divulgação da fotografia como arte independente e influente no âmbito das artes visuais existentes em Macau. Membro fundador da associação Halftone, tem vindo a realizar várias exposições e eventos que contribuem para a expansão desta prática como forma de expressão entre o público da região.

“Sob variadas abordagens estéticas e tecnológicas, esta forma de expressão artística (a fotografia) tem-nos dado a conhecer facetas tão fascinantes e diversificadas, como o meio natural e construído que nos rodeiam, bem como das nossas aspirações e manifestações culturais, entre muitas outras facetas da condição humana”, esclareceu.

Foi através deste deslumbre, por uma prática aparentemente banal nos tempos de hoje, que o artista pretende demonstrar o universo de possibilidades e a influência que uma boa fotografia pode ter na sociedade.

Para complementar este primeiro dia de imersão na arte de Francisco Ricarte, a Casa de Portugal em Macau, que está activamente envolvida na organização e divulgação de actividades artísticas durante este próximo “Mês de Portugal”, em conjunto com o apoio financeiro da Fundação Macau, decidiu organizar, para além da exposição, duas sessões de aprendizagem da prática da fotografia, que instigará os jovens participantes a aplicarem os conhecimentos adquiridos com as obras observadas no dia anterior.

Com Francisco Ricarte como monitor, os workshops de domingo, dia 2 de Junho, são divididos em duas sessões de duas horas cada uma, com a primeira direccionada para jovens entre 8 e 11 anos, a dar início às 10h30 da manhã. A segunda sessão dá início às 15h e é aberta a jovens a partir dos 12 anos de idade. Máquinas fotográficas Polaroid serão disponibilizadas aos participantes pela organização. As sessões são limitadas a 10 vagas cada uma, e a CPM sugere reservar com antecedência a inscrição, através dos contactos que podem ser encontrados no programa “Junho, Mês de Portugal na RAEM”.

Para além da CPM, estes dois eventos recebem o apoio institucional do Consulado Geral de Portugal em Macau, AICEP, Fundação Oriente e IPOR. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Macau - A “mapamorfose” analisada através de exposição, vídeo e palestra na Fundação Oriente

“Mapamorphosis: 500 Anos de Cartografia” propõe que se contemple a forma como a paisagem da cidade se tem transformado ao longo dos últimos cinco séculos. Promovida pela Associação Cultural 10 Marias, a exposição cartográfica conta ainda com um vídeo e um seminário na Casa Garden com Priscilla Roberts, Nuno Soares, Marco Caboara e José Sales Marques


“Na era pré-colonial, a área de Macau estava reduzida a uns meros três quilómetros quadrados. O seu processo de expansão deu-se, a partir do século XVI, com o estabelecimento dos portugueses e a ‘conquista’ de território. Durante a segunda metade do século XX, a área terrestre de Macau aumentou aceleradamente, passando de 15 quilómetros quadrados em 1972 para 21 quilómetros quadrados em 1994. Hoje, a área terrestre é aproximadamente de 32 quilómetros quadrados, com uma população de cerca de 680 mil, sendo Macau uma das cidades do mundo com maior densidade populacional”. Este texto serve de introdução à nova exposição que estreia no próximo dia 6 de Fevereiro, terça-feira, na Casa Garden. Intitulada “Mapamorphosis: 500 Anos de Cartografia”, e promovida pela Associação Cultural 10 Marias, a mostra cartográfica propõe um olhar diferente sobre a evolução da paisagem da cidade, recorrendo para isso a mapas de fontes e épocas diferentes que serão expostos no local.

Uma ideia original de Marco Rizzolio e com a curadoria de Pedro Luz, a exposição de imagens cartográficas de Macau conta ainda com uma projecção videográfica da autoria de Pedro Luz que traça a evolução geográfica e respectivo desenvolvimento da cidade.

Em nota, a associação organizadora acrescentou que no dia da abertura da exposição decorrerá ainda no auditório da Casa Garden, pelas 18h30, um seminário que versará sobre a temática do crescimento urbano e transformação da paisagem de Macau ao longo dos séculos. Este seminário, que será dirigido em língua inglesa, conta com a moderação de Marco Rizzolio e a presença dos oradores Priscilla Roberts, Nuno Soares, Marco Caboara e Jose Sales Marques.  Priscilla Roberts é historiadora e professora associada da Universidade de São José (USJ) e Nuno Soares é arquitecto paisagista e responsável pelo departamento de Arquitectura e Design da mesma universidade. Marco Caboara, por seu turno, é professor sénior em História da Cartografia na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, ao passo que José Sales Marques, para além de presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau e economista de formação, foi presidente da extinta Câmara de Macau entre 1992 e 2001.

A Associação Cultural 10 Marias acredita que a exposição “representa um importante acervo cartográfico de Macau com manifesto interesse pedagógico e didático”, recorrendo para isso às “novas tecnologias”, através da projecção videográfica. Esta projecção “com base em cartografias, mapas e imagens satélites”, destacou a associação, “promove o conhecimento da geografia de Macau e divulga o seu desenvolvimento histórico-económico, de forma interativa e informativa”. “Mapamorphosis: 500 Anos de Cartografia” está patente na galeria da Casa Garden até ao dia 17 de Março, e conta com o apoio da Fundação Oriente, do Fundo de Desenvolvimento da Cultura, da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses e a Ginja do Senado. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


domingo, 7 de janeiro de 2024

Macau – Associação “Somos!” inaugura sexta-feira nova exposição

Francisco Ricarte é o curador da nova exposição de fotografia da “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa”, que será inaugurada na próxima sexta-feira. “Somos Imagens da Lusofonia 2022 – Na Solidão dos Dias” é o nome da mostra patente na Casa Garden que nasce de um concurso organizado pela associação


A “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa” (Somos – ACLP) inaugura esta sexta-feira, 12, a partir das 18h30, a exposição “Somos Imagens da Lusofonia 2022 – Na Solidão dos Dias”, que estará patente até ao dia 28 deste mês na Casa Garden.

A mostra conta com curadoria do arquitecto Francisco Ricarte, apresentando as fotografias vencedoras do concurso lançado em Julho do ano passado, assim como as menções honrosas e outras imagens que o júri considerou relevantes por promoverem a comunicação em língua portuguesa e a disseminação das tradições e características lusófonas.

A quarta edição deste concurso de fotografia, organizado anualmente pela “Somos!”, teve como mote “uma autorreflexão fotográfica sobre a solidão vivida nos dias de restrições impostas globalmente pelas autoridades sanitárias, medidas que causaram medo, solidão e deixaram-nos órfãos de afectos”, esclarece a associação em comunicado. Assim, as imagens seleccionadas “transbordam o que sentiram as comunidades dos países de língua portuguesa e de Macau nesse período”, pretendendo-se agora, “com o devido distanciamento, dar uma visão de como se vai fechando esse ciclo de solidão”.

Dos vencedores

O brasileiro Raphael Alves foi o grande vencedor do concurso com a fotografia intitulada “Insulae”, arrecadando, desta forma, o primeiro prémio, no valor de dez mil patacas. A imagem foi captada num cemitério em Manaus, no Brasil. Na memória descritiva, Raphael Alves refere que a fotografia retrata as desigualdades socioeconómicas e a “falta de políticas para a região mostraram a fragilidade do maior estado brasileiro, o Amazonas”. “Durante a pandemia de covid-19, apenas três familiares de cada vítima podiam comparecer aos enterros nos cemitérios de Manaus. Uma morte isolada”, acrescentou.

O segundo prémio, no valor de cinco mil patacas, foi atribuído ao português Jorge Meira, que apresentou a fotografia “Safe Distance”, tirada em Julho de 2020 em Vila Praia de Âncora, depois do plano de desconfinamento do Governo português que previa um distanciamento de 1,5 metros entre veraneantes. “Alguns fizeram marcações na areia para garantirem o cumprimento das medidas governamentais.

Por sua vez, Dário Paraíso arrecadou o terceiro prémio, de 3500 patacas, com uma imagem de São Tomé, captada no Mercado de Bobo Forro em 2020. A “Espera”, descreve a paragem no tempo há muito conhecida de São Tomé e Príncipe que “após a sua independência, as estruturas físicas e matérias pararam no tempo de mãos dadas com as estruturas imateriais (…) Aqui já se sabia o seu significado. Isolamento. Insularidade. Distâncias. Separação.”

Outras distinções

Este ano foram também atribuídas três menções honrosas, nomeadamente a Bruno Taveira com a fotografia “Em busca do essencial”, que retrata uma fila de pessoas na busca incessante de bens alimentares, de primeira necessidade, nos supermercados no Concelho de Cascais, logo após o Governo português decretar o estado de emergência.

Por sua vez, Rodrigo Cabrita foi distinguido com “Solidão Colectiva”, uma imagem descritiva do dia-a-dia da sua própria família, o “eu” inserido numa espécie de solidão colectiva, esbatida pelas tecnologias. Já o moçambicano Marcos Júnior destacou-se com a fotografia “Distância”, onde o fotógrafo refere nunca ter imaginado que uma doença pudesse impedir os afectos, sobretudo de alguém que saiu do seu ventre.

O concurso fotográfico foi aberto a todos os cidadãos dos países e regiões da Lusofonia e residentes de Macau, com fotografias tiradas em qualquer um destes locais: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste ou Goa, Damão e Diu.

O painel de jurados foi composto por um grupo de fotojornalistas de Macau, Brasil e Portugal, designadamente Gonçalo Lobo Pinheiro, presidente do júri e representante da Somos – ACLP, Rui Miguel Pedrosa; Francisco Ricarte; Marcio Pimenta e Henry Milleo. In “Hoje Macau” - Macau


segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Macau - Festival Literário avança detalhes do programa completo

Para além do programa já anunciado, com a vinda dos autores portugueses Francisco José Viegas e Valério Romão, o Festival Literário de Macau revelou mais nomes e detalhes do programa da sua 12.ª edição que junta escritores da Grande Baía e da Lusofonia em Macau entre os dias 6 e 15 de Outubro. A par da literatura contemporânea, prestar-se-á tributo a nomes grandes do passado: Camões, Shakespeare, W.H. Auden e J.R.R. Tolkien


Depois de três edições em que o Festival Literário de Macau, devido à pandemia, apenas pôde contar com a presença de autores locais, o evento deste ano marca o regresso de convidados vindos de fora. Segundo um comunicado enviado ontem às redacções pela organização, de Portugal chegam Valério Romão e Patrícia Portela, dois jovens escritores que têm em comum a originalidade das suas obras e passagens anteriores por Macau. Já António Caeiro, outro dos convidados, é um veterano do jornalismo com largos anos de trabalho na China. No festival vai apresentar o seu último trabalho, “Os Retornados de Xangai”. Francisco José Viegas, nome já anunciado, é o único dos participantes do exterior que já antes esteve no Rota das Letras, em 2015. Vem agora para falar das suas mais recentes novelas policiais, “Melancholia” e “Luz em Pequim”, e também para apresentar duas obras da editora Quetzal, que dirige: “O Jogo das Escondidas”, romance póstumo de Fernando Sobral antes publicado em fascículos pelo jornal Hoje Macau; e “Jornadas pelo Mundo”, do Conde de Arnoso, que retrata Macau e a China de finais do séc. XIX.

O centenário do nascimento de Henrique de Senna Fernandes abre o festival a 6 de Outubro, com o lançamento do primeiro livro de ensaios sobre a produção literária do escritor macaense, trabalho dirigido e coordenado por Lola Xavier e Pedro d’Alte, ambos professores da Universidade Politécnica de Macau. Na mesa deste primeiro painel vai estar ainda Miguel de Senna Fernandes, também autor e filho do homenageado. Antes desta sessão, e logo após a cerimónia de abertura do 12.º Festival Literário de Macau, vai ser inaugurada na galeria da Livraria Portuguesa a primeira exposição individual de pintura do artista norte-americano Benjamin Hodges, académico que reside em Macau há vários anos.

Este ano, o Rota das Letras vai ter a sua base, numa primeira fase, na Livraria Portuguesa, de 6 a 8 de Outubro, e depois na Casa Garden, sede da Fundação Oriente, no fim de semana de 13 a 15 do mesmo mês. Por ambos os espaços vão também passar vários autores de Macau ou aqui baseados: Joe Tang, Erica Lei, Yang Sio Mann, Isaac Pereira, Rui Rasquinho, Rui Farinha Simões, Paulo Cardinal, José Basto da Silva, Marisa C. Gaspar, Andrew Pearson, Tim Simpson, Joshua Ehrlich. Este último, historiador, vai apresentar a obra que recentemente publicou sobre a Companhia Britânica das Índia Orientais, justamente num espaço que outrora lhe serviu de sede, a Casa Garden.

A Grande Baía vai estar representada por nomes importantes das letras chinesas. Deng Yiguang, escritor de etnia mongol nascido em Chongqing, mas hoje baseado em Shenzhen, é um autor já galardoado com o Prémio Literário Lu Xun, um dos mais importantes da China.

Os seus romances estão traduzidos em várias línguas estrangeiras e têm sido, frequentemente, adaptados ao cinema. Fu Zhen, natural de Nanchang, em Jiangxi, agora radicada em Hong Kong, é uma das escritoras mais influentes da nova geração. Vem a Macau falar do seu primeiro romance, “Zebra”, e também dos vários livros de viagens que já publicou. Wang Weilian é outro dos jovens autores chineses de maior talento. Sinal disso, o ter sido distinguido com o Prémio Literário Mao Dun para Novos Autores e com a medalha de ouro na mais importante competição literária da China para obras de ficção científica.

Vem de Cantão, como vem também Zhu Shanbo, autor de vários romances históricos e colecções de contos. Xiao Hai, hoje a viver em Pequim, é um representante da chamada poesia operária chinesa, um género literário que está a ressurgir na China. No Festival Rota das Letras, vai partilhar a mesa de uma sessão com Valério Romão, que recentemente tem vindo a trabalhar este tema de forma performativa.

Sara Ferreira Costa, poeta, escritora e tradutora portuguesa, já esteve antes envolvida na organização do Rota das Letras, e volta agora como convidada. Vai apresentar a sua poesia e dirigir uma oficina sobre a tradução de poemas chineses, coordenando uma sessão livre de poesia, a ter lugar no bar Vasco’s, no hotel Artyzen-Grand Lapa.

Com o quinto centenário do nascimento do grande poeta português Luís Vaz de Camões a aproximar-se a passos largos – é já em 2024 –, o escritor e jornalista Carlos Morais José, director do Hoje Macau, vai entrevistar na Livraria Portuguesa Edward Wilson-Lee, professor da Universidade de Cambridge e autor de “A History of Water” – uma biografia de Camões que narra também, em paralelo, a vida de Damião de Góis. O autor britânico é especialista em literatura do Renascimento e vai juntar-se aos professores da Universidade de Macau, Glenn Timmermans e Nick Groom, seus compatriotas, na celebração de um outro marco importante da história da literatura: a publicação, há 400 anos, do primeiro livro inteiramente dedicado à dramaturgia de William Shakespeare – o “First Folio”. Noutras sessões do evento, Timmermans vai ainda evocar a figura do poeta britânico W.H. Auden, e Groom vai apresentar a edição mais recente do seu ensaio sobre a obra de J.R.R. Tolkien.

Quanto à fotografia, outra arte com lugar já reservado em cada edição do Festival Literário, vai estar novamente presente através do lançamento de obras da autoria de Rusty Fox e Francisco Ricarte, e do lançamento do sexto número da revista Halftone. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”





quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Macau - “She Left Her Body”, exposição de Clara Brito, na Casa Garden a partir de 23 de Setembro

Fruto da sua residência artística na Fundação Oriente, a designer Clara Brito concebeu em parceria com outros artistas locais uma exposição que recorre ao desenho, colagem e caligrafia chinesa para explorar “sentimentos interiores” e promover a literacia emocional, pegando ainda em diferentes formas de artesanato tradicional do Delta do Rio das Pérolas


Em colaboração com outros artistas locais, a exposição de artes visuais de Clara Brito “She Left Her Body” poderá ser visitada na Casa Garden a partir de 23 de Setembro. Com o objectivo de promover a literacia emocional, a exposição apresenta obras bidimensionais, com recurso a um conjunto de técnicas que vão desde o desenho, colagem, caligrafia chinesa e ‘lase’, bem como peças tridimensionais para serem usadas em instalações e espectáculos, indicou a nota da organização. O processo de colaboração entre Clara Brito, curadora e artista principal, e Elsa Lei Pui Mio, designer de luz, Lora Lo Iok Iong, designer de moda, e Mandy Cheuk, maquilhadora, resultou numa uma exposição de artes visuais sobre “emoções, sentimentos interiores e comportamentos, que utiliza diferentes formas de artesanato tradicional desta parte do mundo”.

A exposição é organizada pela Associação Cultural +853 e pela Fundação Oriente, na sequência da actual residência artística da designer, e conta ainda com o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura, da Casa de Portugal em Macau, do Centro de Produtividade de Transferência de Tecnologia de Macau, da Faculdade de Gestão da Universidade da Cidade de Macau, e da Livraria Portuguesa.

A ideia nasceu em 2021, fruto de uma experiência própria de Clara Brito. “Estava a fazer leituras e a escrever sobre uma fase da minha vida em que estava bastante infeliz, e as emoções que conseguia visualizar nesses momentos assemelhavam-se quase a um sentimento que eu tinha saído do meu corpo, para poder sair daquele momento e desligar as minhas emoções”, recorda. Em Psicologia, a artista aprendeu que isso se chama dissociação, um termo usado para identificar a sensação em que se abandona o corpo para ultrapassar situações muito desafiadoras. Isso levou-a a este projecto, que visa informar as pessoas sobre literacia emocional para “permitir que os outros tenham uma vida melhor”.

Tomando como base a utilização de materiais de artesanato tradicional da região, Clara Brito explicou que aproveitou a oportunidade da exposição para “fazer uma pesquisa mais aprofundada desses materiais e utilizá-los como ferramenta mediática para fazer um trabalho artístico e explorar esses conceitos”.

A exposição “She Left Her Body” está sob a alçada do projecto “Tomorrow’s Heritage”: co-criado por uma comunidade de criativos, investigadores, designers e indústrias tradicionais de artesanato e têxteis sediadas na área da Grande Baía e nos Países de Língua Portuguesa, “Tomorrow’s Heritage” tem como objectivo “especular, investigar e documentar, nestes diferentes cantos do mundo, as crenças culturais vivas e os padrões de comportamento dos seus cidadãos e do seu património cultural secular de artesanato e indústria têxtil”.

O objectivo é de “não só documentar e mapear as indústrias tradicionais de Macau e do Sul da China – que são alguns dos materiais que tenho trabalhado ao longo do meu trabalho como designer nos últimos 20 anos – mas também explorar e documentar as indústrias tradicionais de Portugal e dos Países de Língua Portuguesa, e usar essas pesquisas e esses materiais numa abordagem mais contemporânea”, explica.

Fundada em 2006, a Associação Cultural +853 tem desenvolvido, todos os anos, projectos criativos e culturais em Macau, indicou a associação em nota.  Desde 2010, começou a desenvolver projectos culturais e criativos com Portugal. Em 2015 “deu os primeiros passos para exportar o património histórico cultural de Macau para as cidades mais relevantes do Delta do Rio das Pérolas”. No seu portefólio de experiências, a Associação Cultural +853 organizou o “This Is My City”, um festival que acontece anualmente, desde 2006, e a exposição de fotografia “Língua Franca”, organizada em 2019 em cooperação com o Instituto Cultural de Macau. Em 2020, organizou também a exposição “Outros Portos – Outros Olhares” na galeria dos Maus Hábitos na cidade do Porto em Portugal. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”




terça-feira, 21 de março de 2023

Macau - Ana Paula Cleto realça “importantíssimo papel” da Fundação Oriente em vários campos

Um evento musical assinalou a passagem do 35º aniversário da Fundação Oriente, realizado no sábado no exterior da Casa Garden, onde marcaram presença algumas dezenas de convidados. Na mesma ocasião, Ana Paula Cleto despediu-se oficialmente do cargo de delegada da instituição, no qual será substituída por Catarina Cottinelli, a partir de Abril. Ana Paula Cleto agradeceu às associações culturais, aos artistas, aos criadores, ao Governo de Macau, “por terem ajudado a fazer um melhor trabalho”, nestes 13 anos em que foi responsável pela Fundação Oriente no território, considerando que a instituição “desempenhou um importantíssimo papel no espaço cultural e não só”


Espectáculo ao ar livre nos jardins da Casa Garden, com canções brasileiras de Bossa Nova, interpretadas por Jandira Silva, e de fado, na voz de Rita Portela, preencheram o final de tarde de sábado de algumas dezenas de convidados, onde não faltaram, entre outros, Raimundo do Rosário, Secretário para os Transportes e Obras Públicas e Alexandre Leitão, Cônsul de Portugal para Macau e Hong Kong.

Lá estiveram também diversos artistas e associações culturais do território, para um evento que serviu para assinalar os 35 anos da Fundação Oriente (FO), ao mesmo tempo que marcou a despedida oficial de Ana Paula Cleto como delegada da instituição, cargo que irá ser ocupado, a partir de Abril, por Catarina Cottinelli.

No seu discurso e antes das actuações musicais, Ana Paula Cleto agradeceu todo o apoio prestado neste período em que foi delegada da Fundação Oriente em Macau, associações culturais, artistas, criadores, Governo e amigos, “que ajudaram a fazer um melhor trabalho”, desejando depois sucesso à sua sucessora.

Logo a seguir ao programa musical e no decorrer de um cocktail que juntou bastantes convidados, Ana Paula Cleto falou ao Jornal Tribuna de Macau sobre o período em que esteve envolvida na orientação das actividades da FO em Macau, reforçando a ideia de a presença da Fundação Oriente, “antes da minha participação como delegada”, já desempenhava – porque nasceu aqui a 18 de Março de 1988 – “um papel importantíssimo para o espaço cultural e não só, também educativo, filantrópico, social”.

A delegada cessante da FO diz que “é importante relembrar que a Fundação é sócia fundadora do Instituto Português do Oriente e tem ainda hoje uma presença muito forte naquele Instituto, isto para além de ter sido igualmente importante no lançamento da Escola Portuguesa”.

Num balanço da sua permanência no cargo, Ana Paula Cleto considera que “foi um trabalho de continuidade daquilo que a Fundação Oriente vinha fazendo há vários anos, mas, claro, todos nós somos pessoas diferentes umas das outras”. Recordando a passagem dos seus antecessores, João Amorim e Rui Rocha, defendeu que “todos nós fizemos um bom trabalho”.

Projectos delineados até ao final do ano

A ainda delegada, uma vez que irá gozar férias antes de oficialmente sair do cargo e passar o testemunho a Catarina Cottinelli, deixa projectos já aprovados para todo o ano de 2023. “Eu defini esse plano, porque é estabelecido no ano anterior, fui que o programei, só que não sou eu que os vou concretizar”.

No entanto, garante, “vou dar apoio à Catarina Cottinelli, sempre que me for solicitado, porque estou disponível para ajudar”.

A saída, decidida de livre vontade, em pleno período da pandemia, “acabou por ser uma consequência disso mesmo”, apesar de reconhecer que se não fosse a pandemia talvez não tivesse decidido sair tão cedo.

“Não estou arrependida. Foi uma decisão que começou a ser tomada há um ano, muito pensada, é perfeitamente tranquilo, não há nenhum problema com isso. Mas, é verdade também que a pandemia, aquilo que nós vivemos em Macau e o facto de termos estado aqui fechados, sem fim à vista, provocou em mim alguns sentimentos. Quero ser uma pessoa livre e isso não era uma condição que se adaptava à minha maneira de ser. Sou uma mulher de espírito livre. Aguentei, estive aqui estoicamente dois anos e meio sem sair, mas é altura de pensar na vida”, relata Ana Paula Cleto.

Após 13 anos no cargo, diz que vai a Portugal por cinco meses e regressará a Macau para mais três. “Tenho aqui uma casa, o meu marido tem uma empresa em Macau”, portanto, a ligação vai continuar. “Não concebo a ideia de nunca mais vir a Macau, esta é a minha terra, vivi aqui mais tempo do que em Portugal”, confessa. “Tenho projectos pessoais e familiares e quero dedicar-me mais à família, quero estar em Portugal, quero estar entre Portugal e Macau, mas não tinha condições para estar aqui em permanência”.

Ana Paula Cleto, de 62 anos, e em Macau há 33, sente-se feliz por ter decidido fazer a partir de agora só aquilo que quer. “Estou feliz por aquilo que acho que fiz, mas um pouco triste porque gosto da Fundação”.

No que diz respeito à sua sucessora, salienta que Paula Cottinelli “tem muito boas ideias, tem muita energia, portanto boa onda e penso que isso pode dar continuidade ao trabalho que tem sido feito até agora”. “Tenho fé e acredito que ela vai fazer tão bem ou melhor do que eu”.

A concluir a entrevista, Paula Cleto considera que “valeu a pena todo este tempo em que tenho permanecido em Macau, onde tenho sido muito feliz”, depois de ter chegado com 29 anos. “Os anos mais importantes são os do amadurecimento e aqui tive a possibilidade de conhecer gente dos mais variados quadrantes, de todos os lados, isso dá-nos uma mundividência que não é possível vivendo só em Portugal”.

Catarina Cottinelli quer reforçar ligação com comunidade chinesa

Catarina Cottinelli esteve quase sempre ao lado de Ana Paula Cleto durante o evento que decorreu na Casa Garden, o que demonstra a proximidade que existe entre as duas e terá também como objectivo o trabalho em conjunto nesta fase de transição.

“Conto muito com ela, até porque o programa para este ano está já delineado e será importante o apoio da Paula Cleto neste período inicial quando eu assumir oficialmente o cargo”, disse a arquitecta, para quem o contacto com o exterior será muito importante, nesta altura em que estão abertas as fronteiras, “para que possamos trazer mais gente, não só de Portugal como de outros países”.

Numa curta conversa, Catarina Cottinelli falou de uma aposta também no reforço da relação com a comunidade chinesa e da Grande Baía em particular.

A nova responsável pela Fundação Oriente em Macau espera “contar com toda a gente” para dar continuidade ao que tem sido feito e “a Paula fez um óptimo trabalho”.

Monjardino pede garantias para os portugueses

Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente, apelou à preservação dos interesses dos cidadãos portugueses que vivem em Macau. No dia do 35º aniversário da instituição, Monjardino disse à Rádio Macau que espera que os governantes da RAEM “mantenham algumas garantias consagradas pelos portugueses” e que estes “não percam as condições que sempre tiveram em Macau”. Carlos Monjardino deverá visitar o território em Abril, antes de Ho Iat Seng se deslocar a Portugal. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”



quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Macau - Catarina Cottinelli ocupa em abril chefia da Fundação Oriente em Macau

Catarina Cottinelli será a nova delegada da Fundação Oriente em Macau. A arquitecta de profissão, antiga professora na Universidade de São José, irá suceder a Ana Paula Cleto, que deixará o cargo em Abril. Encarando o cargo de delegada como “um novo desafio”, Catarina Cottinelli tem como objectivo divulgar e promover o espólio da instituição


Catarina Cottinelli aceitou o convite endereçado pelo presidente da Fundação Oriente, Carlos Monjardino, para assumir a função de delegada da instituição em Macau a partir de Abril, substituindo Ana Paula Cleto, que assumiu funções em 2010. Para Catarina Cottinelli, este é “um novo desafio pessoal e profissional”.

A nova delegada diz também assumir as novas funções “com o intuito de divulgar e promover o espólio da Fundação Oriente, que merece ser conhecido por todos.”

A Fundação Oriente salienta, em comunicado, que a escolha de Catarina Cottinelli “decorre em linha com os objectivos estratégicos da delegação na RAEM, no sentido de dar continuidade ao plano de actividades culturais, educativas e sociais e da promoção da língua e cultura portuguesas, quer através de iniciativas próprias, quer por via de parcerias com entidades locais ou da concessão de subsídios.”

Filha do também arquitecto Daciano da Costa, Catarina Cottinelli está em Macau desde 2018, tendo leccionado na Universidade de São José. No ano passado, apresentou a primeira exposição individual “Desenhar Macau”, no âmbito das comemorações do 10 de Junho no território.

Na altura e a propósito da exposição, que deu uma maior visibilidade a esta faceta de Catarina Cottinelli, a autora dos trabalhos disse ter investido numa área que desconhecia, que é a pintura “e que se encontrava na gaveta devido ao último surto epidémico, reflectindo os espaços icónicos de Macau.”

Licenciada em arquitectura pela Universidade Técnica de Lisboa, Catarina Cottinelli possui, entre outros, mestrado em Cor na Arquitectura e doutoramento em Design, tendo obtido o grau de estudos Avançados em Design, também na Faculdade de Arquitectura de Lisboa.

Recorde-se de que a delegação de Macau da Fundação Oriente, instalada na Casa Garden e que passará a ser chefiada a partir de Abril por Catarina Cottinelli, foi estabelecida em 1988 e, além das actividades culturais, tem tido igualmente uma intervenção decisiva, a par com o Camões-Instituto de Cooperação e da Língua, criado em 1989, na ligação de Macau a Portugal, através da promoção da língua e culturas portuguesas. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”