Uma exposição de poemas de vários escritores portugueses, seleccionados por Pedro D’Alte e ilustrados pelo artista Joaquim Franco, assinala o arranque da primeira edição do Festival de Língua Portuguesa, promovido pela Casa de Portugal. A mostra na Casa Garden serve também para celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa. O festival, que se prolongará até 18 de Junho, inclui ainda momentos de leitura, histórias contadas nas escolas, workshops de escrita criativa, espectáculo de marionetes, um concerto e uma peça de teatro. Para Elisa Vilaça, “é necessário haver algo que nos lembre a importância da língua portuguesa e da sua preservação, sendo a poesia um elemento de referência”
Pela primeira vez, a Casa de Portugal
promove o Festival de Língua Portuguesa, organizando uma série de actividades
que têm hoje início, precisamente no Dia Mundial da Língua Portuguesa, com a
inauguração de uma exposição na Casa Garden, pelas 18h30. A mostra combina 16
poemas de vários escritores portugueses e outros países de expressão
portuguesa, como Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Mia Couto, José Luís
Peixoto e José Craveirinha, que abrangem desde o século XVI até à actualidade,
seleccionados pelo académico Pedro D’Alte, com a ilustração de igual número de
pinturas de acrílico em tela produzidas pelo artista Joaquim Franco.
“As ilustrações vão ser expostas em paralelo com os
poemas, cujos textos acompanham a interpretação do artista”, disse ao Jornal Tribuna
de Macau a curadora da exposição Elisa Vilaça.
O objectivo nesta exibição, em conjunto com o restante
programa do festival, é dar “maior ênfase à língua portuguesa, que é bem
importante hoje, mais do que nunca”, sublinhou a directora artística da Casa de
Portugal.
Ao abordar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, Elisa
Vilaça considera que a preservação da língua é fundamental. “Para tudo, não só
como uma profunda raiz daquilo que foi feito em Macau, ao longo de 450 anos,
mas principalmente agora, com todo esse sistema de globalização, que nós temos
a consciência de que a língua portuguesa é falada em imensos países”, sublinha.
Lembrando que o Português é a quinta língua mais falada
em todo o mundo, admite que “por vezes nós esquecemo-nos disso, da importância
que temos a nível de linguística e do que tem sido feito pelos escritores”.
Nesse sentido, defende, “é necessário haver algo que nos lembre a importância
da língua portuguesa e da sua preservação, sendo a poesia um elemento de
referência”.
Por tudo isso, diz, “há uma mensagem que tem de ser passada sobre a preservação da nossa língua e no cruzamento com as diferentes culturas que nós encontramos em Macau”.
Para a curadora da exposição, “a única coisa que é muito
importante fazer neste momento é tentar cativar cada vez mais a população
jovem, que, quem sabe, poderá permanecer por aqui, ou procurar os seus
empregos, o seu futuro, noutras paragens”. Para além da comunidade portuguesa e
de representantes de outros países lusófonos estabelecidos em Macau, “a
comunidade chinesa, desenvolvendo e interessando-se pela língua, ela própria
também terá, no futuro, um meio e uma ferramenta importante na inter-relação com
os diferentes países, inclusivamente Portugal”.
Mesmo considerando que “a história é uma coisa que se vai
esquecendo”, considera que a língua é “um elo importantíssimo” e faz parte
dessa história. “Por isso, afirma que “devemos fazer uma sensibilização cada
vez maior em termos da divulgação da cultura e da língua, não só entre a
comunidade portuguesa, mas principalmente na comunidade chinesa que é a maior
em Macau”.
Histórias com marionetas contadas nas escolas
Assim sendo, o Festival da Língua Portuguesa, que começa
esta tarde com a inauguração da exposição, que se manterá até ao dia 24 deste
mês, “surge nesse sentido de sensibilizar para a importância da preservação,
contando inclusivamente histórias aos alunos e às crianças de algumas escolas,
como forma de os motivar a familiarizarem-se com a língua portuguesa”,
menciona.
Os estabelecimentos abrangidos pelas conversas,
intituladas “Contar Histórias”, da responsabilidade da própria Elisa Vilaça,
são o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, a Escola Sir Robert Ho Tung e
a Escola Luís Gonzaga Gomes, onde haverá espectáculos de marionetas a partir de
13 de Maio e prolongando-se até Junho.
Trata-se de uma mistura das marionetas com o texto em si,
numa “história mimada”, porque tem “a minha participação, não só como
manipulador, mas como próprio autor”, refere, acrescentando que,
“contrariamente ao que acontece quando faço espectáculos de marionetas em
Macau, em que não tenho palavra, apenas música, neste caso, como é dedicado à
língua portuguesa, o português vai ter maior predominância, utilizando no fundo
a marioneta como um elemento de comunicação entre as crianças”.
Nos restantes pontos do programa do Festival, destaque para “Pausa para Ler”, que terá por palco a Casa Garden, no dia 8 de Maio, das 18h30 às 20h00, e para dois workshops de “Escrita Criativa”. O primeiro no dia 15, entre as 19h00 e as 21h00, para maiores de 18 anos, e o segundo, a 16, entre as 15h00 e as 17h00, para maiores de 15 anos, orientados por Paula Pinto. Ambos serão realizados na sede da Casa de Portugal.
Enquanto isto, está agendado um concerto para o dia 16, a
partir das 19h00, na Casa Garden, com Tomás Ramos de Deus, Miguel Andrade,
Paulo Pereira, Irawan Kusuma, Luís Bento e outros músicos convidados.
O festival, que conta com o apoio da Fundação Macau e da
Fundação Oriente, encerrará a 18 de Junho com a peça “O Pior Professor do
Mundo” protagonizada pelo Teatro João de Brito, no Auditório da Escola Portuguesa
de Macau, pelas 19h00, estando reservada uma sessão para os alunos e outra
aberta ao público.
Conversas em Português no Café do IPOR
Por forma a celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa e
os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o Instituto Português
do Oriente (IPOR) vai organizar hoje e amanhã, entre as 18h30 e as 20h30, um
evento especial em formato de conversas rápidas. As “Conversas em Português à
Volta do Mundo” decorrerão no Café Oriente no IPOR e destinam-se a estudantes
ou “curiosos” que não têm o Português como língua materna. Segundo o IPOR, os
participantes poderão, em várias mesas, conversar durante 5 a 7 minutos com
falantes nativos de Português. Quem passar por todas as mesas terá direito a um
prémio. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”
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