Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Elisa Vilaça. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Elisa Vilaça. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Macau - Casa Garden revitalizada recebe eventos do “Junho, Mês de Portugal”

A reabertura da Casa Garden, depois de cinco meses de obras de consolidação e reparação do exterior, inicia um novo ciclo para o icónico edifício da responsabilidade da Fundação Oriente. O protagonismo da mansão de traços europeus numa zona histórica da cidade “tem de ser mais desenvolvido”, disse Catarina Cottinelli ao Jornal Tribuna de Macau. A Fundação prepara a reedição de um livro, uma monografia, que conte a história da Casa Garden, que deverá ser lançado no próximo ano, juntamente com uma pequena exposição. De “cara lavada”, o espaço vai abrir oficialmente numa cerimónia a realizar a 17 de Junho, mas antes receberá actividades culturais especiais, inseridas na programação do “Junho, mês de Portugal”


Após cinco meses de trabalhos de consolidação e reparação de exteriores, a icónica Casa Garden, com mais de dois séculos de história, vai abrir as portas ao público com alguns eventos no início do próximo mês. Uma cerimónia a realizar às 18h00 no dia 17 de Junho assinalará oficialmente a reabertura do espaço.

Coincidindo com os 20 anos do Centro Histórico de Macau, o edifício, construído em 1770 e classificado como Património da Humanidade pela UNESCO em 2005, está pronto para dar continuidade às actividades que desenvolve a nível cultural.

As obras apenas mexeram na fachada, ou seja, no visual exterior, incluindo a impermeabilização das coberturas, não se tendo realizado “qualquer intervenção no interior”, segundo referiu ao Jornal Tribuna de Macau a delegada da Fundação Oriente (FO), que se sente “muito feliz e surpreendida, pela positiva, pelo resultado final das obras” realizadas por uma empresa contratada pelo Instituto Cultural (IC), “com larga experiência na revitalização urbana e dos edifícios históricos da cidade”.

Tendo o tópico da reabertura como pano de fundo, Catarina Cottinelli realçou o protagonismo que a mansão de traços europeus tem naquela zona da cidade, com três elementos, o Jardim de Camões, a Casa, que era toda a propriedade, e o cemitério protestante.

Por isso mesmo, e atendendo à sua classificação patrimonial, a responsável frisa que a Casa, “em termos de arquitectura, tem de ser mais desenvolvida”, havendo projectos em cima da mesa. “Vamos ver se conseguimos que saia para o próximo ano a reedição de um livro, que já existiu, mas que já não há, feito por Beltrão Coelho, que contava a história de quem por aqui passou, quem tinha habitado a casa, entre outros aspectos muito interessantes”, mencionou, transmitindo a ideia de que o lançamento dessa publicação seja acompanhado por uma pequena exposição.

Por ser também arquitecta de profissão, a delegada da FO “gostaria que houvesse mais descrição do ponto de vista de arquitectura e mais investigação, para que pudéssemos perceber um bocadinho o que fez com que esta casa ficasse com este aspecto”.

Adianta ainda que a Casa Garden, através do tempo, “sofreu algumas alterações, por variadíssimas razões, daí haver uma série de coisas que no futuro gostaria de poder ter nesse livro, ou seja, uma história mais densa sobre a arquitectura do edifício”, reconhecendo que o IC tem feito igualmente alguma pesquisa, existindo uma publicação em chinês. No fundo, diz, “é juntar toda essa informação e fazer um livro, uma monografia, sobre a Casa Garden, mas sob o ponto de vista da sua arquitectura, da sua importância neste sítio do Centro Histórico de Macau”.

“Estamos nesta embalagem de um novo ciclo, por assim dizer, porque vamos abrir ao fim de cinco meses”, salienta.

Alguns eventos integram “Junho, mês de Portugal”

A Casa Garden volta assim a estar em condições de receber actividades, algumas das quais estão inseridas nas comemorações do 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. “Estes eventos não só reforçam o intercâmbio cultural sino-lusófono, mas também enriquecem o panorama cultural de Macau, promovendo um espaço de diálogo e interacção entre culturas”, refere um comunicado da FO.

A reabertura segue “extensas reformas” que restauraram a Casa Garden, com o apoio do IC, garantindo a “preservação da sua importância arquitectónica e cultural para as futuras gerações”, reforça a nota. No espaço vão ter lugar eventos diversificados, incluindo workshops, palestras e iniciativas interactivas que “estimularão o intercâmbio cultural entre Macau e o mundo”.

Além disso, acrescenta a nota de imprensa, a sua revitalização reflecte “um compromisso com a manutenção da rica história de Macau”, ao mesmo tempo que “promove o intercâmbio cultural e o envolvimento da comunidade”.

Os primeiros eventos do revitalizado “quartel-general” da FO serão duas grandes exposições nas suas galerias principal e temporária, para além de uma mostra de cinema português, que será exibida no seu auditório. De 3 a 29 de Junho, a Casa Garden será palco das exposições “Quando a Ilha Projecta Suas Sombras” e “Objectos com Alma”.

A primeira, que não faz parte das actividades incluídas na programação do “Junho, mês de Portugal”, é “Uma Retrospectiva de Frank Lei”, que homenageia o legado deste fotógrafo contemporâneo, apresentando mais de 60 obras, a preto e branco, assim como um livro e objectos pessoais, que abrangem a sua carreira desde a década de 1990 até aos projectos mais recentes.

“É um artista local, que tem uma visão sobre os espaços, sobre a vivência de Macau, em que as pessoas são no fundo o foco das suas fotografias, tiradas em sítios que agora já não são reconhecíveis, porque foram alterados, certamente para melhor”, defende Catarina Cottinelli, para quem a exposição “é uma perspectiva e um olhar do que acontecia de carácter social aqui em Macau”.

A segunda exposição, já integrada no “Mês de Portugal”, destaca a rica tradição da marioneta portuguesa. Com um acervo de mais de 1000 marionetas de diversas épocas e estilos, da colecção privada de Elisa Vilaça, curadora do evento, os visitantes terão a oportunidade de explorar as técnicas de construção e manipulação que tornam esta forma de arte única. “A exposição não só celebra a história da marioneta, como também enfatiza o seu papel educativo e cultural”, frisa a FO.

Quanto à variante cinematográfica, organizada em colaboração com a Portugal Film e a associação CUT, da Cinemateca Paixão, apresentará uma selecção de filmes em português, iniciada com a exibição de “Greice”, de Leonardo Mouramateus, aclamado em festivais de cinema de todo o mundo. A mostra divulgará também uma série de curtas-metragens inovadoras, evidenciando o panorama do cinema português contemporâneo.

De referir que estas iniciativas integradas na programação do “Junho, mês de Portugal” arrancam já amanhã, quinta-feira, com a inauguração da exposição “Diálogos da Criatividade”, com 50 obras de 24 artistas portugueses contemporâneos, promovida pela Amagao na Galeria do Hotel Artyzen Grand Lapa.

Há mais dois eventos neste mês de Maio. Na sexta-feira, a Somos – Associação de Comunicação de Língua Portuguesa organiza a exposição de fotografia “O Homem e o Divino”, no Parisian. No sábado, é inaugurada mais uma mostra fotográfica, denominada “Património Cultural de Macau”, acompanhada de visionamento do documentário “Heritople”, que terá lugar no Consulado-Geral de Portugal, com organização do Instituto Internacional de Macau.

Todas as restantes actividades decorrerão durante o mês de Junho. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Macau - O 7.º Encontro das Marionetas de Elisa Vilaça: A celebração de uma década de pedagogia a brincar

No domingo celebra-se a aprendizagem através dos bonecos na exposição e nos espectáculos do 7.º Encontro das Marionetas da Casa de Portugal. A magia e pedagogia do mundo das marionetas, desenvolvidas em Macau pela professora Elisa Vilaça, vão estar expostas através de uma cenografia de seis diferentes histórias


A Casa de Portugal realiza, no domingo, a inauguração o 7.º Encontro de Marionetas e vai apresentar, de domingo até ao dia 28 deste mês, diversas actividades e espectáculos, tais como uma exposição onde 50 marionetas artesanais estarão expostas em diferentes cenários. No último dia, realizam-se dois espectáculos diferentes de encerramento.

Elisa Vilaça, formada em Ciências da Educação e professora primária, está no epicentro do mundo das marionetas em Macau e, ao Ponto Final, explicou que este ano o evento vai ser constituído por três momentos. Na inauguração da exposição estarão patentes 50 marionetas de variados géneros, todas elas construídas por Elisa Vilaça durante os dez anos em que trabalhou na Casa de Portugal.

“Há 10 anos que estou aqui a trabalhar e durante este período foram realizadas algumas paradas e teatros de marionetas, e todos os bonecos que foram feitos por mim estão agora aqui expostos”, refere, acrescentando: “Como o evento pretende ter também uma vertente bastante pedagógica, é na Residência Consular que a exposição vai estar patente, e é constituída por diferentes tipos de bonecos, com várias técnicas de manipulação, de fios, de varas, de manipulação directa, etc.”.

A vertente pedagógica, explica a professora, reflecte-se nas histórias contadas através das marionetas, que servem, em grande parte, de veículo para a transmissão de mensagens e de formação. “Na exposição, podemos encontrar, por exemplo, uma história que é contada só com sapatos, ou outra que é feita apenas com materiais reciclados, aliás, toda a cenografia é feita com caixas de madeira aproveitadas”, assinala.

O conteúdo da exposição, que gira em torno da cenografia de seis diferentes histórias, são um recordar das marionetas e histórias que já foram apresentadas nos encontros dos outros anos e também, no Instituto Cultural, dentro do Festival de Artes. A primeira história é a do “Capuchinho Vermelho”, há também o cenário de “Encantos”, a do “Circo”, a do “Sonho”, a do “Gato Que Ensinou a Gaivota a Voar”, a o “Arraial” e depois “há também umas outras figuras já mais num contexto literário”, refere.

As histórias representadas umas são criadas pela própria professora e outras são histórias infantis populares. “O ‘Encanto’, o ‘Sonho’ e o ‘Arraial’ são as histórias criadas por mim, mas o ‘Arraial’ é muito baseado nos nossos reflexos portugueses, feito dentro de uma barraca, à imagem das nossas”, reflecte.

Todas as marionetas representadas na exposição foram feitas por Elisa Vilaça. “Este ano representa os dez anos que eu estou a trabalhar na Casa de Portugal, o que eu produzi a nível de espectáculos esta aqui tudo concentrado”, explica.

Elisa Vilaça confessa que mais que fazer o espectáculo, o importante é criar bonecos que a própria possa explorar nas várias vertentes com as crianças nas escolas. “É fundamental”, assinala, completando: “Eu digo sempre que a marioneta é um objecto utilizado numa leitura transversal. Seja a criança que for, do país em que vive, da religião que tem, do seu contexto sociocultural, socioeconómico, a reacção das crianças perante os bonecos e os espectáculos é toda a mesma”, nota.

Os dois espectáculos de marionetas, serão ambos no dia 28, nomeadamente, “Era Uma Vez”, de Elisa Vilaça, com a manipulação da própria e também de José Nyogeri e Sérgio Feiteira, que conta uma história sem linguagem além da musical. “É uma história baseada principalmente na forma como as pessoas comunicam nas diferentes culturas, seja o país que for, todo ele tem o contexto cultural muito próprio, com as suas tradições, e essas tradições vão passando graves de uma história que é contada dentro de uma barraca”, explica. Este espectáculo de duração de meia hora, será seguido de “O Jardineiro”, de Sérgio Rolo, manipulado pelo próprio, que conta a história de um jardineiro e do seu jardim ambulante. Joana Chantre – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Macau - Workshop para crianças de contos de histórias inspirados em Mia Couto, na Livraria Portuguesa

“Histórias contadas, criadas e abensonhadas” é um workshop para crianças, de seis sessões, onde serão apresentados contos de histórias do mundo lusófono com o intuito de despertar a importância da relação com o livro como objecto, o cultivo do hábito de leitura e do uso da imaginação



Amanhã realizar-se-á o segundo workshop do projecto “Histórias contadas, criadas e abensonhadas”, organizado por Elisa Vilaça, na Livraria Portuguesa, havendo posteriormente ainda mais quatro sessões, que se realizarão nos sábados seguintes, no mesmo local.

O Ponto Final falou com Elisa Vilaça que explicou um pouco sobre este projecto de contos de histórias para crianças. “O workshop funciona, no fundo, um pouco para incentivar os jovens à leitura e à familiarização também com o objecto livro, porque hoje em dia, mais do que nunca, as crianças têm uma série de elementos, novas tecnologias, e isso tudo que normalmente se sobrepõe à leitura, à história, ao estar atento, ao imaginário… por isso é fundamental que não seja esquecido, não é?”, disse a antiga professora primária.

Elisa Vilaça explica que uma actividade destas vem no contexto de criar um pouco de “magia” através do conto de histórias, da metodologia que é aplicada no conto, no próprio momento de contar a história, com a presença do próprio livro. O mostrar das imagens ou ilustrações do livro são também um aspecto importante para que o conto se vá desenvolvendo, considera Elisa Vilaça, juntamente com o tipo de linguagem muito especial, própria do estilo literário.

A responsável pelo workshop disse que haverá também histórias inventadas, criadas e contadas pela própria e recriadas a partir de histórias existentes, algo que também é importante para o desenvolvimento das crianças, considera Vilaça, como “contos que muitas vezes são alterados no imaginário dos miúdos”. Outro exercício será o processo da história contada e imaginada também pela própria criança, como uma forma de explorar o seu imaginário.

O workshop terá a duração de uma hora e contará com inscrições limitadas a apenas oito lugares, para crianças dos 5 aos 9 anos de idade. A antiga professora explicou que a razão deve-se não só às limitações do próprio espaço da Livraria Portuguesa, como também atendendo aos problemas em relação ao confinamento e regras relacionadas com a pandemia.

Ao Ponto Final, Elisa Vilaça explicou o funcionamento do workshop: “As crianças chegam ao espaço, têm as suas próprias almofadas para se sentarem e eu começo a contar-lhes as histórias. Falo um bocadinho, faço uma breve apresentação, que muitas vezes é um exercício extra com as crianças. O início da sessão depende muito como eles chegam, se estão bem dispostos, se estão excitados… e realmente, neste contexto, é instigado por mim um pouco, tentar cativá-los para aquilo que vai ser feito nesse dia, porque todos os dias varia um bocadinho. O contexto é importante para determinar que tipo de história se vai fazer e como é que se pode começar a criar aquela situação de espanto nas crianças e deixá-las interessadas no que irá acontecer”, explicou a responsável pelo workshop, acrescentando que atendendo às faixas etárias, “o nível de dificuldade não pode ser muito grande”.

Elisa Vilaça trabalha com crianças há 40 anos e está também bastante envolvida no teatro de marionetes. Para a própria, trabalhar com crianças é quase como “uma rotina”, e sente-se à vontade para trabalhar com os mais jovens. Em Macau, explica, o maior desafio é que a maioria das crianças são de língua materna chinesa, isto é, crianças de etnia chinesa que estão interessadas em aprender o português.

Na primeira sessão do workshop, que decorreu no sábado passado, teve seis crianças inscritas que aderiram, sendo que quatro delas eram de língua materna chinesa e que pretendiam aperfeiçoar o português. “Isso é um desafio muito grande, porque é pô-las um pouco à prova e pedir-lhes para serem elas a contar, serem elas a explicar as coisas. É um desafio maior para uma criança que não domina completamente o português, do que para outra que domina, por isso, na própria selecção de histórias e na forma como elas são exploradas, tem que se ter atenção a essa capacidade de compreensão por parte das crianças que estão envolvidas no projecto”, prosseguiu.

Questionada acerca da ligação de Mia Couto a esta iniciativa, Elisa Vilaça esclarece que o workshop terá contos de “histórias do mundo”, principalmente de histórias ligadas aos países lusófonos, uma vez que Macau tem estado com “um trabalho e uma preocupação de uma interligação no processo das línguas lusófonas”. A menção a Mia Couto é apenas como uma inspiração para a própria, pois a organizadora tem um “apreço e uma dedicação muito especial” ao trabalho realizado pelo escritor moçambicano, especialmente devido ao imaginário e o tipo de linguagem que utiliza, e admite ser uma “leitora compulsiva” do escritor.

O workshop “Histórias contadas, criadas e abensonhadas” tem ainda duas vagas disponíveis, com um custo de 625 patacas por criança. Os interessados podem dirigir-se à Livraria Portuguesa para se inscreverem. Joana Chantre – Macau in “Ponto Final”

 

Joanachantre.pontofinal@gmail.com