Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Macau - Livraria Portuguesa inaugura mostra de Alexandre Simões

A exposição “What are you doing the rest of your life?”, do fotógrafo Alexandre Simões, vai ser inaugurada amanhã, dia 05, na Livraria Portuguesa, ficando patente ao público até 26 de Fevereiro.


“A exposição reúne um conjunto de imagens da década de 90 até à actualidade do fotógrafo Alexandre Simões. (…) Há uma devoção à fotografia analógica como narrativa na permanência na conexão com as pessoas e a vida real, os seus encontros e intimidade, com a presença da música e do cinema”, refere Liliana Gonçalves, citada na página do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

Aponta ainda que “a riqueza estética do seu trabalho atravessa o tempo autêntico que sobre(vive) e se retroalimenta no diálogo imagético permanente com o indelével e as suas camadas”. As fotografias de Alexandre Simões, acrescenta, “assumem a durabilidade do passado que se prolonga e amplia no presente, com narrativas de solidão, espectros da nostalgia, do amor e da ausência, do estilo de vida e as suas referências culturais, atravessados pela estética que assinala o seu desígnio. (…)”.

A inauguração da mostra de Alexandre Simões está agendada para as 18h00. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Macau - Ricardo Adolfo vem à Livraria Portuguesa apresentar “o Japão que não está na rua”

O escritor Ricardo Adolfo vai estar presente na Livraria Portuguesa para uma sessão de apresentação do seu mais recente livro, “A Chefe dos Maus”, já na próxima segunda-feira. Munido do mesmo tom sarcástico e mordaz que revelou nas suas obras anteriores, o autor apresenta uma crítica às convenções sociais japonesas e ao mundo corporativo global, onde as directrizes de diversidade coexistem, muitas vezes, com uma boa dose de hipocrisia. “Além de senhoras a trabalhar, temos de ter mais pessoas de mais cores e uns poucos deficientes”, anuncia o chefe de uma organização mafiosa japonesa a um grupo de homens atónitos. E assim começa uma viagem pelos cantos mais obscuros do Japão


Tóquio é uma cidade de camadas. Há a capital dos transportes públicos limpos e pontuais; das escadas rolantes em que se segue invariavelmente pela esquerda; da educação automática, quase maquinal, embutida nos “obrigados” e nas vénias de quarenta e cinco graus. Por baixo da educação polida à exaustão, esconde-se tudo aquilo que não convém discutir abertamente e que fica reservado para a intimidade. A vida nocturna. A sexualidade. O crime organizado.

Mas, na Tóquio moderna, até o submundo do crime tem de manter uma fachada apresentável. É este o ponto de partida para A Chefe dos Maus, o novo livro de Ricardo Adolfo: uma empresa de criminosos que tenta parecer legítima, ao ponto de até se esforçar por adoptar as mesmas políticas de diversidade que começam a ser exigidas pelo Japão fora. Entre bares de alterne, actividades ilícitas e manipulação, a revolução vem de onde menos se espera. Não dos clientes extorquidos, não das autoridades: no final, é uma mulher insegura e submissa quem desconstrói a hipocrisia deste submundo aparentemente inabalável.

Para Ricardo Adolfo, a escolha do tema do livro foi natural. Trabalha há cerca de vinte anos na área da publicidade, os últimos dez passados em Tóquio, e tem observado em primeira mão as mutações constantes do mundo corporativo – mas também a resistência feroz às mesmas. “O trabalho está a mudar, e tem de mudar. No entanto, ainda há muita resistência e muitos hábitos mais tradicionais, sobretudo num país como o Japão”, observa o escritor português, em conversa com o Ponto Final.

Os ventos da mudança, porém, fazem-se sentir por todo o mundo – e a Ásia Oriental não é excepção. “Há uma modernidade que entrou pelos nossos dias e deixou algumas empresas numa espécie de estado de choque. Todas estas coisas são novas, diferentes, e pensei que seria interessante explorar esta tensão”.

Ao tema da nova roupagem dos quadros de chefia, acrescenta-se uma sátira inteligente sobre as hierarquias patriarcais e os estereótipos de género e uma visão inédita sobre as empresas criminosas que proliferam no Japão. As ideias pré-concebidas dos ‘gangsters’ japoneses cobertos de tatuagens dos pés à cabeça talvez precisem de uma reinvenção mais adequada ao século XXI, segundo relata Ricardo Adolfo.

“Um dos grandes atractivos para a história foi perceber que estas empresas existem mesmo e que estão a fazer de tudo para parecerem normais, legítimas. Foi dito aos gangues: vocês não podem estar na rua, não podem ser bandidos à moda antiga; têm de pôr um fato e gravata, ter uma morada, pagar impostos”. E é o que tem acontecido. O submundo do crime sai das sombras, toma banho, perfuma-se e veste-se a rigor para continuar as suas condutas imorais, desta vez escondidas a céu aberto. “O cúmulo do fingimento é esse: até fingem a questão da diversidade. Fingem tudo. Foi essa mentira em cima da mentira que eu achei interessante”.

Como português radicado no Japão, Ricardo Afonso tem uma perspectiva observadora e atenta dos hábitos japoneses, incluindo aqueles que poderão passar despercebidos a um habitante autóctone. A “cultura muito específica, cerimoniosa, com ainda maiores cerimónias e formalidades à volta de uma mesa de reunião” foi retratada de forma fiel e espirituosa no livro, fruto de uma experiência imersiva de uma década. Os aspectos mais sensíveis, como as organizações criminosas e o seu funcionamento interno, exigiram outra abordagem.

“Foi uma mistura entre pesquisa teórica e pesquisa de terreno”, conta o autor. “Uma parte da pesquisa veio de livros e filmes, porque o Japão tem uma cultura muito rica de ficção à volta destes grupos criminosos. Quanto à outra, foi mesmo ir ao terreno e tentar falar com pessoas e descobrir algumas histórias. Há uma parte destas actividades menos legais que é feita à vista de toda a gente. A forma como eles emprestam dinheiro com taxas de juros muito elevadas… apesar de não ser legal, é público”.

Tal como os bares nocturnos em Kabukicho que a protagonista visita ao longo da sua jornada, onde é possível arrendar a companhia – e a ilusão temporária de intimidade – de jovens rapazes de aparência andrógena, rostos maquilhados e cabelos tingidos de loiro. “Há o Japão da rua, que toda a gente vê. Depois, entras numa porta e já não sabes onde estás. Essa exploração das várias camadas foi algo que adorei fazer. Gosto muito desse Japão que não está na rua”.

O universo masculino saqueado por uma mulher

“O seu universo estava prestes a ser saqueado por uma mulher”, lê-se na primeira metade do livro. A estagiária recém-promovida tinha acabado de chegar à sua primeira noite de formação num destes bares de ‘hosts’, para desagrado do Chefe de Entretenimento – um dos muitos chefes com quem teria de lidar nas páginas seguintes.

Dentro deste mundo hiper-masculino, foi dada voz a uma protagonista feminina. A assistente do Chefe dos Chefes sabe que não deve falar de forma inoportuna – isto é, sempre que não lhe seja expressamente pedido. As suas opiniões não importam. A sua presença é ignorada, na maior parte das vezes, e indesejada, quando começa a sua série de “estágios” em diferentes vertentes criminosas. Tudo em nome da diversidade, e não do valor que (não) lhe reconhecem.

Ricardo Adolfo não é estranho à perspectiva feminina, como o público já sabe desde os tempos de Mizé – Antes Galdéria do que Normal e Remediada, obra publicada em 2006. Apesar de ser “sempre um desafio” escrever sob o ponto de vista do sexo oposto, o autor reconhece nas suas personagens mulheres uma potencialidade dramática especial, assim como uma oportunidade para salientar “problemas sociais” ainda por extinguir.

“Acho que há problemas femininos mais interessantes e relevantes para serem debatidos hoje em dia. Não quer dizer que não haja problemas masculinos interessantes, mas quando se põe um ao lado do outro ainda há uma urgência maior em tentar contar histórias de um ponto de vista feminino, porque há desafios que só acontecem a uma mulher. E isso dá mais energia, relevância e contemporaneidade às histórias”.

Mizé é determinada, ambiciosa, cheia de confiança e amor-próprio. A estagiária, criada vinte anos depois no outro lado do mundo, é obediente e sossegada como exige a educação japonesa. Foi este o principal desafio do autor: não está apenas a escrever uma mulher, mas uma mulher japonesa. “Demorei muito tempo a escrever do ponto de vista japonês, apesar de já cá viver há muitos anos. Sempre tive algum receio”.

A Chefe dos Maus é o segundo dos seus romances a usar o Japão como pano de fundo para o desenrolar da acção. Um pano de fundo rico e dinâmico, cheio de detalhes inexistentes em qualquer outro lugar do mundo, que acaba por se tornar personagem própria. No entanto, se Tóquio Vive Longe da Terra, de 2015, conta a alienação de um estrangeiro numa cultura distante, o enredo do livro mais recente é construído a partir da perspectiva de uma mulher nascida e criada neste mundo paralelo.

“O ponto de vista de um homem estrangeiro era mais fácil… Foram precisos muitos anos a tentar ganhar coragem para escrever uma personagem feminina japonesa”. Publicado o livro, resta agora conhecer o ‘feedback’ das leitoras do Japão. “Acho que, do ponto de vista não japonês, a personagem feminina resulta. Agora tenho ainda de ouvir a segunda parte, que é a parte de cá”.

O primeiro dos seus livros a ser traduzido para japonês, Depois de Morrer Aconteceram-me Muitas Coisas, foi “surpreendentemente” bem acolhido pela comunidade local, apesar de o autor ser – por enquanto – “desconhecido” no Japão. “Como esse correu bem, este pode ter algumas hipóteses…” A expressão de Ricardo Adolfo abre-se num sorriso hesitante. “Apesar de ser um bocadinho crítico da sociedade japonesa, não é?”.

A sessão de apresentação de A Chefe dos Maus decorre na próxima segunda-feira, dia 22 de Dezembro, a partir das 18h30, com a presença do próprio autor. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Macau - Livraria Portuguesa recebe o fotógrafo brasileiro Ale Ruaro no final do mês

Ale Ruaro está de visita a Macau para uma conversa sobre o seu percurso profissional. Nos dias 24 e 25 deste mês, a Livraria Portuguesa acolhe uma sessão de apresentação do mais recente livro do artista, “Vestígios”, e uma sessão de partilha em que o fotógrafo brasileiro será convidado a falar sobre o seu trabalho e a sua visão artística


A obra do fotógrafo brasileiro Ale Ruaro vai ser homenageada na Livraria Portuguesa no final do mês, nos dias 24 e 25 de Novembro. O evento, organizado conjuntamente pela livraria e pela associação Halftone, será realizado em língua portuguesa e contará com a presença do fotógrafo no último dia, terça-feira.

A primeira sessão tem início pelas 18h do dia 24, uma segunda-feira, com a apresentação do livro Vestígios. Publicada pela editora Selo Vertigem, a obra reúne uma série de imagens “abstractas, desfocadas e, por vezes, estranhamento inquietantes”, como descrito na sinopse, que impelem o espectador a imergir num “mundo que parece escapar à lógica do olho nu”.

Num comunicado de imprensa emitido pela organização do evento, lê-se ainda que “a obra reúne mais de duas décadas de pesquisa visual e desconstrução da linguagem fotográfica, propondo uma reflexão sobre a fotografia expandida” e criando, assim, “uma abordagem que ultrapassa os limites da representação tradicional e convida o público a questionar percepções e significados”.

No dia seguinte, também pelas 18h, a Livraria Portuguesa recebe o fotógrafo brasileiro para uma conversa sobre a arte da fotografia, em geral, e o seu trabalho, em particular. Neste diálogo com o público, Ale Ruaro vai partilhar o seu percurso de três décadas e a visão artística que caracteriza a sua obra, com uma predilecção por retratos e detalhes da figura humana.

O artista nascido no Rio de Janeiro dedica-se à fotografia desde 1995, tendo começado por fotografar teatro, publicidade e arquitectura. A nota biográfica publicada na sua página oficial revela que, depois de 14 anos de dessatisfação com a fotografia comercial, acabou por queimar todas as imagens produzidas até então e dar início ao seu trabalho como artista.

Desde então, já publicou dez foto-livros, participou em feiras e concursos brasileiros e internacionais e viu a sua obra exposta em mostras individuais e colectivas, tanto em galerias privadas como em conceituados espaços culturais como o Museu de Arte Contemporânea de Niterói ou o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli.

As suas imagens são invariavelmente captadas a preto e branco, fazendo uso de uma iluminação contrastada e densa que, segundo a organização, evoca “os contornos e a atmosfera de pintores holandeses como Vermeer e Rembrandt”. O seu olhar artístico é “suave, amoroso e solidário”, procurando questionar preconceitos e desconstruir a concepção de “normal” ou “convencional”.

Para além da associação Halftone e da Livraria Portuguesa, a visita de Ale Ruaro a Macau conta ainda com o apoio da Fundação Oriente, da agência COM Viagens, do Consulado Geral do Brasil em Hong Kong e Macau, da Universidade de São José e do Leitorado do Instituto Guimarães Rosa – USJ Macau. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 11 de julho de 2025

Macau - Exposição fotográfica retrata Timor-Leste através do olhar íntimo de Ruy de Lacló

A Livraria Portuguesa acolhe, até 17 de Julho, a exposição fotográfica “O Que Os Meus Olhos Veem”, de Ruy de Lacló. A mostra oferece um registo íntimo e sensível de Timor-Leste, fruto da vivência do fotógrafo no país enquanto participante no projecto C.A.F.E. – Centros de Aprendizagem e Formação Escolar. A mostra apresenta um conjunto de imagens que capturam o quotidiano timorense com particular sensibilidade. Lacló, que trabalhou como formador neste sistema educativo, traz na objectiva a autenticidade das suas experiências junto das comunidades locais. As fotografias revelam não apenas paisagens, mas sobretudo o pulsar humano de um Timor-Leste que o autor conhece por dentro. Um país em transformação educativa.


O projecto C.A.F.E., focado na formação de professores timorenses, insere-se no âmbito da cooperação educativa entre Portugal e Timor-Leste, que remonta a 2010 com a criação das Escolas de Referência Ruy Cinatti. Através de sucessivos protocolos, este projecto evoluiu para o actual sistema C.A.F.E., que hoje abrange todos os 13 municípios timorenses, servindo cerca de 9500 alunos e envolvendo mais de 300 professores. O modelo, que combina ensino em língua portuguesa com formação docente, representa um dos pilares da cooperação bilateral na área da educação. A exposição estará patente durante o horário normal de funcionamento da Livraria Portuguesa, convidando os visitantes a uma imersão na realidade timorense.

O ponto alto será no dia 17 de Julho, às 18h00, com um encontro que contará com a presença do autor. Nesta sessão especial, para além do habitual finissage, será lançada uma publicação que complementa a mostra fotográfica. Organizada pela Livraria Portuguesa em colaboração com o fotógrafo e com o apoio da SOMOS – ACLP e do Banco Nacional Ultramarino, entre outros, esta exposição reforça a ponte cultural entre Macau e o espaço lusófono. “O Que Os Meus Olhos Veem” oferece assim uma dupla perspectiva: a do olhar artístico de Lacló e a do testemunho de um projecto de cooperação que tem marcado profundamente o sistema educativo timorense, revelando como a colaboração internacional na educação se entrelaça com o quotidiano das comunidades locais. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 11 de abril de 2025

Macau - D’As Entranhas apresenta exposição fotográfica sobre a beleza do quotidiano da Região

A Galeria de Arte da Livraria Portuguesa vai receber a exposição fotográfica “Remains of The City”, um projecto de Pedro Paz e organizado pela d’As Entranhas Macau – Associação Cultural. Com inauguração marcada para a próxima terça-feira, 15 de Abril, a colecção de 33 fotografias propõe a recuperação da paisagem “banal e efémera” das ruas de Macau, tantas vezes ignorada pelos habitantes, numa carta de amor à “beleza das pequenas coisas do quotidiano”



A d’as Entranhas Macau – Associação Cultural vai apresentar a exposição fotográfica “Remains of the City”, de Pedro Paz, entre os dias 15 de Abril e 6 de Maio, na Galeria de Arte da Livraria Portuguesa. A inauguração acontece na próxima terça-feira, às 18:30, com entrada livre.

A mostra reúne uma selecção de 33 fotografias a cores captadas entre 2018 e 2020 em câmara de telemóvel, “por opção e como forma de expressão artística”. Dividida em três séries (“You’ve Got Mail”, “Framing the Invisible” e “Where Chaos Meets Color”), a compilação vem apresentar uma visão de Macau centrada em detalhes cénicos repletos de cor, história e significado que ajudam a traçar o retrato contemporâneo da identidade macaense, resultado de uma miscelânea de culturas e realidades.

De acordo com um comunicado de imprensa da associação d’As Entranhas, a abordagem “pictórica, sem a presença humana” das casas, objectos e arquitectura do território servem como convite ao público para que observe “o quotidiano urbano de Macau de uma outra forma, onde os detalhes que muitas vezes nos passam despercebidos se transformam em composições poéticas de impacto estético”.

A intenção dos 33 trabalhos reunidos nesta mostra, prossegue a associação, é a de permitir que a fotografia se assuma como mais do que um retrato estático, mas uma experiência imersiva de reflexão e exploração do território. “O trabalho do autor vai além do instante: imortalizando fragmentos da realidade, conferindo-lhes profundidade, destacando detalhes do quotidiano que escapam ao olhar apressado dos habitantes da cidade”, lê-se, na nota enviada à imprensa. “O seu trabalho revela o invisível no visível e propõe uma reflexão sobre as camadas profundas da realidade, onde o banal e o efémero se eternizam. Observar e reflectir sobre estas fotografias oferece uma experiência que vai além do olhar. Cada imagem convida-nos a redescobrir o significado e a beleza das pequenas coisas do quotidiano”.

Pedro Paz nasceu em Lisboa, em 1979, tendo passado a infância em Macau até aos 18 anos, em 1997. Licenciado em História, com vertente em Arte e Património, o fotógrafo acabou por regressar às “ruas e ruelas históricas que marcaram a sua infância” em 2012, “redescobrindo elementos de um passado distante” e “paisagens urbanas, texturas, lugares ‘não habitados’” que agora apresenta ao público de Macau nesta exposição.

A d’As Entranhas Macau – Associação Cultural é uma estrutura de criação e difusão artística sediada em Macau que promove a difusão da arte contemporânea em diferentes áreas. Para além da organizadora, o evento é ainda patrocinado pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura do Governo da RAEM e conta com o apoio da Livraria Portuguesa. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 7 de abril de 2025

Macau - Anabela Leal de Barros levou contos e lendas de Timor-Leste à Livraria Portuguesa

A autora Anabela Leal de Barros esteve na Livraria Portuguesa no passado sábado para discursar sobre a literatura timorense de tradição oral.



De acordo com uma nota publicada pela Livraria Portuguesa, a autora “tem-se dedicado desde 2002 à recolha e edição de literatura timorense de tradição oral e ao estudo diacrónico do português timorense, tendo já publicados sete livros de contos e lendas de Timor-Leste”. Para além dos trabalhos de compilação e investigação sobre este tema, é também professora no Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos da Universidade do Minho e investigadora do Centro de Estudos Humanísticos, em Portugal.

Entre os vários livros que constam na bibliografia da autora, destacam-se aqueles que têm como objecto de estudo a tradição oral timorense na forma de contos, lendas e fábulas. O primeiro trabalho publicado sobre esta área de estudo foi “Contos e Lendas de Timor-Leste”, em 2014, que reuniu 31 contos populares e lendas da região. Seguiu-se “Rumando de Lés a Leste – Contos e Lendas de Oecusse”, uma comemoração dos 500 anos da chegada dos portugueses à ex-colónia. O lançamento do livro teve lugar em Macau, na Fundação Rui Cunha, no ano de 2017.

As compilações “O Galo do Oriente – Contos e Lendas de Timor-Leste” e “A Rainha da Lua – Contos e Lendas de Oecusse Timor-Leste” surgiram em 2018 e 2019, respectivamente, contando este último com 64 contos e lendas recolhidos directamente em Oecusse, enclave situado na parte ocidental da ilha de Timor. “Os Ovos de Ouro – Contos e Lendas de Timor-Leste”, em 2021, foi a primeira obra com a co-autoria de Manuel Gomes de Araújo e inclui histórias recuperadas da memória do próprio co-autor timorense. Em 2023, Anabela Leal de Barros publica a sua compilação mais extensa com “Antologia da Literatura Timorense de Tradição Oral – Volume I”, sucedida em 2024 pelo trabalho mais recente “O Rei das Sete Esposas – Contos e Lendas de Timor-Leste”. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Macau - Luís Mesquita de Melo apresenta o seu romance de estreia, “Nas Esquinas do Olhar”

A Livraria Portuguesa será palco da apresentação do primeiro romance de Luís Mesquita de Melo, intitulado “Nas Esquinas do Olhar”. O autor, natural da Horta, nos Açores, partilhará com os presentes a sua obra que entrelaça histórias de vida em Macau, Vietname e Açores, explorando temas como o amor, a luta pela sobrevivência e os desafios da dualidade cultural



No próximo sábado, 14, às 18h, a Livraria Portuguesa receberá a apresentação de “Nas esquinas do olhar”, o primeiro romance de Luís Mesquita de Melo. O autor propõe uma narrativa que se desdobra em diferentes geografias e culturas e que reflecte os seus mais de 22 anos de trabalho em Macau. “A minha ligação a Macau são 22 anos de trabalho. Cheguei a primeira vez em 1990 para trabalhar no então Gabinete para a Modernização Legislativa”, relatou o autor, em declarações ao Ponto Final. “Em 2005 fui convidado a voltar para Macau para trabalhar no Grupo Las Vegas Sands onde fui associate general counsel e depois general counsel e administrador-delegado e vice- presidente executivo”, detalhou.

A obra “Nas Esquinas do Olhar” apresenta uma narrativa que conecta os Açores, Macau e o Vietname, reflectindo experiências pessoais do autor. “Este livro, que é um romance, parte dos Açores, onde nasci e cresci, e acaba nos Açores, passando por Macau e o Vietname”, explica. A história traça o encontro casual entre uma jovem vietnamita e um jovem advogado em Macau, revelando o lado mais obscuro do universo dos casinos. “Ele, que vive na encruzilhada de Álvaro de Campos e Ricardo Reis, queria ser um navegador romântico e acaba sendo enredado na aridez do Direito”, descreveu Mesquita de Melo. Já ela “queria ser bailarina e acaba sendo aliciada, sem o saber, para a prostituição ligada aos casinos em Macau por um bate-fichas sem escrúpulos.”

“É uma parte muito significativa da minha vida já que é simplesmente o sítio onde vivi e trabalhei mais tempo”, reflectiu o autor sobre a influência que o território teve na sua vida. A vivência de Luís Mesquita de Melo moldou a sua identidade e a sua escrita, levando-o a expressar a complexidade das relações humanas e culturais na sua obra. “Macau ensinou-me a viver com diferentes culturas, a ser tolerante e a aprender sempre, com todos, mesmo quando parece que outras formas de ver a vida não fazem sentido”.

O autor, que actualmente vive permanentemente no Vietname desde 2020, destacou como Macau e o Oriente mudaram o seu percurso profissional e pessoal. “O fascínio do Oriente cresceu em mim muito depressa e mudou completamente o que poderia ter sido o meu trajecto profissional se tivesse ficado em Portugal”, confessou. “Sinto que os amigos de Macau, as influências literárias, culturais, a comida, até o mar do Sul da China, desenham a maior parte da minha vida”, assinalou.

“Nas esquinas do olhar” é um convite a reflectir sobre a vida, as escolhas e a busca por identidade num mundo em constante mudança. Este evento marca não só o lançamento de uma nova obra literária sobre um tema que, para Mesquita de Melo “atrai mais do que o brilho do ouro e dos néons”, como também o culminar do percurso do autor, de advogado a romancista. Guiomar Salema – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Macau - “Poética Urbana” em 100 fotografias

Intitula-se “Poética Urbana” e é o novo livro do fotojornalista Gonçalo Lobo Pinheiro, que vai ser lançado no sábado, às 18h30, na Livraria Portuguesa. “Este projecto é o resultado de cinco anos – três dos quais em plena pandemia de Covid-19 – a divagar pelas ruas de Macau. De manhã à noite, com sol ou com chuva, com mais ou menos luz, estas 100 fotografias representam a escolha final da minha visão do quotidiano contemporâneo citadino do território que me acolheu há mais de 14 anos”, disse o autor, citado em comunicado.



Com design desenvolvido por Marta Gregório, a obra reúne fotografias de rua a cores que “revelam o olhar sensível e artístico do autor sobre a vida urbana do território chinês”. O livro conta ainda com um prefácio assinado pela fotojornalista norte-americana Andrea Star Reese, que descreve o trabalho de Gonçalo Lobo Pinheiro como “uma exploração poética do quotidiano”.

“Poética Urbana é a súmula de momentos diversos, maioritariamente vividos e captados nos bairros antigos do território, onde ainda se consegue sentir aquele pulsar especial de uma Macau que pouco ou quase nada existe, mas que, ainda assim, teima, e bem, em desaparecer por completo. A minha forma de estar e encarar as ruas de Macau, 25 anos depois da transferência de administração de Macau, de Portugal para a China, é mais um testemunho do meu amor pelo território”, referiu ainda Gonçalo Lobo Pinheiro.

Em simultâneo ao lançamento, será inaugurada uma exposição com 20 imagens seleccionadas do livro, também na galeria da Livraria Portuguesa. A mostra estará patente ao público até 29 de Dezembro.

O livro e a exposição terão também um momento especial em Portugal, com um evento agendado para Fevereiro de 2025, na Galeria Malangatana do ISPA – Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida, localizado em Alfama, o bairro de Lisboa de onde é natural o autor. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quarta-feira, 10 de abril de 2024

Macau - “Natureza-morta” de André Lui exibida na Livraria Portuguesa

“Contemplating Still Life” é o título de uma exposição individual de André Lui que vai ser inaugurada no próximo sábado na Livraria Portuguesa. A mostra apresenta os últimos trabalhos do artista de Macau em pinturas de natureza-morta

A “Art For All Society” (AFA) vai inaugurar no próximo sábado, 13 de Abril, pelas 18h30, uma mostra individual de André Lui, que se insere no Ciclo de Exposições de Arte Imagética, segunda parte do programa “View-Non-View” daquela associação cultural.

Nesta exposição, que estará patente na Livraria Portuguesa, André Lui apresenta os seus últimos trabalhos, todos centrados em pinturas de natureza-morta, que “tem sido usada como elemento ou tema em pinturas desde a antiguidade, mas como género único da pintura europeia”, segundo sublinha um comunicado da AFA.

A associação realça ainda que a “natureza-morta” floresceu sem precedentes na arte holandesa no século XVII, com artistas que retratam todo o tipo de “objectos”, evidenciado uma grande variedade e estilos muito detalhados.

Trata-se de objectos comuns do quotidiano, como pão e frutas, até grandes quantidades de marisco, ostras e ossos de crânio. Como estudioso do património cultural, André Lui olha para a “natureza-morta” na perspectiva desta parte da história.

Nascido em Macau, em 1971, André Lui estudou arquitectura e património arquitectónico em Portugal e em França. Lui interessa-se também por vários tipos de actividades de artes visuais e dedica-se à pintura, às instalações artísticas, à fotografia e ao vídeo, participando regularmente em exposições colectivas e individuais.

A mostra “Contemplating Still Life”, que é patrocinada pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura de Macau, poderá ser visitada na galeria da Livraria Portuguesa até 11 de Maio, de segunda-feira a sábado (encerra ao domingo) das 11h00 às 19h00. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Macau - A pintura abstracta de Sara Franco como expressão da “ansiedade febril” da sociedade

As telas da artista portuguesa Sara Franco vão estar de 15 a 22 de Fevereiro na galeria da Livraria Portuguesa. “Febre Cão” é o título dado a este conjunto de telas de pintura abstracta plenas de dramatismo que, segundo a criativa, são reflexo dos “tempos de urgência e ansiedade febril” que vivemos

As criações em técnica mista de Sara Franco enchem-nos os olhos com os seus tons monocromáticos fortes, recortes e manchas de cor dramáticas, que são como que atiradas para as telas. Estas podem entre os dias 15 e 22 de Fevereiro ser visionadas na galeria do piso inferior da Livraria Portuguesa. A pintora portuguesa falou com o Ponto Final sobre o processo criativo que levou à exposição “Febre Cão”.

Nesta estreia da artista em Macau vão ser apresentados dez trabalhos em técnica mista sobre papel manufacturado que envolve “grafite, acrílicos, colagem e materiais diversos por vezes utilizados em gravura e em fotografia”, revelou. Estas ferramentas, esclarece, são utilizadas pela própria de forma “totalmente experimental”, já que o seu processo criativo é “bastante irregular e caótico”, confessou. “De há algum tempo para cá incompatibilizei-me com a tela e com a sensação de responsabilidade, ou pressão, perante o resultado final que esta transmite”. Isto levou a que houvesse espaço para “dar uma reviravolta” a nível técnico, mas também de exploração de outras linguagens expressivas. “No fundo, as duas coisas acabam por se reflectir uma na outra e o resultado é o que está à vista”, comentou.

Quanto ao título da exposição – “Febre Cão” – Sara Franco diz que a ideia surgiu como forma de criar uma linha condutora entre as obras, “pois é um sentimento que está, de certa maneira, patente em todas elas”: um imediatismo e energia agitada, como a de um cão febril. Este conceito surge como reflexo dos “tempos de urgência e ansiedade febril que vive a nossa sociedade actual”, explicou. De resto, Sara Franco considera que todas as suas criações contêm uma certa “visão poética e cáustica da vida”.

Sobre a vinda a Macau, diz-se bastante entusiasmada e com “expectativas enormes”. A ideia de vir ao território já tinha surgido a convite de uma amiga durante a epidemia, mas foi sendo adiada até surgir a oportunidade de colaborar com a Livraria Portuguesa. Agora, fica a vontade de ver os seus trabalhos expostos na galeria e de “ver o resultado e a reacção” ao seu trabalho.

Sara Franco nasceu em 1971 em Leiria. Formada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, a artista plástica trabalha e reside na capital portuguesa. Enquanto artista plástica expõe individual e colectivamente, a nível nacional e internacional, desde 2000. Nos últimos anos viu o seu trabalho exposto e divulgado em Londres, Zurique, Berlim, Atenas, Lisboa, Porto, Leiria, Caldas da Rainha, Viseu, Setúbal, Lousã, Lagos, entre outras cidades. Foi responsável pela criação e dinamização do espaço cultural A Válvula, com exposições, concertos e ateliers entre 2017 e 2018. Em 2019 editou “Sexo, Filosofia e Fita-Cola Castanha” e em 2022 a “BALA”. Em 2024, lançou “Amor Kebab ou o infame poema-canhão”, livro onde integra os novos textos na pintura expressiva e gestualista que tem desenvolvido.

Na sua biografia pode-se ler que a pintura de Sara Franco compõe-se de muitas estratificações diferentes, seja a nível material ou conceptual. Tematicamente, o universo gráfico apela para a experiência anterior de cada espectador que tenha tido uma relação directa ou indirecta com a ideia de massificação suburbana e de impotente marginalidade perante a sociedade contemporânea. A artista explora este cenário como catapulta para as questões existenciais ou filosóficas que acompanham desde sempre o seu trabalho que não deixa de ser, por um lado, uma introspecção, e por outro, uma explosão emotiva. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Macau - Praia Grande Edições sem concorrência na Livraria Portuguesa

O Instituto Português do Oriente (IPOR) recebeu apenas uma proposta no concurso para a concessão da Livraria Portuguesa, um número que ficou “aquém das expectativas”, segundo disse a directora, Patrícia Ribeiro, ao Jornal Tribuna de Macau.


Ricardo Pinto, actual gestor do espaço, confirmou que a Praia Grande Edições entregou uma proposta. “Desconheço ainda [que tenha havido apenas uma proposta]. Obviamente, manifestámos interesse em continuar a fazer a gestão da Livraria, o que temos vindo a fazer já há 12 anos e com enorme prazer, e, entretanto, se de facto se confirmar que existe apenas uma proposta e que é a nossa, diria que ficamos muito contentes por poder continuar a prestar esse serviço e a ter o prazer -que é mesmo um prazer para nós – de fazer a gestão da Livraria”, afirmou Ricardo Pinto, em declarações a este jornal.

O actual contrato, celebrado em Abril de 2011 com a Praia Grande Edições, termina a 31 de Março de 2024, depois de em 2021 ter sido prolongado por dois anos, devido à pandemia. Desejando manter a Livraria num regime semelhante, o IPOR pretendia, com o concurso, “encontrar um parceiro que, compreendendo os objectivos da Livraria Portuguesa, não só os cumpra plenamente, como desenvolva estratégias de projecção da língua e da leitura na Região”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 3 de outubro de 2023

Macau - Instituto Português do Oriente lança concurso para concessão da Livraria Portuguesa

O Instituto Português do Oriente (IPOR) lançou o concurso para concessão da Livraria Portuguesa. O actual contrato, celebrado em Abril de 2011 com a Praia Grande Edições, termina a 31 de Março de 2024, depois de em 2021 ter sido prolongado por dois anos, devido à pandemia. As propostas devem ser entregues até 30 de Novembro.


Desejando manter a Livraria num regime semelhante, o IPOR pretende “encontrar um parceiro que, compreendendo os objectivos da Livraria Portuguesa, não só os cumpra plenamente, como desenvolva estratégias de projecção da língua e da leitura na Região”, indicou a instituição em comunicado.

A Praia Grande Edições – que publica o jornal Ponto Final e a revista Macau Closer – vai concorrer, adiantou o director, Ricardo Pinto, ao Jornal Tribuna de Macau.

Com a missão nuclear de promover, divulgar e comercializar as iniciativas editoriais redigidas em língua portuguesa, mas também noutras línguas, nomeadamente, a chinesa e a inglesa, a Livraria está desde 2003 concessionada a privados. Segundo o caderno de encargos, a cedência de exploração terá a duração de cinco anos, renovável por períodos iguais e sucessivos, se nenhuma das partes o denunciar com um prévio aviso de 180 dias.

O futuro concessionário terá de, entre outros aspectos, desenvolver anualmente “um conjunto de actividades dinamizadoras do espaço da Livraria Portuguesa que promovam o livro, a leitura, escritores e outras áreas artísticas e culturais dos países de língua portuguesa” e assegurar, de forma atempada, os livros escolares adoptados pela Escola Portuguesa ou para ensino do Português, assim como outro material didático usado na RAEM.

Além disso, deverá doar, por cada ano de vigência do contrato de cessão, três títulos actuais de autores dos países de língua portuguesa à Biblioteca Camilo Pessanha do IPOR, bem como pagar 100 mil patacas, por cada ano de vigência do contrato de cessão, a título de doação para o Fundo para a Promoção da Língua e Cultura do IPOR. Por outro lado, terá de apresentar ao IPOR, no final de cada ano económico, um relatório das acções desenvolvidas, bem como das contas do exercício.

As propostas deverão ser entregues até às 18h00 de 30 de Novembro. O projecto do plano de actividades vale 50%, à semelhança do currículo da empresa ou associação; seguindo-se 30% para a experiência na comercialização de livros. A experiência em actividades de dinamização cultural e na área editorial e publicação valem 10% cada, bem como a criatividade. Os restantes 7% e 5% distribuem-se, respectivamente, pelos objectivos referidos pelo IPOR no caderno de encargos e pelos que não estão elencados, mas que possam ser relevantes para a actuação da Livraria enquanto agente de dinamização cultural.

As propostas serão avaliadas por um júri composto pela directora do IPOR, Patrícia Ribeiro, pelo Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, e pela delegada da Fundação Oriente, Catarina Cottinelli.

O associado maioritário do IPOR é o Estado Português, representado pelo Instituto Camões, com 51%, seguido da Fundação Oriente com 44%, estando os restantes 5% entregues a empresas da sociedade civil. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Macau - Festival Literário avança detalhes do programa completo

Para além do programa já anunciado, com a vinda dos autores portugueses Francisco José Viegas e Valério Romão, o Festival Literário de Macau revelou mais nomes e detalhes do programa da sua 12.ª edição que junta escritores da Grande Baía e da Lusofonia em Macau entre os dias 6 e 15 de Outubro. A par da literatura contemporânea, prestar-se-á tributo a nomes grandes do passado: Camões, Shakespeare, W.H. Auden e J.R.R. Tolkien


Depois de três edições em que o Festival Literário de Macau, devido à pandemia, apenas pôde contar com a presença de autores locais, o evento deste ano marca o regresso de convidados vindos de fora. Segundo um comunicado enviado ontem às redacções pela organização, de Portugal chegam Valério Romão e Patrícia Portela, dois jovens escritores que têm em comum a originalidade das suas obras e passagens anteriores por Macau. Já António Caeiro, outro dos convidados, é um veterano do jornalismo com largos anos de trabalho na China. No festival vai apresentar o seu último trabalho, “Os Retornados de Xangai”. Francisco José Viegas, nome já anunciado, é o único dos participantes do exterior que já antes esteve no Rota das Letras, em 2015. Vem agora para falar das suas mais recentes novelas policiais, “Melancholia” e “Luz em Pequim”, e também para apresentar duas obras da editora Quetzal, que dirige: “O Jogo das Escondidas”, romance póstumo de Fernando Sobral antes publicado em fascículos pelo jornal Hoje Macau; e “Jornadas pelo Mundo”, do Conde de Arnoso, que retrata Macau e a China de finais do séc. XIX.

O centenário do nascimento de Henrique de Senna Fernandes abre o festival a 6 de Outubro, com o lançamento do primeiro livro de ensaios sobre a produção literária do escritor macaense, trabalho dirigido e coordenado por Lola Xavier e Pedro d’Alte, ambos professores da Universidade Politécnica de Macau. Na mesa deste primeiro painel vai estar ainda Miguel de Senna Fernandes, também autor e filho do homenageado. Antes desta sessão, e logo após a cerimónia de abertura do 12.º Festival Literário de Macau, vai ser inaugurada na galeria da Livraria Portuguesa a primeira exposição individual de pintura do artista norte-americano Benjamin Hodges, académico que reside em Macau há vários anos.

Este ano, o Rota das Letras vai ter a sua base, numa primeira fase, na Livraria Portuguesa, de 6 a 8 de Outubro, e depois na Casa Garden, sede da Fundação Oriente, no fim de semana de 13 a 15 do mesmo mês. Por ambos os espaços vão também passar vários autores de Macau ou aqui baseados: Joe Tang, Erica Lei, Yang Sio Mann, Isaac Pereira, Rui Rasquinho, Rui Farinha Simões, Paulo Cardinal, José Basto da Silva, Marisa C. Gaspar, Andrew Pearson, Tim Simpson, Joshua Ehrlich. Este último, historiador, vai apresentar a obra que recentemente publicou sobre a Companhia Britânica das Índia Orientais, justamente num espaço que outrora lhe serviu de sede, a Casa Garden.

A Grande Baía vai estar representada por nomes importantes das letras chinesas. Deng Yiguang, escritor de etnia mongol nascido em Chongqing, mas hoje baseado em Shenzhen, é um autor já galardoado com o Prémio Literário Lu Xun, um dos mais importantes da China.

Os seus romances estão traduzidos em várias línguas estrangeiras e têm sido, frequentemente, adaptados ao cinema. Fu Zhen, natural de Nanchang, em Jiangxi, agora radicada em Hong Kong, é uma das escritoras mais influentes da nova geração. Vem a Macau falar do seu primeiro romance, “Zebra”, e também dos vários livros de viagens que já publicou. Wang Weilian é outro dos jovens autores chineses de maior talento. Sinal disso, o ter sido distinguido com o Prémio Literário Mao Dun para Novos Autores e com a medalha de ouro na mais importante competição literária da China para obras de ficção científica.

Vem de Cantão, como vem também Zhu Shanbo, autor de vários romances históricos e colecções de contos. Xiao Hai, hoje a viver em Pequim, é um representante da chamada poesia operária chinesa, um género literário que está a ressurgir na China. No Festival Rota das Letras, vai partilhar a mesa de uma sessão com Valério Romão, que recentemente tem vindo a trabalhar este tema de forma performativa.

Sara Ferreira Costa, poeta, escritora e tradutora portuguesa, já esteve antes envolvida na organização do Rota das Letras, e volta agora como convidada. Vai apresentar a sua poesia e dirigir uma oficina sobre a tradução de poemas chineses, coordenando uma sessão livre de poesia, a ter lugar no bar Vasco’s, no hotel Artyzen-Grand Lapa.

Com o quinto centenário do nascimento do grande poeta português Luís Vaz de Camões a aproximar-se a passos largos – é já em 2024 –, o escritor e jornalista Carlos Morais José, director do Hoje Macau, vai entrevistar na Livraria Portuguesa Edward Wilson-Lee, professor da Universidade de Cambridge e autor de “A History of Water” – uma biografia de Camões que narra também, em paralelo, a vida de Damião de Góis. O autor britânico é especialista em literatura do Renascimento e vai juntar-se aos professores da Universidade de Macau, Glenn Timmermans e Nick Groom, seus compatriotas, na celebração de um outro marco importante da história da literatura: a publicação, há 400 anos, do primeiro livro inteiramente dedicado à dramaturgia de William Shakespeare – o “First Folio”. Noutras sessões do evento, Timmermans vai ainda evocar a figura do poeta britânico W.H. Auden, e Groom vai apresentar a edição mais recente do seu ensaio sobre a obra de J.R.R. Tolkien.

Quanto à fotografia, outra arte com lugar já reservado em cada edição do Festival Literário, vai estar novamente presente através do lançamento de obras da autoria de Rusty Fox e Francisco Ricarte, e do lançamento do sexto número da revista Halftone. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”





terça-feira, 29 de novembro de 2022

Macau - Rota das Letras recorda Saramago, reflecte sobre o “Romance dos Três Reinos” e mostra autores locais

Está de regresso o Rota das Letras – Festival Literário de Macau. Desta vez, ao longo dos próximos dois fins-de-semana, a iniciativa divide-se entre a Livraria Portuguesa e o Art Garden. Na sua 11.ª edição, o festival acompanha as efemérides dos centenários do nascimento de José Saramago e de Maria Ondina Braga. A publicação integral do “Romance dos Três Reinos” comemora o 5.º centenário e, por isso, o Rota das Letras propõe uma reflexão sobre a obra. Por outro lado, o festival vai também dar a conhecer as obras mais recentes de vários autores locais


O Rota das Letras – Festival Literário de Macau está de volta. Desta vez, a iniciativa divide-se entre os primeiros dois fins-de-semana de Dezembro: Entre 2 e 4 de Dezembro, na Livraria Portuguesa; e entre 9 e 11 de Dezembro, no Art Garden. Saramago, Maria Ondina Braga, James Joyce, T. S. Eliot e Virginia Woolf são alguns dos nomes em foco.

Esta, que é a 11.ª edição do Festival Literário, começa então esta sexta-feira, na Livraria Portuguesa, com a apresentação, a partir das 18h30, dos mais recentes trabalhos dos autores chineses de Macau Lawrence Lei e Cheong Kin Han. As suas obras, “Rostos Mascarados” e “Ying”, respectivamente, foram distinguidos na 13.ª edição dos Prémios Literários de Macau. Ainda na sexta-feira, Wong Teng Chi apresenta uma performance onde explora temas como a observância social e questões de identidade e género.

Já sábado as primeiras sessões destinam-se ao público infantil e começam pelas 11h com a Livraria Júbilo a mostrar os trabalhos da ilustradora Yang Sio Maan. Logo depois, Tony Lam fará a apresentação de uma aventura para crianças que se passa em boa parte nos subterrâneos do Templo de A-Má.

Da parte da tarde, é proposta uma reflexão sobre o importante contributo da literatura para a História. A sessão – que terá como oradores os professores Wang Di e Wang Sihao, da Universidade de Macau, estando a moderação a cargo de Yao Jingming – vai centrar-se no 5.º centenário da primeira publicação integral do “Romance dos Três Reinos”.

Mais tarde, acontece um diálogo sobre a ficção gótica de Daniel Defoe, que escreveu o “Diário do Ano da Peste” há 300 anos. Nick Groom e William Hughes, académicos ligados à Universidade de Macau, vão explicar como a literatura de terror nos pode ajudar a compreender a pandemia do coronavírus.

Os centenários das publicações de “Ulisses”, de James Joyce, e de “A Terra Devastada”, de T. S. Eliot, também estarão em destaque numa sessão conduzida por Glenn Timmermans. O programa de sábado termina com o lançamento da segunda edição de “Macau – o Livro dos Nomes”, de Carlos Morais José. Nesta edição, são publicados 88 textos acompanhados de fotografias de Sara Augusto.

No domingo, dia 4, volta a literatura infantil, com a editora Mandarina a dar a conhecer o seu último título, “Em Casa”, que contará com a apresentação de Catarina Mesquita. A recém-criada editora Lits revela o seu primeiro livro infantil, “O Menino que Queria Ver o Mar”, um conto de António Correia que agora é publicado a título póstumo. Por fim, Andreia Martins mostra às crianças “Uma Casa com Asas”.

Na tarde de domingo é organizada uma sessão online com vários autores lusófonos – Krishna Monteiro, Manuel da Costa, Hélder Macedo, entre outros – sobre o seu contributo para uma nova antologia bilingue de contos lusófonos, traduzidos para chinês, “Viagens”.

Finalmente, serão celebrados os centenários do nascimento de José Saramago e de Maria Ondina Braga. No tributo a Saramago serão apresentados trabalhos de Miguel Real e José Luís Peixoto que têm como referência a vida e a obra do único escritor português até aqui distinguido com o Prémio Nobel da Literatura. A sessão contará também com a participação da artista chinesa de Macau Kay Zhang, que, em conversa com Carlos Marreiros, falará sobre o seu projecto artístico inspirado no “Ensaio sobre a Cegueira”, de Saramago. Maria Ondina Braga será recordada com a projecção do documentário “O que Vêem os Anjos”, de Tiago Fernandes. Haverá também uma evocação da autora, a cargo da Professora Vera Borges.

No fim-de-semana seguinte, entre 9 e 11 de Dezembro, o Rota das Letras muda-se então para o Art Garden, sede da associação Art for All (AFA), onde será apresentado o projecto plurianual “A Room of One’s Own”, que é baseado na obra de Virginia Woolf e que inclui uma série de sessões de debate, seminários, concertos e performances que vão explorar o tema da condição feminina. A primeira mesa-redonda acontece pelas 18h30 e junta Agnes Lam, Glenn Timmermans e a psicanalista Natalie Si num debate sobre o conceito de literatura feminina e as suas implicações psicológicas, a partir da obra de Virginia Woolf.

Virginia Woolf continuará como tema central no concerto do músico meditativo de Hong Kong Paul Yip, que se junta aos poetas locais M. Chow e Isaac Pereira e à bailarina Tina Kan, inspirando-se na escrita poética da autora britânica para criarem um espectáculo que combina a palavra, a música e o gesto.

De 10 a 11 de Dezembro, terão também lugar seminários subordinados ao mesmo tema. Agnes Lam e a psicoterapeuta Jojo Lam, vão dirigir uma série de workshops experimentais sobre a condição feminina com elementos literários e teatrais de experiências sociais e terapêuticas. Ainda no sábado haverá uma sessão de poesia onde poderão ouvir-se poemas de José Craveirinha, de T.S. Eliot e de outros poetas, de diferentes espaços e tempos.

No domingo, dia 11, a fechar esta edição do Festival Literário recordar-se-á o II Raid Macau-Lisboa, que é agora tema de um livro de banda desenhada; Shee Va irá fazer a apresentação de “Uma Breve História Cultural do Chá da China”, de Rui Rocha; João Rato e vários outros fotógrafos amadores do território mostram o trabalho conjunto recentemente lançado, intitulado “Macau: My Story”; e a revista Halftone dá a conhecer a sua 4.ª edição, que inclui trabalhos de João Nuno Ribeirinha, David Lopo, Dinamene, Sofia Mota, Alina Bong e Barry Tsang. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 23 de maio de 2022

Macau - Poemas seleccionados de José Craveirinha editados em livro

Grupo informal de investigação ECOAdOR (Estudos de Culturas Ocidentais, Africanas e do Oriente), em parceria com a Praia Grande Edições, aposta forte num dos nomes mais importantes da literatura moçambicana, no ano em que se comemora o centenário do seu nascimento. O autor de “Karingana ua Karingana” tornou-se o primeiro africano galardoado com o Prémio Camões, em 1991

O centenário do nascimento de José Craveirinha será celebrado em Macau, no próximo sábado, dia 28 de Maio, pelas 17h30, na Livraria Portuguesa, com o lançamento de um livro, com tradução para língua chinesa, de poesia seleccionada escolhida pelo Grupo informal de investigação ECOAdOR (Estudos de Culturas Ocidentais, Africanas e do Oriente) e com chancela da Praia Grande Edições. “Vai ser possível lançar este livro precisamente no dia em que faz 100 anos que nasceu o poeta moçambicano”, começou por dizer ao Ponto Final a professora universitária da Universidade Politécnica de Macau (UPM) Lola Geraldes Xavier.

A iniciativa de traduzir o poeta maior de Moçambique para chinês surgiu de forma natural, como nos confidenciou a mentora do projecto, Lola G. Xavier, que também coordena, desde o ano passado, o grupo informal de investigação ECOAdOR. “Temos alguns projectos no grupo que se prendem precisamente com essa divulgação e diálogo entre a língua portuguesa e a língua chinesa. Coordeno este sobre o Craveirinha, mas outros membros do grupo estão a trabalhar noutros projectos”, referiu a académica, revelando que o ECOAdOR está a preparar uma publicação já para o próximo ano que tem mais directamente a ver com Macau.

Mas, tratando-se de um grupo informal, conforme a académica reiterou, qual projecto que ali nasça tem de ser financiado à posteriori. “Foi aí que entrou a Praia Grande, na pessoa do Ricardo Pinto, a quem agradeço imenso, pois percebeu a nossa ideia e abraçou-a de imediato”, afirmou Lola G. Xavier, que explicou ainda que os grandes objectivos do grupo informal que coordena passam por “contribuir para a promoção e para a difusão das literaturas em língua portuguesa e colaborar para uma comunicação efetiva entre as culturas e literaturas em língua portuguesa e a língua chinesa”.

Durante este último ano, explicou ao Ponto Final, o ECOAdOR quis homenagear José Craveirinha, preparando um livro de ensaios. “A sair no segundo semestre por uma editora brasileira” e “a tradução de poemas seleccionados para chinês por dois estudantes do doutoramento em Português da UPM: Lu Jing e Wu Hui”. “Sem o interesse, motivação e perseverança deles, esta publicação não seria possível”, considera Lola G. Xavier, fazendo notar que sempre fez sentido “publicar em Macau, dando razão às directrizes governamentais de Macau enquanto plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Durante esta semana, revelou ainda a professora, “haverá várias homenagens feitas ao poeta, com colóquios, palestras, etc., sobretudo em Moçambique e em Portugal”, por isso a ECOAdOR vai juntar-se às celebrações “com o lançamento desta tradução, a primeira para chinês deste poeta”.

No evento na Livraria Portuguesa, que para além de presencial será transmitido online, via Zoom (https://zoom.us/j/95792888265), o proprietário da Praia Grande Edições, Ricardo Pinto, iniciará o evento com um discurso de boas-vindas. Em seguida, pelas 17h45, Lola G. Xavier fará a apresentação do projecto e agradecimentos. Quinze minutos depois, Wu Hui e Lu Jing falarão da sua experiência enquanto tradutores de Craveirinha. Pelas 18h15, Wang Yuan, da Universidade de Pequim, fará alusão à história da tradução de autores moçambicanos na China. O brasileiro Giorgio Sinedino, tradutor-intérprete, explicará como é traduzir, poeticamente falando, obras literárias do português para o chinês. Pelas 18h45, o professor Pires Laranjeira, da Universidade de Coimbra, vai abordar o tema “Craveirinha, uma óptima escolha para começar” e, antes de uma discussão final com perguntas e respostas, moderada por Lola G. Xavier, o filho do poeta, o artista plástico Zeca Craveirinha, dedicará algumas palavras ao pai.

José Craveirinha nasceu em Maputo, Moçambique, a 28 de Maio de 1922, e morreu em Joanesburgo, na África do Sul, a 6 de Fevereiro de 2003. É considerado o maior poeta da literatura moçambicana e, em 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. “Karingana ua Karingana”, o seu segundo livro, datado de 1963, mas só publicado em 1974, é considerada a sua obra-prima. Trata-se de um livro que transmite, de forma poética, o dia-a-dia dos moçambicanos, numa época marcada pela luta contra a ocupação colonial. Em sua homenagem, a Associação dos Escritores Moçambicanos instituiu em 2003, o Prémio José Craveirinha de Literatura. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 13 de abril de 2022

Macau - Festival do Instituto Português do Oriente regressa em formato mais “contido”

Nos dias 23 de Abril e 7 de Maio, o Festival “Letras & Companhia” do Instituto Português do Oriente regressa à cidade, desta feita, com o tema do “Mar”. Patrícia Ribeiro, vogal da Direcção da instituição, explicou ao Jornal Tribuna de Macau que inicialmente o programa foi delineado com a intenção de trazer pessoas de Portugal, no entanto, devido às restrições optaram por fazer uma edição com menor dimensão. Ainda assim, as expectativas em termos de adesão são grandes. A edição deste ano conta com oficinas de escrita criativa, actividades lúdicas e jogos tradicionais, música, gastronomia, sessões de histórias em português e em chinês e feiras do livro. Realiza-se em dois locais: no IPOR e na Casa Garden


O Instituto Português do Oriente (IPOR) realiza este ano a 2ª Edição do Festival Literário e Cultural para pais e filhos “Letras & Companhia” – ainda que numa dimensão muito menor do que a do ano passado, já que se realiza nos dias 23 de Abril e 7 de Maio. O tema que serve de linha condutora para a iniciativa deste ano é o “Mar” – “com todos os seus desafios, potencialidades e imaginário de fantasia”.

Ao Jornal Tribuna de Macau, Patrícia Ribeiro, vogal da Direcção da instituição, explicou que inicialmente o plano era levar a cabo um festival semelhante – em termos de dias – ao do ano passado, no entanto, as restrições provocadas pela pandemia levaram a que o IPOR decidisse o programa de outra forma.

“[O festival] é um bocadinho mais contido. O objectivo seria fazê-lo como na primeira edição. Estávamos com a esperança de que a realidade fosse diferente e tínhamos preparado um conjunto de actividades com pessoas vindas de Portugal. Não tendo sido possível concretizar este programa inicial optámos por fazê-lo mais pequenino, também procurando colaborações de várias associações”, explicou, assinalando que espera que em 2023 as condições sejam diferentes.

Quanto à escolha do “Mar” como tema central, Patrícia Ribeiro apontou que o mar é uma imensidão e traz inúmeras preocupações, tendo ao mesmo tempo uma fauna muito variada, que pode ser explorada. “A intenção, quando programámos o festival, era trazer muitas actividades relacionadas com os oceanos, porque há uma preocupação bastante grande com a problemática da poluição. Vamos fazê-lo de forma mais contida, mas é algo a que temos de estar muito atentos, porque há uma necessidade de fazer prevenção – não é só procurar limpar os oceanos, antes disso, devemos procurar não sujá-los”, observou. “É essa a mensagem que queremos transmitir com o tema do festival, que provavelmente será o mesmo do ano que vem, mas mais alargado”, acrescentou Patrícia Ribeiro.

Assim, no dia 23 de Abril, entre as 16h00 e as 18h00, haverá uma série de actividades a decorrer no IPOR, entre as quais a entrega de uma minibiblioteca às escolas. “Será entregue um conjunto de publicações infanto-juvenis de autores portugueses. É um conjunto de sete obras literárias em português e a sua versão em chinês, que vamos oferecer às escolas bibliotecas das escolas primárias e secundárias”, disse Patrícia Ribeiro. No total, a oferta será direccionada a seis escolas. A cerimónia de entrega terá lugar no auditório do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

Estão ainda agendadas Oficinas de Escrita Criativa para várias idades, nomeadamente uma direccionada para crianças dos 8 aos 10 e outra para crianças entre os 11 e 12 anos.

Segundo Patrícia Ribeiro, decorrerão ainda actividades lúdicas para pais e filhos. É o caso “À procura do peixinho” – um jogo em que as crianças têm de pescar – e “As cores da reciclagem” – relacionado com a identificação dos vários tipos de lixo e onde deve ser colocado para fazer uma reciclagem de forma correcta.

À semelhança do ano passado, também esta edição apresenta “Uma Noite na… Biblioteca”, que decorrerá na biblioteca do IPOR e está restringida a um grupo de oito crianças. O grupo passará a noite na biblioteca, onde serão desenvolvidas uma série de actividades, e, no dia seguinte, 24 de Abril, regressa a casa após o pequeno-almoço.

Haverá ainda o “Mercado das Letrinhas”, uma feira do livro que decorrerá tanto no dia 23 de Abril, no IPOR, como depois a 7 de Maio, na Casa Garden, na Fundação Oriente, com a colaboração da Livraria Portuguesa e da Júbilo.


Música, exposição e histórias

O programa para 7 de Maio, que decorrerá entre as 15h00 e as 18h00, inclui, por sua vez, a inauguração da exposição “Zero Resíduos”. “O IPOR dirigiu um convite às escolas primárias e secundárias de Macau para, no âmbito das aulas de Artes e Educação Visual, produzirem obras de arte reutilizando materiais, tanto do lixo diário da escola como do lixo doméstico. Algumas escolas irão participar com criações em vários formatos, desde instalações e quadros, ao vídeo. Cada uma escolheu o que achou mais indicado”, explicou Patrícia Ribeiro a este jornal.

Após a inauguração da mostra, haverá música ao vivo com François Girouard e Rita Portela, bem como sessões de histórias em português com a Associação Sílaba e em chinês com a Júbilo. Está ainda previsto um espectáculo de marionetas intitulado “En-Cantos”, da Casa de Portugal, jogos tradicionais, pinturas faciais com Sara Figueira, e uma pequena mostra de gastronomia dos países de língua portuguesa, numa colaboração com as associações locais, intitulada “Sabores que falam português”.

Patrícia Ribeiro disse ainda à Tribuna de Macau que o IPOR está com “bastantes expectativas” em relação à adesão, uma vez que envolveu muitas escolas nos projectos. “Estamos à espera de que as crianças tragam os pais para ver os trabalhos que fizeram e para participarem nas actividades que vamos ter disponíveis para todos”, afirmou.

De acordo com o comunicado enviado às redacções, pode ler-se que, apesar das limitações causadas pela pandemia, a edição do festival de 2022 “continuará a apostar em actividades de dinâmica intergeracional em torno do conceito dos “três L’s”: língua, livro e leitura”. “Pretende-se assim continuar a motivar os jovens para a aprendizagem da língua portuguesa, envolvendo instituições de ensino, professores e educadores como promotores ativos de divulgação, ao mesmo tempo que se incentiva a criatividade, a cultura, a educação e a construção da cidadania”, pode ler-se.

O Festival “Letras & Companhia”, organizado anualmente em parceria com a Fundação Galaxy Entertainment Group e o Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, conta com a colaboração da Fundação Oriente, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua I.P., da Casa de Portugal em Macau, da Livraria Portuguesa e da livraria Júbilo, parceiros aos quais, este ano, se juntou também a SÍLABA – Associação Educativa e Literária. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”