Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Macau - Livraria Portuguesa inaugura mostra de Alexandre Simões

A exposição “What are you doing the rest of your life?”, do fotógrafo Alexandre Simões, vai ser inaugurada amanhã, dia 05, na Livraria Portuguesa, ficando patente ao público até 26 de Fevereiro.


“A exposição reúne um conjunto de imagens da década de 90 até à actualidade do fotógrafo Alexandre Simões. (…) Há uma devoção à fotografia analógica como narrativa na permanência na conexão com as pessoas e a vida real, os seus encontros e intimidade, com a presença da música e do cinema”, refere Liliana Gonçalves, citada na página do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

Aponta ainda que “a riqueza estética do seu trabalho atravessa o tempo autêntico que sobre(vive) e se retroalimenta no diálogo imagético permanente com o indelével e as suas camadas”. As fotografias de Alexandre Simões, acrescenta, “assumem a durabilidade do passado que se prolonga e amplia no presente, com narrativas de solidão, espectros da nostalgia, do amor e da ausência, do estilo de vida e as suas referências culturais, atravessados pela estética que assinala o seu desígnio. (…)”.

A inauguração da mostra de Alexandre Simões está agendada para as 18h00. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Goa - O Festival de Música do Monte regressa com três dias de harmonia cultural

Realizado anualmente num dos morros mais pitorescos de Goa, o Festival de Música do Monte, organizado pela Fundação Oriente, oferece vistas deslumbrantes do Rio Mandovi, as suas ilhas, um santuário de pássaros nas proximidades e o icónico centro histórico de Goa Velha, Património Mundial da UNESCO.


Criado em 2002, após a restauração da Capela de Nossa Senhora do Monte, do século XVI, pela Fundação Oriente, o festival foi concebido como uma plataforma para o intercâmbio artístico entre as tradições clássicas ocidentais e indianas.

Ao longo dos anos, tornou-se um importante encontro cultural que vai além da música e da dança, acolhendo artistas de Portugal e da Índia que compartilham não apenas os seus desempenhos, mas também a rica herança das suas regiões.

A edição de 2026 será realizada nos dias 30 e 31 de janeiro e 1º de fevereiro, no pátio da Capela de Nossa Senhora do Monte, em Goa Velha, transformando mais uma vez o sereno pátio da capela num espaço para diálogo e celebração cultural. Esta é a quarta edição do festival sob a direção do Dr. Paulo Jorge da Silva Gomes, diretor da Fundação Oriente, que conta com o apoio da equipa da Fundação Oriente.

O Festival de Música de Monte não exigirá ingressos para nenhum dos seus concertos e haverá dois autocarros para levar os visitantes do Gandhi Circle, em Goa Velha, até a Capela de Nossa Senhora do Monte, também em Goa Velha. O Dr. Paulo Jorge da Silva Gomes informa: “A próxima edição do Festival de Música de Monte reunirá, através da música e da dança, diferentes elementos e diferentes partes da Índia e de Portugal. De Rajasthan, Gujarat, Ahmedabad, Mumbai e Delhi, na Índia, e de Lisboa e Alentejo, região no sul de Portugal, uma mistura de grandes músicos que oferecerá não apenas um festival de música e dança, mas também um evento cultural. Este é o ingrediente mais importante para nós no Festival de Música de Monte.

Claro que não podemos esquecer os artistas goeses, pois abriremos o Festival de Música de Monte com Sonia Shirsat e os seus amigos, todos goeses, para promover também os artistas, a música e a língua goesa.”

Falando sobre Ricardo Ribeiro, que encerrará o festival, o Dr. Paulo Gomes afirma: “Ele é um fadista português com uma voz inesquecível, que combina com maestria o fado clássico com influências contemporâneas. Hoje, é considerado uma das vozes mais influentes do fado em Portugal.” A Fundação Oriente tem o dom de selecionar apresentações excepcionais ano após ano, mantendo o festival vibrante e atual, apresentando artistas nacionais e internacionais raramente vistos no país.

“Trabalhamos na área das artes e seguimos certos critérios. Em primeiro lugar, recebemos um grande número de propostas de músicos indianos e portugueses. Para cada edição, os artistas são selecionados pela equipa curatorial responsável naquele ano. Temos um amplo banco de dados, o que facilita o processo de seleção em termos de qualidade, pois oferece uma grande variedade de opções. Dito isso, “Nunca é fácil escolher alguns artistas e não outros que também gostaríamos de convidar, isso faz parte do processo. No geral, graças ao volume de propostas que recebemos e ao nosso extenso banco de dados, a nossa missão é facilitada nesse sentido”, explica o Dr. Paulo Gomes. Dolcy D'Cruz – Goa in “O Heraldo”

Programa

30 de janeiro | 19h, HORIZONTES EM TRANSFORMAÇÃO, COM O CORO AO NAGA. Horizontes em Transformação é uma jornada musical que celebra as tradições vivas do nordeste da Índia. Enraizado nas tradições culturais Naga, o Coro representa com orgulho a sua herança por meio de trajes tradicionais, paisagens sonoras indígenas e desempenhos que incorporam o espírito e o legado dos seus ancestrais.

30 de janeiro | 17h45 CALIDOSCÓPIO – UMA SINFONIA DE CORES EM SOM, POR SÓNIA SHIRSAT E AMIGOS O FMM 2026 será inaugurado com uma apresentação da cantora goesa Sónia Shirsat, acompanhada por cinco músicos goeses. Eles apresentarão canções em português e concani, destacando os laços históricos entre Goa e Portugal, bem como o idioma oficial de Goa, o concani. O grupo será composto por Carlos Menezes, Allan Abreu, Prathamesh Chari, Irshad Khalifa e Franz Schubert Cotta.

31 de janeiro | 17h45 “ROOTS” – ONDE AS MELODIAS ESQUECIDAS DA ÍNDIA ENCONTRAM A SUA VOZ NOVAMENTE, POR ASAD KHAN E AMIGOS Liderado pelo mestre do sitar reconhecido pelo Grammy, Asad Khan, o Roots é um coletivo musical que dá vida às ricas melodias enterradas no solo cultural da Índia. Das tradições folclóricas do Rajastão, Gujarat, Maharashtra, Assam e Bengala, Asad reinventa dhuns, taranas, dohas e heets de casamento esquecidos, cada um enraizado nos humores da vida indiana: amor, saudade, chuva, colheita, celebração e despedida. O conjunto contará com Rais Khan, Dana Bharmal Harjan, Kalpa Joyti, Altamash Ansari e Jogi Laxman Premji.

31 de janeiro | 19h 100 PAREDES E STUTI CHORAL & STRING ENSEMBLE Em 2025/2026, celebra-se o centenário de Carlos Paredes, uma das figuras mais emblemáticas da cultura portuguesa e embaixador mundial da guitarra portuguesa. Para homenagear este marco, André Varandas e Bruno Costa criaram o projeto 100 Paredes. Em Goa, o grupo 100 Paredes atuará ao lado do aclamado Stuti Choral & String Ensemble, sob a direção de Parversh Java, com arranjos orquestrais do renomado compositor brasileiro Rodrigo Morte.

1º de fevereiro | 17h45 SAMANVAYA – HARMONIA POR RAUL & MITALI Mitali-Raul e a sua trupe apresentam Samanvaya – Harmonia; uma confluência de música e movimento, Odissi e Bharatanatyam, tradição e inovação, ritmo e expressão, património e contemporaneidade.

1 de fevereiro | 19h RICARDO RIBEIRO A voz de Ricardo Ribeiro, descrita como "uma vez ouvida, jamais esquecida", tornou-se um nome essencial no fado contemporâneo. Com uma presença vocal que evoca vida e morte num só fôlego, ele continua a trilhar o seu próprio caminho entre o fado tradicional e o futuro do género.



domingo, 31 de agosto de 2025

Timor-Leste - Festival Literário desafia o país a transformar-se através da leitura

O Movimento LETRAS acredita que Timor-Leste enfrenta uma “crise silenciosa” de leitura que ameaça o pensamento crítico e o futuro do país. O grupo aposta num festival literário para transformar hábitos e desafiar o Estado a encarar a literacia como prioridade nacional. Estudantes, professores e ativistas denunciam o desinteresse pela leitura e a falta de políticas públicas eficazes


“O Estado torna-se frágil quando os cidadãos são fracos.” É o alerta lançado pelo Movimento LETRAS, que em setembro organiza a terceira edição do Festival Literário sob o tema “Ler para a Transformação Social”. O evento, gratuito e aberto a toda a comunidade, terá lugar entre 6 e 8 de setembro de 2025 na Fundação Oriente, em Díli, e assinalará o Dia Internacional da Literacia.

Apesar de uma parte significativa da população timorense saber ler e escrever, o LETRAS considera que o hábito da leitura em Timor-Leste está numa situação “profundamente preocupante”, sobretudo entre a comunidade académica. Esta fragilidade, sublinha o movimento, afeta diretamente a capacidade crítica das pessoas de analisar textos, refletir sobre os acontecimentos e tomar decisões conscientes no dia a dia.

A docente de Didática da Literatura da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), Maria da Cunha, confirma a tendência. Para a professora, o problema não é a falta de recursos, mas a ausência de uma verdadeira cultura de leitura. “Concordo com a avaliação de que a comunidade académica lê pouco. Isso é algo que observo e experiencio diariamente com os meus próprios alunos”, afirmou.

Apesar de propor leituras e trabalhos, poucos alunos cumprem as tarefas. “Entre dez estudantes, às vezes, apenas um ou dois leem os textos. Os restantes não mostram progressos”, lamentou a docente, acrescentando que o uso excessivo das tecnologias e dos telemóveis é uma das principais razões do desinteresse. “Hoje, até crianças andam com o telemóvel na mão. Os jovens preferem estar online a ler”, criticou.

A docente sublinhou que as bibliotecas estão acessíveis e muitos textos são distribuídos em formato digital, mas, mesmo com estas facilidades, o desinteresse persiste. Segundo a professora, a falta de leitura afeta diretamente o desenvolvimento do pensamento crítico, o enriquecimento do vocabulário e o domínio da língua. “O contacto com o professor não é suficiente para adquirir conhecimentos profundos nas áreas filosófica, científica, pedagógica, literária, social e cultural”, explicou.

Maria da Cunha defende que os alunos devem assumir responsabilidade pelo seu próprio percurso académico. “Nas universidades, o encontro com o professor representa apenas 25%. Os outros 75% dependem do esforço individual do aluno. Infelizmente, os nossos estudantes ainda não têm essa mentalidade voltada para a leitura”, afirmou.

A docente recordou ainda as dificuldades do seu tempo de estudante, quando os recursos eram muito mais limitados. “Não tínhamos telemóveis nem energia elétrica como agora. Usávamos petromax para estudar, mas, mesmo assim, tínhamos de ler”, lembrou.

Para inverter este cenário, sugere iniciativas práticas dentro e fora das universidades, como prémios literários, oficinas de escrita, tertúlias e atividades que estimulem o gosto pela leitura. “A promoção da leitura deve envolver todas as áreas do conhecimento, porque a literatura é essencial para o desenvolvimento do pensamento crítico e da identidade cultural de um país”, concluiu.

Segundo o Censo de 2022, 72,4% da população timorense com 10 anos ou mais sabe ler e escrever, o que representa um progresso em relação a 2015, quando a taxa era de 67,3%.

Apesar da melhoria, os dados revelam fortes desigualdades entre género, faixas etárias e regiões. Os homens continuam a apresentar níveis mais elevados de alfabetização (74,7%) do que as mulheres (70,0%).

Entre os jovens com menos de 25 anos, a taxa varia entre 85% e 90%. Já na população com mais de 30 anos, os níveis descem drasticamente. Entre as mulheres com idades entre 60 e 65 anos, apenas 21,0% sabem ler e escrever, contra 45,2% dos homens da mesma faixa etária.

Em termos regionais, Díli lidera com 89,6% da população alfabetizada, seguido de Manufahi com 75,8%. Oé-Cusse, por sua vez, regista os números mais baixos, com apenas 56,7% de alfabetização entre pessoas com 10 ou mais anos.

O organizador e gerente do programa, Basílio Sanches Sávio, afirmou que o festival pretende mobilizar a sociedade para refletir sobre a importância da leitura, promovendo-a como base de uma cidadania crítica e informada.

Segundo o responsável, a iniciativa surge como resposta ao panorama frágil da cultura de leitura no país, ainda longe de estar enraizada. “A influência da globalização tem reduzido a consciência crítica dos cidadãos, afastando-os do hábito de ler livros com atenção e profundidade”, afirmou.

“O nosso compromisso é promover a leitura como um direito e um dever cívico fundamental”, acrescentou. A programação será diversificada: debates temáticos sobre feminismo, política, economia, arte e literatura de resistência; sessões com autores nacionais e internacionais; seminários de escrita criativa; oficinas de colagens e produção de zines; e uma feira do livro com participação de bibliotecas, livrarias e movimentos literários do país.

Para as crianças, haverá a hora do conto e atividades artísticas, enquanto a vertente cultural trará exposições, pintura ao vivo, poesia, música e teatro.

“O festival não é apenas uma celebração da literatura, mas também um espaço para valorizar a arte como ferramenta de construção social e intelectual”, destacou Basílio. Queremos reforçar o papel da literacia como base de uma sociedade mais crítica, justa e participativa”, concluiu.

O evento está a gerar grande expetativa entre jovens e estudantes, que o veem como um espaço de partilha e reflexão crítica.

Heger Robinson, de 22 anos, participa regularmente nas atividades do grupo e sublinha a importância do evento. “Se conseguir participar, será a minha primeira experiência. Vai ser um espaço de diálogo para os jovens e vai aumentar o interesse e a paixão pela literatura”, disse.

Para Robinson, a leitura é uma ferramenta essencial para o desenvolvimento pessoal e social. “O conhecimento que adquirimos através da leitura deve ser aplicado no quotidiano, para nos tornarmos cidadãos críticos e ativos na sociedade”, acrescentou.

Também Alcinda Menezes Martins, de 22 anos, estudante do Departamento de Gestão da UNTL, mostrou entusiasmo. “Quero ganhar experiência e aprender com os conhecimentos que os escritores vão partilhar. Espero que as atividades sirvam de motivação para nós, estudantes, dedicarmos mais tempo à leitura”, afirmou.

Alcinda reconheceu, contudo, os desafios no acesso aos livros. Segundo a estudante, uma das maiores barreiras é a escassez de títulos nas bibliotecas universitárias. “Muitas vezes, os livros que precisamos não estão disponíveis e temos de recorrer ao Google”, explicou.

Outro entrave é o preço elevado dos livros em Díli. “Gostaríamos de comprar para apoiar os nossos estudos, mas os preços variam entre 10 e 15 dólares. Muitos de nós não temos capacidade financeira”, lamentou.

Apesar disso, Alcinda defende a importância da leitura. “Ler ajuda-nos a formar pensamento crítico e a tomar consciência da realidade social em que vivemos. É essencial para construirmos um futuro melhor”, concluiu.

O Movimento LETRAS defende que uma sociedade com uma forte cultura de leitura e altos níveis de literacia é essencial para a construção de uma nação desenvolvida, próspera, justa e democrática. “Não basta apenas ler; é preciso compreender o que se lê e transformar essa compreensão em ação social, promovendo os valores da humanidade e dos direitos humanos”, frisou o coletivo.

Contudo, acusa o Governo de negligenciar a promoção da leitura. Em Timor-Leste, a leitura continua marginalizada pela falta de políticas públicas e pelo desinteresse institucional.

Mesmo assim, a participação da população nas atividades continua reduzida. Para Henrique dos Santos, membro do LETRAS, a causa não é apenas desinteresse individual, mas sobretudo a falta de condições estruturais. “O país não tem uma Biblioteca Nacional e os currículos escolares, do básico ao superior, não exigem a leitura de obras literárias como parte essencial da formação dos estudantes”, afirmou.

Já Basílio apontou outro problema: a falta de atualização e distribuição de livros nas escolas, agravada pelos preços elevados no mercado. “O Governo poderia subsidiar editoras e livrarias para tornar os livros mais acessíveis”, defendeu.

Segundo ele, essa situação desincentiva o gosto pela leitura. “A cultura de leitura em Timor-Leste é extremamente frágil, porque não têm sido feitos esforços consistentes para criar condições que a promovam.”

Educação quer transformar leitura em prioridade nacional

A chefe do Departamento de Currículo do Ensino Básico do Ministério da Educação, Édia Monteiro, reconheceu a falta de hábitos de leitura em Timor-Leste e sublinhou que o Governo está a intensificar os esforços para transformar a leitura num hábito nas escolas. A prioridade é melhorar as competências de literacia dos estudantes desde o primeiro ano de escolaridade.

Segundo Édia Monteiro, vários estudos demonstram que muitos alunos apresentam ainda níveis baixos de leitura. Para combater esta realidade, o Ministério da Educação tem implementado diversas iniciativas, como a distribuição de livros de histórias a todas as escolas e a formação de formadores para apoiar os professores na melhoria da literacia dos alunos.

“Começámos a implementar um programa de leitura antes das aulas para todos os estudantes do primeiro e segundo ciclos do ensino básico. Temos também o programa EMLULI (Educação na Língua Materna), que nos ajuda a avaliar a capacidade de leitura dos alunos”, destacou.

Apesar de alguns alunos já conseguirem ler, a compreensão dos textos continua a ser um grande desafio. “Estamos a trabalhar para mudar esta realidade e reforçar a literacia de forma contínua”, acrescentou Édia.

Para tornar os livros mais acessíveis, o Ministério criou o programa “Cantinas de Leitura”, em que os professores disponibilizam livros em sala de aula. “As bibliotecas gerais são limitadas devido à falta de infraestruturas e de pessoal qualificado para o atendimento”, reconheceu.

De acordo com a responsável, nas turmas iniciais — como a pré-escola e os dois primeiros ciclos do ensino básico — já foram criadas minibibliotecas em cada sala. Os livros distribuídos estão adaptados a cada disciplina e incluem ainda histórias infantis, de forma a incentivar o gosto pela leitura.

“A leitura passou a ser uma prioridade nacional. Por isso, no currículo do primeiro e segundo ciclos, colocámos o foco na literacia em tétum e português, com o objetivo de desenvolver a leitura e a escrita. Estamos a implementar programas para que as crianças se familiarizem com os livros desde cedo”, reforçou Édia Monteiro.

A Ministra da Educação, Dulce de Jesus Soares, recordou que o hábito de leitura não é uma responsabilidade exclusiva do Ministério, mas de toda a sociedade, sobretudo dos pais e encarregados de educação. “Os pais devem incentivar e acompanhar os seus filhos na leitura dos livros distribuídos pelo Ministério”, apelou.

De acordo com a governante, este ano o foco está na literacia básica. “As crianças precisam de livros interessantes, que as motivem a ler. Para o currículo do 3.º ciclo, temos livros escritos por timorenses, com o apoio de consultores nacionais, para criar conteúdos atrativos. Queremos que a escola seja um espaço interessante, e não um ambiente intimidador”, sublinhou.

A ministra acrescentou que o Ministério continua a produzir e a adquirir livros para distribuir às escolas em todo o país. “Mesmo que alguns livros estejam desatualizados, ainda são úteis, porque contêm conhecimentos e ciências de que precisamos”, afirmou.

Dulce de Jesus Soares apelou ainda à comunidade escolar para que os livros não fiquem guardados nas bibliotecas, mas sejam levados pelos alunos para casa, como preparação para as aulas. “Queremos evitar a prática em que os professores escrevem no quadro e os alunos apenas copiam. Precisamos de mudar essa realidade”, concluiu.

Ameaça às elites

No entanto, o movimento LETRAS vai mais longe, afirmando que o sistema político, dominado por elites, dá prioridade a interesses pessoais em vez de decisões públicas que beneficiem todos. “As elites sentem-se ameaçadas quando percebem que a sociedade começa a pensar de forma crítica. Uma sociedade que lê e produz conhecimento é um risco para quem pretende manter o controlo”, denunciou Basílio.

Para o jovem ativista, esta realidade não é fruto do acaso, mas de um sistema nacional e global construído sobre bases injustas, que impede o desenvolvimento do pensamento crítico. “Isso abre espaço para que elites políticas usem os recursos públicos em benefício próprio e de pequenos grupos de interesse”, acusou.

Apesar da falta de apoio estatal e dos recursos limitados, o Movimento LETRAS mantém a sua atuação com base no voluntariado. Este ano, além do festival, vai lançar o projeto-piloto “Literacia para Todos”, em seis municípios: Díli, Baucau, Lautém, Ainaro, Aileu e Liquiçá, com o apoio de jovens, estudantes e colaboradores.

Com o lema “Nós lemos, nós sabemos, nós transformamos”, o LETRAS quer fortalecer a cultura de leitura em Timor-Leste como passo essencial para o desenvolvimento humano e social.

A visão do movimento é criar condições para a construção de uma sociedade crítica, criativa e capaz de se transformar, promovendo a justiça social e os direitos humanos. Entre os seus principais objetivos estão: aumentar a consciência pública sobre a importância da leitura, influenciar políticas públicas que favoreçam o acesso ao conhecimento e garantir a disponibilização de materiais e espaços de leitura nas comunidades.

“O acesso à leitura é um direito fundamental. Investir na literacia é investir no futuro do país”, concluiu o Movimento LETRAS. Rilijanto Viana – Timor-Leste in Diligente


terça-feira, 8 de julho de 2025

Macau – Companhia portuguesa de teatro traz “Júlio César” e oficinas de teatro à Região

Entre 20 e 23 de Setembro, a companhia de teatro do Chapitô vem a Macau apresentar mais do que uma experiência teatral. Para além da dramatização da peça “Júlio César”, o grupo vai realizar oficinas de teatro físico e visual onde os participantes poderão aprender técnicas de improviso, criação de personagens e comunicação não-verbal, mais centradas na intuição do que no guião


O grupo de teatro português Companhia do Chapitô vai apresentar em Macau a peça “Júlio César” no dia 20 de Setembro, às 20:00, no Centro Cultural de Macau. Nos dias seguintes, entre 21 e 23 de Setembro, o mesmo grupo coordenará uma série de oficinas de teatro físico e visual na Casa Garden, destinadas a participantes com ou sem experiência no teatro.

A iniciativa conta com o apoio da Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP), que reafirmou ontem em comunicado de imprensa o seu “compromisso” com a “promoção da língua e cultura portuguesas” em Macau, ao proporcionar, mais uma vez, um palco para o “diálogo intercultural e o desenvolvimento artístico na região”.

O espectáculo “Júlio César” é o primeiro ponto na programação do grupo artístico, com estreia prevista para 20 de Setembro, às 20:00, na Black Box I do Centro Cultural de Macau. Trata-se da 39.ª criação colectiva da companhia portuguesa, seguindo o tom mordaz, satírico e socialmente consciente, no limbo entre ficção e realidade, que caracteriza a maioria das peças anteriores. Na página do Chapitô, pode ler-se que o espectáculo se situa algures “entre a reconstituição histórica, o documentário e a paródia”, tomando como inspiração a vida de Júlio César como narrada “pelos grandes contadores de histórias, desde Plutarco a Shakespeare”.

“Se era ele um tirano que merecia morrer ou um herói brutalmente assassinado por conspiradores, venha o Diabo e escolha. Aqui não há heróis nem vilões, há circunstâncias e gente ardilosa que faz pela vida. Também há gente menos ardilosa que faz o que lhes mandam. E gente virtuosa que faz o que tem de ser feito. Arrasamos todos por igual”, contextualiza o grupo de teatro. A Somos – ACLP prossegue: “Fiéis ao seu estilo de teatro físico, os actores utilizam o corpo, o movimento e a gestualidade para criar personagens e transmitir emoções de forma universal, permitindo uma experiência acessível a diferentes públicos”.

A peça será apresentada em português e legendada em chinês, com duração aproximada de 90 minutos. No final da experiência, haverá “sessões de conversa e debate” entre os artistas e a audiência, de forma a promover “o intercâmbio cultural directo” e a “troca de ideias e reflexões”. Os bilhetes têm o valor de 200 patacas e já se encontram disponíveis na bilheteira ‘online’ Macauticket.

Por sua vez, as oficinas de teatro decorrerão nos dias 21, 22 e 23 de Setembro, no anfiteatro da Casa Garden da Fundação Oriente, com a lotação máxima de 20 participantes. As sessões serão conduzidas em inglês pelos formadores Jorge Cruz, Pedro Diogo e Susana Nunes, sendo ainda disponibilizada a tradução para chinês. As inscrições podem ser feitas na página da Somos – ACLP, onde é possível usufruir de um desconto de 10% até ao final de Julho.

Nestas sessões, tanto actores como amadores terão a oportunidade de “explorar as possibilidades de interacção e fusão entre diferentes formas de expressão artística”, ao aprender a construir narrativas e personagens “de maneira física e visual” que extrapolam o “texto falado” que consta dos guiões. Pretende-se, com estas estratégias, reforçar a ideia do teatro como algo físico, improvisado e cimentado em “técnicas de caracterização, uso do espaço e desenvolvimento de arquétipos e perfis psicológicos” – conceitos bem assentes nas metodologias e na visão artística do grupo português.

A Companhia do Chapitô foi fundada em 1996, contando já com quase 40 criações originais apresentadas em Portugal e pelo mundo fora e inúmeros prémios e distinções. A apresentação desta mais recente peça, “Júlio César”, tem o patrocínio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura do Governo da RAEM e o apoio do Instituto Português do Oriente (IPOR) e da Fundação Oriente em Macau. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 28 de maio de 2025

Macau - Casa Garden revitalizada recebe eventos do “Junho, Mês de Portugal”

A reabertura da Casa Garden, depois de cinco meses de obras de consolidação e reparação do exterior, inicia um novo ciclo para o icónico edifício da responsabilidade da Fundação Oriente. O protagonismo da mansão de traços europeus numa zona histórica da cidade “tem de ser mais desenvolvido”, disse Catarina Cottinelli ao Jornal Tribuna de Macau. A Fundação prepara a reedição de um livro, uma monografia, que conte a história da Casa Garden, que deverá ser lançado no próximo ano, juntamente com uma pequena exposição. De “cara lavada”, o espaço vai abrir oficialmente numa cerimónia a realizar a 17 de Junho, mas antes receberá actividades culturais especiais, inseridas na programação do “Junho, mês de Portugal”


Após cinco meses de trabalhos de consolidação e reparação de exteriores, a icónica Casa Garden, com mais de dois séculos de história, vai abrir as portas ao público com alguns eventos no início do próximo mês. Uma cerimónia a realizar às 18h00 no dia 17 de Junho assinalará oficialmente a reabertura do espaço.

Coincidindo com os 20 anos do Centro Histórico de Macau, o edifício, construído em 1770 e classificado como Património da Humanidade pela UNESCO em 2005, está pronto para dar continuidade às actividades que desenvolve a nível cultural.

As obras apenas mexeram na fachada, ou seja, no visual exterior, incluindo a impermeabilização das coberturas, não se tendo realizado “qualquer intervenção no interior”, segundo referiu ao Jornal Tribuna de Macau a delegada da Fundação Oriente (FO), que se sente “muito feliz e surpreendida, pela positiva, pelo resultado final das obras” realizadas por uma empresa contratada pelo Instituto Cultural (IC), “com larga experiência na revitalização urbana e dos edifícios históricos da cidade”.

Tendo o tópico da reabertura como pano de fundo, Catarina Cottinelli realçou o protagonismo que a mansão de traços europeus tem naquela zona da cidade, com três elementos, o Jardim de Camões, a Casa, que era toda a propriedade, e o cemitério protestante.

Por isso mesmo, e atendendo à sua classificação patrimonial, a responsável frisa que a Casa, “em termos de arquitectura, tem de ser mais desenvolvida”, havendo projectos em cima da mesa. “Vamos ver se conseguimos que saia para o próximo ano a reedição de um livro, que já existiu, mas que já não há, feito por Beltrão Coelho, que contava a história de quem por aqui passou, quem tinha habitado a casa, entre outros aspectos muito interessantes”, mencionou, transmitindo a ideia de que o lançamento dessa publicação seja acompanhado por uma pequena exposição.

Por ser também arquitecta de profissão, a delegada da FO “gostaria que houvesse mais descrição do ponto de vista de arquitectura e mais investigação, para que pudéssemos perceber um bocadinho o que fez com que esta casa ficasse com este aspecto”.

Adianta ainda que a Casa Garden, através do tempo, “sofreu algumas alterações, por variadíssimas razões, daí haver uma série de coisas que no futuro gostaria de poder ter nesse livro, ou seja, uma história mais densa sobre a arquitectura do edifício”, reconhecendo que o IC tem feito igualmente alguma pesquisa, existindo uma publicação em chinês. No fundo, diz, “é juntar toda essa informação e fazer um livro, uma monografia, sobre a Casa Garden, mas sob o ponto de vista da sua arquitectura, da sua importância neste sítio do Centro Histórico de Macau”.

“Estamos nesta embalagem de um novo ciclo, por assim dizer, porque vamos abrir ao fim de cinco meses”, salienta.

Alguns eventos integram “Junho, mês de Portugal”

A Casa Garden volta assim a estar em condições de receber actividades, algumas das quais estão inseridas nas comemorações do 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. “Estes eventos não só reforçam o intercâmbio cultural sino-lusófono, mas também enriquecem o panorama cultural de Macau, promovendo um espaço de diálogo e interacção entre culturas”, refere um comunicado da FO.

A reabertura segue “extensas reformas” que restauraram a Casa Garden, com o apoio do IC, garantindo a “preservação da sua importância arquitectónica e cultural para as futuras gerações”, reforça a nota. No espaço vão ter lugar eventos diversificados, incluindo workshops, palestras e iniciativas interactivas que “estimularão o intercâmbio cultural entre Macau e o mundo”.

Além disso, acrescenta a nota de imprensa, a sua revitalização reflecte “um compromisso com a manutenção da rica história de Macau”, ao mesmo tempo que “promove o intercâmbio cultural e o envolvimento da comunidade”.

Os primeiros eventos do revitalizado “quartel-general” da FO serão duas grandes exposições nas suas galerias principal e temporária, para além de uma mostra de cinema português, que será exibida no seu auditório. De 3 a 29 de Junho, a Casa Garden será palco das exposições “Quando a Ilha Projecta Suas Sombras” e “Objectos com Alma”.

A primeira, que não faz parte das actividades incluídas na programação do “Junho, mês de Portugal”, é “Uma Retrospectiva de Frank Lei”, que homenageia o legado deste fotógrafo contemporâneo, apresentando mais de 60 obras, a preto e branco, assim como um livro e objectos pessoais, que abrangem a sua carreira desde a década de 1990 até aos projectos mais recentes.

“É um artista local, que tem uma visão sobre os espaços, sobre a vivência de Macau, em que as pessoas são no fundo o foco das suas fotografias, tiradas em sítios que agora já não são reconhecíveis, porque foram alterados, certamente para melhor”, defende Catarina Cottinelli, para quem a exposição “é uma perspectiva e um olhar do que acontecia de carácter social aqui em Macau”.

A segunda exposição, já integrada no “Mês de Portugal”, destaca a rica tradição da marioneta portuguesa. Com um acervo de mais de 1000 marionetas de diversas épocas e estilos, da colecção privada de Elisa Vilaça, curadora do evento, os visitantes terão a oportunidade de explorar as técnicas de construção e manipulação que tornam esta forma de arte única. “A exposição não só celebra a história da marioneta, como também enfatiza o seu papel educativo e cultural”, frisa a FO.

Quanto à variante cinematográfica, organizada em colaboração com a Portugal Film e a associação CUT, da Cinemateca Paixão, apresentará uma selecção de filmes em português, iniciada com a exibição de “Greice”, de Leonardo Mouramateus, aclamado em festivais de cinema de todo o mundo. A mostra divulgará também uma série de curtas-metragens inovadoras, evidenciando o panorama do cinema português contemporâneo.

De referir que estas iniciativas integradas na programação do “Junho, mês de Portugal” arrancam já amanhã, quinta-feira, com a inauguração da exposição “Diálogos da Criatividade”, com 50 obras de 24 artistas portugueses contemporâneos, promovida pela Amagao na Galeria do Hotel Artyzen Grand Lapa.

Há mais dois eventos neste mês de Maio. Na sexta-feira, a Somos – Associação de Comunicação de Língua Portuguesa organiza a exposição de fotografia “O Homem e o Divino”, no Parisian. No sábado, é inaugurada mais uma mostra fotográfica, denominada “Património Cultural de Macau”, acompanhada de visionamento do documentário “Heritople”, que terá lugar no Consulado-Geral de Portugal, com organização do Instituto Internacional de Macau.

Todas as restantes actividades decorrerão durante o mês de Junho. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Goa – Carlos Monjardino faz balanço “muito positivo” da presença da Fundação Oriente

A propósito do 30.º aniversário do início das actividades da Fundação Oriente em Goa, Carlos Monjardino faz um balanço “muito positivo” do papel da instituição na Índia, nomeadamente na cena cultural de Goa. Em declarações ao Ponto Final, o presidente do conselho de administração da Fundação Oriente afirma também que, após a desconfiança inicial das entidades oficiais de Goa, agora a instituição é perfeitamente aceite



Carlos Monjardino foi a Goa no início deste mês para assinalar os 30 anos de actividade da delegação indiana da Fundação Oriente. Ao Ponto Final, o presidente do conselho de administração da Fundação Oriente recordou o processo para estabelecer ali uma delegação e destacou o papel actual da instituição na Índia.

Monjardino lembrou que o estabelecimento da delegação em Goa, em 1995, teve por base uma sugestão de Mário Soares, Presidente da República de Portugal na altura. “Ele pediu-me para contemplar a hipótese de a Fundação ter qualquer coisa em Goa, porque não havia ali nada de português, nem consulado, nem Camões, nada. Decidimos abrir”, contou. Esta foi a segunda delegação da Fundação Oriente, a primeira tinha sido estabelecida em Macau, em 1988, e a de Timor-Leste começou a sua actividade em 2002.

Sobre a presença em Goa, o responsável da Fundação Oriente destacou os subsídios concedidos para o ensino da língua portuguesa. Hoje em dia há ainda cerca de duas dezenas de professores subsidiados. Há ainda bolsas de estudo para estudantes goeses que querem frequentar o ensino superior em Portugal.

Além disso, “assumimo-nos também como criadores de um certo tipo de manifestações culturais com ligações a Portugal, sejam artistas sejam músicos, pintores, etc.”, referiu, apontando para o Festival de Música do Monte e para a exposição do pintor goês António Xavier Trindade que está patente no piso térreo do edifício da delegação, situado no bairro das Fontainhas.

Estes aspectos fazem com que Carlos Monjardino faça um “balanço muito positivo” da presença da Fundação em Goa. “Continuamos a ser uma pedra muito importante em tudo o que são eventos culturais em Goa”, frisou.

Sobre a inclusão da Fundação Oriente na comunidade local, Monjardino recordou que, “ao princípio, não da parte dos locais mas da parte oficial, houve alguma resistência porque ainda tinham na cabeça a parte colonial dos portugueses”. No fim da década de 1990, houve também entraves por parte de descendentes dos intitulados “freedom fighters”, um movimento que, no século XIX, lutou para acabar com o domínio da colonização portuguesa. No entanto, “isso foi desaparecendo ao longo do tempo e hoje em dia somos perfeitamente aceites, tanto que as entidades oficiais de Goa vão às nossas manifestações culturais e só tenho a dizer bem dessa relação”, conclui.

Delegação da Fundação Oriente em Goa: 30 anos a reforçar os vínculos históricos

No ano em que se comemoram os 50 anos de restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a Índia, a delegação da Fundação Oriente em Goa comemora três décadas de actividade. O objectivo tem sido reforçar os laços históricos que ligam Portugal e a Índia. Ao Ponto Final, Paulo Gomes, delegado da Fundação Oriente em Goa, destaca o papel do organismo no apoio ao ensino da língua portuguesa, nas artes e na recuperação do território, por exemplo



Celebram-se agora 30 anos desde que a Fundação Oriente estabeleceu uma delegação em Goa, na Índia. Neste ano, também se assinalam os 50 anos do restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a Índia. Através de iniciativas ligadas às artes, ao património e à língua portuguesa, a delegação de Goa da Fundação Oriente pretende valorizar os vínculos entre os dois países.

Para assinalar a data, Carlos Monjardino, presidente do conselho de administração da Fundação Oriente, bem como João Amorim, vogal do conselho de administração, estiveram em Goa, entre os dias 27 de Janeiro e 2 de Fevereiro, marcando também presença no segundo encontro anual das delegações de Goa, de Macau e de Timor-Leste. No âmbito das celebrações, a delegação de Macau deu a conhecer em Goa as obras de uma artista da região, Tsang Tseng Tseng e realizou-se também o Festival de Música do Monte, um dos mais importantes eventos do calendário cultural de Goa, que contou com a actuação da fadista portuguesa Cuca Roseta. Ainda no âmbito das efemérides, realizaram-se concertos de violino e guitarra portuguesa no Indian Council for Cultural Relations (ICCR), na capital indiana, Nova Deli.

“A Fundação Oriente não é apenas uma ponte entre Oriente e Ocidente, mas também entre diferentes partes do Oriente onde se fala Português e onde tem Delegações que colaboram entre si”, lê-se na nota oficial sobre as comemorações das efemérides, que destaca também que, ao longo dos últimos 30 anos, “a delegação da Fundação Oriente na Índia tem apoiado projectos de ensino da língua portuguesa nas escolas secundárias de Goa, bem como contribuído para a difusão da cultura, não só com apoios nas áreas da música, teatro, dança e literatura, como também através da realização de festivais, concertos, seminários, conferências, publicações e exposições de artistas indianos e portugueses, com intercâmbios entre os dois países”.

Um “papel determinante” nas relações Portugal-Índia

Paulo Gomes é o delegado da Fundação Oriente em Goa desde Junho de 2022. Ao Ponto Final, destaca o “papel determinante” da delegação nas relações entre os dois países.

O responsável começa por assinalar que a presença de três décadas da instituição em Goa surgiu “num período fundamental para voltar a estabelecer os laços entre Portugal e Índia”. Depois do restabelecimento das relações diplomáticas entre a Índia e Portugal, em 1975, “praticamente nada existia, sob o ponto de vista cultural, nas relações entre Portugal e Goa e Portugal e a Índia”, e foi então que Carlos Monjardino, a sugestão de Mário Soares, decidiu implementar uma delegação da Fundação Oriente em Goa. Depois de as autoridades indianas terem percebido que a intenção não era política ou religiosa, mas sim cultural e educativa, o Governo Central indiano deu luz verde ao projecto.

Paulo Gomes destaca, em primeiro lugar, o papel da delegação no que toca ao ensino de língua portuguesa. A Fundação paga os honorários a cerca de 20 professores goeses que ministram português em 20 escolas secundárias, num universo de 1100 alunos. “Substituímos o Governo e pagamos os honorários desses professores, que é também uma forma de manter o português vivo em Goa”, diz o responsável. A par disso, são organizados cursos e workshops de português para professores.

No âmbito do ensino da língua portuguesa, há também um programa de bolsas de estudo em que é atribuído todos os anos três ou quatro bolsas para alunos do ensino superior e para investigadores que querem ir à Índia fazer os seus estudos, ou, ao contrário, investigadores e professores indianos que querem ir para Portugal.

Depois há também a área das artes performativas: “Nós temos uma galeria de arte com uma exposição permanente de um brilhante artista goês, António Xavier Trindade, que tem sido também um bom marco de ligação até para indianos que nos visitam de outros estados e que acham a colecção lindíssima”. Há ainda prémios para projectos de artes visuais e o já referido Festival de Música do Monte, por exemplo.

Uma outra área de actuação da delegação da Fundação Oriente em Goa tem a ver com a publicação e literatura. “Nós temos as nossas próprias publicações anuais sobre a Goa, sobre a Índia, um conjunto interminável de conferências, de workshops que também desenvolvemos aqui na Fundação, com escritores, autores portugueses, brasileiros, indianos”, assinala Paulo Gomes.

Outro aspecto “essencial” tem a ver com a recuperação do património, essencialmente património com ligações a Portugal, como igrejas e capelas, mas também algum património hindu. Por fim, destaque para a acção social da delegação em Goa. “Nós temos tido aqui um papel importante, quer a apoiar organizações governamentais, quer a apoiar idosos ou orfanatos”, diz o delegado.

Para Paulo Gomes, a maior conquista da delegação tem sido a preservação do ensino da língua portuguesa: “A grande conquista foi os jovens de hoje poderem estar em escolas a aprender português, tendo novamente contacto com a língua portuguesa”. Outra vitória, refere, tem a ver com “a abertura da Fundação para a diversidade”. “Ter aceitação e reconhecimento das entidades governamentais, da sociedade civil, dos empresários, é algo que nos deixa muito satisfeitos e creio que é a maior conquista”, frisa.

Reforçando que a relação da delegação com todos os sectores da sociedade de Goa “é fantástica”, Paulo Gomes sublinha: “A nós não nos interessa política, não nos envolvemos em religião, estamos aqui para não perder aquilo que foram os quase 450 anos de presença portuguesa aqui, a herança histórica, religiosa, cultural e patrimonial que existe entre os dois países”.

O delegado da Fundação adianta que, para o futuro, está prevista uma iniciativa nova que pretenderá dar novas oportunidades a raparigas abandonadas que estão em orfanatos na vertente da formação linguística ou das artes, por exemplo. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

andrevinagre.pontofinal@gmail.com


sábado, 25 de janeiro de 2025

Macau - Presidente da Fundação Oriente lamenta “falta de vontade” de Portugal para resolver problemas da Escola Portuguesa

O presidente da Fundação Oriente está de novo em Macau e vai reunir-se com a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, revelou, em entrevista ao Jornal Tribuna de Macau. No encontro com O Lam, Carlos Monjardino irá abordar, entre outros temas, a necessidade de um maior apoio ao Instituto Português do Oriente por parte do Executivo do território. O dirigente da Fundação Oriente considera que o papel do IPOR é “muito importante no trabalho que tem sido feito em termos de ensino do português a chineses”. Sobre a Escola Portuguesa de Macau, sublinha que o Governo de Portugal não tem mostrado tanta “vontade” como se desejava para resolver “os problemas pendentes” no estabelecimento de ensino



O trabalho desenvolvido pelo Instituto Português do Oriente (IPOR) em Macau, no que diz respeito ao ensino da língua portuguesa, “terá de ser mais apoiado pelo Governo do território”, considera o presidente do Conselho de Administração da Fundação Oriente.

Em mais uma visita à RAEM, antes de rumar a Goa, onde vai participar nas comemorações dos 30 anos da instalação da Fundação Oriente naquela antiga colónia lusa, Carlos Monjardino insiste na necessidade de haver uma maior ajuda ao IPOR, uma questão que já tinha enfatizado há cerca de um ano quando se deslocou ao território.

À semelhança do que fez então, o presidente da Fundação Oriente vai voltar a chamar a atenção do Governo da RAEM para esta matéria, através de uma reunião agendada com a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam.

“Vou sensibilizá-la para a necessidade de haver uma maior ajuda ao trabalho que tem sido desenvolvido pelo IPOR no ensino da língua portuguesa a chineses, e não propriamente a portugueses nem a outras nacionalidades”, adiantou Carlos Monjardino, ao sublinhar que “o IPOR tem um papel de grande importância que merecia um maior apoio das entidades da RAEM”.

Em entrevista ao Jornal Tribuna de Macau, o dirigente da Fundação Oriente abordou igualmente a questão da falta de professores que a Escola Portuguesa de Macau (EPM) tem sentido nos últimos tempos.

Carlos Monjardino considera que “tem de haver boa vontade do Governo de Portugal para a resolução dos problemas que estão pendentes”. Até agora, “essa vontade não tem existido, ou pelo menos não tem sido tão boa quanto seria de esperar para uma escola que tem um papel fundamental no ensino do português fora de Portugal”, lamentou.

“A Escola Portuguesa deveria ser mais acarinhada e os problemas resolvidos mais rapidamente”, acentuou o responsável da Fundação Oriente, instituição cuja saída da estrutura gestora da EPM foi oficializada em Setembro de 2015, numa altura em que já não contribuía para o orçamento do estabelecimento de ensino. Na altura, com a formalização dos novos estatutos, estabeleceu-se também a mudança permanente para Macau da sede da Fundação da Escola Portuguesa.

Relativamente à velha questão das instalações do edifício da Escola Portuguesa, o presidente da Fundação Oriente lamentou que isso não tivesse sido resolvido há anos. O local onde se situava o antigo Hotel Estoril chegou a ser apontado como uma hipótese para uma eventual mudança de instalações, entre diversas possibilidades exploradas ao longo de vários anos, entre as quais a venda do terreno à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM).

“O edifício estava paredes meias com o casino [Grand Lisboa] e não fazia sentido ter ali uma escola tão encostada ao casino”, lembra Carlos Monjardino. Provavelmente, “para a STDM dava jeito e nós íamos buscar dinheiro para depois fazermos as instalações da EPM noutro local”, acrescentou.

Questionado sobre os factores que impediram a concretização desses planos, o dirigente da Fundação Oriente disse não fazer ideia das razões. “Isso já me ultrapassa, foi fora do meu reinado, digamos assim”, referiu, confirmando que, na altura, a Fundação atribuiu uma verba, que não foi retribuída pelo facto de não ter havido mudança de instalações. “Na altura, houve com certeza uma reacção da minha parte, mas a verba também não foi assim tão avultada, pelo que me lembro”, observou, sem indicar um valor concreto.

Em Abril de 2014, o então ministro da Educação e Ciência de Portugal encerrou o ‘dossiê’ EPM, anunciando formalmente que a instituição manter-se-ia nas instalações onde continua a funcionar actualmente. A decisão teve em consideração dois aspectos: o da estabilidade do local e dos alunos e professores e o da duração da localização escolhida, segundo explicou na altura Nuno Crato.

Relativamente ao destino da verba concedida pela Sociedade de Jogos de Macau, de Stanley Ho, à Fundação Escola Portuguesa de Macau, de cerca de 65 milhões de patacas, para a mudança de instalações da EPM – que não se realizou – o ministro atestou então que “há, de facto, um donativo”, depositado nas contas da Fundação, pelo que “há um processo de diálogo que a fundação agora vai ter de encetar com a SJM, porque parte desse donativo estava assegurado para o funcionamento da escola”.

Numa entrevista que concedeu ao JTM em Abril de 2023, Carlos Monjardino dizia que teria de haver uma solução para a questão das instalações da EPM, contudo, ressalvava: “Muito francamente eu não vejo também razão para estar a aumentar muito as instalações da Escola Portuguesa, porque a procura é relativamente pequena, é aquela que é e vai crescer pouco. Porque são os filhos dos expatriados, quem quer fazer cursos em Lisboa…”. Confrontado com a realidade do crescimento do número de alunos de língua materna chinesa a ingressar na Escola, Monjardino insistia, ainda assim, que o aumento da procura pelo ensino na Escola Portuguesa ou pelo ensino do Português aqui seria “pouco”. “Se me enganar, ainda bem”, acrescentava.

Obras na Casa Garden finalizadas em Maio

Relativamente às obras na Casa Garden, Carlos Monjardino – que desempenhou também o cargo de governador substituto do Governo de Macau entre 1986 e 1987 – deseja que a conclusão seja uma realidade em Abril. “Mas, a delegada Catarina Cottinelli disse-me que talvez só em finais de Maio”, adiantou.

Este edifício histórico, situado no Centro Histórico de Macau e classificado como Património Mundial da UNESCO, é considerado um marco significativo do património cultural da região. Construída no final do século XVIII, a Casa Garden tem sido um espaço de intercâmbio cultural e social, além de ser a sede da Fundação Oriente, cuja missão é servir a comunidade local e promover a cultura.

As obras, que tiveram início no mês de Dezembro, incluem a recuperação do exterior, a consolidação da estrutura da cobertura e fachadas, bem como o restauro dos elementos arquitectónicos que compõem a fachada, como as persianas e outros detalhes decorativos.

A empreitada vai ser subsidiada pelo Instituto Cultural, a quem a Fundação Oriente agradeceu pelo “apoio fundamental” e pela “contribuição para a implementação do Plano de Salvaguarda do Património Histórico de Macau”, segundo referiu anteriormente o organismo.

“Esta colaboração é vital para garantir que a Casa Garden não só mantém a sua integridade estrutural, mas também continua a ser um espaço activo de cultura e diálogo”, sublinhou a Fundação Oriente. Sublinhou ainda que a renovação é motivo de entusiasmo, sendo que, uma vez concluídas as obras, a Fundação Oriente espera reiniciar as actividades culturais, “que são essenciais para a comunidade de Macau”. Vítor Rebelo *Macau in “Jornal Tribuna de Macau” 


domingo, 29 de dezembro de 2024

Goa – Naturais aproximam-se cada vez mais da língua e cultura portuguesas

O investigador Óscar Noronha considerou que o interesse pela cultura portuguesa em Goa tem crescido nos últimos anos, uma tendência acompanhada por um aumento do número de alunos da língua de Camões



“Atualmente, pelo menos da parte do povo, há maior abertura à língua e cultura de matriz portuguesa. Ele tem melhor consciência de como é rica e única a cultura indo-portuguesa”, declarou o professor universitário goês à agência Lusa.

Por outro lado, quanto à aprendizagem da língua, “o número de alunos tem aumentado ao longo dos anos”, num contexto em que “tanto a Fundação Oriente como o instituto Camões têm exercido um papel relevante nesse sentido”.

Em 1961, a União Indiana anexou o então estado da Índia, colónia portuguesa que era constituída pelos territórios de Goa, Damão e Diu.

“Os meus pais, Fernando de Noronha e Judite da Veiga, apesar do novo condicionalismo político, continuaram, na medida do possível, com o modo de vida a que estavam habituados. Por isso é que viemos, muito naturalmente, a falar a língua portuguesa e a cultivar a literatura e a música portuguesas, sem embargo do nosso amor à língua concani”, declarou Óscar Noronha.

O seu pai inculcou na família “um amor ao idioma luso” e, a pedido dos filhos, “deixou registadas as suas memórias” em dois livros: “Momentos do meu passado” (2002) e “Goa tal como a conheci” (2018), este publicado postumamente.

“Escrevi a biografia do meu tio-avô, monsenhor Castilho de Noronha, que foi parlamentar [da antiga Assembleia Nacional do Estado Novo], além de ter sido professor do Seminário de Goa, diretor de um jornal e autor de duas obras sobre a filosofia indiana”, disse.

Como “muitos aspectos da cultura comunitária estão a desaparecer”, Óscar Noronha produz há alguns anos o ‘podcast’ “Renascença Goa” com o objetivo de “redescobrir a cultura indo-portuguesa”, além de ter traduzido e editado obras em inglês e português.

O Saint Xavier’s College, de Mapuçá, tem vindo a organizar, anualmente, o Dia da Língua e Cultura Portuguesa, com a participação de alunos de escolas de ensino secundário do estado de Goa.

Também, entretanto, passou a haver localmente “grande interesse” por fado e mandó, dois géneros musicais que o irmão de Óscar, o guitarrista Fernando Noronha, decidiu valorizar abrindo em Pangim a casa da especialidade “Madragoa”. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


quarta-feira, 19 de junho de 2024

O “Pátria”: 100 anos desde a primeira viagem aérea entre Portugal e Macau

Uma exposição itinerante, a apresentação do livro “De Portugal a Macau, a Viagem do Pátria”, conferências e o descerramento de uma placa comemorativa serão as actividades em homenagem ao centenário da primeira viagem aérea entre Portugal e Macau, que acontece amanhã, dia 20 de Junho, às 16h45, no Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong. O evento está inserido nas comemorações do “Junho, Mês de Portugal na RAEM” e estende-se ao Clube Lusitano em Hong Kong


Para celebrar o centenário da viagem aérea entre Portugal e Macau, o Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong receberá amanhã, dia 20 de Junho, uma comitiva composta por elementos do Município de Odemira, Universidade do Porto e Força Aérea Portuguesa, chefiada pela Comissão Organizadora do evento, que trazem consigo uma série de actividades.

As mesas de conferências darão início às 16h45, no Auditório Dr. Stanley Ho, seguidas pela apresentação do livro “De Portugal a Macau – A Viagem do Pátria”, de Sarmento Beires. Também será inaugurada a exposição itinerante “Portugal Na Aventura de Voar”, que reconstitui a história da viagem aérea inaugural entre Portugal e Macau. Além disso, será realizado o descerramento de uma placa evocativa do centenário, que contará com a presença da neta de Brito Paes, um dos afamados aviadores envolvidos na travessia. O mesmo programa será reproduzido no Clube Lusitano, em Hong Kong, a partir das 18h30.

A iniciativa faz parte das comemorações do “Junho – Mês de Portugal na RAEM”, e o projecto é realizado em parceria com a Fundação Oriente e o Club Lusitano de Hong Kong, com o patrocínio do Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong e do Instituto Português do Oriente. O programa das comemorações estende-se até Setembro.

A comissão organizadora também destacou o envolvimento do Município de Odemira, que em 2024 uniu-se à Força Aérea Portuguesa e à Universidade do Porto para assinalar a comemoração do centenário da primeira viagem aérea entre Portugal e Macau, iniciada em Vila Nova de Milfontes, em 1924.

A saga do “Pátria”

O Primeiro Centenário da Independência do Brasil foi celebrado com a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, onde Sacadura Cabral e Gago Coutinho, a bordo do “Lusitânia”, realizaram mais uma façanha exploratória portuguesa, carregada de simbologia e perícia.

Em 1924, Portugal voltou a fazer história na aviação, ao realizar com sucesso o primeiro voo entre Portugal e Macau. A bordo do avião “Pátria”, entre o dia 7 de Abril e 20 de Junho, três aviadores portugueses, Brito Paes, Sarmento de Beires e Manuel Gouveia, completaram um percurso de mais de 13 000 quilómetros, que havia sido considerado impossível de ser realizado.

A imprensa portuguesa e estrangeira acompanhava de perto essa aventura, admirada com a fragilidade dos recursos técnicos utilizados pelos aviadores portugueses, em comparação ao material de ponta da aviação estrangeira. No entanto, o povo português não se impressionou com as dificuldades e mobilizou-se para apoiar a viagem, organizando várias actividades para arrecadar os fundos necessários.

O raide foi uma experiência única para os três aviadores, que sonhavam ligar Portugal a um dos seus pontos mais distantes, Macau. Além disso, foi um ensaio para o objectivo maior de dar a volta ao mundo de avião, um sonho da aviação da época.

O avião escolhido foi um Breguet XVI, um antigo bombardeiro nocturno de guerra, que transportava até 550kg de carga. Após completarem dois terços do percurso, o avião sofreu um acidente ao aterrar de emergência na Índia, devido a uma tempestade, e teve de ser substituído por outro avião usado, mais uma vez, comprado com fundos arrecadados pelo povo português.

Após o sucesso do raide, os aviadores foram recebidos como heróis pelas comunidades portuguesas em Macau, Hong Kong e Xangai, e regressaram a Portugal, desta vez pelo mar, com paragens em várias comunidades portuguesas na América. Em Lisboa, os três aviadores heróis foram recebidos com festa e condecorados com a Ordem de Torre Espada de Valor, Lealdade e Mérito pelo Presidente da República. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 3 de maio de 2024

Macau - Música lusófona e coro infantil assinalam dia da língua portuguesa

Várias actividades vão decorrer em Macau integradas no Dia Mundial da Língua Portuguesa, cuja data oficial é 5 de Maio


O Dia Mundial da Língua Portuguesa celebra-se desde 2019, por determinação da UNESCO, e Macau tem vindo, desde essa altura, a organizar anualmente actividades de comemoração. Para este ano, destaque para o concerto de música portuguesa da responsabilidade da Casa de Portugal (CPM), agendado para amanhã, às 20h00, no auditório da Escola Portuguesa (EPM). O espectáculo tem entrada livre e conta com a participação de Tomás Ramos de Deus, Miguel Andrade, Paulo Pereira, Ivan Pineda e Irawan Kusuma, bem como de Vânia Vieira.

A EPM realiza, por si só, outros eventos. Na segunda-feira, os alunos vão recitar poemas, “num momento cultural”, a realizar às 12h00 no átrio interior da escola, seguindo-se um evento musical da lusofonia interpretado por elementos da CPM. Trata-se de uma iniciativa aberta a todos, “porque todas as actividades aqui na escola são abertas a toda a comunidade, seja ela portuguesa, seja chinesa”, sublinha o director, Acácio de Brito. “Esta é a abertura que procuramos, também dentro das nossas limitações de espaço, para dar a conhecer aquilo que se vai fazendo e aquilo que se vai perscrutando no sentido da própria lusofonia”.

O Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, por sua vez, vai acolher na terça-feira um concerto com a banda da CPM. A directora, Felizbina Gomes, declarou ao JTM que “será uma forma animada e culturalmente enriquecedora de homenagearmos o idioma falado por milhões de pessoas”. “Certamente será um dia muito feliz ao som das músicas infantis que a Banda da Casa de Portugal criou para todas as crianças de Macau”, acrescentou.

O Dia Mundial da Língua Portuguesa merece também atenção de entidades como o Instituto Português do Oriente (IPOR) e a Fundação Oriente, que têm já eventos a decorrer. O IPOR organiza hoje, no Teatro D. Pedro V, uma visita de duas turmas do nível A1 às “Noites de Fado”, proporcionadas pelo Instituto Cultural.

No dia 5, no Teatro da Broadway, das 17h00 às 190h00, actua o coro infantil de Hong Kong, que comemora o seu 55º aniversário. O concerto contará com cerca de 200 elementos com idades entre 11 e 16 anos. Do repertório constarão músicas em chinês, inglês e, numa produção inédita para o coro, será apresentada, pela primeira vez, uma música em Português, especialmente preparada para este espectáculo.

No dia 7, o IPOR introduz as “Minibibliotecas escolares” – com o objectivo de promover a leitura em português e dar a conhecer autores portugueses às crianças das escolas privadas e oficiais da RAEM onde se ensina a língua portuguesa. Estas actividades estão integradas no Festival Literário “Letras & Companhia”.

A Fundação Oriente tem patente, na Casa Garden, a Exposição “Que Mar se vê afinal da Minha Língua?”, com curadoria de Margarida Saraiva e a associação Babel. É uma mostra que reúne cerca de 50 trabalhos em diversas disciplinas, de artistas de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Macau, Timor-Leste e Goa (Índia).

A associação Babel revela ainda que esta mostra questiona “o que será do espaço de expressão portuguesa daqui a dois ou três séculos”. Catarina Cottinelli, delegada da Fundação Oriente, referiu que a instituição “celebra a identidade portuguesa através da nossa língua neste conjunto de obras”, que continuam expostas até 12 de Maio. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”