Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 28 de maio de 2025

Macau - Casa Garden revitalizada recebe eventos do “Junho, Mês de Portugal”

A reabertura da Casa Garden, depois de cinco meses de obras de consolidação e reparação do exterior, inicia um novo ciclo para o icónico edifício da responsabilidade da Fundação Oriente. O protagonismo da mansão de traços europeus numa zona histórica da cidade “tem de ser mais desenvolvido”, disse Catarina Cottinelli ao Jornal Tribuna de Macau. A Fundação prepara a reedição de um livro, uma monografia, que conte a história da Casa Garden, que deverá ser lançado no próximo ano, juntamente com uma pequena exposição. De “cara lavada”, o espaço vai abrir oficialmente numa cerimónia a realizar a 17 de Junho, mas antes receberá actividades culturais especiais, inseridas na programação do “Junho, mês de Portugal”


Após cinco meses de trabalhos de consolidação e reparação de exteriores, a icónica Casa Garden, com mais de dois séculos de história, vai abrir as portas ao público com alguns eventos no início do próximo mês. Uma cerimónia a realizar às 18h00 no dia 17 de Junho assinalará oficialmente a reabertura do espaço.

Coincidindo com os 20 anos do Centro Histórico de Macau, o edifício, construído em 1770 e classificado como Património da Humanidade pela UNESCO em 2005, está pronto para dar continuidade às actividades que desenvolve a nível cultural.

As obras apenas mexeram na fachada, ou seja, no visual exterior, incluindo a impermeabilização das coberturas, não se tendo realizado “qualquer intervenção no interior”, segundo referiu ao Jornal Tribuna de Macau a delegada da Fundação Oriente (FO), que se sente “muito feliz e surpreendida, pela positiva, pelo resultado final das obras” realizadas por uma empresa contratada pelo Instituto Cultural (IC), “com larga experiência na revitalização urbana e dos edifícios históricos da cidade”.

Tendo o tópico da reabertura como pano de fundo, Catarina Cottinelli realçou o protagonismo que a mansão de traços europeus tem naquela zona da cidade, com três elementos, o Jardim de Camões, a Casa, que era toda a propriedade, e o cemitério protestante.

Por isso mesmo, e atendendo à sua classificação patrimonial, a responsável frisa que a Casa, “em termos de arquitectura, tem de ser mais desenvolvida”, havendo projectos em cima da mesa. “Vamos ver se conseguimos que saia para o próximo ano a reedição de um livro, que já existiu, mas que já não há, feito por Beltrão Coelho, que contava a história de quem por aqui passou, quem tinha habitado a casa, entre outros aspectos muito interessantes”, mencionou, transmitindo a ideia de que o lançamento dessa publicação seja acompanhado por uma pequena exposição.

Por ser também arquitecta de profissão, a delegada da FO “gostaria que houvesse mais descrição do ponto de vista de arquitectura e mais investigação, para que pudéssemos perceber um bocadinho o que fez com que esta casa ficasse com este aspecto”.

Adianta ainda que a Casa Garden, através do tempo, “sofreu algumas alterações, por variadíssimas razões, daí haver uma série de coisas que no futuro gostaria de poder ter nesse livro, ou seja, uma história mais densa sobre a arquitectura do edifício”, reconhecendo que o IC tem feito igualmente alguma pesquisa, existindo uma publicação em chinês. No fundo, diz, “é juntar toda essa informação e fazer um livro, uma monografia, sobre a Casa Garden, mas sob o ponto de vista da sua arquitectura, da sua importância neste sítio do Centro Histórico de Macau”.

“Estamos nesta embalagem de um novo ciclo, por assim dizer, porque vamos abrir ao fim de cinco meses”, salienta.

Alguns eventos integram “Junho, mês de Portugal”

A Casa Garden volta assim a estar em condições de receber actividades, algumas das quais estão inseridas nas comemorações do 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. “Estes eventos não só reforçam o intercâmbio cultural sino-lusófono, mas também enriquecem o panorama cultural de Macau, promovendo um espaço de diálogo e interacção entre culturas”, refere um comunicado da FO.

A reabertura segue “extensas reformas” que restauraram a Casa Garden, com o apoio do IC, garantindo a “preservação da sua importância arquitectónica e cultural para as futuras gerações”, reforça a nota. No espaço vão ter lugar eventos diversificados, incluindo workshops, palestras e iniciativas interactivas que “estimularão o intercâmbio cultural entre Macau e o mundo”.

Além disso, acrescenta a nota de imprensa, a sua revitalização reflecte “um compromisso com a manutenção da rica história de Macau”, ao mesmo tempo que “promove o intercâmbio cultural e o envolvimento da comunidade”.

Os primeiros eventos do revitalizado “quartel-general” da FO serão duas grandes exposições nas suas galerias principal e temporária, para além de uma mostra de cinema português, que será exibida no seu auditório. De 3 a 29 de Junho, a Casa Garden será palco das exposições “Quando a Ilha Projecta Suas Sombras” e “Objectos com Alma”.

A primeira, que não faz parte das actividades incluídas na programação do “Junho, mês de Portugal”, é “Uma Retrospectiva de Frank Lei”, que homenageia o legado deste fotógrafo contemporâneo, apresentando mais de 60 obras, a preto e branco, assim como um livro e objectos pessoais, que abrangem a sua carreira desde a década de 1990 até aos projectos mais recentes.

“É um artista local, que tem uma visão sobre os espaços, sobre a vivência de Macau, em que as pessoas são no fundo o foco das suas fotografias, tiradas em sítios que agora já não são reconhecíveis, porque foram alterados, certamente para melhor”, defende Catarina Cottinelli, para quem a exposição “é uma perspectiva e um olhar do que acontecia de carácter social aqui em Macau”.

A segunda exposição, já integrada no “Mês de Portugal”, destaca a rica tradição da marioneta portuguesa. Com um acervo de mais de 1000 marionetas de diversas épocas e estilos, da colecção privada de Elisa Vilaça, curadora do evento, os visitantes terão a oportunidade de explorar as técnicas de construção e manipulação que tornam esta forma de arte única. “A exposição não só celebra a história da marioneta, como também enfatiza o seu papel educativo e cultural”, frisa a FO.

Quanto à variante cinematográfica, organizada em colaboração com a Portugal Film e a associação CUT, da Cinemateca Paixão, apresentará uma selecção de filmes em português, iniciada com a exibição de “Greice”, de Leonardo Mouramateus, aclamado em festivais de cinema de todo o mundo. A mostra divulgará também uma série de curtas-metragens inovadoras, evidenciando o panorama do cinema português contemporâneo.

De referir que estas iniciativas integradas na programação do “Junho, mês de Portugal” arrancam já amanhã, quinta-feira, com a inauguração da exposição “Diálogos da Criatividade”, com 50 obras de 24 artistas portugueses contemporâneos, promovida pela Amagao na Galeria do Hotel Artyzen Grand Lapa.

Há mais dois eventos neste mês de Maio. Na sexta-feira, a Somos – Associação de Comunicação de Língua Portuguesa organiza a exposição de fotografia “O Homem e o Divino”, no Parisian. No sábado, é inaugurada mais uma mostra fotográfica, denominada “Património Cultural de Macau”, acompanhada de visionamento do documentário “Heritople”, que terá lugar no Consulado-Geral de Portugal, com organização do Instituto Internacional de Macau.

Todas as restantes actividades decorrerão durante o mês de Junho. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 24 de abril de 2024

Macau - Encontro de delegações da Fundação Oriente para partilhar o “que se faz de melhor” na RAEM e em Goa

O 1.º Encontro de Delegações da Fundação Oriente (FO), que se realiza em Macau por ocasião do 25 de Abril, é uma “primeira aproximação” entre as representações e “uma rampa de lançamento” para maior intercâmbio


“Tivemos aqui uma ideia de aproximação, uma primeira aproximação, não só para trocar experiências entre nós, delegados (…) mas isto foi uma coisa que nasceu (…) do interesse que temos em aprender com aquilo que se faz de melhor em cada um desses sítios”, disse à Lusa a delegada da Fundação Oriente em Macau, Catarina Cottinelli.

A decorrer entre 24 e 29 de Abril, esta primeira edição junta apenas Macau e Goa, estando a delegação de Timor-Leste ausente devido a compromissos.

Nadia Rebelo, Franz Schubert Cotta e Omar de Loiola Pereira, três músicos de Goa, sobem ao palco, na Casa Garden, Macau (27 de Abril), e no Clube Lusitano, em Hong Kong (28 de Abril), para dois concertos que incluem temas de fado e de mandó, género musical goês.

Está prevista ainda uma conferência sobre o trabalho da Fundação Oriente na Índia, com incidência na recuperação de património cristão no estado indiano de Goa e no apoio e promoção do ensino de português. “A fundação aqui também tem o papel não só dessa manutenção do património, dessas ligações a Portugal, mas também tudo o que seja o incremento dos laços entre Portugal e Índia, mais concretamente em Goa. E, além dessa recuperação, também temos vindo pontualmente a suportar ou apoiar o governo de Goa na recuperação de algum património hindu”, disse à Lusa o delegado da FO Goa, Paulo Gomes.

O encontro na região chinesa, onde Catarina Cottinelli diz esperar elevar a cumplicidade entre as representações, é também uma oportunidade para dar a conhecer as comunidades com quem trabalham e até “a própria estratégia” para as respetivas regiões, “que é um pouco diferente” e adaptada “a cada contexto”. “A fundação [em Macau], hoje em dia, tem um papel mais na vertente cultural, do intercâmbio cultural, de promover as atividades que fazemos aqui, promover justamente uma relação maior com a cultura chinesa e portuguesa, e, neste caso, a cultura de Macau”, explicou.

Cottinelli já pensa em encontros futuros, na Índia e em Timor-Leste, e assegura que as ideias existem, nomeadamente a realização de residências artísticas. “Por que não trazermos artistas de Goa e vice-versa”, sugeriu, avançando ainda a possibilidade de levar artistas de Macau que queiram fazer investigação em Goa. Já Paulo Gomes admite que este primeiro evento pode ser uma “rampa de lançamento” para a realização de “duas ou três atividades anuais que envolvam as três delegações”.

A Fundação Oriente nasceu em 18 de março de 1988 como uma das contrapartidas impostas pela então administração portuguesa em Macau à concessão em regime de exclusividade da exploração do jogo no território. Desenvolve acções culturais, educativas, artísticas, científicas, sociais e filantrópicas, com vista à valorização e à continuidade das relações históricas e culturais entre Portugal e o Oriente. Após a abertura da delegação da FO em Macau, em 1988, seguiu-se Goa, em 1995, e Timor-Leste, em 2002. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 21 de março de 2023

Macau - Ana Paula Cleto realça “importantíssimo papel” da Fundação Oriente em vários campos

Um evento musical assinalou a passagem do 35º aniversário da Fundação Oriente, realizado no sábado no exterior da Casa Garden, onde marcaram presença algumas dezenas de convidados. Na mesma ocasião, Ana Paula Cleto despediu-se oficialmente do cargo de delegada da instituição, no qual será substituída por Catarina Cottinelli, a partir de Abril. Ana Paula Cleto agradeceu às associações culturais, aos artistas, aos criadores, ao Governo de Macau, “por terem ajudado a fazer um melhor trabalho”, nestes 13 anos em que foi responsável pela Fundação Oriente no território, considerando que a instituição “desempenhou um importantíssimo papel no espaço cultural e não só”


Espectáculo ao ar livre nos jardins da Casa Garden, com canções brasileiras de Bossa Nova, interpretadas por Jandira Silva, e de fado, na voz de Rita Portela, preencheram o final de tarde de sábado de algumas dezenas de convidados, onde não faltaram, entre outros, Raimundo do Rosário, Secretário para os Transportes e Obras Públicas e Alexandre Leitão, Cônsul de Portugal para Macau e Hong Kong.

Lá estiveram também diversos artistas e associações culturais do território, para um evento que serviu para assinalar os 35 anos da Fundação Oriente (FO), ao mesmo tempo que marcou a despedida oficial de Ana Paula Cleto como delegada da instituição, cargo que irá ser ocupado, a partir de Abril, por Catarina Cottinelli.

No seu discurso e antes das actuações musicais, Ana Paula Cleto agradeceu todo o apoio prestado neste período em que foi delegada da Fundação Oriente em Macau, associações culturais, artistas, criadores, Governo e amigos, “que ajudaram a fazer um melhor trabalho”, desejando depois sucesso à sua sucessora.

Logo a seguir ao programa musical e no decorrer de um cocktail que juntou bastantes convidados, Ana Paula Cleto falou ao Jornal Tribuna de Macau sobre o período em que esteve envolvida na orientação das actividades da FO em Macau, reforçando a ideia de a presença da Fundação Oriente, “antes da minha participação como delegada”, já desempenhava – porque nasceu aqui a 18 de Março de 1988 – “um papel importantíssimo para o espaço cultural e não só, também educativo, filantrópico, social”.

A delegada cessante da FO diz que “é importante relembrar que a Fundação é sócia fundadora do Instituto Português do Oriente e tem ainda hoje uma presença muito forte naquele Instituto, isto para além de ter sido igualmente importante no lançamento da Escola Portuguesa”.

Num balanço da sua permanência no cargo, Ana Paula Cleto considera que “foi um trabalho de continuidade daquilo que a Fundação Oriente vinha fazendo há vários anos, mas, claro, todos nós somos pessoas diferentes umas das outras”. Recordando a passagem dos seus antecessores, João Amorim e Rui Rocha, defendeu que “todos nós fizemos um bom trabalho”.

Projectos delineados até ao final do ano

A ainda delegada, uma vez que irá gozar férias antes de oficialmente sair do cargo e passar o testemunho a Catarina Cottinelli, deixa projectos já aprovados para todo o ano de 2023. “Eu defini esse plano, porque é estabelecido no ano anterior, fui que o programei, só que não sou eu que os vou concretizar”.

No entanto, garante, “vou dar apoio à Catarina Cottinelli, sempre que me for solicitado, porque estou disponível para ajudar”.

A saída, decidida de livre vontade, em pleno período da pandemia, “acabou por ser uma consequência disso mesmo”, apesar de reconhecer que se não fosse a pandemia talvez não tivesse decidido sair tão cedo.

“Não estou arrependida. Foi uma decisão que começou a ser tomada há um ano, muito pensada, é perfeitamente tranquilo, não há nenhum problema com isso. Mas, é verdade também que a pandemia, aquilo que nós vivemos em Macau e o facto de termos estado aqui fechados, sem fim à vista, provocou em mim alguns sentimentos. Quero ser uma pessoa livre e isso não era uma condição que se adaptava à minha maneira de ser. Sou uma mulher de espírito livre. Aguentei, estive aqui estoicamente dois anos e meio sem sair, mas é altura de pensar na vida”, relata Ana Paula Cleto.

Após 13 anos no cargo, diz que vai a Portugal por cinco meses e regressará a Macau para mais três. “Tenho aqui uma casa, o meu marido tem uma empresa em Macau”, portanto, a ligação vai continuar. “Não concebo a ideia de nunca mais vir a Macau, esta é a minha terra, vivi aqui mais tempo do que em Portugal”, confessa. “Tenho projectos pessoais e familiares e quero dedicar-me mais à família, quero estar em Portugal, quero estar entre Portugal e Macau, mas não tinha condições para estar aqui em permanência”.

Ana Paula Cleto, de 62 anos, e em Macau há 33, sente-se feliz por ter decidido fazer a partir de agora só aquilo que quer. “Estou feliz por aquilo que acho que fiz, mas um pouco triste porque gosto da Fundação”.

No que diz respeito à sua sucessora, salienta que Paula Cottinelli “tem muito boas ideias, tem muita energia, portanto boa onda e penso que isso pode dar continuidade ao trabalho que tem sido feito até agora”. “Tenho fé e acredito que ela vai fazer tão bem ou melhor do que eu”.

A concluir a entrevista, Paula Cleto considera que “valeu a pena todo este tempo em que tenho permanecido em Macau, onde tenho sido muito feliz”, depois de ter chegado com 29 anos. “Os anos mais importantes são os do amadurecimento e aqui tive a possibilidade de conhecer gente dos mais variados quadrantes, de todos os lados, isso dá-nos uma mundividência que não é possível vivendo só em Portugal”.

Catarina Cottinelli quer reforçar ligação com comunidade chinesa

Catarina Cottinelli esteve quase sempre ao lado de Ana Paula Cleto durante o evento que decorreu na Casa Garden, o que demonstra a proximidade que existe entre as duas e terá também como objectivo o trabalho em conjunto nesta fase de transição.

“Conto muito com ela, até porque o programa para este ano está já delineado e será importante o apoio da Paula Cleto neste período inicial quando eu assumir oficialmente o cargo”, disse a arquitecta, para quem o contacto com o exterior será muito importante, nesta altura em que estão abertas as fronteiras, “para que possamos trazer mais gente, não só de Portugal como de outros países”.

Numa curta conversa, Catarina Cottinelli falou de uma aposta também no reforço da relação com a comunidade chinesa e da Grande Baía em particular.

A nova responsável pela Fundação Oriente em Macau espera “contar com toda a gente” para dar continuidade ao que tem sido feito e “a Paula fez um óptimo trabalho”.

Monjardino pede garantias para os portugueses

Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente, apelou à preservação dos interesses dos cidadãos portugueses que vivem em Macau. No dia do 35º aniversário da instituição, Monjardino disse à Rádio Macau que espera que os governantes da RAEM “mantenham algumas garantias consagradas pelos portugueses” e que estes “não percam as condições que sempre tiveram em Macau”. Carlos Monjardino deverá visitar o território em Abril, antes de Ho Iat Seng se deslocar a Portugal. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”



quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Macau - Catarina Cottinelli ocupa em abril chefia da Fundação Oriente em Macau

Catarina Cottinelli será a nova delegada da Fundação Oriente em Macau. A arquitecta de profissão, antiga professora na Universidade de São José, irá suceder a Ana Paula Cleto, que deixará o cargo em Abril. Encarando o cargo de delegada como “um novo desafio”, Catarina Cottinelli tem como objectivo divulgar e promover o espólio da instituição


Catarina Cottinelli aceitou o convite endereçado pelo presidente da Fundação Oriente, Carlos Monjardino, para assumir a função de delegada da instituição em Macau a partir de Abril, substituindo Ana Paula Cleto, que assumiu funções em 2010. Para Catarina Cottinelli, este é “um novo desafio pessoal e profissional”.

A nova delegada diz também assumir as novas funções “com o intuito de divulgar e promover o espólio da Fundação Oriente, que merece ser conhecido por todos.”

A Fundação Oriente salienta, em comunicado, que a escolha de Catarina Cottinelli “decorre em linha com os objectivos estratégicos da delegação na RAEM, no sentido de dar continuidade ao plano de actividades culturais, educativas e sociais e da promoção da língua e cultura portuguesas, quer através de iniciativas próprias, quer por via de parcerias com entidades locais ou da concessão de subsídios.”

Filha do também arquitecto Daciano da Costa, Catarina Cottinelli está em Macau desde 2018, tendo leccionado na Universidade de São José. No ano passado, apresentou a primeira exposição individual “Desenhar Macau”, no âmbito das comemorações do 10 de Junho no território.

Na altura e a propósito da exposição, que deu uma maior visibilidade a esta faceta de Catarina Cottinelli, a autora dos trabalhos disse ter investido numa área que desconhecia, que é a pintura “e que se encontrava na gaveta devido ao último surto epidémico, reflectindo os espaços icónicos de Macau.”

Licenciada em arquitectura pela Universidade Técnica de Lisboa, Catarina Cottinelli possui, entre outros, mestrado em Cor na Arquitectura e doutoramento em Design, tendo obtido o grau de estudos Avançados em Design, também na Faculdade de Arquitectura de Lisboa.

Recorde-se de que a delegação de Macau da Fundação Oriente, instalada na Casa Garden e que passará a ser chefiada a partir de Abril por Catarina Cottinelli, foi estabelecida em 1988 e, além das actividades culturais, tem tido igualmente uma intervenção decisiva, a par com o Camões-Instituto de Cooperação e da Língua, criado em 1989, na ligação de Macau a Portugal, através da promoção da língua e culturas portuguesas. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Macau - Catarina Cottinelli expõe na Casa Garden


Estava marcada primeiramente para 25 de Junho, no âmbito das comemorações do “Junho, mês de Portugal na RAEM”, mas devido ao surto local de Covid-19 que assolou Macau em Junho e Julho, só agora a artista Catarina Cottinelli vai apresentar ao público “Desenhar Macau – Desenho, Pintura, Gravura e Monotipias”, no próximo sábado, dia 24 de Setembro, pelas 17h30, na Casa Garden da Fundação do Oriente.

A proposta da portuguesa é uma mostra com cerca de 150 obras de pintura a óleo, desenho e gravura, que estará patente até 21 de Outubro. Trata-se de uma espécie de retrospectiva dos trabalhos que Catarina Cottinelli tem vindo a fazer desde que chegou a Macau em 2018.

Catarina Cottinelli havia confessado ao nosso jornal, em Junho passado, que a presença nos cursos de Casa de Portugal promovidos pela artista Madalena Fonseca, em 2019, ajudaram a desenvolver em si várias técnicas desde a pintura a óleo, paisagem, retratos e também gravura. “Os trabalhos expostos revelam o conjunto destas experiências e são o resultado destes quatro anos em Macau. Uma parte da exposição é dedicada às quarentenas, a primeira em casa em Março de 2020 e a outra já em 2021 no hotel Grand Coloane Resort”, explicou, acrescentando que há também uma série de retratos de família que a autora fez em 2020 para poder “estar com todos mesmo sem voltar a Portugal”. Entretanto voltou a Portugal e fez mais uma quarentena.

Todas as obras de Catarina Cottinelli são, no seu conjunto, uma espécie de diálogo entre dois mundos: um mundo afectivo, distante tendo em consideração o afastamento que nos tem sido imposto pela pandemia, e um mundo realista que resulta da observação do meio envolvente, pode ler-se no comunicado de imprensa enviado ontem pela Fundação Oriente às redacções.

Catarina nasceu em Lisboa e é licenciada em Arquitectura pela Universidade Técnica de Lisboa. Estudou desenho à mão livre na Berkeley University of California (UCLA), em 1985. Desde que chegou a Macau, em 2018, que é professora visitante na Universidade de São José (USJ). Integrou o programa de residências artísticas da delegação de Macau da Fundação Oriente, programa que teve início em 2011, no qual participaram vários artistas de Macau e de Portugal. É filha de Daciano da Costa, considerado o “pai do design português”, e neta de Cottinelli Telmo, arquitecto e cineasta, responsável pela Exposição do Mundo Português e por ter idealizado o Padrão dos Descobrimentos, bem como por ter realizado o filme “A Canção de Lisboa” com Vasco Santana, Beatriz Costa e António Silva. É caso para dizer que filha de peixe sabe nadar. Do trabalho deles, é quase certo, bebeu a influência do meio artístico. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


 

terça-feira, 14 de junho de 2022

“Desenhar Macau” com um “olhar crítico”

Naquela que é a sua primeira exposição, Catarina Cottinelli apresenta uma série de técnicas de representação que vão do desenho à pintura, e da gravura à monotipia. Intitulada “Desenhar Macau”, a mostra inaugura a 25 de Junho ficando patente ao público até 31 de Julho. Ao Jornal Tribuna de Macau, a arquitecta explicou que obras são estas que vai expor e o processo para chegar a elas


Cerca de uma centena de trabalhos da arquitecta Catarina Cottinelli vão compor a mostra “Desenhar Macau Desenho. Pintura. Gravura. Monotipias”, que vai inaugurar na Casa Garden, no dia 25 de Junho, pelas 17h30, no âmbito das comemorações de “Junho, Mês de Portugal”. Apesar do título, a artista refere que as obras não se cingem ao desenho, por um lado porque é também “no sentido de pensar, observar, ter um olhar crítico sobre as coisas que nos rodeiam”, e, por outro, porque ao longo de quatro anos e meio explorou uma série de técnicas diferentes do desenho, que é a sua “base”.

“Como arquitecta, tenho essa experiência de, quando chego a um sítio novo como foi chegar a Macau, ter essa curiosidade de conhecer, estar e perceber um pouco como é que as pessoas vivem os espaços”, começou por contar ao Jornal Tribuna de Macau. Chegada ao território em 2018, e estando a dar algumas aulas na Universidade de São José, Catarina Cottinelli decidiu ir para a Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal, onde fez o curso de pintura e gravura com Madalena Fonseca. “A minha ideia era também experimentar um pouco outras coisas, porque sempre tive curiosidade de fazer pintura a óleo e explorar outras técnicas de representação”, acrescentou.

A exposição – que é a primeira de Catarina Cottinelli, e, por isso, “uma aventura” – é, assim, o resultado de vários anos de “investigação” feita nas diferentes áreas. “É uma investigação em várias áreas de representação, que vão do desenho à pintura, e técnicas mistas. É uma série de experimentações que são importantes para as pessoas se soltarem um pouco. Mas para mim a parte fundamental é desenhar, essa é a minha base”, sublinhou.

Segundo explicou a este jornal, a mostra será dividida visualmente em três blocos: Macau, o confinamento e a família. “A primeira parte inclui a arquitectura, as pessoas, os sítios mais especiais para mim. Adoro o Jardim de Lou Lim Ioc, por isso vai aparecer muita coisa relacionada com o jardim, há trabalhos sobre a Rua da Felicidade, sobre o Lilau”.


Já a parte do confinamento abarca trabalhos que realizou durante uma quarentena que realizou em casa e outra de 21 dias que fez num hotel, quando regressou a Macau. “É uma série de desenhos que pratiquei durante estes 21 dias. Foi uma maneira de não me perder muito. Estava em Coloane e portanto é Coloane desenhado com olhares diferentes, apesar de ser a mesma vista”, recordou Catarina Cottinelli.

Por fim, a parte dedicada à família apresentará uma série de retratos dos seus familiares. “Esta parte foi feita em 2020. Foi o ano em que não pude ir a casa e por isso desenhei os retratos de quase toda a gente da família”, explicou.

Sublinhando que a exposição “não é um fim”, porque ainda tem muito para “explorar”, Catarina Cottinelli apontou que a pandemia acabou por ser uma oportunidade para apostar na descoberta de outras técnicas. “Estar aqui fechada e ter também mais tempo foi uma oportunidade para desenvolver muito mais estas matérias. Foi uma grande oportunidade para mim. Temos de fazer das adversidades oportunidades, não é? E foi exactamente isso. Acho que nunca teria feito tanta coisa se não tivesse ficado aqui fechada. Teria viajado, mas assim tive oportunidade de investigar”, afirmou.

Segundo a programação do mês de Junho, a mostra “resulta de uma prática diária na vida de Catarina Cottinelli como forma de observar e reconhecer o mundo envolvente”. “Macau tem sido para a artista uma grande fonte de inspiração pela sua Arquitetura e Ambientes muito próprios e também pelas pessoas e encontros felizes que Macau lhe proporcionou”, pode ler-se. A exposição fica patente ao público até 31 de Julho.

Nascida em Lisboa, Catarina Cottinelli é licenciada em Arquitectura pela Universidade Técnica de Lisboa, tendo ainda estudado desenho à mão livre na Universidade de Berkeley, na Califórnia. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”




terça-feira, 15 de outubro de 2019

Macau – Universidade de São José acolhe lançamento de livro sobre identidade portuguesa em Goa e Macau

Primeiro número da série monográfica “Mapas esquivos” reúne dez ensaios sobre a construção da identidade em contextos coloniais e pós-coloniais. O livro, “Goa e Macau: A inscrição da identidade (nas línguas, literaturas e culturas)”, é acompanhado de dez desenhos originais sobre Goa e Macau da arquitecta portuguesa Catarina Cottinelli



O Departamento de Estudos Portugueses da Universidade de São José (USJ) apresenta hoje, às 19 horas, a publicação do primeiro volume de uma série monográfica dedicada à inscrição da identidade portuguesa nos territórios de Goa e Macau, que será acompanhada por 10 desenhos da arquitecta portuguesa Catarina Cottinelli, na perspectiva da construção dessa identidade em contextos coloniais e pós-coloniais.

Num livro patrocinado pela Fundação Macau e editado pela Universidade de São José, a inscrição da identidade portuguesa em Goa e Macau é analisada por dez autores de acordo com abordagens dos estudos literários, da linguística aplicada, da história e da antropologia.

Em declarações ao Ponto Final, Vera Borges, coordenadora do Departamento de Estudos Portugueses e autora de um dos capítulos, explica que o objectivo da USJ é “lançar uma colecção de volumes”, sendo que o título “Mapas esquivos” será transversal a toda a série monográfica, e cada um “terá o seu título e a sua própria temática”.

O primeiro título da série “Mapas esquivos” é uma abordagem multidisciplinar de investigadores provenientes de áreas diferentes sobre a afirmação de várias identidades culturais nos territórios de Goa e Macau. “Contactámos vários investigadores de diferentes áreas, em que uns tratam a literatura, outros tratam de documentos da historiografia, registos de documentos que descrevem vivências sociais. Temos também autores que incidem a sua abordagem sobre o ensino da língua ou que têm uma abordagem mais antropológica”, afirma a coordenadora ao Ponto Final.

“Há uma variedade de abordagens que reflecte esta variedade de pontos de vista sobre os vestígios da presença portuguesa e a afirmação de várias identidades na cultura de Goa e na cultura de Macau”, assinala Vera Borges.



No lançamento da obra vai estar Rosa Maria Perez, a antropóloga contribuiu com um capítulo dedicado à identidade das mulheres de Goa numa sociedade divida por castas. Em declarações ao Ponto Final, Rosa Maria Perez revela que a sua contribuição neste trabalhou proveio de um trabalho de investigação, que está perto de concluir, sobre mulheres nacionalistas goesas que se opuseram ao colonialismo português na Índia.

“Efectivamente, o sistema de castas indiano é anterior à chegada dos portugueses e continuou para lá dos portugueses. O que é muito curioso e bastante singular é que o próprio sistema de castas se inscreveu no interior do catolicismo, portanto há castas católicas, ou seja, um pouco em contradição com a ideologia católica, segundo a qual todos os indivíduos serão iguais perante Deus”, afirma Rosa Maria Perez, acrescentando depois que o sistema social indiano de castas continua estratificado mesmo ao nível dos católicos indianos.

“O que vou falar é exactamente da maneira como as mulheres aparecem representadas nos periódicos goeses, coloniais, e por outro lado também, a partir daí vou falar das ligações entre hinduísmo e catolicismo particularmente em Goa, mas também noutros contextos da Índia”, frisa Rosa Maria Perez.

O livro “Goa e Macau: A inscrição da identidade (nas línguas, literaturas e culturas)” conta ainda com capítulos de Maria José Grosso sobre o ensino do Português em Macau, antes e depois de 1999, e de Tereza Sena, intitulado “Reflexões sobre a Presença Portuguesa nos Confins da Ásia: espaços, gentes e estratégias”. In “Ponto Final” – Macau

pontofinalmacau@gmail.com